Eis o anúncio de leilão de revistas em quadrinhos enviado pelo prezado GMA. Os interessados devem copiar o "link" para ter acesso.
Aproveitando o tema repito uma antiga postagem do tipo "Do Fundo do Baú":
Houve um tempo em que as revistas em quadrinhos nos encantavam, ali por 1950 e 1960. Inicialmente em P&B, depois, aos poucos, coloridas. A principal editora era a EBAL (Editora Brasil-América), de Adolfo Aizen. Outras eram a Rio Gráfica, a Globo, a Disney.
Era
uma época onde o faroeste dominava a cena. Cavalguei com Roy Rogers (namorado
da Dale Evans e dono do cavalo Trigger), Hopalong Cassidy (meu conhecido por
estar sempre presente nos filmes de 35mm que eram passados nas festas de
aniversário pela Correia & Souza Filmes), Gene Autry, Rex Allen, Bill
Elliott. Improvisei com cintos o chicote de Don Chicote (todo de negro, tinha
um irmão, todo de branco, ambos habilidosos no manejo do chicote). Dei tiros
com Rocky Lane, Tom Mix, Buck Jones, Tim Holt, Audie Murphy, Tex Ritter, Monte
Hale.
Ao
ver Bat Masterson, cantava "no velho Oeste ele nasceu, entre bravos se
criou, seu nome em lenda se tornou, Bat Masterson, Bat Masterson". Desejei
as longas pistolas, diferentes, de Wyatt Earp (Hugh O´Brien, na TV). Ansiava
pelo toque de corneta anunciando a chegada da Cavalaria em Rin-Tin-Tin (com o
Cabo Rusty e o tenente Rip Masters, no Forte Apache). Roubei lenços de minha
mãe para fazer máscaras como a do Cavaleiro Negro (era o pacato Dr. Robledo na
"vida civil") e Zorro (que só disparava balas de prata e montava
Silver, enquanto seu fiel amigo Tonto montava Escoteiro). Me fantasiei de índio
para imitar Flecha Ligeira e Apache Kid, e de caçador para imitar Daniel Boone,
Davy Crockett, Kit Carson e Búfalo Bill.
Fiz
expedições pela selva africana onde pontificavam Tarzan (Lord Greystoke), Jane
e Korak. Aprendi a linguagem de Tarzan: tarmangani (homem branco), bolgani
(gorila), bara (corça), horta (javali), numa (leão), histah (serpente), goro
(lua). Tive admiração por seu leão dourado Jad-Bal-Ja. Sonhei com La, a
imperatriz de Opar. Vibrei com Jim das Selvas e Lorna (a rainha das selvas).
Fiquei
boquiaberto com as aventuras do mágico Mandrake, que morava em Xanadu, com sua
eterna noiva Narda. Ajudado por Lotar (que, com o passar dos anos, para ser
“politicamente correto”, foi se civilizando, abandonando o aspecto bronco
inicial).
Entrei
na Caverna da Caveira, do Fantasma - o “Espírito-Que-Anda” - na selva perto de
Bengala. Vi Guran, o chefe dos pigmeus Bandar - que zelavam pela dinastia
Walker. Me deslumbrei com a namorada Diana Palmer e com o quarto na casa de tio
Dave, onde o Fantasma aparecia, sempre com o lobo Capeto. Isto após deixar seu
cavalo, Herói, bem guardado nos limites da selva. Ou com o poço que acessava o
túnel que levava ao interior da Patrulha da Selva, onde deixava mensagens num
cofre de fundo falso. Improvisei um anel de caveira, que marcava os criminosos,
e um anel que identificava os amigos. Sonhei em trabalhar naquele hospital que
tinha o signo do "bem" na sua entrada. Fantasma e Mandrake, criações
de Lee Falk.
Visitei
o planeta Mongo com Flash Gordon, Dale Arden e o professor Zarkov. Criação de
Alex Raymond. Fui detetive nas revistas X-9 e Nick Holmes (de óculos e
cachimbo).
Voei
com o Capitão Marvel, sua irmã Mary Marvel, e o Capitão Marvel Junior. Lutei
contra o Dr. Silvana. Capitão Marvel cuja identidade secreta era o jornaleiro
Billy Batson, que ao gritar “SHAZAM” incorporava os poderes mágicos. Cada letra
de “Shazam” identificava um deus do Olimpo. Salomão, Hércules, Atlas, Zeus,
Aquiles e Mercúrio (o Capitão Marvel tinha as qualidades de cada um deles).
Tive
visão Raios-X como o Super-Homem, que chegou a Metropolis a bordo de um
foguete, enviado desde Krypton, antes deste planeta ser destruído. Foguete que
caiu no jardim do casal Jonathan Kent. Sua identidade secreta era o jornalista
Clark Kent. Super-Homem era vulnerável à “kriptonita” e vivia ameaçado por seu
inimigo Luthor. Sua namorada era Lois Lane. Era filho de Jor-El e seu nome em
Krypton era Kar-El.
Andei
no Bat-Móvel, em Gotham City, com Batman (o milionário Bruce Wayne), Robin, e
seu mordomo Alfred. "Viajei" com o Homem-Submarino, Homem-Borracha,
Arqueiro Verde. Senti cada soco de Big Ben Bolt nas suas lutas fantásticas,
orientado por seu técnico Aranha.
Passei
ótimos momentos com as revistas da Disney, com Mickey, Minnie, Pateta, Pluto,
Pato Donald, Margarida, Zezinho, Huguinho e Luizinho, os Irmãos Metralha
(171-171 ou combinação destes números no peito), Horácio, Clarabela, Gastão,
Tio Patinhas, João Bafo de Onça.
Tive
o primeiro contato com os grandes clássicos através da revista Epopéia. Fui
detetive com “Misterinho” (“para adultos”). Invejei o relógio de pulso do
detetive Dick Tracy, de Chester Gould. Iniciei minha cultura de almanaque com
"Seleções" de Reader´s Digest.
Por
orientação dos padres do colégio, tive bons exemplos (?) na Série Sagrada, revista
em quadrinhos com a história dos santos.
Frequentei
o "clube" do Bolinha, "onde menina não entra". Li
Luluzinha, a “Turma do Pererê”, do Ziraldo (com o Saci, a Boneca de Piche, a
onça Galileu, Tuiuiu, Tininim, Alan, Geraldinho), Recruta Zero (com o General
Dureza e o Sargento Tainha), de Mort Walker. Fiquei com medo ao ler as revistas
de terror, com histórias do Drácula.
Persegui assassinos com Charlie Chan (e seus filhos nº 1, nº 2, nº 3...).
Pilotei
aviões de caça com o Falcão Negro e seu grupo de aviadores, sempre de preto.
Lutei espada com o Falcão Negro e o Zorro (da TV). Cavalguei pelo Brasil com
Jerônimo, o herói do sertão (e sua namorada Aninha e seu amigo o Moleque Saci).
Investiguei crimes com o Anjo (o detetive), ambos da Rádio Nacional. Ri muito
com as aventuras do Pafúncio, Marocas, Popeye, Reizinho, Os Sobrinhos do
Capitão, Mutt e Jeff, Ferdinando e Violeta, da família Buscapé, com o Brucutu e
a Ula.
Enfim, vivi um mundo fantástico, com estes
heróis da minha infância.
