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quinta-feira, 2 de abril de 2020

LULU & DUDU






 
Relembramos hoje dois personagens famosos do “Saudades do Rio”. Os infatigáveis Lulu & Dudu que tanto contribuíram para o desenvolvimento do Rio.
Para homenageá-lo, segue crônica de Machado de Assis:
(...) De repente ouvi vozes extranhas; pareceu-me que eram os burros que conversavam, inclinei-me (ia no banco da frente do bond); eram elles mesmos. Como eu conheço um pouco a lingua dos Houyhuhums, pelo que d´ella conta o famoso Gulliver, não me foi difficil apanhar o dialogo.
Bem sei que cavallo não é burro; mas reconheci que a lingua era a mesma. O burro falla menos, de certo; é, talvez, o trapista d´aquella grande divisão animal, mas falla.
Fiquei inclinado e escutei: Tens e não tens razão, respondia o da direita ao da esquerda. O da esquerda: Desde que a tracção electrica se estenda a todos os bonds, estamos livres, parece claro. Claro, parece, mas entre parecer e ser, a differença é grande. Tu não conheces a historia da nossa especie, collega; ignoras a vida dos burros desde o começo do mundo.
Tu nem reflectes que, tendo o salvador dos homens nascido entre nós, honrando a nossa humildade com a sua, nem no dia de Natal escapamos da pancadaria christan. Quem nos poupa no dia, vinga-se no dia seguinte. Que tem isso com a liberdade?
Vejo, redarguiu melancholicamente o burro da direita, vejo que há muito de homem n´essa cabeça. Como assim? bradou o burro da esquerda, estacando o passo. O cocheiro, entre dous cochilos, juntou as redeas e golpeou a parelha.
Sentiste o golpe? pergunto o animal da direita. Fica sabendo que vieram com a regra de se não empregar o chicote. Espanto universal dos cocheiros: onde é que se viu burro andar sem chicote? Todos os burros d´esse tempo entoaram canticos de alegria e abençoaram a idéa dos trilhos, sobre os quaes os carros deslisariam naturalmente. Não conheciam o homem. Sim, o homem imaginou um chicote, juntando as duas pontas das rédeas.
Sei também que, em certos casos, usa um galho de arvore, ou uma vara de marmelleiro. Justamente. Até acho razão ao homem. Burro magro não tem força; mas, levando pancada, puxa. Sabes o que a directoria mandou dizer ao antigo gerente Shannon? Mandou isto: "Engorde os burros, dê-lhes de comer, muito capim, muito feno, traga-os fartos, para que elles se affeiçoem ao serviço; opportunamente mudaremos de politica, all right".
D´isso não me queixo eu. Sou de poucos comeres; e quando menos trabalho, é quando estou repleto. Mas que tem capim com a nossa liberdade, depois do bond electrico? O bond electrico apenas nos fará mudar de senhor. De que modo? Nós somos bens da companhia. Quando tudo andar por arames, não somos já precisos, vendem-nos. Passamos naturalmente ás carroças.
Pela burra de Balaam! Esclamou o burro da esquerda. Nenhuma aposentadoria? Nenhum premio? Nenhum sinal de gratificação? Oh! Mas onde está a justiça d´este mundo?
Passaremos ás carroças, continuou o outro pacificamente, onde a nossa vida será um pouco melhor; não que nos falte pancada, mas o dono de um só burro sabem mais o que elle lhe custou. Um dia, a velhice, a lazeira, qualquer cousa que nos torne incapaz, restituir-nos-há a liberdade...
Enfim! Ficaremos soltos, na rua, por pouco tempo, arrancando alguma herva que ahi deixem crescer para recreio da vista. Mas que valem duas dentadas de herva, que nem sempre é viçosa! Enfraqueceremos; a edade ou a lazeira ir-nos-há matando, até que, para usar esta metaphora humana, esticaremos a canella. Então teremos a liberdade de apodrecer. Ao fim de trez dias, a vizinhança começa a notar que o burro cheira mal; conversação e queixumes. No quarto dia, um vizinho mais atrevido, corre aos jornaes, conta o facto e pede uma reclamação. No quinto dia sahe a reclamação impressa. No sexto dia, apparece um agente, verifica a exactidão da noticia; no septimo, chega uma carroça, puxada por outro burro e leva o cadaver.
Seguiu-se uma pausa. Tu és lugubre, disse o burro da esquerda. Não conheces a lingua da esperança. Póde ser, meu collega; mas a esperança é propria das especies fracas, como o homem e o gafanhoto; o burro distingue-se pela fortaleza. A nossa raça é essencialmente philosophica. Ao homem que anda sobre dous pés, e provavelmente a aguia, que vôa alto, cabe a sciencia da astronomia. Nós nunca seremos astronomos; mas a philosophia é nossa. Todas as tentativas humanas a este respeito são perfeitas chimemanas.
Cada seculo...O freio cortou a phrase ao burro, porque o cocheiro encurtou as rédeas, e travou o carro. Tinhamos chegado ao ponto terminal. Desci e fui mirar os dous interlocutores. Não podea crer que fossem elles mesmos. Entretanto, o cocheiro e o conductor cuidaram de desatrelar a parelha para leval-a ao outro lado do carro; aproveitei a occasião e murmurei baixinho, entre os  dous burros: Houyhuhums! Foi um choque electrico. Ambos deram um estremeção, levantaram as patas e perguntaram-me cheios de enthusiasmo: Que homem és tu, que sabes a nossa lingua? Mas o cocheiro, dando-lhe de rijo uma lambada, bradou para mim, que lhe não espantasse os animaes. Parece que a lambada devera ser em mim, se era eu que espantava os animaes; mas como dizia o burro da esquerda, ainda agora: Onde está a justiça d´este mundo?

