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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

FINAL DE ANO

 
Com esta fotografia do Posto 6 nos anos 70 o "Saudades do Rio" deseja uma ótima passagem de ano para todos os comentaristas e visitantes.
 
Que 2019 nos traga muitas coisas boas, que o Rio consiga voltar aos bons tempos e que todos tenhamos muita saúde.
 
Hospedado no Blogger há dois anos temos tido uma média de 500 visualizações diárias. Nada mal para esta plataforma que praticamente caiu em desuso em face do Instagram, Facebook, e outras novidades.
 
Daqui a alguns dias o "Saudades do Rio" entrará de férias e depois veremos o que acontecerá.
 
Abraços a todos.

domingo, 30 de dezembro de 2018

RÉVEILLON EM COPACABANA


 
Antigamente havia uma homenagem a Iemanjá, cerimônia tradicional nas praias do Rio de Janeiro, na noite de passagem do ano. Como era tranquila a festa em Copacabana até os anos 70. Era quase uma brincadeira ir até o mar, molhar os pés, pular 7 ondas e observar os que levavam oferendas. Alguns dormiam tranquilamente na areia para esperar o nascer do sol.
Hoje em dia estes rituais tiveram que ser adiados ou antecipados devido à transformação da festa do dia 31 num "mega-show", principalmente na Praia de Copacabana. Os hotéis e a Prefeitura agora organizam (?) este evento que atrai milhões de pessoas.
Para isto, desde hoje cedo a praia já estará tomada pelos camelôs, flanelinhas, tendas grandes e pequenas, aparelhagem de som, equipes de reportagem, isopores gigantes. Mais uma vez, para desespero dos moradores, haverá um caos. Os acessos aos hospitais do bairro estarão inacessíveis, ir a uma festa em outro bairro exigirá que só se volte para casa na manhã do dia 1º de Janeiro. As ruas ficarão imundas e o cheiro de urina será insuportável, já que não há banheiros públicos suficientes e o “alívio” será nas calçadas.
A queima de fogos costuma ser bonita, mas o preço a pagar é bastante caro: risco de “arrastões”, empurra-empurra, furtos, muitos bêbados, uma total falta de civilidade.
Os otimistas dirão que vale a pena: milhares de "ohs!" ecoarão, todos ficarão boquiabertos diante do espetáculo, as luzes refletidas no espelho d'água ficarão indelevelmente gravadas nas retinas da multidão.
Os pessimistas não podem deixar de perder...

sábado, 29 de dezembro de 2018

FINAL DE ANO


 
Antigamente o final de ano no Rio era comemorado com uma grande chuva de papel picado no Centro, além de merecer uma decoração especial nas ruas. Não sei se ontem, último dia útil no Centro, isto aconteceu.
Ao apagar das luzes de 2018 nosso Prefeito proíbe os fogos com barulho. Será que esta ordem vai ser cumprida?
Segunda-feira, mais uma vez, Copacabana vai ficar sitiada, com seus moradores impedidos de ir e vir. Ano após ano a situação neste bairro não se resolve.
Com a promessa de bom tempo serão milhares que se deslocarão para o bairro. As pistas da orla de Ipanema e Leblon também serão interditadas dia 31.
Com o calor os vendedores ambulantes de bebidas farão a festa.
Qual será o grau de violência que teremos com a atual falta de civilidade e abuso de bebidas alcoólicas?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

ATERRO - 1971

Esta foto de automóveis no Aterro é para o prezado obiscoitomolhado encerrar o ano com uma brilhante descrição. Ao fundo vemos o Hotel Glória.
 
Esta fotografia, que publiquei no FB Rio Antigo, gerou muita discussão sobre o exato local. A confusão se deu por conta do uso de lentes fotográficas que "achataram" a foto. De início surgiram palpites de gente que conhece o Rio de que seria na Praia Vermelha, na Barrinha, Urca, Lauro Muller, Jacarepaguá. Finalmente, após vários comentários, chegamos ao local correto: é no Aterro, com a Urca lá no fundo (Rua Marechal Cantuária - o prédio que aparece um pouquinho, à esquerda, é o Edifício Urca). O que ninguém descobriu até agora é que construção é aquela à esquerda das pessoas.
 
