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segunda-feira, 9 de abril de 2018

FIM DOS BONDES DA ZONA SUL



 
As fotos de hoje mostram os últimos tempos dos bondes da Zona Sul, seja a última viagem do bonde 21, da linha “Circular” em março de 63 no Túnel Velho, seja do último bonde da linha 1, “Avenida”.
Meio século de serviços e poucos dias para destruição: os bondes foram sendo substituídos pelos ônibus elétricos e levados para a sua última morada: o vazadouro de lixo do Caju. Ali eram despojados das guarnições de metais, motores e fios, passando a alimentar o comércio ilegal do "ferro velho". Transformaram-se em carcaças da noite para o dia. Prejuízo incalculável.
Os primeiros bondes depositados no vazadouro de lixo, por falta de vigilância, foram alvo da cobiça dos larápios, pelo alto valor dos metais existentes nas guarnições e os próprios motores.
Os encarregados da remoção dos bondes estenderam linhas em dois sentidos, sobre o aterro do vazadouro, empregando trilhos novos. O trabalho de recolhimentos dos velhos bondes levou vários dias.
Ante o vulto do roubo de peças, as autoridades da JAP (Junta Administrativa Provisória da Ferro-Carril do Jardim Botânico) determinaram que motorneiros e condutores, num total de 19 e atualmente sem função, ficarão encarregados da vigilância dos bondes recolhidos.
A JAP informava em 1963 que ainda não tinha qualquer solução sobre os destinos dos bondes.
E não se esqueça que tudo sobre os bondes do Rio está lá no “site” do Helio Ribeiro: http://www.bondesrio.com/

39 comentários:

  1. Bom Dia! Bondes,aposto que os comentários de hoje serão mais de 20

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  2. Bom dia.

    A pressa do Lacerda em erradicar os bondes do Rio foi, no mínimo, suspeita. Os trólebus duraram cerca de cinco anos e foram mais um exemplo de falta de continuidade política.

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  3. Na época não sei o devido valor à desativação dos bondes. Achei que os ônibus elétricos seriam um avanço.

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  4. Apenas para corrigir o "gerente", a última viagem do "circular" Avenida ocorreu em 21 de Maio de 1963. A data "oficial" da extinção dos bondes da zona sul é a de Primeiro de Março mas a primeira linha foi a da Praia Vermelha, 03 de Setembro de 1962 e as cinco linhas que circulavam pela Gávea e Jardim Botânico o fizeram pela última vez em 21 de Maio de 1963. Deve ter sido curioso esse período "hibrido" em que os dois sistemas conviveram na zona sul. Entre Setembro de 1962 e Março de 1963 os bondes que se dirigiam à zona sul seguiam pelo Túnel Velho, já que pelo Túnel Novo seguiam os Trolley-bus até as imediações da Praça Serzedêlo Correa. Mas sinceramente não imagino como entre Primeiro de Março e 21 de Maio de 63 o Avenida possa ter circulado pela região de Copacabana e Ipanema o bonde da linha 21, já que os cabos de sustentação de energia dos Trolley-bus já estavam instalados na Visconde de Pirajá e N.Sª de Copacabana. Com a "palavra" os comentaristas mais antigos que moravam na zona sul...

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    1. O texto original não ficou claro. Qual era o trajeto do bonde Avenida. Não passava nem em Copacabana, nem em Ipanema.

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    2. Faltou o ponto de interrogação. Qual era o trajeto do bonde Avenida?

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    3. Vinha do Leblon através da Bartolomeu Mitre, Ataulfo de Paiva, Visconde de Pirajá, Gomes Carneiro, Francisco Sá, Av. Copacabana, Siqueira Campos, Real Grandeza, General Polidoro, Rua da Passagem, Praia de Botafogo, e voltando pela São Clemente, Humaitá, etc...Durante dois meses entre Março e Maio trafegou por ruas onde os Trolley-bus já circulavam. Gostaria de ver uma foto com os dois sistemas em operação...

