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sábado, 6 de abril de 2024

ENFERMEIRAS DE EMERGÊNCIA DO EXÉRCITO (2)

Complementando a postagem de 01/04/2024,  https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2024/04/enfermeiras-de-emergencia-do-exercito.html , publico fotogramas de filme enviado pelo prezado Menezes, cuja esposa é Coronel do Exército.

O filme aborda a presença de mulheres nas corporações militares.

O "Saudades do Rio" agradece ao Menezes e, mais uma vez, parabeniza as voluntárias brasileiras na 2ª Guerra Mundial.

Capa da revista "O Cruzeiro" com uma das voluntárias.

Elza Cansanção uma das militares mais condecoradas do país.

Acampamento com as barracas das brasileiras na Itália.

Os relatos dos "pracinhas" sobre o quanto as enfermeiras militares ajudaram são comoventes. Além de atuarem cuidando das doenças e ferimentos, davam um grande apoio moral naqueles momentos tão difíceis, bem como escreviam cartas para as famílias.

Umas das enfermeiras com os comandantes da tropa.


Imagem do trabalho a bordo na volta para o Brasil.


sexta-feira, 5 de abril de 2024

VIDIGAL


A foto é dos anos 70 e mostra a obra de construção do Hotel Sheraton, na Av. Niemeyer. Foi inaugurado em setembro de 1974 e completará 50 anos no segundo semestre deste ano.

O Hotel Sheraton causou um desequilíbrio no mercado ao anunciar uma diária inferior aos hotéis de sua categoria. Cobraria 26 dólares pelo quarto de solteiro standard, 29 dólares pelo superior e 32 dólares pelo de luxo. Os quartos de casal sairiam por 32, 35 e 38 dólares respectivamente. 

Ofereceria 3 piscinas, jardins, anfiteatros, centro de convenções para 1200 pessoas, cinco bares, três restaurantes, room service por 24 horas, centro de saunas e várias lojas. Teria 617 quartos em 26 andares e um staff que contaria com cerca de 700 integrantes.

Com inauguração prevista para 24/9/1974, começou a funcionar em escala reduzida para treinamento do pessoal, abrindo 10 andares e 300 apartamentos.

A expectativa era que o emissário submarino de Ipanema já estaria pronto quando da inauguração, mas havia dúvidas. O Sheraton pensou em maneiras de funcionar caso isto não acontecesse, inclusive fazendo uma "odorização" no hotel, para suavizar eventual mau-cheiro. E a água de uma piscina seria oriunda do mar e seria filtrada.

Foto de autoria de Alfred Eisenstaedt, tirada em 1973, do acervo da LIFE. 

A obra que gerou controvérsias na época, foi saudada como a chegada de um hotel 5 estrelas de cadeia americana ao Rio e execrado pelo tamanho monstruoso e por afetar a paisagem vista de Ipanema e Leblon. 

A Avenida Niemeyer, que tinha tudo para ser a nossa "Costiera Amalfitana", já enfrentava naquela época problemas pela ocupação desordenada do morro.


Foto de autoria de Alfred Eisenstaedt, tirada em 1973, do acervo da LIFE. 

Não consegui descobrir quem é a modelo das fotos (não esqueçam de ver que existe um hotel lá no fundo...).

Apesar de sofrer um pouco com a proximidade da favela do Vidigal, o hotel mantém um bom relacionamento com a comunidade, onde moram muitos de seus funcionários. Os regulares episódios de violência afetam, mas não inviabilizam, o hotel, que opera no local sem maiores problemas.

A aparência é um tanto bizarra, destoando completamente da paisagem ao redor. Assim como é bizarra a própria a favela.


Foto de autoria de Alfred Eisenstaedt, tirada em 1973, do acervo da LIFE. 

Tanto a favela quanto o monstrengo que é o hotel, agridem a paisagem. A diferença é que a favela é oficiosa, enquanto em relação ao hotel a agressão é oficial, com licença para funcionamento e tudo. Parece um prédio inacabado, um esqueleto. 


