Total de visualizações de página

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

LEMBRANÇAS DO ROLAND

Nosso amigo suíço Roland Bangerter nos enviou mais uma série de itens que retratam algumas de suas visitas ao Rio, do tempo em que era comissário de bordo.

Aspecto da Av. Atlântica em 1988 no trecho em frente ao Restaurante OK, na vizinhança da Praça do Lido.

Notar que havia mais árvores na areia, ainda não existia a ciclovia (cujo espaço era ocupado por um estacionamento) e os automóveis fugiam das cores atuais (preto, cinza e azul).


O Roland tinha cartão de fidelidade da Churrascaria Jardim, na República do Peru. A época é o ano de 1988.

O texto significa "Jantar na ..."

O Praia Lido Hotel, em 1999, onde suponho que o Roland se hospedou, ficava na Av. N. S. de Copacabana nº 202, pertinho da Praça do Lido. Atualmente há um Praia Lido Hotel na Rua Ronald de Carvalho.

Este guia com endereços dos anos 70 merecem muitos comentários.

O ALCAZAR foi onde o Conde di Lido, mancomunado com o Tumminelli, organizou um chope catastrófico do grupo. Menos de um real cada bolinho. Nada deu certo. 

O ALVARO´S no Leblon continua com sempre: há décadas seus pastéis e chopes, bem como seu polvo, estão excelentes.

O ANTONINO na Lagoa, com  piano do Zé Maria e o restaurante no 2º andar, brilharam por anos. Até a nova geração, como o GMA conheceu.

O ARISTON, na Santa Clara, fazia seu sucesso. Acho que o Mário era frequentador.

O BONINO´S e a CANTINA VENEZIANA não conheci.

O CABRAL 1500 era "turistão", a ser evitado pelos cariocas.

O MANOLO´S BAR, na quadra do cinema Leblon, era tipo o "Alvaro´s".

A PLATAFORMA deixo para o GMA comentar.

CIRANDINHA fica para o Menezes contar as travessuras do menino Decourt por lá. Ambos foram grandes fregueses.

O CESARE podia ser uma boa alternativa na saída de uma sessão do cinema Caruso, mas perdia para o LOPES.

AROSA acho que fechou, não tenho certeza, na Santa Clara.

O LE COIN era imperdível para um uísque (o Conde) ou um chope (demais mortais).

O MONTECARLO era um restaurante excepcional.

O NINO na Domingos Ferreira, esquina com Bolivar, era mais classudo.

Este PRÍNCIPE da Av. Atlântica seria o "Rei das Peixadas"?

O CASTELO DA LAGOA era muito bom. Certa vez cruzei com um famoso frei aos beijos com a namorada. Foi constrangedor. Tinha também apresentações de músicas bem maneiras.

Na DESGARRADA ouvia-se um bom fado.

A ADEGA DO BOCAGE, olhem só que coincidência, era o restaurante que ontem eu procurava o nome e onde comia o "Filé à Nicole".

A MAJÓRICA, até hoje. é o reduto do Menezes. Continua com boa carne.

Entre as "steak houses" é citado o "ADEGÃO PORTUGUÊS", um ícone da comida portuguesa até hoje, no Campo de São Cristóvão.

Bars e Night-Clubs deixo para o Conde di Lido comentar por ser frequentador de todas (de todos os níveis). Das mais badaladas aos piores "inferninhos", é ele quem pode dar aulas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

AV. ATAULFO DE PAIVA

 


Foto de Malta. Coleção Brascan. Acervo Instituto Moreira Sales. O Leblon em 1919. A praia do Leblon foi assim batizada em memória do nobre francês Emmanuel Hippolyte Charles Toussiant le Blon de Meyrach, conhecido como Carlos Leblon, proprietário de uma grande área na região entre o canal da Visconde de Albuquerque, Avenida Ataulfo de Paiva, Rua General Urquiza e o mar. A Praia do Leblon fica entre o canal do Jardim de Alá e o início da Avenida Niemeyer.

No final da década de 1910, coincidindo com as obras de Paulo de Frontin e Carlos Sampaio na Lagoa, surgiu a Companhia Industrial da Gávea, dos engenheiros Adolfo del Vecchio, José Ludolf e Miguel Braga, que abriu a Praça Dr. Frontin (hoje Praça Antero de Quental), modernizada pelo Prefeito Dodsworth anos depois, e a Av. Ataulfo de Paiva. Esta avenida começa na Av. Epitácio Pessoa e termina na Praça Professor Azevedo Sodré. Decreto 1380, de 25/7/1919.

Até cerca de 1940 os edifícios de lojas e apartamentos eram raros no Leblon. Os católicos só tinham a igreja de N.S. da Paz, em Ipanema, quando, como veremos adiante, chegaram os padres agostinhos e ergueram a igreja de Santa Mônica, tendo ao lado o Colégio Santo Agostinho.

Não havia ligação entre o Leblon e Ipanema, separadas pela barra da Lagoa. Só a partir de 1918, quando foi construída a ponte sobre o canal do Jardim de Alá, é que o acesso se abriu, ligando as avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira. O bonde da linha Jardim Botânico passou então a incluir Ipanema no trajeto, depois de passar por Gávea e Leblon, chegando ao Bar 20, em Ipanema.


