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terça-feira, 22 de agosto de 2017

INCÊNDIO EDIFÍCIO ASTÓRIA







Nosso amigo Andre Decourt fez uma série sobre o impactante incêndio do Edifício Astória, na Rua Senador Dantas nº 14, que é um primor de pesquisa. Pode e deve ser vista em
http://www.rioquepassou.com.br/2013/06/29/incendio-do-ed-astoria-50-anos-parte-i/

Adiciono hoje mais algumas fotos do acervo do Correio da Manhã junto a trechos de reportagens sobre esta tragédia onde muitos foram heróis.
 
Com o título de “Cidade parou em suspense durante nove horas de fogo, morte e pavor”, o jornal dá conta de que duas mulheres e dois homens morreram, 27 pessoas ficaram feridas, prejuízo de cerca de dois bilhões de cruzeiros e ameaça de desmoronamento foi o resultado do incêndio iniciado às 10h30 de sexta-feira, 28/06/1963. As labaredas provocadas pelo curto-circuito de um ar condicionado no laboratório cinematográfico de Herbert Richers, no 14º andar, deram início ao incêndio (reportagem de dia posterior dá conta que o fogo teve início atrás de uma tela de cinema que, por ser de nylon, queimou-se produzindo as chamas).
 
Na febre de interromper o curto-circuito, alguém desligou a chave geral do edifício o que causou a queda do elevador no poço, além de interromper as bombas de água do circuito de combate ao incêndio.
 
Com as pessoas desesperadas tentando escapar, abrigadas nas últimas janelas do prédio de 22 andares, os bombeiros se viram impotentes, pois as escadas Magirus só alcançavam o 10º andar. Uma senhora, viúva, projetou-se do 13º andar indo cair em frente à Casa Tavares, fronteira ao Ed. Astória. Logo após, outra morte, esta de um protético que tentou passar pelo lado externo do prédio e despencou.
 
Os bombeiros subiram então ao terraço do edifício do Hotel OK, fronteiro ao prédio em chamas, atiraram cordas e mangueiras finas em direção das janelas. Um deles passou para o Edifício Astória para ajudar os que estavam encurralados e as pessoas começaram a dramática travessia.
 
Dentro do prédio em chamas, usando o método de ação conhecido como “linha” – uma fila de soldados, um molhando continuamente o outro para permitir o avanço em meio ao calor – conseguiu arrombar uma sala salvando quase 10 pessoas.
 
Logo a seguir estava reservada para enorme multidão o mais trágico quadro da sucessão de lances contristadores: uma moça loura, no 15º andar, no meio da travessia parou de avançar e desprendeu-se, caindo sobre a marquise da Casa Tavares.
 
Flashes:
- 8 funcionários da Art Filmes fizeram um buraco e escaparam pelo vizinho Hotel Serrador.
- O governador Carlos Lacerda (diferentemente de nossos atuais governantes) foi para o local acompanhar o incêndio.
- Os bombeiros usaram 20 milhões de litros de água.
- As cordas usadas nos salvamentos eram de matéria plástica.
- O Exército juntou-se aos bombeiros no controle do local.
- 16 grupos de escoteiros também compareceram para ajudar.
- O Hotel Serrador tinha 275 hóspedes.
- O prédio Astória era do grupo Novo Mundo.
- Herbert Richers perdeu Cr$ 250 milhões.
- O bombeiro Napoleão Pereira Cavalcante, o primeiro a usar a corda sofreu fratura da coluna. Este bombeiro já havia fraturado costelas quando do incêndio do Hotel Vogue.
- Faleceram Zita Couto, Sebastião Pereira, Elizabeth Araujo e outro homem (que não consegui identificar).
- A Marinha disponibilizou 3 helicópteros que, não podendo auxiliar na remoção de pessoas, foram utilizados no transporte de material para os bombeiros.
- Em declaração ao Correio da Manhã o Sr. Herbert Richers disse que “o fogo não teve início nos seus próprios e que caberá à Perícia comprová-lo”.
- Segundo o jornal o proprietário do prédio foi acusado por inquilinos com referência à distribuição de água.
- Muito se falou sobre a obrigatoriedade de escadas de incêndio nos prédios. Projetos foram apresentados, mas não foram adiantes (típico do Brasil).
- Dois soldados PM que montavam guarda no Edifício Astória após o incêndio foram acusados de roubo de material fotográfico de uma das salas, no valor de 3 milhões. O proprietário da sala flagrou-os ao observar a própria sala com um binóculo.
- Em 1964 foi anunciado Leilão Judicial do Edifício Astória, marcado para 17 de junho: 22 pavimentos, 2 lojas e sobreloja, com 329 metros quadrados por andar num total de 7500 metros quadrados. Entretanto, o imóvel não foi vendido neste leilão por não alcançar valor superior a Cr$ 600 milhões. Mais adiante o grupo de Administração e Participação Acre S/A arrematou o prédio por Cr$ 550 milhões.
- Em 1966 houve o julgamento e todos os réus foram absolvidos, pois não ficaram provados nos autos, pela Perícia, onde teria se iniciado o incêndio (mais uma vez os culpados ficaram impunes).
 