A propaganda do lançamento do hotel dizia que havia uma "praia privativa". Criou-se uma celeuma pública que chegou ao conhecimento da Capitania dos Portos.

Na ocasião o titular da Capitania dos Portos, Comandante Bernard David Blower, se manifestou dizendo que “de acordo com a legislação brasileira as praias são bens públicos de uso comum do povo e como tal são consagradas em caráter de perpetuidade à utilização geral pelos habitantes do país”.

A "solução" do hotel foi criar um acesso com 141 degraus, da calçada da Av. Niemeyer até a areia. Ou seja, é desanimador ter que enfrentar a subida dos 141 degraus na volta e por isto poucos não-hóspedes a frequentam. Dizem que, a depender do gerente de turno, autorizam voltar de elevador por dentro do hotel, mas que fazem o possível para negar. Imagino que mantenham seguranças junto ao acesso.


Esta foto é de 1999 e foi enviada pelo Roland, ex-comissário de bordo, que participou do último chope no Degrau.

Na época da inauguração o gerente-geral Gordon Boeder queixava-se da infraestrutura profissional para absorver turistas.

O filme “Grande Gatsby” foi exibido em pré-estreia lá no Hotel Sheraton como parte das comemorações da inauguração.

O regente titular da “Boston Pops”, Arthur Fiedler, se exibiu na inauguração do Hotel Sheraton, nos últimos dias de setembro de 1974. Ele atuou junto com a Banda da Polícia Militar.

Foi o 34º hotel desta rede e a cerimônia de inauguração foi presidida pelo Governador Chagas Freitas. 

A festa teve mais de mil convidados e foi animada pela bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel. 

O hotel fica em um terreno de intensa declividade com cerca de 30 mil metros quadrados, entre a própria Avenida Niemeyer e a praia. 

Da praia até a avenida são ao todo seis pavimentos. Os acessos ao hotel são feitos no sexto andar por este ficar no mesmo nível da via. Acima da avenida, são mais 18 andares de apartamentos. Ao todo, a espaçosa edificação conta atualmente com 596 apartamentos. Estando nela, pode-se chegar à praia de elevador – são quatro principais e dois de serviço – ou escada rolante.

Na década passada o Sheraton passou por duas grandes revitalizações.


quarta-feira, 3 de abril de 2024

SORVETES

 

Antigamente, antes de surgirem as "gelaterias" metidas a esnobes, quem fazia sucesso era a Kibon, com seus sorvetes como o “Jajá”, de coco; o “Kalu”, de abacaxi; o  “Tonbon”, de limão; além dos tradicionais “Chicabon” e “Eskibon”. Este numa caixinha de papelão azul e amarelo, retangular, embrulhado num papel. Eram vendidos nas carrocinhas amarelas com os sorveteiros de uniforme branco. Conservados gelados por meio do gelo seco que ficava dentro de uns estojos de metais acondicionados na carrocinha. 

Havia um depósito, em Copacabana, na Rua Santa Clara, entre as ruas Barata Ribeiro e N.S. de Copacabana, onde eram guardadas as carrocinhas. Sobre as carrocinhas ficavam as balas da Kibon: as coloridas, chamadas de “Delicados”. Saquinhos com  amendoim doce (que eu detestava). As jujubas moles. Barras de chocolate com leite e umas outras barras com recheio de baunilha envolvidas com chocolate. Espetados nas caixas de papelão, os pirulitos de variados sabores - os de morango deixavam a língua vermelha. E os chocolates Kibamba e Kikoisa, este com marshmellow. 


A Kibon dominava o mercado e sempre surgia com novidades, como o "tijolo", os copinhos com pás de madeiras, as latas, etc.


