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quarta-feira, 8 de julho de 2020

PEDREIRAS 10








Hoje vemos a muito conhecida Pedreira do Inhangá. Eram três pedras: uma à beira-mar, outra, a principal parte, onde está a Sala Baden Powell (antigo Cinema Ricamar) e a terceira no quarteirão formado pela Rua Fernando Mendes, Av. N.S. de Copacabana, República do Peru e Av. Atlântica. 

Até mesmo as antigas linhas de bonde tinham que desviar o caminho do pedregulho. O bonde, que seguia pela Rua Min. Viveiros de Castro, entrava na Duvivier por causa da pedra, seguia pela Barata Ribeiro e pegava a Rua Inhangá para, finalmente chegar à N.S. de Copacabana.

As pedras começaram a ser cortadas nos anos 10 do século XX para a retificação da Av. Atlântica. Depois da construção do Copacabana Palace nos anos 20 foram ainda mais recortadas para a construção da piscina do hotel e, nos anos 50, mais ainda para a construção do Edifício Chopin.

Na época do desbravamento de Copacabana as pedreiras do Inhangá constituíam um grande obstáculo físico, separando de fato Copacabana do antigo Leme. Era a fronteira entre as duas praias. Hoje considera-se que o Leme comece na Av. Princesa Isabel. Somente no governo do Prefeito Henrique Dodsworth (1937-1945), com o aterro feito na orla próxima à Pedra do Inhangá, as duas praias passaram a ser contíguas.

Numa das fotos vemos um bonito postal colorizado com o aspecto de Copacabana por volta da década de 30. O hotel Copacabana Palace recém construído, em 1923, domina, imponente, toda a região.

Inhangá, nome tupi derivativo de "anhangá", corruptela de "anhõ", só; "angá", sombra, vulto, alma. Portanto, alma só ou alma sem corpo. 

O Copacabana Palace foi inaugurado em 13 de agosto de 1923, não tendo ficado pronto para a Exposição de 1922, conforme planejado. O projeto foi assinado pelo arquiteto francês Joseph Gire, inspirado nos hotéis Negresco e Carlton, na Côte D’Azur.

Em 1922 face à destruição da Av. Atlântica pelas ressacas foram feitas grandes obras sendo que a exploração da Pedreira do Inhangá necessitou de instalações de britador e perfuradores com motores electricos, compressores, transmissões electricas e linha de trilhos Deauville.

O JB, em 1925, noticiava que "a grande quantidade de pedra necessária ao serviço de reconstrução da Av. Atlântica será retirada da pedreira do Inhangá, local onde se faz mister um grande corte, para a abertura de um trecho da Rua Copacabana. Dessa conjugação de serviços resultará, para a Municipalidade, uma economia de algumas centenas de contos de réis, sendo feitas as duas obras com a verba necessária a uma delas, caso fosse feita isoladamente. Ahi estão installados um pequeno compressor de ar, typo Ingecsol, e um britador, estando quase concluídas as instalações accessorias necessárias aos serviços. Dado ao andamento das referidas instalações o engenheiro Dr. Hermano Durão, espera poder inicial-as dentro de 15 dias. A Municipalidade deseja, aproveitando a oportunidade, afastar a muralha para o lado do mar de sorte a crear uma praça em frente ao Copacabana Hotel, melhoramento esse que, ao que parece, está ainda dependendo de acordo com o referido hotel que, sendo grandemente beneficiado por ella, deverá oferecer alguma compensação á Municipalidade, pela majoração de despesas que esse melhoramento trará."

Um pedaço da Pedreira do Inhangá ainda pode ser visto no pátio da Escola Pedro Álvares Cabral, na República do Peru.

terça-feira, 7 de julho de 2020

PEDREIRAS 9

Vemos hoje algumas pedreiras de Laranjeiras e adjacências. 

Esta primeira foto foi feita de dentro do Paissandu Atlético Clube que ficava, então, em Laranjeiras.

Conta o sócio E. Pullen que vindo do mar em 1899 o campo do clube era situado no lado esquerdo do topo da Rua Paissandu. Suas fronteiras eram, ao Norte, um pedaço de terreno baldio que, depois, tornou-se o campo de Flamengo; ao Sul, a casa do Sr. De Lisle, gerente do London & River Plate Bank, que tinha um grande jardim; ao Leste, a Rua Paissandu; e a Oeste, a pedreira, que funcionava durante os dias de semana e impunha uma rotina constante de remover as pedras que, com a explosão, vinham parar dentro do clube.

