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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

SIM OU NÃO?

As fotos de hoje geram controvérsias: são bonitas ou feias, as estruturas deveriam ter sido preservadas ou não fazem falta?

FOTO 1: A "Estrela", obra de Tomie Ohtake, foi instalada na Lagoa em 1985 e durou pouco tempo. Dividiu as opiniões, gerando grande polêmica. Foi doação da Ishibrás. Nesta época da foto ficava instalada perto do Corte do Cantagalo.


FOTO 2: Esta obra de Paulo Casé foi instalada na região do Bar 20, em Ipanema, em meados dos anos 90. A passarela ligava nada a lugar nenhum e foi retirada alguns anos depois. O obelisco, porém, permanece por ali até hoje.


FOTO 3:  A Catedral da Av. Chile em construção. Em 1964 foi lançada a pedra fundamental da atual Catedral que foi formalmente inaugurada em 15/08/1979. O arquiteto foi Edgar Fonseca. O projeto  é inspirado na pirâmide que os Maias construíram na Península de Yucatan, no México. Diferentemente das pirâmides dos Maias, ela tem forma circular e cônica para significar a equidistância e proximidade das pessoas em relação a Deus, lembrando um pouco também a mitra usada pelos bispos nas cerimônias mais solenes.  


FOTO 4:  A Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, na Av. Pasteur - Praia Vermelha, teve sua pedra fundamental lançada em 1916 e o prédio foi inaugurado em 1918. Nos anos 40 ganhou mais dois andares. Foi demolida nos anos 70.


FOTO 5:  O Pavilhão Mourisco foi construído durante o período de Pereira Passos, em 1906, para servir de café-concerto, ficava iluminado todas as  noites, tendo, nos fundos, o Teatrinho de Marionetes, um carrossel e um ringue de patinação (este, por muitos anos, foi a sensação da cidade). 

O estilo de construção era neo-persa, nada tendo de mourisco. O Pavilhão Mourisco foi demolido quando da construção do Túnel do Pasmado, no início da década de 1950.


FOTO 6: Nesta foto temos que dar duas opiniões: sobre o Mercado Municipal e sobre a Perimetral. O mercado, projeto de Alfredo Azevedo Marques, foi inaugurado em 1907 e demolido para a construção da Perimetral. Esta foi construída a partir de 1960, por trechos, e foi demolida em 2013/2014.


FOTO 7: Esta é a primeira árvore de Natal flutuante instalada na Lagoa em 1996. Ficou alguns anos sem ser montada, voltou no ano passado às margens do Complexo do Lagoon e, para este ano, não vi notícias sobre ela.


FOTO 8: Em colorização do Conde di Lido vemos o Palácio Monroe. Foi construído para representação do Brasil no Exposição Internacional de Saint-Louis. A seguir, foi desmontado e remontado no Centro do Rio, em 1906. Foi demolido na segunda metade da década de 1970.

Minhas opiniões:

FOTO 1: Sem desmerecer a obra de Tomie Ohtake não acho bonita e prefiro a Lagoa sem ela.

FOTO 2: Esta estrutura é feia e, na minha opinião, sem sentido. Por mim demoliria o que restou, ou seja, o obelisco.

FOTO 3: Acho a Catedral feia, embora tenha alguns aspectos interessantes no interior. Como acho praticamente impossível que seja demolida, vamos ter que conviver com ela.

FOTO 4: Linda e histórica. Merecia uma reconstrução tal como as de Dresden e ser transformada em museu da história da Medicina no Rio de Janeiro.

FOTO 5: O Pavilhão Mourisco poderia ser uma atração turística na Praia de Botafogo.

FOTO 6: A Perimetral era horrível, mas prática. O Mercado Municipal era bonito e não deveria ter sido demolido.

FOTO 7: Não discuto se algumas foram bonitas ou feias, mas tenho uma implicância com elas que nem sei explicar direito.

FOTO 8: O Monroe era o Monroe. Não deveria ter sido demolido. A decisão de Geisel de mandar demolir e o decreto assinado pelo Golbery já foram objeto de uma postagem no "Saudades do Rio".                