quarta-feira, 1 de abril de 2020

FÁBRICA DA COCA-COLA


 
A primeira foto é da fábrica da Coca-Cola na Estrada do Itararé nos anos 70.
 
Até os anos 90 era a engarrafadora de Coca-Cola no Rio, sendo a única engarrafadora que pertencia à "holding" Coca-Cola Indústrias Ltda, fabricante do xarope. As outras engarrafadoras no Brasil era franquias, sendo a mais importante a SPAL em São Paulo.
 
A Coca-Cola Indústria, nas última décadas do século passado, fabricava o xarope, se não me engano, em Manaus e em dois locais no Rio, na Av. Suburbana e em Campo Grande.
 
Aqui no Rio, além desta da Estrada do Itararé, havia outra fábrica em Bangu e vários depósitos como na Gávea, em Caxias, Centro (em São Cristóvão), Bonsucesso e outro perto de Triagem (não lembro exatamente em qual bairro este se localizava).
 
Nos anos 90 a engarrafadora foi vendida para o grupo Vidigal e, poucos anos depois, para uma empresa chilena, a Embotelladora Andina.
 
A fábrica foi então deslocada para novas instalações no Distrito Industrial de Jacarepaguá, sendo construída uma nova fábrica, bem moderna, cuja fachada vemos na segunda foto. Fica na Rua André Rocha.
 
As instalações da Estrada do Itararé, com o aumento da violência na região, foi desativada. A seguir foi invadida por moradores da favela vizinha.

terça-feira, 31 de março de 2020

CIRCUITO DA GÁVEA




 


As fotos de hoje são do Circuito da Gávea, o “Trampolim do Diabo”, nos anos 30.


O trajeto compreendia a Avenida Niemeyer, Estrada da Gávea (ao lado da Rocinha), Rua Marquês de São Vicente (Gávea), Avenida Visconde de Albuquerque, retornando à Avenida Niemeyer. As provas eram de 20 voltas sobre o circuito de 11160 metros, no total de 223,2 km.
 
A 1ª corrida foi em 1933, tendo vencedor Manoel de Tefé, com a impressionante velocidade de 67 km/h. Anos depois a largada passou a ser na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea.

Entre as fotos vemos um desenho da época, reproduzindo o difícil traçado deste circuito (fonte: "Circuitos de Rua", de Paulo Scali).

Numa das "baratinhas" vemos Geraldo Severiano, o “Raio Negro”.

Uma das fotos mostra o grande placar que ficava no Leblon, junto ao Hotel Leblon, bem no início da Avenida Niemeyer, bem como uma ambulância da Assistência Municipal.
 
A prova de 1936, segundo o Scali, contou com a presença inédita de uma mulher: Mlle. Hellé-Nice, pseudônimo da francesa Marriette Hélène Delangle, acrobata e dançarina de cassinos que se tornou hábil volante de carros de corrida. A moça, que competiu com um Alfa-Romeo, chocou a sociedade carioca ao fumar em público e ao vestir um maiô de duas peças.

