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quarta-feira, 13 de novembro de 2024

ACIDENTE NA LAGOA


FOTO 1: Em um final de tarde de verão o famoso fotógrafo Luiz D´ ouve o barulho de uma freada seguido de barulho de vizinhos. Com sua Leica corre à janela e se depara com este incidente cujas fotos aparecem no "Saudades do Rio" mais de cinquenta anos depois.


FOTO 2: Um Fusca havia colidido com uma bicicleta em frente ao nº 2120 da Av. Epitácio Pessoa, dando um susto no Souza, sorveteiro da Kibon. 


FOTO 3: Logo juntou a garotada dos prédios para acompanhar o lance. De sunga branca está o Claudio. Ao lado dele o pessoal que jogava futebol no campinho de cimento que havia às margens da Lagoa. Era a turma do "Broa", que não aparece na foto. Mas o Paulinho, o Alberto, o Osvaldo "Bico", o Paulo Sergio "Cabeleira", o Márcio, certamente estavam aí.


FOTO : A bicicleta envolvida era da "Tinturaria Chineza", com "Z" e tudo, como vemos no detalhe abaixo.


FOTO 5: No detalhe vemos o "Z" da "Tinturaria Chineza". Esta tinturaria está instalada na Rua Barão da Torre nº 252 desde 1945. Fica quase na esquina com a Rua Vinicius de Morais (naquela época Rua Montenegro). Continua lá, embora tenha modernizado o nome para "Tinturaria Chinesa".


FOTO 6: Vemos o Souza, sorveteiro da Kibon, em 1968. Ele estacionava a carrocinha da Kibon em frente ao então nº 834, atual nº 2120, da Av. Epitácio Pessoa De manhã o ponto do Souza era no Arpoador. De tarde, chegava por volta das 15 horas na Lagoa.  

Vendia Chica-Bon, Jajá (côco), Kalu (abacaxi), Ton-bon (limão), Eski-bon. Pirulitos, amendoim doce, "delicados", jujubas e chocolates. Diz nosso colega Jayme, meu antigo vizinho, que o Souza vendia algo mais que os produtos citados...



segunda-feira, 11 de novembro de 2024

ABRIGO DE BONDES DO LARGO DA LAPA

ATENÇÃO: a partir de amanhã, dia 12, no “Espaço Cultural Urbana Carioca”, na Praça XV nº 34, a exposição “Bondes do Rio de Janeiro, passado, presente e futuro”, com mais de 150 fotos, mapas e ilustrações. Ficará em cartaz por três meses, até fevereiro. Será que haverá alguma imagem que já não seja de nosso conhecimento?


FOTO 1: Continuando a série sobre os abrigos de bonde hoje veremos, com muitas fotos já publicadas, o do Largo da Lapa. Espalhados pela cidade, em sua maioria eram pontos finais de alguma linha. 

Quanto às paradas durante o trajeto, em 12/03/1907 a Cia. Jardim Botânico instituiu pontos fixos de parada. Um “Aviso” dizia que: "Os pontos de parada dos bondes são assinalados nos postes com uma faixa branca (às vezes havia também uma placa pendurada em um fio que atravessava a rua). Para tomar o bonde o passageiro deve achar-se no ponto de parada respectivo e fazer sinal a uma distância razoável. Para sair, o passageiro deve fazer o sinal ao condutor logo depois de passar o poste de parada anterior àquele em que quiser descer."


FOTO 2: Esta foto foi colorizada pelo Nickolas Nogueira e foi publicada, ainda em P&B, no "Foi um Rio que passou". Para complementá-la, nada melhor que transcrever o texto do prezado Andre Decourt:

"A foto é de Ferreira Júnior, fotógrafo da ABI e foi enviada por seu afilhado o amigo Sidney Paredes Rodrigues.

A foto é muito interessante, primeiro por mostrar a ambiência do largo. Os imóveis que vemos no lado direito foram estupidamente derrubados nos anos 70, no primeiro governo Chagas Freitas, para criar a árida e inútil esplanada na frente dos Arcos, ressuscitando de forma ainda mais agressiva as demolições da natimorta Av. Norte-Sul, sepultada no governo Lacerda.

