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terça-feira, 26 de abril de 2022

PANAIR - CONSTELLATION

Com a colaboração do GMA, a quem o "Saudades do Rio" agradece. Peço aos especialistas em aviação que corrijam eventuais erros.


Em outubro de 1937 a Panair recebeu seus primeiros aviões de terra, o Lockheed Model 10 Electra, deixando de restringir sua frota a hidroaviões. Foi utilizado em serviços para Belo Horizonte e outras localidades em Minas Gerais, atingindo mais tarde Goiânia e São Paulo. Nos anos 40 a Panair já tinha uma das mais extensas redes domésticas do mundo, cobrindo a maior parte do Brasil.


Em março de 1946 a PANAIR recebeu seu primeiro Lockheed Constellation 049, sendo a primeira companhia aérea fora dos Estados Unidos a operar esta aeronave. O primeiro vôo decolou a partir de Rio de Janeiro para Recife, Dakar, Lisboa, Paris e Londres.

Vindo dos Estados Unidos o gigantesco avião “Constellation”, o mais veloz aparelho comercial em uso na época, chegou ao Rio em 29/03/1946. A bordo do grande quadrimotor veio um grupo de jornalistas especializados brasileiros e técnicos norte-americanos da empresa fabricante. Também o presidente da Panair, Paulo Sampaio e uma tripulação brasileira.

A chegada do “Constellation” foi um espetáculo para os cariocas que puderam vê-lo planando, rápido e elegante, sobre a cidade.   O voo Nova York-Rio durou 19 horas e 55 minutos e foi comandado por Paulo Lefevre e Coriolano Tenan, acompanhados por Generoso Leite de Castro (radiotelegrafista), Salomão Stur (mecânico) e Emilio Vega (comissário). Houve escala na Guiana Inglesa e foi estabelecido novo recorde de tempo de voo.

O “Constellation” tinha as seguintes características: Envergadura 37,50m; comprimento 29,8m; peso equipado 40800k; altura 7,20m; velocidade máxima 560km; velocidade de cruzeiro 498km; raio de ação 7824km; potencia total dos 4 motores Wright Cyclone 8800 HP; diâmetro de hélice 4,50m; capacidade de combustível 18170 litros. A aeronave dispunha de um sistema de comunicações telefônicas internas, assim como para contato com a terra.

O primeiro voo para os Estados Unidos decolou do Rio nos primeiros dias de abril de 1946.


segunda-feira, 25 de abril de 2022

BARRA DA TIJUCA - NEVADA PRAIA CLUBE

 




O “post” de hoje contou com a ajuda do prezado Tumminelli, autor do antigo "Carioca da Gema", famoso fotolog dos tempos do Terra.

A sede do Nevada foi uma das primeiras construções da então quase deserta orla da Barra da Tijuca. Com cerca de 30 mil metros quadrados o terreno do Nevada ia desde a Avenida Sernambetiba até a Lagoa de Marapendi. O “Jornal do Brasil” noticiou que o Senador Juscelino Kubitschek e o poeta Paulo Mendes Campos se associaram ao clube em 1962. A filha de Juscelino, Marcia, foi convidada para madrinha da cerimonia do lançamento da pedra fundamental em 23 de setembro de 1962.

O clube teve sua identidade sempre associada com os arcos do projeto da sede do arquiteto Ricardo Menescal. O projeto incluia um bar dentro da piscina, algo incomum na época. Com o desenvolvimento das áreas próximas à Barra o aumento de associados aumentou. A construção de condomínios espremiam cada vez mais Nevada. Em 2000 foi noticiado que o Nevada seria desativado na Barra e iria ser transferido para a Rua Oscar Costa na boca da de uma favela em Água Santa. No seu local seria erguido um apart hotel com 15 andares. Na época o vereador Carlos Dias propôs o tombamento do clube que foi rejeitado pela ALERJ e arquivado.

A ilustração mostra o projeto do Nevada. Era um folder do departamento de vendas, em fins dos anos 60. O “JB” comentou que o projeto de Ricardo Menescal “lembrou-se do futuro e preferiu a superfície à altura, evitando a barreira montada em torno da Av. Atlântica e já iniciada na Praia de Botafogo.”

Do projeto só a sede foi construída. O parquinho temático nunca existiu. O salão de festas tinha o maior vão livre já projetado no Rio, possuindo dois detalhes curiosos: a piscina com bar e uma passagem subterrânea para livrar seus sócios das correrias dos carros pela Av. Litorânea, ligando o clube diretamente à praia.

