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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

CORPO DE BOMBEIROS


FOTO 1: Como conta Dunlop, até 1856 não havia no Rio serviço organizado de combate ao fogo. Os incêndios eram extintos da maneira mais rudimentar possível, com voluntários em fila, baldes de água passando de mão em mão, toscas escadas para retirar moradores de prédios mais altos.

No ano de 1856 foi criado o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte.

Os avisos de incêndio eram dados por três tiros de peça de artilharia de grosso calibre, disparados do alto do Morro do Castelo, com intervalos de cinco minutos.

Para indicar a Freguesia onde lavrava o fogo, o sino grande da igreja de São Francisco de Paula dava badaladas convencionais: um toque (Sacramento), dois toques (São José), três toques (Candelária), quatro toques (Santa Rita), cinco toques (Santana), seis toques (Engenho Velho), sete toques (Santo Antonio), oito toques (Glória), nove toques (Lagoa). Também o sino maior da freguesia onde havia o fogo repetia o toque de incêndio de minuto em minuto.

FOTO 2: Postal da coleção de Klerman W. Lopes.Vemos a torre de exercícios do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, na Praça da República.

O lema do Corpo de Bombeiros é "Vidas alheias e riquezas salvar”.

FOTO 3: Postal da coleção de Klerman W. Lopes. A fachada posterior do quartel dá para a Rua do Senado.


FOTO 4: Postal da coleção de Klerman W. Lopes. Foto de Malta.

A instituição, que viria a ser o 1º Corpo de Bombeiros do Brasil, foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, através do Decreto nº1775, de 02 de julho de 1856, ainda na época do Brasil Império.



FOTO 5Foto de Malta, do início do século XX, mostrando o quarteirão da Praça da República onde fica o Quartel Central do Corpo de Bombeiros. O bonde "Barcas", com seu reboque, passa tranquilamente pela Rua Visconde de Rio Branco em direção à Praça XV. 

Renovado, melhorado e ampliado, o quartel foi inaugurado pelo Presidente da República, Dr. Afonso Augusto Moreira Pena, que foi recebido pelo Coronel-Comandante Feliciano Benjamin de Souza Aguiar. 

Podemos observar no centro da foto o prédio da antiga Beneficência Italiana, que ainda permanece de pé, ao lado existia um prédio em estilo colonial, muito bonito que foi demolido no início dos anos 60 (61 ou 62), onde hoje funciona um estacionamento do CBERJ. 

É bem interessante visitar o Quartel Central, não só pela bela construção em si, como pelo acervo, com fotos, história e carros de socorro da época.

FOTO 6Quartel de Bombeiros do Humaitá em 1910. Esta bela foto, enviada pelo Francisco Patricio, mostra uma região que ainda mantém muito de suas características de décadas passadas. Este quartel não mudou praticamente nada e é tombado. Acho que aquela casa lá em cima do morro também existe até hoje.

Já imaginaram, mesmo com o esforço de Lulu&Dudu, o quanto devia demorar até essas carroças chegarem ao local do incêndio?

Consta que a residência no alto do morro que se vê ao fundo é o Castelinho, antiga residência da família Barcelos. Dona Odete Barcelos a proprietária, era pintora e mantinha um atelier na parte baixa da encosta, na subida pela Rua Maria Eugênia ( em frente onde hoje é a entrada principal da Casa de Espanha). A este estúdio acorriam os escultores e pintores da época, estudantes interessados no convívio com os mestres e amigos. 

O espaço também era destinado ao incentivo de outras artes, como o balé, por exemplo. Era chamado de "Escolinha da Dona Odete". Anos depois, já nas mãos dos herdeiros de Dona Odete, o espaço continuou a exercer sua função cultural, alí eram dadas aulas de Tae Kwon Do na década de 90, entre outras atividades.

FOTO 7O Quartel da Tijuca, em foto enviada pelo Carlos Paiva. A esquina ao fundo é da Rua José Higino, quase esquina com Avenida Maracanã. À esquerda, fora da foto, junto ao muro, ficava a antiga 19ª Delegacia Policial (o Joel poderá confirmar).

