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quarta-feira, 7 de junho de 2023

MOTONÁUTICA

 

Nesta fotografia vemos uma prova de motonáutica disputada na Enseada de Botafogo na década de 1930.

As provas tiveram muito sucesso até o final da década de 1960.


Nos anos 50 e 60 as provas passaram a ser disputadas na Lagoa Rodrigo de Freitas. Na foto aparece, ao fundo, o Clube dos Caiçaras.


Era comum acordar aos domingos com o barulho das "voadoras", ir para a beira da Lagoa e ficar assistindo elas passarem fazendo muito barulho em volta das boias de marcação da raia.

A verdade é que assistindo às provas, quem não conhecesse as lanchas e os pilotos, nunca sabia quem estava na frente...


Nesta fotografia vemos uma prova de motonáutica nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, na década de 50. Em destaque a embarcação de Paulo Hugo.

Ao fundo, vemos que havia pouquíssimos prédios altos na Lagoa e no morro ainda não existia o Panorama Palace Hotel, construído na década seguinte.


Paulo Hugo foi um campeoníssimo nas provas de motonáutica. Concorria com Amadeu Borba, Luiz Carlos Lara Campos, Carlos Alberto Jung, entre outros.

O ronco dos motores alcançavam mais de 100 decibéis, a velocidade era espantosa, a morte era o limite para pilotos que chegavam atingir mais de 150 km/h. 


Paulo Hugo era considerado um milionário excêntrico que dominou as provas das décadas de 50 e 60, importava as melhores lanchas que competiam no Brasil.

terça-feira, 6 de junho de 2023

ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS


Estação inaugurada em 1885, atendia aos que frequentavam o Derby Club, onde se realizavam corridas de cavalos.


Estação do Méier, inaugurada em 1889.


Estação de Colégio, inaugurada em 1883.


Estação de Marechal Hermes, inaugurada em 1913.


Estação de Engenho Novo


Estação Marítima, inaugurada em 1880.


Estação do Rocha

Estação de Bonsucesso


Estação de Paciência


Estação de Magalhães Bastos 

Estação de Senador Camará

Nota: http://estacoesferroviarias.com.br/ é um ótimo "site" com informações sobre o assunto.




segunda-feira, 5 de junho de 2023

LAGOA - OBRAS DE CALDER DESAPARECIDAS

      OBRAS DE CALDER NO PARQUE DA CATACUMBA

O prezado GMA, a quem o “Saudades do Rio” agradece, mandou um dossiê sobre mais um caso de desaparecimento de obras de arte do Rio, tal como a “Estrela do Mar” de Tomie Ohtake, postagem da semana passada.

Alexander Calder nasceu na Filadelfia em 1898. Em 1930 criou os “mobiles” que lhe deram fama internacional. São placas de metal, presas por arames, pintadas em cores vivas e que, ao menor sopro do vento, se agitam formando novas combinações de formas.

Perguntado sobre se seus “mobiles” traziam alguma mensagem, respondeu: “Não me chateia com essa história de mensagem. Quem procura símbolos em meus objetos é um idiota. Faço-os somente para me divertir. Só para isso.”

Em meados do século XX, morando perto de Paris, Calder criou enormes estátuas de metal, pintadas de preto. Pareciam animais pré-históricos. Ele os chamava de “stabiles”.


"Mobile" "Rio" instalado no Parque da Catacumba, Lagoa.

O Rio de Janeiro teve um exemplar de ambos, inicialmente no Parque do Flamengo e depois transferidas, no final da década de 70, para o novo Parque da Catacumba, na Lagoa Rodrigo de Freitas, junto com outras obras de vários artistas. A compra do “mobile” “Rio”, foi sugestão de Lota Macedo Soares, quando da construção do Aterro do Flamengo. Na ocasião, Calder doou um “stabile” para o Rio. 


Conforme conta Mario Buschiazzo, o parque foi criado pelo Decreto Municipal nº1.967, de 19 de janeiro de 1979, e está vinculado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Rio de Janeiro desde 2003. Localizado na Zona Sul da cidade, o parque ocupa uma área de 26,5 hectares, de frente para um dos principais cartões postais da cidade: a Lagoa Rodrigo de Freitas.

A decisão de transformar o espaço em parque permanente foi justificada pela necessidade de reflorestamento da área e da implementação de um espaço voltado à difusão cultural e à exposição de obras de arte na cidade. Segundo o livreto de inauguração, o parque foi idealizado em 1979 pelo então prefeito Marcos Tamoyo. Fica onde era a Favela da Catacumba.


Este é o "stabile" doado por Calder ao Rio de Janeiro.

O Parque da Catacumba, idealizado em 1979 pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Marcos Tamoyo, foi criado sobre “verdes saliências do relevo carioca, onde a sensibilidade do homem, à semelhança da natureza, pudesse expor essa maravilhosa arte da escultura.”