Já os imóveis ao fundo ainda existem, pelo menos em parte. O sobradão que vemos, que fica entre a Sala Cecília Meireles e as ruínas do Hotel Bragança, que foram abandonadas e destruídas por incêndios, hoje de pé a fachada, sem vários dos elementos decorativos que vemos na foto, abriga um prédio moderno, recuado, num resultado estético nada interessante. Pois não temos um prédio restaurado, mas apenas uma moldura arruinada. Pelo letreiro vemos que o prédio abrigava um dos inúmeros bilhares da região, que atraia jogadores de sinuca de toda a cidade.

Era dia de feira, vemos algumas barracas montadas junto ao meio-fio e o típico lixo de feira-livre perto da estação de bondes. Chama a atenção também o grande número de militares.

Anunciando na estação temos o Dragão, que acompanhou a estrutura do seu início até sua destruição no final dos anos 60 como ponto de apoio para os Trolleys, mas também temos um anúncio dos Pianos Lux e, pasmem, duas auto-escolas, ou "escolas de chauffeurs" como se anunciavam, a Internacional, localizada  na Rua Evaristo da Veiga e a Motoram, aparentemente com dois endereços, ambos ilegíveis. O mais curioso é que ambos os anúncios mostram lânguidas damas dos anos 30 conduzindo automóveis, sem dúvida algo muito interessante para uma sociedade tão machista."  

FOTO 3: Vemos o bonde 29, em foto já publicada no “Saudades do Rio” em P&B e agora muito bem colorizada pela Christiane Wittel para A.J. Caldas. Aquele prédio no fundo, com janelas marrons na colorização, seria o Hotel Bragança, recentemente restaurado como 55 Rio Hotel.

A elegância dos cariocas era impressionante. Seriam policiais os dois de terno em primeiro plano, à direita?

Destaque para os anúncios do "Dragão da Rua Larga" (Rua Larga/Marechal Floriano nº 193) e da "Loção Xambu" (seu anúncio dizia: “Caspa! Cabelos brancos! Use Loção Xambú – Cabelos brancos ou grisalhos voltam à sua cor natural. Elimina a Caspa. Êxito garantido”. Quanto ao Dragão, os anúncios diziam ser "O Rei da Rua Larga - O Príncipe dos barateiros". A variedade de artigos era enorme, e o povo dizia que "Barbado só Camarão - Penicos, só no Dragão"!

Vemos a estação de bondes da Lapa, com destaque para o bonde 29 - 1º de Março, Caxias, Lapa. O trajeto deste bonde era:

IDA: Largo da Lapa – Mem de Sá – Gomes Freire – Constituição – Praça da República (Bombeiros e Casa da Moeda) – Praça Duque de Caxias – Marechal Floriano – Visconde de Inhaúma – 1º de Março (até a esquina de Buenos Aires).

VOLTA: Buenos Aires – Praça da República (igreja de São Jorge e Casa da Moeda) – 20 de Abril – Senado – Gomes Freire – Riachuelo – Mem de Sá – Largo da Lapa.


FOTO 4: O bonde 36 leva o anúncio da "Liquidação Azul", do Magazin Segadaes (Rua Uruguaiana nº 23-25). No abrigo de bondes o destaque é para o anúncio "Seu dia chegará - Loteria Federal" e, à esquerda, ao fundo, um anúncio de "Cinzano". O anúncio da Coca-Cola está dentro do tracejado, à esquerda.

O motorneiro posa para a foto, enquanto o condutor responde à pergunta da jovem senhora elegantemente vestida. Essa linha 36 - Lapa x Cancela era muito antiga, mas inicialmente tinha o número 52.

O bonde servia os alunos do Colégio da ACM, que ficava na Rua da Lapa nº 86, com conta o J.E. Silveira. No lado oposto desta foto, existia um quiosque que vendia uma água mineral gasosa servida geladíssima, que era quase um ponto de parada obrigatório nos dias de mais calor. A água era servida naqueles copinhos cônicos iguais aos das carrocinhas de mate ou laranjada.