Enfim, posso comentar que assisti, ao vivo e depois no “Repórter Esso”, pela televisão, cenas deste pavoroso incêndio e me impressionaram muito. As reportagens das revistas semanais da época, como Manchete e Fatos & Fotos também deram muito destaque a este incêndio.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

LAPA



 
Vemos o cruzamento da Avenida Mem de Sá e Rua Visconde de Maranguape, em 1908 em foto de Malta.
A primeira  foto é a original. A segunda é um detalhe de um morador olhando para a rua desde a sua janela. A terceira é a foto colorizada pelo craque Reinaldo Elias,
À direita, ao fundo, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro.
Acho muito simpático este aspecto da Lapa naqueles tempos, com destaque para os sobrados e o belo poste de iluminação à direita.
Nossos valorosos Lulu & Dudu puxam o bonde nº de ordem 141. E ali vai a caleça do Professor Pintáfona, conduzida pelo fiel Álvaro.
E, pela foto, constatamos que os cariocas daquela época não gostavam de andar pelas calçadas, preferindo caminhar tranquilamente pelo meio das ruas.

domingo, 20 de agosto de 2017

PIPAS

 
Domingo em Copacabana na década de 60 era assim.
Pipas, típicas do Rio, expostas pela areia, um marinheiro americano comprando um exemplar, a moça passeando tranquilamente chupando um Chica-Bon, as pessoas calmamente sentadas na areia em suas toalhas ou esteiras, nenhum sinal da ocupação da areia por barracas e barracas de vendedores de bebida.
A Avenida Atlântica ainda com mão-dupla, calçada da praia estreita, talvez na esquina da Rua Figueiredo Magalhães na foto do americano.

