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quinta-feira, 29 de junho de 2023

PRIMEIRAS COLORIZAÇÕES DOS FOTOLOGS DO RIO ANTIGO

Há uns 15 anos o nosso prezado Conde di Lido foi o precursor das colorizações de fotos do Rio Antigo no "Saudades do Rio", então abrigado no provedor Terra.

Obviamente houve uma curva de aprendizado e, aos poucos, ele foi aprimorando a arte de colorizar. Teve grandes seguidores como o Nickolas, o Reinaldo Elias, o Marcelo Fradim, a Chritiane Wittel, entre outros.

Desde há alguns anos o Conde di Lido alega ter desaprendido completamente como fazer. E surgiram os aplicativos para colorização, praticamente acabando com o trabalho artesanal.

Hoje recordaremos algumas das primeiras colorizações do Conde.


O Kaiser da família D´ estacionado no Jardim de Alá em 1951, fez sucesso pelo ineditismo, mas foi um dos primeiros experimentos do Conde. Foto publicada em 08/09/2007.


Vemos um aspecto da Praia da Lapa, primitivamente chamada de Praia das Areias de Espanha. Começava no final do Passeio Público, na altura da Avenida Augusto Severo, e terminava onde é hoje o Largo da Glória. Foto publicada em 30/05/2010.


O Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, por volta de 1930.  Foto publicada em 12/07/2010.


Esta antiquíssima fotografia de Klumb, datada de 1862, mostra o Hotel Waltz, fundado em 1858 e que tinha como endereço o Cais Pharoux nº 3. Foto publicada em 14/07/2010.


Vemos as candidatas ao concurso "Miss Guanabara" nos anos 60 verdadeiramente "fechando o trânsito" em Copacabana. O local é a Avenida N. S. de Copacabana, perto da Rua Paula Freitas. Esta é uma das fotos que mais circulam na Internet, nunca citando o autor da colorização. Foto publicada em 07/08/2012.


Praia de Copacabana. Um Ford Eifel 1938, um produto da Ford de Colônia, Alemanha. Ou Ford Köln, que depois produziria os caminhões FK. O carro preto é um Chevrolet 49-50. Foto publicada em 12/08/2012.


O estádio do Botafogo passando por uma remodelação. Esta é outra foto que circula muito pela Internet sem identificação do autor da colorização. Foto publicada em 15/01/2015.


Rua Frei Caneca nos anos 50. O automóvel pode ser um Oldmobile. Foto publicada em 14/07/2016.


A casa da família D´ na Rua Barata Ribeiro quando ainda tinha dois andares. Nos anos 40 foi construído mais um andar.

E viva o Conde di Lido!!!


quarta-feira, 28 de junho de 2023

BONDE COQUEIROS

Quando era criança, da varanda de casa via passarem inúmeros ônibus e lotações. Um que sempre me intrigou era o ônibus da linha 109: Malvino Reis-Ipanema. Onde seria Malvino Reis? Demorei anos em descobrir. De outra feita, indo visitar primos na Tijuca, li em algum lugar “Fábrica das Chitas”. Outro local que me intrigou por anos.

Hoje vamos ver alguns bondes que faziam a linha “Coqueiros”, que nunca soube ser um local no Catumbi.

Um dos trajetos do bonde 42, segundo o Helio Ribeiro, era Largo de São Francisco - Andradas - Buenos Aires - Praça da República (igreja de SãoJorge) - Presidente Vargas (lado ímpar) - Marquês de Sapucaí - Catumbi - Itapiru - Dr. Agra – Coqueiros, mas variava conforme a época.


O Helio me enviou essa excelente fotografia, de 05/10/1952. Vemos a Avenida Presidente Vargas durante as obras de integração das velhas vias do Mangue com a nova Avenida Presidente Vargas. As pistas junto ao canal deixavam de ser uma via auxiliar e eram alargadas para virarem as principais.  Bem no centro da foto vemos uma caixa telefônica da CTB. Vemos um bonde da linha 42, "COQUEIROS", e um ônibus da linha Praça Mauá – Gramacho. A Rua dos Coqueiros ficava no Catumbi e desapareceu com a construção do Túnel Santa Bárbara.


Por onde está trafegando o bonde 42 - Coqueiros?