Foto (talvez) de José Medeiros. Acredito que a foto é dos anos 40, pois a ponte entre a Ataulfo de Paiva e a Visconde de Pirajá, construída em 1938, já está lá.

Raríssimos prédios no Leblon, vendo-se bem a Av. Ataulfo de Paiva.


Esta fotografia mostra a antiga igreja de Santa Mônica, no Leblon, na Rua José Linhares, hoje substituída por uma mais modernosa. A rua em primeiro plano, com os trilhos dos bondes, é a Ataulfo de Paiva. A primeira igreja construída ficava na esquina da Ataulfo de Paiva com José Linhares. Posteriormente, reconstruída, a sua entrada frontal passou a ser pela José Linhares (o endereço atual é José Linhares nº 96). Na Ataulfo de Paiva há o prédio da Paróquia, usado para assuntos paroquiais e para fins comerciais. Esse prédio tem como endereço Ataulfo de Paiva nº 527.

Conta o Frei Enrique González O.A.R. que na década de 1930 os Agostinianos Recoletos adquiriram uma casa localizada na Rua Acaraí (atual Rua José Linhares), no Leblon, para ali construírem sua capela. No dia 20 de junho de 1931 deu-se a inauguração solene, com a celebração da primeira missa. Em 1942, face à necessidade de mais espaço para as atividades que ali seriam desenvolvidas, se começa a construir uma nova residência. Entretanto, mesmo com esta ampliação, a capela era pequena para um Leblon que crescia cada vez mais. Assim, em 1º de abril de 1962 é colocada a primeira pedra da nova igreja, numa cerimônia presidida pelo Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. 

A igreja foi construída em duas etapas para que não fosse interrompido o funcionamento do culto. Em meados de 1967 já se usava o presbitério e uma pequena parte do corpo da igreja. Em 1969 era aberta a segunda parte: a igreja estava completa nas suas dimensões planejadas, 46 metros de comprimento e 24 de largura. 


O Cinema Leblon, na Avenida Ataulfo de Paiva nº 391, foi inaugurado em 29/09/1951 e funcionou até 30/09/1975, quando foi substituído pelo Leblon 1 e Leblon 2. Hoje em dia, retrofitado, abriga uma loja de artigos esportivos. Chegou a ter 1294 lugares, em dois andares. Era um dos mais agradáveis cinemas da Zona Sul, sendo excelente programa assistir a um filme e, depois, bebericar em algum dos inúmeros bares da vizinhança.


Segundo o “Estado de Minas”, o filme em preto e branco é de 1949 e se passa em uma Viena desfigurada pela Segunda Guerra Mundial e se apoia na fama de Orson Welles, um dos nomes do elenco.

"O Terceiro Homem" fez sucesso no pós-guerra e recebeu a Palma de Ouro em Cannes, além do Oscar de fotografia. Em poucos anos se tornou uma obra reverenciada pelos cinéfilos.

A trilha sonora do longa-metragem, composta pelo vienense Anton Karas e quase integralmente interpretada com cítaras, vendeu dois milhões de discos em todo o mundo.

Orson Welles interpreta Harry Lime, um traficante perseguido pela polícia. Ele aparece apenas no fim do filme, depois de uma complexa investigação feita por Holly Martins (o ator americano Joseph Cotten), que viaja à Áustria para tentar encontrar o velho amigo.


Vemos um bonde trafegando pela Av. Ataulfo de Paiva, em frente à Praça Antero de Quental.

A foto, da Agência O Globo, foi conseguida na Internet. O curioso é o modo como o ciclista resolver tirar uma soneca sob o olhar da criança. O ciclista inventou um modelo bastante efetivo de tranca de bicicleta.



Vemos o supermercado Disco nº 2, na esquina das ruas João Lira e Ataulfo de Paiva. O Disco nº 1 ficava na  Rua Siqueira Campos esquina com Silva Castro, em Copacabana.  Inaugurado em 1954

Segundo um ilustre comentarista do "Saudades do Rio", presente na comemoração no "Degrau", antigo morador do Leblon, "A garotada da minha rua, a General Artigas,  ia no Disco roubar chocolates colocando-os dentro dos bolsos das bermudas, até que um dia um amigo foi pego pelo segurança e nunca mais fizemos aquela arte."


O ano é 1969, atestado pelo letreiro do Cinema Leblon, onde passava o filme “Se Meu Fusca Falasse", sucesso naquele ano. Podemos ver que a rua não era mais mão-dupla e que os trilhos do bonde e os paralelepípedos já haviam sido cobertos com uma camada de asfalto.

Alguns prédios continuam até hoje no local, como o da esquina oposta ao cinema, onde hoje reina o Bar Clipper, reduto dos boêmios de plantão. Rurais, fuscas, corcéis, Zés do Caixão completam o cenário da época. Vale notar o belo mosaico de pedras portuguesas.

Foto do acervo de J.G. Pedrosa. 


A foto é dos anos 70 quando o cinema Leblon estava sendo duplicado. Aparentemente o Leblon 1 foi inaugurado antes do Leblon 2. 

