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segunda-feira, 26 de março de 2018

VILLA GERSON





 
O prezado colaborador do “Saudades do Rio”, Carlos P.L. de Paiva, enviou as fotos e comentou: “Hoje estou enviando um assunto que o Decourt falava sempre: "fagocitação" dos bairros. Achei esta planta de urbanização de uma área de Ramos de 1935. O empresário vendeu os lotes e casas foram construídas, podendo os moradores  tomar banho de mar nas limpas águas da Baía.
Na segunda foto vemos o folheto de propaganda: Propriedade do Coronel Joaquim Vieira Ferreira. Estação de Ramos da Estrada de Ferro Leopoldina. Praça Dr. Miguel - Grupo Escolar Municipal. Rua Maria da Glória. Praia de Ramos. Rua Gerson Ferreira. Rua Ruth Ferreira.
Nos anos 1940 veio a Av. Brasil cortando o bairro e aí ...deu no que deu, como se pode ver no mapa colorido dos dias de hoje."
Como eu não sabia nada sobre esta Villa Gerson, tema do email do C.P.L.Paiva, dei uma pesquisada nos arquivos do Correio da Manhã e consegui as informações abaixo, bem como dois anúncios do empreendimento.
O Correio da Manhã em edição de 1930 tinha uma comunicação “À PRAÇA”: “O Coronel Joaquim Vieira Ferreira, com escriptorio de compra e venda de imóveis, á Praça da Republica nº 237, comunica À Praça do Rio de Janeiro, aos Bancos e Casas Bancarias e aos amigos em particular que mudou seu escriptorio para a Rua da Quitanda nº 41. E que ainda possue mais de cem lotes de terreno na Villa Gerson, em Ramos.”
Em 1933 o Correio da Manhã publicou: “O Coronel Vieira Ferreira, que é, pelo esforço com que se tem dedicado ao Club Militar, um dos seus beneméritos, realiza na Villa Gerson, uma festa em homenagem ao presidente da Caixa Econômica. No decurso da mesma, dando margem á bondade do seu coração, offerecerá a duzentas creanças pobres daquelle prospero suburbio egual numero de cadernetas da Caixa Economica, acompanhadas cada uma de um cofre, já contendo surpreza. Após a visita á praia de banho local, onde o coronel vae mandar levantar um bar moderno e a inauguração de outros melhoramentos em sua villa, será oferecida ao sr. Presidente e aos presentes uma mesa de doces e uma taça de Champagne.”
Em 1935 o Correio da Manhã noticiava “o banho a fantasia que o Centro de Chronistas Carnavalescos offerecerá ao povo da cidade na praia de Ramos. Trata-se de uma iniciativa de grande vulto, que levará á pinturesca Villa Gerson uma centena de milhares de pessoas para um dia de delírios incontidos na Praia de Ramos.”
O jornal ainda informa que o Coronel Vieira Ferreira doou terrenos na belíssima Praia de Ramos ao Tijuca Tenis Clube e à ABI.
Segundo C.B.Gaspar, em “Orla Carioca”, “a Praia de Ramos é o que sobrou da antiga Maria Angu. No princípio do século XX chamava-se Praia do Apicu. O Coronel Vieira Ferreira comprou terrenos ali, urbanizando o que restava da Fazenda do Engenho de Pedra. Na década de 1920 os banhistas se lambuzavam com o lodo de seu fundo, tido como medicinal. E o Prefeito Henrique Dodsworth construiu o balneário de Ramos, com boate e cabines que ofereciam roupas de banho e bóias ao público."
Hoje em dia a área é de alto risco.
 

