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terça-feira, 3 de maio de 2022

TIPOS CARIOCAS

Como conta o Rouen, existem alguns personagens em nossa cidade que ficam famosos ou simplesmente conhecidos seja pela sua excentricidade, pelo seu trabalho ou pelo modo de se apresentar.

Certamente há um morador de rua aí no seu bairro que há muito encontra-se na sua “jurisdição”, você o vê, mas não fala com ele, ele é calmo, fica sempre naquele mesmo local, sem importunar ninguém.

O da foto é o Antonio dos Santos, conhecido como “Camundongo”.


O jornalista Mario Morais, nos anos 50, escreveu: “Raro é aquele que não conhece o popular velhinho que apesar de seus 88 anos, consegue movimentar sua carrocinha, movida a pedais, e que lhe serve de moradia. O antigo sapateiro, natural de Diamantina, gira por toda a cidade, vivendo à custa de uma vitrola instalada em sua “casa automóvel”. Onde para, reúne-se logo uma dezena de curiosos. Ele oferece discos à escolha dos espectadores que, para ouvirem o número escolhido, são obrigados a pagar três cruzeiros. Vive, assim, há 38 anos desde que abandonou definitivamente a profissão de remendeiro.

De uma geringonça no início, conseguiu hoje uma bonita carrocinha que foi batizada pelo povo irreverente com o nome pomposo de “rabo de peixe” (apelido dos belos e caros veículos americanos que por aqui circulavam nos anos 50).

O Lavra (Bispo Rolleiflex) lembra que a cor da carrocinha era verde. O Candeias ouvia a música do Camundongo nos arredores do Cinema São Luiz, no Largo do Machado.

Outra figura muito conhecida era o "Urubu". Conta o Jason que, junto com seu cachorro "Pega Firme" moravam juntos na boleia de um velho caminhão International no Posto 6, em Copacabana. O carro tinha pneus carecas, caía aos pedaços, mas nunca deixou de atender, de dia ou à noite, as chamadas para reboque ou trabalhos de pequena mecânica. Isaias da Silva era o nome dele. Sempre vestido com o mesmo macacão sujo de graxa. “Pega Firme” tinha a missão de montar guarda ao "Soneca", o carro-reboque. 


O telefone do Urubu era o do Bar Igrejinha, na Francisco Otaviano. 

Cada bairro ou cada época tem seus personagens. Desde o “Gentileza” (José Datrino) até a Ana Maria, a “mulher de branco” que há anos se transformou na “mulher de azul” e ainda perambula, macérrima, por Ipanema. O ceguinho do Largo do Machado, o senhor de “smoking” que distribuía rosas pelas mesas dos bares (meio que forçando a compra para a namorada), o vendedor de amendoim da Praia de Botafogo. 

E há os espertalhões, como o amputado que fica pedindo esmola numa cadeira de rodas velha na Praça N.S. da Paz e à tarde entra em seu carro adaptado para ir para casa.

O primeiro desses personagens que conheci foi no início dos anos 50, na Rua Dias da Rocha. Morava na calçada em frente ao Jardim de Infância Vitória Régia. Não sei a razão, mas era conhecido como “Mimica”.

Você conhece algum?




segunda-feira, 2 de maio de 2022

IGREJA DE SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS


Vemos a igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus, ao lado do Túnel Novo. À esquerda podemos ver o Posto Esso e o terreno da Casa da Fossa. Neste local se ergue o shopping Rio-Sul.

Em 1930 o primeiro lote do terreno foi comprado. A pedra fundamental da igreja foi abençoada em 1931. O arquiteto responsável pela obra foi o Professor Archimedes Memória. A firma Penna e Franca iniciou a construção da igreja em 1932. Em 1934 foi comprado um segundo lote de terreno, que unido ao primeiro, media 50m de frente. Em 1935 foi inaugurada a cripta, em 1940 foi concluída a fachada e em 1941 a igreja foi aberta aos fiéis.