FOTO 8Vemos uma imagem do hoje desaparecido quartel da Primeira Zona do Corpo de Bombeiros, no Cais do Porto.

Construída conjuntamente com as obras do Porto do Rio ela ficava instalada estrategicamente entre os dois pedaços do porto, ao lado do Gasômetro, junto aos estaleiros do Caju e defronte às pequenas ilhas da baia, que desde cedo começaram a virar depósitos de carvão e logo depois líquidos inflamáveis.

O quartel todo em estrutura metálica, técnica em voga no final do séc. XIX e primeiros anos do XX, tinha diversos elementos construtivos em comum a outras duas antigas unidades da cidade, o Quartel Central e o Quartel do Humaitá, notadamente os pilares que levantam a parte de alvenaria do local destinado as viaturas de combate à incêndio.


FOTO 9: Como esta foto deixou dúvidas, mais informações foram conseguidas através de troca de e-mails com o Sr. Abílio Afonso da Águeda, então responsável pelo Museu Histórico CBMERJ. 

Vejam a resposta do Sr. Abílio, no melhor estilo "General Miranda":

"Fico feliz pelo Museu Histórico poder ajudar na relevante contribuição das atividades dos fotologs no sentido de preservar e divulgar a memória de nossa cidade através de imagens antigas. 

Além do aspecto da memória visual, acho extremamente importante os comentários dos participantes sobre o contexto histórico e cultural dessas imagens, revelando informações, detalhes e curiosidades que muitas vezes se desdobram para além do conteúdo imagético fotografado". 


FOTO 10Seguem abaixo as referências das fontes das fotografias 8 a 10: - "cais do porto fachada" e "cais do porto 01": Manual do Bombeiro de 1930.  Revista Avante Bombeiro de julho de 1954, que aborda a maior tragédia do Corpo de Bombeiros, sobre a morte de 17 bombeiros do Quartel do Cais do Porto durante uma explosão que ocorreu na Ilha do Braço Forte em maio de 1954. 
 Abraços. 
Abílio Afonso da Águeda - Museólogo" 



FOTO 11: foto do Corpo de Bombeiros da Ilha do Governador. Área do Professor Jaime Moraes que, se aparecer por aqui, dará uma aula completa sobre este local.



FOTO 12Foto encaminhada pelo GMA.

Em 1918, D. Rosa Leopoldina Guimarães doa um terreno situado entre as antigas ruas Guimarães Caipora, atual Bolívar, e Furquim Werneck, atual Xavier da Silveira, destinando-a à construção de uma estação para o Corpo de Bombeiros.

Em 04 de março de 1920, foi inaugurado em Copacabana o Quartel do Corpo de Bombeiros, com a primeira designação de posto 11 – Copacabana, que, após, passou à denominação de Destacamento 04 – Copacabana.

 Em 1926 foi inaugurada a Praça Eugênio Jardim, situada em frente ao Quartel de Copacabana. O nome da praça é uma homenagem póstuma ao Major Bombeiro Militar Eugênio Rodrigues de Morais Jardim, ex-Comandante do Corpo de Bombeiros.

Situado na Rua Xavier da Silveira, 120 – Copacabana, os bombeiros deste quartel participaram de episódios relevantes tais como: “Os 18 do Forte”, em 1922, incêndio do prédio da Boate Vogue, em 1955, deslizamentos e desabamentos provocados pela enchente de 1966, incêndio no Centro de Convenções do Hotel Nacional, em 1977, deslizamentos no Morro do Pavão-Pavãozinho em 1983.

Ao longo destes anos, a arquitetura do quartel se mantém preservada em suas características. 

FOTO 13Nesta foto da Escola de Aviação Militar, de 1934, dá para ver um pedaço do "Caminho do Caniço" ainda aberto. É anterior à abertura do Corte do Cantagalo.

A seta vermelha assinala o prédio do Corpo de Bombeiros de Copacabana. 