 

segunda-feira, 30 de março de 2020

PUC




 
A PUC - Pontifícia Universidade Católica fundada em 1941 e instalada na Mansão Joppert ao lado do Colégio Santo Inácio mudou-se para suas atuais instalações na Gávea em meados dos anos 50.
 
A primeira foto mostra os prédios da PUC em 1974 à época da remoção do Parque Proletário da Gávea.
 
Na segunda foto vemos o edifício Cardeal Leme. com carros estacionados. A seguinte mostra um aspecto dos simpáticos jardins da Universidade.
 
A última, de autoria do então aluno I. Johnsson em 1965, mostra a visita de Robert Kennedy para inaugurar um busto do Presidente John Kennedy.

domingo, 29 de março de 2020

IGREJA DE SANTA CRUZ

 
Foto do Acervo do Correio da Manhã, de 1961, mostrando a igreja de Santa Cruz, em Copacabana, ainda sendo construída no interior do "Shopping dos Antiquários".
Em meados dos anos 60, Pe. Ítalo Augusto Coelho, nascido em Mouriti no Ceará no dia 6 de fevereiro de 1924, foi convidado pelo então cardeal Dom Jaime de Barros Câmara para visitar uma igreja em construção em Copacabana. Depois deste encontro o Pe. Ítalo começou a se interessar cada vez mais pelo inusitado templo que estava sendo construído no Shopping Center Cidade de Copacabana (o “Shopping dos Antiquários), entre Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães. Ele aceitou ser pároco e a Igreja começaria a ser aberta aos moradores do bairro e haveria mesmo a pré-inauguração no Natal.
Na meia-noite do dia 24 de dezembro de 1960 celebrou-se com um pequeno grupo de fiéis a primeira Santa Missa na Igreja Santa Cruz de Copacabana.
Na festa litúrgica da "exaltação da Santa Cruz" foi inaugurada a Igreja Santa Cruz de Copacabana. Podemos ler no livro de Tombo assim: "Aos três dias do mês de maio do ano do Senhor de 1961, as 20h, na Igreja ainda em construção, no Edifício do Super Shopping Center realizou-se a cerimônia de instalação da Paróquia de Santa Cruz de Copacabana. O ato foi presidido pelo excelentíssimo senhor cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. Inicialmente sua eminência, ordenou a leitura do Decreto de criação da Paróquia, cuja integra encontra-se a folha 1 deste livro de Tombo. Foi lido a seguir, a provisão do primeiro pároco da Igreja e a solenidade foi concluída com a celebração da Santa Missa.”
O shopping tem uma rampa interna em espiral que leva até a igreja. Conta o Decourt que o projeto não foi seguido à risca, começando pela rampa, pois no lugar de sua claraboia modernista possui hoje uma laje sem acabamento realizada para proteger os eventos da paróquia, o que inviabiliza o jardim com lago junto ao subsolo; o terraço jardim que não passa de uma remendada cobertura de concreto do enorme prédio com apartamentos de diversas topologias em um grande bloco, com áreas decadentes e uma garagem infiltrada e escura (que há meses melhorou um pouco com a administração de uma dessas firmas particulares que cobram preços extorsivos).
Nos anos 90, quando alguns grandes antiquários, banidos de lojas de rua do bairro pelos custos das grandes lojas, começaram a se instalar no espaço ocioso do 2º andar, houve uma melhora considerável do aproveitamento do espaço comercial do prédio.
Embora o shopping ainda possua seu terceiro andar, junto à igreja, houve uma grande mudança de uso e de conservação, no que pese a presença de um supermercado e uma série de botequins virados para a rua Siqueira Campos.
Segundo o Menezes, nos corredores internos várias lojas possuem sistema de ar-condicionado tipo "Split" com os condensadores instalados nesses corredores, ou seja, no verão o ar fica supersaturado e o funcionamento dos mesmos é bem deficiente, consumindo uma barbaridade de energia.
Neste "shopping" funcionou o Teatro de Arena e, acho que no mesmo local, o Teatro Tereza Rachel.

sexta-feira, 27 de março de 2020

AV. ATLÂNTICA



 
As fotos de hoje mostram a Av. Atlântica nas décadas de 50 e 60. Ainda era o tempo da mão-dupla, antes da duplicação da avenida.
 
