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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

ONDE É?

 As fotos de hoje foram enviadas pelo GMA

FOTO 1

            FOTO 2 (depois posto a foto completa)


FOTO 2 (completa, com o prédio do Armazém Colombo, à direita).


FOTO 3


FOTO 4


FOTO 5 (exceção à regra de fotos antigas)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

PRAIA DE BOTAFOGO - SEARS


A Sears está na memória afetiva de toda uma geração nascida em meados do século XX. Como conta o Rouen:

Quando criança a seção de brinquedos no 1º andar, o departamento de roupas infantis no térreo, local chato onde perdíamos horas com nossas mães experimentado um tênis ou uma sandália Alpargata

• Depois crescemos e viramos “teens”, visitando a seção de discos e com a rala mesada comprando LPs de 33 1/3 RPM de Rock, Twist, Bossa Nova, Música Italiana.

• Passamos a ser adultos e frequentávamos a seção de peças e assessórios de carro, também no 1º andar, porém com instalação no térreo com entrada pelas ruas Prof. Alfredo Gomes e Muniz Barreto. Quanta grana gastamos em Radio Motoradio, Alto-Falantes Bravox ou Novik, Pneus Sears (fabricados pela fantástica marca Michelin), antena Truffi, Capas Procar para os bancos, etc...

• Casamos e passamos a comprar ferramentas. Vieram os filhos, as fotos do fim de semana entregues para revelar em um balcão ao lado da escada rolante (3 dias para pegar o envelope com as 36 fotos).

• O Milkshake da lanchonete ou, pagando com cheque, um almoço no 8º andar na Camponesa, que aceitava reservas pelo tel. 46-9022.

• Sem esquecer a máquina de pipoca que emanava o seu cheiro num raio de 50m e o artesão de vidro que fabricava na hora pequenos bibelots com tiras coloridas de vidro e um maçarico.


Nesta fotografia, de 1958, vemos o prédio da Sears e sua vizinhança. Acervo Correio da Manhã, Arquivo Nacional.


O prédio da Sears, no Rio de Janeiro, foi construído pela Construtora Pederneiras, em tempo recorde, com a colaboração da R.W. Hebard & Co., de Nova York, no local onde funcionava o Hotel Botafogo, demolido em 1948, e inaugurada em 06/06/1949.

Ficava na esquina da Praia de Botafogo com a Rua Professor Alfredo Gomes, indo até a perpendicular da Praia de Botafogo, a Rua Muniz Barreto. 

O "slogan" da Sears era: "Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta".


A SEARS foi um choque de modernidade em nossa cidade na época da inauguração em 1949, com um conceito de loja que já existia nos EUA desde o século XIX com a Bloomingdale de NY. 

A colorização é do caríssimo Conde di Lido.

Segundo o prezado Rafael Netto e outros comentaristas do "Saudades do Rio" a SEARS era assim:

 1º piso: vestuário, perfumaria e acessórios. Na entrada da Praia de Botafogo era moda feminina, da escada rolante para trás, seção infantil do lado da Rua Alfredo Gomes e masculina no fundo da loja.

 2º piso: brinquedos, seção automotiva, esportes/camping, bonbonnière, utilidades domésticas, fogões/geladeiras e cozinhas planejadas (e mais alguma coisa que eu posso estar esquecendo) A seção automotiva era no "canto" onde ficava a entrada do estacionamento. Entrando na loja a área esportiva/camping e em frente a ela a seção de brinquedos (com a parede tomada de bonecas até o alto). Em frente à escada rolante a bonbonnière (com a famosa pipoca) e do outro lado utilidades domésticas. O fundo da loja (a parte virada para a Praia de Botafogo) eram as cozinhas planejadas.