Nos anos 70 surgiu o Sorvete Rico, marca lançada pela SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) nos anos 70. Em novembro de 71 foi inaugurada a fábrica de sorvetes no Rio. Com 600 carrocinhas, a SANBRA lançaria 47 sabores, mas iria começar com 12, na base de frutas naturais. 

A fábrica ficava no quilômetro 3,5 da Via Dutra. Na minha opinão não era páreo para a Kibon.


Lá pela década de 80 foi lançado o Sorvete Hebon para concorrer com a Kibon. Após uma acirrada luta na Justiça a Kibon conseguiu proibir o uso deste nome, uma evidente manobra para confundir o consumidor. A saída, bem bolada, foi substituir por Sorvete Sem Nome.


Já nos anos 90 despontou a Yopa, que acabou virando Nestlé.


Em Ipanema, além dos sorvetes da Kibon, em meados do século passado quem fazia sucesso era a Sorveteria das Crianças, “Morais” para os íntimos. Começou como mercearia em 1936, na Rua Visconde de Pirajá, a uma quadra da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. A venda de sorvetes, de secundária passou a atividade principal. Inicialmente era um armazém, onde se vendia vinho, ovos, conservas e onde havia uma sorveteira bem pequena, para sorvete de creme, chocolate e flocos. O negócio se desenvolveu quando começou a fazer sorvete de tangerina, jabuticaba, cajá, fruta do conde. As casquinhas eram de aipim. Comia-se o sorvete com pazinhas de madeira. 

Nos anos 70, foi inaugurada a Sorveteria Alex, na Montenegro (o Alex era filho do Nelson, que tinha a famosa mercearia na esquina com Barão da Torre). A sorveteria está lá até hoje. A mercearia acabou.

No século XXI chegaram inúmeras outras marcas de sorvete, sofisticadas ou sacolés, além das tais gelaterias por toda a cidade.





segunda-feira, 1 de abril de 2024

ENFERMEIRAS DE EMERGÊNCIA DO EXÉRCITO

Esta postagem tem origem no acervo da Casa de Oswaldo Cruz, Fundo Virginia Portocarrero.

Para atuar no cenário da 2ª Grande Guerra, foi criado o Decreto-Lei nº 6097, de 13 de dezembro de 1943, com o Quadro de Enfermeiras de Emergência da Reserva do Exército (QEERE), cujas candidatas deveriam ser brasileiras natas, solteiras ou viúvas, ter entre 18 e 45 anos de idade e alguma formação prévia em enfermagem. 

Deste modo, 67 enfermeiras, sendo 61 hospitalares e 6 no transporte aéreo, foram integradas ao Serviço de Saúde da FEB, além de cerca de mil e trezentos médicos, dentistas, enfermeiros, farmacêuticos e padioleiros. 

No mesmo voluntariado, mas em situação administrativa diferente, foram incluídas na Força Aérea Brasileira outras seis enfermeiras.

Poucos conhecem a história dessas bravas moças brasileiras.


Esta é Virginia Portocarrero que nasceu em 23 de outubro de 1917, no Rio de Janeiro, filha de Tito Portocarrero e Dinah de Niemeyer Portocarrero. Viveu sua infância na Tijuca, estudou no Colégio Maria Imaculada, no Pedro II e na Escola Politécnica Nacional de Engenharia. Faleceu no Rio de Janeiro aos 105 anos.


O Governo solicitou voluntários e Virginia inscreveu-se sem o conhecimento da família e foi selecionada. Uma vez escolhida, era preciso realizar capacitação através de cursos e treinamentos e foi matriculada no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) - Quadro de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército Brasileiro (QEERE). 

A conclusão do curso foi em 2 de junho de 1944 e após essa data ficou à disposição do Primeiro Escalão da Força Expedicionária Brasileira, cujo contingente total era de 25.334 cidadãos, sendo 67 enfermeiras. Em 7 de julho de 1944, seguiu para Nápoles, Itália.

