Total de visualizações de página

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

MANSÃO LYNCH - BOTAFOGO

Botafogo é um bairro que a partir do século XIX iniciou seu desenvolvimento após a construção da Casa de D. Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, na altura da atual Rua Marquês de Abrantes, que levou a outros nobres se interessarem pelo bairro.

As imensas chácaras da região começaram a ser loteadas, ruas foram abertas, bondes e barcas serviam a região, grandes mansões foram construídas e algumas delas sobreviveram até hoje, como a que vemos nas fotos de hoje.

Trata-se da mansão Lynch, na Rua São Clemente nº 388, onde hoje funciona a Escola Alemã Corcovado. Muito do texto é parte da notável pesquisa do prezado Cau Barata, autor de vários livros sobre o Rio Antigo, todos formidáveis.

As fotos fazem parte do álbum fotográfico dos jardins e interiores da residência de Sir Henry H. Lynch, situada na Rua São Clemente no. 388, Rio de Janeiro, por ocasião de sua venda, em 1936. Realizado pelo fotógrafo Huberti, da Photo Studio Huberti, a coleção foi duplicada para doação aos descendentes e à Biblioteca Nacional.



Segundo o Cau Barata, a extensa propriedade, resultado do desmembramento de antiga chácara de Botafogo, foi ocupada pela Família Lynch a partir de 1908, quando lá se instalaram Adèle Teresa Gosling (1843-1925), viúva do engenheiro inglês Edward James Lynch, e seus três filhos, Edward, Henry, e Cyril.

A chácara se destacaria pela atuação social do filho do meio, Henry Joseph Lynch (1879 – 1958). Colecionador e bibliófilo, foi líder da colônia britânica, representante dos Rothschild e detentor do título de Cavaleiro do Império Britânico. Ele seria o anfitrião de empresários e políticos, em requintadas festas e agradáveis garden party, tendo recepcionado o duque de Kent e os príncipes de Gales em suas visitas ao Brasil. De uma delas falamos em https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2022/06/principes-ingleses-no-rio-1931.html


Em 1935, em reação à notícia da venda da propriedade, o jornal A Manhã declarou:

A fama da maravilhosa residência do sr. Lynch já transpôs as nossas fronteiras e, nos círculos sociais do Velho Mundo, sempre se comentou o esplendor do grande solar e, sobretudo, as belezas de seu parque, o mais belo e deslumbrante da cidade, como particular, oferecendo aos visitantes uma visão magnifica e espetacular. 


Em 1936, o governo americano assumiu a propriedade, e demoliu a residência para construção de novo edifício para a sua embaixada; a partir de 1973, a propriedade passou a sediar a Escola Corcovado.


Esta casa ficava num trecho de grandes mansões, junto ao morro de Dona Marta, ao lado da Embaixada Britânica (depois Palácio da Cidade - sede da Prefeitura), perto da Embaixada de Portugal, vizinha da sede da empresa Forever Living. 


Os interiores sobriamente decorados exibiam obras de sua coleção, como as de cenas do Rio de Janeiro, de Eugenie Ciceri, na sala de estar; e a dos índios de Johann Rugendas, entrevistos através da porta, em uma parede de fundo.

 



Como conta M.F. Vieira Martins, "Nesta época, as casas tipo palacete, como a retratada acima, ganharam recuos, colocando-se em centros de terreno, promovendo maior privacidade a seus moradores, distanciando-os dos ruídos e dos odores externos e contribuindo, assim, para uma separação cada vez maior entre o público e o privado. A casa passa a ter os seus cômodos agrupados em torno do estar e do lazer, do repouso e da higiene pessoal e dos serviços domésticos, tendo sua independência garantida pela valorização do hall, do vestíbulo e do corredor de passagem, instrumentos de transição entre os recintos de maior e menor privacidade. A busca pela claridade e luminosidade aumentava, com a abertura de grandes janelas e a utilização das sacadas, além da introdução dos vidros e espelhos na decoração. Os jardins também passaram a cumprir funções de ventilação e iluminação, assim como de espaços para o lazer familiar. Já em 1920, o país assistiria à consolidação e expansão do uso da eletricidade no espaço doméstico das grandes capitais, o que mudaria os hábitos principalmente quanto ao lazer noturno e a utilização de máquinas nas cozinhas.