FOTO 5: Tradicionais anunciantes aparecem na foto, tais como "O Dragão", da Rua Larga, a "Loteria Federal" (o seu dia chegará), Loção “Xambu”, “Coca-Cola”. O local está bem movimentado, mas ninguém prestigiando o vendedor da carrocinha.


FOTO 6: Uma bela panorâmica do Largo da Lapa com a Igreja de N.S. do Carmo da Lapa do Desterro, o famoso Lampadário da Lapa e o antigo abrigo de bondes. O anúncio das “Casas Pernambucas” era destaque no abrigo, abaixo do anúncio do “Dragão”.


FOTO 7: Mais uma foto colorizada pela Christiane Wittel. O Joel já havia me enviado em P&B e também comentou que o abrigo de bondes da Lapa foi demolido em 1964, a circulação de algumas linhas que acessavam o Largo da Lapa ocorreu em Julho de 64, e a presença do ônibus da CTC da linha 207, que substituiu a linha de bondes 33, indica que essa foto ocorreu entre julho e Dezembro de 1964. As demolições dos abrigos de bondes no centro do Rio foram criminosas.

E aproveito, ainda, para transcrever o comentário de um saudoso comentarista, o Etiel, sobre esta foto: "O bilhares entre o Colonial e o Bragança era o famoso Salão Azul, berço de uma geração sinuqueira, nos anos 40 e 50. Outro salão de sinuca que existia no local era o Indígena, no sobradão da esquina da Mem de Sá, logo após a Escola de Música, em cima do café de mesmo nome. Entre os imóveis, defronte a parada dos bondes e lamentavelmente derrubados, estavam o antigo Capela e cantinho do Hydrolitrol. 


FOTO 8: Que limpeza, que tranquilidade durante o dia. Outros tempos. Bonde Lapa-Praça 11.

Uma curiosidade: o famoso restaurante da Av. Mem de Sá, o “Nova Capela”, originalmente se chamava somente “A Capela” e ficava pertinho do abrigo de bondes do Largo da Lapa. Quando do seu desaparecimento na década de 60, seus frequentadores chegaram a criar um samba: “Adeus boemia / nossas noites de alegria / agora vamos partir. / Não adianta ficar / nem chorar. / A madrugada vem chegando / e “A Capela” ultimando / aquele abraço.

Conta o “Correio da Manhã”: “Acabou-se A Capela do saboroso bife com fritas e por onde passaram políticos famosos, intelectuais, sambistas, malandros e lindas mulheres. Agora, as picaretas do progresso descerão sobre aquele velho reduto da boemia, que ganhará novas linhas de uma arquitetura moderna.

O restaurante “A Capela” foi inaugurado em 1906 e era propriedade de Olimpio Bastos, mas quem dirigia o restaurante era seu sobrinho Hamilton Bastos. Depois, em 1948, foi vendido para Manuel da Costa Cruz, que na década de 60 o vendeu para os empregados Aires Figueiredo, Francisco Soares e Risolino Carvalho.

Desapareceram os malandros como Luizinho Tiroteio, Meia-Noite, Miguelzinho, Edgarzinho, Álvaro Mulatinho, Turquinho Pistoleiro, Tinguá, Madame Satã, que sempre andavam bem vestidos, com camisa de seda, chapéu panamá, gravata e sapatos com saltos carrapeta. E as mulatas como Boneca, Lili, Florinda, Leninha, Olívia, Marlene Brasil, Dália, Juju e Maria Bonita.

Embora frequentado por diversos tipos de gente, todos sabiam se comportar e os malandros só brigavam se provocados."



FOTO 9: Grande movimentação na parada de bondes do Largo da Lapa. Em 1906 foi inaugurado o primeiro lampadário ornamental da cidade, na Lapa, em cantaria e bronze construído por Bernadelli a mando de Pereira Passos, para marcar a abertura da Av. Mem de Sá.

O “Jornal do Brasil”, em crônica de 1960, também recomendava o bife com batatas fritas do “A Capela”, que tinha um chope muito bem pressurizado. Sugeria, depois do jantar, ir ver as cabrochas que vestem colantes e esfuziantes roupas de cetim, em algum dos cabarés com excelentes orquestras, onde dançam o samba como ninguém.