 3º piso: Discos, som/TV, tapetes, decoração e móveis. Caixa central e lanchonete. A escada rolante acabava deixando um grande vão livre, a parte do fundo (na direção do estacionamento) era a enorme seção de móveis (acho que não existe nenhuma loja atual que tenha algo parecido), de um lado da escada rolante discos e som/TV, do outro decoração e tapetes. A caixa central era virada para a Praia de Botafogo, com janelas. A lanchonete ficava no caminho entre a caixa e a escada que descia até a entrada da Praia de Botafogo e fechou nessa época.

 4º piso: escritórios (folha de pagamento, contabilidade, gerência geral, etc.)

 5º piso: depto. pessoal, refeitório

 6º piso: telefonista, dentista e outras utilidades

 7º piso: estoque

 8º piso: restaurante A Camponesa (fechou por volta de 1980) e estoque 

Nesta foto vemos a família de Mark Ackley, um americano em visita ao Brasil, almoçando no Restaurante A Camponesa, no prédio da Sears. Foto garimpada pelo Nickolas Nogueira. Acervo M. Ackley.


Foto de Kurt Klagsbrunn, do Acervo de Victor Hugo Klagsbrunn. Havia uma enorme expectativa pela abertura da Sears. Muitos "teasers" na Imprensa levaram uma multidão à loja naquele 06/06/1949. 


Chama a atenção o modo de vestir daquela época bem como o intenso tráfego na pista interna da Praia de Botafogo, no sentido em direção a Copacabana. Aparentemente o bonde parado defronte à Sears é o causador do engarrafamento. Podemos ver entre o casarão à direita e o prédio da Sears, o Colégio Anglo-Americano. 

Escada rolante da Sears em 1949, instalada pela “Otis”, fez um enorme sucesso enre os visitantes. Alguns não tiveram coragem de utilizá-la nos primeiros tempos. 

A primeira escada rolante no Brasil foi instalada, em 1931, na loja "Casas da Criança", que tinha como endereço Rua Ramalho Ortigão 8-10 e Rua Sete de Setembro 151-153.

Foto de Kurt Klagsbrunn.

Foto de Kurt Klagsbrunn. A inauguração da primeira loja da Sears, na Praia de Botafogo, atraiu multidões. A revista Life, de 27 de junho, informou que "nunca houve uma inauguração como a do Rio de Janeiro: a massa começou a se juntar no alvorecer e permaneceu por horas a fio na fila até que as portas se abrissem. 

Um Núncio Apostólico abençoou a instituição. Os 123 mil compradores amontoaram-se nas cozinhas modelo, lançaram-se feito moscas sobre as geladeiras e voltaram para casa com tudo que puderam, de algodão absorvente a sementes de zínia".


Foto  de Uriel Malta, da Brasiliana Fotográfica. Em destaque o prédio da Sears na Praia de Botafogo.


A Sears fervilhava na época do Natal. A decoração era atração.


Foto do acervo de "Saudades do Rio - O Clone". A foto com Papai Noel era uma exigência dos pais. Muitas crianças ficavam aterrorizadas...


Foto garimpada pelo Nickolas, num belo ângulo. Notar parte da decoração da Sears.



Neste dia dos anos 60 a Sears teve pouco movimento e, provavelmente, os fregueses que já lá estavam tiveram que aguardar longo tempo para voltar para casa. 


A foto, do JBAN, mostra o estacionamento da Sears, em Botafogo, no segundo andar, com entrada pela Rua Muniz Barreto. 

Muitas e muitas vezes subi esta rampa, anos antes desta foto, no Kaiser da família D´. Minha avó era freguesa assídua e ir à Sears era considerado um grande programa por todos nós.

Nesta época, conta o JBAN, o estacionamento da loja, ridiculamente pequeno para os padrões atuais, era disputadíssimo nos períodos de Natal, Páscoa e Dia das Crianças. Estacionar ali era um inferno. Vemos também um caminhão que sempre estava ali, recolhendo embalagens de papelão e caixotes, e a entrada para loja, que dava para a seção de pneus e acessórios. 