Nesta foto, que mostra as obras do Aterro, por volta de 1971, estamos exatamente no local onde irá ser construído o Restaurante Rio’s. O prédio que vemos na direita é o Ed. Hilton Santos, da Av. Rui Barbosa nº 170 e os apartamentos que aparecem são os de terminação 03 do Bloco B1. Ali funcionava a "sede nova" do Flamengo, na época. Este ano o Flamengo conseguiu vender o edifício, que será reformado, ficando o clube com parte dos apartamentos.
 
 
 
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

AV. BEIRA-MAR

 
Um aspecto da Av. Beira-Mar, por volta de 1950, em mais uma estupenda colorização do Nickolas Nogueira.
 
Destaque para o lotação Chevrolet Gigante. O carro mais novo é um Hudson 1948, segundo o Jason.
 
Os demais serão identificados pelo obiscoitomolhado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

BOIADAS


 
Descobri esta foto, do acervo do Correio da Manhã, nos arquivos e, pelos meus alfarrábios, não foi publicada ainda no “Saudades do Rio”. Entretanto, não sei sua origem, nem quem fez os comentários que veremos a seguir. Falha nossa. De antemão peço desculpas por não identificar a fonte.

Foto: Rua Visconde de Inhaúma- 1949 – Correio da Manhã 

Na época que se seguiu ao término da II Guerra Mundial, em 1945, os ônibus eram escassos e as passagens caras. À custa da mecânica desgastada, devido à falta de peças para reposição, era comum os veículos enguiçarem a cada momento.

O sistema de se utilizar de carros particulares para o transporte de passageiros, dando origem a época dos “Lotações”, estava no começo, pois os automóveis padeciam dos mesmos problemas da frota de ônibus, no que se refere à falta de peças. Por esta razão, a Prefeitura havia permitido as “Boiadas”, nome dos caminhões que transportavam para os subúrbios, passageiros nas suas carrocerias.

Estes viajavam sentados em longos bancos ou em pé, agarrados em varais que serviam também para esticar uma lona, imprescindível em dias de chuva.

Para fazer a cobrança e dar sinais ao motorista para paradas e partidas, acompanhava os passageiros um auxiliar com um apito, semelhante àqueles dos juízes de futebol.   

Gostava de esperar papai chegar do trabalho, vindo na carroceria de um velho Volvo, trajando um terno azul marinho e gravata, junto com outros vizinhos, incluindo o “seu”  Luiz, sempre de roupa  branca, gravata borboleta vermelha  e pasta na mão, todos descendo da escadinha na parte posterior da carroceria.

Na foto, o ponto de “Boiadas”, na Rua Visconde de Inhaúma, podendo se observar no centro e à esquerda duas delas com seus passageiros. Tal sistema de transportes foi utilizado até 1950, quando surgiram os primeiros “Lotações”.
PS: A FOTO E O TEXTO FORAM ENVIADOS PELO PROFESSOR JAIME MORAES, A QUEM O SAUDADES DO RIO AGRADECE.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

DO FUNDO DO BAÚ: NATAL


 
“Prezado Dr. D´,

Mais uma vez os incansáveis pesquisadores do vasto acervo do M.E.R.D.A. - Museu Eraldo de Relíquias, Descobertas e Alfarrábios - etc. etc. descobrem, numa feliz coincidência com esta época do ano, um LP (ou: elepê) do Elvis Presley cantando músicas natalinas.

No cantinho da capa lê-se LPM 1951, o que poderia significar long playing mono e o ano de edição (ou outra coisa qualquer), mas o cantor aparece novinho e, no verso, como bom patriota, prestando o serviço militar.

O curioso é que o disco, aparentemente importado, foi achado aqui no sítio Santa Bárbara, da dona Maria (minha sogra), em meio a outros vários, sabe-se lá o por quê.

Não chego a ser um fã de Elvis, nem ouvi o LP, mas fica o registro.

Como sempre, a imagem está à disposição do SDR.

 Abraços e um ótimo Natal

 Eraldo

Curador do Museu etc. etc.”