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  5. Com o final da concessão de Cia Jardim Botânico em 1960, a Junta de Administração provisória funcionou até 1963. Em 31 de Dezembro de 1963 foi criada a C.T.C, que passou a administrar também os bondes da zona norte e que foram operados pela Light até essa data. Foi o tempo das "linhas provisórias"...

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  6. As investidas dos amigos do alheio em relação as velhas unidades deveria ser bem previsível,pois os metais eram fartos e também

    algumas peças que devem ido direto para antiquários,como relógios,marcadores e assemelhados.Não entendi bem a bandeira que aparece a direita da foto 2....
    Na foto 4 o reclame é bem sugestivo para o momento com o grande ídolo precisando de poções camaradas do produto.
    FF:Pelo sim pelo não o Joel acabou acertando quem seria a campeão carioca.

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    1. Vai ver a bandeira americana tem a ver com o envio de alguns bondes desativados para os EUA.

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  7. Para complementar, esses bondes ficaram cerca de dois anos encostados no Caju. Até que em Janeiro de 1965 começaram a incendiar-los e desmonta-los criminosamente. Eu tenho inclusive fotos desse absurdo.

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  8. Na época, eu fui até o depósito do Caju ver os bondes. Fiquei matutando como eu iria entrar lá, porque havia uma guarita com cancela. Aí vi que estava havendo uma partida de futebol num campo à esquerda de onde estavam os bondes. Na cara de pau, entrei como se fosse ver a partida. Uma vez lá dentro, passei pela cerca que circundava os bondes e perambulei entre e por dentro deles, durante bom tempo.
    No domingo seguinte, fiz a mesma coisa, porém logo no início um vigia me viu e me alertou para sair dali porque eu poderia ser confundido com ladrão e levar um tiro de espingarda. Foi uma pena.
    Fiz tudo isso por causa da minha coleção de números de ordem de bondes, e meu ponto fraco eram justamente os da Zona Sul. Como eu morava na Tijuca e minha coleção iniciara em agosto de 1962, naquele pouco tempo até a extinção dos bondes da Zona Sul eu não tivera muitas oportunidades de colecionar os números deles.

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  9. Somente quem viveu nesda epoca e desfrutou desse meio de transporte sabe da importância dos bondes para a cidade maravilhosa.Insubistituivel até hoje.

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  10. Como o Caju mudou muito e nem mesmo tem um campo de futebol com aquele que aparece na foto, fica muito difícil a localização exata do ex-cemitério dos bondes.
    Na foto 2, a laje acima do bonde era do Tabuleiro da Baiana.
    Vou chutar: um Impala e um Austin na foto 4?

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  11. O Caju hoje em dia é um local perigosíssimo e inviável de ser visitado. É uma espécie de Somália, onde quadrilhas de traficantes destruíram a região. Até o stand de tiro da Polícia Civil foi transferido de lá. Há pouco tempo um "bonde" de traficantes "bateu de frente" com uma patrulha do E.B próximo ao cemitério. O resultado final foram 3 bandidos mortos, 3 fuzis apreendidos, além de pistolas e granadas. Hoje em dia não dá nem para ir a enterro...

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  12. Informação obtida por mim alhures, sobre a criação da Junta de Administração dos Bondes da Zona Sul em 31/12/1960: "Incorpora a Cia. Ferro-Carril do Jardim Botânico. Herda 132 carros motores, 96 reboques e 11 vagões e pranchas, estando em condições de tráfego, respectivamente, 104, 25 e 11 veículos. São 773 motorneiros e condutores, 228 fiscais e inspetores e 67 outros funcionários. Havia um total de 13 linhas, com 87,1 km de trilhos. A linha mais longa era a 11 - Jardim Leblon, com 14,4 km de extensão e a mais curta era a 2 - Laranjeiras, com 4,4 km. Em novembro/1960, tinham sido feitas 60.734 viagens normais e 159 extras e sido percorridos 700.251 km."

