Total de visualizações de página

segunda-feira, 23 de abril de 2018

DIA DE SÃO JORGE





 
Hoje é feriado no Rio de Janeiro por conta do dia de São Jorge. Mais um feriado absurdo em meio a tantos feriados existentes.
A Igreja São Gonçalo Garcia e São Jorge, no Centro, festeja São Jorge este ano com tríduo e bênção de 19 a 21 de abril. No dia 21 de abril, houve missa comunitária a São Jorge, no dia 22 de abril, ocorrerão missas às 8h, 10h e 12h. Hoje, 23 de abril, houve Alvorada, às 5h. Ocorrerão missas campais na Avenida Presidente Vargas, às 8h, 9h, 10h, 11h, 12h, 14h, 15h e 16h. No interior da igreja haverá missa solene presidida pelo Cardeal Dom Orani João Tempesta, às 18h, e a missa de encerramento, às 20h. No dia 29 de abril, terá missa às 9h, seguida de procissão pelas ruas do bairro. A igreja fica na Rua da Alfândega nº 382.
As fotos de hoje mostram a igreja e a famosa procissão.
Em 1954, o Correio da Manhã noticiava que “a Irmandade de São Jorge e São Gonçalo Garcia, comemorando o 1º centenário da fusão das duas Confrarias, por decreto imperial de Pedro II, elaborou um amplo programa de comemoração, onde ressalta a realização de imponente procissão saindo do templo da Praça da República, com a participação das Forças Armadas, das irmandades e associações religiosas, de acordo com a decisão do cardeal D. Jaime Câmara, que deverão comparecer às 14 horas para a formação do grande préstito de fé cristã”.
Na ocasião, Monsenhor Pizarro, ao descrever a origem da fundação dos primeiros templos levantados na terra carioca, inclui o de São Jorge como o sétimo, pela provisão de 07/09/1747. O templo de São Gonçalo Garcia figura como o nono, erigido com a provisão de 14/12/1758, em chão de 5 braças de testada e 18 de fundo, doado pelo cônego Antonio Lopes Xavier.
Segundo esta edição do Correio da Manhã, “reina São Jorge sem competidor no Brasil, tão avassaladora é a sua força de santo sobre os espíritos fortes de fé cristã. O mundo de hoje vive horas ameaçadoras, o que exige muitas preces ao Altíssimo, para salvação de nossos sofrimentos, livrando-nos das desgraças e da destruição da civilização. Só Deus nos conduzirá ao caminho da verdade e da salvação, e preparemos os corações e a mente para rezarmos durante a passagem da procissão de São Jorge e São Gonçalo Garcia, implorando que eles intercedam perante o poder divino de Deus, pelos pecadores que vivem na Terra, ameaçando extinguir os seus sublimes ensinamentos.”
 


domingo, 22 de abril de 2018

EXPO 1908




 
Com estas fotos terminamos a pequena série sobre a Expo de 1908 na Praia Vermelha. Mostram o que seria um domingo há 110 anos.
Era imperioso visitar toda a área compreendida entre o fim da Rua General Severiano e o antigo edifício da Escola Militar, passear entre o Hospício Nacional de Alienados e a Praia da Saudade, naquela região que se transformou, por encanto, numa cidade, verdadeira fantasia de mil e umas noites.
"Au grand complet", com seus melhores trajes, os cariocas dirigiram-se para a Avenida Pasteur, a fim de passar o dia na Expo. Visitaram o prédio da Escola Militar, desocupada desde a revolução de 1904, totalmente remodelada para servir de Palácio das Indústrias. Todos ficaram espantados com a quantidade de gente que as barcas da Cantareira, os bondes, carros e automóveis ali despejavam, de instante em instante. Os restaurantes, bares, diversões de toda ordem estavam repletos.
No momento das fotos ainda aguardavam que a iluminação fosse acesa. Os amigos que já tinham ido à Expo tinham ficado impressionados e contavam que havia mais luz e mais fulgor do que se fosse dia. Ansiavam também por chegar as 10 horas da noite, hora em que se iniciava a queima de fogos, por cerca de uma hora.
Tinham chegado pela Avenida dos Estados e já tinham passeado no trenzinho da Exposição.
Haviam assistido a uma peça no teatro sob a organização de Artur de Azevedo. E todos tinham se deslumbrado com o cinema do pioneiro Paschoal Segreto, que apresentou o primeiro documentário digno desse nome sobre o Rio, tirado do Pão de Açúcar, por Emílio Guimarães.
Um domingo inesquecível.

sábado, 21 de abril de 2018

EXPO 1908

Postais da Companhia Lith. Hartmann-Reichenbach, publicados em “Lembranças do Brasil”, de Gerodetti & Cornejo.
Vemos o animado movimento nas redondezas do Teatro da Exposição, montado para entreter os visitantes com grandes espetáculos, durante a Exposição (posteriormente foi destruído por um incêndio).

