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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

ALTO DA BOA VISTA - AV. EDISON PASSOS

As fotos de hoje mostram a Av. Edison Passos, antiga Estrada Nova da Tijuca. Quando o Prefeito Henrique Dodsworth resolveu melhorar o seu calçamento e retificar o traçado em alguns pontos, impôs-se a necessidade de ampliar o plano inicial, surgindo uma via completamente nova, construída em ótimas condições técnicas. Um dos grandes responsáveis por sua construção foi Edison Passos, então Secretário de Viação.


 Foto enviada pelo prezado Carlos Paiva. O nome da praça é?

Esta fotografia, de 1959, foi enviada pelo Pfau, a quem o "Saudades do Rio" agradece. Vemos, talvez, um Hudson e uma caminhonete Dodge. 

Conta nosso prezado Menezes; "Quando aqui cheguei em 1956, nos instalamos na Usina da Tijuca que, acostumado ao sertão nordestino, foi um paraíso. Clima ótimo, pássaros cantando pela manhã e um cheiro de fumo no ar - a fábrica Souza Cruz de cigarros era pertinho. O cheiro não incomodava, pois não era de fumaça mas sim de fumo curtido. 

Mas o bom mesmo era que nos finais de semana meu pai nos levava no bonde "Alto da Boa Vista" até este local da foto. Lembro-me bem. Minha mãe trazia uma toalha, comida, doces, etc. e ficávamos até o final da tarde brincando. Tudo sem medo."


Esta fotografia, de 1966,  mostra o bonde modelo "Rita Pavone", da linha do Alto da Boa Vista.Foi assim apelidado em homenagem à cantora italiana que fazia grande sucesso na época. Este tipo de bonde rodou apenas na linha Alto da Boa Vista, entre 1965 e 1967. Eram fechados nas laterais, com disposição interna semelhante aos ônibus e ostentavam duas portas (entrada e saída). A linha de bondes "Alto da Boa Vista" fazia o trajeto Praça da Bandeira, Mariz e Barros, São Francisco Xavier, Largo da Segunda-Feira, Conde de Bonfim, Praça Saenz Peña, Conde de Bonfim, Edson Passos, Estrada Velha da Tijuca, Mussu, Edison Passos, Praça Afonso Vizeu, Alto da Boa Vista. A fotografia foi enviada por Helio Ribeiro.

Foto do início da década de 40. Esta curva fechadíssima fica ao lado da antiga sede campestre do S.E.M.P.R.E., na mansão Rodrigo Octávio. 

Aí perto, nos idos dos 70, havia o chamado "Motel das Estrelas". O carro, talvez esteja esperando o reboque do Touring para terminar a descida.


Foto publicada pelo Tumminelli, do acervo de Beatriz Silvino. A família dela, no final dos 50, documentou um passeio pelo Alto da Boa Vista. O carro é um Mercury Convertible, six-passenger, 1950. Hoje em dia seria arriscadíssimo parar para uma foto assim.


Churrascaria Costa do Sol na Av. Edison Passos 4517, Alto da Boa Vista, telefone 268-8357, em foto dos anos 70. Lembram dela?

O anúncio, publicado no Guia Rex, dizia: "Churrascaria Costa do Sol, no melhor clima do Rio. Carne estabulada. Salões independentes para festividades, com capacidade para 1500 pessoas. O melhor churrasco do Rio - Música ao vivo. Estacionamento próprio."

Nos anos 80, virou o "Pub" Robin Hood. 


 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

CENTRO - BAR AMARELINHO


O Bar Amarelinho está na Praça Floriano Peixoto nº 55-B, Cinelândia, desde 1921. Foi muito frequentado por escritores e outros intelectuais nos seus dias de glória, da década de 30 à década de 60. À época, a Cinelândia, por abrigar teatros e cinemas que recebiam a elite carioca, era considerada “Broadway Brasileira”

O Amarelinho teve, entre seus fregueses, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Otto Lara Resende, Jorge de Lima, Lêdo Ivo, dezenas de artistas, entre outros. Durante o exílio no Brasil, era no Amarelinho que escrevia o francês George Bernanos.