SIDE 1

Santa Claus is back in town

White Christmas

Here Comes Santa Claus (Right Down Santa Claus Lane)

I´ll be home for Christmas

Santa bring my baby back (to me)

SIDE 2

Oh little town of Bethlehem

Silent night

(There´ll be) Peace in the valley (for me)

I believe

Take my hand, precious Lord

It is no secret (what God can do)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

DEZEMBRO / NATAL

 
Dezembro é uma maravilha!
Se você chegou incólume até hoje, véspera de Natal, parabéns.
Afinal, passou pelos engarrafamentos da Lagoa, pelas famigeradas "caixinhas" e "livros de ouro": do porteiro, do faxineiro, do lavador de carros, do frentista, do manobrista do estacionamento, do atendente do bar, do jornaleiro, do entregador de jornal, do entregador de revista, do carteiro, do lixeiro, do atendente do vestiário no clube, dos guardadores de carro, do garçon habitual, do vigia noturno e por aí vai. Não há 13º salário que consiga pagar todas essas despesas.
Sobreviveu ao trânsito infernal, às lojas entupidas, às compras de última hora, às festinhas das empresas e o tenebroso "amigo oculto". Conseguiu um gás com os almoços e jantares com ex-colegas de colégio e de faculdade, com companheiros do futebol e do vôlei, com a turma do clube e da praia.
E tudo isto é preparação para o dia de hoje, com o famoso jantar familiar, onde as crianças ficam enlouquecidas esperando os presentes, a sogra retardando a entrega para que a "galera" adolescente não vá logo para a "night", um calor infernal pois o ar-condicionado não dá vazão face à multidão familiar, a comida inteiramente de acordo com a tradição européia e "perfeitamente adequada" à temperatura do Rio, e, um caso à parte, os cunhados "malas", que acabam por estragar toda a noite.
Mas não se anime muito no final da noite: o pior ainda está por vir: o almoço do dia seguinte, com o "enterro dos ossos" e todo mundo reunido novamente, com cara de ressaca por conta dos excessos da noite anterior.
Ainda bem que não há mais que levar o filhinho para ver Papai Noel no Maracanã. Era assim: antes do clímax, milhares de puxa-sacos da Xuxa se apresentavam numa sequência abominável de mediocridades. As horas se passavam e nada do Papai Noel chegar. As crianças, a princípio felizes e com grande expectativa, começavam a ficar irritadas e impacientes. Não havia mais lugar para sentar. O calor é senegalês, ou carioquês, como se diz no Senegal. Não havia como levar as crianças para fazer xixi porque senão elas perdiam o lugar, então elas começavam a se aliviar ali mesmo. Era fácil reconhecer: elas ficavam subitamente quietinhas e os olhinhos ficavam virados pra cima e pro lado, como se quisessem disfarçar. E o xixi rolava arquibancada abaixo se juntando a outros afluentes numa cascata de espuma. Quando Papai Noel chegava as crianças já estavam chorando e com fome. Você jura nunca mais cair nesta furada, passa a mão nos pentelhos e os leva pra casa cansado, mas orgulhoso do seu diploma de Pai-Herói...
Alguém já contou que este Papai Noel descendo do helicóptero chamava-se Sérgio. A idéia de sua presença percorrendo depois as ruas do Rio de Janeiro foi de dois homens: Eugênio Severiano de Magalhães Castro, proprietário de uma importadora de cartões comemorativos e de folhinhas (inclusive a que trazia Marylin Monroe) por contrato firmado com a gráfica Brow&Bigelow, dos Estados Unidos, e o Walter Poyares, diretor comercial de O Globo naquela ocasião. Foram eles também os idealizadores da árvore de Natal, na Cinelândia, que deu origem àquela da Lagoa que, para gáudio de parte dos cariocas, foi montada novamente este ano.
Enfim, brincadeiras à parte, aproveite estar junto com a família e os amigos, desfrute da alegria das crianças, lembre-se só de coisas boas e que todos tenhamos muita saúde, sucesso e paz.
 
 

 