sábado, 19 de agosto de 2017

DO FUNDO DO BAÚ: PETECA



 
Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá saem estas 3 fotos com o tema de hoje: a PETECA.
A primeira foto, em Ipanema em 1948, é do acervo do Silva, disponibilizada pelo Francisco Patricio.
Desconheço a autoria da segunda, em Copacabana em 1931,  tirada, segundo o Decourt, bem da esquina da Rua Xavier da Silveira. A casa com varandas aparentemente em estrutura metálica, que aparece parcialmente na extrema esquerda da foto, é onde fica o prédio onde o Brizola morou. A quarta casa, sempre partindo da esquerda, é onde hoje fica o edifício Embaixador, um dos marcos da arquitetura Decô carioca e que seria construído apenas 4 anos após essa foto ser tirada. A construção que aparece bem a direita da foto é dos edifícios Lellis e São Paulo, na esquina com a Rua Barão de Ipanema.
Nestas duas fotos vemos os comentaristas mais antigos do “Saudades do Rio”.
Na terceira foto, de Jean Manzon, de 1950, podemos ver atuais comentaristas deste espaço, em animado jogo de peteca na Praia de Copacabana. Eram todos sócios da S.E.M.P.R.E. (Sociedade Etílico-Marítima de Peteca Recreativa e Esportiva), com sede no Bar Alcazar, na esquina da Av. Atlântica com a Rua Almirante Gonçalves. Seus sócios faziam demonstrações por toda Praia de Copacabana (os rapazes exibindo seus corpos atléticos e as moças a sua beleza).
Toda a moda para trajes de banho, lançada a partir dos anos 50, era exibida em desfile nos salões do Copacabana Palace e, a seguir, era feito um jogo de exibição na areia, como pode se ver na foto acima.
Segundo o General Miranda, um dos fundadores da S.E.M.P.R.E., adepto e praticante diário deste esporte, a peteca ideal deve ter, na base, o diâmetro de 0,050m a 0,052m. Ter 0,20m de altura, incluindo as penas. De peso, de 40 a 42 gramas aproximadamente. As penas devem ser brancas, em número de 04 (quatro), formando um diâmetro de 0,04 a 0,05m. O material da base deve ser de borracha, em camadas sobrepostas.
Se você não for um profissional como o nosso saudoso General, pode fazer uma peteca com palhas secas de milho e algumas penas de galinha, como é habitual entre os tijucanos: rasgue as primeiras palhas em tiras estreitas que se vão dobrando e enrolando, alterando o sentido de cada uma. Quando esse "miolo" atinge a forma de uma almofada com mais ou menos dois dedos de tamanho, envolva-o com tiras mais largas, que se cruzam em diversas direções, cujas pontas ficam seguras na mão esquerda. Torce-se e amarra-se uma tira estreitinha formando-se um anel sobre o qual se passam, dobrando-as ao meio, um número de palhas suficiente para cobrir-lhe a circunferência. Aplica-se em seguida esse anel ao fundo da peteca juntando-se as pontas ao maço formado anteriormente. Já depois de colocado, aperfeiçoa-se o trabalho guarnecendo-se ainda mais o anel, de modo a recobrir completamente o volume todo. Ajusta-se bem o conjunto e amarra-se fortemente a base do maço de pontas, estando pronta a peteca.
Há diversas modalidades de jogo de peteca na praia, entre elas: com rede, como no vôlei: 3 contra 3, com o campo marcado no chão com fitas para delimitar os espaços onde a peteca deve cair; 3 contra 3 sem campo marcado no chão e onde a força predomina; 1 com 1, somente como diversão.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PROTESTOS NA CINELANDIA





 
As cinco fotos de hoje mostram o conturbado ano de 1968. Vemos a região da Cinelândia sendo palco de uma batalha entre a PM e os estudantes.
No seu clássico “1968 – O ano que não terminou”, Zuenir Ventura discorreu sobre aquele período dizendo em certo momento: “O cheiro de gás lacrimogêneo e o coro de “abaixo a ditadura’’ pareciam incorporados à paisagem urbana daqueles tempos”.
Em 1968 aconteceu a famosa “Passeata dos 100 mil” e, também, a edição do AI-5. Lembro, também, de uma noite terrível na Igreja da Candelária, onde meus amigos e ex-professores, os jesuítas Padre Angelim e Padre Guy, concelebraram com outros corajosos padres uma missa. À saída, todos foram surpreendidos por uma carga de cavalaria da PM. Os padres que celebraram a missa tomaram partido do povo e deram-se os braços, formando um cordão de isolamento entre a truculência da polícia e a população indefesa. Coisa insana.
Como podemos ver acima, os fotógrafos, mesmo no meio de tanto drama, conseguiam captar ângulos incríveis, juntando títulos dos filmes aos acontecimentos do dia.
Fotos: Acervo Correio da Manhã e Evandro Teixeira.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