Sob nova administração ainda resiste no mesmo local apesar da decadência da Cinelândia e de todo o Centro.


Em mais uma estupenda colorização do Nickolas Nogueira, em foto da Getty Images, voltamos aos tempos em que ir ao cinema na Cinelândia significava obrigatoriamente tomar um chope no Amarelinho. 

Destaque para o Dodge 52 conversível.

Um belo flagrante do Centro do Rio nos anos 60, enviado pelo prezado Carlos Paiva. Destaque para o letreiro do A-Doret. Aliás, a permanência do A-Doret por décadas no mesmo ponto difere  muito dos salões de beleza que abrem e fecham como chuvas de verão pela cidade atualmente. O Amarelinho sem os toldos de hoje era muito mais simpático. Aliás, a cidade mais aberta e virada para rua, como foi até a segunda metade dos anos 80 era muito mais agradável que a cidade cercada e gradeada de hoje.


Parecia até Paris. Tomar uma cerveja tendo defronte o Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes, a Biblioteca Nacional e, virando para o outro lado, o Palácio Monroe.


As saudosas cadeiras de vime, super confortáveis, em foto de Hans Mann. A página do jornal virada para a câmera nota-se a também saudosa página de turfe, numa época que este esporte lotava as tribunas do Jockey Club Brasileiro, no Jardim Botânico. As colunas de turfe de que mais sinto saudades são as do “Pangaré”, do gênio Haroldo Barbosa.

O Amarelinho lotado ainda com alguns engravatados típicos do final do século passado. Ja haviam desaparecido as cadeiras de vime.


Nesta foto de 1969 podemos ver que começam a aparecer pessoas sem terno no centro da cidade, mas ainda não aparecem os de bermuda e chinelo de dedo.


O Bar Amarelinho, por sua localização, foi muitas vezes testemunha e vítima de grandes manifestações populares na Cinelândia. Desde aos grandes espetáculos do Municipal, como comícios e protestos políticos.

Na foto vemos o bar fechado por conta das inúmeras manifestações do conturbado ano de 1968.

Mas não foi só neste ano que o Amarelinho frequentou as páginas policiais:

Em 30/08/1946 houve uma extraordinária revolta estudantil que, aos gritos de “Queremos 50% de abatimento nos cinemas” e de “Abaixo os ladrões”, promoveu-se um grande quebra-quebra por toda a cidade.

A primeira página do “Correio da Manhã”, do dia seguinte dizia: “Uma vastíssima desordem generalizada – A cidade teve ontem uma noite agitadíssima – Depredados quase todos os cinemas e numerosas casas comerciais do Centro, Zona Sul e Zona Norte – O Exército passou a fazer o policiamento, estando de prontidão todas as Forças Armadas – Numerosos feridos – Tiroteios na Cinelândia e nas proximidades da Polícia Central”.

De outra feita em 28/12/1963, um grupo de alunos do Colégio Pedro II, após festa de formatura no Teatro Municipal, promoveu um quebra-quebra no interior do Bar Amarelinho por se negar a pagar a conta.

Brigas, assassinatos, reuniões de bandidos, suicídios, estão entre outros episódios relatados nos jornais.

O Amarelinho também tinha um daqueles loucos de plantão, dos quais havia muitos pelo Rio antigamente. 

Em meados dos anos 60 o do Amarelinho era o “Bronca”, que além de guardador de carros estacionados defronte à “Gaiola de Ouro”, sempre com a Bíblia na mão, gritava para a clientela do Amarelinho: “Ímpios! Estão destruindo o mundo!”

Era o orador mais assíduo daquele trecho, embora nunca tenha entrado na Assembleia Legislativa. Usava vários anéis, uma bengala de metal e um relógio de bolso enorme.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - LOJAS

LOJAS ANTIGAS, por Helio Ribeiro

OBS: Esta foi a mais difícil postagem que já fiz, em virtude da escassez de dados confiáveis sobre as lojas e de fotos delas. Por exemplo: não consegui informações sobre "A Exposição", “Casa Mattos”, “Camisaria Progresso”,  “À Colegial” e por isso não as coloquei na postagem.