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  13. As 13 linhas em funcionamento eram:

    2 - Laranjeiras;
    3 - Águas Férreas;
    4 - Praia Vermelha;
    5 - Leme;
    7 - Jockey Club;
    9 - General Polidoro;
    10 - Gávea;
    11 - Jardim Leblon;
    12 - Ipanema via Túnel Velho;
    13 - Ipanema via Túnel Novo;
    14 - Praça General Osório;
    21 - Circular;
    24 - Marquês de Abrantes x Estrada de Ferro.

    Pelas minhas anotações, havia a linha 20 - Leme x Ipanema. Pelo visto, ela foi extinta pouco antes da criação da Junta de Administração.

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  14. Interessante que apesar de terem sido reservados 24 números de linha para a JB, nunca existiram as de número 8, 16, 18, 19 e 23.

    A 6 existiu durante algum tempo como Largo dos Leões, depois virando Voluntários e sendo mais tarde extinta.
    A 7 inicialmente era Humaytá, depois virando Jockey Club.
    A 15 era Jockey Club e mudou de número para 7.
    A 17 era Copacabana.
    A 24 anteriormente tinha o número 22.

    A 1 era Praça Duque de Caxias (antigo nome do Largo do Machado), foi extinta na década de 1940 e recriada como Avenida já nos estertores da JB, como mostra a terceira foto da postagem.

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  15. Quanto à foto 2, há contradições na mídia: há uma versão de que o último bonde da linha 13 - Ipanema foi o de número de ordem 1908, recebido festivamente pelos moradores ao longo do trajeto, com personalidades do mundo artístico e literário saudando-o e viajando nele. Já no Correio da Manhã, edição 21444, do dia 02 de março de 1963, consta a foto 2 da postagem como sendo a última viagem da citada linha, saindo no dia anterior às 21 horas da estação do Largo do Machado e percorrendo pela derradeira vez o trajeto, retornando à referida estação.

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Quanto à foto 3, a edição 21510 do Correio da Manhã, de 21 de maio de 1963, indica que o bonde tinha como motorneiro Vicente Alves Fontoura, com 33 anos de empresa, e como condutor Joaquim Gonçalves Velho, com 30 anos de empresa.

    Mas o mesmo Correio da Manhã, na reportagem da foto 2, indica que o motorneiro era um tal de Pereira.

    Porém dá para notar que em ambas as fotos (2 e 3) aparece um mesmo funcionário, na 2 como motorneiro e na 3 aparentemente como condutor. Mas em ambas as edições do Correio da Manhã não há coincidência de nomes dos funcionários que aparecem nas reportagens. Tudo indica ter havido um erro em uma das edições.

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  18. Quando os bondes foram extintos na JB, só havia cinco linhas em circulação:

    1 - Avenida (fazia trajeto do Tabuleiro da Baiana até a Marquês de Abrantes).
    2 - Laranjeiras.
    3 - Águas Férreas.
    9 - Marquês de Abrantes x Praça XV (antiga linha General Polidoro).
    24 - Marquês de Abrantes x Estrada de Ferro.

    A linha 60 - Muda x Marquês de Abrantes, na qual viajei centenas de vezes entre 1959 e 1962, indo e vindo do Colégio Pedro II na rua São Francisco Xavier, foi encurtada para a Lapa. Essa linha não era da JB e sim da Light, e era a única que ligava Zona Norte com Zona Sul.

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  19. Segundo a reportagem do Correio da Manhã de 21 de maio de 1963, os carros-motor ainda em bom estado foram transferidos para a estação da Light em Vila Isabel e os demais, bem como reboques, foram para o cemitério no Caju, como mostra a foto 1 da postagem.

    Pelas minhas anotações, entretanto, isso foi meia-verdade: apenas os carros-motor do tipo sossega-leão em bom estado foram reaproveitados pela Light. Os bataclãs e os de tamanho médio foram todos para o cemitério.

    A Light, por sua vez, realocou os bondes recebidos em algumas de suas seções: para a seção Méier foram o 2501, o 2502 e o 2539; para a seção Barão de Drummond foram: 2527, 2541 e 2569.