A casa ganhou um salão externo para as festas e contava com uma piscina coberta.


Em foto garimpada pela tia Nalu vemos Sir Lynch, sorridente, à porta da sua Fazenda Boa Fé, em Teresópolis. Henry Lynch foi um dos fundadores da Cultura Inglesa. Possuía uma bela coleção de obras de arte e uma excelente biblioteca, que foi doada àquela instituição quando ele morreu. A coleção de arte atualmente pertence ao Instituto Brennand. Henry J. Lynch foi sócio da Cia. Fiat Lux e representante da Casa Rothschild & Sons.



terça-feira, 2 de agosto de 2022

TIPOS DE BONDES ESPECIAIS por Helio Ribeiro

 

TIPOS ESPECIAIS DE BONDES

INTRODUÇÃO

Os visitantes do SDR que chegaram a ver bondes em circulação naturalmente os consideravam como voltados ao transporte diuturno de passageiros. Mas isso não é verdade. Ao longo das décadas existiram vários tipos de bonde com diferentes propósitos. Alguns foram desativados ao longo do tempo, seja porque o Estado assumiu as funções que eles executavam, seja por decisão da própria Light/Jardim Botânico.

Na postagem de hoje, vamos mostrar esses tipos pouco conhecidos (e até mesmo desconhecidos) de bondes. Vários deles nenhum de nós jamais viu circulando, pois foram extintos antes que nascêssemos.

 1) SERVIÇO POSTAL

Como seu próprio nome indica, eram auxiliares dos Correios, transportando volumes e correspondência entre pontos determinados da cidade. Na foto abaixo, vemos um desses bondes em frente ao antigo prédio da estação da Central do Brasil.


2) IRRIGADOR

Eram bondes destinados a espargir água nas ruas, a título de limpeza. A foto abaixo mostra um deles em serviço, no dia 21/04/1910, em local não identificado.


Esses bondes também podiam ser usados como pipas d'água. Na foto abaixo, tirada em 05/11/1939, um deles fornece água a moradores de um subúrbio.


3) BONDE PARA SOLENIDADES

Tipo bastante antigo. A foto abaixo é de 07/06/1912. Desconheço se podia ser alugado ou se era usado para transportar autoridades. 


Luxuoso interior do bonde de solenidades.



4) AMBULÂNCIA

Auto-explicativa. A foto abaixo é muito conhecida e foi tirada em 1922, na Praia do Flamengo. De pé, o presidente Epitácio Pessoa, o prefeito Carlos Sampaio e o Diretor da Higiene e Assistência Municipal, Adalberto Ferreira. Desconheço o uso exato desse tipo de bonde, mas certamente não se destinava a pegar doentes em casa. Talvez trafegasse entre hospitais.


Observem que tanto esse bonde acima como o de solenidades possuem o número de ordem 731. Provavelmente o de solenidades foi transformado no de ambulância.

Curiosidade: eu me lembro de que na minha infância, quando vinha chegando uma ambulância, a gente usava a frase "Lá vem a assistência". A palavra "ambulância" não era usada, pelo menos no meio onde eu vivia.

 5) TRANSPORTE DE LIXO

Ao longo do tempo houve mais de um tipo de bonde com essa finalidade. Desconheço como o lixo era colocado neles. Aparentemente o conteúdo era descarregado no aterro do Caju.

A foto abaixo mostra um desses bondes descarregando sua carga, no dia 18/12/1945.

Já na foto abaixo, da década de 1950, vemos outro tipo, circulando pelas ruas.


6) BASCULANTE

Destinava-se a carregar pedra, areia ou outro material que pudesse ser basculado. Era usado principalmente pela própria Light/JB, durante trabalhos de conservação da via. Mas podia ser alugado por empresas. A foto abaixo é de 1940.



7) BAGAGEIRO

Era um tipo muito comum de bonde, destinado ao transporte de mercadoria, principalmente produtos vendidos em mercados, armazéns ou quitandas. Tinham linha, itinerário e horários pré-determinados, como se fossem bondes de passageiros. Possuíam letreiro com o nome da linha, mas não tinham capelinha.