O JBAN, revirando uns guardados, encontrou um envelope de negativos e, dentro dele, a nota fiscal da revelação. Qual não foi a alegria e a surpresa de encontrar a nota da saudosa Sears Roebuck, emitida em 8/6/1976. 


Anúncio de página inteira do "Correio da Manhã" nas vésperas da inauguração da Sears, em 1949.

Sobre a Sears, alguns comentaristas do SDR se manifestaram:

P. Stilpen lembra de duas coisas interessantes: 1) uma máquina que permitia que você visse seus pés dentro de um sapato (como um Raios X) que desejava adquirir; 2) do show do Roy Rogers e da Dale Evans, no estacionamento do 2º andar, com entrada, hot-dogs, pipoca e Coca-Cola grátis. Creio que em meados da década de 1950.

O JBAN se recorda da doca de carga na fachada lateral para a Rua Alfrego Gomes. Todos os dias entravam aqueles caminhões verdes de marcha-a-ré para descarregar mercadorias, sem atrapalhar o trânsito.

O Plinio se lembra do estacionamento do segundo andar: "Mal o carro parava eu já saltava correndo para abrir aquela pesada porta (pelo menos para as crianças) que dava entrada à loja, bem junto de onde se vendia pneus. Brincar na escada rolante, tomar Coca-Cola com torrada Petrópolis na lanchonete, tudo era divertido. Menos é claro esperar minha mãe terminar suas compras. "

Cristina Coutinho fala do "cheiro de pipoca, do friozinho do ar condicionado e das subidas e descidas pelas escadas rolantes que nos transportava para variados mundos, tudo isso, tão marcante, faz com que até hoje me refira à "rua da Sears", ao "shopping no lugar da Sears". Tenho uma foto com o Papai Noel da Sears. A última compra que fiz foi uma bicicletinha de presente para um filho. Comprei às vésperas de seu fechamento."

 O Richard disse: "Memória olfativa é das melhores que ficaram. Lembro-me bem do aparelho de Raio X para se ver o pé dentro do sapato. Era o máximo! Calça jeans da Sears, ferramentas Craftsman (marca própria), pipoca e milhões de outras coisas faziam essa loja ser a melhor!" 

FlavioM: Alguns detalhes que pedem destaque, porque eram quase exclusividade da Sears: os equipamentos de som para carros, a seção de ferramentas, o "clube do disco" (ou coisa parecida), acumulando créditos para compra de um disco grátis a cada 10 (era isso?), os boxes para instalação dos pneus, ao lado das baias de descarga, os descontos fantásticos quando eles resolviam renovar o estoque ("Semana do Tapete", p.ex.), milk-shake ou waffles na lanchonete, uma das maiores áreas de brinquedos da cidade, e vai por aí afora...

Eu me lembro da minha última ida à Sears, com a namorada, em 1972. Desde então uma vida se passou, mas a memória da Sears continua.





quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

PRAIA DA URCA - HOTEL BALNEÁRIO

Conforme conta Claudia Gaspar em seu estupendo "Orla Carioca", em 1895 Domingos Fernandes Pinto planejou o novo bairro da Urca. O Ministério da Guerra, a princípio, alegou que era incompatível com a vizinhança da Fortaleza de São João. Após muita discussão, em 1920 constituiu-se a Sociedade Anônima Empresa da Urca.

Entre 1920 e 1923 a Empresa construiu o volumoso edifício eclético para funcionar como hotel balneário, dotado de acomodações para hóspedes, quadra de esportes e vestiários. Nesta foto, da Coleção Alayde Parissot Mascarenhas, vemos a Avenida Portugal, na Urca, recém-aberta, tendo, à esquerda, parte do Hotel Balneário em construção, em 1922.


Vemos outro aspecto da construção do Hotel Balneário da Urca, em foto do acervo de Patricia Penna Ramos. Tanto nesta fotografia, quanto na anterior, é possível ver que não havia ainda a Praia da Urca. A varanda do hotel era projetada sobre o mar. Ao fundo, à direita, podemos ver a construção das cabines (vestiários).


