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quinta-feira, 21 de maio de 2020

VILLA RUY BARBOSA






Como esta semana foi mencionada a Villa Ruy Barbosa vamos, com a ajuda do Lino, do Decourt e da Internet, falar um pouco dela.

Esta vila fazia parte de um programa elaborado por Arthur Sauer para habitações populares. Para isso ele fundou a Cia. de Saneamento do Rio de Janeiro, que pretendia levantar inúmeras vilas como essa por toda a cidade.

Tinham rígidas normas de ocupação e higiene, sendo a área mínima para uma pessoa de 30 metros quadrados e para famílias numerosas pouco mais de 100 metros quadrados.

Ocupava todo o quarteirão formado pelas ruas Henrique Valadares, Inválidos, Senado e Ubaldino do Amaral. Havia casas voltadas para estas ruas e havia acessos à parte interna da vila: um acesso interligava a Rua Henrique Valadares à Rua do Senado - chamava-se Rua Didimo e um acesso pela Rua dos Inválidos que se encontrava com a Rua Didimo, formando um T, e cortava as 3 travessas internas que se chamavam Chiquita, Bem-te-vi e Adélia.

Nessas travessas havia 8 ou 10 casas térreas de cada lado e acima destas casas ficavam os quartos individuais para solteiros. No total possuía 145 casas multifamiliares e 324 quartos para solteiros.

Esta vila possuía dois mercados, um restaurante, um açougue, uma farmácia, uma carvoaria, uma lavanderia, uma lavanderia à vapor (nunca usada segundo texto de 1905), uma sapataria e uma fornalha para incineração de lixo. E tudo isso dentro de uma área arborizada, calçada e iluminada.

Começou a ser demolida por volta de 1970 para construção de prédios residenciais, como os 3 prédios que hoje existem na Rua Ubaldino do Amaral. O projeto original previa também construções de mais prédios nas ruas Henrique Valadares, Inválidos e Senado.

Moraram nesta vila várias pessoas importantes, tais como: Silvio Santos (década 50), Roberto Figueiredo (Repórter Esso), os cantores Oswaldo Nunes e Agnaldo Timóteo, o ator e compositor Mario Lago, que na época da ditadura, tinha dias que morava na vila e em outros ele morava do outro lado da rua,  no DOPS da Rua dos Inválidos.

23 comentários:

  1. E o grande terreno do meio virou prédio usado pela Petrobras, o Edisen, de Edfício Senado, onde trabalhei durante quase um ano. O terreno deste prédio ficou vazio durante anos e virou um grande matagal. Restam originais, um trecho da Rua dos Inválidos e, no vértice oposto, algumas casas na Ubaldino do Amaral e Senado. Devia ser um projeto bem interessante, embora molhado, pois as enchentes ali são constantes e de boa altura.
    Na Rua dos Inválidos ainda resta uma vila de casas, mas é do tipo comum, sem a infraestrutura deste empreendimento.

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    1. Mestre Biscoitomolhado, embora a R. dos Inválidos e Senado enchesse bastante, a água na alagava a Vila, somente as casas de frente de rua.

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  2. Bom dia, Dr. D'.

    Depois de passar pela Cruz Vermelha, o ônibus passava pela Henrique Valadares a caminho da Praça XV ou Castelo. Cheguei a pegar um pouco a construção dos prédios citados pelo biscoito.

    A Cultura teve a saída da Porcina, a que era sem nunca ter sido, e entrará em um(a) "Frias"...

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  3. Eis um exemplo de como uma região consegue se degradar. Quais foram as razões? O fato é que era um belo conjunto arquitetônico. Lembro bem do imenso matagal onde à tarde era possível ver bandos de "bicos de lacre". O irmão de meu avô comprou um apartamento em construção na Ubaldino do Amaral 80 em 1969. Os apartamentos são de bom padrão, possuem play ground, e alguma estrutura. Uma dúvida: como eram esses "apartamentos para solteiros"? Eram exíguos? Tinham banheiro privativo? Com o tempo passaram a ser palco de "encontros suspeitos"? FF: Como eu comentei ontem, a cantilena sobre a morte do jovem morto por policiais continua. Já foi esclarecido pela DH que a casa onde estavam os jovens foi invadida por traficantes em fuga. O resto já é sabido. Como não poderia ser e de acordo com "previsão legal", "não vai dar em nada". Mais uma lição para os moradores de favelas que insistem em proteger e não denunciar marginais.

