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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

FÁBRICA BANGU

“Post” baseado num livro que recomendo muito:  “Bangu – 100 anos”, de Jairo Severiano. Certamente pode ser encontrado no "site" Estante Virtual.


Foto da Fábrica Bangu, garimpada pelo grande estudioso do Rio Antigo, o prezado Henrique Hübner.

O prédio da Fábrica Bangu, da Companhia Progresso Industrial do Brasil, foi levantado em terras da Fazenda Bangu, do lado esquerdo da Estrada de Ferro Central do Brasil. Possui linhas típicas inglesas, características do período neoclássico, apresentando arcos romanos, frontões gregos e grandes platibandas, de partido horizontal. A chaminé, de tijolo aparente e forma circular, possuindo a base octogonal, se eleva a 55 metros acima do nível da sala de cardas. Ela se tornou o símbolo da fábrica na medida em que se ergue altaneira, acima do edifício, podendo ser vista de longe.

A fábrica de tecidos Bangu foi inaugurada em 1893 na região da Freguesia de Campo Grande, que foi escolhida por haver grandes mananciais indispensáveis ao funcionamento da fábrica. Foram comprados cerca de 3.600 acres de terra, a saber: Fazenda do Bangú, Fazenda do Retiro, Sítio do Agostinho e Sítio dos Amaraes, pela quantia de 132.137$910 Réis.

Toda essa região fica à margem da Estrada de Ferro Central do Brasil, distante cerca de 1 hora do Centro. Até aquele momento, existia na região apenas uma rua, que havia sido aberta séculos antes pelos jesuítas.  A construção da Fábrica ficou à cargo da firma The Morgan Snell and Co., de Londres, pelo preço total de 4.100.00$000 Réis.

A implantação da fábrica na região trouxe consigo uma série de transformações na paisagem com a abertura de novos caminhos e a chegada dos trens para o transporte das matérias primas que chegavam e dos tecidos que saiam. Ao mesmo tempo, alterou o modo de vida da população local com o surgimento de um bairro operário nos arredores da fábrica - toda essa transformação se concretizou na implantação de saneamento, de espaços para lazer (o Bangu Atlético Clube) e da Paróquia Santa Cecília.

Merece especial atenção o fato da Fábrica Bangu ter fundado uma das primeiras escolas do bairro chamada Escola da Cia. de Progresso Industrial do Brasil que, em 1917, passou a ser administrada pela prefeitura.

O bairro, e mais especificamente a fábrica Bangu, tornou-se um monumento à história da industrialização brasileira, servindo de cenário para uma série de filmagens que visavam retratar a mudança nas cidades, no caso o Rio de Janeiro, com a chegada das indústrias na transição do século XIX para o XX.

 A chaminé da Fábrica tem 57m de altura, 4,12m de diâmetro na parte inferior e 2,44m na parte superior. A base octogonal mede 7,45m entre as faces paralelas.

Em 1922 assume a presidência da Fábrica Bangu o Dr. Manuel Guilherme da Silveira Filho, o famoso Dr. Silveirinha. Em 1990 a fábrica é vendida para o grupo Dona Izabel. Em 1995 a fábrica é tombada.


Sobre o edifício principal encontra-se um grande relógio de quatro espelhos, com parte de sua base - o telhado - em ardósia


Aspecto do entorno dos prédios da fábrica Bangu.


Conforme nos conta Jairo Severiano no seu ótimo "Bangu - 100 anos", interessada em instalar um escritório e um armazém em ponto central do Rio de Janeiro, a diretoria adquiriu em 1906 um imóvel na Rua Primeiro de Março nº 83 (que vemos na fotografia acima). Este imóvel seria, mais adiante, demolido, erguendo-se no local um novo prédio, projetado para melhor atender aos serviços da empresa. 


A Fábrica de Tecidos Bangu oferecia a seus funcionários uma creche, já nos anos 50. É exemplar esta iniciativa pois, nos dias de hoje, mesmo com a lei que obriga a grandes empresas a manterem uma creche, tal não é cumprido. Usam de subterfúgios para driblar a legislação, fazendo convênios com creches distantes, que não recebem nenhuma criança filha de funcionários - um escândalo!

Nesta fotografia vemos algumas das casas construídas pelos operários da Companhia Progresso Industrial do Brasil - Fábrica Bangu. 

