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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

HOTEL RIVIERA


Nesta imagem da “Aviação Naval” vemos a região do Posto 6, com as ruas Francisco Otaviano e Joaquim Nabuco. Bem à direita vê-se, parcialmente, a Rua Rainha Elizabeth. À esquerda, o Cassino Atlântico junto à Francisco Otaviano e, à direita, o Hotel Riviera perto da Rainha Elizabeth.


Desde 1936 já se viam anúncios do Hotel Riviera, na Av. Atlântica nº 1046 (numeração antiga). É o prédio à direita, de propriedade do Sr. Aldo Rosso. Foi inaugurado em janeiro de 1938.


Em destaque, bem à direita, o Hotel Riviera em terreno recuado. O Andre Decourt chama a atenção para o fato de que vemos na imagem dois prédios na Av Atlântica. O primeiro, à direita, já está construído e ao seu lado outro prédio sobe nas estruturas. Reparem que na frente dos dois vemos jardins. No prédio pronto este detalhe é flagrante. Vemos os jardins e a entrada do prédio com pé direito maior e marquise. No em construção vemos só árvores e um portão, não há casa, o que significa que o prédio também será alinhado com o seu vizinho.

O mais impressionante é que, certamente logo depois de o Plano Agache ser revogado, esses jardins rapidamente foram ocupados por novos prédios, possivelmente já nos anos 40.

A impressão do Andre é que na frente do prédio que aparece em construção há hoje um prédio bem antigo revestido de pastilhas verdes, e o que já está pronto tem na sua frente o hotel hoje chamado de Orla Rio, totalmente reformado, mas seu imóvel sempre foi ocupado pelo Hotel Riviera.


Em 2006 o Rafael Netto fez esta foto a fim de esclarecer o que o Andre havia comentado. Conta ele: “O Plano Agache previa que os prédios da orla de Copacabana fossem recuados para que não projetassem sombra na areia, que na época ficava onde hoje estão as pistas de rolamento. Os (poucos) prédios construídos na época ficaram então com grandes jardins entre a fachada e a Av. Atlântica, e com a revogação do Plano, nos anos 40, estes terrenos acabaram sendo ocupados, encobrindo a fachada dos edifícios, que foram feitos para ter vista para o mar.

O caso mais famoso (e que pensávamos que fosse o único) foi o Ed. Guarujá, já amplamente mostrado nos FRA-Fotologs do Rio Antigo, cujos jardins sobreviveram até os anos 60.

Com a foto anterior o Decourt descobriu que ainda sobrevivem mais dois prédios "emparedados" no Posto 6, que tiveram os jardins ocupados já nos anos 40. Hoje, seus endereços e fachadas "de facto" ficam na Av. Nossa Senhora de Copacabana.

Na Av. Atlântica, como vemos nesta foto, hoje existem um grande edifício na esquina da Rua Joaquim Nabuco (que fica no lugar de uma grande casa com dois torreões), os dois prédios que foram construídos sobre os antigos jardins, e o Orla Hotel, ocupando o lugar do Hotel Riviera. Os outros dois prédios não aparecem na foto antiga.


Nesta foto de 1936 podemos já ver, ao fundo, o prédio do Hotel Riviera, na altura do Posto de Salvamento nº 6.


O M. Zierer fez uma montagem de duas fotos separadas, as quais foram publicadas no nº 3, de 1936, do periódico “Brasil Revista”. Podemos apreciar a predominância de casas e poucos edifícios na Av. Atlântica desde a esquina com a Rua Francisco Otaviano, passando pela Joaquim Nabuco, Rainha Elizabeth até a Júlio de Castilhos. Podemos ver o prédio do Hotel Riviera na "meia-direita" da foto.


 Diz o texto: "O presente de Anno Bom do Posto Seis, em Copacabana, foi seguramente o otel Riviera. Inaugura a 3 do corrente, o novo hotel da praia começa possibilitando a estação de verão num ponto maravilhoso, que incompreensivelmente, não tinha ainda sido descoberto pelos hoteleiros. Installado em predio novo, frente ao mar, quasi na ponta da Avenida Atlantica, domina esta e a Rua de Copacabana. Dirige-o o Sr. Aldo Rosso, um homem que se fez, que se criou no meio hoteleiro, com profundo conhecimento do metier e que durante longos annos foi o Chefe de Recepção do Copacabana Palace Hotel. Isto tudo se revela, na mais ligeira visita, na entrada, mesmo, do Hotel Riviera. Seu hall elegantissimo amplo, com seu mobiliario requintado, sua recepção, tudo patenteia que a Direcção conhece o que é um grande hotel moderno, que sabe realizar um ambiente de conforto como o turismo contemporaneo exige."