FOTO 14: Em foto de 1966 vemos o prédio do Corpo de Bombeiros de Copacabana.

Se a tia Lu aparecer por aqui ela poderá explicar o que aconteceu quando estacionou o carro na Praça Eugenio Jardim, como o fusca à direita, esqueceu de deixar engrenado e de puxar o freio de mão: adianto que, por incrível sorte, em determinado momento, o carro desceu de ré, atravessou a rua sem bater em nada e parou na calçada oposta...


FOTO 15 Vemos o Pavilhão dos Bombeiros na Expo de 1908 na Praia Vermelha.


FOTO 16  Fotografia da Praça São Salvador tomada a partir da Rua Esteves Júnior. À esquerda, o antigo prédio do Corpo de Bombeiros.


FOTO 17  Cartão Postal da Expo de 1908.

FOTOS FINAIS (CARROS ANTIGOS DE BOMBEIROS)










quinta-feira, 23 de novembro de 2023

FLANANDO PELO MÉIER

“É o Méier o orgulho dos subúrbios e dos suburbanos”, já disse Lima Barreto.

O Méier, bairro que conheço muito pouco (e por isto preciso da ajuda dos comentaristas sobre as fotos), é o histórico centro da "Área dos Engenhos”, que hoje é conhecida como “Grande Méier”.

O bairro é dividido ao meio pela linha férrea da antiga Central do Brasil.

Considera-se como data de sua fundação 13/05/1889. Sua urbanização começou no século XVIII, com quilombos. Até 1884 era terra de jesuítas, depois foi presenteada por D. Pedro II ao amigo Augusto Duque Estrada Meyer.

O Meyer (pronunciado “Maier”) foi aportuguesado para “Méier”.


FOTO 1: Esta foto do Arquivo Nacional, colorizada e publicada por Tiago Bandeira, mostra o Ambulatório do IAPC do Méier, localizado na Rua Ana Barbosa nº 21, inaugurado em 1946. Atualmente é o Centro Municipal de Saúde César Pernetta.

O Dr. César Pernetta foi meu professor na Faculdade Nacional de Medicina, tendo sido um grande pediatra. Foi escolhido por nós para paraninfo da turma.

No dia da formatura no Teatro Municipal, ao chegar à tribuna com um calhamaço nas mãos, ouviu-se um grande murmúrio na plateia. O Dr. Pernetta então disse: “Vocês acham que vou falar tudo isso aqui?” Ouviram-se algumas risadas e, após uns instantes, ele disse: “Vou, sim!”.

Foram mais de duas horas de uma aula magna sobre a Pediatria no Brasil...

FOTO 2: Rua Arquias Cordeiro (Méier) em 14/12/52, vista na direção Todos os Santos para Méier. À esquerda, arvoredo do Jardim do Méier, inaugurado por Paulo de Frontin em 1919, em antiga chácara pertencente ao Dr. Arquias Cordeiro.

O Jardim do Méier é um dos poucos restantes no Rio de Janeiro que ainda apresentam um coreto. Também possui um Teatro de Guignol, para apresentação de marionetes.


FOTO 3: O prezado amigo Roberto Tumminelli conta que vemos o belo prédio do Corpo de Bombeiros do bairro. Fica na Rua Aristides Caire. O prédio foi totalmente modificado, com a parte lateral reformada para o estilo art-déco. A bela cúpula e as portas em arco também. Só restou a coluna central, também modificada. Estragaram essa bela arquitetura.

FOTO 4: Esta foto foi publicada pelo Nickolas Nogueira no Facebook. É da agência O Globo. Onde estaria esta carrocinha da Kibon?


FOTO 5:  Luciana Raposo me mandou esta foto de 1892, onde vemos Isabel Lacaille da Franca Amaral, despedindo-se de seu marido Tito Antônio da Franca Amaral na chácara da Bocca do Mato, atual Grande Méier (segundo ela). Isabel Lacaille, bisavó da Luciana, morou numa casa da Rua Francisco Otaviano onde hoje é o Arpoador Inn. Nessa época, recém-casada, tinha 15 ou 16 anos. 

