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sábado, 11 de junho de 2022

DO FUNDO DO BAÚ - BOTICA DA VOVÓ

Hoje é sábado, dia da série "DO FUNDO DO BAÚ". Como todos sabem o “Saudades do Rio” recomenda para todos os  famosos medicamentos Veedol, Hemo-Kola, Bertonyl e Ludaol. Porém há outras opções...


Além da Água de Quina e do Vigoron, outros ícones do passado eram a “Maravilha Curativa do Dr. Humphreys”, à base de Hamamelis Virginica, o Coryfolium, a Nux Vomica e o Phosphorus (homeopáticos), a Milma (pastilhas de leite de magnésia), a Malvona. Da Casa Granado tínhamos  o Polvilho Antisséptico, a Água Inglesa, a Magnésia Fluída, o Vinho de Quino, o Xarope Antiasmático Imabaibina, o Xarope de Urucu.

E quem não usou Vick Vaporub, Chophytol e Optalidon? Lembram do Cristal Japonês (para dor de cabeça), Nupercainal, Lavolho, Atroveran,  Pílulas do Dr. Ross, Tussaveto, Biolaymo, Linimento de Sloan? E o Peitoral Pinheiro, xarope do Rafa?

Alguém usou Calcigenol, Bromil, Regulador Xavier, Neo-Riodine, Agarol, Pondicilina (pastilhas para garganta)? Ou Colubiasol, Rugol, Hidrolitol, Vinho Reconstituinte Silva Araújo, Lugolina, Cilion,  Alginex? Pomada Minâncora, Alivene, Phimatosan (tosse), Rebouçado de Lisboa (balas para tosse), Hemovirtus (hemorróidas), Licor de Cacau Vermífugo Xavier, Lysoform Primo (contra mau hálito, frieiras, odor das axilas), Leite de Rosas, Pastilhas de Magnésia Bisurada (contra azia e má-digestão)? Ou a água vegeto-mineral (um colega a chamava de “água dos três reinos” - porque animal era quem a receitava!)?

E o Iodex, Magnésia Fluida de Murray, sal amargo (sulfato de magnésio), cataplasma de Antiphlogistyne, Neo-Rhumex (injeção para gripe), injeção de ouro (também para gripe), Eucaliptyne (também), Neo-Sinefrina, Ambodryl (irmão do Benadryl), Trilafon, Ipecacuanha, sabonete Derso, também fizeram sucesso.

Ainda existe Vagostesil, Panvermina, Ascoxal (para aftas), Hygnotol?


A bula da Emulsão de Scott informava que “O medicamento que mais fama tem alcançado no mundo é a Emulsão de Scott. Não há paiz civilizado onde não se pronuncie seu nome com respeito, e essa reputação bem adquirida não é filha de casualidade, senão consequencia legitima dos bons resultados que tem produzido a medicina nas enfermidades do peito e da garganta, nos escrofulosos e debilitados. A associação do Oleo de Figado de Bacalhao com os hypophosphitos de soda e cal, como se encontram na Emulsão de Scott é uma combinação feliz que proporciona os materiaes para reparar os tecidos e o sangue. A infancia é a idade que mais benefícios obtem da Emulsao de Scott. Por seu bom sabor é tolerada pelo paladar mais delicado. Assim como as arvores necessitam para crescer e desenvolver-se de bôa terra, estrume e regadura; assim tambem as creanças requerem o uso da Emulsão de Scott de oleo de figado de bacalhao com hypophosphitos de cal e soda, que representa para ellas força, saude e alegria." 


O "Saudades do Rio" recebeu, através dos tempos, muitos comentários pedindo ajuda, como os abaixo:

Andressa: Quando criança minha mãe me curava as constantes amigdalites com colubiazol spray, era um santo remédio. Alguém sabe por favor, se existe algum medicamento similar? A proibição foi só no Brasil e por que realmente ele foi proibido? Pois sempre usei e não morri, sinto falta dele qdo tenho dores de garganta. Obrigada." 

Terezinha Arlete Andrade: Como conseguir uma fórmula similar do óleo de linimento de sloan, como encontrar? até mesmo por manipulação?" 

Sergio de Paula disse: Sr. Joao da farmacia me falou tambem da pomada pra hemorroida Hemorroidin."

Ana Clarissa: Olá preciso do Vinho Reconstituinte Silva Araújo estou em SP capital??"

Angella: Adorei este blog, encontrei o oleo eletrico no site 0800 natural.com.br,só não sei se é a mesma formula, quem souber onde se encontra os outros produtos poste aqui pra gente tambem, beijão a todos." 

Armando: p/Angella oleo eletrico original tem a embalagem amarela letras vermelha se vc quiser falo onde encontrar super barato abraços". 