domingo, 23 de dezembro de 2018

DOMINGO DE VERÃO



 
Este domingo promete. Seja em Copacabana ou na Barra, o verão chegou com força então tem tudo para ser um dia maravilhoso, com muito sol, calor, água fria, alguns afogamentos e muitos aborrecimentos. Entre eles encontrar um lugar na praia, em meio aos milhares de banhistas, cercados de vendedores de todos os tipos de alimentos (inclusive os proibidos), bebidas, chapéus, biquínis, protetores solares, óculos, etc.
Estacionar e ser achacado por um "flanelinha", após enfrentar um engarrafamento de horas, com todos buzinando e reclamando, com o ar-condicionado do carro não dando conta da alta temperatura. Procurar chegar na areia atravessando pistas fechadas ao tráfego, mas ocupadas por maratonas, meia-maratonas, bicicletas em alta velocidade, espaços ocupados por barracas vendendo algo, colhendo assinaturas ou brinquedos armados como num parque de diversões.
Pisar na areia driblando as redes de volei, "beach-tennis", petecas, toalhas e quinquilharias como anéis, brincos e colares, expostos para venda. Constatar a inutilidade da Guarda Municipal com seus componentes sempre em grupos, na sombra, indiferentes a todas as irregularidades e preocupados somente em multar algum automóvel.
Buscar chegar mais perto da água, recusando ofertas de alugar cadeiras de praia e barracas, e achar um espaço longe de crianças mal-educadas e pais complacentes e omissos.
Tentar se refrescar após atravessar a barreira de jogadores de frescobol e de "linha de passe", depois de já ter sido atingido por uma bola de vôlei e escapar da guerra de areia de adolescentes à beira-mar.
Na água, enfim, relaxar se desviando das pranchas de surfe, dos "jet-skis" e das lanchas que teimam em navegar junto à arrebentação. Driblar os milhões de pombos (que já não se afastam ao serem enxotados), ter cuidado com os cachorros na areia e, principalmente, com seus donos. Achar um trecho que não esteja interditado para algum evento ou em que o som altíssimo esteja propagando músicas de qualidade mais que duvidosas.
Aguentar os pedidos e choros de crianças por mais sorvetes, biscoitos Globo, refrigerantes, além das brigas entre os irmãos. Ficar até tarde para observar como todos são bem-educados e deixam as praias do Rio com aspecto idêntico ao lixão de Gramacho.
E se tiver um "arrastão" o dia vai ser mais completo ainda. Encontrar o carro com o vidro quebrado, sem o rádio (provavelmente levado pelo "flanelinha" desaparecido) e voltar para casa. Na volta, o ar-condicionado não funciona, as crianças choram cansadas, o carro limpo durante horas no sábado já está imundo porque as crianças não tiraram a areia dos pés e de dentro dos calções e maiôs, e a "patroa" coroa tudo com um "eu não disse que seria melhor ter ido para a casa da mamãe em Maricá?".
Se escolher a Barra, teremos um programa sensacional, aguardado com ansiedade por toda a família, pela fama daquelas praias de mar aberto, numa região ainda pouco conhecida. Os preparativos se iniciaram ontem com consulta à previsão do tempo e o preparo do farnel. No domingo de manhã nunca se conseguiu sair no horário, seja por alguém que dormiu demais, seja porque a comida não ficou pronta. O problema já começa com as primeiras discussões das crianças sobre quem vai na janela, quem vai no meio. Enfim, a partida. Mal virada a esquina há que voltar, pois a esposa não tem certeza se desligou o gás ou se apagou as luzes e fechou as janelas. Tudo estava nos trinques, pode-se partir rumo ao posto de gasolina para encher o tanque.
Começam então as perguntas, constantemente repetidas: falta muito? Chegando à Barra um engarrafamento monstruoso. Após quase uma hora para andar poucos quilômetros, a batalha para se conseguir um local para estacionar. Afinal, uma vaga. Foi tal a dificuldade que o marido nem se aborrece muito com a extorsão do flanelinha.
Colocado aquele protetor de sol no para-brisa dianteiro e também no traseiro, todos para a areia. Mal conseguiram colocar a barraca e as crianças já pararam o sorveteiro, que cobra três vezes o preço normal. Ainda bem que há comida no isopor, bem como refrigerantes e cervejas. Pasta de Lassar no nariz, Rayito de Sol pelo resto do corpo.
Mamãe recomenda aos pimpolhos muito cuidado, pois as ondas estão fortes. A briga que era pela janela no carro agora é pela bóia de câmara de ar. Por fim faz-se um sorteio e quem perdeu nem quer entrar na água e fica emburrado sentado junto à barraca.
A água está gelada, as ondas fortíssimas, a praia cheia, a esposa leva uma bolada de frescobol, reclama, mas o marido deixa prá lá ao ver o tamanho dos jogadores.
Voltando para a barraca a família observa que tinham estendido toalhas quase dentro da barraca deles. Nova discussão, chega prá lá, chega prá cá, “mal-educado”, “grosso”, “esse pessoalzinho”, insultos vão e vêm.
Por fim a hora de ir embora. Alguém esqueceu a sandália e a areia queima os pés. O baldinho com água para lavar os pés chega quase vazio na calçada. Junto do carro, o flanelinha já desapareceu e um pneu está furado. Palavrões! Troca-se o pneu, entram no carro cuja temperatura interna está em uns 60º C. Nova briga para ver quem vai na janela. O pai histérico porque não lavaram os pés nem colocaram toalhas nos bancos, molhando o estofamento.
Mal saem da praia a esposa começa a reclamar do jeito que o marido olhou a vizinha de barraca, a morena de biquíni mínimo. Começa então a grande discussão do dia, entre marido e mulher. As crianças, no banco de trás, cansadas e irritadas, se estapeiam. Por fim chegam em casa e há um caminhão estacionado na porta da garagem que impede a entrada e nenhuma vaga na rua.
Um domingo perfeito!