FOTO 6: Enviada pelo prezado Lino Coelho. Vemos o Cine Bruni-Méier na Avenida Amaro Cavalcanti nº 105. Era o antigo Cine Méier, construído em 1919 com 627 lugares. Os conhecedores da região poderão dar muitos detalhes desta foto (esta foto foi publicada no UOL e os comentários foram perdidos).


FOTO 7: Ambulância do Posto do Meyer, em 1920, em foto de Malta. 

Nesta época a assistência médica de urgência era prestada apenas na zona central do Rio, chegando sua área de ação até a estação do Rocha, da Estrada de Ferro Central do Brasil. 

O restante da região suburbana era inteiramente carente de qualquer tipo de socorro - os doentes eram transportados pelos trens da Central até uma estação onde pudesse chegar a ambulância (isto levou à criação de uma sucursal de atendimento suburbano, com a inauguração do Posto do Méier em 1920).

FOTO 8: Obras para a construção do Hospital Salgado Filho. O hospital atual foi inaugurado em 1963.


FOTO 9: Ambulância do Hospital Salgado Filho. Que rua é esta?

FOTO 10: Outra foto do Arquivo Nacional publicada pelo Tiago Bandeira. O ano é 1944 e vemos obras de construção do Mercado São João, no Méier. O mercadinho foi construído pelo governo em diversos bairros para que a população movimentasse o comércio local. No entanto, não duraram muito. O da imagem ficava localizado atrás da Basílica Imaculado Coração de Maria. Hoje no local funciona o Fórum do Méier.


FOTO 11: Parece uma cidade em guerra, mas trata-se da Rua Leite Ribeiro, no Méier, em 1957, quando da instalação de manilhas para o escoamento das águas vindas do Guandu em direção à Zona Sul. As casas passam uma ideia de muita tranquilidade nesta zona residencial.

Atualmente a rua ainda mantém muitas casas e, curiosamente, uma parte dela é bem arborizada, enquanto a outra parte é árida.

FOTO 12: "Vila dos Bancários - Méier 1942" é a legenda desta foto do “Correio da Manhã”. Onde ficava?

FOTO 13: Jardim do Méier em 1967. Há carros antigos para serem identificados.


FOTO 14: A Praça Jardim do Méier fica entre as duas partes do Méier. É cercada pelo Corpo de Bombeiros, Hospital Salgado Filho, a Estação Méier e o Viaduto do Méier. É a área verde mais importante do bairro.

FOTO 15: O Jardim do Méier em 1970. Gosto muito desta foto.


FOTO 16: Para o trajeto Méier-Penha pegue o ônibus S4.


FOTO 17: Lotação Bonsucesso-Méier. Modelo Ford.


FOTO 18: Um belo engavetamento do lotação Meyer-Cascadura, com o ônibus Cascadura-Lapa e um bonde de nº 2010, que o Helio, se aparecer, identificará.


FOTO 19 Nesta fotografia, de 1960, enviada por minha amiga Lucia Beatriz, vemos D. Moema e Ana. Ela diz que é no Méier. O lotação é um Chevrolet 1954. Tempos em que o proprietário do lotação levava o veículo para casa.

Vendo esta rua calma, tranquila, só de casas, veio-me à lembrança a música de Garoto, Vinicius e Chico: "São casas simples/Com cadeiras na calçada/ E na fachada/ Escrito em cima que é um lar/Pela varanda/Flores tristes e baldias/ Como a alegria/ Que não tem onde encostar/ E aí me dá uma tristeza/ No meu peito/ Feito um despeito/ De eu não ter como lutar/ E eu que não creio/ Peço a Deus por minha gente/ É gente humilde/ Que vontade de chorar" .


FOTO 20: Este é o viaduto Castro Alves que liga os dois lados do bairro do Méier. Ele permite o percurso entre a Rua Dias da Cruz e a Aristides Caire, em direção ao bairro do Cachambi, passando sobre a Av. Amaro Cavalcanti e a Rua Arquias Cordeiro, por onde passava o bonde Cachambi.