O filme em cartaz "A vingança de milady" tinha um elenco com muita gente conhecida como Charlton Heston, Raquel Welch, Cristopher Lee, Richard Chamberlain, Faye Dunaway, Geraldine Chaplin, Michael Yord, Oliver Reed, com direção de Richard Lester.


Nesta foto vemos um aspecto a Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, em 1958. A ponte que une Ipanema e Leblon, ligando a Avenida Ataulfo de Paiva à Rua Visconde de Pirajá, só foi construída em 1938. Na época da foto o tráfego na Ataulfo era em mão-dupla, aí incluído os bondes. Até o final da década de 60 havia pouco tráfego, a avenida era calçada com paralelepípedos e havia pouca sombra. O trecho é o do quarteirão do cinema Leblon.

Estacionado, enquanto o seu proprietário foi comprar papel almaço sem pauta na Papelaria Leblon Ltda., vemos um belo Citroën modelo 11Bl, e ao fundo os prédios do Conjunto dos Jornalistas.

Paradoxalmente, as mudanças até que não foram muitas, mas bem significativas. As construções baixas na esquina da rua Almirante Guilhem deram lugar ao imenso Rio Design Center, um dos maiores prédios do bairro, e no mesmo quarteirão vários outros grandes prédios comerciais foram erguidos desde os anos 70. 

O aspecto atual da rua foi criado no Rio Cidade, que implementou as jardineiras.

Esta antiga foto da Av. Ataulfo de Paiva me parece ser da esquina da Cupertino Durão.


A foto, mais uma do acervo do F. Patrício, mostra uma das fronteiras entre Ipanema e Leblon, no Jardim de Alá, estando o fotógrafo na ponte que liga a Avenida Ataulfo de Paiva com a Rua Visconde de Pirajá. Esta ponte é de 1938.

Bem à esquerda há um Fusca, depois uma Brasília, um táxi “Zé do Caixão” e um Corcel. Ao fundo há um caminhão das Casas da Banha. Para gáudio do Decourt duas luminárias Thompson resistiam bravamente à modernização do local naquela época.

Os três grandes prédios, com 15 andares cada e com 420 unidades formam o “Conjunto dos Jornalistas”, na Avenida Ataulfo de Paiva nº 50, construído pelo IPASE (ou foi pelo IAPC?) na década de 50 do século passado.  Durante muitos anos este conjunto, habitado por gente da classe média, conviveu tranquilamente com os ex-favelados oriundos da Favela da Praia do Pinto e que moravam na Cruzada São Sebastião, construída a seu lado. Em anos mais recentes, tal como aconteceu com toda a cidade, a violência urbana levou à construção de grades, acabando com a passagem de pedestres existentes na época da foto. Acabamos todos por viver atrás das grades.

O terreno existente antes da construção dos três prédios abrigava circos que faziam temporada no Rio e servia também de abrigo para cavalos e bodes que divertiam as crianças no Jardim de Alá. Em frente aos prédios ficava o Hotel Ipanema onde se hospedou o nosso prezado Rouen ao chegar da França.

Sempre tive vontade de publicar esta foto do acervo da Myrian Gewerc, garimpada pelo Decourt. Vemos o Leblon nos anos 50. Como conta o Andre Decourt, "Estamos na Av. Ataulfo de Paiva, praticamente em seu final, a primeira esquina que vemos é a da Rua General Artigas. Podemos observar um bairro praticamente horizontal, tranquilo e despretensioso, praticamente o final da cidade na época, quase uma cidade do interior.

Seria impensável nos dias de hoje a rua totalmente vazia, revestida de paralelepípedos, com calçadas ainda na terra e com residências de grandes quintais, sobrados comerciais e prédios espaçados e em grande parte com poucos pavimentos. O grande terreno ajardinado deu lugar no meio dos anos 70 a um dos grandes prédios comerciais com galerias do bairro, o Vitrine do Leblon. Já o pequeno sobrado comercial que vemos bem na esquina sobrevive até hoje, sem seus ornamentos art-déco e revestido de pastilhas, resultado de alguma reforma nos anos 60 ou 70.

O prédio de onde esta foto foi tirada, ainda existe, sendo possivelmente o que fica ao lado da Padaria Rio-Lisboa e que abriga o Talho Capixaba.

Mais à frente, após a esquina da Rua Rainha Guilhermina, o grande prédio existe até hoje, um dos pioneiros no bairro com a típica arquitetura dos bons prédios da década de 50, que é o nº 1.165.”

Leonel Salgueiro confirma a década da foto, “pois o prédio de número 1.165, foi uma incorporação feita pelo meu Pai, Leonel Nunes Salgueiro, mais o seu irmão José e outros dois sócios em 1949, sendo o 1° prédio de 8 andares do Leblon. Minha Mãe morou nele, exatamente 60 anos, de 1951, quando ficou pronto, até 2011 quando foi vendido. Acrescenta o Leonel que a casa na esquina da Rainha Guilhermina, era do Dermatologista Antar Padilha Gonçalves, colonial amarela e branca ficando ao lado da grande casa dos seus pais onde aparecem as árvores, o Sr. Manoel Gonçalves e a Dona Celina Padilha, onde hoje é a Vitrine do Leblon. No primeiro prédio de 2 andares, que ficava na esquina da General Artigas, era o da antiga sede dos Correios do Leblon”.