FOTO 10: A "sombrinha" protegia do sol, mas o calor para quem estava de terno não tinha refresco.


FOTO 11: Vemos a demolição do abrigo de bondes da Lapa em foto de setembro de 1964. Um funcionário desce, com vontade, a marreta no que estrutura do abrigo. O anúncio da Farmácia Phenix, que prometia devolver o dinheiro de quem achasse mais barato em outro local, está por um fio. Esta farmácia ficava na esquina da Mem de Sá com Maranguape e seu telefone era 22-4927. Ali na porta da igreja estava estacionado o "bode velho" de JBN?

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Conta o Helio: “Quanto ao abrigo da Lapa, na verdade ele não servia de conexão entre as linhas da Zona Norte e Sul. Era usado como ponto terminal de muitas linhas, mas todas da Zona Centro. Exemplos eram a famosa 29 - Lapa x Duque de Caxias x 1º de Março, a 30 - Lapa x Arsenal de Marinha, a 32 - Lapa x Gamboa, a 33 - Lapa x Praça da Bandeira, a 36 - Lapa x Cancela.

Durante vários anos houve realmente essa conexão na área da Lapa, mas quando o abrigo foi feito ela já não existia mais. A conexão era feita assim:

a) para bondes que vinham da Zona Norte e Centro (exceto Tabuleiro da Baiana) e se dirigiam para a Zona Sul, a ligação era via ruas do Riachuelo / da Lapa / da Glória / do Catete.

b) para os que vinham em sentido contrário, era via rua Teixeira de Freitas / avenida Mem de Sá.

Mas só havia três linhas que faziam esse tipo de conexão: a 9 - General Polidoro x Praça Mauá, a 24 (antiga 22) - Marquês de Abrantes x Estrada de Ferro e a 60 - Muda x Marquês de Abrantes."




sábado, 9 de novembro de 2024

FILMES


Neste feriado de tempo chuvoso, sem praia, ir ao cinema é uma boa pedida.
 Dos filmes em cartaz, sem dúvida, a primeira opção é "Duelo de Titãs", com Kirk Douglas e Anthony Quinn. O ruim é que só está passando no Ópera e o estacionamento por lá é dificílimo. Mas pode ser. Depois uma "pizza" na "Cirandinha" na Praça Serzedelo Correia ou na "Caravelle" na Domingos Ferreira. 

A criançada vai encher o Astória para ver " O meu melhor companheiro" e depois vai brincar no Jardim de Alá, se não chover. Quem quiser pode prestigiar o Colonial, tema de postagem desta semana.

Nos cinemas Metro temos a opção de "Como fisgar um marido" para as que gostam de uma comédia romântica (e podem ver os cartazes de "La Loi - A lei dos crápulas", onde Lollo estará "tantalizando"). 

Os mais velhos devem aguardar a estréia de "Quanto mais quente, melhor", com MM e Tony Curtis, na próxima quinta-feira no Vitória (hoje está passando "Moral em concordata" com Odete Lara (um "pitéu), Jardel Filho e Maria Della Costa). 

No Caruso há também uma boa opção: "Um condenado à morte escapou", com direito a pastel de queijo e pavê de chocolate no Lopes, no Posto 6. 

No Flórida, na Siqueira Campos, o canastrão Robert Taylor estrela "The Hangman" ("O mensageiro da morte"). 

Nossas comentaristas também têm uma outra opção no Azteca,  ou no Riviera, com o então jovem galã Willian Holden em "Mosqueteiros do Mal" ("Streets of Laredo"), num filme de "western" mais antigo. 

E, para quem gosta, há ainda Dirk Bogarde no drama "Meu reino, minha vida" (Campbell´s Kingdom) no  São Luiz (com direito a um chope no "Lamas") ou no Leblon (com chope no "Garden" ou no "Alpino"). 

"O que os pais desconhecem", deve ser um dramalhão. A gravidez de uma adolescente em meados do século XX era uma tragédia.


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

CINEMA COLONIAL


Postal da Casa Staffa, do Rio de Janeiro, mostrando no início do século XX o Largo da Lapa, cujo nome deve-se à Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro. No seu entorno foram instalados restaurantes e famosos cafés, onde artistas, sambistas e intelectuais davam ares de boemia ao local.