De cada lado da estrada, havia duas fileiras de palmeiras e, à direita, havia outro terreno baldio coberto de mato, que servia como depósito de lixo. O campo deste lado era limitado por uma cerca de arame (que não era farpado). Protegendo a pedreira e separando-a do nosso campo havia uma valeta rasa e, ao lado, arame farpado.

Salvo engano esta pedreira era explorada pela firma Pacheco & Alves.



Pedreira do Catete. 
Pedreira da Rua General Glicério.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

PEDREIRAS 8




Seguindo com a série sobre as pedreiras, idealizada pelo Carlos Paiva, vemos hoje a pedreira da Urca.

A primeira foto, de Holland, mostra um aspecto da Urca no início do século XX. Após a Expo de 1908 os pavilhões desapareceram deixando um descampado arenoso, continuando-se com uma grande pedreira que era explorada por uma família de origem portuguesa, dispondo de uma velha concessão municipal para erguer um bairro residencial em suas terras.

Cerca de dez anos após a Expo de 1908, o Comendador Oscar Gama, apoiado pelo Prefeito Carlos Sampaio, fundou com alguns amigos a Sociedade Anônima Empresa Urca, dando forma ao que o "Voluntário da Pátria " Domingos Fernandes Pinto imaginara no século anterior, com a construção da Avenida Portugal e a sua Igreja de N. S. do Brasil, as ruas próximas e as muralhas ao longo de suas praias dando base para a Urca moderna, tendo até em uma de suas praias mais agradáveis um hotel balneário, mais tarde transformado em Cassino da Urca e, posteriormente sede da TV Tupi. Hoje abriga o IED (que estava para sair de lá).

A segunda foto, um cartão postal, mostra a construção que servia para receber as barcas (atracadouro) construída junto à ponte da Urca, para os visitantes que chegavam pelo mar para a Exposição de 1908 na Praia Vermelha, além de 2 construções pertencentes à pedreira situada junto à encosta do morro da Urca. As pedras eram utilizadas como enrocamento (muro de pedra) para contenção do futuro aterro (areia dragada do fundo da baía) que seria a Urca. As pedras da pedreira da Urca foram também usadas para construir o prédio da antiga Caixa de Amortização, até hoje na esquina da Av. Rio Branco com Rua Visconde de Inhaúma.

M.R. Cantarino conta que trabalhou nesta pedreira: “Era um trabalho exaustivo, de 8 horas diárias. Até que um dia determinei um gado de bancada, extenso, cousa brutal, e foi todo preparado, mas no momento de provocar a explosão, o encarregado declarou que não assumiria a responsabilidade. Não tive dúvidas: fiz-me de forte, mandei dar o sinal convencionado, fiz evacuar os barracões das oficinas, com máquinas custosas, fiz as ligações dos fios magnéticos que ligavam as minas e um fio mais grosso e o liguei à chave do relógio de eletricidade. Ao lado estava o compressor, máquina de ar comprimido que acionava muitos marteletes (chamados de motocicletas de português) e que me serviria de abrigo. Liguei a chave e fui para baixo da peça enorme. Foi uma cousa espetacular, uma saraivada tremenda, mas sem dano, e com aplausos gerais pelo volume de pedra deslocado. Mas o certo é que nunca mais repeti a façanha.

Em 1932, como podemos ver na manchete do “Correio da Manhã”, um grande desabamento ocorreu atingindo a Rua Marechal Cantuária.

Esta pedreira era da Prefeitura, mas em 1925 foi dada “de mão beijada” para a firma Penna, Parizou&Comp, segundo a edição 12/12/1925 do “Correio da Manhã”.

domingo, 5 de julho de 2020

PEDREIRAS 7




Dando sequência à série sobre pedreiras idealizada pelo Carlos Paiva vemos hoje fotos da Pedreira da Lopes Quintas, no Jardim Botânico.

Nos anos 1950 e 1960, a família de João Penido ganhou a concessão para explorar uma pedreira na área e faturou um bocado abastecendo o mercado de construção civil de Botafogo e Copacabana.

