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terça-feira, 14 de agosto de 2018

CONTRAMÃO




 
As fotos, do início dos anos 60, mostram o transtorno que os bondes causavam ao trafegar na contramão.
 
Fosse na Francisco Bicalho ou na Av. N.S. de Copacabana o risco de acidente e a barafunda no tráfego era imensa.
 
Na Zona Sul os bondes trafegavam na contramão em muitas ruas, tais como a Visconde de Pirajá e Ataulfo de Paiva, além de outras como a São Clemente, Voluntários da Pátria, General Polidoro, Humaitá, Jardim Botânico. Algumas destas vias ainda por cima eram em mão dupla. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

RUA BARATA RIBEIRO



 
Duas fotos da Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, no final da década de 1920.
A primeira foto, do acervo D´, é na porta da casa que existia no nº 593, entre as ruas Dias da Rocha e Raimundo Correa.
À esquerda, lado par, vemos o edifício da esquina da Rua Raimundo Correa que estava em construção e está lá até hoje, embora descaracterizado. Fica perdido na confusão de prédios e tem uma calçada estreita devido às obras de alargamento desta rua nos anos 60. É um prédio art-déco.  Na calçada do lado ímpar, onde está o triciclo, somente casas.
A Rua Barata Ribeiro foi aberta pelo 2º Barão de Ipanema, por Constante Ramos e por José Luís Guimarães Caipora, e aceita em 03/07/1894, no trecho compreendido entre a Rua Goulart (atual Av. Prado Junior) e a Rua Barroso (atual Rua Siqueira Campos). A Prefeitura do Distrito Federal abriu mais tarde o trecho até a Rua Constante Ramos. O trecho compreendido entre as ruas Constante Ramos e Bolivar, aberto antes de 1900, era chamado de Rua Doutor Pereira Passos. Quando a Rua Barata Ribeiro foi prolongada até a Rua Xavier da Silveira, em 31/10/1917, foi-lhe incorporada a rua antes conhecida como Doutor Pereira Passos. Finalmente, o Dec. 2406 reconheceu o seu prolongamento até a Rua Djalma Ulrich, conta P. Berger.
A segunda foto, enviada por Francisco Patricio, é de Malta. É de um trecho entre as ruas Siqueira Campos e Constante Ramos. Como a rua tinha acabado de ser urbanizada as árvores ainda não tinham sido plantadas.
Tudo muito diferente da atual Barata Ribeiro.
 
 



domingo, 12 de agosto de 2018

DIA DOS PAIS



5 anos: meu pai sabe tudo!
8 anos: meu pai às vezes se engana!
10 anos: claro que papai não sabe exatamente tudo!
15 anos: papai é muito antiquado!
20 anos: o velho está completamente por fora!
25 anos: meu velho sabe um pouco sobre isso!
30 anos: vou perguntar para o velho o que ele acha!
35 anos: não vou decidir nada até conversar com meu velho!
40 anos: imagino o que o velho faria!
50 anos: daria tudo para ter meu pai aqui agora para podermos conversar sobre isto!
60 anos: quanta saudade: o velho é que sabia das coisas.
 
Fotos : Rua Barata Ribeiro nº 589, em colorizações do Conde di Lido
Olha eu aí, num tempo em que a Rua Barata Ribeiro era super-tranquila, minha casa era no nº 589, entre as ruas Raimundo Correa e Dias da Rocha (ao fundo, a esquina da Rua Dias da Rocha). Havia mais casas do que edifícios, todas com muro baixo e um jardinzinho. Num tempo em que se ía para o colégio quase aos 7 anos, para fazer o Jardim de Infância, Admissão, Ginásio e Colegial. Em que se ouvia Orlando Silva e Dalva de Oliveira em discos de 78rpm em baquelite, em grandes vitrolas.
Num tempo em que as formas para fazer gelo eram de metal, cozinhava-se com banha, a manteiga (Miramar) vinha em lata e o leite, em garrafas de vidro com tampa de metal, era entregue pelo leiteiro, que puxava uma carrocinha.
Num tempo em que a missa era em latim, as mulheres usavam véu na igreja, maiô inteiro e ninguém ia até o centro da Cidade sem terno ou à praia sem camisa.
Num tempo em que se jogava bolinha de gude, pião, jogo de botão e se soltava pipa. Que o sonho era ter um "courinho nº 5" comprado na Superball para substituir a bola de borracha ou aquela pista de corridas de cavalinhos de chumbo.
Num tempo que novela só no rádio, propaganda política só em comícios ou em "santinhos" em papel jornal com o nome do partido e do candidato. Em que os craques eram o Zizinho e o Ademir. Do triciclo do padeiro, do som do amolador de facas, do “garrafeiro” que gritava “compro jornais, revistas, livros velhos”, do apito do guarda-noturno.
Num tempo em que o telefone era de mesa ou de parede e não dava sinal, que faltava água, que toda cozinha tinha um mata-moscas. Que as canetas eram a tinta, precisando do mata-borrão. Num tempo que lanche na escola era café-com-leite levado em garrafa térmica e um sanduíche de queijo ou de goiabada. E quase todo mundo usava botinhas ortopédicas e operava as amígdalas. Em que a paralisia infantil era uma ameaça, Anatole France era o máximo e se falava francês em casa.
Num tempo bom, muito bom, quando meu pai ainda me levava no colo.