O endereço do Nevada Praia Clube era Av. Litorânea nº 3650

Vários outros clubes  foram criados na Barra da Tijuca e adjacências, como o Riviera Country Club, o Country Club de Caça e Pesca, o Barra da Tijuca Country Club,  o Floresta Country Club, o Marapendi, o Novo Rio Country Club, além do Itanhangá e do Gávea, ambos de golfe.



Um jovem frequentador do Nevada com sua mãe.




sábado, 23 de abril de 2022

DO FUNDO DO BAÚ - FLIT


 Hoje é sábado, dia da série "DO FUNDO DO BAÚ".

O anúncio dizia: “MAIS DO QUE CONHECIDO! Ele é o sentinela de milhões de lares em todo o Brasil. Insuperável na sua fórmula concentrada. Insubstituível na desinsetização doméstica. Prolongados efeitos imunizantes. Exija o único e legítimo FLIT.A marca que o tempo consagrou.”

Nas décadas de 50 e 60 o FLIT reinou absoluto nos lares do Rio. Era uma época em que havia uma quantidade enorme de moscas e o arsenal doméstico incluía mata-moscas de cabo de madeira e extremidade de plástico; uns papéis com cola onde as moscas ficavam grudadas; uma armadilha de vidro que tinha uma isca e da qual as moscas não conseguiam escapar. Mas a bombinha de FLIT era insuperável.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

MATADOURO


Segundo I. Mota o Matadouro de São Cristóvão foi inaugurado em agosto de 1853, depois que o antigo, aos pés do Morro do Castelo, foi desativado. Ficava em frente a um largo na Rua de São Cristóvão (Radial Oeste), onde a Rua do Matoso e a Rua Nova do Imperador (Mariz e Barros) se encontravam. O lugar ficou conhecido mais tarde por Largo do Matadouro, depois Praça da Bandeira.

A entrada era um pórtico neoclássico com uma inscrição no alto: “A Ilma. Câmara Municipal, que serviu do ano de 1844 a 1848, fez construir este edifício”

O matadouro fornecia as “carnes verdes”, do gado recém-abatido, que deveriam ser consumidas até 24 horas após a compra. Nos primeiros tempos os restos da matança não aproveitados eram lançados ao mar. No mangue de São Cristóvão, de águas paradas, os rejeitos apodreciam a céu aberto.

Em 1881 o matadouro foi transferido para Santa Cruz. Hoje, o único vestígio é a parte central do pórtico, tombada pelo governo do Estado e que faz parte da Escola Nacional de Circo.

 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

IPANEMA - ANOS 70

Esta foto dos anos 70, de Piotr Ilowiecki, mostra a Rua Visconde de Pirajá quase esquina de Farme de Amoedo. Era ainda um tempo em que estacionar em cima da calçada era comum, raramente havendo multas.

Esta esquina pouco mudou nestes últimos 50 anos. O imóvel mais distante continua o mesmo, funcionando um concorrido “galeto”, o Galitos Grill Ipanema. O prédio da esquina mais próxima abriga atualmente uma padaria “chic”. Há uns 20 anos, quando ali funcionava uma loja de sucos, a marquise desabou numa manhã e feriu várias pessoas, inclusive uma prima que quebrou o fêmur. Demorou mas recebeu uma boa indenização.

O pedacinho da marquise que aparece à direita da foto era onde funcionava o Chaplin, famoso bar dos anos 70, cuja foto de propaganda aparece abaixo.


A lanchonete Chaplin fez história em Ipanema, tornando-se um “point”.  Sanduíches caprichados, doces, sucos, sorvetes eram deliciosos. O sundae de baba-de-moça era do outro mundo. Ficava na Rua Visconde de Pirajá nº 187.

Passou por uma reforma na segunda metade da década de 70 e encerrou suas atividades no início da década de 80. O espaço da Chaplin foi dividido em três lojas, sendo uma a Bum-Bum, de biquínis, e outra a Sorveteria Itália que está lá até hoje. As duas outras lojas atuais, ao lado da Sorveteria Itália, são da iDream e da Subway. 

Vemos os postes em estilo colonial, cercados por um banquinho de tijolos onde a turma sentava, comia, bebia e conversava na calçada.  Ficava aberto de 10 da manhã até 2 da madrugada. Aos sábados até às 4 da madrugada.