Nota do editor: como eu consegui alguma coisa, falo sobre estas lojas ao final.

As sucessivas recessões econômicas, a competição acirrada, a mudança nos hábitos e gostos do consumidor, as compras e fusões de empresas, o comércio online e outros fatores determinaram a extinção de muitas lojas famosas de antigamente. Hoje vamos relacionar algumas delas.

Os dados de inauguração e encerramento se referem às lojas da cidade do Rio de Janeiro, a menos que expressamente citado algo em contrário. Em alguns casos fica difícil determinar a data de encerramento, porque o processo se arrasta durante anos, com idas e vindas, até mesmo com reaberturas e reencerramentos.

1) Sears


Ramo: loja de departamentos

Inauguração: 1949

Encerramento: década de 1990, quando as lojas passaram a ser do Mappin ou de alguns shopping centers.

Comentários: A Sears, Roebuck and Company foi fundada em Chicago em 1886 (ou 1893, há controvérsias), pelos relojoeiros Richard Warren Sears e Alvah Curtis Roebuck. Foi a primeira loja de departamentos a vender por catálogo e a possuir quase tudo em suas lojas. Na década de 1960 tornou-se a maior varejista do mundo, sendo ultrapassada apenas em 1991 pela Walmart. No Brasil, usava o slogan "Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta" e foi líder de mercado até o início dos anos 1980.

2) Mesbla


Ramo: loja de departamentos

Inauguração: 1912, no número 83 da rua da Assembleia

Encerramento: faliu em julho de 1999. A loja-sede, no Passeio Público, fechou em 13 de agosto desse ano. A última loja a fechar foi a filial de Niterói, em 24 de agosto do mesmo ano. Houve uma tentativa abortada de reabertura em 2009/2010. Em 3 de maio de 2022 foi lançado o site Mesbla.com, numa outra tentativa de ressuscitar a empresa, agora com plataforma de marketplace, com 250 categorias de produtos.

Comentários: O nome é uma fusão de Mestre e Blatgé, empresa francesa que deu origem à filial brasileira, e foi escolhido num concurso interno realizado em 1939 e vencido por uma secretária do administrador da empresa na época. Nos anos 1980 tinha 180 pontos de venda e empregava 28 mil pessoas. Suas lojas raramente ocupavam menos de 3 mil metros quadrados. Em 1986 a revista Exame a considerou a melhor empresa do Brasil. O som do relógio da Mesbla Passeio, a cada quarto de hora e hora cheia, era famoso e chegava ao longe.

3) Casa Garson


OBS: As informações sobre a Casa Garson não são totalmente confiáveis.

Ramo: varejista de eletrodomésticos, móveis e discos

Inauguração: 1930

Encerramento: adquirida em 1995 pelas Casas Bahia

Comentários: O fundador se chamava Samuel Garson, que por coincidência era casado com uma prima da minha sogra. Inicialmente ele tinha um pequeno negócio de conserto de pianos. Empregou seu sobrinho Abraham Medina, ao qual ensinou o mister. Por volta de 1932, dado o sucesso de vários cantores, Abraham sugeriu ao tio investir na venda de aparelhos de rádio. E assim a Casa Garson progrediu. A empresa patrocinava cantores como Cauby Peixoto e Ângela Maria, além de programas de rádio e TV. Abraham Medina, então diretor da empresa, patrocinava na Rádio Nacional o programa dominical do cantor Francisco Alves, de quem era fã, e posteriormente abriu sua própria rede de lojas, a Rei da Voz, cujo nome era uma homenagem ao cantor. Com a morte de Samuel Garson, a empresa começou a definhar.

4) Rei da Voz


OBS: As informações sobre o Rei da Voz não são totalmente confiáveis.