Consta na legenda que o bonde Coqueiros estaria na Rua Frei Caneca, em 1960. Concordam?


O bonde Coqueiros imobilizado durante uma greve em 1956.


Vemos, na Av. Presidente Vargas, o bonde 42 - Coqueiros logo atrás do 31 - Lapa-Leopoldina.

terça-feira, 27 de junho de 2023

TEATRO MUNICIPAL

São tantas as fotos do belíssimo Teatro Municipal que teríamos que fazer diversas postagens. Hoje veremos umas poucas fotos. Confesso que fui muito menos vezes do que deveria ao nosso teatro. A primeira vez foi inesquecível, por se tratar do dia de minha formatura na faculdade, há mais de 50 anos.


Em 02/01/1905 começou a construção do Teatro Municipal. Substituindo Pereira Passos como prefeito, Francisco Marcellino de Souza Aguiar não interrompeu as obras, que prosseguiram até a inauguração em 1909, já com Nilo Peçanha como presidente da República e Serzedello Corrêa como prefeito.


Em 1904 dois projetos obtiveram o 1º lugar no concurso para a construção do Teatro Municipal. Foi escolhido o "Aquilla", pseudônimo de Francisco de Oliveira Passos, filho do Prefeito. O outro, o "Isadora", era do francês Albert Guilbert. O custo total da construção foi de 10 mil contos de réis.


Projeto Aquilla

Projeto Isadora


O Municipal, projeto do arquiteto Oliveira Passos e inaugurado em 14/07/1909, é o grande marco da cultura de nossa cidade, manifestada na melhor música e melhor dança. O Prefeito Pereira Passos reformulou a cidade, transformando o Centro e, a princípio, pensou em reformular o teatro São Pedro de Alcântara. Como o proprietário do imóvel, o Banco do Brasil, não chegou a um acordo, foi resolvida a construção de um novo teatro.

O Teatro Municipal ocupa o quadrilátero limitado pela Av. Rio Branco, beco Manoel de Carvalho, Rua 13 de Maio e praça Marechal Floriano, com frente para esta, abrangendo uma área de 4220 metros quadrados. Tendo em vista a desigualdade de resistência do terreno e a existência de um lençol d´água subterrâneo, foi adotado o sistema de estacada para as fundações do edifício do teatro. Foram fincadas 1180 estacas de madeira de lei, cujos comprimentos variam entre 4 e 11 metros.

O Teatro Municipal, em estilo eclético, era o sonho de Arthur Azevedo que, infelizmente, não o viu pronto, por ter falecido em 1908.

Foi inaugurado com um discurso do poeta Olavo Bilac, entregando à cidade do Rio de Janeiro "o seu mais belo edifício, com um esplendor de mármore e bronzes". Além do discurso do poeta, a elite da capital brasileira, o presidente Nilo Peçanha à frente, pôde assistir à apresentação de duas óperas nacionais -"Moema", de Delgado de Carvalho, e "Insônia", de Francisco Braga - e da comédia "Bonança", de Coelho Neto.

Os primeiros tempos do Teatro Municipal, marcados por intensa programação internacional, receberam companhias italianas, portuguesas, alemãs, inglesas, latino-americanas e, o ponto alto, francesas.

Durante as temporadas francesas, as senhoras, já naturalmente exigentes, chegavam ao requinte de encomendar um traje para cada noite. Os convites se acompanhavam, invariavelmente de brindes. Uma amostra de perfume francês, um saquinho de pó-de-arroz, um lencinho cuidadosamente dobrado. 


O Teatro Municipal destaca-se com a fachada principal para o mar. Ao se caminhar desde o mar tem-se, aos poucos, a sensação de pompa do edifício. A escadaria leva o olhar até ao primeiro lance do edifício. O corpo principal e os dois laterais da fachada são, na parte inferior, de granito. Os pedestais sobre os quais assentam as 14 grandes colunas do corpo principal são de granito da Candelaria. Três portões de bronze dão acesso ao interior. 

Sobre as portas, os balcões de mármore indicam o 2º pavimento. As colunatas são de mármore italiano e belga. As catorze, do corpo principal, em estilo coríntio, lavradas em mármore de Carrara. 