Continua o Decourt: “Vemos o típico urbanismo das avenidas onde passava o bonde durante as reformas viárias de Henrique Dodsworth, luminárias pendentes no centro da via, no lugar dos postes de iluminação nos canteiros centrais ou dos postes padrão Light junto as calçadas, árvores que parecem ser cássias como as que arborizavam a Visconde de Pirajá e a Av. Copacabana e que foram sendo dizimadas pela poluição dos veículos a partir dos anos 50. Um detalhe interessante é que não vemos postes de ferro fundido, todos na imagem são de concreto armado, o que atesta a agressividade da maresia que, sem a barreira de prédios, penetrava profundamente bairro a dentro.”

Depois da aula do Decourt, um comentário meu: Este era o Leblon da minha adolescência. Por aí passavam os bondes 12 (Leblon), 21 (Circular) e uma outra linha que ligava o Leblon ao Jardim Botânico. Perto daí ficava o simpaticíssimo cinema Miramar (inesquecível o final de cada sessão quando as portas se abriam para a Praia do Leblon e seu fabuloso cenário). Nesta quadra, à direita, ficava o consultório do Dr. Helio Mauricio, grande amigo do “velho”, cirurgião-geral e presidente do Flamengo. Logo ali adiante o desaparecido Colégio St. Patrick´s (na esquina da Rainha Guilhermina). Na outra esquina, a da Aristides Espínola, o triângulo da boemia da época (anos 60) com o Real Astória, a Pizzaria Guanabara e o “nosso” Portinho (Café e Bar Porto do Mar) que há tempos se sofisticou e virou o Diagonal.


Esta foto do famoso Luna Bar serve para ilustrar a notável quantidade de bares e restaurantes do Leblon boêmio.

Ainda hoje persiste esta fama tanto na Ataulfo de Paiva como, principalmente, na Dias Ferreira. Isto sem falar nas ruas perpendiculares à Ataulfo.

O da minha juventude era o "Café e Bar Porto do Mar", por nós carinhosamente chamado de "Portinho", onde tínhamos mesa cativa, sempre atendidos pelo saudoso Martinez. Era aquele garçon dos tempos antigos, que anotava nossos recados, informava quem já tinha vindo e ido embora, quem ainda era esperado. Chope e pizza, que dava de 10 x 0 no vizinho de esquina, a Pizzaria Guanabara.

Como em certa época o Real Astória, o "RA", passou a fazer muito sucesso, o "Portinho" mudou de nome para "Diagonal" e está lá até hoje, mas sem o charme daquela época.

No Real Astória havia, anexo, um barzinho chamado "Balacobar", onde o pianista Luís Reis, o "Cabeleira", se apresentava.

Os frequentadores do Leblon, comentaristas do "Saudades do Rio", poderão descrever seus casos e "causos" na Pizzaria Guanabara, no Diagonal, no Real Astória, no Clipper, no Jobi, no Luna, no Look (no 900), no Le Coin (no 658), no Mario´s, no Recreio do Leblon, no Degrau, no Manolo, no Antonino (que funcionou no nº 528), até no Garcia e Rodrigues (que tinha a melhor baguete do Rio) e em tantos outros (mas só vale se o endereço for Ataulfo de Paiva).


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

ONDE É?

O "Onde é?" de hoje contou com a colaboração de diversos comentaristas do "Saudades do Rio". Agradeço a todos.


FOTO 1 (Arquivo Nacional)


FOTO 2 (Arquivo Nacional)


FOTO 3 (Arquivo Nacional)


FOTO 4 (enviada pelo Nickolas)


FOTO 5 (Arquivo Nacional)


FOTO 6 (enviada pelo Joel Almeida)


FOTO 7 (enviada pelo Vinicius)


FOTO 8 (Enviada pelo Nickolas)


FOTO 9 (acervo O Globo)


FOTO 10 (Facebook Rio Antigo)


FOTO 11 (Enviada pelo Nickolas)



segunda-feira, 30 de outubro de 2023

TV RIO


FOTO 1: foto de Georgy Szendrodi, 1971. O logotipo da TV RIO aparece em dezenas de fotos antigas de Copacabana.

A TV RIO começou suas transmissões no Rio em meados dos anos 1950, vindo a se juntar à TV TUPI, até então única. Instalou-se no prédio que ficava na esquina da Av. Atlântica com a Rua Francisco Otaviano.

A primeira ocupação deste local foi com a famosa casa de Mère Louise. Depois foi construído, no lugar do cabaré, o prédio do Cassino Atlântico, que foi o que a TV RIO ocupou.

Uma informação que poucos sabem é que, durante algum tempo, antes da TV RIO ali se instalar, funcionou uma sede da AABB neste endereço.

Depois da TV RIO um novo prédio foi construído onde se instalaram os hotéis Rio Palace, depois Sofitel e agora Fairmont.

FOTO 2: Lá no fundo vemos o logotipo da TV RIO, em foto garimpada pelo Nickolas. Nos primeiros tempos era complicado assistir TV. Desde a instalação da antena para capturar o sinal (Copacabana, por exemplo, tinha muita dificuldade face ao Morro dos Cabritos), até à qualidade dos aparelhos. Havia que controlar o "vertical" (imagens correndo para baixo), o "horizontal" (imagens todas tremida), ver através dos "chuviscos" que apareciam na tela.