Como sempre havia reclamações, como o Correio da Manhã de 04/07/1954 noticiava: “Barulho durante o dia inteiro, poeira, por todos os cantos das casas e enchendo até as ruas, é o suplício diário a que estão sujeitos os moradores da Rua Lopes Quintas. Os apelos dirigidos aos responsáveis pela pedreira não surtem resultado. Outra saída para os caminhões carregados de pedra não existe. Poderiam as autoridades determinar que os caminhões só deixassem a pedreira em condições, para evitar o derrame de pedra pela rua, e ainda exigir o uso de máquinas menos barulhentas para descanso dos que têm a infelicidade de residir nas proximidades”.

A Lemos & Brentar, conhecida oficina carioca, sendo Lemos o pai de nosso amigo Gustavo, também teve uma oficina nesta rua, em um galpão ao fundo de uma vila.  Quando houve a expansão da oficina da Rua Jardim Botânico, Aluizio Lemos e Brentar passaram o galpão para dois amigos, que montaram uma oficina especializada em Gordini e depois Corcel: Lair de Carvalho e Fernando Feiticeiro.

Atualmente a região onde ficava a pedreira passou a ser conhecida como “Alto Jardim Botânico”, com casas muito valorizadas, rivalizando com o conhecido “Jardim Pernambuco”, no Leblon, como local de moradia da classe alta carioca.

sábado, 4 de julho de 2020

PEDREIRAS 6







Prosseguindo com a série sobre pedreiras do Rio, idealizada pelo Carlos Paiva, vemos hoje fotos de pedreiras localizadas em Ipanema (esta parte da Lagoa oficialmente é considerada Ipanema).

A segunda foto, acho que do acervo de Mario Peixoto, mostra a Pedreira do Procópio, localizada no início da Rua Alberto de Campos, que começa 130 metros antes da Rua Farme de Amoedo (foi uma das únicas fotos do Concurso Sherlock Holmes que não teve acertador).

As últimas duas fotos, do acervo do Correio da Manhã, mostram a pedreira no Morro do Cantagalo, na sua face voltada para a Lagoa, vizinha à Rua Gastão Bahiana.

Na terceira foto, de meados dos anos 50, vemos que apenas dois dos edífícios do primeiro bloco de prédios estava pronto.

Na quarta foto, por volta de 1960, vemos mais prédios no local (quem aparece nesta foto é o diretor de cinema italiano Roberto Rosselini, num dos campos de futebol da Favela da Catacumba, onde jogavam os times do Brasil Novo e do Sete de Setembro).


Em meados dos anos 60, houve uma intervenção muito importante da Secretaria de Obras / Geotécnica em vários morros do entorno da Lagoa. Lembro do grande susto (parecia que um prédio estava caindo) quando deslizou uma enorme pedra no vão entre os edifícios de números 2120 e 2142 (vão este visto à esquerda de Rosselini) destruindo completamente o carro importado do Almirante Alvaro Alberto,  morador do 2120. Por muita sorte um de nós que sempre jogávamos bola por ali não foi soterrado. Foi então realizada uma retirada de pedras soltas, além de fixação de outras. Mas o problema voltou a se repetir recentemente, obrigando aos moradores do Ed. Maracanahu, no nº 2120, a abandonarem o prédio temporariamente. As obras de contenção estão em andamento neste momento.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

PEDREIRAS 5






A pedreira da Rua Assunção, em Botafogo, era enorme. É citada no livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo e restos do cortiço do personagem João Romão ainda existem na esquina das ruas Bambina e Marechal Niemeyer, vizinha ao Hospital Samaritano. 

Entre outras finalidades suas pedras foram usadas em 1958 na Av. Atlântica, na gestão de Negrão de Lima, para o enrocamento e o restabelecimento da muralha que protegia os prédios do Leme contra as ressacas.

E, como nas outras pedreiras, a vizinhança reclamava: “O proprietário da pedreira no Morro Mundo Novo está pondo a vida dos moradores vizinhos em real pânico. Visando um maior lucro o proprietário não titubeia em aumentar a dosagem de dinamite a fim de obter explosões mais compensadoras.”

quinta-feira, 2 de julho de 2020

PEDREIRAS 4






Prosseguindo com a série sobre as pedreiras, idealizada pelo Carlos Paiva, vemos hoje a PEDREIRA DO MORRO DA VIÚVA.