Guilherme da Silveira, dono da empresa, tinha uma visão social avançada para a época. Defendia os direitos dos operários sem qualquer intenção demagógica, considerando essencial a colaboração entre o capital e o trabalho. 

Sua política habitacional, concretizada através da construção de casas modelares para o proletariado, aproveitou terrenos da CPIB, onde foram construídas casas em mais de 12 mil lotes. 

O projeto desenvolveu-se de duas formas: faziam casas, vendendo-as depois de prontas, ou vendiam-se terrenos, a prestações, incluindo em seu preço a chamada "cota de construção", ou seja, o custo do material necessário à obra.

 Foram construídas milhares de casas, sempre contando com a honestidade dos compradores, perfeitos no cumprimento de suas obrigações. O sucesso desse empreendimento deu a Bangu uma característica especial: é o único subúrbio carioca em que a maioria da população reside em casa própria.


Bangu e sua vila operária construída para abrigar trabalhadores da fábrica, em foto de 1958, estupendamente colorizada por Rafael Guimarães e publicada no FB RioSecretoRio.


Quando a Companhia Progresso Industrial do Brasil (Fábrica Bangu) chegou a Bangu, substituiu a antiga capela que existia ao lado da casa da fazenda pela Igreja de Santa Cecília e São Sebastião. 

Este templo foi erguido no final da Rua Estevão, em terreno doado pela Companhia, que também ajudou na sua construção. Foi  inaugurado em 1904 e teve todas as despesas de manutenção custeadas pela Companhia, que fornecia a cera necessária aos ofícios, os honorários do sacristão e do vigário, além de ceder uma casa para a moradia deste último. 

Uma das festividades mais concorridas da igreja de Bangu era a da Coroação de Nossa Senhora, uma festa tradicional que se realizou até o ano de 1951.


Nos terrenos da Companhia Progresso Industrial do Brasil, conhecida como Fábrica de Tecidos Bangu foram edificados, além da fábrica, a vila operária, a Paróquia de São Sebastião e Santa Cecília e um cassino recreativo, como vemos nesta foto.

A fábrica de tecidos possibilitou que o bairro passasse a ter uma dinâmica social, cultural e econômica autônomas. Foi por iniciativa dos trabalhadores da fábrica que foi criada a Sociedade Musical Progresso de Bangu, transformada depois no Cassino Bangu.


O Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, o Moça Bonita, é uma construção iniciada no ano de 1945 e concluída em 1947.  Também foi patrocinado pela Companhia Progresso Industrial Fábrica Bangu, 

OBSERVAÇÃO: antigamente os fotologs só permitiam uma foto por postagem. Tínhamos que fazer mais de uma postagem no mesmo dia, caso quiséssemos mostrar várias fotos. Agora, no Blogger, a postagem pode ter muitas fotos. 

Se, por um lado, podemos fazer uma postagem mais completa (embora dê mais trabalho), por outro lado, não sei se fica cansativo para os que visitam o "Saudades do Rio". 

O que acham?

 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

MISS ELEGANTE BANGU

Até durante os anos 60 eram comuns no Rio grandes acontecimentos sociais, com exigência do uso de “smokings” ou terno completo para os homens e vestidos longos para as mulheres. Além das festas habituais do “high-society”, cobertas pelas muitas colunas sociais de revistas e jornais, havia os bailes de formatura e as festas de debutantes, além de grandes casamentos. Hoje vamos ver como foi o início do concurso “Miss Elegante Bangu”, retratado em fotos da revista Manchete.


A ideia foi de Joaquim Guilherme da Silveira, o "Silveirinha", dono da Fábrica Bangu. Era um concurso que pudesse realçar a elegância da mulher brasileira. Dizia-se sem objetivos comerciais, com renda total revertendo em benefício da Pequena Cruzada. Foi eleita Corina Balbo, candidata a "Miss Elegante Bangu" de 1952. Concorria pelo Clube Caiçaras. A festa aconteceu no "Golden Room" do Copacabana Palace, em janeiro de 1953.


Corina Balbo recebe a faixa das mãos de "Silveirinha". Segundo o Conde di Lido, nosso especialista em assuntos de moda feminina, a vencedora ostenta um vestido de organdi permanente "Mauve" plissado e bordado a canutilhos prateados.



