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quarta-feira, 31 de maio de 2023

URCA - PONTE DOMINGOS FERNANDES

Segundo publicação do Sindegtur, em março de 1895 Domingos Fernandes assinou contrato com a Intendência Municipal objetivando construir um cais ligando a Praia da Saudade à Fortaleza de São João. A ponte Domingos Fernandes Pinto (que liga Avenida Marechal Cantuária à Avenida Pasteur é resultado deste primeiro momento de obras).

Em agosto de 1901 foi criada a firma Domingos Fernandes Pinto & Cia a fim de continuar as obras de 1895. O sonho de Domingos Fernandes de criação de um bairro foi embargado pelo Exército que temia que esta obra viesse a tornar a Fortaleza de São João vulnerável.

Mas a criação do cais foi de utilidade para a Fortaleza facilitando a ligação da Praia da Saudade com uma trilha na encosta do morro que acessava à fortaleza. Esa trilha foi o embrião da atual Av. São Sebastião.

Em 1921 o Engenheiro Oscar de Almeida Gama criou a Sociedade Anônima Empresa da Urca objetivando a construção de cais ligando a Praia da Saudade à Fortaleza. Neste período governava a cidade o prefeito Carlos Sampaio, que incentivou a obra realizada. A Sociedade foi responsável pela construção do ancoradouro de barcos junto à ponte  (o ancoradouro foi criado para servir como piscina para competições, possuindo fundo azulejado e arquibancadas), do cais que corre pela atual Avenida João Luís Alves e Avenida Portugal e do Hotel Balneário (que funcionou como Cassino da Urca de 1934 a 1946 e TV Tupi, de 1951 a 1980). Em setembro de 1922 a Avenida Portugal foi oficialmente inaugurada.


O cais é uma das partes mais antigas do agradável bairro da Urca, construído para a Expo de 1908, com a finalidade de os barcos que partiam do Centro e da Praia de Botafogo, atracassem conduzindo assim parte do público.



Após o término da exposição o cais continuou sendo usado para a atracagem de barcos, bem como sendo usado como acesso à pedreira que se localizava para dentro do bairro. 


Ao fundo vemos o portão de entrada da Expo de 1908.


A ponte, durante todos esses anos, sofreu muitas obras. A foto, de 1957, mostra uma desobediência à placa de trânsito: a placa inferior indica “tráfego proibido obras”. A placa do automóvel, DF 64-71, é de um Buick 1941, segundo o consultor obiscoitomolhado.


Em 1999, conforme fotos da tia Milu, foram feitas as obras de recuperação e reforço estrutural.



A estrutura atual ficou com uma super-estrutura em concreto protendido.


Cartaz da Panair, em francês, garimpado pelo JBAN, promovendo o Brasil - O país do futuro. 

O belo desenho mostra o quadrado da Urca, a garagem dos barcos do Iate Clube, a ponte e o Corcovado com o Cristo Redentor.

Ao final despede-se: "A soberana do Atlântico Sul". 

Parece que a estratégia da época era se anunciar como a maior dentre a concorrência.


Segundo o Candeias, esta ponte era chamada de "Ponte Barriguda" pela garotada da Urca, no começo dos anos 50.


Postagem com a colaboração da tia Milu, JBAN, Derani, Richard, Decourt, Rafael Netto, membros do FRA-Fotologs do Rio Antigo.




terça-feira, 30 de maio de 2023

CINEMA CARUSO


O Cinema Caruso, na Av. N. S. de Copacabana nº 1362, no Posto 6, foi inaugurado em 15/02/1954 e demolido em 01/01/1984. Tinha 867 lugares e era um local agradabilíssimo de se frequentar.

O filme em cartaz “Turbilhão” (Tourbillon), de 1953, era estrelado por Claudine Dupuis (como Lily Latour), Alfred Rode (como Anton Privala), Marcello Pagliero (como Julio Spoletti) e Jean Servais (como Fred Maurin). Diretor: Alfred Rode. Música: Louiguy. Tema principal: “Qui veut mon coeur”.

