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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

SÃO CONRADO - CASA DE SERGIO BERNARDES


O arquiteto Sergio Bernardes, dono de uma extensa obra, se destacou por seus projetos de residências.

A foto é da Av. Niemeyer nº 179. Sergio Bernardes ali projetou um condomínio horizontal e, em troca  de seus honorários pediu a ponta do terreno, no qual construiu a 'casa do arquiteto' que foi sua moradia na década de 60.

Foto Revista Manchete.


A foto acima e as seguintes são da revista "A Cigarra" e foram garimpadas pelo prezado Atila Franco. 

O texto nas legendas dessas fotos foram extraídas do livro de Lauro Cavalcanti, "Quando o Brasil era moderno".

A piscina é emoldurada por madeira e o seu espelho d´água se junta com o do mar nos olhos de quem nela se banha.

A casa na rocha, debruçada sobre o Atlântico, é uma rara mistura de contenção e ousadia, geometria pura e materiais rústicos, estabilidade e movimento. É uma das casas modernistas brasileiras que melhor interagem com a paisagem.

O andar superior, com arquitetura ortogonal de concreto, madeira, vidro e telhado industrial, está situado no nível de acesso da rua. Abriga a parte de estar, se projetando destacado na paisagem.

De forma a amenizar a temperatura, Bernardes concebeu um colchão de ar entre as telhas de amianto e o teto da casa.


Tijolos vazados foram usados em várias empenas, de modo a forçar a circulação de ar.


O andar inferior, revestido exteriormente de pedras, mimetiza-se com a rocha.

As suas paredes grossas, com inclinação acompanhando a escarpa rochosa, abrigam o escritório, o estar íntimo e os quartos.


Planta do pavimento inferior.


Estas duas imagens com as plantas foram encontradas no "site" Casasbrasileiras.wordpress.com

PS: a formatação está enlouquecida hoje...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

CASA FRANÇA-BRASIL


As fotos são do prédio onde atualmente funciona a Casa França-Brasil, na Rua Visconde de Itaboraí.

Inaugurado em 1820 para sediar a primeira Praça de Comércio do Rio de Janeiro, muito pouco durou o que era então uma espécie de Bolsa de Valores da época naquele local. Decorridos quatro anos, já no contexto do Brasil independente de Portugal, foi transformado por D. Pedro I em Alfândega, que assim funcionou até 1944.



Encomendado em 1819 por D. João VI a Grandjean de Montigny, arquiteto da Missão Artística Francesa, a obra em si é um documento histórico importante. Trata-se do primeiro registro do estilo neoclássico no Rio de Janeiro, tendência que viria então a popularizar-se, dando à cidade, marcada por suas casas coloniais, um tom mais cosmopolita, à moda europeia.

Em 1938 o prédio foi tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — atual IPHAN.

Esta foto é do ano de 1944. 

Como última utilização antes de tornar-se a Casa França-Brasil, foi sede do II Tribunal do Júri, entre 1956 e 1978.

Esta obra de Montigny passou por diferentes usos, sendo que em 1946 chegou-se a pensar na sua demolição, segundo noticiou o “Correio da Manhã”: “O Ministro da Fazenda encaminhou ao da Viação, solicitando o seu pronunciamento, o processo em que a Prefeitura do Distrito Federal trata da demolição do antigo prédio da Alfândega no Rio, onde funcionam diversas repartições subordinadas àquela Secretaria do Estado”.

Em 1949 o Serviço de Subsistência da Marinha ocupou suas instalações.

O “Correio da Manhã” escrevia que “a guerra tinha acabado há nove anos. Não havia mais Eixo, e os ditos súditos, então considerados inimigos, já não o eram. Mas sobre os seus bens e valores incidia interminavelmente o confisco. Não se atava, nem se desatava. Para solucionar o caso compôs-se uma comissão. Foi ela, e o fatos o comprovam, um primor de inércia e burocracia. Por isso mesmo, absolutamente inútil.”