sábado, 22 de dezembro de 2018

DO FUNDO DO BAÚ: PRESENTES DE NATAL



 
Último sábado antes do Natal é dia para comprar os presentes e tirar foto com Papai Noel. Antigamente era dia para se ir à Sears ou à Mesbla.
Será que o menino, que parece o Conde di Lido, foi bem comportado o bastante para que Papai Noel atenda seu pedido de um carrinho destes? Ou será que ele terá que se contentar com um "tiro ao alvo" com arco e flecha, daqueles que a borracha da ponta quase nunca pregava na parede? Ou, pior ainda, um jogo de "Ludo" ou um "pega-varetas"?  Ou aqueles tamboretes para jogar com uma peteca ou um caleidoscópio?
(Pergunta para obiscoitomolhado: este carrinho movido a pedais é a réplica de qual automóvel?).
Em vez do carrinho poderá ter a desagradável surpresa de ganhar, em vez do simpático automóvel que está sobre os caixotes, um daqueles que tinham um mecanismo de fricção: arrastava-se o carrinho no chão várias vezes, rapidamente, o que armava uma espécie de mola que ao soltar o carro fazia ele ir sozinho.
As opções ainda poderiam ser piores, tal como ganhar aquele brinquedo, se é que se pode chamar de brinquedo, que está pendurado ali. E que também não sei o nome, nem como descrever direito: uma haste de madeira com aquelas figuras na ponta; vai-se empurrando pelo chão e elas vão rodando - que graça tem um negócio desses?
Melhor ganhar bolinhas de gude, um time de botões de osso (e uma mesa oficial), uma raquete emborrachada de ping-pong, um "courinho" nº 5, um cinturão com dois revólveres e várias caixas de espoleta, um laboratório químico ou uma bicicleta. Ou livros, um Poliopticon, um laboratório de Química, modelos da Revell para montar. Isto sim.
Mas mortal mesmo era ganhar roupas, em especial meias ou cuecas...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

BOTAFOGO



As fotos de hoje, de Malta, mostram a outra esquina da Rua Dona Mariana com Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, complementando a postagem de anteontem.

Estas casas, com jeito de palácio, resistiram parcialmente à especulação imobiliária, embora o que restou delas esteja bastante descaracterizado.

O nome da rua deve-se a Mariana Delfim Pereira Simoens da Silva, filha dos barões de Sorocaba, esposa do Conselheiro Antonio Simoens da Silva, em cuja chácara, então chamada Brocó ou Berquó, foi aberta a rua em 1858.

Já a Voluntários da Pátria, segundo Berger, antiga Rua Nova de São Joaquim, foi aberta em 1826, da Praia de Botafogo até a Travessa Marques, através dos terrenos da antiga Fazenda da Olaria, daí seu primitivo nome de Rua Nova de São Joaquim, para não confundir com a Rua de São Joaquim (a Marechal Floriano) do centro da cidade.

A Companhia Jardim Botânico prolongou a rua da Travessa Marques até a Rua Humaitá.

O Corpo de Voluntários da Pátria, criado em 1865, era integrado por civis voluntários que acorreram às armas, participando da campanha contra López, na Guerra do Paraguai. À cidade do Rio de Janeiro coube a formação do 1º Batalhão de Voluntários da Pátria que teve seu batismo de fogo na resistência à invasão de São Borja.