À esquerda vemos o cartaz do filme "O laço do carrasco", com Randolph Scott que, apesar dos esforços das empresas cinematográficas de vendê-lo como um modelo másculo, viveu um grande amor com Cary Grant.

DÚVIDA: o Jason identificou o carro como um Plymouth 1950 e o JRO como um Dodge Coronet. Cabe ao obiscoitomolhado se envolver...

Segundo o "Cine Reporter", o Caruso foi o primeiro cinema de luxo rigorosamente planejado para um clima tropical, consoante as condições predominantes na bela capital brasileira. Assim, além de possuir um ótimo sistema de condicionamento de ar, foram abolidos os pesados cortinados, tapetes, passadeiras e todo material suscetível de provocar o aquecimento do ambiente e o acúmulo de poeira.

Pela decorativa respondem com acentuado bom gosto, o fino trabalho de estucamento plástico das paredes sobre motivos de cavalo-marinho, os lambris em madeira, a dupla tonalidade das poltronas - assento vermelho e encosto cinza - tudo realçado por um bonito sistema de iluminação indireta".


Em foto dos anos 70 vemos em cartaz "Fantasma da Liberdade", de Luis Buñuel, com Jean Claude Brialy, Michel Piccoli, Monica Vitti e Adolfo Celi. 

Após a sessão de cinema, eram imperdíveis o pastel de queijo e o pavê de chocolate do Lopes no Posto 6 ou uma passada na Confeitaria Americana na Rua Rainha Elizabeth ou ainda um chope no Pigalle, na Avenida Atlântica.

Até o início dos anos 70 a TV Rio funcionou no Posto 6 e era comum encontrar os artistas no Caruso ou adjacências. Se o Candeias aparecer por aqui poderá contar um caso dele com a Anilza Leoni...

Nesta foto, já dos anos 80, vemos o Caruso em seus últimos dias. Podemos ver, à direita, a agência do Banco Itaú na esquina. Quando o cinema acabou o banco se expandiu para o local do cinema, se transformando numa grande agência bancária com estacionamento.

Sobre o fim do Caruso, Carlos Drummond de Andrade escreveu:

"Esse Rio de Janeiro! O homem passou em frente ao Cinema Rian, na Avenida Atlântica, e não viu o Cinema Rian. Em seu lugar havia um canteiro de obras. Na Avenida Copacabana, Posto 6, o homem passou pelo Cinema Caruso. Não havia Caruso. Havia um negro buraco, à espera do canteiro de obras. Aí alguém lhe disse: "O banco comprou".

Assim, pois, desaparecem os cinemas, depois de terem desaparecido, ou quase, os frequentadores de cinema. Estes ficaram em casa, vendo figuras pela televisão, primeiro porque é mais seguro, evita assaltos; segundo, porque é mais barato, e terceiro, porque o cinema convencional saiu de moda(...)".


Houve uma época em que os cinemas distribuiam folhetos para o público. 






segunda-feira, 29 de maio de 2023

REVISITANDO BOATE E HOTEL VOGUE


"Post" com a colaboração de Rouen, Andre Decourt e Tumminelli.

Nesta fotografia vemos a saída do Túnel Novo em direção a Copacabana (no mandato do Prefeito Henrique Dodsworth foi feita a duplicação de suas galerias). No alinhamento da Avenida Princesa Isabel está o Hotel Vogue. Vemos claramente que a Avenida Princesa Isabel não alcançava a Avenida Atlântica. O acesso deste lado da Princesa Isabel até a Av. Atlântica demorou a acontecer por problemas com as desapropriações. A rua à direita na foto acima é a Rua Barata Ribeiro.


Esta foto de O Globo, colorizada pelo Nickolas, mostra o aspecto da Av. Princesa Isabel quando foi concluído o acesso. Conforme conta o Decourt, a abertura da Av. Princesa Isabel foi extremamente tumultuada, principalmente no trecho após a Rua Ministro Viveiros de Castro, onde de fato o larguíssimo traçado ia encontrando um grande número de construções.