O viaduto foi inaugurado em 1968 e atualmente suporta um trânsito bem complicado. Fora da foto temos o início da Rua Aristides Caire, onde começa o viaduto, e logo no início, após o quartel dos Bombeiros, à direita, está a 23ª Delegacia Policial, e, à esquerda, fica o novo Fórum do Meyer.

Na foto vemos ao fundo o Quartel do Corpo de Bombeiros, a Rural e o Fusca, estão indo no sentido da Rua Aristides Caire, o prédio branco da esquina da Rua Arquias Cordeiro ainda está lá, porém bastante destruído devido à falta de manutenção, assim como todos os prédios da Av. Amaro Cavalcanti em frente à estação do Méier.

Já ia me esquecendo, na Aristides Caire, depois do cruzamento da Rua Santa Fé, tinha o Restaurante Dom Chopp.

Quem terá feito este comentário? O Joel, o Helio, o Mauro xará, nenhum deles?

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

O TÚNEL DO PASMADO

À medida que a cidade se expandia para Copacabana e além, após a abertura do Túnel Velho (Alaor Prata), em 1892, seguida da abertura do Túnel Novo, (galeria Engenheiro Coelho Cintra), em 1906, com o aumento do número de habitantes e o de automóveis, houve necessidade de abertura de mais túneis.

Em 1949 foi aberta a outra galeria do Túnel Novo (Marques Porto). Três anos depois foi aberto o Túnel do Pasmado, tema de hoje. Mais adiante ainda foram abertos os túneis Sá Freire Alvim (Barata Ribeiro-Raul Pompeia) e Major Rubens Vaz (Tonelero-Pompeu Loureiro).


Hoje temos mais uma estupenda fotografia, aproximadamente de 1940, enviada por Richard Hochleitner, a quem o "Saudades do Rio" mais uma vez agradece.

À direita, entre as árvores, vemos as cúpulas do Pavilhão Mourisco, que foi construído durante o período de Pereira Passos, em 1906, para servir de café-concerto. Ficava iluminado todas as noites, tendo, nos fundos, o Teatrinho de Marionetes, um carrossel e um ringue de patinação (este, por muitos anos, foi a sensação da cidade).

O Pavilhão Mourisco, cujo estilo de construção era neo-persa, nada tendo de mourisco, foi que deu origem ao trecho do bairro até hoje conhecido como Mourisco.

É importante observar, ainda, que o Pavilhão Mourisco, por iniciativa de Cecília Meireles, por volta da década de 1930, abrigou uma biblioteca infantil que, além do salão de leitura, tinha um setor de manualidades (modelagem, pintura, desenho), um de brinquedos e jogos, além de uma sessão de cinema toda quinta-feira.

Embora fora do traçado para abertura do Túnel do Pasmado, foi demolido.

O prédio com as torres brancas era a antiga sede do Botafogo, demolida nos anos 50 e que veremos em outras fotos mais abaixo. Mais para a esquerda o Clube Guanabara com sua piscina de água do mar.

No morro podemos observar os anúncios dos "Chapeos Cury", da "Agfa" e parte do anúncio da "Firestone".

A Av. Beira-Mar terminava exatamente em um largo (cul-de-sac) formado pela Sede do Botafogo e o Pavilhão Mourisco. Já o Guanabara tinha entrada pelo seu prédio antigo, na Av. Pasteur.

Segunda conta o Gustavo Lemos, a mansão que vemos no Morro do Pasmado foi construída em 1913 pelo empresário Caetano Pinto da Fonseca Costa, filho do Marechal João da Fonseca Costa, Visconde da Penha, e neto de Manoel Antonio da Fonseca Costa, Marquês da Gávea.
Após a morte de Caetano, a casa foi habitada por seu filho, Almirante Ayres da Fonseca Costa. Os herdeiros do almirante, entre eles o médico Ayres da Fonseca Costa Filho, ficaram com a casa.