Foto do acervo de M.C. Oliveira. Vemos o Hotel Riviera na década de 40. Reparem o agradável bar-restaurante ao lado. Segundo o Andre Decourt, este espaço existia, tal como aquele que ficava ao lado do Edifício Guarujá, na esquina da Constante Ramos, por seguir as regras do Plano Agache, que determinava que os prédios com mais de 5 andares na orla de Copacabana deveriam ir recuando para o fundo do terreno, até o gabarito máximo que era de 8 andares. Quando o Plano Agache foi revogado, por esta época, logo os arranha-céus tomaram conta dos terrenos vazios.


Foto de Kurt Klagsbrun mostrando o Hotel Riviera por volta de 1950. O Hotel Riviera, além de turistas, recebia muitas delegações de esportistas estrangeiros, autoridades e artistas internacionais, bem como servia de concentração para times de futebol brasileiros. Era considerado um dos mais importantes da orla de Copacabana nos anos 40 e 50.


Uma explicação para o “mistério” dos prédios emparedados é que todo o terreno pertencia a um só proprietário. Em 1946 o “Correio da Manhã” noticiava que o empresário Aldo Rosso iria construir o “Grande Hotel Rosso”, apelidado de “Palácio do Turista”, numa área de 2000 metros quadrados, estendendo suas frentes sobre a Av. Atlântica, Rainha Elizabeth e Av. N.S. de Copacabana, sendo a superfície de construção de 30 mil metros quadrados. 

Teria 330 apartamentos, já com ar condicionado, dotado de serviços e instalações acessórias das mais modernas. O enorme edifício conteria casas comerciais, lavanderias, cabeleireiros, tinturarias, agência de bancos e de turismo, ginásio, vários salões para noivados e casamentos, e um luxuosíssimo salão para refeições a “la carte”, além de uma boate. No 13º andar haveria um grande salão para banquetes e festas, com capacidade para mil pessoas. Uma verdadeira cidade em miniatura levada a efeito pela firma Hotel Riviera S.A., da qual é presidente o Sr. Aldo Rosso, proprietário do terreno e seu maior acionista.

Seria um hotel do padrão do Statler e do Waldorf Astoria, de Nova York, erguido no Rio, por uma grande companhia encabeçada pelo Sr. Aldo Rosso, proprietário do Hotel Riviera, em Copacabana, e do Grande Hotel de Petrópolis.


Comunicação dos edifícios que seriam demolidos para a construção do grande empreendimento do “Hotel Rosso”. O arquiteto Luiz Fossati era bem conhecido por seu envolvimento no projeto do Hotel Quitandinha, em Petrópolis.


Comunicação ao público da possibilidade da subscrição de ações por aumento de capital da empresa. Diversos anúncios na Imprensa falavam da busca de acionistas para a construção deste empreendimento, sendo proposto um aumento de capital do Hotel Riviera. A empresa "Hotel Riviera S.A. foi fundada em 1945.

A Imprensa publicava com frequência anúncios sobre como seria bom investir em ações do Hotel Riviera. A edição de 06/10/1946 do “Correio da Manhã” continha anúncio que dizia: “O Grande Hotel Rosso oferece vantagens exclusivas aos portadores de suas ações: terreno valiosíssimo terreno com face para a Av. Atlântica. Dividendo mínimo garantido de 9% ao ano para as ações preferenciais. Favores concedidos pelo Governo para a construção de hotéis, pelo Decreto nº 8295, de 21/11/1945, assegurando grande rendimento ao capital invertido. Cotação normal das ações nas Bolsas de Valores. Facilidade e rapidez para a liquidação, resgate ou reembolso. Inscrições e depósitos: Banco Andrade Arnaud, Banco do Comércio, Banco de Crédito Pessoal, Banco Nacional da Cidade de São Paulo.”


Para a construção do Grande Hotel Rosso, em abril de 1945 constituiu-se a Hotel Riviera S.A. e em apenas 8 meses auferiu Cr$ 801.711,70 de lucro. No balanço de junho já alcançava Cr$ 802.794,20, o que faz prever para o ano um saldo aproximado de Cr$ 1.700,000,00.

Em 1947 foi pedida a Concordata Preventiva da "Hotel Riviera S.A.", segundo notícia do "Jornal do Commercio".

Entretanto, como se pode ler no anúncio acima, foi decretada a falência da empresa no ano de 1949. 


Anúncio publicado no "Jornal do Commercio" sobre Leilão Judicial. Não achei outros detalhes, mas o hotel continuou funcionando.


Anúncio do ano de 1951 já indicando a Av. Atlântica com nova numeração. O nº1010 passou a nº 4122. O telefone 27-0010 permaneceu inalterado. E o Sr. Aldo Rosso continuava na direção do hotel.