Ramo: varejista de eletrodomésticos, principalmente discos, rádios e eletrolas

Inauguração: final da década de 1950

Encerramento: ?

Comentários: O fundador foi Abraham Medina, sobrinho de Samuel Garson, dono da Casa Garson. Medina fugiu de casa ainda adolescente, em virtude dos maus tratos recebidos da madrasta, e foi morar com o tio Samuel. Quando este fundou a Casa Garson, Medina tornou-se diretor. Ele patrocinava na Rádio Nacional o programa dominical do cantor Francisco Alves, de quem era fã, e posteriormente abriu sua própria rede de lojas, a Rei da Voz, cujo nome era uma homenagem ao cantor. O primeiro presidente da empresa foi Samuel Garson, que depois saiu da sociedade. Medina foi um dos criadores do famoso programa de TV Noite de Gala e patrocinou inúmeros shows e eventos na cidade. Seus filhos Rubem, Roberto e Ruy se tornaram empresários de sucesso em seus ramos. Roberto idealizou o primeiro Rock in Rio, em 1985.

5) Ducal


Ramo: roupas masculinas

Inauguração: 1950

Encerramento: 1986, já como Bemoreira-Ducal, criada em 1966

Comentários: O nome era a junção de "duas calças", pois a loja vendia uma segunda calça mais barata para quem comprasse um terno. O fundador foi José Vasconcelos de Carvalho, junto com dois primos. A empresa fez muito sucesso nas décadas de 1950 e 1960. A Ducal era um grande grupo empresarial, envolvendo fábrica de roupas, de eletrônicos, supermercado (Dado - o primeiro do gênero no Rio), varejo de utilidades domésticas, imobiliárias, serviços de banco de dados (Datamec), consultoria jurídica e de crédito, agência de publicidade e até galeria de arte (Petite Galerie). A derrocada ocorreu nos anos 1960, quando a inflação galopante começou a dar prejuízo à empresa, cujo sistema de crédito era de prestações fixas. Em 1966 juntou-se à empresa mineira de eletrodomésticos Bemoreira, mas a inflação continuou afetando os negócios e levou-a à falência.

A Ducal lançou mão de pessoas famosas em seus anúncios. Abaixo vemos Pelé divulgando a criação Sparta, em 1972.


6) Casa Tavares



Ramo: roupas masculinas

Inauguração: 1938

Encerramento: anos 1990

Comentários: A Sociedade era constituída pelos senhores. Orlando Tavares Ferreira, Oswaldo Tavares Ferreira e Alfredo Vaz de Carvalho. Os dois primeiros trabalhavam em alfaiatarias e o terceiro, com 18 anos, iniciou sua vida comercial na então primeira casa Tavares. A Organização possuía, além da loja da rua São José, a da rua Senador Dantas, inaugurada em 1943, a da Rua da Quitanda, e a de Copacabana, inaugurada em 1959 na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. O símbolo da empresa era o simpático cãozinho da raça terrier escocês. Ficou famosa a propaganda em que uma beldade puxando o cachorrinho pela coleira cruzava com um mancebo e este perguntava: "Qual é o telefone do cachorrinho?".

7) Casa Sloper


Ramo: (vide no item "Comentários", abaixo)

Inauguração: 1899

Encerramento: 2014 (?)

Comentários: Foi fundada em 1899 pelo inglês Henry Willmott Sloper, numa pequena loja de 30 metros quadrados na  Rua do Ouvidor. Com o tempo, expandiu-se para outros bairros e Estados. Oferecia uma diversidade de produtos: acessórios como cordões, pulseiras, anéis, cosméticos, vestuário feminino, masculino e infantil, roupa de cama e mesa, brinquedos, cristais e objetos de decoração. Um presente da Casa Sloper era sinônimo de bom gosto. As atendentes estavam sempre elegantes, com penteados impecáveis e uniformizadas, além de serem famosas por sua beleza e qualidade no atendimento. Com o tempo, perdeu espaço para lojas como as Americanas e Mesbla e no início dos anos 1990 iniciou sua derrocada.

