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segunda-feira, 12 de junho de 2017

LEBLON

Sempre tive vontade de publicar esta foto do acervo da Myrian Gewerc, garimpada pelo Decourt para o “Foi um Rio que passou”.
 
 Vemos o Leblon  nos anos 50. Como conta o Andre Decourt, "Estamos na Av. Ataulfo de Paiva, praticamente em seu final, a primeira esquina que vemos é a da Rua General Artigas. Podemos observar um bairro praticamente horizontal, tranquilo e despretensioso, praticamente o final da cidade na época, lembrando uma cidade do interior.
 
Seria impensável nos dias de hoje a rua totalmente vazia, revestida de paralelepípedos, com calçadas ainda na terra e com residências de grandes quintais, sobrados comerciais e prédios espaçados e em grande parte com poucos pavimentos. O grande terreno ajardinado deu lugar no meio dos anos 70 a um dos grandes prédios comerciais com galerias do bairro, o “Vitrine do Leblon”. Já o pequeno sobrado comercial que vemos bem na esquina sobrevive até hoje, sem seus ornamentos art-déco e revestido de pastilhas, resultado de alguma reforma nos anos 60 ou 70 (atualmente no térreo funciona a Vezpa Pizzas).
 
O prédio de onde esta foto foi tirada ainda existe, sendo possivelmente o que fica ao lado da Padaria Rio-Lisboa e que abriga o Talho Capixaba.
 
Mais a frente, após a esquina da Rua Rainha Guilhermina, o grande prédio existe até hoje. É um dos pioneiros no bairro, com a típica arquitetura dos bons prédios da década de 50, sendo o número 1.165 da Ataulfo de Paiva.”
 
Leonel Salgueiro confirma a década da foto, “pois o prédio de número 1.165, foi uma incorporação feita pelo meu Pai, Leonel Nunes Salgueiro, mais o seu irmão José e outros dois sócios em 1949, sendo o 1° prédio de 8 andares do Leblon. Minha Mãe morou nele, exatamente 60 anos, de 1951, quando ficou pronto, até 2011 quando foi vendido. Acrescenta o Leonel que a casa na esquina da Rainha Guilhermina, era do Dermatologista Antar Padilha Gonçalves, colonial amarela e branca ficando ao lado da grande casa dos seus pais onde aparecem as árvores, o Sr. Manoel Gonçalves e a Dona Celina Padilha, onde hoje é a Vitrine do Leblon. No primeiro prédio de 2 andares, que ficava na esquina da General Artigas, era o antiga sede dos Correios do Leblon”.
 
Continua o Decourt: “Vemos o típico urbanismo das avenidas onde passava o bonde durante as reformas viárias de Henrique Dodsworth, luminárias pendentes no centro da via, no lugar dos postes de iluminação nos canteiros centrais ou dos postes padrão Light junto as calçadas, árvores que parecem ser cássias como as que arborizavam a Visconde de Pirajá e a Av. Copacabana e que foram sendo dizimadas pela poluição dos veículos a partir dos anos 50. Um detalhe interessante é que não vemos postes de ferro fundido, todos na imagem são de concreto armado, o que atesta a agressividade da maresia que, sem  a barreira de prédios, penetrava profundamente bairro a dentro.”
 
Meus comentários: este era o Leblon da minha adolescência. Por aí passavam os bondes 12 (Leblon), 21 (Circular) e uma outra linha que ligava o Leblon ao Jardim Botânico. Perto daí ficava o simpaticíssimo cinema Miramar (inesquecível o final de cada sessão quando as portas se abriam para a Praia do Leblon e seu fabuloso cenário). Nesta quadra, à direita, ficava o consultório do Dr. Helio Mauricio, grande amigo do “velho”, cirurgião-geral e presidente do Flamengo. Logo ali adiante o desaparecido Colégio St. Patrick´s (na esquina da Rainha Guilhermina). Na outra esquina, a da Aristides Espínola, o triângulo da boemia da época (anos 60) com o Real Astória, a Pizzaria Guanabara e o “nosso” Portinho (Café e Bar Porto do Mar) que há tempos se sofisticou e virou o Diagonal.

18 comentários:

  1. Bom dia. Uma típica cidade do interior, o "final da cidade". Imóveis com preços acessíveis, transporte seguro, ruas tranquilas, quase nenhum comércio, e uma vida sossegada. Fico imaginando a rotina diária de um morador do Leblon naquele tempo. Valeria à pena para nós, do Século XXI, voltarmos no tempo para viver aquela rotina? Fica a pergunta...

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  2. Belo relato do Decourt de um Leblon que ficou no passado e de praticamente toda a zona sul duramente atingida pela especulação imobiliária e de um progresso danoso em vários sentidos.

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  3. O citado Leonel Salgueiro é genealogista e membro do Colégio Brasileiro de Genealogia.

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  4. Bom dia a todos.

    Área fora da minha jurisdição, mas local de trabalho da minha falecida madrinha por décadas.

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  5. Inimaginável.Não tenho muita idéia do local.Aliás,no final de semana,rápida passagem pelo Rio em direção a Petrópolis.Só passei pelo Leblon,mas em Copa cheguei a dar um giro e fiquei estarrecido com a quantidade de ambulantes por todas as vias.Para mim um grande espanto e lembrei da desaparecida Alcyone,grande defensora dos camelôs.Lembrei muito do Joel ao passar por algumas "linhas",como a amarela,por exemplo.Enfim,estava com saudades de Petrópolis e valeu.Apesar de tudo,ainda tem o seu charme.