O Parque de Esculturas ao Ar Livre da Catacumba estreou com seleção de 24 esculturas modernas de artistas consagrados internacionalmente, incluindo obras originárias de doações à Prefeitura e outras do seu patrimônio. Grande parte dessas esculturas continua em exposição nas alamedas e jardins, após minucioso trabalho técnico de restauração. 

Pouco se fala hoje sobre o sumiço das obras do valiosíssimo acervo do escultor norte-americano, Alexander Calder (1898-1976).


Nota de "O GLOBO" de 01/03/1979 dando conta do projeto para o Parque da Catacumba.


O parque às vésperas da inauguração em 1979.



Foto da inauguração do Parque da Catacumba em 1979. 


Em meados de 1979 o "Jornal do Brasil" noticia que as obras de Calder, danificadas, seriam restauradas no Depósito do Departamento de Parques, no Caju.

Tendo voltado ao Parque da Catacumba as obras de Calder novamente se deterioraram e foram encaminhadas para restauração.


Tal como a obra de Tomie Ohtake, as vigas da Perimetral, a taça "Jules Rimet", os leões do Monroe e tantas outras coisas, as obras de Calder "desapareceram".


Pois é. O "ferro-velho" é um grande problema carioca. 

Em 2001, a colunista Hildegard Angel publicou uma nota: 

"Cadê o Calder? Um passarinho da Catacumba me contou que o móbile Rio, de 1959, patrimônio da prefeitura do Rio, avaliado em três milhões de dólares, foi, digamos assim, extraviado na década de 80 para a Europa por um conhecido marchand internacional…"

Só para ter noção do prejuízo, em 14/11/2022, na Casa de Leilões Sotheby´s, um "mobile" parecido de Calder foi vendido por pouco mais de 8 milhões de dólares.

Curiosidade: Em determinada época Calder foi contratado pelo companhia aérea Braniff para pintar seus aviões. O resultado foi o que vemos abaixo. Acho que os "mobiles" e "stabiles" eram mais bonitos...



sábado, 3 de junho de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - OTELO CAÇADOR

Otelo Caçador foi um cartunista que durante décadas tinha uma página inteira no Caderno de Esportes de "O Globo", às segundas-feiras. O título era "PENALTY" e o sub-título era "Penalty não é coisa que se perca".

Boêmio, era figura assídua do bar "Degrau", quando este ainda era do lado par da Av. Ataulfo de Paiva (depois atravessou a rua e existe até hoje no Leblon).

Seus papos com o jornalista e compositor Luiz Reis, o "Cabeleira", grande amigo e também flamenguista fanático, foram antológicos.

Escreveu um livro de sucesso, chamado "Livro Negro do Penalty", que tenho aqui em algum lugar, mas não consegui encontrar.

Um de seus desenhos mais famosos é o "Caneco Bela Vista", que vemos abaixo, que era ofertado a times grandes perdedores.


Após a conquista da Copa do Mundo de 1958 os europeus, encantados com o futebol brasileiro daquela época, contratavam excursões de times brasileiros, que passavam mais de mês jogando em vários países.

O esperto empresário Zé da Gama, que presidiu o Madureira, "vendeu" o time mineiro "Bela Vista", como um grande time (na época os meios de comunicação eram deficientes, vendendo-se por isso gato por lebre).  Segundo jornais da época, em determinado momento o empresário deixou de honrar os compromissos (cota para o clube, diárias para os jogadores), o que ocasionou uma rebelião dos membros da delegação que chegaram a tentar voltar para o Brasil. Como não tinham dinheiro para tanto, continuaram a jogar, ou melhor, a dar vexame , comprometendo a conquista brasileira de 1958.

O time perdia mais que o famoso "Ibis". O Bela Vista, da cidade de Sete Lagoas-MG tomou goleadas incríveis, como para Newcastle da Inglaterra, sendo o placar de 12 x 2. Na volta, diante do grande vexame, teve o seu registro cassado pela CBD.

Um dos times que ganharam este troféu de ruindade foi a própria seleção brasileira quando da sua fracassada excursão em 1963, que teve como ponto mais baixo a derrota para a Bélgica por 5x1. 

Na ocasião o chefe da delegação, o folclórico Mendonça Falcão, deu entrevista dizendo que “os belgicanos jogaram muito”!

Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol, rivalizava nas frases com o imbatível Vicente Matheus, presidente do Corinthians, que disse coisas como:

“Comigo ou sem migo o Corinthians será campeão”

“Quero agradecer à Antarctica, pelas Brahmas que mandou de graça pelo nosso aniversário”

“Depois da tempestade, vem a ambulância”

“Peço aos corintianos que compareçam às urnas para naufragar nossa chapa”

“Tive uma infantilidade muito difícil”


Otelo também publicava, para ser recortado da página, o  "diploma de sofredor", que pode ser visto acima, para ser preenchido e ofertado a um torcedor rival. No espaço em branco se colocava o placar do jogo.