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

BOTAFOGO

Mesmo sendo Flamengo tenho grandes ligações com o Botafogo. Meu querido avô, irmão de James Darcy, era um grande botafoguense. Meu irmão é Botafogo. Meu tio Sergio Darcy, filho de James, foi presidente do Botafogo durante um período e vice-presidente na diretoria de Paulo Azeredo por muitos anos.

Desta forma desejo sucesso ao Botafogo, amanhã, na disputa da Taça Libertadores da América.


O Botafogo passa por ser o mais antigo clube poliesportivo do Brasil, haja vista que suas atividades como agremiação de regatas remontam ainda a 1886. Entretanto, apenas no dia 1º de julho de 1894, o Clube de Regatas Botagogo foi oficialmente criado e registrado. O departamento terrestre, que correspondia à época apenas ao futebol, foi criado a 12 de agosto de 1904 na casa nº 514 da Rua São Clemente. 

A foto mostra um jogo de futebol no campo que existiu entre 1904 e 1907 perto de onde existe hoje a Cobal do Humaitá.

Obras no campo de General Severiano. Durante o mandato do presidente Sergio Darcy e sob orientação do arquiteto Raphael Galvão foi realizada uma reforma do campo do Botafogo, com ampliação da capacidade do estádio para 25 mil pessoas.


Fotografia do Acervo do Museu Aeroespacial, feita por fotógrafo da Escola de Aviação Militar, mostra o campo do Botafogo em 24/10/1950. Esta foto faz parte do excepcional livro "O Rio pelo alto", de P. Pamplona. Vemos o antigo campo por onde desfilaram alguns dos maiores craques do futebol brasileiro de todos os tempos. O estádio foi inaugurado em 1913 e a última partida ali foi em 1974. Pouco tempo depois, ainda na década de 70, foi vendido para a Vale do Rio Doce.

O edifício da sede do Botafogo foi projetado por Archimedes Memória e Francisque Cuchet, em 1927.


Esta foi colorizada pelo Conde di Lido. Ao lado do campo, o prédio do Hospital Rocha Maia, inaugurado no período Passos, cujo terreno é do Botafogo Futebol e Regatas, algo que pouca gente sabe, pois o Dec. 289/36 dá ao Clube o aforamento de toda a área contígua ao seu campo, com a ressalva que a unidade de Saúde Pública ali existente permanecerá e, não sendo mais necessária, o domínio do terreno retornará ao Botafogo. 
Na realidade, toda a área antes do aforamento pertencia ao Ministério da Justiça que o cedia à Saúde e lá funcionou por anos o Desinfectório Distrital de Botafogo (Rua General Severiano nº 1), projeto do arquiteto Luiz Moraes Jr. O Desinfectório Central ficava na Rua do Resende nº 118, na Lapa.
Bem à direita desta foto colorizada a grande construção é a do Educandário Santa Therezinha, mantido pela Santa Casa e que tinha a função primordial de recolher e dar educação a órfãs abandonadas. O edifício foi projetado por Bitencourt da Silva e inaugurado em 1866. Com a saída da instituição religiosa, o prédio foi por muitos anos arrendado pelo colégio Anglo Americano, depois foi a Casa Daros e uma badalada escola do Jorge Paulo Lehmann.
Em termos de urbanismo temos muitos pontos curiosos: logo na parte inferior da foto vemos que a rua General Severiano era servida por bondes, que aparentemente seguiam até a rua da Passagem.
A própria praça Juliano Moreira, tal como as construções que a envolvem, é completamente diversa de hoje, pois havia um grande número de casas no sopé do morro de São João, que certamente foram demolidas quando da “quaduplicação” do Túnel Novo. Hoje as fraldas do morro dão diretamente na rua, a praça também praticamente não existe mais, sobrando uma pequena nesga na frente da sede social do clube. 

A primitiva Sede Social, originalmente acoplada ao estádio, foi construída no quarteirão entre as ruas General Severiano, Wenceslau Brás e Lauro Sodré, em 1926/28, sob projeto em estilo neocolonial dos arquitetos Archimedes Memória e Francisque Couchet. 

Vemos, em outro ângulo, o estádio do Botafogo provavelmente nos anos 50/60, com o antigo posto de gasolina, o Solar da Fossa e o Túnel do Pasmado já aberto.

