Botafogo é um bairro que a partir do século XIX iniciou seu desenvolvimento após a construção da Casa de D. Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, na altura da atual Rua Marquês de Abrantes, que levou a outros nobres se interessarem pelo bairro.
As imensas chácaras da região começaram a ser loteadas, ruas foram abertas, bondes e barcas serviam a região, grandes mansões foram construídas e algumas delas sobreviveram até hoje, como a que vemos nas fotos de hoje.
Trata-se da mansão Lynch, na Rua São Clemente nº 388, onde hoje funciona a Escola Alemã Corcovado. Muito do texto é parte da notável pesquisa do prezado Cau Barata, autor de vários livros sobre o Rio Antigo, todos formidáveis.
As fotos fazem parte do álbum fotográfico dos jardins e
interiores da residência de Sir Henry H. Lynch, situada na Rua São Clemente no. 388, Rio de Janeiro, por ocasião de sua venda, em 1936.
Realizado pelo fotógrafo Huberti, da Photo Studio Huberti, a coleção foi
duplicada para doação aos descendentes e à Biblioteca Nacional.
Segundo o Cau Barata, a extensa
propriedade, resultado do desmembramento de antiga chácara de Botafogo, foi
ocupada pela Família Lynch a partir de 1908, quando lá se instalaram Adèle
Teresa Gosling (1843-1925), viúva do engenheiro inglês Edward James Lynch,
e seus três filhos, Edward, Henry, e Cyril.
A chácara se destacaria pela atuação social do filho do meio, Henry Joseph Lynch (1879 – 1958). Colecionador e bibliófilo, foi líder da colônia britânica, representante dos Rothschild e detentor do título de Cavaleiro do Império Britânico. Ele seria o anfitrião de empresários e políticos, em requintadas festas e agradáveis garden party, tendo recepcionado o duque de Kent e os príncipes de Gales em suas visitas ao Brasil. De uma delas falamos em https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2022/06/principes-ingleses-no-rio-1931.html
Em 1935, em reação à notícia da venda da
propriedade, o jornal A Manhã declarou:
A fama da maravilhosa residência do sr. Lynch já transpôs
as nossas fronteiras e, nos círculos sociais do Velho Mundo, sempre se
comentou o esplendor do grande solar e, sobretudo, as belezas de
seu parque, o mais belo e deslumbrante da cidade, como particular, oferecendo
aos visitantes uma visão magnifica e espetacular.
Em 1936, o governo americano assumiu a
propriedade, e demoliu a residência para construção de novo edifício para a sua
embaixada; a partir de 1973, a propriedade passou a sediar a Escola
Corcovado.
Esta casa ficava num trecho de grandes mansões, junto ao morro de Dona
Marta, ao lado da Embaixada Britânica (depois Palácio da Cidade - sede da
Prefeitura), perto da Embaixada de Portugal, vizinha da sede da empresa Forever Living.
Os interiores sobriamente decorados exibiam obras de sua coleção, como as de cenas do Rio de Janeiro, de Eugenie Ciceri, na sala de estar; e a dos índios de Johann Rugendas, entrevistos através da porta, em uma parede de fundo.
Como conta M.F. Vieira Martins, "Nesta época, as casas tipo palacete, como a retratada acima, ganharam
recuos, colocando-se em centros de terreno, promovendo maior privacidade a seus
moradores, distanciando-os dos ruídos e dos odores externos e contribuindo,
assim, para uma separação cada vez maior entre o público e o privado. A casa
passa a ter os seus cômodos agrupados em torno do estar e do lazer, do repouso
e da higiene pessoal e dos serviços domésticos, tendo sua independência
garantida pela valorização do hall, do vestíbulo e do corredor de passagem,
instrumentos de transição entre os recintos de maior e menor privacidade. A
busca pela claridade e luminosidade aumentava, com a abertura de grandes
janelas e a utilização das sacadas, além da introdução dos vidros e espelhos na
decoração. Os jardins também passaram a cumprir funções de ventilação e iluminação,
assim como de espaços para o lazer familiar. Já em 1920, o país assistiria à
consolidação e expansão do uso da eletricidade no espaço doméstico das grandes
capitais, o que mudaria os hábitos principalmente quanto ao lazer noturno e a
utilização de máquinas nas cozinhas.
A casa ganhou um salão externo para as
festas e contava com uma piscina coberta.
Em foto garimpada pela tia Nalu vemos Sir Lynch, sorridente, à porta da sua Fazenda Boa Fé, em Teresópolis.
Henry Lynch foi um dos fundadores da Cultura Inglesa. Possuía uma bela coleção
de obras de arte e uma excelente biblioteca, que foi doada àquela instituição
quando ele morreu. A coleção de arte atualmente pertence ao Instituto Brennand.
Henry J. Lynch foi sócio da Cia. Fiat Lux e representante da Casa
Rothschild & Sons.












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