No friso, ladeando as letras douradas da inscrição "Theatro Municipal", nomes de grandes mestres da música e da dramaturgia e, ao alto, entre as duas cúpulas encimadas por globos luminosos, a parte central do edifício tem de um lado a Música e do outro a Poesia, belas esculturas de Bernardelli. Sobre a imensa esfera de vidro a águia real, que coroa o edifício.


Esta foto foi a primeira colaboração do Nickolas para o "Saudades do Rio", em 2010. Estava apenas iniciando seus trabalhos de colorizar fotos que, pouco a pouco, levou à perfeição.


Esta foto é uma homenagem ao nosso prezado Menezes, CEO da Calango Air.

O sistema de refrigeração do teatro foi objeto da seguinte explicação: "A fim de renovar o ar e abaixar a temperatura na sala de espectaculos, dispoe o Theatro Municipal de uma possante installação de ventilação e refrigeração artificial, installada no porão sob o vestibulo de entrada. 

O funccionamento d´esta installação, cuja capacidade de ventilação é 100.000 metros cubicos, exige a força motriz de 100 cavallos e pode reduzir a temperatura do interior até 10º abaixo da temperatura do ar captado no exterior. 

A captação é feita em local situado distante do Theatro, para onde o ar é conduzido por um canal subterraneo duplo, com cinco metros quadrados de secção e noventa e seis metros de comprimento. Depois de purificado, pela passagem atravéz de filtros de lã e de refrigerado em camaras frigorificas, é o ar puro insufflado nas diversas dependencias pela parte superior das mesmas, sendo feita a sahida do ar viciado pela parte inferior.

 A ventilação do palco scenico é feita independentemente da da sala de espectaculos, de fórma que a temperatura n´estas duas partes do theatro é sempre igual."

A antiga usina elétrica, da Siemens-Schuckertwerke, era acionada por três motores a petróleo, sistema Diesel, perto do beco Manoel de Carvalho, destinada à iluminação do teatro e à movimentação de seus mecanismos.

 

Esta é uma foto noturna colorizada pelo Nickolas. É uma amostra da evolução da técnica. O nosso prezado obiscoitomolhado certamente identificará os automóveis.

Esta outra foto foi garimpada pelo Nickolas. Foi publicada no "Saudades do Rio" em 2015, quando estava no provedor UOL.

Na época alguns especialistas, cujos nomes não anotei, comentaram: 

"Entre os carros americanos, a maioria é da década de 40 e há o Dodge e o Chevrolet 51. o Buick é 1950. O Fusca parece ser de janela bem pequena, pela escuridão que aparece na janela traseira, talvez seja um split-window que já apareciam aqui em 1951. O Jeep é indefinido, pois o corte redondo do para-lama traseiro é assim desde a guerra. O furgãozão parece um International, mas é difícil garantir." 

"Entre os `busólogos´a maioria concordou que não é um MOSA. Então, Mauá-Fátima ou Mauá-Aeroporto não deve ser. 

Durante muito tempo a primeira placa (parada de ônibus) em todas as paradas da Rio Branco era para os coletivos destinados à Zona Sul. Como o sinal está fechado, ele já saiu do ponto. Quem está lá agora é o "Camões" que está logo atrás. 

Para o Castelo, Praça XV, Fátima, Lapa, a parada era na segunda placa. Logo se ele estivesse fazendo alguma linha com terminal no Centro ao parar no sinal estaria na segunda faixa da pista. Mesmo não sendo Magirus este MB321/Metropolitana deve ser um Leopoldina-Leblon."


segunda-feira, 26 de junho de 2023

RESTAURANTE ALCAZAR

Na semana passada falamos sobre o Bar e Restaurante Alcazar, na Av. Atlântica, esquina de Almirante Gonçalves. Tinha dois endereços: Rua Almirante Gonçalves nº4 ou Av. Atlântica nº3530.  No final do século passado o telefone era 255-1923.

Contamos que uma das reuniões do pessoal dos FRA – Fotologs do Rio Antigo, por insistência do Tumminelli e do Conde di Lido, foi ali realizada. A motivação principal, citada pelo Conde, foi uma promoção: todos os salgadinhos custavam R$ 1.