Aspecto do desfile do "Miss Elegante". Neste primeiro concurso, Corina Baldo foi secundada por Maricy C. Rodrigues e Ninon Seliler. Ribeiro Martins era o organizador. José Ronaldo, o figurinista e os vestidos usavam tecidos da Fábrica Bangu. Concorriam jovens da sociedade, de clubes do Rio e de todo o país.


O “Golden Room” do Copacabana Palace foi inaugurado em 26/12/1940 num evento inesquecível, segundo descreveram os jornais da época: “Decorado por Henrique Liberal, o novo “Golden Room” apresenta um ambiente originalíssimo, sóbrio e chic. Impressiona pela harmonia do conjunto, pela pureza de concepção. Integrada nesse ambiente de bom gosto, movia-se uma sociedade de bom gosto. As senhoras, exibindo os últimos figurinos, transformavam o acontecimento numa autêntica parada de elegância, impressionando pela variedade de cores e de modelos, pela riqueza das “toilettes” e pela graça dos movimentos. Os cavalheiros, impecáveis, rendiam-lhes as homenagens de olhares elogiativos.”

Entre os artistas que se apresentaram na noite de inauguração destacaram-se Laura Suarez, Francisco Ferreira, Eros Volusia, Greta Keller e a orquestra de Guy de Nogrady, com o célebre cimbalista Codolban e o pianista Naum Kramer.


Esta fotografia mostra um outro evento, um Baile de Debutantes, no "Golden Room" do Copacabana Palace, no ano de 1949.


Em agosto de 1953, meses após o primeiro concurso "Miss Elegante Bangu", um grande incêndio aconteceu no Copacabana Palace. O fogo começou nas dependências do restaurante “Bife de Ouro”, destruiu o “Golden Room”, o “Teatro Copacabana” e parte da boate “Meia-Noite”. 


Esta foto mostra como ficou o belíssimo "Golden Room" após o incêndio. Os bombeiros tiveram muito trabalho, faltou água e a solução foi usar a água da piscina. As obras de reforma se estenderam até o início de 1954. A reabertura deu-se com a espetacular cantora Joyce Bryant, sendo que a nova decoração ficou a cargo de João Henrique e Silvio Dodsworth.


No ano seguinte, já com o "Golden Room" em pleno funcionamento, a eleita foi Sonia Carneiro, que aparece em foto ao lado de Marta Rocha. Sonia também representava o Clube dos Caiçaras.
Eram outros tempos. 


sábado, 21 de janeiro de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - CHOCOLATES DE ANTANHO

CHOCOLATES DE ANTANHO, por Helio Ribeiro

A postagem de hoje versa sobre as delícias de chocolate que existiam antigamente. Algumas sobreviveram à passagem do tempo, outras não, outras apenas mudaram de nome. Antes de passarmos às delícias, vejamos um pouco de história, segundo a Wikipedia.

A palavra chocolate provém do castelhano chocolate, por sua vez foi originado a partir de línguas indígenas mesoamericanas. Contudo, sua etimologia não está completamente esclarecida, existindo versões diferentes para tal.

Sua origem remonta às civilizações pré-colombianas da América Central. A partir dos Descobrimentos, foi levado para a Europa, onde se popularizou, especialmente a partir dos séculos XVII e XVIII. Contudo, devido às necessidades climáticas para o cultivo do cacau, não é possível o seu plantio na Europa e por isso as colônias americanas de clima tropical úmido continuaram a fornecer a matéria-prima.

O chocolate, tal como é consumido hoje, é resultado de sucessivos aprimoramentos realizados ao longo dos séculos. O produto era consumido pelos nativos na forma de uma bebida quente e amarga, de uso exclusivo da nobreza. Os europeus passaram a adoçar e a misturar especiarias para adequá-lo ao seu gosto. Com o desenvolvimento dos processos industriais e técnicas culinárias, surgiu o chocolate com leite e depois na forma de um sólido. Atualmente são infindáveis as versões em que ele se apresenta.

Paralelamente, o chocolate passou a ser associado a determinadas festividades, como por exemplo a Páscoa. Além disso, com as descobertas científicas, foram conhecidas algumas propriedades que o relaciona, especialmente na versão amarga, à saúde humana. Contudo, o mesmo não se aplica a diversos animais domésticos, para os quais pode chegar a ser tóxico.