Em 1955 o Hotel Riviera passou a funcionar sob nova direção, tendo assumido o Sr. João da Silva Valente Filho, presidente do Banco Agro Industrial e Mercantil.


Cartão postal do Hotel Riviera.


Cartão de visita do Hotel Riviera.


Caixa de fósforo com propaganda do Hotel Riviera.

PS: não consegui descobrir quando mudou o nome de Hotel Riviera para Orla Hotel.

sábado, 5 de agosto de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - ANÚNCIOS ANTIGOS

 Esta semana falamos do Kaol, Brasso, Silvo, Varsol, etc. Lembrei-me dos anúncios (que os paulistas chamam de reclames) publicados pelo Tumminelli e resolvi revisitá-los. Hoje os de produtos para casa.

Há décadas era produto de primeira necessidade, tal a quantidade de moscas existentes nas casas. Era auxiliado por aqueles mata-moscas com cabo de madeira e extremidade de plástico.

Atenção: Silvo é para prataria. Brasso é para latão.



Este já é um aspirador "moderno". Lá em casa era um maior, mais comprido e mais pesado.

O chão de tacos precisava ser encerado. Se aqui no Rio tínhamos uma enceradeira, em Petrópolis era com um escovão mesmo.


Essa coifa me lembra uma explosão de uma panela de pressão lá em casa. Parecia que o prédio estava caindo. A coifa e o fogão ficaram destruídos. Felizmente não havia ninguém na cozinha na hora da explosão.


Tivemos um fogão a lenha na casa de Petrópolis. Lembrar dele reaviva boas lembranças.

Presença obrigatória na cozinha durante muito tempo.


Alguém teve geladeira a querosene? Nunca tinha ouvido falar.


Outra coisa que quase que desapareceu das casas. Já não conheço ninguém que tenha uma. Minha avó adorava passar o tempo costurando na sua máquina, enorme e pesada.


Walita e Arno concorriam acirradamente pelas freguesas.


Como era enorme o  móvel para as vitrolas. Lembro da nossa e da coleção de discos de 78rpm. Depois vieram os LPs de 33rpm. Hoje, com o Spotify e assemelhados, quase que desapareceram as vitrolas e até os discos.

Omo ou Rinso? Outra polarização do século passado.


Varsol e Faísca. Como já lembrado por aqui, ideal para retirar as manchas de óleo dos pés ao voltar da praia.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

BONDE 75 - LINS DE VASCONCELLOS

O bairro de Lins de Vasconcelos faz limites com os bairros do Méier, Engenho de Dentro, Engenho Novo, Grajaú e Jacarepaguá. Foi criado por decreto em 23/07/1981. Provavelmente homenageia a família do Médico-Major Modesto Benjamim Lins de Vasconcelos, que naquela região tinha uma grande propriedade.

A Rua Lins de Vasconcelos já se chamou “Dois Irmãos”, “Dr. Lins de Vasconcelos”, Travessa do Capão do Bispo”, “Matheus Serra” e “Rua da Serra”.

Curioso que nos bondes o nome era sempre escrito “Vasconcellos”.

O bonde 75 fazia a linha “Lins de Vasconcellos". Segundo o Helio Ribeiro, na década de 1950 o trajeto era: Praça XV – 1º de Março - Rosário – Visconde de Itaboraí – Visconde de Inhaúma - Marechal Floriano – Praça Duque de Caxias - Presidente Vargas (lado par) - Praça da Bandeira - Mariz e Barros - São Francisco Xavier - 28 de Setembro - Visconde de Santa Isabel - Barão de Bom Retiro - Dona Romana - Cabuçu - Lins de Vasconcelos - Pedro de Carvalho até esquina com Aquidabã.

Esta linha circulou até 13/03/1965.


Esta fotografia, de 07/03/1954, enviada pelo Helio Ribeiro, mostra o bonde saindo da Rua Barão de Bom Retiro e entrando na Rua Dona Romana.

Paralelepípedos de um lado, asfalto do outro. A faixa de pedestre está delimitada por aqueles antigos tachões. À direita, caixas de maçãs vazias?

Segundo o Mauroxará, na esquina onde estão as pessoas havia uma padaria, no sobrado um centro de Umbanda. Ddo outro lado um açougue. A casa com placa na janela era de uma costureira, que mantinha na frente da casa um jardim com roseiras.

Estas duas fotos, a acima e a abaixo, apareceram já por aqui outro dia. Trata-se de um acidente em 1952 na Av. Presidente Vargas.


                                   Outro ângulo do acidente reportado acima.