Projetado em 1938 pela Comissão do Plano da Cidade, chefiada pelo Engenheiro José de Oliveira Reis, teve a primeira explosão para sua abertura na gestão do Prefeito Hildebrando de Araújo Góis, em 1947. A obra deslanchou no mandato de Mendes de Morais e só foi concluído em 1952, na gestão de João Carlos Vital.

Li em algum lugar que foi o primeiro túnel no Brasil e, dizem, no mundo, projetado por uma mulher, a engenheira Berta Leitchick. Liga a Avenida das Nações Unidas, na Praia de Botafogo, à Avenida Lauro Sodré. Aberto sob o Morro do Pasmado, facilita o acesso ao Túnel do Leme e, portanto, a Copacabana. Possui 220 metros de extensão e 20 de largura. Possui o nome oficial, que ninguém usa, de Túnel André Luís dos Santos Filho, antigo engenheiro da Prefeitura.

Segundo o “Correio da Manhã”, “no início dos anos 50, a construção do Túnel do Pasmado, a cargo da Municipalidade, importará na demolição da sede do Clube Guanabara e a da sede do Botafogo, embora seja mantida a piscina olímpica deste clube.

Com a abertura do túnel os bondes deixarão de passar pela Rua General Severiano para que não houvesse interferência de tráfego com os veículos procedentes do túnel."

Em setembro de 1950 o “Correio da Manhã” noticiava o início das obras do viaduto do Pasmado. Teria 25m de vão livre, sendo constituído de duas pistas independentes, uma para o tráfego de automóveis e outra para os bondes.

Em janeiro de 1952 a Cia. Ferro Carril do Jardim Botânico publicou um anúncio: “Aviso ao Público. Devido às obras da Rua General Severiano, em frente ao Túnel do Pasmado, que impossibilitam o tráfego normal da linha 4 – Praia Vermelha até seu ponto terminal, até a conclusão das obras o transporte dos passageiros no trecho acima citado e nos dois sentidos, será feito por meio de baldeação.”

Meses adiante decidiu-se que os bondes não mais utilizariam a General Severiano e deveriam seguir pela Av. Pasteur. Mas como as obras nesta última não haviam terminado, os bondes que servem a Praia Vermelha foram suspensos, obrigado a todos que se dirigem à Praia Vermelha/Urca a tomarem um ônibus, cuja passagem é mais cara que a dos bondes.

A inauguração oficial do Túnel do Pasmado foi em março de 1952.

Com 210 metros de comprimento por 22 de largura, tinha 375 pontos de luz, dispostos em 53 filas transversais e 7 longitudinais, proporcionando a mais perfeita distribuição luminosa. A General Electric e a Byington, prestaram colaboração no projeto, instalação e fornecimento do material de iluminação.

No início só dava mão para Copacabana. Havia uma faixa elevada, no meio do túnel, teoricamente para o túnel ser de mão e contramão, que atrapalhava o trânsito. Mas, em muitas ocasiões, o túnel funcionou em mão e contramão.

Entretanto, mesmo no período de mão única dentro do túnel, para o tráfego de bondes, mantinha-se a situação chamada de “mata-paulista”: os bondes trafegavam na contramão no Túnel Novo. Outro problema na época era a inexistência do Túnel Barata Ribeiro-Raul Pompeia (que seria o Túnel Sá Freire Alvim), obrigando todo o tráfego de veículos seguir, no final da Barata Ribeiro, pela Rua Djalma Ulrich até a N.S. de Copacabana e daí seguir em contramão para Ipanema, tal como já faziam os bondes.

Nesta fotografia colorizada pelo Nickolas Nogueira, vemos o Túnel do Pasmado já funcionando, com o trânsito em mão-dupla. Segundo nosso especialista Rouen os automóveis que aparecem são: Standard Vanguard, Fiat 1100, Fiat, Citroën e Pontiac (à direita).

Curioso notar que a sede do Botafogo ainda estava de pé. Era uma construção com um primeiro pavimento bem baixo, quase como um porão habitável e um segundo andar com grandes janelas ou portas, com um telhado de ardósia ou cobre no estilo dos anos 10 e 20 e quatro torretas que na foto parecem estar na armação.

