À medida que a cidade se expandia para Copacabana e além, após a abertura do Túnel Velho (Alaor Prata), em 1892, seguida da abertura do Túnel Novo, (galeria Engenheiro Coelho Cintra), em 1906, com o aumento do número de habitantes e o de automóveis, houve necessidade de abertura de mais túneis.
Em 1949 foi aberta a outra galeria do Túnel Novo (Marques Porto). Três anos depois foi aberto o Túnel do Pasmado, tema de hoje. Mais adiante ainda foram abertos os túneis Sá Freire Alvim (Barata Ribeiro-Raul Pompeia) e Major Rubens Vaz (Tonelero-Pompeu Loureiro).
Hoje temos mais uma
estupenda fotografia, aproximadamente de 1940, enviada por Richard Hochleitner,
a quem o "Saudades do Rio" mais uma vez agradece.
À direita, entre as
árvores, vemos as cúpulas do Pavilhão Mourisco, que foi construído durante o
período de Pereira Passos, em 1906, para servir de café-concerto. Ficava
iluminado todas as noites, tendo, nos fundos, o Teatrinho de Marionetes, um
carrossel e um ringue de patinação (este, por muitos anos, foi a sensação da
cidade).
O Pavilhão Mourisco, cujo
estilo de construção era neo-persa, nada tendo de mourisco, foi que deu origem
ao trecho do bairro até hoje conhecido como Mourisco.
É importante observar,
ainda, que o Pavilhão Mourisco, por iniciativa de Cecília Meireles, por volta
da década de 1930, abrigou uma biblioteca infantil que, além do salão de
leitura, tinha um setor de manualidades (modelagem, pintura, desenho), um de
brinquedos e jogos, além de uma sessão de cinema toda quinta-feira.
Embora fora do traçado
para abertura do Túnel do Pasmado, foi demolido.
O prédio com as torres
brancas era a antiga sede do Botafogo, demolida nos anos 50 e que veremos em
outras fotos mais abaixo. Mais para a esquerda o Clube Guanabara com sua
piscina de água do mar.
No morro podemos observar
os anúncios dos "Chapeos Cury", da "Agfa" e parte do
anúncio da "Firestone".
A Av. Beira-Mar terminava
exatamente em um largo (cul-de-sac) formado pela Sede do Botafogo e o Pavilhão
Mourisco. Já o Guanabara tinha entrada pelo seu prédio antigo, na Av. Pasteur.
Segunda conta o Gustavo
Lemos, a mansão que vemos no Morro do Pasmado foi construída em 1913 pelo
empresário Caetano Pinto da Fonseca Costa, filho do Marechal João da Fonseca
Costa, Visconde da Penha, e neto de Manoel Antonio da Fonseca Costa, Marquês da
Gávea.
Após a morte de Caetano, a casa foi habitada por seu filho, Almirante Ayres da
Fonseca Costa. Os herdeiros do almirante, entre eles o médico Ayres da Fonseca
Costa Filho, ficaram com a casa.
Projetado em 1938 pela
Comissão do Plano da Cidade, chefiada pelo Engenheiro José de Oliveira Reis, teve
a primeira explosão para sua abertura na gestão do Prefeito Hildebrando de
Araújo Góis, em 1947. A obra deslanchou no mandato de Mendes de Morais e só foi
concluído em 1952, na gestão de João Carlos Vital.
Li em algum lugar que foi
o primeiro túnel no Brasil e, dizem, no mundo, projetado por uma mulher, a
engenheira Berta Leitchick. Liga a Avenida das Nações Unidas, na Praia de
Botafogo, à Avenida Lauro Sodré. Aberto sob o Morro do Pasmado, facilita o
acesso ao Túnel do Leme e, portanto, a Copacabana. Possui 220 metros de
extensão e 20 de largura. Possui o nome oficial, que ninguém usa, de Túnel
André Luís dos Santos Filho, antigo engenheiro da Prefeitura.
Segundo o “Correio da
Manhã”, “no início dos anos 50, a construção do Túnel do Pasmado, a cargo da
Municipalidade, importará na demolição da sede do Clube Guanabara e a da sede
do Botafogo, embora seja mantida a piscina olímpica deste clube.
Com a abertura do túnel
os bondes deixarão de passar pela Rua General Severiano para que não houvesse
interferência de tráfego com os veículos procedentes do túnel."
Em setembro de 1950 o
“Correio da Manhã” noticiava o início das obras do viaduto do Pasmado. Teria
25m de vão livre, sendo constituído de duas pistas independentes, uma para o
tráfego de automóveis e outra para os bondes.
Em janeiro de 1952 a Cia.
Ferro Carril do Jardim Botânico publicou um anúncio: “Aviso ao Público. Devido
às obras da Rua General Severiano, em frente ao Túnel do Pasmado, que
impossibilitam o tráfego normal da linha 4 – Praia Vermelha até seu ponto terminal,
até a conclusão das obras o transporte dos passageiros no trecho acima citado e
nos dois sentidos, será feito por meio de baldeação.”
Meses adiante decidiu-se
que os bondes não mais utilizariam a General Severiano e deveriam seguir pela
Av. Pasteur. Mas como as obras nesta última não haviam terminado, os bondes que
servem a Praia Vermelha foram suspensos, obrigado a todos que se dirigem à
Praia Vermelha/Urca a tomarem um ônibus, cuja passagem é mais cara que a dos
bondes.
A inauguração oficial do
Túnel do Pasmado foi em março de 1952.