8) LOBRÁS (Lojas Brasileiras)


Ramo: loja de departamentos

Inauguração: 1944

Encerramento: 29/07/1999 (parte da LOBRAS virou Marisa)

Comentários: Foi fundada por Adolfo Basbaum. Tinha com concorrente as Lojas Americanas, que atuavam no mesmo segmento de negócio. A família Goldfarb, dona das Lojas Marisa, comprou o controle acionário das Lojas Brasileiras em 1982. As duas marcas coexistiram até 1999, com a LOBRAS atuando como loja de departamentos e a Marisa no ramo de moda e roupa íntima feminina. Em 29 de julho de 1999 as Lojas Brasileiras encerraram as atividades, após uma série de prejuízos financeiros. Ao fechar, havia 63 filiais em vinte Estados. Parte das unidades das Lojas Brasileiras foi repassada à Marisa.

 9) Casa Cruz


Ramo: papelaria e livraria (livros didáticos)

Inauguração: 06/12/1893

Encerramento: 08/2017 (lojas físicas) e 2018 (lojas virtuais)

Comentários: Fundada por José Rodrigues da Cruz. A loja da rua Ramalho Ortigão sofreu ao longo dos anos diversos incêndios, o último em dezembro de 2007. Em 2001 foi criada a loja e site virtuais. Em agosto de 2017 todas as lojas físicas foram fechadas, mantendo apenas as virtuais, que por sua vez saíram do ar em 2018.

10) Ultralar


Ramo: inicialmente, venda de botijão GLP. Posteriormente, loja de departamentos.

Inauguração: 1956

Encerramento: 2000

Comentários: Fazia parte do grupo Ultragás e inicialmente vendia apenas botijões de gás GLP. Os negócios progrediram, tornou-se loja de departamentos e nos anos 1970 chegou a abrir em São Paulo um hipermercado, o Ultracenter, mais tarde comprado pelo Carrefour. Quando fechou, em 2000, a maioria das lojas foi comprada pelas Casas Bahia.

              ---------------  FIM  DA  POSTAGEM  ---------------

ADENDO DO SDR:

11) Camisaria Progresso


Ramo: loja de departamentos

Inauguração: última década do século XIX.

Encerramento: Depois do presidente Carlos Brandão que construiu o atual prédio, o negócio foi transferido para o comerciante José Tufick Simão, um forte atacadista e arrematador nos leilões da Alfândega do RJ e SP, que possuía um comércio de importação na Rua Gonçalves Ledo nº 57. Após a morte deste, em 1969, a presidência da Camisaria foi transferida para seu filho mais velho Tufy Simão Neto e seus irmãos que indenizaram integralmente todos os 80 ou 100 empregados, inclusive os mais antigos sendo a firma desativada “e não falida” e o ponto comercial negociado com Ban-tan Ramenzoni uma industria tradicional de chapéu que por algum motivo, decidiu montar uma filial aqui no Rio de Janeiro.

Comentários: Fabricante especial de roupas brancas para homens, senhoras e crianças, e importação direta das principais fábricas da Europa. Visitem as nossas grandes exposições. Praça Tiradentes nº 2-4, esquina da Rua da Carioca. Vendas a preços fixo. Telefone 1880.  Peçam nossos catálogos. Castro Lopes & Brandão. Em 1958 um grande incêndio atingiu a loja da foto, destruindo-a. Em seu lugar ficou um prédio muito feio.

12) À Colegial


Ramo: loja de trajes esportivos e uniformes escolares.

Inauguração: ?

Encerramento ?

Comentários: tradicional loja de uniformes escolares em meados do século XX, era concorrente de outra loja famosa “O Pavilhão”.

13) Casa Mattos


Ramo: livraria e material escolar

Inauguração: 1916

Encerramento ?

Comentários: Propriedade de Ferreira de Mattos & Cia. Ltda. Famosa pela venda de material escolar, a “Casa Mattos”, originalmente na Rua Ramalho Ortigão, tinha muitas filiais. Na foto vemos uma delas em frente à Praça General Osório, em Ipanema. Tempos depois a loja de Ipanema se mudou para o quarteirão seguinte, entre Teixeira de Melo e Farme de Amoedo. Denise e Zé Augusto Salinas, dos últimos donos, foram meus amigos.