Servino Indiatuba SP: tambem perfume patioli. vindia nas farmacia."

Ilmo Martins: eu quero saber aonde era o laboratorio que fabricava a pomada sao sebastiao, sera que alguem sabe ou pergunte a alguem mais velho que poderia lembrar de onde ela vinha, se era de sao paulo ou de minas, deve ter algum senal dela em algum lugar. 

Juracy da farmacia disse: eu sou farmceutico formado e trabalho em uma drogaria aqui na zona leste sp o produto oelo eletrico esta sendo bastante procurado abraço a todos.

Domingos: Nos EEUU ainda se fabrica o linimento de Sloan, no entanto aqui na minha cidade - Santos - o proprietário da farmácia indiana, que possui a fórmula, assentiu em fabricar para mim .É mesmo tiro e queda, como sou professor e escrevo muito na lousa sinto dores horriveis nos antebraços, a boa noticia é que o linimento 'mata' literalmente as dores em cinco minutos. Continuo precisando do vinho Silva Araujo, do sabão russo e da pomada S Sebastião. Socorro! "


Um dos prediletos do Conde di Lido.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

ESCOLA BARTH


Vemos a Escola Barth, situada na Av. Oswaldo Cruz nº 124. Foto enviada pelo prezado Francisco Patricio. A história do prédio vem do começo do século XX, quando o comerciante suíço Alberto Barth, morto em  1907, como prova de gratidão ao país que o acolheu, deixou em testamento a doação de 150.00 francos suíços para a construção de uma escola no então Distrito Federal. Ela foi inaugurada na administração do Prefeito Souza Aguiar (1906/1909).

Em 1936, por um decreto do Presidente Getúlio Vargas, a escola foi transformada em Tribunal de Segurança Nacional, órgão da Justiça Militar, durante o período de 1937 a 1945, onde eram julgados os opositores do regime. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a queda da ditadura de Vargas, o prédio voltou a funcionar como escola.

De Paulo Renato Leite de Castro recebi um e-mail com o seguinte texto:

“Estou enviando duas imagens de um cartão postal da minha coleção que mostra uma aula na Escola Barth em 1914 ou 1915, já que a data do cartão é de 13 de maio de 1915. Espero que as pessoas que têm alguma relação pessoal com a escola gostem das imagens.”


Eis o o texto do cartão (de Ernestina para Carmem).


Construída no início do século XX a Escola Barth formava com a já demolida residência Martinelli, que lhe ficava a fronteira, um duplo balizamento do encontro da Av. Oswaldo Cruz com a Praia de Botafogo. Vários de seus detalhes e acabamentos são análogos aos presentes em outras escolas construídas na mesma época, tais como o relevo trilobado na sobreverga da janela. Por exemplo, esta escola é quase igual à Escola Deodoro, na Av.Augusto Severo, entre a Lapa e a Glória. Mesmo estilo normando, dentro das normas ecléticas da época.

Anteriormente a escola funcionou na Rua Marquês de Olinda. No saguão de entrada da escola existe uma foto do Alberto Barth.
O projeto, iniciado em 1906, é de Francisco Marcelino de Souza Aguiar. 

 A Escola Barth atualmente em imagem do Google Maps. 


quarta-feira, 8 de junho de 2022

BONDE ENGENHO DE DENTRO


Foto enviada pelo Helio Ribeiro. Vemos o bonde da linha 76-Engenho de Dentro, nº 1914, cujo itinerário era Praça XV, Primeiro de Março, Rosário, Visconde de Itaboraí, Arsenal de Marinha, Visconde de Inhaúma, Marechal Floriano, Praça Duque de Caxias, Estrada de Ferro, Presidente Vargas (lado par), Praça da Bandeira, Pará, Senador Furtado, Amapá, General Canabarro, São Francisco Xavier, 24 de Maio, Silva Freire, Viaduto, Souza Barros, Praça do Engenho Novo, Arquias Cordeiro, Doutor Padilha, Oficinas, Abolição, Largo da Abolição, Suburbana, Largo de Pilares. Um trajeto e tanto!

A foto é rica em detalhes da década de 60 como o carrinho de entregas, o "burro sem rabo", a elegância do senhor de terno com um lencinho no bolso, o próprio bonde, o furgão, etc. 

Conta o Rouen que comprou muito material para rádio na Eletrônica Paulista Comércio Indústria Ltda, na Av. Marechal Floriano, 123. Tel. 43-47-95. 


Noutra foto enviada pelo Helio Ribeiro vemos o reboque 1563 sendo puxado por um bonde em cujo letreiro traseiro está escrito "Engenho de Dentro". Um pouco mais à esquerda vemos o bonde de nº de ordem 554. Na foto aparecem poucas mulheres, uma delas toda de branco levando um guarda-chuva. Os homens, quase todos de chapéu. À esquerda um belo poste de iluminação e, mais ao fundo, postes com fios telefônicos ou telegráficos, não sei.

