Como conta P. Berger, a Presidente Vargas começa na Doca da Alfândega e termina na Praça da Bandeira. Pelo decreto de incorporação de logradouros 7635, de 10/11/43, foram-lhe incorporados a Av. Lauro Muller, Largo de São Domingos, Praça Lopes Trovão, ruas General Câmara, São Pedro, Senador Eusébio, Visconde de Itaúna e Travessa Bom Jesus.
Foi na administração do Prefeito Henrique Dodsworth que se iniciou a abertura da Av. Presidente Vargas. Assim, no início de 1941 começaram as derrubadas dos prédios, resultando no desaparecimento de vários logradouros e demolição de quatro igrejas: de São Pedro, do Bom Jesus do Calvário, de São Domingos e de N.S. da Conceição. Ao todo foram demolidos 525 prédios.
O
primeiro trecho da nova avenida, entre a Av. do Mangue e a Praça da República
foi inaugurado em 1942. No ano seguinte era inaugurado o segundo trecho, entre
a Praça da República e a Rua Uruguaiana. Finalmente, em novembro de 1943, foi
terminado o último trecho, até a Praça Pio X, que rodeia a igreja da Candelária.
A avenida tem 2.040 metros de extensão no trecho realmente aberto (entre a
Praça Onze e Rua Visconde de Itaboraí), continuando, porém, pela Av. do Mangue
até a Praça da Bandeira, com a extensão total de 4 quilômetros.
A Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida em 1944 para a construção da Avenida Presidente Vargas, em foto de Marc Ferrez, em 1898.
Era uma das mais importantes igrejas da cidade, sendo a maior joia do Barroco carioca e a única na cidade a externar suas características na sua fachada. Seu interior foi totalmente decorado por Mestre Valentim, apresentando uma talha em estilo Rococó.
A Igreja de São Pedro, ou Igreja de São Pedro dos Clérigos, ou Igreja do Príncipe dos Apóstolos São Pedro, esquina da Rua São Pedro com a Rua Miguel Couto (antiga dos Ourives), edificada no correr dos anos de 1732 a 1740, pelo bispo D. Fr. Antônio Guadalupe, para firmar a irmandade dos clérigos em casa própria.
Ornado o
interior do templo por três altares, no da parte da Epístola colocou o bispo
fundador a imagem de S. Gonçalo de Amarante, pretendendo excitar no povo a
devoção e culto do santo. (ornamento e padroeiro da sua pátria). Em 1792, já
aparece como Igreja de São Pedro dos Clérigos. Em princípio do século XIX,
havia na igreja um coro, onde se recitam diariamente as horas canônicas,
segundo o Cau Barata.
Foto do Correio da Manhã, de 22/5/1942, mostrando a Igreja de São Pedro dos Clérigos. O carro que aparece à direita parece ser movido a gasogênio, pelos cilindros que leva na traseira. Era a época dos racionamentos devido à 2ª Guerra Mundial.
Mais uma foto da Igreja de São Pedro dos Clérigos.
Segundo a exposição "O Rio jamais visto", acontecida há alguna anos, esta igreja foi uma pedra no sapato dos projetistas da avenida, que buscaram várias formas de salvá-la. Uma delas seria fazer a nova avenida pelo alinhamento da Marechal Floriano - mas aí a vítima seria a igreja de Santa Rita. Finalmente decidiram pela arrojada técnica de "congelamento do solo" que permitiria deslizar a igreja inteira por algumas dezenas de metros.
Seria movida por um sistema de trilhos de roldanas, ao que parece
presa por uma estrutura metálica externa, mas veio a guerra, materiais de
engenharia começaram a ficar raros, começou-se então uma demolição cuidadosa e
lenta, numerando os blocos para eles serem remontados posteriormente, mas o
ditador Vargas queria a sua avenida inaugurada completa, em sua aridez, o mais rápido
possível. E a igreja foi ao chão sob protestos de muitos.
Vargas foi implacável e a igreja foi demolida. Tal como outros ditadores fizeram mais adiante, como já vimos em vários exemplos publicados no "Saudades do Rio".
AAvenida Presidente Vargas, conta Donato Melo, com sua largura e galerias sobre as calçadas, obra rival da Avenida Rio Branco que a corta perpendicularmente, uma ideia antiga da época imperial, foi feita pelo prefeito Henrique Dodsworth.
Já com Mauá (em 1857) havia a ideia de trazer o Canal do Mangue até o Cais dos Mineiros. Agache estabelecera o prolongamento sem canal e, com o abandono do seu plano, a ideia ficara esquecida. O Serviço Técnico do Plano da Cidade retomou a ideia e apresentou-a num "stand" da Feira de Amostras de 1938 e foi aprovada por Getúlio Vargas.
Para a execução do plano, houve uma vontade férrea, a lembrar a ditadura Passos. Entre as inúmeras "pedras" no caminho da Presidente Vargas estavam a própria Prefeitura, a Escola Benjamin Constant, a Candelária, a igreja de São Pedro dos Clérigos, a de São Domingos e a do Bom Jesus do Calvário, a supressão de uma faixa do Parque Júlio Furtado, a Praça do Comércio de Grandjean. Contornaram-se vários problemas e respeitou-se a Candelária no seu eixo e cerca de prédios menos altos (12 andares).
A avenida, em sua imensa reta, não respeitou mais
nada, adotando o arrasamento dos quarteirões entre as ruas General Câmara e São
Pedro, desaparecendo com ele a famosa Praça Onze. Foi inaugurada em 07/09/1944.

