O treinamento não se limitava aos serviços pré-médicos e de socorro, mas abrangem também os exercícios corporais e as táticas de movimentação em campanha. O local deste treinamento foi  na Fortaleza de São João, onde foram instruídas pela Sra. Iris Rodrigues Belo, entre outros.


A primeira turma de 50 enfermeiras se destinava a acompanhar a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária,. A parte militar tinha como instrutor o Capitão Carlos de Meira Matos, designado pelo General Mascarenhas de Moraes, auxiliado pelos sargentos Bacelar e Willy.

O Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), comportava três módulos: parte teórica, preparação física e instrução militar. O treinamento oferecido representou uma estratégia de homogeneização do comportamento das candidatas, mediante a absorção de um habitus militar e possibilitando-lhes enfrentar um cenário simulado, com as implicações que pudessem advir de uma zona de conflito.


As enfermeiras serviram nos hospitais militares, comandados pelos norte-americanos. A proximidade com a linha de fogo variava de acordo com o tipo de hospital (estacionamento, campanha, evacuação). Isso não as livrou dos perigos da guerra, já que as áreas hospitalares também foram atingidas por bombardeios, incêndios, alagamentos e explosões de minas. Algumas enfermeiras sofreram ferimentos graves em serviço, como Graziela Afonso de Carvalho, evacuada de volta ao Rio de Janeiro.

As enfermeiras (67 jovens) que se juntaram às tropas brasileiras da FEB e à Força Aérea Brasileira (seis do Grupo de Caça Aéreo da FAB) rumo à Itália serviram em quatro diferentes hospitais de campanha do exército norte-americano, montados em Nápoles, Valdibura, Pisa, Pistoia e Livorno. 


As jovens, formadas nas escolas de enfermagem do Rio (Anna Nery, Alfredo Pinto (UniRio), Cruz Vermelha Brasileira) e de São Paulo (Escola de Enfermagem da USP), tornaram-se as primeiras mulheres a ingressar no serviço ativo na história das Forças Armadas no país.

Os requisitos não eram simples. Para inscrever-se, a jovem devia ser brasileira nata, solteira ou viúva, sem filhos, e ter entre 20 e 40 anos. Era preciso apresentar diploma de enfermeira ou certificado de curso de samaritana, voluntária socorrista ou declaração de um estabelecimento de saúde atestando o exercício da função de enfermeira.


Aqui temos uma listagem de 50 voluntárias que fizeram o curso. As que se casaram durante o curso foram dispensadas.


A programação de uma semana do curso preparatório.




A distribuição das alunas no estágio no Hospital Central do Exército.


Vemos nesta foto Elza Cansanção Medeiros, uma das mais destacadas e condecoradas mulheres do Exército Brasileiro. Tive o prazer de conhecê-la muitos anos depois da guerra em alguns eventos realizados no Hospital da Cruz Vermelha.

A  colorização da foto foi feita por Johann Bauermann.


A montagem fotográfica pelo amigo Gustavo Lemos e homenageia a Major Elza Cansanção Medeiros, veterana da FEB - Força Expedicionária Brasileira. Ela foi a primeira brasileira a se apresentar como voluntária na Diretoria de Saúde do Exército, para lutar na Segunda Guerra Mundial, aos dezenove anos de idade. 

Embora sonhasse em lutar na linha de frente, teve que se conformar em seguir como uma das setenta e três Enfermeiras no Destacamento Precursor de Saúde da Força Expedicionária Brasileira, uma vez que o Exército Brasileiro, à época, não aceitava mulheres combatentes.

Conta o Gustavo: "Tenho certeza que os mais velhos vão reconhecer a importância dessas mulheres que foram um exemplo para toda uma geração. Elas abriram portas para muita gente e raramente são lembradas." 