Eram casas, lojas e prédios muitas vezes de 8 e 10 pavimentos, alguns com menos de 10 anos de construídos. Com custosas desapropriações a avenida foi sendo aberta, até chegar no quarteirão entre a Av. Atlântica e Copacabana. Alguns imóveis chegaram a ser demolidos, mas o que fazer com o conjunto de pelo menos 3 prédios residenciais, dois de frente para o mar e um hotel, o famoso Vogue?

Para deixar os custos com as desapropriações ainda mais altos, dos prédios o mais velho, o Ed. Edmundo Xavier, tinha 20 anos, tendo sido um dos primeiros prédios com linguagem moderna construído na orla em 1932. Os demais eram do início dos anos 40, construídos antes dos planos definitivos da nova avenida serem definitivamente traçados. Nos planos anteriores a intervenção iria no máximo até a Ministro Viveiros de Castro.

Tudo levava a crer que a administração distrital nunca conseguiria resolver a questão, até que o incêndio da boate Vogue comprometeu o prédio do hotel, condenando a estrutura e propiciando sua demolição.

Com o imóvel mais caro do quarteirão destruído ficava muito mais fácil a administração pública desapropriar e demolir os prédios restantes, terminando assim a avenida. Curiosamente, como atesta essa imagem do acervo do Globo, o último prédio a cair foi o primeiro a ser construído, o Edmundo Xavier.

Há alguns anos, ainda sem muita informação disponível, se discutiu muito a exata localização da Boate e do Hotel Vogue. Nosso arqueologista do Rio de Janeiro, Monsieur Rouen, conseguiu esta informação definitiva num antigo Guia Rex.

Rouen fez questão de mostrar a exata localização nesta foto do local.


No domingo, 14 de agosto de 1955, à tarde, a boate Vogue pegou fogo. Originando-se de um curto-circuito, o fogo em poucos instantes tomou proporções assustadoras, tomando conta do prédio. Três pessoas projetaram-se do edifício em chamas, estatelando-se no chão, ante o olhar da multidão. Um dos mortos foi o jornalista Raul Martins, encarregado da publicidade do Vogue e criador do “Índio” da TV Tupi. Estava num andar não alcançado pela escada "Magyrus".

Outra vítima fatal foi Pierre André Wan Rizswir. Também atirou-se do apartamento 1003, após esperar socorro por mais de uma hora, o cantor americano Warren Hayes. Morreram em apartamento, pelo fogo e pela fumaça, o conhecido casal Waldemar Scheller e sua esposa Glória.

A Imprensa criticou muito a atuação do Corpo de Bombeiros. Houve problemas com a escada “Magyrus”, não havia alto-falantes para os bombeiros se fazerem ouvir aos que se encontravam na parte superior do prédio, não colocaram uma rede protetora, nem refletores e várias mangueiras estavam podres.

A foto acima é do dia seguinte ao incêndio. A boate Vogue era do barão Max von Stuckart, um nobre austriaco importado pelo Copacabana Palace em 1944 como diretor artistico de seus shows musicais. O barão introduziu o conceito de pratos de boate, até hoje mais ou menos padrão no Brasil, cinco: Picadinho, Strogonoff, Camarão à Newbourg, Lagosta à thermidor,  Supreme de frango à Kiev.


Foto acima podemos ver uma mesa da Vogue. Os frequentadores, todos muito bem vestidos. Podemos reparar que a decoração (natalina) tinha, ao que parece, divisórias ou acolchoados nas paredes. Material muito inflamável que certamente contribuiu muito com a tragédia do dia 14 de agosto de 1955.


A boate era famosa e muito frequentada por colunáveis da época. Vários cantores e cantoras famosas se apresentaram lá, como Dolores Duran, Aracy de Almeida,  Inezita Barroso, Dick Farney, Elizeth Cardoso entre outros nomes. Cronistas como Ibrahim Sued e Antonio Maria estavam sempre por lá.

Com o incêndio se perdeu o famoso piano da Vogue, que fora de Sacha, Fats Elpídio, Zé Maria e Carlinhos.


Aqui vemos Linda Batista e Jorge Goulart cantando com a pequena orquestra de Claude Austin.