Neste postal, circulado em 1908, vê-se o luxuoso Grande Hotel, construído em 1896, no local onde funcionou a partir de 1941 o Cinema Colonial e, desde 1964, a Sala Cecília Meireles.

Ao centro, o monumental Lampadário da Lapa, inaugurado em 1905. À direita, o prédio do Grande Hotel Bragança. No alto, à direita, veem-se a Igreja e o Convento de Santa Teresa. Observar as roupas pesadas de homens e mulheres além do uso de guarda-chuvas para se protegerem do sol.


Nesta foto do Acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, podemos observar, de outro ângulo, o Grande Hotel, local do futuro Cinema Colonial.

O prédio que vemos na foto foi construído em 1896 e nele instalou-se o Hotel Freitas. Com a mudança do arrendatário, mudou o nome para Grande Hotel. Desprestigiado, mais tarde, com a transformação da vida noturna da Lapa, esteve ameaçado de demolição em 1939. No ano seguinte foi adaptado para cinema e para teatro.

A  inauguração do Cine-Teatro Colonial constituiu acontecimento muito comentado nos jornais da época. Por ocasião da visita da imprensa que precedeu sua estreia, relatava o Correio da Manhã: “Os visitantes estiveram na vasta plateia e nos balcões, com capacidade para 2000 pessoas sentadas em ótimas poltronas que permitem ao espectador uma perfeita visibilidade onde quer que se coloque, em virtude de apresentarem declive suficiente para tal ... na cabine das máquinas, os aparelhos de som e projeção tipo “Miraphonic” da Western Electric são os mais perfeitos do mundo... As amplas dependências do Cinema Colonial possuem ar refrigerado sistema “Kooler-Aire” que injeta 90.000 metros cúbicos de ar lavado e refrigerado em serpentinas de água gelada ...”. A iluminação era toda indireta e a tela inteiramente de porcelana, o que constituía uma inovação na época.

Fontes: Alice Gonzaga e CTAC.


O Cinema Colonial ficava no Largo da Lapa nº 47, no Centro. Funcionou de 1941 a 1961, com 1578 lugares. Foi desapropriado em 18/12/1964 e transformado na Sala Cecília Meireles.

Em cartaz, na época, “O Patriota”, realização do cinema francês, com Harry Baur, cujo verdadeiro nome era Henri-Marie Baur. Foi um grande ator que fez muito bem a transição do cinema mudo para o cinema falado.

Segundo A. C. Gomes de Mattos o enredo de O Patriota, que tinha como tema central o conflito entre a lealdade e o dever. Segundo os que puderam ver esta refilmagem, o trabalho de Harry Baur como o tsar louco Paulo I foi muito bom. O diretor foi Maurice Tourneur.  

Como podemos ver nos letreiros, após a exibição do filme houve um show luso-brasileiro com a participação de Beatriz Costa, Alda Garrido, Os Anjos do Inferno, Jararaca e Ratinho, Jorge Murad e Jurema Magalhães. 


Cartaz de propaganda do filme "O Patriota", com Harry Baur e Pierre Renoir.


Nesta foto do acervo da “Última Hora” vemos o abrigo/parada de bonde da Lapa tendo ao fundo o “Cinema Colonial”. Provavelmente em breve faremos uma postagem sobre o abrigo/parada de bondes da Lapa.


Esta belíssima foto do “Arquivo Nacional” mostra o prédio na época logo após o encerramento das atividades como cinema, ou seja, nos anos 60.


Outra foto dos anos 60, com o cinema já fechado.


quinta-feira, 7 de novembro de 2024

ABRIGO DE BONDES

 Ontem o "Saudades do Rio" recebeu o seguinte comentário:

Assim como ontem na postagem da Rua do Passeio, hoje também não apareceu nem uma nesga da parada de bondes com torre de relógio e birosca, que em outras fotos antigas aparece em frente ao Hotel Serrador e Cine Odeon.


Pois vamos então vê-la hoje novamente.


FOTO 1: Detalhe da foto abaixo destacando a parada de bondes.