A Major Elza atuou como Oficial de Ligação e Enfermeira-Chefe no 7th. Station Hospital, em Livorno. Foi a mulher mais condecorada do Brasil, com mais de 200 medalhas. 


sexta-feira, 29 de março de 2024

SEXTA-FEIRA SANTA NO CINEMA PIRAJÁ


O Cinema Pirajá, foi a primeira grande sala do Grupo Severiano Ribeiro, no Rio de Janeiro. Ficava na Rua Visconde de Pirajá nº 303, em Ipanema e foi inaugurado em 17/09/1936. Chegou a ter 1960 lugares e foi demolido em 1975.

O jornal "Beira-Mar"assim se referiu ao prédio quando de sua inauguração: "O primor da fachada, na sobriedade de suas linhas, a suntuosidade do hall e varandas e o requintado modernismo da sala de projeção formam um admirável conjunto em que, mais uma vez, patenteia-se a boa vontade da empresa Severiano Ribeiro e a competência dos engenheiros da Companhia de Melhoramentos e Construções". 

Frequentei o Pirajá a partir da década de 50, quando ele já era um "poeira" muito querido. Acho que não tinha ar-condicionado, as cadeiras eram de madeira (mas reclinavam um pouco) e dos dois lados da plateia havia portas com venezianas, através das quais entrava a luz do dia na sala de projeção.

Mas seu dia de glória eram as Sextas-Feiras Santas, quando exibia o filme "Vida e Paixão de Jesus Cristo", que levava multidões ao cinema, com longas filas se estendendo pela Rua Visconde de Pirajá, ainda calçada com paralelepípedos.

O filme era antiquíssimo, datado do início do século, do tempo do cinema mudo. O filme acompanha Jesus desde a cidade de Belém, onde Maria o concebe na manjedoura, até sua ressurreição, com todo rigor bíblico. O público acompanhava seus milagres, a integração dos Doze Apóstolos cm busca do bem, a última ceia, seu julgamento em praça pública e sua crucificação.

Filmado no ano de 1902, este filme foi um dos primeiros filmes sobre a vida de Jesus Cristo já feito. O diretor foi Lucien Nonguet e os atores foram Monsieur Moreau,  Ferdinand Zecca, Madame Moreau, Robert Henderson-Bland, Percy Dyer, Gene Gauntier.

Até o início da década de 60 a Sexta-Feira Santa era um dia triste, com as rádios só tocando música clássica. Não havia nenhum evento esportivo, os bares e restaurantes tinham frequência mínima, boa parte dos cariocas praticava o jejum e a abstinência de carne, as igrejas católicas cobriam todas as imagens com um pano roxo.

Se bem me lembro os jornais não circulavam e todo o comércio ficava fechado. Havia pouco movimento nas ruas e era um dia em que as brincadeiras das crianças tinham que ser mais comedidas, todos procurando falar baixo.

Na TV a programação também era adaptada para o dia de respeito pela morte de Jesus Cristo. Muitos já preparavam os "Judas" que seriam malhados no dia seguinte.

À tarde havia solenidades nas igrejas, com muito incenso e um clima de tristeza. A seguir, a "Via Sacra" e o dia terminava com a procissão.

Hoje em dia é bem diferente.

quarta-feira, 27 de março de 2024

MANEQUINHO

A estátua do Manequinho foi inaugurada em 20/6/1913 no saguão do prédio de nº 116 da Av. Rio Branco. Foi obra de Belmiro de Almeida. Um ano mais tarde foi instalado na Av. Rio Branco, em frente ao Clube Militar, onde mais tarde Francisco Serrador faria surgir a Cinelândia. 


Neste postal de A. Ribeiro, da coleção do amigo Klerman W. Lopes, vemos o Manequinho já em frente do Clube Militar. 


Neste outro postal vemos o Manequinho com o Palácio Monroe ao fundo. Ainda não havia começado a construção dos edifícios do "Bairro Serrador", como era denominado o espaço entre o Teatro Municipal e o Monroe. 