Depois das reformas de Pereira Passos, a cidade estava pronta para representar o Brasil e exibir toda a sua exuberância. A intenção era atrair o olhar estrangeiro, visando buscar libras e francos para consolidar, ainda mais, a independência. O monumental pavilhão do Palácio de São Paulo era um dos maiores da exposição.
 
Em menos de um ano construíram-se imponentes edifícios para abrigar estandes exibidores da produção econômica brasileira. Montaram-se dois restaurantes, um teatro, cervejarias e café, além de uma pequena via férrea, para que o público pudesse locomover-se em trenzinhos.  O pavilhão da Fábrica de Tecidos Bangu revelava o caminho promissor enveredado pela indústria têxtil brasileira.

O antigo prédio da Escola Militar, construído na Praia Vermelha, no sopé do Morro da Urca, foi transformado no Palácio das Indústrias durante a Exposição de 1908.

O prédio já existente na Praia da Saudade, na atual Avenida Pasteur, que era sede de um estabelecimento de ensino militar, durante a Exposição Nacional abrigou o Palácio dos Estados e, depois, o Ministério da Agricultura. Atualmente, sedia o Museu de Ciências da Terra.

Visitantes passeiam pelo Cais da Urca, onde eram queimados os fogos à noite.

Requintes de paisagismo cercavam o primoroso Restaurante Rústico, erguido para servir aos visitantes.


sexta-feira, 20 de abril de 2018

EXPO 1908







 
Hoje temos mais uma série de fotos de Malta sobre a Expo de 1908.
Conforme a legenda delas, “a Exposição Nacional de 1908 foi uma celebração do comércio e desenvolvimento industrial que exibiu um “inventário” do Brasil através dos produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos montados no Palácio da Indústria, no Palácio dos Estados, no Pavilhão do Distrito Federal e nos pavilhões de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina.
E também mostrou a modernização dos novos serviços públicos municipais e federais entre eles o Pavilhão do Corpo de Bombeiros, o Pavilhão dos Telégrafos e Correios, o Jardim Botânico, o Pavilhão do Café e Cacau, a Inspetoria de Matas e Jardins.
Após o encerramento da Exposição, todos os prédios foram demolidos com exceção do Palácio dos Estados e do Pavilhão das Máquinas.”
O único país estrangeiro participante foi Portugal, que construiu o Palácio Manuelino e um segundo pavilhão menor chamado Anexo Belas Artes.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

EXPO 1908




 
Dezenas de fotos já foram publicadas no “Saudades do Rio” mostrando a Expo de 1908. Mas tal é a qualidade destas fotos de Malta que vale uma revisitada neste tema hoje e amanhã.
Esta exposição, montada entre os morros da Babilônia e da Urca, pretendia, além de comemorar o Centenário da Abertura dos Portos, mostrar para o mundo a beleza e as qualidades da moderna capital da jovem República brasileira.
Depois das reformas de Pereira Passos, a cidade estava pronta para representar o Brasil e exibir toda a sua exuberância. A intenção foi atrair o olhar estrangeiro, visando buscar libras e francos para consolidar, ainda mais, a independência.
Em menos de um ano construíram-se imponentes edifícios para abrigar estandes exibidores da produção econômica brasileira. Montaram-se dois restaurantes, um teatro, cervejarias e café, além de uma pequena via férrea, para que o público pudesse locomover-se em trenzinhos. À noite havia queima de fogos.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