Foto do acervo da "Última Hora". Mais uma vez vemos um bonde da linha Lins de Vasconcellos colidindo com um caminhão perto da Central do Brasil, em 12/04/1954. O bonde anunciava a venda de aniversário do "Ao Bicho da Seda" - uma das lojas ficava na Av. N.S. de Copacabana esquina com Rua Constante Ramos e até outro dia ainda estava lá (acho até que ainda está). 

O bonde de nº de ordem 7 tem como curiosidade ser um bonde com bancos laterais (o Helio Ribeiro poderá explicar que tipo era). Esses caminhões de transporte com esta precária sustentação lateral de tábuas para aumentar sua capacidade eram comuns numa época mais permissiva. Definitivamente só dava "barbeiro" naquele tempo.


O mesmo acidente da foto anterior. Esses caminhões de transporte com esta precária sustentação lateral de tábuas para aumentar sua capacidade eram comuns numa época mais permissiva. Definitivamente só dava "barbeiro" naquele tempo.


Infelizmente nesta foto não se pode ver o nº do bonde. Parece um modelo com a frente um pouco diferente, mas o Helio poderá esclarecer.


O 75 no centro da cidade. Lotação esgotada. O cobrador tinha que se virar para cobrar as passagens, guardar a fisionomia dos que já pagaram e se equilibrar nos estribos. Tarefa impossível.


O bonde nas vizinhanças da Central do Brasil, aparentemente.


Uma foto colorida do "Lins de Vasconcellos", talvez na Marechal Floriano.

PS: já havia preparado o "post" quando vi que havia fotografias já postadas. Por falta de tempo seguem essas mesmo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

AVISO AOS NAVEGANTES

 Caros amigos,

a National Geographic disponibilizou todo seu acervo, gratuitamente, na Internet. 

Estas fotos são de lá. Façam bom proveito.

https://www.revistabula.com/22204-todo-o-acervo-da-revista-national-geographic-com-acesso-gratuito/













terça-feira, 1 de agosto de 2023

HUMAITÁ - GARAGEM DE BONDES

 

Em 1871 a Cia. "Botanical Garden" requereu à Câmara Municipal licença para construir a estação de bonde do Largo dos Leões. Entrementes, para suprir essa falta, foi ali armado um telheiro provisório a fim de se guardar os carros e animais que, por falta de lugar próprio, ficavam expostos ao tempo. Foi também instalada uma sala de espera na Rua São Joaquim (atual Rua Voluntários da Pátria), para comodidade e conforto dos passageiros.

Em 1875, com o aumento do número de bondes e passageiros, além do assentamento dos trilhos na Rua São Clemente, previa-se a construção de uma outra sala de espera na estação. Entretanto, somente em 1880 foi inaugurado o tráfego de bondes por essa rua. 


Nesta foto vemos a fachada voltada para a Rua Voluntários da Pátria. A entrada para a sala de espera deve ser aquela mais ao fundo, onde não se veem os trilhos dos bondes. Ali se vendiam revistas e jornais para os passageiros. Chama a atençao o poste de iluminação.


Dunlop conta uma curiosidade: é que no ano de 1871, o Chefe de Polícia da Corte, oficiou à "Botanical Garden" que era proibido que as pessoas viajassem nos estribos, exceção feita aos empregados encarregados da direção dos bondes, "visto ser aquela prática vexatória às pessoas que entram e saem, além de poder ocasionar acidentes e aglomeração de passageiros nos ditos estribos". 

Foi uma grita geral, inclusive com a participação dos jornais. Tal foi o clamor que o presidente da "Botanical Garden" oficiou ao Ministro da Agricultura pedindo a revogação da ordem. Os incidentes entre condutores, policiais e os que desejavam viajar nos estribos aumentavam, fazendo com que o bonde ficasse retido, assim como os outros que vinham atrás. 

Nem mesmo a polícia conseguia resolver a questão e, pouco a pouco, foi afrouxando sua atitude contra os renitentes passageiros dos estribos. 

Abaixo-assinados foram organizados para pedir a revogação da medida, o que acabou acontecendo.

A foto mostra o interior da garagem. Além de bondes, muitas vezes guardavam ônibus como os da Viação Excelsior, também de propriedade da Light.

Foto de Malta mostrando o enorme terreno da garagem.


Foto da garagem do Largo dos Leões, no Humaito, sendo utilizada pelos ônibus elétricos que aguardavam a entrada em serviço.

Foto provavelmente do final dos anos 60, mostra o espaço onde hoje se instala a Cobal. 

Ainda não existiam os grandes prédios comerciais da Rua Voluntários da Pátria, vizinhos da Rua Capitão Salomão. Como curiosidade, à época este local era Botafogo. Desde 1988, por decreto do Saturnino Braga, virou Humaitá, sendo a Rua Conde de Irajá a fronteira entre os dois bairros.