Para terminar transcrevo um comentário feito no fotolog "Carioca da Gema" por alguém que se intitulou "ehabuzios":

É FOGO

Na parte da avenida que dá para o Leme, na Avenida Princesa Isabel, aconteceu uma das maiores tragédias da cidade. Ali, em frente onde era o  Méridien, havia um outro hotel, chamado Vogue — na época um dos mais sofisticados do Rio de Janeiro — em cujo andar térreo ribombava uma boate, onde iniciou seu trabalho, como cronista social, o jornalista Ibrahim Sued. Certo dia, em 1955, por volta das seis horas da tarde de um domingo, na cozinha situada no primeiro andar, ocorreu uma explosão; as labaredas subiram. O hotel estava, como de costume, cheio de hóspedes, inclusive alguns internacionais — com destaque para um famoso cantor, o Dick Haynes.

Eu morava na esquina e estava em casa, quando fui chamado pelos amigos para ver o incêndio que se iniciava. Tinha 14 anos. Lembro-me bem dos hóspedes olhando da varanda para baixo. Ninguém pensava em descer, achando que logo o fogo seria debelado. Porém, cresceu rapidamente, tomando o prédio todo, com seus doze andares. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros tinha escadas, que alcançavam apenas seis andares. Os hóspedes vips costumavam ficar nos andares de cima, para melhor apreciarem a vista da praia. Naquele momento, porém, o que era privilégio tornou-se tormento e mesmo fatalidade.

Foi o caso do cantor americano. Por volta das 20:00h, com o fogo se aproximando, tentou pular da varanda do 10° andar até ao topo da escada, no sexto andar. Fez um voo espetacular. Obviamente não conseguiu: bateu na escada, levando consigo o bombeiro, que ali se postara para segurá-lo. Os dois despencaram. Pela primeira vez na vida, vi e ouvi o baque surdo de corpos se estatelando no chão. A multidão gritava. Animadas pela coragem do ato do cantor — ou pelo desespero — outras pessoas, na mesma situação, se atiraram. Novos baques, novos gritos.

No mês seguinte, o governo comprou as escadas Magirus, que alcançavam doze andares, há muito reclamadas pelo Corpo de Bombeiros. Aí entendi porque meu pai, que vivia metade do tempo nos Estados Unidos, sempre quis morar em andares baixos, no Brasil...

CONTAGEM REGRESSIVA: 4, 3, BUMMM

A presença do esqueleto do hotel famoso, tirando a beleza da entrada de Copacabana, fez com que a Prefeitura cuidasse logo da sua remoção. Seria a primeira implosão no país. A imprensa falava nisso a todo instante.
Foi marcada para as 20:00h de um sábado — não se sabe, até hoje, o autor da brilhante ideia de fazer uma implosão à noite. Centenas e centenas de pessoas se plantaram ali, para assistir ao espetáculo até então inédito. Na hora marcada, um locutor oficial da prefeitura fez a contagem regressiva: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro — a multidão, nesse exato momento, pôs as mãos no ouvido —, três... — Bummmmmm!! — O que foi? Explodiram as dinamites antes de chegar ao zero! Tremenda poeira, tremendo susto. Quando a poeira desceu... nada havia acontecido. O esqueleto continuava de pé. Foi uma decepção geral. O locutor comunicou que a próxima explosão seria a instantes. O tempo passou. Por volta de uma da manhã, o mesmo locutor informou que estava suspensa a operação.

Tinha sido como a queima de fogos de fim de ano. Aos poucos, as pessoas foram embora. Eu e a minha turma continuávamos, porém, acesos; só às três da manhã é que fomos dormir. Às cinco horas, outra tremenda explosão se ouviu. Sem avisar, a prefeitura implodira o prédio. Implodira-o, sem que houvesse nenhum registro fotográfico, dessa que foi a primeira implosão no Brasil. Pior: tinham mandado abrir todas as janelas, antes das 20:00h, para evitar que a explosão prevista naquela hora quebrasse os vidros, com o deslocamento do ar. Como havia sido suspensa, os moradores fecharam as janelas e foram dormir tranquilos. Resultado: a maior quebra de vidros da história da cidade."



sábado, 27 de maio de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - LIVROS INFANTO-JUVENIS

Em meados do século XX parte dos jovens lia muito. Hoje vamos recordar alguns livros que fizeram muito sucesso.