Além da pedreira vemos a abertura da Av.do Contorno, atual Av. Rui Barbosa, com destaque para o Hotel Sete de Setembro, depois sede da Escola de Enfermagem Ana Nery e da Casa do Estudante Universitário.

Este trecho era conhecido como Praia da Olaria, conforme consta na "Carta da Capitania do Rio de Janeiro", de João Teixeira, impressa no ano de 1631. Fica exatamente no local conhecido hoje como Morro da Viúva. O primeiro nome dado a este morro foi "Mont Henry", assim batizado pelos franceses de Villegaignon.

O nome Morro da Viúva deve-se ao fato desta área ter pertencido, no século XVIII, a D. Joaquina Figueiredo Pereira de Barros, viúva de Joaquim José Gomes de Barros. Em 1863 foi construída neste morro uma bateria, para defender a Enseada de Botafogo e a Praia do Flamengo até o Passeio Público por conta da “Questão Christie”, incidente diplomático entre o Brasil e a Inglaterra.

A pedreira pertenceu durante muitos anos ao comendador e construtor Antonio Jannuzzi, que dali retirou pedras para suas obras na cidade até 1920. O obelisco da Av. Rio Branco foi confeccionado com pedras deste morro. Em 1922 foi construída a Av. Rui Barbosa e a área vizinha foi loteada. O comendador Jannuzzi foi responsável pelo lançamento da pedra fundamental das construções da Av. Rio Branco e foi proprietário do primeiro prédio inaugurado na avenida.

Além de inúmeros acidentes, como o que ocorreu ao explodir uma mina pelo calor do verão, onde ficaram gravemente feridos “dous trabalhadores, Casimiro Dias, portuguez, e o menor Amadeu Francisco, brasileiro”, houve alguns outros com vítimas fatais, os vizinhos reclamavam muito do barulho: “Nestes últimos dias tem-se abuzado da carga de dynamite, dando tiros horríveis, trazendo em sobresalto as pessoas que transitam em carros e automoveis por aquella parte da avenida, além dos moradores das circumvisinhanças. Não se poderá evitar um imminente desastre!”.

A última notícia que encontrei foi de 1963, quando uma explosão na pedreira causou a queda de uma enorme pedra que atingiu o edifício de nº 80 da Av. Rui Barbosa.

Atualmente o Morro da Viúva acha-se quase totalmente cercado por altos prédios.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

PEDREIRAS 3





Prosseguindo com a série sobre as pedreiras, idealizada pelo Carlos Paiva, vemos hoje uma das mais importantes e existente desde o período colonial – a PEDREIRA DE SÃO DIOGO.

Ficava próxima ao Cais do Porto, onde existiu tempos depois a estação de São Diogo, da Estrada de Ferro Central do Brasil, no Santo Cristo. Em tempos antigos ficava na ponta da Praia Formosa, tendo uma face virada para a Baía de Guanabara e outra para a cidade.  mas seguidos aterros, a construção de novas ruas e a extinção do Mangal de São Diogo que ligava o Centro à Zona Norte,  modificaram totalmente a região.

O nome se deve ao alferes Diogo de Pina que erigiu uma capela em louvor do santo nesse morro. O alferes se celebrizou por enfrentar os invasores franceses comandados por Duguay Trouin e deu nome também aos antigos Mangal de São Diogo e Saco do Alferes.

O material desta pedreira, definido por Paula Freitas como um "gneisse primordial", foi usado na construção do atual prédio da CPRM - antigo Palácio dos Estados na Av. Pasteur, no prédio onde funcionou a Imprensa Nacional e, por muitos anos, foi explorada em proveito dos serviços da Central do Brasil.

Trabalhadores da Pedreira de São Diogo trabalharam em vários chafarizes, aquedutos, no canal do Maracanã e em obras do Passeio Público. No século XIX a maioria era de escravizados.

O morro foi bastante corroído, mas ainda resta uma parte que abriga a favela Moreira Pinto.