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    1. Mestre Joel, os quartos para solteiros eram amplos, tinha banheiro, vaso sanitário e janela para rua, creio que deveriam ter cerca de 25 a 30M2, em alguns moroavam até duas pessoas, na extremidade do corredor havia um apartamento para uma família a qual era a responsável pela ordem.

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  4. Hoje é dia de ler os comentaristas que dominam o assunto.Pelo relato o projeto era interessante.
    Lembrei agora que no inicio da década de 70,em pleno carnaval,fui para o bairro onde morava a atual madame e entrei num bar para comprar cigarros.Qual não foi minha supresa ao dar de cara com o Osvaldo Nunes em meio a um batuque.Parecia se divertir bem...

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  5. Lembrei mais: o Osvaldo Nunes estava nas paradas com Segura Esse Samba e Dendeca...Parece que morreu assassinado no inicio dos anos 90.

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    1. Osvaldo Nunes era o "puxador oficial" do bloco Bafo da Onça. O Bafo da onça tinha sua quadra de ensaios no Catumbi. Osvaldo Nunes era "bom de briga" e envolvia-se nelas frequentemente. Era dado a praticas homossexuais e um pederasta contumaz.

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  6. Bom dia a todos.
    É a primeira vez que vejo uma postagem sobre essa vila.
    Do jeito que o Luiz descreveu para ser bem organizado, entretanto, há uma diferença enorme entre a vida real e o papel, ainda mais sabendo que o povo dessa terra ama burlar da lei, vide tempos de Pandemia.
    Há da data de 1905 "segundo um texto" assim expresso na postagem. Então suponho que foi erigido ainda no século XIX.
    Seria essa o embrião Público das aberrações feitas na época do Governo Militar com as CEHABs da vida e das aberrações petralhas do Minha Casa Minha Dívida??? Sim. Porque mais lembra um cortiço financiado pelo Governo da época.

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    1. Wolfgang a Vila Ruy Barbosa era um investimento particular Companhia Predial e de Saneamento, o início da sua construção ocorreu no final de 1889/90, o incorporadaor se chamava Arthur Sauer.

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  7. Bom Dia! Certa vez um Parente, na época jovem, pintou a cara e foi para a rua pedir "diretas já". Ontem em conversa ela me disse que por culpa do Presidente estamos caminhando a passos largos para um conflito armado com consequências desastrosas. Nem é preciso dizer que o que começou como conversa acabou em discussão.É impossível fazer uma "cabeça feita em Faculdade" ver as coisas com seus próprios olhos.

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    1. No comentário das 9:30 o comentarista faz alusão a uma luta armada. Parece que o blog ficou contaminado por ideias deletérias.

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  8. Ainda existe uma pequena rua de paralelepípedos que faz limite com os prédios da Ubaldino do Amaral e o complexo da Petrobrás. Mas parte do quarteirão ainda conserva construções antigas. Partes da Henrique Valadares e da Rua dos Inválidos no quarteirão fronteiriço à Rua da Relação ainda mantém prédios do início do Século XX. Ainda existem residências que servem como "casas de cômodos" e uma papelaria. Na Rua dos Inválidos no trecho onde existe atualmente o prédio do antigo IML, havia um cortiço onde foi articulada a sedição ocorrida em Novembro de 1910 conhecida como A Revolta da Chibata. Como se pode depreender, a região possuía casas de classe média e cortiços. A proximidade com a Chefia de Polícia do Distrito Federal, mais tarde D.F.S.P dava uma certa tranquilidade à região, situação que continua até os dias atuais.

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    1. Joel este cortiço a que você se refere ainda existe nos dias de hoje, fica na R. dos Inválidos 112, se chama Chora Vinagre, em frente a TV Educativa, perto do Colégio Souza Aguiar onde estudei.

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  9. Sensacional essa Villa Ruy Barbosa! mais um crime contra a arquitetura e a história de nossa cidade. Caso fosse na Europa, certamente ainda estaria de pé, bem conservada e servindo de habitação digna para seus moradores, tendo ainda uma boa gama de serviços e espaço para a criançada brincar a vontade. Me deu uma baita tristeza ao olhar essas fotos e não ter tido a oportunidade de conhecer.