Na página também escalava, à semelhança do "escrete da rodada", o seu "escrete de pernas-de-pau" (onde havia lugar cativo para qualquer jogador que perdesse um "penalty").

Criou também a coluna do "placar moral", onde colocava o resultado que achava justo para determinada partida (ali o Flamengo nunca perdia).


O sucesso de Otelo era como o brilhante futebol que o Brasil apresentou nas décadas de 50 a 70.


sexta-feira, 2 de junho de 2023

BAR DIVINO E CINE MADRID


A foto é do Bar Divino, situado no trecho da Rua Haddock Lobo, entre Barão de Ubá e Matoso.

Local de encontro da turma Roqueiros da Tijuca, de onde saiu a Jovem Guarda, era frequentado pelo Erasmo, Wanderlea, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Renato dos Blue Caps, Simonal, Jorge Ben, Tim Maia e Roberto Carlos.

Era um tempo das calças Lee, casacos de couro, motos e lambretas.

O Bar Divino ficava ao lado do Cine Madri. O letreiro de acrílico tinha uma coroa no centro das letras. O forte do bar eram as pizzas, milk-shakes, tortas da Gerbô e chope. Tinha também um braseiro para servir churrasco.

Figura frequente neste bar era o Menezes: nos idos dos anos 60 era comum encontrá-lo aí tomando um “sundae”, sentado nas altas cadeiras almofadadas e de aço Inox, esperando a Regina chegar (que o “Comando” não leia estas linhas).

O balcão em formato sinuoso e máquinas de bater Milk e torradeiras americanas para pão eram emolduradas pelos imensos espelhos, dando um ar americanizado dos anos dourados e da juventude transviada.

No lado de fora cadeiras com mesas eram ficavam cheias com o pessoal que chegava de Lambretta.

O Divino concorria com o bar Eden, na Praça Saens Peña, como point dos jovens rebeldes da época. Mas eram turmas diferentes. O Divino reunia a ala mais intelectualizada, onde despontavam músicos e cantores.

A foto, de 1973, é do Cine Madrid, fechado para obras por conta de um incêndio. Nunca reabriu. Situado na Rua Haddock Lobo nº 170, da Empresa Cinemas São Luiz Ltda., tinha 1827 lugares e funcionou de 26/04/1954 a 17/05/1970. Ficava entre as ruas do Matoso e Barão de Ubá.

O cinema era dito ser na Tijuca, mas aí já não é Rio Comprido?

Esta foto do "Correio da Manhã", Arquivo Nacional, foi enviada pelo Helio Ribeiro e foi publicada originalmente em 05/10/2010, como parte do 1º Concurso Sherlock Holmes, do “Saudades do Rio”.


 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

A ESTRELA DA LAGOA

 

Gosto não se discute!

Em meados dos anos 80 fui surpreendido em ver defronte de casa esta polêmica obra da famosa artista Tomie Ohtake, na Lagoa, em frente ao Corte do Cantagalo.

A estrela foi um presente do estaleiro Ishibrás ao governo do estado. Forjada no mesmo aço dos navios, tinha 20 metros de diâmetro.

Felizmente, na minha opinião, durou pouco tempo.

Para ser levada do Caju à Lagoa, montou-se uma operação na madrugada, que incluiu o fechamento do Túnel Rebouças. A escultura foi transportada em peças, em seis viagens de caminhão. Depois de remontada, uma âncora tratou de mantê-la presa ao fundo da Lagoa.

FF: quem teria sido o Prefeito que autorizou a construção daquele prédio altíssimo ali atrás? Deve ter havido muito $$$ envolvido.


Em 1990, uma ventania deixou a escultura à deriva e foi arrastada lá para perto do Estádio de Remo. 


Tempos depois a obra de arte, chamada "Estrela do Mar", foi levada para reparar os estragos, sendo removida. O trabalho de Tomie Ohtake foi levado de volta ao estaleiro. 

A partir daí, o paradeiro da estrela é um mistério. Tanto a Prefeitura quanto o governo estadual não têm registros do destino da obra. 

A família da artista acredita que, com a falência do estaleiro, a escultura tenha sido vendida como sucata, já que pesava 17 toneladas (destino semelhante às vigas da Perimetral).

PS: que monumentos ou obras você acha feios no Rio? 

Eu votaria, por exemplo, no "Obelisco de Ipanema" (que deveria ter sido removido junto daquela ponte que existia ao lado dele e que ligava nada a lugar nenhum); a Catedral, o "Ferrero Rocher" no Mourisco, a "estátua da Liberdade na Barra", a "cabeça do Getulio".