14) A Exposição

Ramo: loja de departamentos

Inauguração: primeira metade do século XX.

Encerramento: ?

Comentários: A EXPOSIÇÃO foi fundada pelo cearense Lauro de Souza Carvalho. A foto é de 1971, de Gyorgy Szendrodi. O "slogan" era "Basta ser um rapaz direito para ter crédito na A  Exposição". Esquina de Avenida com São José.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

CINE PAISSANDU


O Cine Paissandu, localizado na Rua Senador Vergueiro nº 35-F tinha, originalmente, 742 lugares. Foi inaugurado em 15/12/1960 e funcionou até 15/04/1973.  Na noite de inauguração houve uma sessão beneficente patrocinada pela Sra. Carlos Lacerda, com renda para a Escola Pública do Estado da Guanabara.

Depois se transformou no Studio-Paissandu até 1984, Cinema Paissandu por alguns meses, Paissandu Nostalgia de 1985 a 1988, Cinema Paissandu de 1988 a 1989, Studio Paissandu por 6 meses, e a partir de abril de 1990 passou a se chamar Cinema de Arte Estação Paissandu. Acabou fechando as portas em 2008. Hoje em dia é a Academia Bluefit.

Conforme nos conta A. Gonzaga, em "Palácios & Poeiras", o Cine Paissandu "foi palco dos "filmes-cabeça" dos anos 60, designação que englobava tanto fitas comuns quanto obras com grandes pretensões estéticas, política e/ou sociológicas.

A mística do lugar surgiu em função dos frequentadores e da programação, pois o cinema nada tinha de especial. Criou-se, inclusive, um diferencial de comportamento, com as famosas sessões de meia-noite e os Festivais Brasileiro de Cinema Amador, mais conhecidos como Festivais JB-Mesbla. Virou emblema da geração que queria mudar o país e o mundo". 


O Cine Paissandu apresentava filmes como “O Demônio das Onze Horas”, de Godard, com Belmondo, e “Hiroshima, Mon Amour”, de Alain Resnais, com roteiro de Marguerite Duras.

 Eram famosas as sessões as sextas-feiras e sábados, tarde da noite, quando Godard era idolatrado por “Alphaville” ou “Le petit soldat”, Agnès Varda por “As duas faces da felicidade” ou “Cleo de 5 às 7”, Claude Chabrol por “A espiã de olhos de ouro contra o Dr. Kha”, entre outros.

Havia três tipos básicos de frequentadores do Paissandu: os intelectuais, os pseudo-intelectuais e os que iam porque estava na moda. 


Em promoção do MAM e do JB, “Os melhores de 1966”. Não consegui apurar quais foram os dez, mas entre eles estava “Caçada Humana”, de Arthur Penn, com Marlon Brando e Robert Redford, e "Viridiana", de Resnais.

Era habitual haver sessões especiais promovidas pela Cinemateca do MAM como, por exemplo, “Sabotage”, um clássico de Alfred Hitchcock, produzido em 1936. Nesta mesma sessão, de 07/01/1966, às 22h30, foi exibido o curta-metragem “The Builders”, de Hart Spraguer.


E do baú do Rouen sai esta foto mostrando estudantes em frente ao Cine Paissandu, tendo um belo Puma participando do encontro. Na esquina havia o Bar Cinerama, hoje Garota do Flamengo. Bem ao lado do cinema ficava a lanchonete Oklahoma, onde as discussões pós-filme se estendiam pela madrugada.  A Oklahoma tinha uma das piores pizzas do Rio, mas era a única coisa aberta na região após a meia-noite.