Era duríssimo o trabalho lá. Os trabalhadores sofriam muito neste serviço. Em 29/03/1905 o “Correio da Manhã” também noticiou um terrível acidente nesta pedreira ao explodir uma mina. Em 1968 houve um desmoronamento que deixou 40 pessoas soterradas. Foi o fim da pedreira (contam I. Mota e P. Pamplona em seu ótimo  “Vestígios da Paisagem Carioca”).

terça-feira, 30 de junho de 2020

PEDREIRAS 2






Continuando a série sobre as pedreiras, idealizada pelo Carlos Paiva, vemos fotos da Pedreira da Candelária.

A pedra extraída desta pedreira, no Morro da Nova Sintra, no bairro do Catete, foi utilizada para a construção da igreja da Candelária. Foi aberta no final do século XVIII,  explorando as encostas do Morro da Nova Cintra voltadas para a Rua Quintanilha (depois Rua Pedreira da Candelária e atualmente denominada Rua Bento Lisboa).

A região da Glória, próxima ao centro da cidade, também se destacava como área de exploração. Nela localizava-se a antiga Rua da Pedreira da Glória (atual Pedro Américo) e a Rua Pedreira da Candelária (atual Bento Lisboa).

Uma informação curiosa é que, devido à denominação desta pedreira, bondes que circulavam no Largo do Machado, nos primeiros anos do século XX, traziam a tabuleta “Candelária”, o que a muitos intrigava, em função desta igreja estar distante de seu itinerário (não sei se esta informação consta no "site" do prezado Helio Ribeiro).

Foram muitas as reclamações dos vizinhos das ruas Bento Lisboa e Tavares Bastos contra os donos da Pedreira da Candelária. Em 1908, por exemplo, houve um acidente importante. Como se usava dinamite para explodir as rochas, naquela ocasião houve um desmoronamento causado pela explosão de uma mina que atingiu gravemente as instalações da Casa de Saúde São Sebastião, inclusive com vítimas fatais.

Os jornais fizeram muitas reportagens cobrando uma atitude das autoridades, mas poucos meses depois o caso se repetiu, desta vez atingindo uma estalagem na Rua Bento Lisboa.

Um dos donos da pedreira, Antonio Cid Loureiro, anunciava que "recebia encomendas dos seguintes materiaes: cantaria, parallelepipedos, alvenaria e macadam, por preços razoaveis".

Outro dono, Antonio Alves da Silva, era procurado pela Polícia após a explosão que atingiu a Casa de Saúde. O "Correio da Manhã" escreveu: “Ecoou dolorosamente por toda a cidade a noticia do desabamento da Casa de Saúde São Sebastião. A funda magua que esse acontecimento causou é fácil de imaginar, pela enorme affluencia de pessoas hontem ao edifício em ruinas. Em todas as physionomias o horror da catástrophe. Havia olhos humedecidos e vozes soluçantes. Os commentarios sobre o triste acontecimento eram inteiramente desfavoráveis aos proprietários da pedreira, cujo abuso em explodir as suas minas todos, indignados, profligavam”.



segunda-feira, 29 de junho de 2020

PEDREIRAS 1



O nosso ilustre, veterano e excelente colaborador Carlos Ponce de Leon de Paiva conseguiu uma série estupenda de fotos sobre as pedreiras do Rio.

Comenta ele que “O Rio de Janeiro foi privilegiado pela natureza por dispor de grande quantidade de montanhas com granito de boa qualidade que, desde os tempos coloniais, abasteciam as construções assim como as obras de urbanização da cidade.
Inicialmente as pedreiras, preferencialmente, eram próximas do Centro, devido à facilidade de transporte. Com o tempo outras pedreiras foram exploradas em áreas mais distantes, inclusive subúrbios.
Na Zona Sul as principais foram a do Morro da Viúva e a do Catete. Todas as pedras usadas na construção da Av. Beira-Mar e da maioria dos palácios da cidade vieram destas pedreiras. Outra pedreira importante foi a da Rua Assunção em Botafogo.
As fotos mostrarão as pedreiras antigas e como elas acabavam enfeando a paisagem.
Com o crescimento da cidade, principalmente na Zona Sul, elas foram fechando e, as que restaram, ficaram na área suburbana.”

Vou procurar complementar os comentários e fotos do Carlos com alguma coisa do meu arquivo. Desta forma, a partir de hoje falaremos das pedreiras carioca.

P. Pamplona e I. Motta contam que os morros do Rio são compostos de gnaisse facoidal, rocha metamórfica originada geralmente do granito, com milhões de anos de idade. Outro trabalho interessante sobre o assunto foi o de S. Almeida e R. Porto, do qual apresentarei também informações.