Aqui, em foto garimpada pelo Nickolas, vemos o Hotel Balneário já concluído. 

Foi projetado pelos arquitetos Archimedes Memória e Francisco Cuchet para acomodar turistas que viriam à Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Mas, pelo que consegui descobrir, ficou pronto somente em 1925. Funcionou como Hotel Balneário até 1935, quando foi adquirido pelo empresário dos jogos Joachim Rollas, que o converteu em cassino. 

As obras de adaptação foram realizadas pelo engenheiro Mário Chagas Dória, ficando a decoração interna a cargo do arquiteto Wladimir Alves de Sousa, que criou os belos salões em estilo art-déco, que ainda subsistem. Seu período áureo foi de 1938 a 1946, quando grandes nomes artísticos nacionais e internacionais, além de uma clientela selecionada, contribuíram para que se tornasse uma das mais disputadas casas de "shows" das Américas. 

Com a proibição do jogo no Brasil nos anos 40, passou a abrigar os estúdios da TV Tupi na década de 50.


Esta é uma das fotos mais conhecidas e mais bonitas, na minha opinião, do Hotel Balneário e da Praia da Urca. 


Propaganda do Hotel Balneário da Urca garimpada pelo prezado Rouen. 


Vemos o Hotel Balneário provavelmente numa tarde de segunda-feira, de tempo nublado, dada a ausência de banhistas na praia. No Hotel Balneário da Urca era possível encontrar serviços de fisioterapia, massagens e helioterapia, tudo a cargo do Instituto Fisioterápico do Dr. Gustavo Arnobrast, com sede no Largo da Carioca. 



Estas eram as cabines para troca de roupa na Praia da Urca. 

O periódico "Rio Ilustrado", de outubro de 1928, relata: "Quem ainda não poz a pele de molho na água barrenta do balneário, não veio de boa gente. Ali é o supra-sumo do "chic". 

Fora, ficam os carros, esquentando ao sol. Lá dentro, aqueles cinqüenta palmos de areia regorgitam. De cima do trampolim, moças e rapazes exibem os últimos modelos de saltos, apresentados pelos jornais da "Fox Films". 

Em cima, dança, "cock-tail" e "flirt". Uma jazz-band comunica tremuras coreográficas aos corpos quentes. E à frente, a paisagem abrupta das matas colorindo morros, bangalores, escorregando pelas vertentes verdes e a paisagem tranqüila da enseada, riscada de embarcações de sport. 
(...) 
Lá embaixo, há cubículos para trocar de roupa e outros misteres íntimos. A empresa não os fiscaliza nem a polícia tampouco: pode-se entrar aos pares e demorar quanto quiser. 

Na areia senhoras respeitáveis, a julgar pela pintura e pelo volume, conversam coisas graves, fumando cigarros turcos. 
(...) 
Mas, à tarde, o balneário perde este aspecto familiar da manhã. A jazz banda ataca músicas mais frenéticas, os "cock-tails" ganham ingredientes fortes e o "flirt" é mais íntimo. Atrizes, cocotes, demiverges e algumas famílias inocentemente enganadas, que não chegam a aperceber-se do que se passa em roda. 

Dentro da água, ensina-se a nadar com menos inocência do que de manhã. Nos cubículos de aluguel há pares que se demoram desusadamente. 
(...) 
Só. Não há mais nada. Tudo o mais é muito moral, muito correto, muito direito. Não se ouve falar em cocaína. Nem de morfina, nem de ópio...".


Balneário da Urca em 1927. Coleção Elysio de Oliveira Belchior. O prédio era ladeado por cabines para troca de roupa e varanda avançada sobre pilotis visíveis. Os antigos moradores da Urca tomavam chá no salão e jogavam tênis no terraço. À esquerda, o "water-shoot", escorrega onde a garotada divertia-se.