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  6. Os problemas urbanos de um habitante da cidade do Rio de Janeiro eram, no Leblon, Meyer, ou Pavuna, basicamente relativos à transporte, fornecimento de energia, e acesso ao comércio. Como havia una quantidade bem menor de carros, estacionamento não era problema. Havia cortes de energia, esporádicos é verdade, sempre tendo como motivação a baixa quantidade da energia gerada. Transporte público não faltava: bondes, ônibus, e trens, estavam sempre presentes. Lotados, mas "presentes". No fator segurança, a baixa incidência de crimes revelava a boa relação, a educação, e o respeito às instituições. Crimes como o praticado pela secretária Neide, que ficou conhecida como a "fera da Penha" e que chocou o Brasil em 1960, acontecem às grosas diariamente e são encarados como "banais" pela mídia e pela opinião pública, mostrando o quanto "evoluímos" nesse quesito. Eram comuns famílias com cinco filhos, mesmo na classe média, pois o "custo de vida" era infinitamente menor, a carga tributária era mínima, e com isso era possível viver dignamente. Favelas? Sim existiam, mas o conceito de civilidade e respeito vigorava também nas favelas, assim como no asfalto. Cito um exemplo disso no filme "Rio 40 Graus" de Nelson Pereira dos Santos", quando um guarda civil captura um "moleque" que praticava furtos e resolve pega-lo pelo braço e subir o morro da Cachoeirinha no Lins de Vasconcelos, para entrega-lo à mãe, ordenando que ela tomasse conta dele. Chega a ser risível a impossibilidade de isso acontecer nos dias atuais, onde o local citado é um curral eleitoral controlado por traficantes armados de fuzis automáticos e onde os tiroteios são diários. Os confortos modernos, a internet, a TV a cabo, o "BankLine", nada disso compensa o sossego...

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  7. Belo relato. Copacabanense que fui, não tinha o hábito de frequentar o Leblon. A praia(que me lembre) era considerada meio suja. Ia ao Miramar, cuja saída para a praia pode lembrar o Rian (ou a a saída era lateral?) , algum outro cinema no Leblon, na época?. Lamento não ter frequentado esse bairro. Tangenciando o assunto, a saída do cinema do Instituto Moreira Sales, na Gávea, é uma beleza. As cortinas se abrem e aprece uma bela floresta. Apesar dos pesares, ainda sinto o privilégio de ser carioca.

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    1. Isso, o já saudoso Leblon, na Rua Carlos Góis, de muitas pré-estreias a meia noite de sábado, em vias de se transformar em complexo cinematográfico.. Agora o telão do Shell Open Air na Marina. Consegui uma vez que o Alexandre Niemeyer passasse o Canal 100 no open air do Joquei. O problema é que o patrocínio do Canal 100 briga com o patrocínio do festival. foi uma só exibiçõ, mas ficou um sucesso no telão.

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  8. Luiz, quanto aos bondes, o 12 era Ipanema. Provavelmente você estava se referindo ao 11, linha Jardim Leblon.

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    1. Pelo "site" do Hélio você tem razão, mas tenho na memória que o 12 era o "Leblon". "Ipanema" era o 13. Não tenho como questionar o Hélio mas ainda vou achar uma foto com o 12 sendo o "Leblon"...

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  9. Quem vai assumir o comando técnico do Flamengo com a saída do Zé Ruela?Este treineiro mumificado não aguenta mais duas rodadas e só está lá porque a presidência está cada dia mais míope.Um absurdo a relação custo benefício deste time que não joga dois tostões do que recebe.A diretoria deveria ver que uma diferença de 9 pontos em seis rodadas iniciais só será tirada se o líder fizer agua por todos os lados.E quem pegar para dirigir vai ter que bater de frente com algumas estrelas,que só estão quietas porque o Zé Ruela faz o jogo delas.Todo mundo entra em campo e time definido que é bom não existe.Até agora na metade do ano não sei quem é titular deste time.Gostaria até de ver a opinião dos comentaristas do pedaço,sejam verdadeiros ou clones.

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  10. Grande postagem sobre o Leblon. Passava com frequência pela Ataulfo de paralelepípedos e tomava o bonde para ir até o Bar 20 para assistir a filmes no Astória. Também frequentei aquele parque de diversões que ficava perto do Jardim de Alá e andei muito naqueles pangarés que ficavam ali. Meu ponto pós-adolescência para uns chopes era no Le Coin e adorava um restaurante pequeno na Dias Ferreira chamado Final do Leblon, quase em frente ao La Mole. Este era um sucesso impressionante na década de 60 com um couvert que era considerado excepcional. Já hoje em dia já não é o mesmo. Você conheceu o bar Columbia que ficava na praia perto do Miramar? Assistiu a jogos de futebol de praia do Grêmio?

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  11. pode ser útiL: http://www.antigoleblon.com.br/Historico

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  12. O bonde 11 era o da linha Jardim Leblon, o 12 era o da Linha Ipanema, o 14 era, o General Osório, e o 21, Circular.

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  13. Boa tarde a todos. Uma bela fotografia, e como não é a minha jurisdição, só identifico que é o Leblon por causa do morro 2 irmãos. A cidade era muito menor em termos populacionais, as condições de vida infinitamente melhores, infelizmente as mudanças ocorridas foram drásticas e para pior.

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  14. E assim que deve ser, sem assuntos que não tem a ver com o tema. Já não era sem tempo! Com isso a maioria dos trastes que povoavam o blog tomaram seus rumos.

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  15. Ainda bem que o coordenador do blog gosta de futebol e permite as cornetadas neste sítio referentes ao esporte bretão.Se dependesse desse anônimo o blog seria feijão com arroz.

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