Já naquela época havia horários em que a avenida se transformava em mão-única nos horários de "rush". Pela manhã em direção ao Centro e à tarde em direção contrária.

quinta-feira, 26 de março de 2020

BAIRRO PEIXOTO

 
A foto de hoje tem uns 50 anos e foi feita pelo missionário Lawrence Walker, da Junta de Missões Internacionais de Richmond, Virginia, EUA. Foi garimpada por Joe Musgrave.
Mostra a feira na Rua Décio Vilares, no Bairro Peixoto, em Copacabana, em frente à Primeira Igreja Batista de Copacabana. Esta feira se realizava todos os domingos em volta da praça e era frequentada por muitos fiéis copacabanenses após assistirem à concorrida missa do Padre Ítalo naquela igrejinha que ficava no último andar dentro do atualmente conhecido como “Shopping dos Antiquários”.
A pracinha do Bairro Peixoto, a Edmundo Bittencourt, que já apareceu por aqui em uma longa série, nos anos 50 tinha cavalos para alugar. Era um ótimo programa fazer uma longa volta a cavalo subindo pela Décio Vilares e descendo pela Maestro Francisco Braga.
Uma ilha de tranquilidade no meio de Copacabana a pracinha naqueles tempos era pouco frequentada. Havia muitos bambuzais nos quais as crianças se escondiam nas brincadeiras. Com balanços, rema-remas, escorregas, chão de terra que permitia o jogo de bola de gude e muito espaço para correr, era uma alegria para as crianças do bairro.
As carrocinhas da Kibon, do pipoqueiro e do algodão doce faziam sucesso. Aos domingos à tarde era comum muitos homens de terno branco e moças arrumadas, de todas as classes sociais, fazendo o “footing”. Uma pequena aglomeração se juntava para ouvir no rádio as partidas do Maracanã.
Foi um tempo que desapareceu.

quarta-feira, 25 de março de 2020

IGREJA N.S. DA PAZ

 
Esta foto, do acervo do Tumminelli, é da Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, ainda sem as torres, no início do século XX. A história desta paróquia está ligada a Copacabana, pois os primeiros moradores de Ipanema tinham que ir à Copa para frequentar a Igreja que ficava onde hoje é o Forte de Copacabana.
O padre Joaquim Soares de Oliveira Alvim, que era pároco da Capela do Senhor do Bonfim de Copacabana tinha em mente criar uma paróquia em Ipanema, para que os moradores não precisarem ir até a  distante Copacabana.
O arquiteto Gastão Baiana projetou a igreja. As obras começaram em 1920 e em maio de 1921 foi realizada a primeira missa na já pronta sacristia.
Em agosto de 1921 numa procissão que começou em Copacabana, liderada pela filha de Epitácio Pessoa, a imagem de Nossa Senhora da Paz, foi transferida da Igreja de Nossa Senhora de Copacabana para a nova paróquia.
A obra da igreja só terminou em 1936.

 
Poucos anos depois temos uma foto com as torres já construídas. O curioso é constatar que aquele prédio da esquina da Rua Joana Angélica vem sobrevivendo até os dias de hoje. Ali funciona a Padaria Ipanema.

 
Foto do Acervo do Colégio Notre Dame. Vendo-se a Igreja de Nossa Senhora da Paz, na Rua Visconde de Pirajá esquina da Rua Joana Angélica, desde o terraço do Colégio Notre Dame (Rua Barão da Torre). À direita da Igreja vê-se o prédio onde funcionou o Colégio São Francisco de Assis e, bem à direita, parcialmente, o prédio do Cinema Pax.
A Igreja de Nossa Senhora da Paz, na década de 1960, teve como vigário o controvertido e polêmico Frei Leovegildo Balestieri, que ali instalou ar-condicionado para conforto dos fiéis ("quem gosta de calor é o Diabo no inferno!"). Também criou a "missa do iê-iê-iê. Ele tinha como auxiliar a Dona Itália, que era uma "fera". Num certo domingo em que era o "Dia das Mães", Frei Leovegildo comprou rosas para serem distribuídas para todas as mães. D. Itália, entretanto, só as entregou para quem usava aliança de casada. As mães sem aliança, segundo ela, não mereciam...