Francisco Serrador, o idealizador da Cinelândia, costumava dizer que a ideia da Cinelândia nascera a partir dos escombros do Convento da Ajuda. O objetivo era ter o projeto da Cinelândia pronto por ocasião do centenário da Independência, em 1922, mas não foi possível. As obras dos quatro primeiros prédios da Cinelândia foram iniciadas em 1923 e a inauguração do primeiro cinema desta área, o Capitólio, deu-se em 1925. Depois vieram o Glória, o Império e o Odeon, este em 1926. O Pathé-Palace é de 1928, o Alhambra é de 1932, o Rex de 1934 e o Rio de 1935.


Em 1925 deixou a região após um movimento liderado por uma "Liga pela Moralidade", organização católica que pretendia zelar pela moral e o bons costumes:

"Levantam-se os clamores de indignação contra livros, filmes, figuras immoraes e certos autores immoralissimos que por ahi andam. Outros, por depravação do espírito, vão comprá-los ou apreciá-los. Que haja policiamento contra tudo isto. Assim como importa, antes de todos, aos pais. Permittir que a filha ingennua, que vem florindo para a vida, veja algo pornografico é semear-lhe na alma o soffriemento futuro. Quando os pais têm pudor, os filhos também o têm. Assim, aos pais, toda a culpa do sacrilégio. Que os que ouvirem a acusação da consciencia tenham, pelo menos, d´agora por diante, a coragem de reagir contra a tendencia má dos filhos, contra a sua própria falta de imoralidade."

Tantos foram os protestos que a loja "Pavilhão" aproveitou a oportunidade para um bem bolado anúncio, vestindo o Manequinho. A "Liga pela Moralidade", que buscava o saneamento moral da sociedade brasileira, deve ter ficado muito satisfeita.

Em 1957, quando o Botafogo foi campeão carioca, o Manequinho foi vestido com a camisa alvi-negra. Foi uma final histórica, a que eu tive o privilégio de assistir. 6x2 no Fluminense, com atuações espetaculares de Garrincha e de Paulinho Valentim, sendo que este fez cinco gols.



Algum espertinho adaptou uma mangueira e coletou água do Manequinho, talvez em um das crises de abastecimento tão comuns no Rio dos anos 50 e 60.

A foto acima mostra a estátua, em 1964, no Mourisco, nas imediações do Cinema Guanabara (esta transferência fora feita durante o Governo do Prefeito Alaor Prata). 

Vemos a fiação dos ônibus elétricos. Poucos anos depois seria construído neste local o viaduto Pedro Alvares Cabral. À esquerda, o desaparecido cinema Guanabara. Os sobrados desapareceram para dar lugar à Rua Alvaro Rodrigues.

Aqui vemos o Manequinho em 1971, em foto de Gyorgy Szendrodi. 


O Manequinho em plena forma, com um fluxo de dar inveja...


Após várias mudanças de local o Manequinho está há algum tempo em frente à sede do Botafogo, na Av. Venceslau Brás. A estátua é uma réplica, pois a original foi furtada no final do século passado.


segunda-feira, 25 de março de 2024

LARGO DO BOTICÁRIO

 

Esta foto, dos anos 60, mostra o Largo do Boticário, no Cosme Velho. Começou a ser habitado em 1831, pelo boticário da família real Joaquim Luiz da Silva Souto, que ali morou em uma fazenda.

A casa nº 32 foi construída em 1846. 
Nos anos 1920 20, o empresário Edmundo Bittencourt, fundador do jornal "Correio da Manhã", comprou os terrenos disponíveis e construiu casas em estilo neocolonial, utilizando material antigo proveniente de demolições.

Nos anos 1930, o colecionador de arte e mobiliário dos séculos XVII e XVIII Rodolfo da Siqueira, muito contribuiu para o cenário neocolonial em que foi, aos poucos, sendo transformada a paisagem do Largo.

Nos anos 40, o arquiteto modernista Lucio Costa reformou muitas das casas, para melhor ressaltar o estilo da época.