Éramos umas vinte pessoas, sendo a noite em que pela primeira vez compareceriam os comentaristas Evelyn e Derani. Em termos gastronômicos a noitada foi um desastre, mas valeu pela presença de todos. Como já contamos, até um ventilador de teto caiu sobre a mesa, quase atingindo a Evelyn ou o Rafael Netto, já não lembro bem.


Esta foto é do acervo de um dos garçons que por mais tempo trabalhou neste restaurante: o Antonio Carlos, que desde 1956 servia os clientes (ele aparece nesta foto ajeitando uma mesa).

Originalmente a varanda era muito menor do que a que existiu no final do século XX. Isto porque teve o espaço da calçada aumentado quando da duplicação da Avenida Atlântica no início da década de 70. 

Nota-se com clareza como a pista de rolamento era próxima aos prédios, deixando assim a calçada bem estreita. Na outra esquina temos o St. Tropez, que ficava no Hotel Debret e que hoje não mais existe.  Antes do St. Tropez funcionou ali a Boate Marrocos, cuja entrada era pela Rua Almirante Gonçalves.

No tocante à Marrocos, o Antonio Carlos não tem boas lembranças, por conta das confusões criadas pelos frequentadores dela.  

Por falar no St. Tropez, o Conde di Lido se recorda com carinho do Fernando, uma figura parecida com o Mike Tyson, que era porteiro do St. Tropez e depois foi para o Sachinha´s. Ele facilitava a entrada do Conde di Lido que, à época, ainda não tinha 21 anos de idade para poder frequentar boates.


Assim era a fachada do Alcazar, com luminoso de neon, moda da época. 


Segundo o Conde di Lido, especialista no assunto, o Alcazar disputava com o Bolero (entre a República do Peru e a Fernando Mendes) a preferência das putas das décadas de 50 e 60. Mais tarde, ainda segundo ele, elas se dividiam entre o Balcony (no Lido) e o Meia Pataca.

Entre os frequentadores mais notórios do Alcazar estava o grupo do Clube dos Cafajestes. Rapazes jovens, mulherengos, bons de copo, criativos, com estudo, como Carlinhos Niemeyer, Comandante Edu, Paulo Soledade, entre outros. Eram figuras assíduas nas colunas sociais.


Depois de que foram concluídas as obras de duplicação da Av. Atlântica tudo mudou. Os restaurantes ganharam espaço de sobra no calçadão para colocar suas mesas. Com isso o perfil da clientela mudou, já que turistas, somados aos cariocas, passaram a frequentar mais esses locais. Essas mudanças estavam previstas no projeto de duplicação da orla, que incluía, além da construção do Interceptor Oceânico e a duplicação das pistas, uma revitalização do potencial turístico do bairro.

 


No início da década de 70, não sei se por obras de alargamento mal feitas, houve vários vazamentos de esgoto na calçada em frente ao Alcazar, o que obrigou a fechamentos temporários.


Vemos as obras de recuperação das tubulações de esgoto. Após a esquina da Almirante Gonçalves, quase chegando à Rua Sá Ferreira, podemos ver aquele Posto Texaco que já apareceu em tantas fotos aqui e o Hotel Miramar.


Esta foto é do "Jornal do Brasil", de outubro de 1990. A placa na parede tem a data de inauguração do estabelecimento em 1930, mas não consegui confirmar.

Naquela ocasião o Prefeito Marcelo Alencar chegou a cassar o alvará do Restaurante Alcazar por ter um “segurança” da casa matado um estudante no local. O motivo teria sido o fato do estudante ter se sentado numa mesa do Alcazar para comer um sanduíche comprado em outro estabelecimento. Houve a discussão e, a seguir, o assassinato.

A foto mostra um incauto que se sentou para tomar um chope após o Alcazar ter sido reaberto. Como havia um grupo de plantão para protestar contra o restaurante, o rapaz, hostilizado, logo desistiu e foi embora.

Havia, na época, uma campanha para diminuir a violência praticada pelos “seguranças”, uma nova praga que tomou de assalto o Rio. Assim como o Alcazar, o Restaurante Sagres, no Baixo Gávea, também foi fechado temporariamente, devido ao assassinato de um rapaz por outro “segurança’. 

Três décadas depois podemos constatar que a "indústria da segurança" segue a pleno vapor na cidade, com todos os seus prós e contras.