A postagem de hoje é sobre o “Tabuleiro da Baiana”. Achei aqui no meu arquivo uma série de fotos que não constam como publicadas no “Saudades do Rio”.
FOTO 1: O “Tabuleiro
da Baiana” foi criado na prefeitura de Henrique Dodsworth, em 1937, juntamente
com mais uma ampliação do Largo da Carioca em direção a Almirante Barroso e com
o alargamento da Rua 13 de Maio com a demolição da velha Imprensa Nacional,
tendo em vista a desativação, para posterior demolição, do Hotel Avenida e Galeria
Cruzeiro, por onde passavam os bondes.
Nesta foto do
Tabuleiro da Baiana podemos ver na esquina da Rua Senador Dantas o Liceu
Literário Português, projeto em estilo neo-manuelino do arquiteto Raul Penna
Firme. O Liceu foi a primeira instituição de ensino no Brasil a promover cursos
profissionalizantes noturnos e gratuitos.
Foto do acervo da Light.
FOTO 2: O “Tabuleiro da Baiana” era o ponto final da maioria dos bondes que vinham e iam para a Zona Sul do Rio. Havia algumas linhas que não circulavam por aí, como o "Circular", linhas 20 e 21, o "Marquês de Abrantes", linha 24, e o "General Polidoro", linha 9, como conta o Helio Ribeiro.
Os bondes que faziam o trajeto para a Zona Norte paravam no Largo de São Francisco, Praça Tiradentes, Praça XV, Lapa, Praça Mauá.
Sua
construção implicou na demolição do Teatro D. Pedro II, inaugurado em 1871
(antigo Teatro Lírico).
FOTO 3: Nesta foto vemos que houve uma época, na década de 60, em que o “Tabuleiro da Baiana” funcionou como ponto final de ônibus elétricos, após a desativação dos bondes no governo Lacerda. Acabou sendo demolido no início da década de 70, quando da abertura da Avenida Chile.
O prédio da Caixa Econômica
ainda estava em construção e os trilhos dos bondes ainda estavam aparentes.
FOTO 4: O apelido de "Tabuleiro da Baiana" deve-se à cobertura de concreto em formato retangular lembrar as mesinhas usadas pelas baianas para vender seus quitutes nas ruas da cidade. Entretanto, talvez a origem do apelido pode ter sido influenciada por uma música de Ary Barroso, que tinha este mesmo nome e foi sucesso na década de 1930.
FOTO 5: Fotograma garimpado pelo Nickolas Nogueira mostrando um bonde entrando no "Tabuleiro da Baiana".
O que seria "Riópolis", visto no cartaz ao fundo? Um bar?
FOTO 6: A passagem subterrânea que era muito utilizada. Segundo a tia Milu, citando reportagem da Revista Ilustração Brasileira de 1959, “O novo abrigo que substituiu a tradicional Galeria Cruzeiro, na sua função de estação terminal de todas as linhas de bondes da zona sul da cidade, é uma das mais recentes realizações da Municipalidade e veio beneficiar grandemente o público, resolvendo, com sua passagem subterrânea, o problema do trânsito nas ruas 13 de Maio e Bettencourt da Silva.”
FOTO 7: Na mesma edição da Revista Ilustração Brasileira, o Prefeito era elogiado: “A tarefa do Sr. Henrique Dodsworth, á frente da Prefeitura, não se tem limitado á organização do apparelhamento burocratico e ao saneamento das finanças, mas tambem se tem estendido a obras de real valor urbanistico.
As demolições que se têm feito no centro da cidade, ao mesmo tempo que melhoram extraordinariamente o trafego de vehiculos e pedestres, ampliam o horizonte, rasgam descortino, dão perspectiva e grandeza aos panoramas.
Pelas iniciativas que têm sido tomadas, podemos confiar na energia constructora do novo Prefeito, certo de que elle levará por deante os planos grandiosos que já estão traçados e que são de molde a satisfazer a todos os amigos sinceros da esthetica urbanistica.”
FOTO 7: Na época desta foto vemos uma das poucas iniciativas de construir uma praça com árvores no Largo da Carioca.
Conta o
Decourt que coube ao engenheiro e arquiteto Mauro Viegas, então diretor do DPJ,
fazer uma implantação relâmpago de um jardim, com espécies adultas na
arborização e um paisagismo defensivo e até agressivo nos jardins. Para
implantar esse projeto a execução também deveria ser diferenciada.
Em 19/9/1956
as obras começaram prometendo a PDF que um novo jardim seria entregue em menos
de 3 dias à população, logicamente com incredulidade por parte de todos. O modo
de plantio do jardim foi realmente revolucionário, máquinas de engenharia
emprestadas de outros órgãos da prefeitura foram usadas, como tratores e
guindastes para plantar as árvores todas já jovens e com mais de 3 metros,
rolos compressores foram usados para fixar profundamente as placas de grama no
solo fofo, fora britadeiras e pás mecânicas para revirar o endurecido solo.
Para espanto
de todos os jardins foram inaugurados com menos de 3 dias e eram cercados por
altos aramados, com estacas metálicas para impedir o trânsito pelos gramados
bem como espinheiros para defender do vandalismo os canteiros de flores. Foi um
grande sucesso, e a técnica foi usada em outros trehos do Largo que ganharam
jardins menores nos dias seguintes em menos de 24 horas.
Esse
ajardinamento ficou praticamente intacto, com as árvores grandes até as obras
do Metrô quando desapareceram.
FOTO 8: Nesta foto de 1967 vemos o "Tabuleiro da Baiana" em seus últimos tempos, pois o novo traçado da Avenida Chile exigia sua demolição.
FOTO 9: Foto de 1970 com o novo aspecto da região, após a demolição do "Tabuleiro da Baiana".
Hoje em dia acho a região muito mal resolvida. Um espaço enorme, árido, sem nenhum charme. Camelôs, passantes apressados, rodinhas de gente que não tem mais o que fazer olhando algum "artista" de rua fazendo malabarismos com uma cobra ou com uma bola de futebol, malandros atrás de incautos em algum jogo de azar e por aí vai.





