No Brasil, os grandes fabricantes de chocolate são (ou foram) a Nestlé, a Bhering, a Garoto e a PAN (Produtos Alimentícios Nacionais). Outros fabricantes: Falchi, Sonksen, Neugebauer e Lacta.

Vamos agora à seleção que fará parte desta postagem. Nunca fui muito fã de chocolate, por isso pedi auxílio a minha esposa, que durante muitos anos foi chocólatra.

 

1) Alpino 

Lançado pela Nestlé em 1959, inicialmente na versão bombom.

Luiz: por muitos anos foi meu preferido. Comprava em uma caixa grande. O gosto era muito melhor do que o atual.


2) Baton



Lançado pela Garoto em 1948, com o nome "Leite e Mel", tendo posteriormente sido rebatizado para Baton em virtude de seu formato.

Luiz: passo.

 

3) Laka 


Lançado em 1962 pela Lacta. Na Internet há um conflito entre o Laka e o Galak como tendo sido o primeiro chocolate branco produzido no Brasil. Estranhamente, a data de lançamento do Galak é 1960, o que o tornaria o primeiro. Mas não sei até que ponto essas datas são confiáveis.

Alguns não consideram chocolates brancos como chocolates verdadeiros, já que não são feitos com a polpa do cacau e sim com a manteiga de cacau.

Luiz: detesto. Para mim isto não é chocolate.

4) Cigarros de chocolate


Lançados em 1941 pela PAN. A ideia era fabricar um produto que desse às crianças a impressão de já serem adultos, pois fumar era um hábito muito comum na época.

Para ilustrar o produto escolheram a foto de Paulo Augusto Cruz, que desde os 11 anos de idade personificava o palhaço-mirim Berinjela. Por ser natural da cidade paulista de Pompéia, o menino era conhecido como Paulo Pompéia. Como Berinjela fazia muito sucesso entre as crianças, ao excursionar junto ao Circo Garcia, a PAN resolveu usar a foto de Paulo na propaganda do produto.

Luiz: Passo também.

 

5) Croquete


Lançado pela Nestlé em meados da década de 1970. Vinha num tubo de papelão, novidade na época. 

Luiz: Na falta de outro, servia, mas não apreciava muito.


6) Diamante Negro



Lançado pela Lacta em 1939, como homenagem a Leônidas da Silva, apelidado de Diamante Negro e considerado o melhor jogador da Copa do Mundo de 1938. A Lacta pagou na época três mil réis pelo uso do nome do atleta.

Luiz: outro que passo. 

7) Kri


Na verdade, eram flocos de arroz misturados a chocolate. Foi lançado pela Nestlé em 1971. Seu nome era uma onomatopeia do ruído que fazia o produto ao ser mastigado. No resto do mundo se chamava Crunch, também uma onomatopeia. Em 1992 a Nestlé alterou o nome do Kri para Crunch.

Luiz: nunca experimentei.

 

8) Moedas de chocolate


 É um produto da PAN, mas não consegui descobrir sua data de lançamento.

Luiz: é antigo e ruim. Pouco chocolate e estava sempre mole, por conta do calor.

9) Galak


Lançado pela Nestlé em 1960. Na Internet há um conflito entre o Laka e o Galak como tendo sido o primeiro chocolate branco produzido no Brasil. Estranhamente, a data de lançamento do Laka é 1962, o que não o tornaria o primeiro. Mas não sei até que ponto essas datas são confiáveis.

Alguns não consideram chocolates brancos como chocolates verdadeiros, já que não são feitos com a polpa do cacau e sim com a manteiga de cacau.

Luiz: detesto. Para mim isto não é chocolate.


10) Prestígio


Lançado em 1961 pela Nestlé.

Luiz: outro que nunca experimentei.

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Este foi um breve apanhado de alguns chocolates lançados há décadas no mercado brasileiro.

Embora eu tenha afirmado nunca haver sido fã de chocolate, seria mentira dizer que ao longo das minhas sete décadas de vida eu nunca tenha comido um chocolate. Dos exemplos acima, entretanto, nunca provei Laka, Croquete, Diamante Negro e Kri. E o Prestígio é aquele que mais vezes comi.  

 





sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

ONDE É?