Havia bagageiros pequenos e grandes. As fotos abaixo os mostram.


A linda foto abaixo mostra vários bagageiros estacionados no antigo Mercado Municipal da Praça XV. Observe que há três pares de trilhos em paralelo. Por aí dá para presumir a intensidade de tráfego desses bondes na área do mercado.



O 758 está fazendo a linha São Luiz Durão, o 757 está na linha Piedade e ao fundo o 778 se destina à Gávea. Os dois primeiros são do tipo grande e o último é pequeno. Um outro do tipo grande aparece parcialmente no lado direito da foto.

8) TAIOBA

Dos tipos aqui mostrados, abri uma exceção para os taiobas, que podiam transportar passageiros e pequenos volumes. Não eram abertos como os bondes normais de passageiros e sua capacidade de lotação era menor, de forma a deixar no meio do carro um espaço para os volumes transportados. O preço da passagem era a metade do normal, por serem considerados bondes de segunda classe. Dizem que eram de cor marrom, e não verde como todos os demais bondes.

Os taiobas possuíam linha, itinerário e horário pré-determinados, tal como os bagageiros, e tal como eles também não possuíam capelinha. Foram descontinuados em 1955. Não me lembro de os ter visto circulando.

Havia variações de modelo de taioba, como veremos abaixo.

A foto a seguir, tirada no Carnaval de 1932, mostra um taioba da linha Cascadura.


Abaixo um taioba da linha Vila Isabel x Engenho Novo, em foto de 22/10/1951.


Abaixo um taioba da linha Piedade, trafegando na rua Adolfo Bergamini.


9) BONDE DE CEROULA

Tipo de bonde que começou a circular em 06/08/1900 e que servia aos frequentadores do Teatro Municipal. Por ser considerado de luxo, seus bancos eram cobertos com panos de brim branco e o assoalho era coberto com tapetes. O brim era amarrado nos lados dos bancos por cadarços semelhantes aos que prendiam nas pernas as ceroulas então usadas pelos homens, daí o apelido. Este tipo de bonde trafegou até a época da Segunda Grande Guerra.


CONCLUSÃO

A diversidade de tipos de bondes aqui mostrada prova que eles eram pau para toda obra. Infelizmente aqueles de nós que chegamos a vê-los já o fizemos nos seus estertores, quando tanto a Light/JB quanto o governo já não se interessavam por eles. Os motivos para isso foram vários e estão fora do escopo desta postagem.

Crédito das fotos: as fotos mostradas na postagem foram obtidas no Museu da Imagem e do Som, no Arquivo Nacional, no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, no livro "História do Transporte Urbano no Brasil", de Waldemar Corrêa Stiel, ou na internet.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

PALÁCIO SÃO JOAQUIM


O Palácio São Joaquim é o palácio arquiepiscopal do Rio de Janeiro e assim se transformou na gestão do Cardeal Arcoverde. O palácio ocupa vasta área de terreno no ângulo das ruas da Glória e Benjamin Constant. Compõe-se de dois corpos: um paralelo à Rua da Glória, onde estão a capela e os salões de espera e de recepção, e outro, paralelo à Rua Benjamin Constant, onde estão os aposentos particulares do Cardeal e do seu pessoal de casa. O endereço é Rua da Glória nº 446.

Também chamado de Palácio da Mitra Arquiepiscopal, é um prédio em estilo eclético tombado há pouco mais de uma década por um decreto da Prefeitura. Cabe à Mitra Arquiepiscopal administrar o patrimônio físico da Igreja Católica, como os templos, os museus municipais de arte sacra, e até cuidar dos direitos de exploração comercial da estátua do Cristo Redentor, principal ponto turístico na cidade.

Onde está o Palácio Cardinalício de São Joaquim, existiu desde a Regência, o palacete Baía, residência do Visconde de Meriti, Manuel Lopes Pereira Baía. Contam que foi no solar do Barão de Meriti, onde se serviu pela primeira vez sorvete no Rio de Janeiro, em 1824. Dizem que, após assistir à missa no Outeiro da Glória, o imperador se dirigia à casa do Barão de Meriti para tomar sorvete.