    A imensa maioria dos sossega-leão da JB foi mesmo para o Caju: 2535, 2536, 2540, 2542, 2558, 2559, 2560, 2561, 2562, 2565, 2566, 2568, 2570, 2571 e 2574.

    Já tinham sido aproveitados pela Light, anteriormente, os seguintes: na seção Méier, o 2544; na seção Barão de Drummond: 2504, 2505, 2525, 2526, 2563, 2567, 2572 e 2573; na seção Penha: 2507.

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  20. Este comentário foi removido pelo autor.

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  21. E por motivos que ignoro, muitos bondes da seção Penha foram realocados para a Barão de Drummond. Listo-os: 2047, 2067, 2508, 2509, 2512, 2513, 2517, 2519 e 2534. Para a seção Méier foi o 2553.

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  22. Essas informações resultam de anotações minhas feitas desde a segunda metade de 1962 até o fim dos bondes em janeiro de 1966. Obviamente realocações entre seções era um fato não exatamente frequente, mas também não raro, e certamente aconteceram inúmeras vezes antes que eu iniciasse minhas anotações.

    Não levem a mal, não sou arrogante nem me julgo melhor do que ninguém, mas as informações que escrevi nos dois comentários anteriores duvido e faço pouco que alguém mais as tenha.

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  23. O motivo de a Light só haver aproveitado alguns sossega-leão da JB foi o fato de ser o modelo mais recente de bonde, entrado em circulação em 24/12/1936. Já os bataclãs iniciaram serviço em 06/03/1924, tendo o primeiro deles sido o de número 607, com reboque 1580 (numeração antiga de ambos). Os carros-motor médios eram ainda mais antigos, de fins da década de 1900.

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  24. O primeiro sossega-leão fabricado foi o 2501, com uma horrenda pintura ufanística, verde e amarela, em ambas as extremidades. O fundo era verde, com dois triângulos amarelos, cada qual com o vértice voltado para o farol e a base na lateral. Parecia um bigode de gato. O 2502 seguiu a mesma pintura pavorosa. Depois a Light se mancou e aboliu essa coisa teratológica e voltou à pintura padronizada velha de guerra que todos nós conhecemos.

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  25. Hoje temos os VLT's rodando pelo centro, com perspectiva de expansão até a Leopoldina e São Cristóvão. Além disso, também a troca, no final da vida útil da frota atual, dos articulados por VLT ou VLP. Neste caso sem necessidade de instalação de trilhos.

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  26. Na foto 3, a do Tabuleiro, o cartaz na frente do motorneiro está ilegível, talvez por ter molhado, pois as letras que sobraram não fazem sentido. Nele poderia ter uma explicação para a bandeira dos EUA. Eu imaginei o motivo há 8 anos, mas sem nenhuma certeza.
    Desconfio que meu chutes sobre carros sempre foram bem ruins.

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  27. Augusto, sobre o que perguntou ontem na postagem de 8/4/2018: no Censo1950 a Rocinha era apenas a 13ª. em população.

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  28. Não sei se estou faze confusão, mas tenho na memória a imagem de um bonde em uma praça da cidade, para alegria da criançada.

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    1. Colocaram antigos reboques em locais públicos.
      Cheguei a brincar em um ou dois deles.

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    2. Nas brincadeiras o que considerávamos o volante de "direção" do "bonde" da praça era na verdade o do freio mecânico, conforme aprendi no bondesrio.com do Hélio.
      Com o tempo o piso foi se acabando, as partes metálicas enferrujando, mais o vandalismo
      A soma disso fez com os meus pais proibissem o acesso aos "restos mortais" de reboques expostos em praças.

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  29. Ouvi agora mesmo que hoje é o Dia Nacional do Aço, homenagem à Cia. Siderúrgica Nacional fundada nessa data há exatos 85 anos.
    O Jornal do Brasil faz 135 anos, mas numa olhada rápida na página principal nem o site do próprio lembra da data.
    E em 1865, também em um 9 de Abril, os sulistas dos EUA se rendiam, encerrando a Guerra Civil Americana.

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