"Os mais belos contos de fada" era uma coleção de luxo, com capa dura, com contos de vários países do mundo. Era um bom presente para se receber. 


"O Pequeno Príncipe", além de ser o preferido das candidatas à "Miss", era bastante apreciado pela garotada em geral. Inocente, bem água com açúcar, vendeu milhares de exemplares.


Quantas boas lembranças das estupendas obras infanto-juvenis de Monteiro Lobato. Reforma da Natureza, Reinações de Narizinho, Viagem ao céu, O Saci, Caçadas de Pedrinho, Hans Staden, História do mundo para as crianças, Memórias da Emilia, Peter Pan, Emilia no país da Gramática, Aritmética da Emilia, Geografia de Dona Benta, História das invenções, D. Quixote das crianças, O poço do Visconde, História de Tia Nastácia, O Picapau Amarelo, A reforma da Natureza, O Minotauro, A chave do tamanho, Fábulas, Histórias diversas, Os doze trabalhos de Hércules. 

Li todos, muitos deles várias vezes. Monteiro Lobato foi um gênio como escritor de histórias infantis que, naqueles velhos tempos de televisão precária, fez a imaginação de milhares de crianças viverem aventuras ao lado de seus heróis. E como aprendemos de uma forma lúdica, interessante, divertida. Estes quatro livros, da famosa edição feita pela Brasiliense, são uma lembrança desta época.

Recentemente o "politicamente correto" propôs uma revisão da obra de Lobato. Considero complicadíssimo julgar uma determinada época por valores de época diferente. Mas isto é outra discussão.


Com que prazer li os livros de Tarzan. Relendo uma parte de um deles outro dia fica evidente o racismo do autor. Mas é como disse acima - é outra época. Até hoje lembro dos Go-Mangani, Tar-Mangani, Bara (corça), Numa (leão), Histah (cobra), a imperatriz La, a cidade de Opar, seu leão Jad-Bal-Ja, a mãe Kala, Goro (lua), etc.


Outro livro excelente, bem como o filme em sua primeira versão com Stewart Granger e Deborah Kerr.


O Tesouro da Juventude era uma magnífica enciclopédia. Hoje temos o Google e afins. A coleção lá de casa era de meu irmão mais velho e para ler os livros era necessária muita negociação. Afinal, os livros eram "dele".


Karl May era um espanto. Nunca saiu da Alemanha, mas escrevia com detalhes aventuras pelo mundo afora. Esta coleção encadernada tinha 20 volumes. Os três primeiros eram no Oeste Americano, com as aventuras de Winnetou (chefe apache) e seu amigo "Mão de Ferro". Este era um alemão, como o autor, que era o mais exímio atirador, cavaleiro, honesto, de todos os homens. Depois de alguns volumes sobre os Estados Unidos, nosso herói se aventurou pela África e Oriente Médio. Num dos últimos volumes da coleção nosso herói veio explorar a América do Sul (é o volume mais fraco de todos).
Li os três volumes de Winnetou após pegá-los na biblioteca do Colégio Santo Inácio. Os outros 17 volumes comprei, na esquina da Montenegro com Barão da Torre, de um desses vendedores de rua. Foi uma sorte e tanto.


Nas bancas de jornais se vendiam livros de bolso com excelentes histórias policiais, como a série FBI, que era semanal. Havia outras coleções como as dos livros de Shell Scott e S.S. Van Dine. E muitas escritas sob pseudônimos sobre o velho Oeste e com enredos policiais. 



A "Edição Melhoramentos" tinha coleções fabulosas como os livros de Conan Doyle sobre Sherlock Holmes e de Maurice Leblan sobre Arsène Lupin. Neste gênero impossível não mencionar os livros de Simenon, cujo personagem Maigret era ótimo.
Havia uma "Coleção Amarela", com ótimos livros como os de Charlie Chan, Perry Mason, e outros detetives.