Em 1984 a atual vocação da Casa França-Brasil começou a ser traçada. O antropólogo Darcy Ribeiro, então Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, combinou recursos brasileiros e franceses no ano seguinte para restaurar a construção e resgatar as linhas arquitetônicas originais projetadas por Montigny. As etapas para a criação do centro cultural e o trabalho de restauração atravessaram a década de 1980.

Em 29 de março de 1990, foi inaugurada a Casa França-Brasil.


E ficou faltando republicar esta foto. Desculpem o atraso.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

BONDE 13

 

O bonde 13, Ipanema, fez parte da minha adolescência, pois era o bonde que pegava na Av. N.S. de Copacabana, entre Dias da Rocha e Raimundo Correia, para ir até o Bar 20, em Ipanema. O bonde chegou ao Bar 20, rodo na altura da Rua Henrique Dumont, em 1914.

Quase sempre tinha reboque, onde me sentava. Ia pela contramão até a Francisco Sá, em direção à Visconde de Pirajá. Esta, por volta dos anos 60, tinha poucas árvores, pouco movimento e o calçamento era com paralelepípedos. Durante os muitos trajetos eu observava o comércio de Ipanema.

Puxando pela memória me lembro que logo no início da Visconde tínhamos no nº 29 a recém-inaugurada “La Veronese”, que mantém a qualidade de suas massas até hoje. Do outro lado da rua tínhamos “A Colegial”, visitada todo ano para aquisição do uniforme escolar. Quase ao lado dela ficava o “Teatro Santa Rosa”. Chegando na Praça General Osório havia o prédio da Companhia Telefônica, seguido do Colégio Fontainha, do saudoso “Mercado Merpuga”, da loja “Formosinho”, do cinema “poeira” Ipanema, com suas cadeiras de madeira, sem ar-condicionado, que passava dois filmes por sessão e tinha filas enormes na Sexta-Feira Santa quando, todos os anos, exibia “A vida de Cristo”. Logo depois a uma camisaria (seria a “Progresso”? Ou já seria a “Sol de Ipanema”?), junto com o bar “Jangadeiro”.

Na esquina da Teixeira a acanhada primeira loja do “Zona Sul”, do Mario, início de um império (Mario havia começado com uma carrocinha de frutas na Praça General Osório. Antes era a “Casa das Novidades”, de tecidos.

Entre a Teixeira de Melo e a Farme de Amoedo proliferavam os bancos. Boavista, Real, Bamerindus, Nacional, entre outros. No nº 135 a “Sapataria São Carlos”, ao lado o magazine “Duas Américas”, onde hoje é a agência Ipanema da Caixa Econômica. Por ali funcionava o “Colégio Polichinelo”, que depois foi o local da “Gardênia”, loja de tecidos. No lado par havia as “Lojas Brasileiras”, a “Casa Osório”, uma grande mercearia. Nesta quadra também a “Casa Mattos”, da família Salinas. No meio do quarteirão ficava a “Confeitaria Pirajá”, enorme.

Na quadra entre a Farme e a Montenegro lembro do “Frigorífico Nazareth”.

No quarteirão entre a Montenegro e a Joana Angélica havia outro “poeira”, o Pirajá, que frequentei muito. Programação parecida com a do Ipanema. Na esquina da Montenegro a “Casa Futurista”. No lado ímpar também a Casa Oliveira, de comestíveis, e a “Sapataria Sagaró”. No lado par a famosa “Casa Alberto”. Na esquina da Joana Angélica a Padaria Ipanema, que resiste até hoje.

No quarteirão da Praça N.S. da Paz havia a igreja, a Casa de N.S. da Paz onde funcionava uma clínica médica, o Colégio São Francisco, o cinema Pax com sua escadaria de acesso, além de um hotel para religiosos, tudo sob a batuta de Frei Leovigildo Balestiere (o empreendedor que tempos depois ali criou uma fábrica de azulejos, um ringue de patinação no gel, uma academia de ginástica, um boliche, além de ser pioneiro na instalação de ar-condicionado na igreja).