GARAGEM DE BONDES




As fotos de hoje mostram garagens de bondes. As duas primeiras certamente são da garagem que existiu no Humaitá, no local que, nos dias de hoje, abriga a COBAL de Botafogo.
A primeira foto é a mais antiga: vemos a estação de bondes do Largo dos Leões (Botafogo/Humaitá), com o bonde de nº de ordem 39 trafegando pela Rua São Clemente. Em 1871 a Companhia "Botanical Gardens" solicitou à Câmara Municipal licença para construir a estação do Largo dos Leões. Enquanto não ficava pronta, foi construído um telheiro provisório, a fim de se guardar os carros e os animais que, por falta de lugar próprio, ficavam expostos ao tempo. A linha carris entre a Praia de Botafogo e o portão do Jardim Botânico foi inaugurada em janeiro de 1871. Pouco depois a linha foi estendida até o local conhecido como "Três Vendas", que ficava no começo da Rua Marquês de São Vicente, próximo da Praça Santos Dumont.
Uma curiosidade é que neste ano de 1871, o Chefe de Polícia da Corte, oficiou à "Botanical Garden" que era proibido que as pessoas viajassem nos estribos, exceção feita aos empregados encarregados da direção dos bondes, "visto ser aquela prática vexatória às pessoas que entram e saem, além de poder ocasionar acidentes e aglomeração de passageiros nos ditos estribos". Foi uma grita geral, inclusive com a participação dos jornais. Tal foi o clamor que o presidente da "Botanical Garden" oficiou ao Ministro da Agricultura pedindo a revogação da ordem. Os incidentes entre condutores, policiais e os que desejavam viajar nos estribos aumentavam, fazendo com que o bonde ficasse retido, assim como os outros que vinham atrás. Nem mesmo a polícia conseguia resolver a questão e, pouco a pouco, foi afrouxando sua atitude contra os renitentes passageiros dos estribos. Abaixo-assinados foram organizados para pedir a revogação da medida. O que acabou acontecendo, segundo J.C. Dunlop
Na segunda foto devemos estar nos últimos anos da década de 60. Ainda não existiam os grandes prédios comerciais da esquina da Rua Voluntários da Pátria com Rua Capitão Salomão. Um deles, o "Guilherme Romano", abriga além de lojas nos pavimentos inferiores, um grande número de consultórios médicos. Quase mais nada resta da estrutura da garagem de bondes (trilhos, rodos, praticamente tudo foi retirado), exceto um pedaço de pavimento, junto das Rurais (que são sucatas, como as Kombis), que aparentemente são sobras de fossos ou plataformas de manutenção dos bondes (há trechos de trilhos ainda ali). Neste espaço funcionou também, depois dos bondes, uma garagem de ônibus elétricos. Na época esse terreno pertencia a Botafogo, hoje, dizem alguns, é Humaitá. Alegam que a rua que dividiria os bairros é a Conde de Irajá. É verdade? 
Entre o desmanche da garagem e a construção da Cobal, o terreno chegou a ser utilizado para a instalação de um circo.

terça-feira, 17 de abril de 2018

GARAGEM DE BONDES




 
Nas fotos de hoje vemos a garagem da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico no Catete.
Esta garagem ocupava quase que completamente o quarteirão delimitado pelo Largo do Machado (Rua do Catete), Rua Machado de Assis (antiga Rua do Pinheiro), Rua Dois de Dezembro e a atual Rua do Pinheiro.
Na última década do século XIX a Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico enfrentava sérios problemas para manter os seus 1300 animais de tração com alimentação de qualidade. Os gastos na compra da alfafa importada eram muito altos. Isto, entre outros fatores, levou o Dr. Coelho Cintra, gerente da companhia, a buscar nova forma de tração para os seus carros, substituindo os animais pela eletricidade. O processo iniciou-se em 1890 e em 1892 foi realmente implantado. A eletricidade era gerada por uma central termelétrica localizada à Rua Dois de Dezembro, no Largo do Machado, e o sistema utilizado era chamado Thomson-Huston e fornecido pela General Electric Company.  Às 13 horas do dia 08/10/1892 partia o primeiro bonde elétrico das imediações do Teatro Lírico, no Largo da Carioca, até a Rua Dois de Dezembro, o bonde 104, no qual seguia, entre outros convidados ilustres, o Vice-Presidente da República, o Marechal Floriano Peixoto
“Seguem algumas características dos bondes da Jardim Botânico (uma empresa à parte, mas controlada pela Light), segundo o “expert” Helio Ribeiro:
a)      Todos os carros motores médios, como o da foto, tinham um letreiro de grandes dimensões e um pouco recuado, em cima da capota, e isso desde o início de circulação deles, por volta de 1906/7. Havia muitos carros motores com essa característica na Light propriamente dita, porém nesta também havia dois outros tipos de letreiro. Ou seja: na Jardim Botânico havia uniformidade de letreiro; na Light, diversidade.

b) Alguns carros motores médios da Jardim Botânico tinham em seus truques duas rodas de menor diâmetro que as outras duas componentes do truque. Esses bondes eram chamados de "pé-de-anjo" porque diziam que seu rodar era mais macio que o daqueles com 4 rodas de mesmo diâmetro nos truques.

c) Exceto em seus primórdios, a Jardim Botânico nunca teve carros motores pequenos. Somente os bondes muito antigos eram de pequeno porte, porém deixaram de circular no início da década de 1920.

d) Os carros motores médios da Jardim Botânico sempre tiveram para-brisa como proteção ao motorneiro. Já os da Light somente adotaram isso por volta de 1940/41, sendo que até então o motorneiro e os passageiros sentados no primeiro banco ficavam expostos às intempéries, principalmente a chuvas. Tanto é que os motorneiros da Light são vistos, em algumas fotos, trajando uma capa impermeável preta
.