AVENIDA ATLÂNTICA



Hoje temos três fotos, todas da década de 60, mostrando o tráfego na Avenida Atlântica ainda em mão-dupla. Somente a partir de 1969 haveria a duplicação das pistas.
A Avenida Atlântica foi construída a partir do Decreto Municipal nº 561, do Prefeito Pereira Passos, em 1905. Era, no início, apenas uma rua de serviço, para pedestres. A "Gazeta de Notícias", de 30/10/1905 assim comentava sobre o fato: "Do Leme à igrejinha, na extensão de 4 quilômetros, estabeleceu que o alinhamento dos prédios ficaria situado a cinquenta metros da orla oceânica. Além da igrejinha seria projetada outra Avenida, continuando o litoral até o Leblon. Feliz cidade, que a par das cercanias de beleza inigualável, encontra um administrador que a trata com gosto e carinho". Pelos planos de Pereira Passos, a casa do deputado federal Francisco Bressane de Azevedo, representante de Minas Gerais, serviria de baliza para a Av. Atlântica. 
Esta avenida foi ampliada em 1911 por Bento Ribeiro. Já em 1919 recebeu melhorias na administração de Paulo de Frontin. O Governador Negrão de Lima, por sugestão de Lucio Costa e com projeto do Engenheiro Raimundo Paula Soares, fez a sua duplicação entre 1969 e 1971, quando foi construído, sob suas pistas, o Interceptor Oceânico da Zona Sul, a maior obra de construção de esgotos no Rio, até então.
No Instituto Vasco da Gama, em Lisboa, havia (não sei se ainda está lá) a maquete dessa obra gigantesca. Era um estudo detalhado que incluía variação de marés, de correntes, movimentação de areia, etc. Um trabalho muito bem feito.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

FRESCOBOL


 
Você sabia que o frescobol já foi incluído no AI-5?
Hoje temos dois flagrantes de apreensão pela PM de raquetes de frescobol na praia na década de 60, uma em Copacabana e a outra em Ipanema (Arpoador). Esta tropa da PM, por conta de seus uniformes, era conhecida como “azulões”.
Segundo reportagens do início dos anos 60 o frescobol só poderia ser praticado depois da 14h e os que descumprissem esta ordem seriam “autuados por desrespeito à Lei e levados à Justiça”. Depois de algum tempo a proibição foi aumentada, proibindo o jogo durante todo o fim de semana. Os membros da PM que apreendessem mais raquetes receberiam um prêmio. A maior queixa dos PMs era com relação ao “sabe com quem está falando?”, chave de galão que levavam dos praticantes.
O “Correio da Manhã” de 16/01/1968 noticiou que a Secretaria de Segurança expediu duas notas enquadrando as punições para aqueles que não cumprirem a determinação. A primeira alerta do perigo que o esporte representa à integridade física dos banhistas, principalmente das crianças. A segunda dizia respeito ao tipo de infração em que incorriam e as consequências da desobediência.”
Naquela época a PM era muito rígida em aplicar esta lei e todos que jogávamos frescobol tínhamos que manter um olho na bola e outro na eventual presença dos policiais militares. Ao vê-los todos corriam para o mar ou tentavam esconder as raquetes sob a areia ou sob toalhas. Houve muita confusão por conta disto, durante algum tempo. E chegou a ser criada a profissão de “olheiro do frescobol” – por alguns trocados tinha gente que ficava vigiando a chegada dos PMs.
Ainda o “Correio da Manhã” de janeiro de 1968 noticiou que o coronel Elias de Morais, comandante do 2º Batalhão da PMEG, afirma ter “um plano secreto para combater o frescobol nas praias”. Também o tenente Romulo Rodrigues treinou a equipe de “azulões” em judô, para enfrentar a turma “barra pesada” que afrontava a polícia.
O pior veio em 1969, conforme conta o “Correio da Manhã” de 18/01/69: todos os presos por jogar frescobol irão para a Ilha Grande, enquadrados no AI-5.
Foi uma “guerra” que durou anos e ocupou páginas e páginas dos jornais.
Com o passar do tempo a fiscalização foi afrouxando e, atualmente há algumas regras, limitando o horário e local para esta prática, embora as transgressões ainda sejam frequentes.