O time do Botafogo desta época era tão bom que, além de assistir aos jogos no Maracanã, me tornei sócio para apreciar Manga, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo nos jogos em General Severiano. Chegava cedo, antes de começar a partida de "aspirantes", me instalava num bom posto da arquibancada social e fingia torcer pelo Botafogo, enquanto via um belo jogo de futebol.

Nos anos 60/70 a sede do Botafogo ficava lotada aos domingos por conta das "domingueiras dançantes". Na foto podemos ver a faixa anunciando uma delas, comandada por Monsieur Limá.


Por fim duas homenagens a ilustres botafoguenses. Nesta foto vemos meu avô, assinalado com um pequeno traço em vermelho, em um jogo de amadores pelo Botafogo contra o Fluminense (o time do Botafogo se denominava "Teóricos" e o do Fluminense "Hipocráticos".


O segundo, agachado, da esquerda para a direita, é Luiz Paulo Neves Tovar que defendeu o Botafogo sempre como amador, se recusando a receber dinheiro para vestir a camisa do Alvinegro carioca. Foi tricampeão carioca do chamado "primeiro quadro de amadores" em 42, 43 e 44. No time principal, fez parceria no ataque com Heleno de Freitas. As boas atuações pelo clube carioca fizeram o treinador Flávio Costa convocá-lo para a seleção brasileira para o Campeonato Sul-americano Extra, disputado em janeiro e fevereiro de 1945 em Santiago (Chile). É considerado um dos maiores jogadores de futebol de praia do século passado.

Tovar abandonou o futebol logo após se formar em Medicina. Fui um dos grandes ortopedistas do Rio de Janeiro, tendo trabalhado no Hospital dos Servidores, no Hospital da Cruz Vermelha e no Hospital de Bonsucesso, onde foi Chefe do Serviço de Ortopedia. Nos dois últimos trabalhei com ele e aprendi muito. Grande amigo de meu pai e, por extensão, meu também.





quarta-feira, 27 de novembro de 2024

FOTOS ENVIADAS PELO GMA

O GMA, um dos grandes colaboradores do "Saudades do Rio", me enviou estas fotos bem antigas. Não sei a fonte.

FOTO 1 - LAGOA

FOTO 2 - Onde estaria o fotógrafo?


FOTO 3 - LAGOA

FOTO 4 - A legenda diz "Praia do Flamengo"...


FOTO 5 -  Expo 1922, Palácio das Festas


segunda-feira, 25 de novembro de 2024

CENTRO

Fotos de João Martins Torres, da Coleção Álvaro de Frontin Werneck, encontradas no livro "Rio-Buenos Aires".

FOTO 1: Vemos o "Escritório do Primeiro Districto da Avenida Central", no início do século XX. Este escritório da Comissão Construtora da Avenida Central ficava na Rua da Prainha, atual Rua do Acre. Uma linha de bondes (vemos na foto o destino "Santa Luzia") foi instalada provisoriamente no traçado onde seria construída a Avenida, ligando os dois extremos da obra. Aquele último prédio é o Trapiche Mauá e à direita, aquele pedaço do Morro de São Bento foi cortado e ali foi erguida a Casa Mauá.


FOTO 2: A Ladeira do Seminário em 1904. Vemos os primeiros sobrados a serem destruídos para a abertura da Avenida Central, na subida do Morro do Castelo, enfeitados com guirlandas para a solenidade de inauguração dos trabalhos de demolição. O início oficial das obras, a 8 de março de 1904, contando com a presença do Presidente da República, prefeito, ministros e outras autoridades, foi marcado pelo gesto presidencial de acionamento de uma corrente elétrica, colocando em funcionamento um equipamento de perfuração.

 Essa vertente do Castelo foi a primeira a ser derrubada, uns 15 anos antes do restante do morro, para a abertura da Avenida Central. O fotógrafo estava no Largo da Mãe do Bispo, mais ou menos em frente ao atual Theatro Municipal (que só ficaria pronto cinco anos depois).

 A rua que cruza é a antiga Rua da Ajuda ou Rua Chile, a ladeira sobe na direção de onde está a Biblioteca Nacional.