Entre a Maria Quitéria e Garcia D´Ávila me lembro da loja “Velha Bahia”, junto do prédio dos Correios.

Entre Garcia D´Ávila e Anibal de Mendonça, no nº 477 ficava a ótima Padaria Eldorado, o melhor pão de Ipanema. Perdeu o posto faz tempo. No nº 499 ficava o Bar Zeppelin. No outro lado da rua, no nº 484, a “Sorveteria Morais”, onde íamos tomar sorvete na saída do “Astória” ou do “Pax”.

Já no final da Visconde de Pirajá ficava a “Casa Reis”, de material escolar, perto do Cinema Astória, no nº 595. Era enorme. Depois o “Astória” virou “Super-Bruni-Ipanema” e, mais adiante, abrigou os estúdios da “TV Excelsior”.Ao lado do “Astória” havia um pequeno parque de diversões com brinquedos para a criançada. O melhor era uma mini-cidade onde circulava um carrinho imitando um Ford, de uns 20cm de comprimento, controlado pelo lado de fora da pista por um volante de tamanho normal, com pedais de freio e acelerador, um marcha para frente e outro para ré. O desafio era trafegar pela cidade sem colidir com nada e estacionar dentro de uma garagem de uma casa. Acho que o tempo, por vez, era de 10 minutos. Para quem ainda não tinha idade para dirigir, era formidável.



O bonde 13, na sua última viagem,  foi parado na frente do Bar Zepellin por membros da Sociedade dos Amigos do Bonde Ipanema, criada no Bar Zeppelin. Faziam parte deste grupo Millor Fernandes, Paulo Mendes Campos, Aracy de Almeida, Lucio Rangel, Otelo Caçador, Luiz Reis (o Cabeleira), Haroldo Barbosa (o Pangaré), Flávio de Aquino, Edelweiss, Liliane, Willy Kelleer e outros.

Pouco depois das 22 horas lá vinha o bonde, balançando pela Rua Visconde de Pirajá quando a viagem foi interrompida e o motorneiro Argemiro Cardoso dos Santos foi convidado para um chope. Veio um fiscal da Light, mas foi subornado com uísque e chope gelado e acabou aderindo à bagunça.

Como o número de ordem do bonde era 1908, o pessoal aproveitou e jogou o número no bicho e deu 908 na cabeça, grupo da águia, belo símbolo para uma lembrança eterna, que ficará sobrevoando o bairro-poesia da Guanabara.


Na foto consegui identificar à direita o Otelo Caçador, de branco a Aracy Almeida, atrás dela o Haroldo Barbosa (o "Pangaré) e de roupa escura, ao lado do fiscal, o Luiz Reis (o "Cabeleira). Seria o Lucio Rangel o de cabeça branca?


Vemos, para finalizar, o bonde 13, na saída para Botafogo do Túnel Novo, onde se dava o famoso "mata-paulista". 



segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

O RIO EM 1951

Em 1951 o Rio de Janeiro era a capital do país, o Presidente da República era Getúlio Vargas, os prefeitos foram Mendes de Morais e João Carlos Vital. Presidiram o Senado Nereu Ramos e Marcondes Filho. O Fluminense sagrou-se campeão carioca.

Foram inauguradas a TV Tupi e a Rodovia Presidente Dutra, ligando o Rio a São Paulo.

Foram lançados grandes filmes como “O dia em que a Terra parou”, "Uma aventura na África", "Pacto Sinistro", “Um lugar ao sol”, “Quo Vadis”, “Um bonde chamado desejo”, "Cinzas que queimam".

No teatro brilhavam Bibi Ferreira em "Ninon é um amor" e Walter Pinto apresentava a revista "Muié macho, sim sinhô", com Oscarito, Grande Otelo, Virginia Lane e Dalva de Oliveira.

O Padre Augusto Magne, meu professor no Colégio Santo Inácio, ganhou o prêmio literário Machado de Assis.

“Vingança”, de Lupicinio Rogrigues, com Linda Batista, foi a música mais tocada do ano.