Foto enviada pelo meu amigo Hugo Hamman: "Acredito que seja do final dos anos 20, pois o terraç o descoberto original do Hotel já tinha recebido uma cobertura.Veja que o enrocamento de pedras (vindas do Morro do Castelo) da Praia da Urca ainda está em construção. Note os carros da época. Pela perspectiva, essa foto deve ter sido tirada da Av. São Sebastião. Veja também que a primeira seção do bairro - delimitada pela Av. Portugal e pela Av. Marechal Cantuária - já está totalmente urbanizada, ainda sem edificações. 


Esta foto já é dos anos 30, quando já havia o cassino.


Engarrafamento na passagem sob o terraço do Hotel Balneário.



Aspecto da Praia da Urca, em frente ao Hotel Balneário, em dia de certo movimento.


Um domingo de sol, no verão, na Praia da Urca...







terça-feira, 24 de janeiro de 2023

FÁBRICA BANGU

“Post” baseado num livro que recomendo muito:  “Bangu – 100 anos”, de Jairo Severiano. Certamente pode ser encontrado no "site" Estante Virtual.


Foto da Fábrica Bangu, garimpada pelo grande estudioso do Rio Antigo, o prezado Henrique Hübner.

O prédio da Fábrica Bangu, da Companhia Progresso Industrial do Brasil, foi levantado em terras da Fazenda Bangu, do lado esquerdo da Estrada de Ferro Central do Brasil. Possui linhas típicas inglesas, características do período neoclássico, apresentando arcos romanos, frontões gregos e grandes platibandas, de partido horizontal. A chaminé, de tijolo aparente e forma circular, possuindo a base octogonal, se eleva a 55 metros acima do nível da sala de cardas. Ela se tornou o símbolo da fábrica na medida em que se ergue altaneira, acima do edifício, podendo ser vista de longe.

A fábrica de tecidos Bangu foi inaugurada em 1893 na região da Freguesia de Campo Grande, que foi escolhida por haver grandes mananciais indispensáveis ao funcionamento da fábrica. Foram comprados cerca de 3.600 acres de terra, a saber: Fazenda do Bangú, Fazenda do Retiro, Sítio do Agostinho e Sítio dos Amaraes, pela quantia de 132.137$910 Réis.

Toda essa região fica à margem da Estrada de Ferro Central do Brasil, distante cerca de 1 hora do Centro. Até aquele momento, existia na região apenas uma rua, que havia sido aberta séculos antes pelos jesuítas.  A construção da Fábrica ficou à cargo da firma The Morgan Snell and Co., de Londres, pelo preço total de 4.100.00$000 Réis.

A implantação da fábrica na região trouxe consigo uma série de transformações na paisagem com a abertura de novos caminhos e a chegada dos trens para o transporte das matérias primas que chegavam e dos tecidos que saiam. Ao mesmo tempo, alterou o modo de vida da população local com o surgimento de um bairro operário nos arredores da fábrica - toda essa transformação se concretizou na implantação de saneamento, de espaços para lazer (o Bangu Atlético Clube) e da Paróquia Santa Cecília.

Merece especial atenção o fato da Fábrica Bangu ter fundado uma das primeiras escolas do bairro chamada Escola da Cia. de Progresso Industrial do Brasil que, em 1917, passou a ser administrada pela prefeitura.

O bairro, e mais especificamente a fábrica Bangu, tornou-se um monumento à história da industrialização brasileira, servindo de cenário para uma série de filmagens que visavam retratar a mudança nas cidades, no caso o Rio de Janeiro, com a chegada das indústrias na transição do século XIX para o XX.

 A chaminé da Fábrica tem 57m de altura, 4,12m de diâmetro na parte inferior e 2,44m na parte superior. A base octogonal mede 7,45m entre as faces paralelas.

Em 1922 assume a presidência da Fábrica Bangu o Dr. Manuel Guilherme da Silveira Filho, o famoso Dr. Silveirinha. Em 1990 a fábrica é vendida para o grupo Dona Izabel. Em 1995 a fábrica é tombada.