Com 210 metros de
comprimento por 22 de largura, tinha 375 pontos de luz, dispostos em 53 filas
transversais e 7 longitudinais, proporcionando a mais perfeita distribuição
luminosa. A General Electric e a Byington, prestaram colaboração no projeto,
instalação e fornecimento do material de iluminação.
No início só dava mão
para Copacabana. Havia uma faixa elevada, no meio do túnel, teoricamente para o
túnel ser de mão e contramão, que atrapalhava o trânsito. Mas, em muitas
ocasiões, o túnel funcionou em mão e contramão.
Entretanto, mesmo no
período de mão única dentro do túnel, para o tráfego de bondes, mantinha-se a
situação chamada de “mata-paulista”: os bondes trafegavam na contramão no Túnel
Novo. Outro problema na época era a inexistência do Túnel Barata Ribeiro-Raul
Pompeia (que seria o Túnel Sá Freire Alvim), obrigando todo o tráfego de
veículos seguir, no final da Barata Ribeiro, pela Rua Djalma Ulrich até a N.S.
de Copacabana e daí seguir em contramão para Ipanema, tal como já faziam os
bondes.
Nesta fotografia
colorizada pelo Nickolas Nogueira, vemos o Túnel do Pasmado já funcionando, com
o trânsito em mão-dupla. Segundo nosso especialista Rouen os automóveis que
aparecem são: Standard Vanguard, Fiat 1100, Fiat, Citroën e Pontiac (à
direita).
Curioso notar que a sede
do Botafogo ainda estava de pé. Era uma construção com um primeiro pavimento
bem baixo, quase como um porão habitável e um segundo andar com grandes janelas
ou portas, com um telhado de ardósia ou cobre no estilo dos anos 10 e 20 e
quatro torretas que na foto parecem estar na armação.
Nesta foto colorizada
pelo Conde di Lido, vemos a outra boca do Túnel do Pasmado. Nas pistas sentido
Mourisco vemos um Citroën 11 (é o mais perto do meio-fio, com as “divisas de
cabo” na grade); O pequeno esportivo é um MG TD; Na frente do MG, já entrando
no túnel, um Chevrolet 38 (provavelmente, carro de praça);A traseira de carro
que aparece dentro do túnel (canto inferior direito da foto) me parece de um
Chevrolet 53;
Nas pistas sentido
Copacabana vemos o carro mais claro, que é um Ford 1949; os dois carros logo ao
lado do Ford são Chevrolet (provavelmente 1946-1948). Acho que a identificação
foi do Jason ou de obiscoitomolhado.
À direita vemos o Educandário
Santa Therezinha, mantido pela Santa Casa, e que tinha a função primordial de recolher
e dar educação a órfãs abandonadas. O edifício foi projetado por Bittencourt da
Silva e inaugurado em 1866. Com a saída da instituição religiosa, o prédio foi
por muitos anos arrendado pelo colégio Anglo-Americano. Depois ali funcionou a
Casa Daros, que foi vendida para o grupo Eleva Educação.
À esquerda fica o campo
do Botafogo.
Em foto colorizada pelo
Conde di Lido vemos que a Favela do Pasmado ainda não tinha “descido” para o
lado da Av. Beira-Mar.
Esta sede do Botafogo,
que foi demolida nos anos 50, foi substituída por aquela sede que tinha o
ginásio e a piscina, onde havia sensacionais competições de natação e
water-polo (lembram-se do Szabo) e, no ginásio, estupendas competições de
basquete e voleibol, tanto masculino e feminino (eu era um assíduo frequentador
dessas competições nos anos 60/70).
Mais adiante esta nova
sede foi demolida nos anos 90 para a construção daquele horroroso prédio
espelhado, o Centro Empresarial Mourisco, apelidado de “Ferrero Rocher”.
No Morro do Pasmado havia
uma favela que ocupava os dois lados do túnel. Iniciada no final da década de
20, se expandiu nos anos 50.
A foto mostra o lado da
Rua Lauro Muller.
Outra foto da mesma época da anterior. A favela foi removida em 1964, com seus moradores sendo removidos para a distante Vila Kennedy, perto de Bangu.
Nunca me atrevi a usar
aquela passagem subterrânea. Quando saía do estádio do Botafogo caminhava até o
sinal de trânsito existente em frente àquele posto de gasolina do Touring para
atravessar a rua.
A favela foi removida
pelo governo Lacerda e, no Morro do Pasmado, foi construído um belo parque público na
administração Marcos Tamoio, com um mirante (em certa época houve um grande
escândalo por conta de um suposto namoro dentro de um carro envolvendo um
jogador do Botafogo – depois jogou n Flamengo, e um ex-jogador, atualmente
comentarista da TV Globo).
A foto é do incêndio
provocado, sob controle do Corpo de Bombeiros, nos barrados já abandonados por
seus moradores, tal como presenciei da janela de casa o incêndio da Catacumba.
Na década de 90 o parque
ganhou o nome de Yitzhak Rabin, político pacifista israelense, morto por um dos
seus, fanático de direita, que não aceitava a paz com os palestinos. Mais
recentemente no alto do Pasmado foi construído um Memorial do Holocausto.
A foto mostra obras de
modificação na Av. Beira-Mar, ainda com a sede do Botafogo no local. Foram
muitas intervenções nesta área a fim de melhorar o tráfego. Mudava o Secretário
de Transporte e havia obras. Anos adiante, no final da década de 60, a construção
do Viaduto Pedro Alvares Cabral fez outra grande modificação.
Este era o aspecto da
região nos anos 70. O Clube Guanabara, o Túnel do Pasmado, a antiga sede com
piscina e ginásio do Botafogo, o Viaduto Pedro Álvares Cabral e, à direita, o
Cinema Guanabara.


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