Esta obra, segundo o Jornal do Brasil de 08/03/1904, "é a causa do Rio de Janeiro, que quer ser saneado, é a causa de todos que aqui desejam exercer a sua actividade, sem a ameaça de serem victimas da febre amarella, da peste bubonica, da variola e dos demais morbus que apregôam a nossa insalubridade; é a causa do Brasil, cujos braços sempre abertos para acolher os que demandam as suas plagas, não se importa de ser julgado pela sua capital, comtanto que esta seja limpa, saneada, digna delle".

 A Gazeta de Notícias do mesmo dia, descrevia: "Dirigiram-se todos para o fundo do terreno da Rua da Prainha, onde havia um tropheo de bandeiras de todas as nações e uma placa com os seguintes dizeres: 8 de março de 1904. Sob este tropheo estava a lage de granito em que atacado o serviço de abertura da Avenida Central. A cerimonia consistiu no seguinte: o Sr. Presidente da Republica commutou a corrente eletrica de um motor Watson que acionara um perfurador, fazendo assim funccionar o martello, e o Sr. Dr. Lauro Muller segurou a broca, trabalhando o aparelho por alguns instantes".


FOTO 3: Vemos os escombros da casas típicas do Rio de antigamente, no local onde seria erguido o Teatro Municipal. Na reforma ocorrida no Governo Rodrigues Alves, comandada pelo Prefeito Pereira Passos, as obras para substituir a velha cidade colonial, anti-higiênica e de ruas estreitas, geraram muita polêmica. Foram demolidos cerca de 600 imóveis que abrigavam casas comerciais, depósitos, oficinas e habitações coletivas, para dar lugar à Avenida Central, por exemplo. Isto gerou, por um lado, um agravamento da situação habitacional da população mais pobre mas, por outro lado, a melhora das condições sanitárias ajudou a combater a temível febre amarela (que, após um século, volta a assustar em grande parte do Brasil). 

Apesar das polêmicas, dos processos, dos escândalos envolvendo muito dos envolvidos nas obras, a inauguração da Avenida Central e dos belos prédios da área da atual Cinelândia causou um impacto muito grande e, com outras obras como a Av. Beira-Mar, o Rio se transformou.


FOTO 4: As obras de demolição no local onde seria realizada a construção do novo edifício da Biblioteca Nacional. 

O Convento da Ajuda (à direita), erguido no século XVIII, conservado inicialmente, acabou sendo demolido em 1911 para dar maior visibilidade à Avenida Central e seus edifícios monumentais. 

E assim, como diz Giovanna Del Brenna, "como num passe de mágica, por obra de um punhado de personalidades heróicas e decididas, escolhidas pelo Presidente Rodrigues Alves (Pereira Passos, Lauro Müller, Paulo de Frontin, Oswaldo Cruz), uma vetusta cidade colonial de angustos becos e anti-higiênicos casarões sem beleza e sem arte some a golpes de picareta para ressurgir em poucos anos transformada, moderna, ventilada e salubre, pronta para ocupar o lugar a que tem direito entre as grandes capitais da América".

domingo, 24 de novembro de 2024

CHOPE FINAL DO ANO


Confirmada a data para a próxima quarta-feira, dia 27/11, às 19h30min, o chope no DEGRAU, na Av. Ataulfo de Paiva nº 517, pertinho do metrô Antero de Quental.

Reserva feita pelo Lino. Caso alguém ainda não tenha confirmado presença, favor avisar para ele adicionar à reserva.

As comandas serão individuais.

A mudança, que se daria a pedido do Candeias, não foi feita porque ele não poderá comparecer.

sábado, 23 de novembro de 2024

DO FUNDO DO BAÚ - PRIMEIRA COMUNHÃO

 

Ontem, nos comentários, este assunto foi mencionado. Como grande parte dos comentaristas nascidos no século passado também fiz a Primeira Comunhão. Desconheço a razão dela ter acontecido na capela do Colégio Sion, haja vista que morávamos em Copacabana. Este foi o "diploma" concedido na ocasião.

O curioso é que, geralmente, era feita antes dos dez anos de idade, época em que nada se entendia de Religião e se obedecia ao que os pais mandavam.