Outro livro excepcional. Junto a muitos outros autores como Edgar Alan Poe, Robert Stevenson e Edgar Wallace, Dafoe escreveu um clássico.


O autor de "Caninos Brancos" tem uma série enorme de livros de sucesso.


Outro clássico. Fantástico livro de Herman Melville.

Este "post" seria interminável, pois teria que lembrar de centenas de livros infanto-juvenis. Como esquecer de Agatha Christie, de livros como "Viagem ao Centro da Terra", "Robin Hood", "Cavaleiros da Távola Redonda", de todos os livros de aventureiros como a história do "Endurance" de Lord Shackelton, dos exploradores do Ártico e da Antártica, da viagem do Kontiki, da conquista do Everest, da jornada de Magalhães, dos exploradores ingleses na África, a obra de Jules Verne?

Felizes os que puderam desfrutar de todas essas maravilhas citadas e das que, certamente, deixei de mencionar, mas serão citadas por nossos comentaristas.




quinta-feira, 25 de maio de 2023

RUA DIAS DA ROCHA Nº 45 - COPACABANA

O “post” de hoje é sobre a Rua Dias da Rocha, em Copacabana. Começa na Av. N.S. de Copacabana e termina na Rua Cinco de Julho. Até os meus 15 anos de idade, o trecho entre Barata Ribeiro e Copacabana foi local de passagem diário, já que era caminho obrigatório para o colégio, seja de carro ou de bonde, para a praia ou para os cinemas do bairro. Neste trecho, no lado ímpar, ficava o enorme terreno que abrigava a casa das fotos de hoje, na Rua Dias da Rocha nº 45.

A rua foi aberta pelos Srs. Fernando Gardone Ramos, Carlos Gardone Ramos e Abelardo Gardone Ramos, tendo sido aceita em 01/11/1915.


Foto encontrada na Internet

Conta o prezado Maximiliano Zierer:

“O casarão neocolonial localizado na Rua Dias da Rocha nº45 possuía dois pavimentos e foi edificado no centro de um amplo terreno. Algumas fotos foram publicadas na revista Architectura no Brasil, do ano de 1923. Pertencia ao comerciante Raul Fausto Barreto, filho do professor Fausto Barreto e irmão do Professor Mário Barreto. No local há atualmente o edifício Marbella, que possui uma loja de Hortifruti e uma agência dos Correios no térreo.

O casarão possuía no térreo um salão de visitas, um salão de jantar, um salão de música e uma saleta de espera, além de copa, cozinha, dispensa, um banheiro e um quarto de empregada nos fundos. No pavimento superior havia cinco quartos e um banheiro. Nos fundos do terreno havia um anexo com dois quartos, banheiro, tanque de lavagem e garagem. O terreno possuía árvores frutíferas e um jardim.

O Sr. Raul Fausto Barreto faleceu na Rua Almirante Alexandrino número 778, em Santa Teresa, às 22 horas do dia 29 de abril de 1931. Tinha apenas 46 anos de idade e foi vítima de uma polinevrite. Deixou viúva D. Maria José Thedim Barreto (irmã do almirante Henrique Thedim Costa) e oito filhos. O enterro ocorreu no cemitério São João Baptista no dia 30/4/31.

Poucos meses após a morte do proprietário, em setembro de 1931 foi anunciado o edital de venda e penhora dos bens do Sr. Raul Fausto Barreto e sua esposa, em benefício de Rocha Miranda, Filhos e Cia Ltda. Foi informado que a construção era sólida, de pedra, cal e tijolos, porém precisava de reparos. O casarão, com o seu terreno e benfeitorias, foi avaliado em 400 contos de réis (Jornal do Commercio, 21/9/1931). Segundo Bruno Diniz (2020), 1 Conto de Réis (Mil mirréis) = R$ 123.000,00 atuais. Portanto, em uma estimativa de hoje, a casa e o seu terreno valeriam cerca de R$ 49.200.000,00.


Anteriormente, conforme conta o Anddre Decourt, a casa era dos Gardone Constante Ramos (o Abelardo, citado no início, era filho de Constante Ramos). Deve ter sido vendida nos anos 20.