FOTO 2: Em cartaz no "Odeon" o filme "Investida de Bárbaros" (The Charge of Feather River, de 1953). E deve ser mesmo em 54-55 porque tem um Oldsmobile escondidinho no estacionamento dos senadores. Em primeiro plano, um Chevrolet 1940, táxi, no meio da praça, um Chevrolet 1947, de bandas brancas e um Mercury 1947. Certamente todos sabem que o autor deste comentário é Obiscoitomolhado. Mas o que significa aquele "3" no cartaz?



FOTO 3: Vemos foto de Kurt Klagsbrunn mostrando um flagrante da vida do Rio nos anos 40. Época em que ainda era possível sentar calmamente nos bancos da praça para engraxar os sapatos e trocar dois dedos de prosa com os amigos após o almoço. Ao fundo, em sua imponência, o Palácio Monroe. À direita, o abrigo de bondes diante do Odeon. O belo automóvel branco será identificado em breve.


FOTO 4: Vemos, numa época em que ainda fazia frio no Rio, a parada de bondes ao fundo e, na esquina da Senador Dantas, a Sorveteria Americana, citada pelo Obiscoitomolhado ontem.


FOTO 5: A parada de bondes com anúncios das "Casas Pernambucanas", do uísque "White Horse" e da "RCA".


FOTO 6: Hoje vemos duas fotos da demolição da parada de bondes. O público assistia de perto a demolição, numa atitude temerária.



quarta-feira, 6 de novembro de 2024

CINE PALÁCIO

 O Cine Palácio, na Rua do Passeio nº 38, onde hoje funciona o Teatro Riachuelo, tem uma história que remonta ao início do século XX.

O Cine Palácio foi o primeiro cinema do Rio de Janeiro a exibir um filme sonoro na década de 1920, em 1929, com o filme Melodia da Broadway. O prédio que abrigava o cinema foi projetado por Adolfo Morales de Los Ríos e foi construído para ser o Cassino Nacional Brasileiro. Antes de ser cinema, o local foi um teatro de variedades em 1901. 



FOTO 1: No início do século XX ali funcionou o Cinema Majestic e, a partir de 1920, o Palace Theatre. Em 1929 o nome se aportuguesou para Palace Teatro, com 1900 lugares. Somente em 1943 passou a se chamar Cine Palácio. Com este nome funcionou até 1979 quando, seguindo a moda daquela época, se dividiu em Cine Palácio 1 (com 1060 lugares) e Cine Palácio 2. (com 380 lugares).

O filme em cartaz, "Acorrentada", é de 1934 e a trama foca em uma mulher apaixonada por seu chefe que embarca em um cruzeiro e acaba conhecendo um novo alguém. Estrelavam Clark Gable, Joan Crawford e Otto Kruger.


FOTO 2: O filme "Fräulein" é de 1958 e é um filme de guerra, de drama romântico americano, dirigido por Henry Koster, estrelado por Dana Wynter e Mel Ferrer como duas pessoas apanhadas na Segunda Guerra Mundial e nas consequências.

FOTO 3: Nesta foto, como na anterior, vemos a faixa de propaganda de Amando da Fonseca, do PTB que, em 1958, viria ser eleito com 10.995 votos (o 5º mais votado, superado por Sandra Cavalcanti da UDN, com mais de 14 mil votos, Raul Brunini, também da UDN, com 11.623 votos, Lutero Vargas, PTB, filho mais velho do presidente Getúlio Vargas, e a também udenista Lígia Lessa Bastos, com 11 mil votos), 

Como se pode ler na Internet, Amando da Fonseca era conhecido como "o político da bica d´água".

FOTO 4: Esta foto é de 1956 e, na ocasião, ocorria uma greve dos cinemas, devido ao preço dos ingressos. 

O Cine Palácio funcionou até 2008 e então o prédio ficado abandonado. Em 2004 o cinema foi autuado pela Vigilância Sanitária por conta da qualidade do ar condicionado. Neste mesmo ano o grupo Severiano Ribeiro recuperou a fachada centenária que, por trinta anos, tinha ficado coberta por placas de alumínio. 