Celina se chamava a menina que está no centro da foto. Por volta de 1930 fazia a Primeira Comunhão. Veio a ser, anos depois, madrinha de meu irmão.


Este meu amigo, tal como o Mário, fez a Primeira Comunhão na igreja de São Paulo Apóstolo, em Copacabana. E com o pacote completo: sapatos e meias brancas, calças curtas, terço, vela, missal e aquela faixa lateral no braço que talvez tenha um nome, mas não descobri.


As imagens acima foram enviadas pela nossa prezada tia Alcyone, com o seguinte bilhete: "Na foto da minha primeira comunhão, estamos no pátio interno da igreja Nossa Senhora da Paz. Dou um doce para quem descobrir onde estou. Para você, eu conto. Sou a segunda, da esquerda para a direita, entre o menino e a menina mais alta (sempre alegre e sorrindo). Note que a minha certidão, é assinada por Frei Romano e é ele quem está na foto."



Quem será Stella Maria? A foto é uma daquelas que são descartadas por famílias que não têm interesse nelas e são vendidas por um mascate qualquer.


Foto dos anos 50. Primeira Comunhão de alunas do Colégio Sacré-Coeur de Marie, em Copacabana.


Um "santinho" que era distribuído como lembrança da Primeira Comunhão. No verso constava o nome da criança, a data e o local onde foi realizada a cerimônia.

JHS ou IHS seria a sigla da expressão "Iesus Hominun Salvator" (Jesus Salvador dos Homens".

"Adoro te devote latens deitas", segundo o Tradukka, seria algo como "Eu adoro vocês, divindades devotamente escondidas".



"Ave vivens hostia" - Não encontrei uma tradução razoável.


"Venez recevoir le pain que je vou ai préparé avec tant d´amour" (Venha receber o pão que eu vos preparei com tanto amor".


Mais um exemplo de "santinho" de Primeira Comunhão.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

IGREJA DA GLÓRIA - LARGO DO MACHADO

Nunca entrei na igreja da “Paróquia Matriz de Nossa Senhora da Glória”, somente passei defronte a ela. O texto de hoje, então, é em sua maior parte o disponível pelo Sindegtur. Sei que há um livro com muitas informações sobre ela: “O Rio de Janeiro: sua história, seus monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades”, de Moreira Azevedo. Também há muitas notas no “site” da própria igreja.

A freguesia de Nossa Senhora da Glória foi criada pelo Decreto da Assembleia-Geral nº 13, de 09 de agosto de 1834, e desmembrado na mesma data o seu território da de São José. A igreja Matriz, ereta no Largo do Machado, está sob a invocação da padroeira da paróquia. A Irmandade do Santíssimo Sacramento de Nossa Senhora da Glória foi fundada em 26 de janeiro de 1835, aceitando a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres como Matriz provisória. Esta capela pertencia a Antônio Joaquim Pereira Velasco, na rua das Laranjeiras.

Em 04 de abril de 1835 foi comprada pela quantia de 5:187$686, inclusive despesas de transmissão de propriedade, a capela de Antônio José de Castro, construída em 1720, próxima ao Largo do Machado e reconstruída em 1818, pela Rainha Carlota Joaquina. Nessa capela esteve a Matriz de 1835 a 1837, quando a mesma foi vendida ao Comendador José Batista Martins de Souza Castelões, que a demoliu e aí construiu uma bela residência, então na Rua das Laranjeiras nº 9.

O terreno para a nova Matriz foi cedido por Domingos Carvalho de Sá, com frente para o Largo do Machado, entre a Rua das Laranjeiras e Gago Coutinho (antiga Carvalho de Sá).


Imagem do Google Maps com a localização da igreja no Largo do Machado.


Em 18 de julho de 1842 teve lugar a cerimônia da colocação da pedra fundamental da Matriz.

O projeto geral do templo, em estilo neoclássico, bastante inspirado na Igreja da Madalena em Paris, foi elaborado pelos arquitetos Júlio Frederico Koeler e Charles Philippe Garçon Riviére.