Segundo ele, "Vemos a Rua Dias da Rocha em uma foto tirada de uma das casas da rua no início dos anos 20. A foto mostra detalhes dos jardins e de parte da fachada da melhor casa da rua, projetada pelo arquiteto Paulo Thedim Barreto e de propriedade da família Constante Ramos, dona da antiga chácara que havia no local e que loteava toda a região.

Ao fundo vemos o Morro dos Cabritos, com marcas de extração de granito, usado para a feitura de meios-fios e paralelepípedos para o bairro, mas na época essa pedreira já estava desativada e no seu sopé era aberta a Rua Hermesília, atual 5 de Julho, inicialmente aberta da Rua Constante Ramos até a Rua Raimundo Correia." 


Cresci na casa de meu avô, na Barata Ribeiro (casa já mostrada aqui no "Saudades do Rio"). Ele morava quase na esquina da Dias da Rocha desde 1919.

A casa mostrada nas fotos de hoje permaneceu de pé pelo menos até os anos 60, com o mesmo tipo de muro. Lembro-me do belo jardim já com árvores crescidas e bem cuidado.

Junto ao muro ficava "acampado" um simpático mendigo, "adotado" pelos vizinhos. Também E pouco distante ficava, também junto ao muro, o João, um soldador boa-praça que consertava panelas. Sempre ajudava a nós, crianças, de graça, no conserto de algum brinquedo.

Em frente a esta casa, no 1º andar de um edifício, moravam a D. Dulce e a filha Leticia, duas das melhores doceiras da cidade nos anos 50 e 60.


Conceição Araujo já comentou que, baseado num artigo da Revista Architectura no Brasil nº 24, de setembro de 1923, segundo Diego Dias, esta casa da Rua Dias da Rocha foi projetada pelos arquitetos Archimedes Memória e Francisque Cuchet. 

Fica esta dúvida para ser esclarecida.


Não me lembro dos detalhes da casa. A lembrança que tenho é que a casa ficava meio escondida atrás de árvores do jardim.

Nos anos 60 nesta calçada, junto à N. S. Copacabana havia a sapataria Polar, acho que a Casa Canadá e uma agência d’O Globo. Nesta, a atração eram as inúmeras fotos do jogo de domingo no Maracanã expostas na vitrine. Logo depois, no primeiro edifício, havia nos fundos a oficina do Sebastião “da luz”, eficiente eletricista com grande clientela nas redondezas.



Um aspecto do interior da casa da Rua Dias da Rocha.



quarta-feira, 24 de maio de 2023

BAILE DA PESADA

 


Foto do Baile da Pesada, no Canecão, anos 70.

"Hello crazy people!! Aqui fala Big Boy, apresentando o baile da pesada, o verdadeiro barato!" 

Newton Alvarenga Duarte, o conhecido DJ Big Boy, era locutor da falecida Radio Mundial AM, onde comandava programas de música, e o mais famoso era o Ritmos da Boite. 

Ele e seu amigo Ademir Lemos (de bigodes, na foto), começaram os famosos Bailes da Pesada, no Canecão e depois se espalharam por vários clubes do Rio de Janeiro. 

Em 1977, Big Boy morreu em São Paulo aos 33 anos.

Se eles chamavam isso aí de "baile da pesada", imaginem o termo necessário para classificar os bailes de hoje em dia... 

Em 12 de julho de 1970, os discotecários Ademir Lemos (1946 -1998) e Newton Alvarenga Duarte, o Big Boy (1943 - 1977), criavam o Baile da Pesada, que movimentou o tradicional Canecão, no Rio de Janeiro, tocando clássicos de nomes como James Brown, Tony Tornado, Tim Maia e The Stooges.

Foto de Big Boy no Canecão, com o Conde di Lido na fila do gargarejo.


'Hello, crazy people! Aqui fala Big Boy, apresentando 'A Mundial É Show Musical'!' 

A frase lembrada até hoje pelos ouvintes saudosos marcou os anos 1970, tanto na faixa das 18h quanto à meia-noite, com o programa "Ritmos de Boate".