FOTO 3: Antes do aparecimento do video-tape todos os programas eram "ao vivo", muitos deles com plateia no auditório. Os imprevistos aconteciam para "delírio" dos espectadores e preocupação para os envolvidos. Às vezes havia um problema no cenário e os apresentadores de comerciais tinham que se virar, no ar, para dar tempo de consertarem.

Dentre os programas ao vivo é possível citar alguns de grande sucesso, como o TV RIO RING, com Teti Alfonso, Luiz Mendes e Leo Batista. 

O "Noites Cariocas", às sextas-feiras, com dezenas de comediantes e vedetes como Lady Hilda, Rose Rondelli, Sandra Sandré, Celia Coutinho e tantas outras. 

A "Buzina do Chacrinha", o "O riso é o limite" (com Jorge "Zé Bonitinho" Loredo, Vagareza e Siwa, Walter e Ema Dávila, Nair Belo, Nancy Wanderley), o "J. Silvestre ... Milhões" cuja primeira parte era o "Biscoitestes Duchen", onde havia seis vedetes, cada uma com uma camiseta que tinha uma das letras da marca estampada na frente (a letra "N" era a Sonia Muller, que tinha um charme especial). Alguém lembra das vedetes das outras letras?

O "Hoje é dia de rock" (aos domingos, com o Jair Taumaturgo), "Rio Hit Parade" com Murilo Néri, "Praça da Alegria" com Manoel de Nóbrega e milhares de outros como "Noite de Gala".

Um grande destaque da TV RIO foi o João Roberto Kelly e seus programas musicais.

FOTO 4: A TV Rio tinha algumas séries fantásticas, como “Peter Gunn” de Blake Edwards, com Craig Stevens, “Os Intocáveis” com Robert Stack como Elliot Ness, “Bat Masterson” com Gene Barry, “Combate” com Vic Morrow. “Aventuras Submarinas” com Lloyd Bridges, “Paladino do Oeste” com Richard Boone, “Jet Jackson”, “Além da Imaginação”, “Perry Mason”.

Contam que o Conde di Lido era fã da série “O irresistível Tab Hunter”, mas isto deve ser intriga da oposição. Para competir com o ótimo “Rin-Tin-Tin” do canal 6, o canal 13 exibia “Lassie”, que era menos interessante.


FOTO 5: O "Telejornal Pirelli", com Leo Batista e Heron Domingues era exibido às 19h55, cinco minutos antes do "rival" do canal 6, o "Repórter Esso" com Gontijo Teodoro.

Aos domingos a TV RIO exibia a inesquecível Grande Resenha Facit, a precursora das mesas-redondas esportivas, com o Luiz Mendes, Sandro Moreira, João Saldanha, Armando Nogueira, José Maria Scassa, Vitorino Vieira, Hans Henningsen, Nelson Rodrigues. Armando, Sandro e Saldanha eram os botafoguenses e davam um banho nos demais, sempre saindo vitoriosos nos debates. O único que lhes fazia frente era Nelson Rodrigues. Scassa e Vitorino, que teoricamente defendiam o Flamengo e o Vasco eram engolidos pelos outros. Hans era mais neutro e falava do futebol internacional.

Havia bons programas jornalísticos como o do Sargentelli e culturais como o Teleteatro com Sergio Britto.


FOTO 6, de Jean Manzon: Fazer uma transmissão externa na década de 50 tinha muitas dificuldades técnicas. A foto mostra a transmissão do Congresso Eucarístico Internacional de 1955. 

As senhoras de véu, exigência da Igreja Católica na época, se protegem do sol com uma daquelas sombrinhas japonesas que se abriam num movimento de 180º. Ao fundo destacam-se os luminosos da Esso, do Novo Mundo e do Mobiloil.


FOTO 7, da Última Hora: Aqui vemos uma câmera da TV RIO no Estádio de Remo da Lagoa transmitindo uma regata. A emissora dava grande apoio ao esporte. Chegou a transmitir, todos sábados à tarde, jogos do campeonato de futebol de praia (o verdadeiro, onze contra onze). Os jogos eram no campo do Maravilha, em frente ao Edifício Guarujá, na altura da Constante Ramos.

Lembro de uma transmissão interestadual que mostraria um jogo em Minas Gerais. Foram instalados uma série de transmissores pelo caminho, mas não havia como a imagem chegar, só o som. O locutor escalado era o Oduvaldo Cozzi, um mestre da transmissão esportiva, que tinha um vocabulário rebuscado. Como a imagem não chegava Cozzi ficou enchendo linguiça por muito tempo, enquanto a imagem era o símbolo da emissora. Às tantas, lembrou-se de uma antiga lenda Tupi e numa licença poética saiu-se com: "E por que chora a Mantiqueira? Chora por não receber o beijo das ondas do mar do Rio!"

E por aí foi até o término da partida que não foi vista por ninguém.