Em 1970, a revista Fatos&Fotos junto com a Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, exibiram no Cine Paissandu os melhores filmes da década. Foram eles: “Persona”, de Bergman, “Viridiana”,de Buñuel, “Blow-Up”, de Antonioni, “2001-Uma odisseia no espaço”, de Kubrick, “O homem que matou o facínora”, de Ford, “O silêncio”, de Bergman, “O evangelho segundo São Mateus”, de Pasolini, “Mouchette, a virgem possuída”, de Bresson, “A guerra acabou”, de Resnais, “Pierrot le fou”, de Godard, “Madre Joana dos Anjos” de Kaeslerowicz, “Playtime”, de Tati, “Acossado”, de Godard, “Deus e o Diabo na terá do sol (Glauber), “O ano passado em Marienbad”, de Resnais, “Hiroshima, meu amor”, de Resnais, “A aventura”, de Antonioni.

Fui a quase todos, uma parte porque me interessava, outra parte (que achei chatíssima) por conta de uma namorada que estudava Psicologia na PUC e me arrastava com ela. Era adepta de Carl Rogers, me fez ler "Tornar-se pessoa", baseado na consideração positiva incondicional, empatia e congruência. Em tempo: a namorada era muito bonitinha.



  • Em cartaz no Cine Paissandu o documentário “Histórias de uma geração”, de Christian Jafas.

  • O Paissandu tinha de diferente, além da programação e clientela, um bar interno, com janelões para a platéia. Perdia em qualidade do som e da imagem, mas era disputadíssimo, pelo simples fato que podia se fumar neste salão anexo. E como se fumava! De tudo. 


  • Depois do filme todos iam para o chope no Bar Cinerama, vizinho ao cinema, ou para a Oklahoma comer pizza, onde ficavam madrugada adentro.

  • Um antigo comentarista do “SDR” escreveu sobre a turma do Paissandu: “Esquerda festiva foi um apelido pejorativo inventado por quem não gostava nadinha nem da esquerda, nem de festas. Aqueles que como eu, eram jovens naquela época, hão de concordar que a alternativa (a direita que não ia a festas) devia ser muito pior."

  •  

  • Baluarte da contracultura durante o regime militar, o cinema formou, nos anos 1960, a Geração Paissandu, rótulo que agrupava jovens cinéfilos e intelectuais de esquerda incapazes de perder os longas de Jean-Luc Godard, Louis Malle, Michelangelo Antonioni, François Truffaut e outros cineastas autorais. Era moda naquela época ser sócio da Cinemateca do MAM e ter assinatura dos "Cahiers du Cinéma".

  • Em 1973, com dificuldades, passou a se chamar Studio Paissandu. A foto é de 1982. No final dos anos 80, tornou-se o Paissandu Nostalgia, que tinha a proposta de exibir clássicos do cinema, e finalmente foi comprado pelo Grupo Estação, passando a se chamar Estação Paissandu. Entre uma e outra fase chegou a deixar de lado o perfil alternativo, o mais marcante quando ainda se chamava "Nostalgia" enquanto exibia filmes atuais.

  • O letreiro acompanhou as mudanças: o painel convencional mostrado passou a ser um letreiro laranja na época do Studio, substituído na época do Nostalgia por um grande painel com os logotipos dos estúdios de Hollywood em neon. Depois ficou sem qualquer painel, em seu lugar foi tomado pelo letreiro do restaurante Oklahoma, no lugar desde 1961, e o que era uma simples lanchonete ampliou seus domínios sobre a calçada. 


  • Cinema Studio-Paissandu exibindo o filme “O Picolino”, de 1935, com Fred Astaire e Ginger Rogers.

  • Vemos a lanchonete Oklahoma e o Lanches Saint-Tropez, junto à entrada do Paissandu. Mais à frente, na esquina, ficava o bar/restaurante Cinerama, onde hoje é a "Garota do Flamengo".  


  • Esta imagem do Google Maps mostra a região atualmente. O Oklahoma avançou sobre a calçada. Ao lado, a Academia de Ginástica Bluefit tomou o lugar do antigo Cine Paissandu.

  • Depois de 48 anos, de 1960 a 2008, o cinema foi o "point" desta região.