A igreja é no estilo art-déco e foi concebida para pagar uma promessa do Arcebispo do Rio D. Sebastião Leme feita quando se recuperava de uma grave doença em 1927.


Nesta vista aérea vemos a igreja à esquerda e, à direita, o Hospital São Zacarias, a Ladeira do Leme, o antigo prédio do DASP. Anos após esta foto foi construído o enorme Condomínio Morada do Sol.

Esta foto e a seguinte foram garimpadas pela tia Milu no acervo da LIFE. Estas fotos feitas em 1973 por Alfred Eisenstaedt. Estamos na parte lateral da Igreja de Santa Terezinha, na Av. Lauro Sodré ao lado do Túnel Novo. 



Não sei como está atualmente, mas durante muito tempo havia uma multidão rezando nesta cripta às segundas-feiras. 

Também antigamente se via muitas pessoas fazendo o sinal da cruz ao passar em frente à igreja. Era possível perceber isto principalmente dentro dos ônibus.  Hoje é muito raro. 


Foto de Gustavo Pereira, do acervo da tia Milu, mostrando os formandos de 1957 do Colégio Andrews no dia da missa de formatura na igreja de Santa Terezinha.


 




sábado, 30 de abril de 2022

DO FUNDO DO BAÚ - MEMORABILIA VARIG


A VARIG deixou saudades. Hoje vemos alguns brindes que eram distribuídos. A caixa de fósforos era do tempo em que  se podia fumar a bordo.

Típica maleta dos anos 50 e 60.

Nécessaire distribuída aos ricos passageiros da Primeira Classe.

Este abridor de livros é do MIJAO - Museu Interativo JBAN de Artefatos Obsoletos



 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

RUA GENERAL ARTIGAS - LEBLON

O Leblon até meados do século passado era um dos extremos da cidade. Não servia de acesso a lugar algum. Para ir ao médico ou ao dentista, para trabalhar, para compras maiores havia que se ir à cidade. No Leblon só quitanda, farmácia, barbeiro, padaria e botequim, além do campo do Flamengo, do Jóquei Clube e do quartel do 8º GMAC (Grupo de Artilharia de Costa Motorizado).

As fotos de hoje são deste Leblon da primeira metade do século XX, garimpadas pela prezada Conceição Araújo. E ainda, como sempre pede o Conde de Lido, mostra aspectos do interior da casa da General Artigas.

Esta rua começa na Av. Delfim Moreira e termina na Av. Visconde de Albuquerque. Originalmente se chamava Rua Miguel Braga, um dos diretores da Companhia Industrial da Gávea, que abriu várias ruas no Leblon. Já o General Artigas era militar e político, uruguaio, participou do movimento de independência da Argentina.









quinta-feira, 28 de abril de 2022

WONDER BAR


Foto de Kurt Klagsbrunn mostrando o "WONDERBAR". Ficava na Avenida Atlântica nº 358 (pela numeração antiga), mas corrigindo para a numeração nova o local seria perto da Rodolfo Dantas).

Como devia ser agradável tomar um café ou uma cerveja num bar à beira-mar com pouco movimento na avenida Atlântica e com o mar pertinho. Ainda mais sem pedintes e pivetes importunando.

O que terá acontecido com o pé esquerdo do homem à direita? Estaria descalço e o chão pegando fogo?

A bicicleta, modelo feminino, com farol, seria uma Merck Suisse?

Marinheiros passeando por Copacabana era um acontecimento comum. Atualmente são raros.

O nome do bar deve ter se inspirado no filme “Wonder-Bar”, estrelado por Dolores del Rio, Kay Francis, Ricardo Cortez, Dick Powell  e Al Jolson, sob a direção de Lloyd Bacon, que fez enorme sucesso no Rio em 1934. Segundo os jornais da época foi a mais brilhante reunião de valores artísticos que um filme já reuniu. Com 400 “girls”, sete músicas novas, cenários maravilhosos, este filme da Warner Bros. First National, foi um sucesso incontestável. O cronista conclui que “esse famoso “Wonder Bar” existe em toda parte do mundo, local onde nascem sonhos e ambições, ódios e paixões.”