Foi depois sede do Ministério das Relações Exteriores até princípios da República, quando, em 1897, virou o “English Hotel”. Foi demolido em 1912, subindo ali o atual Palácio São Joaquim, prédio em estilo eclético do arquiteto espanhol Adolpho Morales de Los Rios. As fotos mostram a entrada do palácio.

Em 26 de outubro 1915, por ocasião do Jubileu Episcopal do Cardeal Arcoverde, após um “Te Deum” na Catedral, um grande préstito acompanhou o Cardeal até o Palácio São Joaquim que seria, então, inaugurado. O préstito seguiu pelas ruas Primeiro de Março, Visconde de Inhaúma, Avenida Rio Branco e Av. Beira-Mar, até ao Largo da Glória. Em seguida houve uma recepção.


Mandado construir em 1912-1918 pelo Cardeal D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante. O projeto foi do arquiteto Adolpho Morales de Los Rios, sendo construído por Heitor de Melo, que introduziu muitas modificações no palácio, em estilo neo-Luís XV. Possui pinturas internas de Benedito Calixto de Jesus e Carlos Oswald.


Em outubro de 1952, ano de sua ordenação episcopal, Dom Hélder Câmara fundou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com sede no Palácio Arquiepiscopal do Rio de Janeiro e realizou ali a primeira reunião. Teve a ajuda do então subsecretário de Estado do Vaticano, Monsenhor Giovanni Batista Montini, futuro papa Paulo VI.

Fotos em preto&branco foram pesquisadas na revista Fon-Fon por Conceição Araújo, a quem o "Saudades do Rio" agradece.

O interior do Palácio São Joaquim é lindo, mas não há visitação pública.


Aspecto da capela existente no interior do palácio.

Durante a Jornada Mundial da Juventude, mais especificamente no dia 26 de julho de 2013, Dia de Santana e de São Joaquim, dedicado aos avós, o Papa Francisco rezou do balcão do palácio, ao meio-dia, a oração do Angelus para uma multidão que aguardava na praça em frente.

PS: a residência do cardeal do Rio de Janeiro por uns tempos foi  no Sumaré, mas acho que o cardeal atual, D. Orani, voltou a morar no Palácio São Joaquim.


sábado, 30 de julho de 2022

DO FUNDO DO BAÚ: CARTAS


Esta carta, com carimbo dos Correios de 05/02/1974, enviada por um grande amigo que dava um curso de pós-graduação em Pernambuco, lembra um tempo em que as comunicações telefônicas eram dificílimas, a escrita era valorizada e tudo transcorria mais devagar. Lembro das férias em que a namorada viajava e o único meio de comunicação eram as cartas. Levavam uma semana para ir e mais uma semana, no mínimo, para voltar. O carteiro, na região da Lagoa, vinha lá da Rua Montenegro entregando a correspondência, sempre depois do meio-dia, enquanto a ansiedade aumentava. Atualmente, com as facilidades existentes, tudo é instantâneo, imediato, sem o "glamour" de outrora. Embora as novas gerações estejam escrevendo muito nada é como antes, quando as cartas eram longas, caprichadas, bem escritas.

Belos tempos os que tinham caixas de correio tão bem trabalhadas, quase uma obra de arte.  Como diz o Rouen, mandávamos cartões postais sem envelopes dos locais onde passávamos as férias, Petrópolis, Paris, Clermont Ferrand, Cambuquira, etc. E eram recolhidos e chegavam ao destino.

Já hoje em dia, a caixa de correio de casa serve somente para depósito de propaganda e contas da Light, Telerj, Societé Anonyme du Gaz, Cartão de Crédito, aviso de prestação atrasada. Não é mais Caixa de Correios é Caixa de Contas. Já pedi para o sindico lacrar a minha!


Até 1982 a agência central dos Correios funcionou no Paço Imperial. Hoje em dia, embora o volume de cartas postadas seja diminuto se comparado ao passado, ainda há muito movimento nas agências dos Correios, principalmente para envio de encomendas.


Nesta foto vemos um carteiro entregando correspondência em Ipanema ou Leblon. Esta foto é do acervo da Última Hora (todas as outras são do acervo do Correio da Manhã).


Nos anos 70 havia até agência postal volante. 