Em 2008 a fachada foi tombada provisoriamente pelo Prefeito Cesar Maia, para garantir sua preservação, uma vez que o cinema havia sido vendido e os novos proprietários, donos do Hotel Ambassador, planejavam transformar o espaço em um Centro de Convenções.

FOTO 5: O Cine Palácio era um dos locais onse se realizavam grandes festivais de cinema no Rio de Janeiro.

A foto mostra a entrada do Palácio quando do “Grande Prêmio INC” aos melhores de 1970 foi entregue, em 1971, a Ademar Gonzaga, representado na solenidade por sua filha Alice Gonzaga, a autora do fenomenal “Palácios e Poeiras”, sobre a história dos cinemas do Rio.

Na mesma ocasião foi entregue o “Prêmio Coruja de Ouro” aos melhores do cinema brasileiros em 1970, que foram Itala Nandi (atriz), José Lewgoy (ator), Davi Neves (diretor), Mara Rúbia (atriz coadjuvante), Nelson Xavier (ator coadjuvante) e Carlos Diegues (melhor roteiro). Houve um show com Paulinho da Viola, Evinha, Odete Lara, Marcos Valem, Taiguara e outros. Foi exibido o filme “Em Família”, com Paulo Porto. Os apresentadores da cerimônia foram Hilton Gomes e Fernanda Montenegro.

O último telefone do Cine Palácio foi 2461-2461.

Em 2008 a Sergio Castro Imóveis publicou anúncio de que o Cine Palácio havia sido vendido. A partir daí e com o tombamento do imóvel o local ficou praticamente abandonado.

A seguir, com imagens do Google Maps, vamos ver o que aconteceu até 2016, quando um dos espaços mais tradicionais do país, tombado pelo patrimônio histórico, o antigo Cine Palácio foi devolvido à cidade do Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 2016. 

Transformou-se no Teatro Riachuelo Rio, um espaço plural de expressão e arte, unindo música, teatro, literatura, debates, dança, entre outros, com o objetivo de atrair os mais diversos públicos.


FOTO 6: No final da primeira década deste século o Cine Palácio tinha este aspecto.


FOTO 7: Aspecto da fachada em 2014 com as obras em andamento.


FOTO 8: A obra em sua fase final de recuperação, para se transformar em teatro.

FOTO 9: Aspecto atual. Este recurso do Google Maps de vermos o mesmo local através dos anos é simplesmente sensacional.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

RUA DO PASSEIO

A Rua do Passeio começa na Praça Mahatma Gandhi e termina no Largo da Lapa. A antiga denominação era Rua Dr. Joaquim Nabuco. Segundo Paulo Berger, nos meados do século XVIII chamou-se aquele caminho de Ilharga da Ajuda e no vice-reinado de Luís de Vasconcelos (1775-1790), o qual mandou aterrar a lagoa do Boqueirão e construiu o Passeio Público, obra de Mestre Valentim, começou a ser conhecido como “caminho para o Passeio Público ou do Boqueirão”.

O Passeio Público foi inaugurado em 1783. A denominação de “Rua do Passeio Público” foi alterada por proposta do vereador José Carlos do Patrocínio, em sessão da Câmara Municipal de 28/01/1892, passando a se chamar Rua Dr. Joaquim Nabuco. Finalmente, pelo Dec. 1165 de 31/10/1917, que aprovou a nomenclatura dos logradouros públicos, ficou estabelecida a denominação de Rua do Passeio.



FOTO 1: No lado inferior esquerdo, o prédio do Silogeu Brasileiro (demolido). Da esquerda para a direita: Arcos da Lapa, prédios da Escola de Música da UFRJ e do Automóvel Club do Brasil, Cinema Plaza, Cinema Metro Passeio, prédio da Mesbla ainda sem a ampliação, Cinema Palácio, Cinema Alhambra, Edifício Odeon e Palácio Monroe. Ao fundo, o Morro de Santo Antônio já em desmonte. Abaixo, o Quartel General da Polícia Militar. No lado superior direito, o Edifício da Ordem Terceira (demolido) no Largo da Carioca. 