PS: consta que o Coronel Pintáfona, pai do Professor Pintáfona, serviu neste Batalhão...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

JARDIM MONTEVIDÉO




 
Por acaso vi a foto nº 1 e me surpreendi com a informação de que o local se chama “Vila Jardim Montevideo” e fica na Rua Real Grandeza nº 59, em Botafogo.
Nunca ouvira falar disto, embora seja um local que há décadas faz parte de meus itinerários.
Fui buscar mais detalhes e encontrei a seguinte descrição de um antigo morador local, de nome Wilson Silva:
“Certamente é a maior vila do Município do Rio de Janeiro. Fundada na década de 1940, localizada em frente à Rua Miranda Valverde, é composta de 6 blocos de casas de 4 apartamentos, 2 blocos de prédios com 16 apartamentos cada e mais um bloco de prédio com 16 apartamentos, mais recente. Este fica no centro da vila, em frente a seu acesso principal, concluído na década de 60.
Esta vila faz limite de fundos com os prédios da Rua da Matriz, no seu lado direito com o antigo terreno do 2² Batalhão da PM e a Rua Serafim Valandro, e à esquerda, com um pensionato de uma congregação religiosa católica.
Sua história foi marcada por suas memoráveis festas juninas onde vinham pessoa de todos os bairros da Zona Sul do Rio, que aconteceram nas décadas de 50/60.
Algumas famílias que ali moraram na minha época: Itapicuru Perdigão, Figueiredo (do ex-Presidente da República), Gattio Galicio, Rodrigues da Silva, Carneiro Pinto, Vandesteen, Maia, Pacciolo Medeiros, Carvalho de Mendonça, Calixto de Campos e muitos outros.
Alguns personagens desta histórica Vila: Nelson, lavador de carros com sua bicicleta superequipada; o zelador Tibúrcio e sua esposa Das Dores; o sorveteiro da Kibon Domício; o porteiro do Bloco 16, de apelido Zé.
O espaço é muito amplo e próprio para muitas brincadeiras de criança, sem riscos para elas. Talvez o único lugar onde se podia brincar de bola de gude, carrinho de rolimã, pipa, pique-bandeira, garrafão, queimado e tantos outros, que certamente as crianças de hoje em dia não conheceram.”
Procurando no “Correio da Manhã” e no “Jornal do Brasil” encontrei poucas referências sobre o local, apenas anúncios classificados. Já em “Curta Botafogo” encontrei mais informações:
“Elisiário Bahiana precisou interromper o curso de engenheiro-arquiteto em 1911, aos 20 anos, para trabalhar. E foi contratado para projetar a “Vila Jardim Montevideo” pelo oficial da Marinha Elisário Pereira Pinto, seu primo por parte de mãe. Projetadas em estilo eclético, comum na época, as casas do Jardim Montevideo têm um detalhe curioso na entrada: um busto feminino, que – há quem diga – foi posto lá em homenagem a um amor do oficial da Marinha. Após 1937, quando a legislação municipal proibiu a construção de novas vilas, os conjuntos de casas do Jardim Montevideo foram transformados, aos poucos, em prédios de apartamentos. Hoje a vila é composta de seis blocos de casas de quatro apartamentos, dois blocos de prédios com 16 apartamentos cada e um bloco de prédio com 16 apartamentos, que fica no centro da vila, em frente ao acesso principal. O conjunto é considerado a maior vila da cidade.”