Uma típica agência dos Correios nos anos 50. Muitos têm saudade de receber cartas. Era uma época na qual quem as recebia ficava feliz em saber notícias das pessoas queridas, saber dos lugares em que elas estavam, saber que elas também sentiam saudades. Passado um tempo, para alguns, as cartas se tornaram muito mais do que isso - tornaram-se documentos das próprias histórias. Há quem tenha baús de cartas guardadas desde criança, salvo alguma que tenha se perdido em muitas mudanças. De vez em quando é bom pegar algumas para ler e algumas vezes, até para "pesquisar" fatos que não se consegue resgatar da memória. 


quinta-feira, 28 de julho de 2022

RUA ARAPOGI - BRÁS DE PINA

Brás de Pina fica na Zona da Leopoldina do Rio de Janeiro e faz divisa com a Penha Circular, Vila da Penha, Cordovil, Vista Alegre e Irajá. Até a construção da Avenida Brasil, na década de 1940, suas terras alcançavam a Baía de Guanabara.

O nome do bairro é em homenagem ao antigo proprietário de suas terras, Brás de Pina, que tinha um engenho de açúcar no século XVIII, estando ligado também a pesca das baleias. A fazenda se estendia até às margens da baía da Guanabara.

Atualmente o bairro é dividido pela linha férrea, que foi inaugurada em 1886, e é cercado por muitas favelas.


Vemos a Av. Arapogi, em 26/03/65, em Brás de Pina, com o rio do mesmo nome. Esquina com a Rua Iricume. A disputa por espaço entre o lotação e ônibus se devia a uma outra ponte, então interditada.

O símbolo do IV Centenário no vidro traseiro do lotação data a foto. O cano de descarga elevado é outra característica da época. E o que dizer do olhar perplexo do pedestre vendo a próxima colisão do lotação e do ônibus?


Já este lotação ignora a proibição e utiliza a ponte que estava interditada. É bem verdade que não aparecia, pelo menos na foto, nenhuma indicação da interdição.

Em outra ocasião o Mauroxará escreveu que "o lotação é um carro agregado à V.A.L.S.A., Viação Amigos Leopoldinenses S.A. Durante um breve periodo, esse carro "recolhia", isto é, ficava guardado no Posto "Bravo". Não sei se pertencia ao Sr. Bravo, dono do posto e fundador da Caprichosa. A linha era Vigário Geral-Bonsucesso. Neste canal sempre tinha um carro com sede que ia lá em baixo se "refrescar"."


Um grupo de rapazes usa a ponte interditada para atravessar o rio.

Os pedestres não se preocupavam com a interdição da ponte.

O bairro, como nesta foto dos anos 60, tinha problemas de saneamento. Urubus no canal do rio Arapogi eram frequentes.

Aqui vemos a esquina da Rua Arapogi com a Rua Francisco Enes. Nos anos 60 a situação na região era difícil, pois havia ruas, como a Francisco Enes, em que era normal ver correr na porta das casas as valas de esgoto a céu aberto com pontes de madeira para pedestres.


Uma precária ponte de madeira também era usada para cortar caminho.

Certa vez o Lino fez um comentário que dava uma ideia bem diferente do que vemos nas fotos: "O bairro de bairro de Brás de Pina foi a urbanização de um grande engenho de açúcar, pertencente ao Sr. Brás de Pina, que após o loteamento e urbanização deste local, deu nome ao bairro, muito embora durante a fase de loteamento fosse chamado de Vila Guanabara.

A urbanização foi efetuada pela Contrutora Kosmos, era chamada de "Princesinha da Leopoldina", seguindo planejamento modelo de urbanização, com ruas calçadas e arborizadas para amenizar o calor. O canal da Av. Aragogi era bem arborizado com flamboyants.

Nos anos 60 e 70, neste bairro moraram várias famílias portuguesas, inclusive o meu tio Antonio, que morou na Rua Piriá."