 FOTO 1


 FOTO 2


 FOTO 3 (acho que já foi publicada)


 FOTO 4 (fácil, necessário identificar os carros)


 FOTO 5




quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

MORRO DO SENADO

Sempre digo que o importante não é saber tudo, mas saber a quem perguntar. Face aos comentários de ontem sobre o Morro do Senado, fui consultar os alfarrábios e os amigos do Rio Antigo, como o Rouen, JBAN, Luiz Moniz Figueira, Helcio Fraga, Henrique Hubner, entre outros, além de consultas à Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional (acervo Correio da Manhã e do Ministério da Viação e Obras) e Arquivo Nacional.


Panorama em 1854. Vista do Morro de Santo Antonio para as ruas do Lavradio (1º plano), Inválidos, Senado (à direita) e 20 de Abril (ao fundo). Lá atrás, o Morro do Senado.


Mapa da região do Centro com o Morro do Senado.

Na parte central desta foto, do Acervo da Light, observamos uma área clara onde havia o Morro do Senado, quando ainda faltava uma parte para o seu desaparecimento total.

A foto foi tirada, provavelmente, de Paula Mattos. Lá embaixo vemos o que seria hoje a Av. Henrique Valadares. A Praça da Cruz Vermelha fica bem no meio das obras de desmonte. Quem for da Cruz Vermelha para o Campo de Santana pela Rua 20 de Abril verá que ainda há um declive entre a praça e a Frei Caneca. O Largo das Neves está atrás e à direita do fotógrafo, para o lado do Catumbi. Abaixo observamos parte da Rua do Riachuelo e, à esquerda, ao longe, vemos a torre do prédio do Corpo de Bombeiros, em frente ao Campo de Santana (Praça da República). 

A concessão para o desmonte foi feita em 1879, para o Dr. Possidonio de Carvalho Moreira para arrasar o Morro do Senado e aterrar os pântanos do Rio de Janeiro. No início do século XX a concessão fazia parte do patrimônio da Empresa Industrial e Melhoramentos do Brasil, mas a partir de 1906 outra firma se encarregaria de finalizar os trabalhos.



Ano de 1878 - Plantas do projeto de desmonte do Morro do Senado e do aterro da enseada de São Diogo, São Cristóvão e adjacências.


Foto de Juan Gutierrez, da última década do século XIX, com o Morro do Senado ao fundo. O desmonte do Morro do Senado foi feito para preencher a área dos terrenos alagadiços proporcionando a ampliação do cais do porto. Foi desmontado entre 1880 a 1906 (mais adiante está explicado o que ocorreu após 1906).

A foto mostra a existência de um plano inclinado entre as ruas Matacavalos (atual Riachuelo) e o Largo dos Guimarães, em Santa Teresa. O equipamento movido a vapor foi inaugurado em 1877 e permaneceu em funcionamento até 1894.




Texto do livro "Impressões do Brasil no século XX", de 1913, garimpado pelo Moniz Figueira:

"Em 1906, foi fundada a firma C. F. Hargreaves, com o fim de executar no Rio trabalhos importantes de movimento de terras, com especialidade o arrasamento do Morro do Senado e transporte do aterro para o cais do porto. (...)

Situado em parte central da cidade, ocupando uma área de cerca de 30 acres e tendo uma altura de perto de 200 pés, não só constituía um obstáculo de feia aparência, mas impedia também a ventilação desta parte do Rio, conhecida como Cidade Nova, que é tão densamente povoada. Os trabalhos de arrasamento, que haviam sido começados 18 anos atrás, seguiam muito morosamente e com frequentes e prolongados intervalos, quando, em 1906, foram incorporados às obras do porto, contratadas com os srs. C. H. Walker & Co., Londres; e os trabalhos ficaram tendo assim um duplo fim, o arrasamento do morro e o aproveitamento do material para o aterro do espaço entre a muralha do novo cais e o antigo litoral.

O volume de terras a remover foi em 1906 calculado em 2.200.000 metros cúbicos, devendo os trabalhos de remoção ficar prontos num período de 5 anos, a partir de setembro de 1906. O transporte desta massa formidável, através de uma zona da cidade das mais povoadas e pela distância de 4½ milhas, oferecia alguma dificuldade e requeria cuidados e minucioso exame. Depois de algum estudo, foi resolvido fazê-lo em trens correndo sobre as linhas dos tramways.