Hoje começaremos com um mapa das pedreiras do Rio e com uma foto da pedreira da Rua Cinco de Julho, em Copacabana.

Esta rua, que vai da Constante Ramos até a Santa Clara, teve o nome de Rua Hermesília até 1931. O nome era em homenagem à filha de Guerra Ramos, proprietário das terras onde foi aberta a rua. Em 1931 foi alterada a denominação para Rua Cinco de Julho, em homenagem ao levante da guarnição do Forte de Copacabana em 1922 (a Epopeia dos Dezoito do Forte).

À esquerda da pedreira podemos ver o enorme prédio da Maternidade Arnaldo de Moraes, que fica na Travessa Frederico Pamplona, uma transversal da Rua Pompeu Loureiro. Foi inaugurada em 10 de abril de 1938. Hoje abriga o Hospital São Lucas.
Podemos observar ainda, à direita, que a Rua Tonelero termina logo após a Santa Clara (ainda não havia o túnel Major Rubens Vaz que seria construído nos anos 60 unindo a Rua Tonelero com a Rua Pompeu Loureiro). No canto direito, a área escura é o Bairro Peixoto.

A marca vermelha mostra o local de minha casa em Copacabana cuja foto já apareceu por aqui.

domingo, 28 de junho de 2020

POMPEIA

POMPEIA - o "Ponte-Aérea" ou o "Constellation"

Pompeia e Dida

Pompeia

Pompeia - Henrique - Dida - Joel


Moacir (sentado) e Dida

Pompeia

Paulinho - Pompeia - Evaristo

Neste domingo relembramos o Pompeia, goleiro que se destacou no América nos anos 50 e 60. Como sofreu nos jogos contra o Flamengo, enfrentando atacantes como o cracaço Dida, Joel, Moacir, Henrique, Evaristo, Paulinho e Zagalo.

Fazia defesas espetaculosas, ficando conhecido pelos apelidos de "Ponte-Aérea" e "Constellation".

As fotos lembram minhas primeiras idas ao Maracanã, com as traves ainda retas e goleiros com joelheiras e faixas reforçando os punhos.

O uniforme do Flamengo com calções pretos e os jogos com o América me lembravam o inesquecível tricampeonato de 53-54-55, cujo último jogo foi em 1956.

E, quanto aos dias atuais, acho imprudente e temerária a atitude dos dirigentes rubro-negros forçando a volta do futebol nestes tempos ainda tão complicados da pandemia.

sábado, 27 de junho de 2020

ASSOCIAÇÃO DOS EMPREGADOS DO COMÉRCIO




Na primeira fotografia vemos a imponente sede da Associação dos Empregados do Comércio na Av. Rio Branco, com a Sorveteria Alvear no térreo. Certamente a foto é posterior a 1916.

A Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro, fundada em 1880. A sede foi para este prédio em 1906. Em 1939 este prédio foi demolido e construíram a sede atual.

O endereço deste prédio era Av. Rio Branco 118-120. No térreo, nesta época da foto, funcionava a Sorveteria Alvear, inaugurada em 1916, uma casa de chá famosa onde os elegantes da época batiam ponto diariamente. Consta que mais à noite a frequência mudava, saindo as elegantes madames chiques e chegando outras “elegantes”.

Havia uma Sorveteria Alvear em meados do século XX na Av. Atlântica esquina com Rua República do Peru, não sei se era do mesmo dono.

Mas, como vemos na segunda foto, anteriormente funcionavam no térreo a Casa Limoges e o Bazar Japão.

Em julho de 1915 um incêndio destruiu o Bazar Japão, casa especializada em artigos de fantasia e de brinquedos. O responsável foi, segundo o Correio da Manhã, Marcolino S. V., caixeiro, que preparava cera virgem e água raz (ou aguarrás?) para consertos de brinquedos. Houve uma explosão e as chamas alcançaram uma prateleira de brinquedos, na sua maior parte confeccionados de celuloide.

A Casa Limoges tinha “grande stock de ricos aparelhos de Limoges, crystaes, christofle, faqueiros e finos objectos de electro-plate para festas.”

Meses depois, com um leilão do que restou do estoque, foi encerrada a existência do Bazar Japão neste local.