Na década de 20 do século
passado havia uma grande discussão sobre a necessidade de construção de cinco
grandes hospitais no Rio de Janeiro, devido à carência de leitos. Entre eles
estavam o Gaffrée & Guinle e o Hospital do Câncer.
Em 1926 foi criada a
Assistência Hospitalar para a gestão dos hospitais São Francisco de Assis e
Pedro II, bem como a fiscalização dos demais estabelecimentos hospitalares da
capital.
A década também foi
marcada pelo surgimento de diversos hospitais vinculados às sociedades
beneficentes como o Hospital Evangélico, Beneficência Espanhola, Hospital
Albert Sabin e Amparo Feminino.
Na época havia muitas casas
de saúde particulares espalhadas pelos bairros. Vemos algumas na postagem de hoje.
Sanatório São Geraldo,
localizado na Rua Marquês de Abrantes nº 192, onde hoje estão os edifícios
Fizzi e Contini.
Neste prédio da foto já estiveram o Solar do Barão de
Cotegipe, a Casa de Saúde Dr. Jayme Poggi e o Sanatório São Geraldo.
Neste
último, começou o Serviço de Ortopedia do IAPC (Instituto de Aposentadoria e
Pensão dos Comerciários), com apenas 2 leitos, sob os cuidados do Dr. Arcelino
Bittar. O IAPC, havia sido criado em 1934, destinado a assistir os empregados
no comércio e atividades afins (o IAPC desapareceu em 1966, quando a Lei 3807
reuniu os seis institutos de Aposentadorias e Pensões no Instituto Nacional da
Previdência Social - INPS).
O primeiro hospital do IAPC foi o Hospital N.S. das
Vitórias, na Rua Voluntários da Pátria.
As especialidades cirúrgicas, com exceção da Ortopedia, foram
transferidas para o Hospital dos Acidentados (atual Hospital da Lagoa), onde
foram contratados 100 leitos. Mais tarde, com a inauguração do Hospital de Ipanema
no final da década de 1950, o IAPC transferiu as suas clínicas cirúrgicas para
o Hospital de Ipanema, quando o Serviço de Ortopedia tinha, então, 95 leitos.
Casa de Saúde Francisco
Guimarães, que ficava na Rua Aristides Lobo nº 115, no Rio Comprido. Anteriormente funcionava no
local a Casa de Saúde São Raphael.
O Dr. Francisco Guimarães oferecia à ABI - Associação Brasileira de Imprensa, um leito grátis, inclusive os gastos de tratamento, aos jornalistas sócios da ABI.
Casa de Saúde Oliveira
Motta em 1927. Ficava na Rua do Riachuelo nº 161 e foi inaugurada em 1924. Atendia
pacientes de Cirurgia Geral e Obstetrícia. Tinha como diretores os médicos
Oliveira Motta e Leonidio Ribeiro Filho. A parte de cirurgia era de
responsabilidade dos doutores Ernani Alves, João Tolomei e Mario Kroeff, e o Dr.
Duque Estrada dirigia o setor de Raios X. A diretora era a Sra. Ester Azevedo.
Vemos o aspecto de um dos
quartos da Casa de Saúde Oliveira Motta.
As instalações cirúrgicas
e os aparelhos técnicos foram encomendados da Alemanha, sendo que a iluminação
da sala de operações era feita pelo novo sistema de “lâmpadas scyaliticas”, que
é pela primeira vez instalado no Rio de Janeiro.
A característica
fundamental dessas lâmpadas cirúrgicas é não gerar sombra, neutralizando a
sombra do obstáculo interposto entre a fonte luminosa e o campo cirúrgico. Têm
a capacidade de gerar uma iluminação de profundidade e são projetadas para
prevenir o aumento da temperatura na área cirúrgica.