sábado, 11 de agosto de 2018

VOO DA COQUELUCHE


 
A foto talvez seja do “voo da coqueluche”, mas não tenho certeza.
Reportagem do “Correio da Manhã”, contava do “voo da coqueluche”, existente desde os anos 50. Era uma cooperação da FAB – Força Aérea Brasileira no tratamento dessa insidiosa moléstia infantil. Altamente contagiosa, a coqueluche era uma das mais terríveis moléstias infantis. De longa duração, esta doença insidiosa causada pelo bacilo de Bordet- Gengou, acarreta frequentes complicações. Antes do aparecimento dos antibióticos, o tratamento era quase puramente sintomático.
Notou-se que os pequenos doentinhos melhoravam quando levados a passear nos campos, nas praias e nas montanhas, pela parte da manhã. Acentuavam-se as melhoras quando os passeios eram realizados em automóveis abertos, com abundante ventilação.
Finalmente tentou-se, com êxito, o voo terapêutico, que obedece a seguinte técnica:
1)      As crianças devem levar agasalhos, por causa do frio.
2)      Durante o voo só podem ser ingeridos alimentos líquidos ou pastosos.
3)      O avião deve estar equipado com oxigênio e caixa de primeiros socorros.
4)      A subida deve ser rápida, contínua, a 3m/s (590 pés por minuto) até 3.500 metros e permanência nesta altitude durante 60 minutos.
5)      A descida deve ser intermitente, a 2,5m/s (502 pés por minuto), condicionada às reações objetivas ou subjetivas dos passageiros (dores de ouvido).
6)      Repetição semanal dos voos (3 vezes consecutivas).
7)      É conveniente o acompanhamento de um médico.
Segundo o capitão-médico Dr. Tito Livio Job, são magníficos os resultados. O médico ressaltava as modificações que o voo exercia sobre o organismo humano, tornando a urina do doente alcalina, aumentando os seus movimentos respiratórios e os glóbulos do sangue, bem como a provocação de outros fenômenos benéficos para o portador da moléstia.
Estudos verificaram que com a alteração de pressão atmosférica os glóbulos brancos libertavam uma substância de natureza enzimática que atuaria sobre o agente da coqueluche, provocando a hiperefusão oxidásica.
O voo era gratuito, durava duas horas e o avião ia até Cabo Frio. As crianças de mais de 4 anos de idade viajavam sem acompanhantes. Realizado três vezes por semana, os nomes dos passageiros de cada voo eram publicados no "Correio da Manhã", como podemos ver na segunda foto.
Notícia de 1959 dava conta que “a FAB não precisa mais fazer este voo, pois na Escola de Aeronáutica dos Afonsos já está funcionando uma Câmara de Baixa Pressão. Esta câmara obtém depressão barométrica e diminuição da tensão parcial de oxigênio, substituindo a necessidade de voar.”
PS: hoje em dia, a indicação é vacinar-se com a dTpa , vacina tríplice bacteriana acelular, distribuída durante o Calendário Nacional de Vacinação.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

SEMANA DA ASA




 
Antigamente, durante a “Semana da Asa”, havia muitas comemorações.  Entre elas havia exibições de aviões na Praia de Copacabana, como vemos nestas fotos.
O que impressiona é o risco a que estavam submetidos pilotos e assistentes com estes voos tão perto da areia.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ESCOLA REPÚBLICA DO PERU