Vemos um aspecto da Av. Rio Branco com o edifício do Clube de Engenharia sendo construído.


A Câmara do Distrito Federal. Recebeu do historiador Brasil Gerson a denominação de "Gaiola de Ouro", tal foi o preço de sua construção. 


Vista do Corcovado em 1951. Botafogo tinha poucos edifícios altos. Era o tempo das mansões.


A Presidente Vargas da Central à Candelária. 
 

A sala de controle do aeroporto Santos Dumont. Em 1951 tinha uma média diária de 80 pousos e 80 decolagens. 


Aspecto do eixo da Av. Rio Branco. Os edifícios altos se concentravam em suas laterais.

sábado, 17 de dezembro de 2022

DO FUNDO DO BAÚ - COMÉRCIO NAS CALÇADAS


Andam desaparecidas algumas figuras típicas de meados do século passado, que ocupavam as calçadas do Rio. Esta baiana ficou por muitos anos na Av. N.S. de Copacabana, quase esquina da Rua Constante Ramos, juntinho da loja "Ao Bicho da Seda". Na outra esquina ficava a famosa "Ducal".


Esta outra, com seu tabuleiro, acho que estava no Centro, perto do Passeio Público. Lembro com saudade de uma vendedora que ficava com seu cesto de vime nas imediações do Metro-Copacabana, vendendo maçãs caramelizadas. Não que apreciasse as maçãs, mas as achava bonitas.


Quem não lembra dos vendedores de laranjadas que usavam copos de papel dentro desses copinhos de alumínio? Este estava na antiga calçada da Praia de Copacabana (não achei uma ótima foto colorida de uma carrocinha de laranjada no Passeio Público).


Esta baiana, estupendamente colorizada pelo Nickolas, trabalhava na calçada da Rua Araujo Porto Alegre.


Como se tomava laranjada naquela época na rua.


No Centro a carrocinha da Kibon dividia espaço com a de mate. "Mate Gel" seria "mate gelado"?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

FACADA NO JBAN - ZEPPELIN


A foto, colorizada pelo Reinaldo Elias, mostra o Graf Zeppelin em 25 de maio de 1930, pousado no Rio.  Foi a primeira viagem entre a Alemanha, de onde decolou de Friedrichshafen no dia 18 de maio, e a América do Sul. Após pousar em Recife no dia 21, chegou ao Rio no dia 25, onde pousou no Campo dos Afonsos. Os alemães construíram o campo de pouso de 80 mil metros quadrados em Santa Cruz, onde edificaram um hangar de 270 metros de comprimento, cinquenta de altura e outros cinquenta de largura. Recebeu o nome de aeroporto Bartolomeu de Gusmão, atual Base Aérea de Santa Cruz. No local instalaram-se, ainda, uma fábrica de hidrogênio para abastecer os dirigíveis e uma linha ferroviária, ligando-o à estação D. Pedro II.

Passagem da viagem, em um Zeppelin, feita em 1933 pelo Sr. William Nordschild, proprietário da famosa “Casa Moderna”, situada na Rua Tonelero nº 138, obra do arquiteto Gregori Warchavchik.


Foto enviada pela Cristina Pedroso. O Zeppelin está nas imediações do Mercado Municipal da Praça XV. A cúpula parece ser a da Estação das Barcas. Vemos os seguintes anúncios: "Empréstimos a juros", "Chopp da Brahma", "Cerveja Fidalga Malzbier" e "Brahma Porter". 

Foto do livro “O Rio pelo alto”. O Zeppelin na altura da Pedra do Inhangá, em Copacabana.

Esse aí é o Graf Zeppelin - LZ127. Ele é mais alongado, a cauda termina em ponta e a gôndola abriga a cabine de comando e de passageiros. As chegadas do Zeppelin eram um acontecimento e tanto.

Zeppelin na Praia do Flamengo. O edifício da direita, o que se situa na esquina com Correia Dutra, acho que foi o primeiro edifício a ser construído na Praia do Flamengo. O edifício da esquerda parece ser o Ed. Seabra, vulgo Dakotta.