Sobre o edifício principal encontra-se um grande relógio de quatro espelhos, com parte de sua base - o telhado - em ardósia


Aspecto do entorno dos prédios da fábrica Bangu.


Conforme nos conta Jairo Severiano no seu ótimo "Bangu - 100 anos", interessada em instalar um escritório e um armazém em ponto central do Rio de Janeiro, a diretoria adquiriu em 1906 um imóvel na Rua Primeiro de Março nº 83 (que vemos na fotografia acima). Este imóvel seria, mais adiante, demolido, erguendo-se no local um novo prédio, projetado para melhor atender aos serviços da empresa. 


A Fábrica de Tecidos Bangu oferecia a seus funcionários uma creche, já nos anos 50. É exemplar esta iniciativa pois, nos dias de hoje, mesmo com a lei que obriga a grandes empresas a manterem uma creche, tal não é cumprido. Usam de subterfúgios para driblar a legislação, fazendo convênios com creches distantes, que não recebem nenhuma criança filha de funcionários - um escândalo!

Nesta fotografia vemos algumas das casas construídas pelos operários da Companhia Progresso Industrial do Brasil - Fábrica Bangu. 

Guilherme da Silveira, dono da empresa, tinha uma visão social avançada para a época. Defendia os direitos dos operários sem qualquer intenção demagógica, considerando essencial a colaboração entre o capital e o trabalho. 

Sua política habitacional, concretizada através da construção de casas modelares para o proletariado, aproveitou terrenos da CPIB, onde foram construídas casas em mais de 12 mil lotes. 

O projeto desenvolveu-se de duas formas: faziam casas, vendendo-as depois de prontas, ou vendiam-se terrenos, a prestações, incluindo em seu preço a chamada "cota de construção", ou seja, o custo do material necessário à obra.

 Foram construídas milhares de casas, sempre contando com a honestidade dos compradores, perfeitos no cumprimento de suas obrigações. O sucesso desse empreendimento deu a Bangu uma característica especial: é o único subúrbio carioca em que a maioria da população reside em casa própria.


Bangu e sua vila operária construída para abrigar trabalhadores da fábrica, em foto de 1958, estupendamente colorizada por Rafael Guimarães e publicada no FB RioSecretoRio.


Quando a Companhia Progresso Industrial do Brasil (Fábrica Bangu) chegou a Bangu, substituiu a antiga capela que existia ao lado da casa da fazenda pela Igreja de Santa Cecília e São Sebastião. 

Este templo foi erguido no final da Rua Estevão, em terreno doado pela Companhia, que também ajudou na sua construção. Foi  inaugurado em 1904 e teve todas as despesas de manutenção custeadas pela Companhia, que fornecia a cera necessária aos ofícios, os honorários do sacristão e do vigário, além de ceder uma casa para a moradia deste último. 

Uma das festividades mais concorridas da igreja de Bangu era a da Coroação de Nossa Senhora, uma festa tradicional que se realizou até o ano de 1951.


Nos terrenos da Companhia Progresso Industrial do Brasil, conhecida como Fábrica de Tecidos Bangu foram edificados, além da fábrica, a vila operária, a Paróquia de São Sebastião e Santa Cecília e um cassino recreativo, como vemos nesta foto.

A fábrica de tecidos possibilitou que o bairro passasse a ter uma dinâmica social, cultural e econômica autônomas. Foi por iniciativa dos trabalhadores da fábrica que foi criada a Sociedade Musical Progresso de Bangu, transformada depois no Cassino Bangu.


O Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, o Moça Bonita, é uma construção iniciada no ano de 1945 e concluída em 1947.  Também foi patrocinado pela Companhia Progresso Industrial Fábrica Bangu, 

OBSERVAÇÃO: antigamente os fotologs só permitiam uma foto por postagem. Tínhamos que fazer mais de uma postagem no mesmo dia, caso quiséssemos mostrar várias fotos. Agora, no Blogger, a postagem pode ter muitas fotos. 