Escola de Música, Rua do Passeio nº 98, Automóvel Clube, Rua do Passeio nº 90, Cinema Plaza, Rua do Passeio nº 78, Cinema Metro, Rua do Passeio nº 62, Mesbla, Rua do Passeio nº 42, Cinema Palácio, Rua do Passeio nº 38, Cinema Alhambra, Rua do Passeio nº 14.

FOTO 2: Esta fotografia mostra a região da Rua do Passeio, com o Passeio Público à esquerda. Ao fundo vê-se um bonde já com tração elétrica, dividindo espaço com um solitário automóvel e dois veículos puxados por burros. Bem ao fundo da foto, com esforço, são vistos os Arcos da Lapa. À direita, o início da construção do bairro Serrador.


FOTO 3: Em frente ao cinema Palácio cariocas bem vestidos têm à disposição um filme em Cinemascope, som magnífico, estereofônico, x faixas direcionais e de alta fidelidade. O filme era estrelado por Clifton Webb.


FOTO 4: Vemos o grande movimentos dos bondes nas vizinhanças do prédio da Escola de Música. Fotos do terminal de bondes que havia à esquerda já foram publicadas.

FOTO 5: O bonde "Laranjeiras", nº de ordem 611, na Rua do Passeio em 1936. O prédio da Mesbla estava no término da construção. O Edifício Mesbla seria residencial e comercial. 

Em cartaz no Cinema Palácio o filme "Vingança de Mulher" (Dressed to thrill), com a sueca Tutta Rolf e o galã Clive Brook. Sobre o filme: “Rendendo um culto admirável ao amor de uma mulher, este filme luxuoso e moderníssimo, marca a estreia de Tutta Rolf, num romance lindíssimo de sacrifício e renúncia de um coração amantíssimo de mulher que um dia jurou vingança ao homem a quem dedicara toda a sua afeição, toda a grandeza sem limites, do seu sincero amor.”


FOTO 6: Vemos a Rua do Passeio em 1941. Provavelmente a foto foi tirada a partir do Hotel Serrador. À direita vemos o Cine-Teatro Palácio (onde, em "alta", se pode ler que estava em cartaz o filme "No mundo da lua") e o prédio da Mesbla. A Rua do Passeio tinha mão-dupla (o automóvel que se dirige para a Lapa é um Citroën) e uma guarita para guarda de trânsito (coisa do tempo em que havia ordenamento no trânsito carioca). Na época não havia grades em torno do Passeio Público. Os trilhos dos bondes foram retirados em 1939. 


FOTO 7: Vemos a Rua do Passeio alagada, em 1957, com as pessoas procurando abrigo no cinema Metro. O filme em cartaz, “Passado Perdido”, cujo nome original era “These wilder years”, teve sua estreia em 1956, estrelado por James Cagney e Barbara Stanwyck.

Em “`Passado Perdido”, Cagney é o industrial Steve Bradford, agora na meia-idade, que volta à sua cidade natal para encontrar o filho  ilegítimo, que havia deixado em um orfanato vinte anos atrás. Logo ele entra em conflito com a diretora atual da instituição (Barbara Stanwyck), que quer impedí-lo de burlar as leis de adoção e possivelmente arruinar a vida do seu filho agora adulto. 

Segundo Obiscoitomolhado o Land-Rover série I passa impávido pelo Volvo PV444, um carro muito bem apreciado no Brasil e nos Estados Unidos. Mais atrás, um Mercury 1952, espera a água baixar. O ano de 1952 foi um salto no design da Ford e toda a linha se beneficiou do novo estilo. Esse Hard-top Mercury Monterey frequentou a minha lista de mais desejados.


FOTO 8: Resgatando comentário de Obiscoitomolhado de 2017: “Na foto do 10-Mauá-Fátima, a lembrança de descer inúmeras vezes a escadaria desde a esquina das ruas Progresso e Oriente até o Largo de Fatima, com minhas tias-avós para ir ao trabalho delas na LBA, da Av. General Justo. Mais tarde, os joelhos das duas passaram a exigir o bonde.

Atrás do 10 está um De Soto 46-48, um Austin estacionado e um carro escuro difícil de identificar. Aí é a calçada do Plaza, onde eu via os filmes de Tarzan, do tempo do Gordon Scott.”


FOTO 9: O Cinema Alhambra na Rua do Passeio.