E terminamos com belas fotos coloridas do interior do Zeppelin, garimpadas pelo desaparecido Derani (provavelmente está no Catar assistindo à Copa do Mundo).





Para os interessados: O Zeppelin tinha 213 m de comprimento, 5 motores, transportava 24 passageiros e cerca de 45 tripulantes e um volume de 105.000 m³, sendo o maior dirigível da história até a data de sua construção em 1928. Sua estrutura era baseada numa carcaça de alumínio, revestida por uma tela recoberta por lona de algodão, pintada com tinta prata, para absorver o calor. Dentro dela, existiam 60 pequenos balões inflados com gás hidrogênio, juntamente com os seus 5 motores Maybach, com 12 cilindros, desenvolvendo até 550 HP (máximo) cada, alimentados com um combustível leve, o Blau Gas e gasolina, que o mantinham no ar, a uma velocidade de até 128 km por hora. Tinha capacidade de carga para até 62 toneladas.

Quem observava de fora a silhueta elegante e inconfundível do Graf Zeppelin, não imaginava o conforto que a gôndola proporcionava para os passageiros. Possuía banheiros, sala de jantar e estar, cozinha, e salas de rádio e navegação. O Graf Zeppelin, contava ainda com 10 camarotes, com dois beliches cada um, que confirmavam a fama de "hotel voador". A passagem, na época, custava 6.590 réis. Não era permitido fumar a bordo durante toda a viagem. Era verificado no embarque se nenhum passageiro portava isqueiros ou fósforos.

Os números da obra para a construção do aeroporto em uma área de cerca de 80.000 m², doada pelo Ministério da Agricultura, no bairro de Santa Cruz, eram faraônicas: o hangar, assentado sobre 560 estacas de sustentação, media 270 m de comprimento e tinha 52 m de largura interna, todo ele construído com peças de aço trazidas semiprontas por navio desde a Alemanha. O vão livre central tinha 70 m. Os portões, em ambas as extremidades, eram constituídos de duas folhas. O portão principal, no setor Sul, podia ser aberto em apenas seis minutos, com o auxílio de motores elétricos. Tudo isso já estimando a sua utilização para a operação do Hindenburg D-LZ129, de dimensões ainda mais extravagantes do que as do já extraordinário Graf Zeppelin.

Cerca de 5.000 homens trabalharam alternadamente na construção do complexo aeroviário do hangar. Um terço da mão de obra era de origem alemã. O brasileiro Augusto Mouzinho Filho, que esteve presente desde o início das obras e durante todo o tempo em que o Zeppelin frequentou o Brasil, contava que a Luftschiffbau Zeppelin pagava um tostão para cada metro quadrado do terreno e 16 contos de réis para cada viagem que realizasse para o Rio. Uma espécie de taxa de utilização do aeroporto, estipulada de "pai para filho", e que servia para amortizar os 30.000 contos de réis que o governo havia adiantado à própria empresa, encarregada ela mesma de construir o hangar via Companhia Construtora Nacional Condor.
 As novas instalações previam ainda a construção de uma usina com capacidade de produzir 3.000 m³ de hidrogênio por dia, além de depósitos de gasolina e óleo, mastro de amarração e outras instalações. No ano seguinte, graças aos recursos financeiros liberados pelo governo brasileiro, somados à preciosa tecnologia alemã, o Aeroporto Bartolomeu de Gusmão, como seria batizado, em Santa Cruz, estava praticamente concluído. No momento do pouso, mais de uma centena de homens postavam-se disciplinadamente espalhados pelo terreno, aguardando ansiosamente pelo momento em que os cabos de bordo fossem lançados. A proa era então atracada a uma torre de amarração telescópica de até 21,5 m de altura e a popa era engatada em um carro gôndola, que trazia o dirigível para o interior do hangar, onde então os passageiros podiam desembarcar em total segurança.

Original: http://aeromagazine.uol.com.br/artigo/a-memoravel-passagem-do-zeppelin-pelo-brasil_737.html#ixzz4VudeFkqf 
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