Situado no fim do Beco do Boticário, no Cosme Velho (o beco fica entre os números 228 e 232 da Rua Cosme Velho), o Largo do Boticário recebeu este nome por ali ter propriedade Joaquim Luís da Silva Souto, que exercia a profissão de boticário ou farmacêutico. 

Quem o identificou como boticário foi Vieira Fazenda em "Antigualhas". Mas a pesquisadora Maria Carlota B. Lima Menescal, nada encontrou sobre isto. Acha ela que a profissão de Joaquim José da Silva Souto era militar, Sargento-mor das antigas forças do Brasil-Colônia, o que, por outro lado, não o impediria de popularizar-se também nas redondezas como fazedor de unguentos e xaropes. 

Conta Brasil Gerson que as terrras onde se situa o Largo e o Beco, foram aforadas a Joaquim José da Silva Souto, em 1831.

O Largo do Boticário ficava na chácara do Barão da Glória. Foi restaurado com calçamento e um chafariz próprios do seu passado pelo Prefeito Prado Junior e mandado conservar com essas suas características pelo Prefeito Henrique Dodsworth. 

O Largo é uma das poucas áreas urbanas onde é possível ver um rio correndo a céu aberto: o Rio Carioca, que nasce na Floresta da Tijuca e deságua na Baía de Guanabara, na altura do bairro do Flamengo, mas que tem a maior parte de seu curso acontecendo de forma subterrânea.


A pavimentação do local também passou por mudanças. No passado, eram pedras irregulares chamadas "pé de moleque", o que ainda é bastante comum de ser encontrado em algumas cidades históricas pelo Brasil. Depois aconteceu uma substituição pelas lajes de pedra, que permanecem ainda hoje.

Foi lá também que Cândido Portinari, um dos mais importantes pintores de nosso país e criador de algumas das obras de arte mais famosas do Brasil, pintou o retrato da ex-proprietária Sybil Bittencourt, já adulta. Ela, que faleceu no início de 2022, aos 98 anos, foi uma das antigas moradoras mais engajadas na luta pela preservação do local.

Uma das casas foi também residência do padrinho de Machado de Assis, o marechal Joaquim Alberto de Souza Pereira. Outra moradora ilustre foi a famosa crítica teatral Barbara Heliodora, filha de Marcos de Mendonça.


Os comentaristas mais antigos irão se lembrar dessas quatro moças. São as famosas primas da Tia Milu, que vieram do Sul para passar as férias no Rio. A série de fotos que fizeram de seu passeio fizeram sucesso nos antigos FRA-Fotologs do Rio Antigo.

Nesta foto estão junto à bica/chafariz do Largo do Boticário.  

Como acontece com frequência no Rio, a bica desapareceu misteriosamente nos anos 1980.


Após tempos de glória, o local que sempre aparecia nas colunas sociais por conta das festas luxuosas que ali aconteciam, passou por uma temporada de degradação, tendo até algumas casas sido invadidas.

Há uns poucos anos a rede Accor de Hotéis comprou todo o local e o restaurou completamente para ali instalar um "hostel" chamado "Jo&Joe".

Sobre o Cosme Velho já houve uma publicação sobre o edifício Águas Férreas em

https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2023/12/aguas-ferreas.html

O Cosme Velho abrigou, perto do Largo do Boticário, inúmeras mansões tais como conta o famoso psicanalista Francisco Daudt que, aliás, tem um ótimo filmete sobre o bairro no YouTube chamado “Cosme Velho – anos 70”.

Entre as mansões estão as da família Oswaldo Aranha, a de onde morou Machado de Assis, a de Austregésilo de Athayde, Wolf Klabin, a de onde morou Portinari, outra de Cecilia Meireles, outra onde ficava o Museu de Arte Naïf, a de Cicero Sandroni, a da família Rabello, a de onde morou Barbara Heliodora, etc.