 
Ao lado da Igreja, neste grande edifício onde existiu o Cinema Pax, o Frei instalou a Casa Nossa Senhora da Paz, com serviços médico-assistenciais. Dando vazão a seu lado empresarial, montou uma pequena indústria de azulejos no subúrbio, ganhou o controle do guarda-volumes na Central do Brasil e construiu o Center Hotel no Centro da Cidade. Em 1952 já havia inaugurado o Cinema Pax e, anos depois, abriu um rinque de patinação (o Gelorama), um boliche e um teatro de arena, tudo para arrecadar fundos para a Igreja. No lugar do Gelorama funcionou depois uma grande academia de ginástica. Chegou a ser sócio do Canecão. Exagerando, imaginou demolir a Igreja para a construção de um "shopping", onde ao lado de butiques e lanchonetes, haveria uma capela, segundo Rui Castro. Uma violenta campanha d´O Pasquim sustou a idéia e a Igreja está lá até hoje. Acho até que o "nosso" frei foi incluído naquele mural do Ziraldo no Canecão...


Vemos, em foto da tia Milu, a lojinha situada logo ao lado da igreja, na Visconde de Pirajá. Ali vendiam-se ações do Center Hotel, localizado na Av. Rio Branco, perto da Marechal Floriano. Muitos fiéis, inclusive meu sogro, compraram estas ações. Não valem nada hoje em dia.

terça-feira, 24 de março de 2020

LAGOA



 
Estas fotografias da Lagoa no início do século XX, enviadas Tia Lu, desaparecidíssima e uma das mais antigas e queridas comentaristas do "Saudades do Rio", fazem parte de um lote do Acervo do Sérgio Coimbra.
Vemos um grupo tendo aula de desenho às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, no seu lado de Ipanema. Podemos observar a praia que existia em toda a região entre o Corte do Cantagalo e o atual Jardim de Alá.
Por esta época a Prefeitura do Rio havia encomendado ao engenheiro Saturnino de Brito um plano de saneamento da Lagoa. Esperava-se que fosse "a solução definitiva e de imediata execução que operará uma transformação maravilhosa naquela zona, até aqui desacreditada pelo flagelo do impaludismo, e que passará a ser um dos bairros mais encantadores do Rio de Janeiro".
O plano consistia na retirada do excesso de algas e o aterramento de mais de um milhão de metros quadrados das margens baixas e alagadiças da Lagoa. Foi projetado um cais de contorno com 5100 metros de extensão construído sobre um enrocamento. Na faixa de terra criada a partir dos aterros previa-se a implantação de uma larga avenida de contorno, que recebeu o nome de Epitácio Pessoa.
O projeto de saneamento, cuja premissa era manter a Lagoa permanentemente com água salgada, teria dois canais: o primeiro seria um canal interceptor, na Ponte das Tábuas, destinado a recolher todas as águas doces que desciam as vertentes do Maciço da Tijuca e o outro seria o Canal do Jardim de Alá.
Viu-se, com o passar dos anos, que o problema da Lagoa era muito mais complexo e demandaria outras soluções.
Teria a moça da terceira foto servido de modelos para os jovens pintores?

segunda-feira, 23 de março de 2020

HOSPITAL MONCORVO FILHO


 
A primeira foto, de Malta, mostra o IPAI - Instituto de Proteção e Assistência à Infância, que foi criado em 1889 pelo médico Arthur Moncorvo Filho e transferiu-se para este prédio em 1914. Atualmente abriga o Instituto de Ginecologia da Faculdade de Medicina da UFRJ e, em prédio anexo construído na década de 1960, o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE).
A segunda foto, do Acervo do Correio da Manhã, é de 1962 e mostra o aspecto diante do hospital, então utilizado principalmente pelos alunos da Escola de Medicina e Cirurgia.
No Moncorvo, pela Faculdade Nacional de Medicina, tive aulas de Ginecologia e Obstetrícia com o Professor Pedro Brito Pereira, excelente mestre. E de Cirurgia Geral com o Professor Mariano de Andrade, temido pela forma autoritária com que tratava os alunos.

domingo, 22 de março de 2020

POSTO 6

 
Logo hoje que eu tinha programado passar o domingo em Copacabana veio esta ordem de isolamento.
 
Estava tudo preparado. Pegaria o bonde 66 da Tijuca até a Praça XV, saltaria no Centro na Rua da Assembleia e pegaria o 13-Ipanema até o Posto 6. Chegaria na casa da tia Mariana onde os primos já estariam prontos para sairmos e ir assistir a missa na igrejinha de Copacabana, ali na Francisco Otaviano.
 