O material era tirado do morro, posto nos vagões por meio de escavadores mecânicos movidos a vapor; os vagões eram reunidos, formando trens rebocados primeiro por locomotivas a vapor e em seguida por locomotivas elétricas. Os trens eram formados com 6 vagões cada um, tendo cada vagão uma capacidade de 5 metros cúbicos; e começaram trafegando pelas ruas da cidade, noite e dia, a intervalos de 15 minutos. (...)

Os trabalhos estão quase terminados e o Morro do Senado só existe na história da cidade. Estão já sendo levantadas casas no seu antigo local e, dentro de poucos meses, avenidas e ruas estarão construídas; a mais importante das quais será a que vai ligar a Estrada da Tijuca diretamente com a parte meridional da cidade. Este trabalho foi também executado por C. F. Hargreaves & Cia., que receberam sub-empreitadas dos empreiteiros C.H. Walker & Co."



Esta foto do Arquivo Nacional, do Fundo do Ministério da Viação e Obras Públicas, tem o seguinte texto no verso: "Parte do Morro do Senado, em zona de propriedade da União, que precisa ser arrasada, a fim de valorizar a mesma e não tendo sido até agora em virtude da posição do prédio dos Srs. Dr. Carlos Oscar Lessa e Antonio Dias Carneiro."

No início do século XX, conforme os trabalhos se arrastavam, o “Correio da Manhã” registrava um tal número de assaltos nas cercanias do Morro do Senado, que dizia que a população já a ele se referia como “Morro dos Ladrões”. Além disso, reportava uma série de acidentes com os operários que ali trabalhavam.

O “Correio da Manhã”, em 1907, publicou reclamação dos moradores das vizinhanças do Morro do Senado, pelo uso de dinamite, que chegou a causar o desabamento do prédio da Rua do Senado nº 161.

Com o produto do desmonte do Morro do Senado foi possível realizar o grande aterro na área do porto e construir as Avenidas Rodrigues Alves e Francisco Bicalho, entre outras vias. Como vimos ontem, a Av. Mem de Sá foi aberta alguns anos depois do desmonte (1917), cortando outras ruas em diagonal.

A terra era transportada em vagões puxados por barulhentas locomotivas, do Morro do Senado para a praia de Santo Cristo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

LAPA - AVENIDA MEM DE SÁ

A Av. Mem de Sá começa no Largo da Lapa e termina na Rua Frei Caneca. Tem origem no Dec. 1165 de 31/10/1917.

Conta Berger que, apesar das obras de demolição do Morro do Senado terem sido iniciadas em fins de 1900, foi na administração de Pereira Passos que o seu arrasamento se completou. Assim construiu importante via diagonal que ligava a Lapa à Tijuca e São Cristóvão, a qual deu o nome de Av. Mem de Sá.


Nesta foto, dos anos 30, vemos a Praça dos Governadores, atual Praça João Pessoa, na confluência da então Rua Gomes Freire (viraria avenida em 1940) com a Avenida Mem de Sá. Bem ao fundo temos parte dos Arcos da Lapa.

Podemos observar o ritmo vagaroso da cidade naquela época, com o bonde de registro "361", da linha "Barcas", com todos os passageiros de paletó, dirigindo-se para a Praça XV. Na lateral do bonde um anúncio da peça teatral “O Boccacio”, de Franz Supée, no Teatro República, com a “vedeta” Clara Weiss como protagonista.

Mais atrás, o bonde de registro "385", da linha "Praça da Bandeira", com o motorneiro coçando o queixo, avaliando a situação.

À esquerda, mulheres em seus vestidos compridos observam a vitrine de uma loja de roupas. Mais uma vez vemos o hábito de utilizar "sombrinhas" para proteção contra o sol. Observar também o belo poste de luz na esquina.

Alguns desse sobrados existem até hoje na Av. Mem de Sá, alguns recuperados, outros em péssimo estado. 

 

  Detalhe do bonde "Barcas" de nº 361.

  Detalhe do bonde "Praça da Bandeira" de nº 385.

Imagem do Google Maps mostrando aspecto atual da Praça João Pessoa.


Aqui uma pergunta para os especialistas: o bonde 29 estaria na Av. Mem de Sá? Alguns defendem que está na Av. Gomes Freire.


Aqui, salvo engano, estamos no encontro das ruas do Senado, General Caldwell e Avenida Mem de Sá.