Reboque 1563 e 554 Lins Vasconcellos na Praça da Bandeira, a rua em frente é justamente o Boulevard São Cristóvão. Ao longe, veem-se as palmeiras da avenida Presidente Vargas. A rua à esquerda é a Elpídio Boa Morte. Meio escondida, um pouco à direita do centro da foto, vê-se a rua Joaquim Palhares. Os telhados de dois galpões, bem como a chaminé e uma construção alta à direita das palmeiras, faziam parte da imensa garagem de bondes que havia ali, em área atualmente ocupada pelo conjunto residencial Martin Luther King.


Outra foto do bonde 76 na Marechal Floriano.

terça-feira, 7 de junho de 2022

CENTRO


A postagem de hoje era sobre a Urca. Deixei, como todos os dias, tudo pronto para entrar no ar às 7 horas. Surpreendentemente ela desapareceu. Seria a censura ou algum defeito do Blogger?

Para substituí-la, às pressas, já que tenho um compromisso agora, vai ao ar esta fotografia que  mostra o Trevo das Forças Armadas na década de 70. 

O mais notório é inexistência do Viaduto Paulo de Frontin, que dá acesso ao Túnel Rebouças. 

Além de mais algumas alças no viaduto houve uma transformação enorme no trecho à direita da foto. Nesse local foram construídos os edifícios dos Correios e da sede da Prefeitura alem de, mais à direita ainda, o grande edifício sede da Sul América. 

Do lado esquerda da foto existe hoje a ponte do Metrô que me parece de muito mau-gosto.


segunda-feira, 6 de junho de 2022

VIADUTO PEDRO ALVARES CABRAL


Em 1968, com o objetivo de desafogar o trânsito na região do Mourisco, iniciou-se a consrução do viaduto Pedro Alvares Cabral.

Os edifícios que aparecem na foto se tornaram famosos. Cabe aos comentaristas identificá-los.

Vemos o viaduto na véspera da inauguração em junho de 1969. Foi feita pelo governador Negrão de Lima. Para a iluminação foram empregadas pela primeira vez no Brasil lâmpadas do tipo “power glow”, de multivapor, que superavam as de vapor de mercúrio e permitiriam a conservação das reais tonalidades dos objetos na área iluminada, sem provocar qualquer distorção cromática.


O viaduto já em funcionamento. Ao fundo o prédio do Cinema Guanabara. Reparem em como era baixa a mureta.

Esta foto mostra o viaduto Pedro Alvares Cabral em meados da década de 70, quando do acidente com o ônibus da linha 178, Gávea-Harmonia. O local tinha, mais ou menos onde está o fotógrafo, uma curva perigosíssima que causou diversos acidentes, tanto que a Prefeitura foi obrigada a aumentar a altura da mureta. Mesmo com o este aumento da altura houve outros acidentes com ônibus despencando deste viaduto.

Esta fotografia do Viaduto Pedro Alvares Cabral, que une a Avenida Pasteur à Praia de Botafogo, me traz boas lembranças. Por volta do final da década de 60 era meu caminho habitual de volta da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Até então, a bordo do meu fusquinha 65, comprado de segunda mão, antes do viaduto, construído em 1968/1969, havia que dar a volta pela Praia de Botafogo na altura da Rua Farani.


Podemos ver nesta foto como as construções da primeira foto evoluíram. 

Vemos a bela região do Mourisco na década de 70. O Clube Guanabara com sua piscina em destaque e, ao fundo, o prédio da Policlínica de Botafogo. No morro temos os anúncios do Crush, do Cinzano e da Coca-Cola. A sede do Botafogo no Mourisco, onde hoje está aquele prédio horrível apelidado de "Ferrero Rocher". No ginásio do Botafogo tivemos uma época de ouro quando ali eram disputados os jogos de vôlei e basquete dos campeonatos cariocas. Na piscina semicoberta foram também disputadas competições de natação com grandes nadadores, bem como ali se exibia uma famosa geração de jogadores de water-polo capitaneadas pelo húngaro Szabo. Além do Morro do Pasmado vemos a torre da Igreja de Santa Terezinha e notamos a ausência ainda do Rio-Sul e do Condomínio Morado do Sol. E vemos, também, os belos jardins de Burle Marx. À direita, vemos a saída das ruas Voluntários da Pátria e São Clemente, com o prédio do Cinema Guanabara. No ginásio do Botafogo, em certa época, ainda no tempo do famoso Natal, mandachuva da Portela, houve a primeira experiência em levar uma parte de uma grande escola de samba para a Zona Sul como tentativa de captação de recursos e trabalho de relações públicas que, durante algum tempo deu certo. Ainda era bem marcante a presença da arborização original do período Passos, acompanhando a velha linha das amuradas até mais ou menos a altura da São Clemente. Junto à curva do viaduto ainda havia também algumas árvores remanescentes do largo que ficava entre o desemboque da Voluntários e Passagem, onde ficava o Manequinho depois de ser exilado da Cinelândia. Nesta região, a garagem dos bondes hoje abriga o Arquivo do Estado do Rio de Janeiro e a mansão Fonseca Costa foi tombada pelo IPHAN. Gostaria de chamar a atenção para o prédio do Instituto de Nutrição da UFRJ, que fica bem embaixo do anúncio da Coca Cola. A Policlínica de Botafogo está embaixo do anúncio de Cinzano. 