Depois, praia até a hora do almoço na casa da tia com o meu adorado prato de carne assada, batatas coradas e molho ferrugem.
 
Depois esperaríamos o início do jogo no Maracanã às 15h15, narrado pelo Cozzi.
 
Como tínhamos que aproveitar o domingo inteiro pegaríamos ainda a sessão das 18h no Caruso, seguido de um pastel de queijo e um pavê de chocolate no Lopes.
 
Era o tempo exato para correr para a fila da entrada da TV Rio para assistir ao TV Rio Ringue, boxe ao vivo. Olhar para o Leo Batista narrando e o  Teti Alfonso comentando e ficar esperto para tentar aparecer na tela na hora do "passeio das câmeras".
 
Um último chope no Alcazar e voltaríamos para dormir, pois tia Mariana já vai estar preocupada. 

sábado, 21 de março de 2020

DO FUNDO DO BAÚ - FUTEBOL

 
Neste estranho fim de semana sem futebol o jeito é tirar "Do Fundo do Baú" estas fotos memoráveis. Desde o velho "Maraca" lotado até craques excepcionais que foram meus ídolos.

 
Embora tenha sido tricampeão de 53-54-55 em final disputada já no início de 1956, eu achava que este uniforme do Flamengo dava azar. Na foto vemos o bom e folclórico Pompeia, o "Constellation", disputando uma bola num Flamengo x América, com meu primeiro grande ídolo rubro-negro, o Dida.

 
Flamengo x Botafogo, numa época em que o Botafogo tinha um timaço, no início dos anos 60. Gol de Dida, vencendo o goleiro Amauri. Perto dele o Tomé, zagueiro-central. Perto da linha do gol o Pampolini e um outro botafoguense não identificado. Perto do Amauri vemos os rubro-negros Moacir e Henrique. Atrás do Dida, encoberto, pode ser o Nilton Santos.

 
Dino Sani, Quarentinha, Pelé, Dorval e Zagalo. Como havia craques em profusão. Os que vimos este pessoal jogar somos uns privilegiados.

sexta-feira, 20 de março de 2020

ZONA SUL ANOS 60

 
Esta foto é de 1961 e mostra os restos dos barracos do Parque Proletário da Gávea, nas imediações do "Minhocão" da Gávea, local por onde passa atualmente a Auto-Estrada Lagoa-Barra. 
 

 
Esta foto, também dos anos 60, mostra uma pequena favela desconhecida da maioria. Era a Favela do Valdemar e se localizava nas imediações do Jardim de Alá, ao lado do Conjunto dos Jornalistas.

 
Finalmente, esta última foto, do acervo do Correio da Manhã como as anteriores, mostra a remoção de barracos do conjunto de favelas que ali havia, como a da Praia do Pinto e da Guarda, ao lado do Clube dos Caiçaras.