FOTO 8: Anúncio de uma programação da TV RIO. Até o "Pergunte ao João", sucesso da Rádio JB, tinha espaço na TV RIO. Naqueles tempos sem Internet, João respondia às perguntas dos telespectadores. Havia filmes, humorísticos (Epitáfio e Santinha era com Renato Corte Real e Nair Belo), novela (com artistas como Fernanda Montenegro e Sergio Brito, adaptada por Nelson Rodrigues), etc.


FOTO 9: A TV RIO cobrindo a apoteótica chegada da Seleção Brasileira, campeã do mundo de futebol em 1958, ao Galeão. É de chamar a atenção a improvisação na cobertura televisiva: em cima de uma grua da Panair vemos uma câmera da TV Rio filmando os jogadores. À direita, embaixo, um repórter (de óculos) segura o enorme aparelho "portátil" com o qual efetuava entrevistas para sua emissora de rádio (seria um BTP1A?).


FOTO 10: Quando vemos a imagem na TV não imaginamos como pode ser precário o cenário verdadeiro. Duas enormes câmeras, uma parede escorada, tudo muito simples.


FOTO 11: Houve um tempo em que um político, independente do seu viés ideológico, atraía a atenção dos telespectadores. Na foto vemos Carlos Lacerda, como poderíamos ver um Lott, um Negrão de Lima, um Sergio Magalhães, deputados e senadores bem diferentes dos atuais.


FOTO 12: o inesquecível Ronald Golias. O "professor" talvez seja o sem-graça Carlos Alberto de Nóbrega.


FOTO 13: três senhoras caminham despreocupadas pela Av. Atlântica, nos anos 60, quase em frente à Rua Rainha Elizabeth. O logotipo da TV RIO é visto ao fundo.


FOTO 14: arquivo da família Gustavo Ferreira, em foto publicada no "Carioca da Gema". 

__________________________________________________________________

As duas fotos seguintes, uma do Decourt e outra do Tumminelli, foram compradas na Praça XV há quase 20 anos. Era comum os "fotologueiros" (Decourt, Tumminelli, Luiz D´, Rouen, JBAN, tia Lu, JRO, entre outros) irem lá buscar fotos antigas aos sábados pela manhã. Hoje em dia o trabalho é mais fácil, pois há muita coisa disponível na Internet. Nos primeiros tempos dos blogs a busca era na Praça XV, nos sebos, em poucos livros antigos e nos arquivos particulares.


FOTO 15: Conta o Decourt:

Uma foto e duas histórias.

História número 1

Esta foto coloca uma bela pá de cal nas especulações a respeito do deslocamento do arremate curvo da velha Av. Atlântica quando do alargamento nos aos 70.

Na foto vemos perfeitamente a velha avenida à direita totalmente intacta, inclusive o velho calçadão que ficava junto a areia, ficando hoje junto ao estacionamento lateral.

Ou seja, pelo menos no Posto VI, as dimensões da velha Atlântica estão perpetuadas no calçadão junto aos prédios.

A foto ainda nos mostra mais detalhes, como a casa que resistiu até os anos 80, na esquina com a Rua Joaquim Nabuco, representante das pioneiras do bairro, pois aparece em fotos já do final dos anos 10 do século XX. Vemos também o prédio do Cassino Atlântico, nessa época sede da TV RIO e que em breve seria demolido, ao seu lado vemos uma ponta do telhado de uma grande casa normanda, demolida junto com o prédio do cassino para a construção do Hotel Sofitel.

História número 2

No sábado passado eu e Roberto Tumminelli fomos garimpar material na Praça XV, quando nos deparamos com várias fotos, aparentemente de uma família. Olha daqui, mexe dali, achei um passaporte que confirmou a identidade dessa senhora, Sara Gandelman, moradora da Rua Saint Romain, nos aprazíveis anos 30 e 40, quando a favela ainda não tinha fagocitado aquela via.

Além de suas fotos em Copacabana e no Rio, havia todo um histórico de várias viagens, desde mocinha até idosa, por vários lugares do Brasil e do mundo, como cartões, folhetos e lembranças. Em suma, toda a memória de uma pessoa foi para o lixo, certamente descartada pelas gerações mais novas que acham que esse material é velho e não serve para nada.

Uma pena!


FOTO 16: Conta o Tumminelli:

A foto acima e a postada por Andre Decourt, pertenciam a uma mesma família, que se desfez do arquivo de imagens deixando-as numa banca da Feira de Antiguidades da Praça XV. 

Vendo as fotos podíamos ver que as imagens abrangiam desde a década de 40 até anos 70, no bairro de Copa, além de outras de viagens da família. Havia também o passaporte da matriarca, Sra. Sara Gandelman, que deduzimos ter morrido há pouco. Com certeza as gerações mais novas descartaram as fotos como lixo. Coisa muito comum de acontecer. Uma história de uma família jogada no lixo e muitas vezes perdida para sempre. É o que sempre digo, muitas fotos de família, revelam coisas interessantíssimas ligadas à história de uma cidade, conforme prova a foto acima.