13 comentários:

  1. Reverberando a última frase da postagem, é área de "altíssimo risco" e ao que parece é a área do Piscinão de Ramos. Toda aquela região um dia foi aprazível e servida por águas límpidas. Com a construção da Avenida Brasil´, a região atraiu indústrias e galpões. Nos anos 60, 70, e 80, as favelas tomaram conta da região, tornando-a impraticável para qualquer fim que não seja o de abrigar criminosos. FF. Hoje pela manha o "Globo Cop" do Bom dia Rio mostrou as ações criminosas ocorridas nas favelas da Praça Seca, interditando a Cândido Benício e afetando toda a região atendida pelo B.R.T. Diga-se de passagem que toda a região de Jacarepaguá e adjacências sofreu uma brutal desvalorização imobiliária...

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  2. Bom dia.

    Pena o mapa mais antigo não ter uma resolução melhor, para ver os nomes das ruas. Algumas dá para ler, mas os detalhes, como as informações adicionais, ficam prejudicados.

    Ali na Estrada da Pedra é um ramal ferroviário, como o que existia na Dona Clara, em Madureira? Servia às terras do Coronel Ferreira?

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  3. Parabéns pelo trabalho de pesquisa. A postagem ficou completa.Gostei de saber que o Coronel vai instalar um bar moderno e estou bem animado a abrir um templo da igreja na região. Faltou dizer que no futuro teria o piscinão...
    O crescimento desordenado instituiu a bagunça com a chancela dos admistradores.

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  4. Conheci a região no final da década de 1940 e meados dos anos 50. Era uma zona residencial, com residências particulares com grandes quintais, ostentando várias árvores frutíferas, principalmente o Jamelão e o Jambo. Ir a praia de Ramos era uma festa , com areia limpa e onde a criançada podia se esbaldar à vontade. A partir do final dos anos 50, começaram as ocupações da área por favelas. Como faz até hoje... O Poder público, por pura conveniência, tolerou tal situação, e deu no que deu...

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  5. Incrível essa história. Como esta a vila Gerson hoje?

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  6. Mais uma vez vemos aqui como caminhamos para trás. Lendo o texto e os comentários, principalmente o do Jaime, tomamos conhecimento de praia belíssima e bairro simpático que hoje está um horror.
    Se o JBAN ainda comentasse por aqui diria que um dia de delírios incontidos na Praia de Ramos era coisa do Conde di Lido.

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  7. Em 22/02/1940 foi doado um terreno na Villa Gerson ao Syndicato dos Jornalistas, que ali pretendia construir um hospital.
    Em 1946 foi publicado anúncio no Correio da Manhã vendendo barracão na Villa Gerson, à Rua Operário Fortes nº 13.

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  8. O ramal ferroviário existente na região era o de "Maria Angu" da E.F. Rio D'Ouro, desativado em 1928 e que partia de Vicente de Carvalho e corria junto à atual avenida Vicente de Carvalho, largo da Penha, e atual avenida Lobo Júnior, chegando ao referido porto. Existem imagens interessantes dessa região outrora paradisíaca. Eram "outros tempos".

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  9. No final da Lobo Júnior ainda há um porto em atividade, não é o de Maria Angu.

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  10. Conforme confirmado no site: www.tgvbr.org/viewtopic.php?t=5368
    O ramal de Maria Angu passava pela Av. Brás de Pina antes de chegar ao Largo da Penha e após pela atual Rua Monsenhor Alves Roch. A seguir atravessava a linha da Leopoldina (não sei como) e passava próximo à Rua Ten. Araquém Batista, passando por onde hoje tem a estação de tratamento de esgoto da CEDAE.
    O porto era em frente, ou quase, à Ilha do Raimundo, mas fizeram tanto aterro por lá que só uma escavação para ter certeza. A Marinha deixaria?
    Quase com certeza as áreas invadidas junto à Praia de Ramos são as que foram doadas às instituições citadas e que nada fizeram no local.

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  11. O porto ficava na rua Gruçaí. O trem servia aos curtumes instalados na Penha.

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  12. Esse ramal era conhecido também como Ramal da Penha, já que em dias de festa eram colocados trens extras para os usuários. O trecho da Avenida Brás de Pina utilizado pela Rio D'Ouro era de poucos metros, já que o leito da ferrovia era pela atual avenida V.de Carvalho. Isso durou até 1928.

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