 
A foto, do acervo do Correio da Manhã, de 1955, mostra a Escola República do Peru, na Rua Arquias Cordeiro, nº 508, no Méier. Era da PDF – Prefeitura do Distrito Federal. Ficava num prédio de linhas modernas, com 17 salas de aula, além outras dependências em que se instalaram a biblioteca, o refeitório, o auditório, a sala de trabalhos manuais, a cozinha, etc. No edifício da escola funcionavam, ainda, o Posto Médico Pedagógico e a sede do 9º Distrito Educacional.
No início dos anos 50 tinha 1635 alunos, que se distribuíam por três turnos, da 1ª série ao Curso de Admissão.
Reportagem do “Correio da Manhã” de 1951, parcialmente transcrita abaixo, mostra como era a escola naquela época:
“Desde 1945 a diretora teve a iniciativa de substituir a merenda servida aos alunos por nutritiva refeição que tomou a denominação de “pequeno almoço”. Foi a Escola República do Peru a pioneira no movimento em prol da melhoria das refeições fornecidas aos alunos das escolas primárias. Do menu constava: bife, arroz, leite e bananas. Também a escola, no sentido de proporcionar maior conforto aos alunos, adquiriu uma geladeira elétrica, um mimeógrafo e um projetor cinematográfico sonoro para exibição de filmes educativos.
A Caixa Escolar, o Serviço de Merenda, o Clube Literário, a Biblioteca, o Centro de Civismo, o Clube Agrícola, o Clube de Saúde, o Cinema Educativo, o Museu, o Centro de trabalho, o Círculo de Pais e Professores, a Cooperativa e a Associação de Ex-Alunos, dão vida à escola e contribuem para o desenvolvimento harmonioso da personalidade do aluno no seu tríplice aspecto: físico, intelectual e moral.
A diretora é a Professora Joana da Silveira Carvalho, auxiliada pela Professora Carolina de Matos Novaes.”
Nos anos 50, os alunos da Escola República do Peru tinham também um jornalzinho chamado “Nosso Brasil”. Nele havia de tudo quanto possa interessar a seus inúmeros pequeninos leitores. Segundo o “Correio da Manhã”, “seu atraente jornal exercerá benéfica influência à formação dos que o redigem como dos que o leem.”

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

LEMOS & BRENTAR



 
Duas destas fotos já apareceram por aqui. A primeira de hoje e o texto do Gustavo Lemos justificam o tema ser de novo trazido.
“Vemos a instalação no corredor de entrada da Lemos & Brentar de um Puma em 1968. Ele permaneceu aí até 1980, quando foi removido, mudou de cor, e transferido para a fachada do prédio à direita onde está o letreiro Formad. O carro era meia carroceria que a Puma enviara de presente para os novos concessionários no Rio e substituiu um Fusca que estava pendurado no mesmo lugar.
Na época eu tinha quinze anos e estava aí acompanhando a instalação. Meu pai está de costas sobre o muro, na altura do capô do táxi DKW. A foto provavelmente foi tirada pelo Albino Brentar.
Lemos & Brentar em três tempos. A primeira fase foi de 1957 a 1968, com o Fusca pendurado em 1959. A segunda com o Puma que foi de 1968 a 1980. A terceira de 1980 a 1986.
Em 57, Aluizio Lemos e seu sócio em uma locadora de automóveis, Edgard Torres, compraram uma oficina na Rua Jardim Botânico nº 705, telefone 26-4351, que se chamava Auto Super, para fazer manutenção dos carros da frota. Em 59 a sociedade foi desfeita e na partilha dos bens meu pai ficou com a oficina, que resolveu explorar com o sócio remanescente da Auto Super, Albino Brentar.
Foi criada a Lemos & Brentar, especializada em VW, principalmente em preparação e montagem de Kits Okraza no motor e lanternagem para companhias de seguro, com as quais Aluizio tinha ótimo relacionamento. A ideia de colocar o Fusca pendurado surgiu de um carro que deu entrada na oficina com o lado direito totalmente destruído e a seguradora deu perda total. Compraram o carro por uma ninharia no estado, cortaram ao meio e penduraram na entrada.
Não se sabe de qual dos dois surgiu a ideia, já que ambos discutiram a autoria até a morte. O fato é que foi um grande sucesso, que atraiu a atenção da VW, que tinha acabado de inaugurar sua fábrica de São Bernardo. Tornaram-se concessionários da marca.
A fase Puma começou em 1968, pouco depois do lançamento do modelo com chassis VW. A L&B tornou-se a segunda concessionária da marca no país, perdendo apenas para a Comercial MM de São Paulo, que pertencia a dois sócios da fábrica. Venderam mais de 6.000 Pumas até o fechamento da fábrica.
Em 1979, compraram o contrato de locação da Formad, loja ao lado do corredor de entrada, e resolveram trazer a concessionária de motos Honda que tinham na Gávea (Setemo) para o local. A nova loja foi inaugurada em 1980.
Em 1986 foi vendida para a Auto Modelo, que estava desesperada atrás de um local para a concessionária VW da Lagoa que foi desativada para construção de prédios.
Albino faleceu em 2001, faltando um mês para completar 70 anos. Aluizio, meu pai, em 2007, com 80 anos.”
Uma reportagem do JB dava conta que “Albino é o sócio técnico e Aluizio o financeiro. Os dois entendem de Volkswagen, pois inclusive Aluizio tem todos os cursos, mas como ele mesmo diz, “o Albino é mais profundo”. Albino também reconhece que Aluizio, em questão de contas e impostos, é melhor e assim vão vivendo, cada qual, porém, com direito de meter o bedelho na parte alheia.
Tanto um como outro, ou seja, o Lemos e o Brentar, são hoje sossegados chefes de família. Assistem corridas e confessam-se inquietos quando ouvem uma motocicleta passar roncando pela rua. Sublimam, porém, a paixão dos motores no trabalho da oficina. E concluem: um homem deve fazer aquilo de que gosta na vida. E nós gostamos de motores.”