sábado, 4 de junho de 2022

DO FUNDO DO BAÚ - SUPERBALL

Lá nas décadas de 50 e 60, antes desta febre de moda esportiva dos últimos anos, eram poucas as casas especializadas em esportes. Entre elas destacava-se a Superball, com seus 3 endereços no Rio. Fui frequentador das lojas da Marechal Floriano e da Xavier da Silveira, ali quase na esquina da Av. N.S. de Copacabana. O outro endereço era na Rua Carolina Machado, em Madureira. Havia também lojas em Petrópolis e Niterói, sendo que nesta cidade sobrevive a última delas, mas com novos donos.


Era nesta loja da Xavier da Silveira (foto de Gyorgy Szendrodi) que eu podia comprar camisas de goleiro com os cotovelos acolchoados, joelheiras com várias tiras de feltro branco para proteger a face anterior do joelho, chuteiras com travas presas por pregos que freqüentemente machucavam a sola do pé. Os tênis, então chamados de "keds", eram de cano alto, com proteção de borracha na altura dos maléolos do tornozelo. 

Bolas de couro havia a de nº 5, a mais desejada pelos "peladeiros". A G18 era só para profissionais. Pés-de- pato daqueles pequenos, sempre pretos, e as pranchas de madeira, com espaço vazado nos lados para as mãos e a frente ligeiramente arqueada. Raquetes de frescobol havia de dois tipos: as boas, de madeira compensada, e as ruins, mais baratas e mais frágeis. Na Superball também se podia comprar a desejada mesa de ping-pong ou a de botão, oficial. Os botões ali vendidos não serviam para nada, apesar de virem com os escudos dos times (os bons eram de osso ou improvisados com fichas de lotação/ônibus). Os goleiros dos times de botão vendidos eram ridículos: tinham um rabo de metal que passava sob a baliza de plástico - estas balizas eram logo substituídas pelas maiores, com traves de madeira e rede de filó, e os goleiros eram feitos com caixas de fósforo com chumbo dentro (para não serem derrubados naquele estilo de chute em que o botão, após tocar na bola, derrubava o goleiro antes que a bola chegasse ao gol). Na Superball vendia-se, também, aquele jogo de tamborete que todo mundo ganhava e todo mundo detestava. E os saquinhos de filó branco com bolas de gude. Enfim, a Superball era o sonho de todo garoto.


Também era nesta loja da Xavier da Silveira que o prezado GMA comprava suas luvas de boxe. 

Nestas lojas encontrávamos os produtos "Procopio" como as antigas raquetes de tênis, de madeira, com corda de tripa e aquela moldura para a raquete não empenar, como vemos na foto abaixo.

Minha primeira raquete de tênis foi comprada na Superball da Marechal Floriano (acho que não encontrei na loja de Copacabana) e era igual a esta aí de cima.


A bola utilizada na Copa do 1950 no Brasil foi a Superball Duplo T. Fabricada na fábrica de São Cristóvão. A Fifa a escolheu e, mais ainda, lhe deu exclusividade até então inédita. Foi a primeira Copa em que passou a ser usado apenas um modelo de bola para todos os jogos. Possuía 12 gomos, inovou ao adotar o fim da costura aparente e o uso de uma câmera inflada, como as bolas atuais, com válvula de enchimento. A costura era interna e não havia mais a abertura e o cadarço. O couro ficava pesado quando encharcado, como nos modelos mais antigos. 

Conta o Evaristo, craque do Flamengo, Barcelona e Real Madrid: "Ao menos no Rio, a Duplo T foi a primeira com costura interna. Antes, as bolas eram infladas por um birro e amarradas com cordões por fora, e por isso nunca ficavam perfeitamente redondas. Mas isso mudou quando surgiu a costura interna. Era uma bola muito boa, facilitava o passe. O único problema é que, como ainda era de couro, quando chovia ficava pesada como chumbo."