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    1. Pura verdade. Estive hospedado na casa de um amigo em Ghent, na Bélgica, numa vila assim. A casa tinha três andares e era estreita. No 1º andar havia um diminuta sala. pequena cozinha e jardim mínimo. No 2º andar havia um quarto de casal e um bom banheiro. No 3º andar havia um quarto com aquela janela inclinada no telhado, que abria para fora. Casa prática e ideal para um casal sem filhos.

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  10. Ótima postagem.
    Vila como essa era o máximo que poderiam fazer em termos de moradia popular na era pré-concreto armado.

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  11. Bom dia a todos. Ver estas imagens me trás grandes recordações, me deixou com os olhos marejados. Vou tentar acrescentar alguns detalhes em cada fotografia. A foto 1 mostra a entrada da R. dos Inválidos Nº70, encostado a coluna com quase 100% de certeza vemos o Paulo Maluco, irmão do Carlos, a vila inicialmente era proibido a entrada e estacionamento de automóveis, porém com o aumento de pessoas que foram adquirindo automóveis passou a ser permitido, porém com estrada e saída pela R. Dídimo, pela Henrique Valadares ou Senado, foi instalada estas barras de ferro para impedir o acesso pela R. dos Inválidos, visto que no corredor haviam lojas comerciais, do lado direto da foto na esquina para rua havia um bar, a seguir havia um geleiro, do lado esquerdo havia uma casa de letreiros, o portão de acesso para o apartamentos acima do corredor e uma sapataria. Na foto 2 é uma vista de um dos acessos a Rua Dídimo, pode ser a da R. Henrique Valadares ou Senado, se tivesse que arriscar um lado, diria que é a da H. Valadares.
    Na foto Nº3, vemos uma planta baixa da Vila, nela podemos ver o T citado no texto, bem como as travessas Adélia, Chiquita e Bem te Vi, que cruzavam a rua principal que se chamava Leon Simon. Foto Nº4, posso afirmar, mesmo sem ter a conhecido com esta vista, se trata da esquina da R. Henrique Valadares com Ubaldino do Amaral, visto que era a única esquina onde havia árvore plantada, nesta época não haviam árvores plantadas nas esquinas de Inválidos e Senado, Inválidos e Henrique Valadares e Senado com Ubaldino do Amaral. Foto Nº5 já na fase de demolição da Vila por volta de 1974, tirada dos novos Edifícios (c/ certeza do Ed. Berilo) construídos entre a R. Dídimo e Ubaldino do Amaral, vemos as casas da Travessa Bem te Vi. Grandes lembranças das festas juninas, quase sempre realizadas no final de semana após a festa de Santo Antônio, onde toda a Vila era iluminada e enfeitada com bandeirinhas, havia barraquinhas de comidas e bebidas típicas, jogos de todos os tipos e as tradicionais barracas do amor, ficavam instaladas em toda a extensão da R. Leon Simom e a R. Dídimo. A quadrilha formada por moradores e frequentadores da Vila era ensaiada pela D. Lourdes, sempre se apresentava na travessa Bem te Vi. Na Vila teve dois grandes times de futebol, O Brasileirinho e o Casa, onde se destacaram Ronaldo Crioulo (foi cobiçado por todos os times do Rio), Baratinha, Zezinho, Gilson, Zé Augusto, Pirica, Baiano, Mariozinho, Carlos e Felipe (goleiros). Que rivalizava com o time do Americano da H. Valadares.

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    1. Lino. Qualquer um poderia frequentar essa vila tendo ali dentro comércio? Lendo o seu texto fiquei com a impressão que não havia perigo ali dentro e era aberto a todos.

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    2. Sim, a Vila era aberta e qq pessoa poderia acessar a Vila. Havia uma venda (Sr. Totonho o dono) na R. Leon Simon, que vendia de tudo um pouco, pão, doces, bebidas, e produtos comestíveis e de limpeza, aqueles produtos que quando acabavam em casa, você ia lá e comprava, com direito a colocar a despesa no livro de fiado. Época de um Rio romântico, que infelizmente se perdeu no tempo.

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  12. Dr D’ não se dê ao trabalho de pesquisar. Pelos comentários alguns não leram o texto.

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  13. Mais um anônimo revelou sua identidade no comentário das 16:54. Dentre os poucos comentaristas que frequentam "este sítio", apenas um deles se dirige ao dono do blog como "Dr D'...

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