A velha máxima está certa: o lixo de uns é tesouro de outros...



quinta-feira, 26 de outubro de 2023

LAGOA - PIRAQUÊ - SEDE ESPORTIVA DO CLUBE NAVAL


Nesta pequena ilha, na Lagoa Rodrigo de Freitas, vista em postal da coleção do Klerman W. Lopes, instalou-se em 1940 a sede esportiva do Clube Naval, que foi fundado em 12 de abril de 1884, pelo então Capitão-de-Fragata Luiz Philippe de Saldanha da Gama, o qual viria a ser o vulto de estatura nacional que todos conhecem. Ao longo da sua História, o Clube Naval foi parte ativa em relevantes episódios, tanto do ocaso do Império como em muitos outros ocorridos na época da República.

A Sede Social, dependência mais antiga do Clube, funcionou em diversos pontos no Centro do Rio de Janeiro, antes de ser instalada definitivamente na esquina da Avenida Rio Branco com Avenida Almirante Barroso, em prédio erigido especialmente com tal finalidade.

Foi inaugurada no ano de 1910, e compõe, juntamente com o Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional, o principal núcleo cultural da cidade.

Nos anos de 1940 e 1983, foram inauguradas, respectivamente, as Sedes Esportiva (Piraquê), na Lagoa Rodrigo de Freitas,  e Náutica, no bairro de Charitas, na simpática vizinha cidade de Niterói.

Foi o prefeito Carlos Sampaio que, em 1921, realizou o projeto do engenheiro Saturnino de Brito, abrindo os canais do Jardim de Alah e da Avenida Visconde de Albuquerque, permitindo a troca de águas entre o mar e a lagoa. A areia retirada para a construção deu origem às ilhas Caiçaras e Piraquê.


A Seção Esportiva do Clube Naval foi criada em 1936 e em 1937 foram eleitos os seus primeiros dirigentes: Presidente Joaquim Novais Castelo Branco, Secretário Benvindo Taques Horta e Tesoureiro Levy Araujo de Paiva Meira.

Em 1937, o presidente encaminhou um Memorial ao Presidente da República: “Accentuando-se cada vez mais a necessidade de prover a Marinha de Guerra do Brasil de um centro de cultura physica e sports (…) e após longo trabalho na escolha do local, foi ventilada a ideia de ser aproveitada a ilha existente na Lagôa Rodrigo de Freitas, conhecida com o nome de “Piraquê”. Este local offerece a grande vantagem de poder reunir as installações dos sports terrestres e nauticos.”

Observem o tamanho da ilha de Piraquê na época.

Foto de Malta.


Em 1938 foi concedido ao Clube Naval o aforamento da Ilha do Piraquê. A adaptação dessa ilha viria concorrer de modo indiscutível para incentivar o esporte náutico na Lagoa. O terreno, junto à embocadura do Rio dos Macacos, já nesta ocasião tinha sido aumentado com um aterro.

As obras foram orçadas em cerca de 1.200 contos de réis. Foram eleitos para o bienio 1939-41 o Presidente Joaquim Novais Castelo Branco, o Secretário Francisco Vicente Bulcão Vianna e o Tesoureiro Adalberto de Barros Nunes.

Já vemos a ponte que hoje é a entrada social do Piraquê.

Foto do ano de 1940, da Aviação Naval.

O “Jornal do Brasil” de 07/07/1940 noticiou a visita do Presidente Vargas à “Ilha de Piraquê”:

“O Clube Naval, com o auxílio do Governo Federal, construiu, na Ilha de Piraquê, as suas dependências esportivas, com magníficas praças de esportes, de todos os gêneros. Como se sabe, esse local, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, possui um notável panorama. O Clube pretende realizar, ali, uma série de campeoatos esportivos, corridas de lanchas, etc.

A sede do clube apresentava um grande movimento, vendo-se nas dependências figuras do maior destaque social.

Quando Sua Excelência ali chegou foi alvo de grande manifestação de todos os sócios e suas famílias. Depois de percorrer as instalações do clube, o Presidente Getulio Vargas, ao som do Hino Nacional, içou, no mastro principal da praça de esportes, o Pavilhão Nacional.

O clube resolveu inaugurar o busto do Sr. Getulio Vargas em reconhecimento aos seus serviços àquela instituição.

O Almirante Alvaro Vasconceos, presidente do Clube Naval, proferiu, nessa ocasião, o seguinte discurso:

“Na sede esportiva do Clube Naval está de novo Vossa Excelência em contato com a oficialidade da Marinha de Guerra; aqui, entretanto, sem as restrições que o protocolo impõe nas esferas da alta administração e compensada, esperamos, a falta dos atrativos que o ambiente puramente profissional sempre oferece, pelo maior calor com que nos é possível demonstrar a invariável estima com que no seio dela e Vossa Excelência recebido.

(...)

Desejamos que a visita constate que não foi perdido ou sequer mal aplicado o auxílio que o Clube Naval mereceu do preclaro Chefe do Estado Novo para a construção de sua sede esportiva e de educação física.

A instalação da sede não está nem poderia estar completa. Mas podemos mostrar o muito que já foi feito na Ilha que o eminente Prefeito Henrique Dodsworth, cujo nome Vossa Excelência permitirá seja relembrado nesta homenagem concedeu por aforamento ao Clube Naval.

(...)