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

BOTAFOGO

Nesta fotografia, da década de 70, do acervo do desaparecido JBAN, vemos uma bela casa, que já não existe, na esquina da Rua Voluntários da Pátria (antiga Rua Nova de São Joaquim) com a Rua Dona Mariana (que durante algum tempo chamou-se Rua Urbano Santos). Sua irmã gêmea ainda existe do outro lado da rua, embora bastante descaracterizada.
A Rua Dona Mariana, passagem obrigatória para a minha ida diária ao Colégio Santo Inácio, até a década de 70 era recheada de palacetes belíssimos, alguns poucos ainda existentes. A Rua Voluntários da Pátria, uma das mais caóticas da Zona Sul, nunca me agradou.
E não podíamos encerrar o ano sem um comentário do ilustríssimo Professor Pintáfona:
 “Insuspeito Patriota Guanabarino, Protetor Voluntário da Cultura, Inaciano e Mariano Esculápio Montenegrino, Fotográfico, Fotogênico e Fotofóbico Dr. D´,
Tomando proveito da fresca brisa invernal que adentra a Baía e sopra sobre a Sebastiana urbe, sento-me à janela, em meu simples escriptório para dedicar-me ao prazeroso navegar pelo informático éter e deleitar-me com o saber emanado de seu vívido sítio internético de convívio virtual, principal bastião da cultura cidadã e baluarte da iconografia carioca.
Uno-me aos seus incontáveis discípulos para sorver o néctar da cultura aqui exsudado e confortar o combalido espírito com o maná ofertado pelos deuses do conhecimento.
Ave D´ ! Os que vão aprender te saúdam !
Douto facultativo, a imagem que se descortina em meu écran electrónico, apraz-me sobremaneira e adentra a minha retina como o bálsamo sobre a ferida do bravo gladiador. Ainda petiz, mal saído dos cueiros, saía eu em caleça, pelas sombreadas ruas do bairro de Botafogo, acompanhado de minha querida mãe, Sra. Hermengarda Pintáfona e de meu saudoso e pranteado progenitor, o Coronel Pintáfona, herói da Guerra do Paraguai, captor do solerte Solano Lopez, amigo pessoal de Osório e do nosso eterno Imperador Pedro II.
Íamos em visita a alguns amigos que viviam em uma belíssima mansão à Rua de São Clemente, à sombra do Morro do Corcovado. Como me eram prazerosos esses felizes passeios ! Apesar de meus genitores estarem há decênios em companhia do Pai Eterno, sinto a falta deles como se hoje houvessem partido para o Reino dos Céus. Saudades...
Não fora os laços que me prendem à Mansão Pintáfona, sita à Rua da Pedreira da Candelária, há muito teria me mudado para o verdejante vale de Botafogo. Além das vantagens da proximidade com a natureza e da ventilação permanente advinda da enseada de mesmo nome, o local fica próximo da Praia de Sacopenapam, local ainda ignoto e selvagem, que é o último refúgio da Anta Copacabanensis, animália misteriosa e arisca, que é foco de vários compêndios de minha autoria.
No momento encontro-me em meio a um estudo que busca analisar os estranhos hábitos da besta-fera, entre eles a sua atracção por beberagens alcoólicas destiladas e por objetos de coloração rosácea. Sacopenapam é um ecossistema em separado com ocorrência freqüente de animais não encontrados em outras partes de nossas matas. Entre eles destaco a já citada Anta, o Boto Ipanemensis, que tem a sua origem comprovada em Sacopanapam, o Panda Clarensis Peixotus, o Mico Tuminelus Alcazarensis e a Capivara Tijucanensis, que vez por outra atravessa a Serra da Carioca e vai pastar nos abundantes campos de gramíneas da região. Caro Confrade, Sacopenapam e sua estranha fauna é trabalho para toda uma vida!
 Contrariado, despeço-me do culto amigo. Minha espevitada assistente, a desassossegada Mme. Simmons, avisa-me que uma refeição ligeira foi servida no alpendre. Um copo de leite achocolatado e sequilhos aguardam a minha presença.
 Despeço-me Avarandado, Arborizado e Assobradado.
 Seu Criado, Dr. Hermelindo Pintáfona"

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

ANDAIMES MILLS

1963 - Viaduto de Bonsucesso
1957 - Plataforma para DC-7
 
1974 - Torre de controle do aeroporto internacional do Galeão
Ponte Rio-Niterói
 
Fundada em 1952 pelo romeno José Nacht, a Mills começou a importar tubos e demais equipamentos tubulares da Echafaudages Tubulaires Mills. Foi o início da Mills, pioneira em andaimes tubulares e escoramento de aço no Brasil.
Na época, os andaimes usados no país eram feitos em madeira, o que resultava em desmatamento e falta de segurança aos trabalhadores.
Aqui estão algumas fotos de obras da Mills.
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

FLUMINENSE






 
As primeiras fotos mostram partes da antiga sede, de 1922, do Fluminense, na Rua Álvaro Chaves, nas Laranjeiras. Esta sede foi projeto de Joseph Gire, mas em algum momento teve participação também do catalão Hipolito Gustavo Pujol Jr?. O pavilhão mostrado na primeira foto abrigava a quadra de vôlei e basquete e os vestiários da piscina.

A terceira foto mostra a antiga piscina já sendo destelhada.

A seguir vemos o projeto que venceu a concorrência para a construção da nova sede do Fluminense, em 1957. É de autoria da firma Rocha Miranda & Dugugrás, com decorações de Sérgio Rodrigues, e estava orçado em torno de cem milhões de cruzeiros. Previa quatro etapas:

1) Centro Médico, vestiários e estádio aquático (um poço de saltos e duas piscinas olímpicas).

2) Quadra coberta de tênis.

