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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

PRAIA DO FLAMENGO



Reportagem deste final de semana prevê que a Praia do Flamengo, dada à situação atual de limpeza da água, será um dos grandes sucessos do verão 2023/2024.

Será mesmo?

As fotos são da década de 50, quando havia um bom número de frequentadores desta praia.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

BONDE GÁVEA

O tema de hoje é o bonde “Gávea”, da linha 10.  Segundo o Helio, o trajeto era: Tabuleiro da Baiana – Senador Dantas - Luís de Vasconcelos - Augusto Severo – Largo da Glória - Russel – Praia do Flamengo - Machado de Assis - Catete – Marquês de Abrantes – Praia de Botafogo – São Clemente - Humaitá - Jardim Botânico - Marquês de São Vicente, até o nº 438.

FOTO 1: Vemos o projeto para a construção da “Estação da Olaria”. na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, construída em meados da década de 1870.

Segundo Dunlop, esta linha levou quinze anos para ser construída: o primeiro trecho, da Rua Gonçalves Dias (esquina de Rua do Ouvidor) ao Largo do Machado, foi inaugurado em 9 de outubro de 1868.

O segundo trecho, até ao fim da Rua Marquês de Abrantes, ficou pronto em 21 de novembro e o terceiro trecho, até o começo da Rua de São Joaquim (atual Voluntários da Pátria), ficou pronto em 19 de dezembro de 1868.

Por não estar ainda aberta e concluída esta rua, somente em janeiro de 1871 pôde ser ultimado o trecho até ao portão do Jardim Botânico.
Pouco depois a linha atingia o Largo das Três Vendas, no começo da Rua Marquês de São Vicente, e, em 17 de janeiro de 1874, chegava à estação da Olaria, no número 224 desta rua. E somente em 1883 a linha Gávea chegou a seu final, na Ponte da Rainha, no final da Marquês de São Vicente,
atual Praça Augusto de Lima.

Só em 1894, foi inaugurada uma linha elétrica para bondes na Gávea que ia do Centro, até a Estação de Bonde de Olaria, no alto da Marquês de São Vicente.

Em 1908 o “Correio da Manhã” noticiava que o Cia. Jardim Botânico efetuou à sua custa e sem obrigação contratual o calçamento desde a “Piassava” (fronteira do Humaitá com o Jardim Botânico) até Rua Marquês de São Vicente e desta à estação da “Olaria” até o final da linha.

FOTO 2:Esta fotografia mostra a antiga estação da Olaria. O prédio sobreviveu por muito tempo, tendo sido transformado em fábrica de móveis e oficina de decoração na primeira metade do século XX. Ficava em frente à PUC, na altura da Rua Duque Estrada. Em seu lugar foi construído um prédio de apartamentos.


FOTO 3:Vemos a estreita e deserta Rua Jardim Botânico no final do século XIX. Um local belíssimo. Impressionante este legado de D. João VI para a cidade. As linhas do bonde mostram a preocupação com a infraestrutura em regiões ainda por serem habitadas.

À direita o poste de um combustor, modelo inglês, do mais simples possível desaparecido na cidade nos anos 20, pois não foi convertido para luz elétrica como ocorreu com o francês, que é inclusive mais ornamentado.

Este aspecto da Rua Jardim Botânico foi obtido após as obras para a sua retificação no final do século XIX, por volta de 1880. Anteriormente a Rua Jardim Botânico ficava à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Anos mais tarde, outros grandes aterros seriam feitos, como o do Jockey Club, e a rua seria ampliada. Por esses trilhos passava o bonde “Gávea”.


FOTO 4:Na última década do século XIX experimentou-se nessa linha o "Expresso da Gávea", que nada mais era que um bonde comum que saía da cidade às 16 horas e, "a toda velocidade", se dirigia para a Ponte de Táboas, parando somente no Largo do Machado e na estação do Largo dos Leões para uma rápida mudança na parelha de muares.

Gritava o cocheiro: “Expresso da Gávea! Este bonde não para!”

Levava uma hora e meia para ir do Centro da Cidade até a Ponte de Táboas. Daí em diante virava "subúrbio" e ia parando à vontade dos passageiros.

Em agosto de 1900, “atendendo a solicitações de distintas famílias e cavalheiros”, trafegaram nessa linha os primeiros bondes de luxo, para levar e trazer os frequentadores do Teatro Lírico, segundo Dunlop.

Estes carros eram mais confortáveis, tendo os assentos e encostos cobertos por capas de brim branco e assoalho atapetado. Mais caros que os comuns, obedeciam, na ida, a horário certo, dependendo a volta da hora em que terminasse o espetáculo.