Se, por um lado, podemos fazer uma postagem mais completa (embora dê mais trabalho), por outro lado, não sei se fica cansativo para os que visitam o "Saudades do Rio". 

O que acham?

 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

MISS ELEGANTE BANGU

Até durante os anos 60 eram comuns no Rio grandes acontecimentos sociais, com exigência do uso de “smokings” ou terno completo para os homens e vestidos longos para as mulheres. Além das festas habituais do “high-society”, cobertas pelas muitas colunas sociais de revistas e jornais, havia os bailes de formatura e as festas de debutantes, além de grandes casamentos. Hoje vamos ver como foi o início do concurso “Miss Elegante Bangu”, retratado em fotos da revista Manchete.


A ideia foi de Joaquim Guilherme da Silveira, o "Silveirinha", dono da Fábrica Bangu. Era um concurso que pudesse realçar a elegância da mulher brasileira. Dizia-se sem objetivos comerciais, com renda total revertendo em benefício da Pequena Cruzada. Foi eleita Corina Balbo, candidata a "Miss Elegante Bangu" de 1952. Concorria pelo Clube Caiçaras. A festa aconteceu no "Golden Room" do Copacabana Palace, em janeiro de 1953.


Corina Balbo recebe a faixa das mãos de "Silveirinha". Segundo o Conde di Lido, nosso especialista em assuntos de moda feminina, a vencedora ostenta um vestido de organdi permanente "Mauve" plissado e bordado a canutilhos prateados.



Aspecto do desfile do "Miss Elegante". Neste primeiro concurso, Corina Baldo foi secundada por Maricy C. Rodrigues e Ninon Seliler. Ribeiro Martins era o organizador. José Ronaldo, o figurinista e os vestidos usavam tecidos da Fábrica Bangu. Concorriam jovens da sociedade, de clubes do Rio e de todo o país.


O “Golden Room” do Copacabana Palace foi inaugurado em 26/12/1940 num evento inesquecível, segundo descreveram os jornais da época: “Decorado por Henrique Liberal, o novo “Golden Room” apresenta um ambiente originalíssimo, sóbrio e chic. Impressiona pela harmonia do conjunto, pela pureza de concepção. Integrada nesse ambiente de bom gosto, movia-se uma sociedade de bom gosto. As senhoras, exibindo os últimos figurinos, transformavam o acontecimento numa autêntica parada de elegância, impressionando pela variedade de cores e de modelos, pela riqueza das “toilettes” e pela graça dos movimentos. Os cavalheiros, impecáveis, rendiam-lhes as homenagens de olhares elogiativos.”

Entre os artistas que se apresentaram na noite de inauguração destacaram-se Laura Suarez, Francisco Ferreira, Eros Volusia, Greta Keller e a orquestra de Guy de Nogrady, com o célebre cimbalista Codolban e o pianista Naum Kramer.


Esta fotografia mostra um outro evento, um Baile de Debutantes, no "Golden Room" do Copacabana Palace, no ano de 1949.


Em agosto de 1953, meses após o primeiro concurso "Miss Elegante Bangu", um grande incêndio aconteceu no Copacabana Palace. O fogo começou nas dependências do restaurante “Bife de Ouro”, destruiu o “Golden Room”, o “Teatro Copacabana” e parte da boate “Meia-Noite”. 


Esta foto mostra como ficou o belíssimo "Golden Room" após o incêndio. Os bombeiros tiveram muito trabalho, faltou água e a solução foi usar a água da piscina. As obras de reforma se estenderam até o início de 1954. A reabertura deu-se com a espetacular cantora Joyce Bryant, sendo que a nova decoração ficou a cargo de João Henrique e Silvio Dodsworth.


No ano seguinte, já com o "Golden Room" em pleno funcionamento, a eleita foi Sonia Carneiro, que aparece em foto ao lado de Marta Rocha. Sonia também representava o Clube dos Caiçaras.
Eram outros tempos.