3) Ginásio (ocupando a mesma área que o antigo, mas com estrutura para suportar mais duas quadras de tênis, o que aumentaria para nove o número de "courts").

4) Desenvolvimento da sede social (aproveitamento da parte fronteira antiga e construção de um pavilhão interno com quatro andares sobre pilotis). Abaixo, na parte semienterrada, construção de restaurante esportivo, cozinha, bar, barbearia. Acima dos pilotis, ampliação das dependências, com salão de jogos, festa e terraço semicoberto. Em frente a esse pavilhão seria construído o moderno estádio de atletismo.

O futebol, iria, realmente, sair das Laranjeiras. Face ao alargamento da Av. Pinheiro Machado, o tricolor carioca seria indenizado pela Prefeitura e ganharia em local a ser ainda determinado, o terreno necessário para construir sua nova praça de esportes.

Muito pouco deste projeto foi executado.  No final da década de 50, como vemos nas primeiras fotos da piscina, ela foi destruída e substituída pela atual, a de saltos e a olímpica, vistas na última foto. Este foi o período da administração de Jorge Frias de Paula que realizou completa reforma da sede social, incluindo o restaurante, o bar, a biblioteca, a sala de troféus, o salão nobre. A firma Geohydro Engenharia e Comércio abriu um poço artesiano com uma vazão diária de 450.000 litros de água potável, resolvendo um grande problema do clube. Também nessa gestão foram inauguradas as termas, com sauna e duchas.
Fotos: Revista Manchete Esportiva e livro História do Fluminense tomo II.

domingo, 16 de dezembro de 2018

LAGOA

 
A Lagoa em 1965 era assim. A fotografia da Manchete, de qualidade sofrível, mostra o aterro para a construção da Av. Borges de Medeiros, no trecho conhecido como “Belém-Brasília”, entre o Flamengo e o Piraquê.
Podemos observar que, anteriormente, o terreno do Jockey alcançava a lagoa. A ilha do Piraquê era muito menor do que atualmente. No final da década de 60 receberia aterro vindo das obras do Rebouças e, devido à complacência do Governo Militar, a ilha do Piraquê foi bastante aumentada (ao lado do primeiro pavilhão à direita foi construído um enorme campo de futebol, entre outras coisas).
O trecho entre o Piraquê e a Fonte da Saudade era quase que somente de casas, bem como o trecho entre a Fonte da Saudade e a Curva do Calombo.
Com a abertura do Túnel Rebouças o tráfego na Lagoa se tornou intenso e, nos dias de hoje, caótico a qualquer hora do dia.

sábado, 15 de dezembro de 2018

CORTE DO CANTAGALO



 
As duas primeiras fotos de hoje, do AGCRJ, mostram o Corte do Cantagalo em 1939, um ano após sua inauguração, e a famosa Praça Eugenio Jardim, a PEJ, que tanto sucesso fez há tempos no SDR do Terra. A última foto, do acervo do GMA, mostra o DKW na mesma posição do ônibus uns 25 anos depois.
Esta praça, que tem de um lado os edifícios Colona, Roosevelt e Muiraquitã, além do último em direção à Lagoa onde morava a família Cairo e cujo nome nunca descobri, e do outro lado o gigantesco Estrela Brilhante, foi onde passei muitas manhãs e tardes nos seus brinquedos.
Na época só havia rema-rema, balanço e gangorra. É uma praça pequena, hoje em dia transformada na estação de metrô Cantagalo.
Inúmeros comentaristas do SDR moraram nos edifícios citados, tais como o GMA, a Dra. Psicóloga, o Rockrj. E já contaram as curiosas histórias que viveram, como a Tia Lu que estacionou o carro na garagem do Colona, deixou em ponto morto, não puxou o freio de mão e viu seu automóvel descer de ré, sozinho, pela garagem, atravessar a pista sem bater em nada e parar na calçada da praça...
Nesta praça fica também o antiquíssimo Quartel dos Bombeiros de Copacabana.
No morro que vemos ao fundo fica a Chaminé dos Morcegos, escalada pelos adolescentes dos anos 50 e 60, com acesso pela Rua Gastão Bahiana. Por ali também passava o Caminho do Caniço, um dos acessos da Lagoa para Copacabana (procura-se o traçado correto deste caminho até hoje).
O ônibus estacionado na PEJ, em direção a Copacabana, é o que fazia a linha “Palace Hotel-Barata Ribeiro”, nº 53.