FOTO 5Nesta foto garimpada pelo Nickolas vemos um bonde, apinhado de gente, trafegando pela Rua Jardim Botânico na década de 50. Parece estar na altura de onde hoje funciona o restaurante Rubayat, nas dependências do Jockey Clube.

Pelo aspecto o dia deveria ser de greve dos ônibus e lotações, deixando o povo sem outra alternativa de transporte, pois habitualmente esta linha não tinha este volume de passageiros. Que o digam meus amigos de colégio (Otacilio Resende, Nelson Parente, João Botafogo, Marcio Pontes, Raymundo Bello, passageiros diários deste bonde).

A linha poderia ser a 7-Jóquei Club ou a 10-Gávea ou ainda a 11-Jardim-Leblon.

Um caso curioso ocorreu anos antes desta foto, narrado por Dunlop: em 20/03/1906 a Cia. Jardim Botânico foi notificada pela Prefeitura no sentido de reduzir para 60 minutos o tempo da viagem entre o Largo da Carioca e a Gávea.

A Cia. ponderou que era impossível fazer o percurso em tão pouco tempo, a menos que fizesse imprimir grande velocidade aos carros, do que poderiam resultar atropelos de toda ordem e reclamações dos passageiros por não poderem entrar ou saltar com a devida calma e segurança.

Além, mesmo que fosse possível reduzir a duração da viagem da Gávea, não poderiam os carros desta linha avançar, tendo à frente os de outras linhas na Praia de Botafogo e no Largo dos Leões.

A Prefeitura não aceitou a ponderação e a Cia. voltou a se justificar dizendo que conseguiu executar a viagem em 57 minutos, porém só no período entre 22 horas e 4 horas da manhã, exatamente porque nessas horas a movimentação era muito menor, não sendo perdido muito tempo nas paradas.

Não obstante, o recurso foi novamente indeferido.

Dunlop não conseguiu apurar como terminou a questão, mas ressalva que o interessante era que o tempo anterior, que justificou tanta celeuma, era de 63 minutos para cada viagem...

FOTO 6:Vemos o bonde Gávea, mas não está nítido o número de ordem, mas é algo parecido com 1964. O Ford é no máximo 1948 e o caminhão Chevrolet é de 1946. Talvez o bonde esteja na região do Passeio Público, vindo da Rua Augusto Severo.

FOTO 7Bonde 10, Gávea, nº 1897. Propaganda do cigarro Lirio, passando pelo portão do Passeio Público. Colorização do Nickolas Nogueira. 


FOTO 8Foto colorizada pelo Nickolas Nogueira. Vemos o bonde "Gávea" trafegando tranquilamente pelo bairro de Botafogo, levando os passageiros para o Centro. Parece que a vida passava mais devagar naquela época. À esquerda, um automóvel da primeira metade do século XX e, à direita, um infatigável burrico em sua faina diária. Como eram bonitos os casarões de Botafogo. Num deles podemos ver as letras "GARA.... E FI.....". Seria “Garagem e Oficina” ou "Garagem de fiacres"?


FOTO 9Esta bela colorização da Christiane Wittel sobre foto de Malta, do acervo do IMS, publicada pelo A.J. Caldas, mostra um bonde “Gávea” na Praia de Botafogo no início do século XX. 

O local exato é Praia de Botafogo na altura da Rua Marquês de Abrantes, em 1910. Se não me engano, o Helio escreveu que o modelo do bonde é o tipo Narragansett, de 13 bancos e lotação de 65 passageiros sentados.

Além de apreciar a beleza da foto fiquei curioso com o que teria acontecido com o homem de terno branco e gorro. Todos olham para ele: será que tinha pisado num cocô de cachorro? Ou teria, por acaso, sido atropelado pelo bonde? Ou teria caído ao tentar saltar do bonde andando? O puxador do burro-sem-rabo, ao lado do condutor e do fiscal, parece tentar ajudar a "vítima".

FOTO 10Bonde “Gávea”, foto do "Correio da Manhã", em frente à Gaiola de Ouro. Segundo obiscoitomolhado, o táxi é um Mercury Eight, 47-48 e o branquinho é um Vauxhall, de 54 em diante. Comprovar o Vauxhall foi difícil porque a literatura é escassa, mas aquele corte sob a porta dianteira, só os Vauxhall têm. Deve ser para botar o macaco. Quanto ao ano, apenas em 54 saíram aquelas calotas e o friso contínuo.