quinta-feira, 19 de março de 2020

ENFERMEIRAS




 
Na Espanha e na Itália, nestes tempos difíceis do Coronavirus, todos os dias os cidadãos confinados vão para as janelas de casa e aplaudem os profissionais da Saúde pela atuação abnegada e anônima. Arriscam a serem contaminados para cumprir o dever profissional. Eles merecem o reconhecimento.
Face ao volume de infectados sofrem também com a escassez de recursos médicos e de equipamentos de proteção individual. Fazem horas extras. A maioria vai se contaminar (como já estamos vendo aqui no Rio).
Hoje o “Saudades do Rio” lhes presta uma pequena homenagem.
A primeira foto mostra o diploma dado pela Cruz Vermelha Brasileira ( "In pace et in ello caritas"), durante o esforço de guerra nos anos 40, quando organizou um Curso de Socorro Médico de Urgência para formar enfermeiras. O diploma acima, emitido em 20 de maio de 1942, foi assinado pelo presidente da CVB, o General Tourinho, pelo diretor da Escola, o Dr. Artur de Alcantara, pelo secretário geral, Dr. Carlos Eugenio Guimarães, e pela diplomada, reconhece que a mesma foi aprovada nas matérias e estágios do respectivo curso que a tornam apta a prestar os referidos socorros na Paz e na Guerra (cortei as assinaturas ao editar a foto, sem querer).
A segunda foto, do acervo da Última Hora, mostra enfermeiras do Hospital Miguel Couto na Praça N. S. Auxiliadora, em frente ao estádio do Flamengo. Todas com uniformes clássicos, bem diferente de hoje em dia quando a maioria delas trabalha de calças compridas e camiseta ou então, mais na moda, com jalecos compridos. Gorro, nem pensar. E os sapatos foram substituídos pelos tênis. As seis da foto estariam usando uma fita de luto no braço esquerdo?
A última foto, montagem do Gustavo Lemos, homenageia a Major Elza Cansanção Medeiros, veterana da FEB - Força Expedicionária Brasileira. Ela foi a primeira brasileira a se apresentar como voluntária na Diretoria de Saúde do Exército, para lutar na Segunda Guerra Mundial, aos dezenove anos de idade. Embora sonhasse em lutar na linha de frente, teve que se conformar em seguir como uma das setenta e três Enfermeiras no Destacamento Precursor de Saúde da Força Expedicionária Brasileira, uma vez que o Exército Brasileiro, à época, não aceitava mulheres combatentes. Diz o Gustavo: "Tenho certeza que os mais velhos vão reconhecer a importância dessas mulheres que foram um exemplo para toda uma geração. Elas abriram portas para muita gente e raramente são lembradas." A Major Elza atuou como Oficial de Ligação e Enfermeira-Chefe no 7th. Station Hospital, em Livorno. Foi a mulher mais condecorada do Brasil, com mais de 200 medalhas.
 


quarta-feira, 18 de março de 2020

FIQUE EM CASA


 
Respeitando a opinião de todos não posso deixar de recomendar que, na medida do possível, fiquem em casa.
 
Sem querer causar alarme informo que conversei ontem à noite com um colega que trabalha na Emergência do Hospital Samaritano, em Botafogo. Disse-me estar extremamente preocupado com a gravidade dos casos que atendido lá. Já há vários pacientes internados no CTI intubados e alguns na própria emergência recebendo assistência ventilatória.
 
Embora a maioria seja de gente idosa, há casos entre os mais jovens. Disse-me ainda que não é muito diferente a situação do renomado Hospital Vitória na Barra da Tijuca. Além da carência de leito de CTI não há estoque de EPI (equipamentos de proteção individual) suficiente para encarar a velocidade da pandemia, expondo o pessoal da Saúde.
 
Certamente o Governo está tomando, sob a liderança do ótimo Ministro da Saúde, as providências possíveis. Mas há limitações evidentes. Contrariando a recomendação da OMS não se farão testes para todos, o que permitiria acompanhar melhor a evolução da doença.
 
Enfim, recomendo, para os que possam, que fiquem em casa!
 
Que as ruas e praças do Rio fiquem parecidas com as destas fotos de hoje da Praia Vermelha.

terça-feira, 17 de março de 2020

ANOS 50



 
Muitas obras no Rio no final dos anos 50. Conserto ou substituição do calçamento com paralelepípedos, reformas de praças, alargamento de ruas.
 
A primeira foto é no Leblon, na Av. Bartolomeu Mitre, perto do antigo quartel do Exército.
 
A segunda é em Ipanema, numa Visconde de Pirajá ainda em mão e contramão. Neste tempo, ainda morador de Copacabana, achava uma aventura ir de bonde até o Bar 20 para assistir a algum filme no Astória.
 
A última foto é em Botafogo. Pode até funcionar como um "Onde é?" para os comentaristas identificarem a rua. Nela, cercadas por prédios altos, ainda resistem algumas casas antigas.

segunda-feira, 16 de março de 2020

MAU EXEMPLO



Nos meus tempos na Emergência do Souza Aguiar recebíamos com muita frequência atropelados na Av. Brasil, no Aterro, na Presidente Vargas e na Praça da Bandeira perto dos Bombeiros.

Eram chamados de "suicidas" por tentar atravessar pistas de alta velocidade fora dos sinais e sem usar as passarelas. Mostravam total indiferença pela própria vida e não respeitavam nem o bom-senso,  nem as regras estabelecidas.

Pois ontem tivemos um exemplo clássico da falta de consciência cívica dos brasileiros: apesar dos apelos e avisos para a prevenção de uma epidemia que já está trazendo muitos transtornos, tivemos o desprazer de ver as praias cheias, bares lotados, aglomerações por todo lado.

Isto sem falar do péssimo exemplo do próprio Presidente da República.