Foi “sede” do Clube dos Cafajestes. Este clube foi formado por jovens da burguesia carioca, sempre rodeados por belas mulheres nas décadas de 1940 e 1950.

Um dos fundadores foi Edu (Eduardo Henrique Martins de Oliveira), comandante da Panair do Brasil. Junto com Mariozinho de Oliveira, o grupo tinha membros como o polêmico e mulherengo ex-jogador do Botafogo Heleno de Freitas, Ibrahim Sued, Mario Saladini, Jorginho Guinle, príncipe Dom João de Orleans e Bragança, Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), entre outros.

O Clube era uma verdadeira instituição da boemia carioca. O painel de sócios do inusitado clube, com um código de ética jamais escrito, era composto por “cafajestes” de primeira linha. Mas não eram "cafajestes" no sentido pejorativo.

 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

PERGUNTAS


O nosso prezadíssimo Rouen postou esta foto há muitos anos e fez as seguintes perguntas:

1)    Que ônibus era este, onde ficava estacionado e o que vendia?

2)    De que era feita a caixa d´água que abastecia este “Restaurante”?

3)    Qual é o líquido que originalmente transportou?

4)    Onde vinha equipada originalmente?

5)    Qual foi seu último proprietário, antes de ficar sobre o teto deste ônibus?

PS: o Blogger está muito instável. Só consegui postar após várias tentativas. Espero que possam comentar.

terça-feira, 26 de abril de 2022

PANAIR - CONSTELLATION

Com a colaboração do GMA, a quem o "Saudades do Rio" agradece. Peço aos especialistas em aviação que corrijam eventuais erros.


Em outubro de 1937 a Panair recebeu seus primeiros aviões de terra, o Lockheed Model 10 Electra, deixando de restringir sua frota a hidroaviões. Foi utilizado em serviços para Belo Horizonte e outras localidades em Minas Gerais, atingindo mais tarde Goiânia e São Paulo. Nos anos 40 a Panair já tinha uma das mais extensas redes domésticas do mundo, cobrindo a maior parte do Brasil.


Em março de 1946 a PANAIR recebeu seu primeiro Lockheed Constellation 049, sendo a primeira companhia aérea fora dos Estados Unidos a operar esta aeronave. O primeiro vôo decolou a partir de Rio de Janeiro para Recife, Dakar, Lisboa, Paris e Londres.

Vindo dos Estados Unidos o gigantesco avião “Constellation”, o mais veloz aparelho comercial em uso na época, chegou ao Rio em 29/03/1946. A bordo do grande quadrimotor veio um grupo de jornalistas especializados brasileiros e técnicos norte-americanos da empresa fabricante. Também o presidente da Panair, Paulo Sampaio e uma tripulação brasileira.

A chegada do “Constellation” foi um espetáculo para os cariocas que puderam vê-lo planando, rápido e elegante, sobre a cidade.   O voo Nova York-Rio durou 19 horas e 55 minutos e foi comandado por Paulo Lefevre e Coriolano Tenan, acompanhados por Generoso Leite de Castro (radiotelegrafista), Salomão Stur (mecânico) e Emilio Vega (comissário). Houve escala na Guiana Inglesa e foi estabelecido novo recorde de tempo de voo.

O “Constellation” tinha as seguintes características: Envergadura 37,50m; comprimento 29,8m; peso equipado 40800k; altura 7,20m; velocidade máxima 560km; velocidade de cruzeiro 498km; raio de ação 7824km; potencia total dos 4 motores Wright Cyclone 8800 HP; diâmetro de hélice 4,50m; capacidade de combustível 18170 litros. A aeronave dispunha de um sistema de comunicações telefônicas internas, assim como para contato com a terra.

O primeiro voo para os Estados Unidos decolou do Rio nos primeiros dias de abril de 1946.