Estiveram presentes ao ato, entre outros, o Ministro Aristides Guilhem, o Interventor Amaral Peixoto, o Prefeito Henrique Dodsworth, Comandante Angelo Nolasco, assim como outras altas autoridades, civis e militares. Após provas esportivas foi servido um cocktail.”


O Jornal do Brasil, em outra reportagem dos anos 40, conta que “A Ilha de Piraquê é um pequeno trato de terra encravado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Antes de sua cessão pela Prefeitura do DF ao Clube Naval, havia ali apenas alguns exemplares de eucaliptos.

Os dirigentes do Clube Naval viram que a ilha se prestaria à instalação de um campo de esportes. Esse projeto se tornou realidade. Ali se pode praticar basketball, volleyball, tennis, etc. Completando há um parque infantil e um cais para o lançamento de embarcações.


Em foto do acervo do Museu Aeroespacial vemos a Lagoa e o Jardim Botânico em 1945. Destaque para a sede esportiva do Clube Naval (Piraquê), já bem maior do que era quando da inauguração cinco anos antes.

Bem no meio da foto, lá no fundo, há o mastro da bandeira na borda da Lagoa. Este mastro  existe até hoje e fica antes da piscina semiolímpica e quem conhece o clube sabe quanto mais ainda há hoje em dia por trás dele, tais como instalações da outra piscina e um campo oficial de futebol, fora os outros aterros laterais, que comportam instalações como um ginásio poliesportivo e um local para churrascos.

O "logo" na asa esquerda do avião indica que ele pertenceria ao grupo de aviação do Exército, da antiga Base dos Afonsos e não da Aviação Naval , com base no Galeão, unificadas em 1941 com a criação do Ministério da Aeronáutica.

Aterros mais radicais ocorreram na década de 60, com aproveitamento de material retirado para a abertura do Túnel Rebouças e facilitados pelo regime da época. 


Esta foto mostra algo inconcebível aos olhos de hoje. Vemos as dependências do Piraquê, na Lagoa, na década de 50. Podemos notar que a piscina acabava praticamente às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas e tinha um escorrega que, tempos depois, foi demolido.  Muita coisa foi construída após esta piscina, em sucessivos aterros.

Além de comportadíssimos trajes de banho, vemos uma brincadeira para crianças, totalmente incorreta por culpa dos adultos, que consistia em ver quem conseguia agarrar um pato jogado dentro da piscina. O pato devia ficar estressadíssimo e provavelmente devia contaminar a piscina que teria que ser interditada para limpeza...


Esta foto, provavelmente da revista Manchete, mostra a igreja de São José em frente ao Hospital da Lagoa, muitas casas em frente à ilha do Piraquê e as obras para a construção da "Belém-Brasília", trecho da Av. Borges de Medeiros entre o Caiçaras e o Piraquê. 


A foto de alguns anos atrás mostra o tanto que a ilha foi aterrada. Vários pavilhões construídos, um campo de futebol gramado em terreno conquistado à Lagoa, o "novo" ginásio depois das quadras de tênis (são seis),  uma quadra poliesportiva, à direita, com telhado mais elevado, um cinema para centenas de espectadores, restaurantes, terraços, boate, ginásio, até um colégio, de no Popeye, para crianças pequenas.

O clube é muito bem administrado, tem cerca de 3000 sócios civis que pagam uma mensalidade em torno de 700 reais, e muitos sócios militares da Marinha que pagam uma taxa mensal de valor muito menor.

Definitivamente é uma ilha de tranquilidade às margens da Lagoa. Muitos funcionários bem treinados, professores qualificados em variadas modalidades esportivas. Apenas um pouco cheio demais nos finais de semana.

A seguir algumas fotos feitas no interior do clube.


Um dos jardins, a banca de jornal, a lojinha de material esportivo.


A fundo a ponte da entrada social. Há outra ponte de serviço.


Alameda central com o pavilhão administrativo. À direita, fora da foto, o pavilhão feminino. Ao fundo fica o mastro e a piscina semi-olímpica.


À esquerda o pavilhão do salão nobre, do restaurante, do bar panorâmico no 2º andar. Ao centro fica a piscina. À direita, o pavilhão do bar da piscina e da gerência e o antig ginásio. Mais à direita ainda, fora da foto, a escola Popeye, o pavilhão masculino, a sauna.


Vista a partir da alameda principal. À direita o já mencionado pavilhão masculino e uma série de espaços como a sala da TV, o salão da sinuca, do jogo de cartas, etc. Bem lá no fundo fica o grande ginásio do clube.


O simpaticíssimo espaço do bar do tênis, que se estende à direita, junto a uma das quadras. 

À esquerda, gradeado, o espaço da escola Popeye. Depois um campinho de futebol para a garotada. Ao fundo e à direita fica o ginásio "novo". À esquerda o campo de futebol.

,

A piscina semi-olímpica com seis raias. Dois sócios podem dividir uma raia para natação. O espaço da raia é suficiente.


Outra vista da piscina, com o restaurante à esquerda e  o bar da piscina à direita.


O mastro. Inicialmente era o final do clube como podemos ver nas primeiras fotos. Hoje deve estar mais ou menos no meio do clube, ou seja, aterros duplicaram o terreno.



A lua vista desde o bar panorâmico do Piraquê. Foto de meu amigo MLC.