Também um comentário do Andre Decourt destoa do que vemos nas fotos de hoje;

"Ao contrário de seus bairros vizinhos como Cordovil e Penha, Brás de Pina foi um completo projeto de loteamento, inspirado em bairros de Londres, com tecido urbano retorcido para privilegiar o tráfego local, dado a apenas uma via. O único problema foi que esse trecho do bairro ficou meio asfixiado pelos aterros ao longo da Av. Brasil e, nas vezes que passei por ele, apesar de agradável, achei quente. Considero o loteamento vizinho a Vila Panamericana, principalmente na região das ruas Coimbra Cintra, Av. Lusitânia, muito mais agradável termicamente, talvez por estarmos em uma colina bem arborizada. Se morasse no subúrbio da Leopoldina seria o lugar para morar, não fosse a violência do Alemão impactar a região. Tenho bons amigos lusos por aí.

As ruas nos anos 30 já eram pavimentadas e arborizadas. A empresa construtora, da família Lobo tendo como sócios a família Enes também fornecia, como em outros loteamentos, projetos de casas a serem executadas caso o comprador do lote assim desejasse, o que explica alguns imóveis repetidos na região. Havia vários estilos disponíveis em voga nos anos 30 como o neo-colonial bem simples que tanto vemos nessa região suburbana, e outros menos cotados com um art-déco bem utilitarista, já bem desfigurado em quase todas as construções.

Essa parte do bairro, além linha férrea, pelo seu urbanismo e qualidade das contruções em comparação aos bairros vizinhos, quase vazios ou muito precários, tinha o apelido de Princesinha de Leopoldina. Muita gente da Zona Sul comprou propriedades nessa região nos anos 40 e 50, crentes da sua valorização pela proximidade com as saídas para Petrópolis e São Paulo e também por ser perto do término da Linha Verde, que ligaria a Gávea à Via Dutra, que seria pela Av. Meriti na fronteira com Cordovil, além do mercado São Sebastião. A região hoje é meio morta e decadente além da linha férrea onde o comércio, o cinema e as indústrias foram embora, mas essa parte aí tem o clima do subúrbio do passado, meio pichado e sujo de poeira de diesel, mas ainda com bucolismo."

 

Imagem da Av. Arapogi obtida no Google Maps. A região parece bem mais cuidada.



quarta-feira, 27 de julho de 2022

O EDIFÍCIO BRANCO


Foto do livro "Família Ferrez" mostrando um solitário banhista em Ipanema, tendo ao fundo o Morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea.

Durante muito tempo aquele edifício alto, branco, lá na altura do Vidigal contrastava com as edificações baixas de Ipanema e Leblon. 


Nesta foto da construção da estrutura para proteção contra as ressacas, em um Leblon quase deserto, lá está ao fundo e à esquerda, o edifício branco.


No ano de 1951 vemos nosso amigo Rouen, acompanhado da mãe, já em seu trabalho de pesquisa para o "Arqueologia do Rio", sobre aquele edifício branco.

Até os pilotos da prova do 3º Circuito da Gávea davam de cara com o edifício branco.

Conforme conta P. Scali, dada a impossibilidade da vinda de pilotos europeus por conta da guerra mundial, somente pilotos nacionais competiram nesta prova. Foram 17 automóveis e o vencedor foi Rubem Abrunhosa, guiando um carro com suspensão de Alfa Romeo e motor de Studebaker President 8 de 1938, além de quadro de chassi e carroceria fabricados pela oficina carioca que pertencia a João Woerdenbag.  A seguir chegaram Chico Landi, Angelo Gonçalves, João Santo Mauro e Antonio José Pereira. O tempo do vencedor foi de 2h49min49s.A partida era no final do Leblon, em frente ao Hotel Leblon, subia pela Av. Niemeyer e descia pela Rocinha e Marquês de São Vicente, com a chegada no ponto de partida.


Aqui vemos o anúncio deste prédio de apartamentos: trata-se do Edifício Cordeiro. Foi entregue no segundo semestre do ano de 1933.

De uma visitante do "Saudades do Rio" recebi a seguinte mensagem: "Eu, Sonia Gurfein, meu marido e meus filhos mudamos da Argentina para o Rio de Janeiro em 1973 e tivemos a sorte de morar no edificio Cordeiro, no 9º andar. O primero ano no ap. do meio, o de menor tamanho e depois de alguns meses ficou libre o da direita, (muito maior), no mesmo andar, onde moramos tres maravilhosos anos, com as melhores vistas do mundo, durmindo com o barulho do mar!!!"