Nesta foto colorizada pelo Conde di Lido, vemos a outra boca do Túnel do Pasmado. Nas pistas sentido Mourisco vemos um Citroën 11 (é o mais perto do meio-fio, com as “divisas de cabo” na grade); O pequeno esportivo é um MG TD; Na frente do MG, já entrando no túnel, um Chevrolet 38 (provavelmente, carro de praça);A traseira de carro que aparece dentro do túnel (canto inferior direito da foto) me parece de um Chevrolet 53;

Nas pistas sentido Copacabana vemos o carro mais claro, que é um Ford 1949; os dois carros logo ao lado do Ford são Chevrolet (provavelmente 1946-1948). Acho que a identificação foi do Jason ou de obiscoitomolhado.

À direita vemos o Educandário Santa Therezinha, mantido pela Santa Casa, e que tinha a função primordial de recolher e dar educação a órfãs abandonadas. O edifício foi projetado por Bittencourt da Silva e inaugurado em 1866. Com a saída da instituição religiosa, o prédio foi por muitos anos arrendado pelo colégio Anglo-Americano. Depois ali funcionou a Casa Daros, que foi vendida para o grupo Eleva Educação.  

À esquerda fica o campo do Botafogo.


Em foto colorizada pelo Conde di Lido vemos que a Favela do Pasmado ainda não tinha “descido” para o lado da Av. Beira-Mar.

Esta sede do Botafogo, que foi demolida nos anos 50, foi substituída por aquela sede que tinha o ginásio e a piscina, onde havia sensacionais competições de natação e water-polo (lembram-se do Szabo) e, no ginásio, estupendas competições de basquete e voleibol, tanto masculino e feminino (eu era um assíduo frequentador dessas competições nos anos 60/70).

Mais adiante esta nova sede foi demolida nos anos 90 para a construção daquele horroroso prédio espelhado, o Centro Empresarial Mourisco, apelidado de “Ferrero Rocher”.


No Morro do Pasmado havia uma favela que ocupava os dois lados do túnel. Iniciada no final da década de 20, se expandiu nos anos 50.

A foto mostra o lado da Rua Lauro Muller.


Outra foto da mesma época da anterior. A favela foi removida em 1964, com seus moradores sendo removidos para a distante Vila Kennedy, perto de Bangu. 

Nunca me atrevi a usar aquela passagem subterrânea. Quando saía do estádio do Botafogo caminhava até o sinal de trânsito existente em frente àquele posto de gasolina do Touring para atravessar a rua.


A favela foi removida pelo governo Lacerda e, no Morro do Pasmado, foi construído um belo parque público na administração Marcos Tamoio, com um mirante (em certa época houve um grande escândalo por conta de um suposto namoro dentro de um carro envolvendo um jogador do Botafogo – depois jogou n Flamengo, e um ex-jogador, atualmente comentarista da TV Globo).

A foto é do incêndio provocado, sob controle do Corpo de Bombeiros, nos barrados já abandonados por seus moradores, tal como presenciei da janela de casa o incêndio da Catacumba.

Na década de 90 o parque ganhou o nome de Yitzhak Rabin, político pacifista israelense, morto por um dos seus, fanático de direita, que não aceitava a paz com os palestinos. Mais recentemente no alto do Pasmado foi construído um Memorial do Holocausto.

A foto mostra obras de modificação na Av. Beira-Mar, ainda com a sede do Botafogo no local. Foram muitas intervenções nesta área a fim de melhorar o tráfego. Mudava o Secretário de Transporte e havia obras. Anos adiante, no final da década de 60, a construção do Viaduto Pedro Alvares Cabral fez outra grande modificação.


Este era o aspecto da região nos anos 70. O Clube Guanabara, o Túnel do Pasmado, a antiga sede com piscina e ginásio do Botafogo, o Viaduto Pedro Álvares Cabral e, à direita, o Cinema Guanabara.