Era um local badalado com sanduíches como “Filé com Bacon”, “Lombinho com Ameixa”, Presunto à Califórnia”, “Maionese de Siri”, “Mustafá” (pão sírio, presunto tender, pernil, galinha), “Salada de Ovos”, “Hamburgão”.

 

 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

TRAMPOLIM DO DIABO









 Relembramos hoje aspectos do “Circuito da Gávea”, o “Trampolim do Diabo”, com fotos do acervo do "Correio da Manhã".

A partida era no final do Leblon, em frente ao Hotel Leblon, subia pela Av. Niemeyer e descia pela Rocinha e Marquês de São Vicente, com a chegada no ponto de partida, 20 voltas depois (223,2 km).

A 1ª corrida foi em 1933, sendo vencedor Manoel de Tefé, com a impressionante velocidade de 67 km/h. Anos depois, em 1937, quando a largada já era na Rua Marquês de São Vicente, Irineu Correa, o vencedor de 1934, morreu na 1ª volta ao chocar-se contra uma árvore, em frente ao Jockey Club.

Chico Landi foi o maior vencedor. Carlo Pintacuda era outro famoso vencedor. Fangio correu uma vez, mas só completou duas voltas. 1954 foi o último ano de corridas naquele local.

PS: não achei o “link” para a narração de uma corrida no “Trampolim do Diabo” (ou “Três pulinhos do Diabo) no programa PRK-30 de Lauro Borges e Castro Barbosa. É engraçadíssima. Talvez o Helio Ribeiro consiga achar e colocar por aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2022

FEIRA DA PROVIDÊNCIA


O cartunista Ziraldo é quem faz todos os cartazes da Feira desde a primeira edição em 1961. Ele foi convidado pessoalmente por Dom Hélder para fazer o material principal de divulgação.

Esta pequena flâmula da Feira da Providência de 1964 é do acervo da tia Nalu. Esta edição aconteceu no Parque Lage.

A primeira foi em 1961 dentro do clube Piraquê (não havia muita gente e fazia muito frio na noite em que fui). Em 1962 foi no clube da Hipica, a de 1963 foi no Iate (quando aproveitei para subir no Pão de Açúcar, a de 1964 foi no Parque Lage (onde pela primeira vez colaborei, numa barraca de venda de Coca-Cola, e de 1965 em diante foi nas margens da Lagoa. Inicialmente ficava no trecho entre a Hípica e o Piraquê. A partir de 1972 foi realizada na “Belém-Brasília”, trecho da Borges de Medeiros construído entre o Estádio de Remo e o Piraquê, ao lado do Jockey Clube.

Mais de uma vez fui responsável por uma barraca que sorteava discos (comprava-se um número de 1 a 20 e rodava-se uma roleta que era usada nas quermesses do Santo Inácio. Quem acertasse o número podia escolher o LP). Na ocasião fiz parceria com uma loja famosa que existia na sobreloja do Centro Comercial de Copacabana e, com uma carta de D. Helder, cederam-me centenas de LPs em consignação. Vários namoros e alguns casamentos tiveram seu primeiro encontro naquela barraca que atraía o público jovem.

No período pré-feira conseguimos vender mais de 1000 rifas nos colégios católicos da Zona Sul para concorrer a 5 LPs importados, coisa difícil de conseguir na década de 60. Entre eles, lembro-me bem, "Revolver", dos Beatles.

Gente muito fina dirigia a Feira naquela época: lembro-me do Orlando Travancas, grande amigo da família D´, responsável pela parte financeira e que na primeira metade da década de 60 foi "o nome" do Imposto de Renda. D. Marina Araújo foi a incansável diretora da Feira por décadas. A responsável pelo Setor Jovem era D. Ilma. Desde o final dos anos 70, com a mudança para o Riocentro, nunca mais fui.


Esta foto do acervo de O Globo mostra um aspecto da Feira da Providência de 1966. Perto da igreja de São José da Lagoa havia este "barco" que funcionava como uma pista de dança. Era a área do Setor Jovem, onde ficava nossa barraca de sorteio de discos.


Esta foto do acervo de O Globo mostra a Feira da Providência em 1974, já no trecho da Borges de Medeiros entre o Estádio de Remo e o Piraquê. Neste ano a avenida já estava asfaltada e em bom estado. No ano de 1972 ainda havia muita lama neste local, o que complicou muito o conforto dos visitantes.


Piotr Ilowiecki, um grande fotógrafo amador que tem muitas fotos do Rio da década de 70, fotografou as barracas que ficavam junto ao muro do Jockey Clube durante a Feira de 1974.