Em 1844, os alicerces de madeira queimada estavam colocados, e começou-se então a obra pela capela-mor.  A 27 de abril de 1851 o projeto foi alterado pela Mesa “para se corrigir os seus defeitos”. Dois anos depois, começava-se a obra da frente da igreja. A capela-mor já deveria estar pronta, pois em 1855, o escultor Honorato Manuel de Lima era contratado para a obra dos estuques artísticos da capela-mor. Deveria existir um primitivo altar-mor, tirado da velha capela, pois este é citado no ano seguinte, quando um irmão anônimo ofereceu a pia batismal e o douramento do nicho da padroeira no altar-mor. 

Em 12 de junho de 1864, passou a dirigir as obras o arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, que nesse ano orçou o madeiramento do templo e começou a assentar as colunas da fachada. Depois de uma curta interrupção dos trabalhos, as obras recomeçaram em 1865, sem interrupções. Nesse ano, em novembro, cuidavam-se dos capitéis de pedra das colunas da fachada. Em 1866 o templo foi finalmente coberto. Em 26 de maio de 1867, trabalhava-se já na base da torre sineira. Em 11 de agosto seguinte, terminam todas as obras das paredes. Passava-se agora à decoração interna.


Em 18 de novembro de 1868, foi aceita pela Mesa a proposta de Etienne Bernarchut Sobrinho para modificação do coro da igreja. No dia 08 de agosto de 1869 assinou-se contrato com o escultor Manoel Chaves Pinheiro para a execução do painel do arco-cruzeiro. A 22 de agosto do mesmo ano, a Mesa aprovou a maquete da decoração interna, de autoria de Chaves Pinheiro, para as obras do coro, o alargamento da porta principal, a construção de seis janelas na fachada, as obras da abóbada superior, cujo contrato de execução foi entregue ao arrematante Bernarchut Sobrinho. Tudo seria executado com material do país, à exceção do coro, feito com madeiras vindas da França. 

No mesmo contrato, acertou-se a fatura dos seis altares do templo com Antônio Jacy Monteiro. A 25 de outubro de 1870, Bernarchut Sobrinho arrematou as obras do coro e tribunas. O escultor Antônio do Couto Vale arrematou a cantaria para a cimalha da fachada e empenas. O assentamento das pedras foi arrematado por Bernarchut Sobrinho. No mesmo ano foram colocados os capitéis dos pilares internos, por Salgueiro & Irmão. 

Foi comprado pela Mesa na França um lustre de 49 luzes, para a nave-mór e encomendados na Europa pisos, estátuas de mármore para os nichos do arco-cruzeiro e imagens para os altares. Pagou-se o entalhador Antônio Jacy Monteiro pela execução do altar-mor definitivnco altares colaterais. Em 03 de setembro de 1871, a Mesa resolveu encomendar na França o emblema em pedra da ordem, para o frontispício, bem como a obra dos púlpitos. Ainda no mesmo ano chegou o lustre de cristal, mas não todas as imagens.

Antiquíssima e bela foto de Auguste Stahl, feita em 1863, no Largo do Machado. Ao fundo a igreja neoclássica ainda sem a torre sineira. Dois operários estão assentando "pedras portuguesas" na alameda central da praça. 

Vemos a entrada da missa das 10 horas, em torno de 1900, na Igreja Matriz de N. S. da Glória. 

Tempos da missa em latim, começando com: 

Padre: Introibo ad altare Dei. 

Coroinha: Ad deum qui laetificat juventutem meam.

Padre: Judica me Deus, et discerne causam meam de gente non sancta: ab homine iniquo et doloso erue me.

Coroinha: Quia tu es Deus fortitudo mea: quare me repulisti, et quare tristis incedo, dum affligit me inimicus? 

Os "coroinhas", habitualmente crianças entre 8 e 12 anos, decoravam todas as respostas e as repetiam com um som aproximado, como papagaios. Os fiéis realmente "assistiam à missa" pois também não compreendiam as palavras (pelo menos o sermão era feito em português). 

Até a década de 60 não era permitido às mulheres entrar nas igrejas católicas com blusas sem mangas ou comungar sem véu. 

Consta que algumas comentaristas deste espaço foram "Filhas de Maria", com seus vestidos brancos e fita azul no pescoço ou membros do "Apostolado da Oração", com suas fitas vermelhas. Alguns poucos comentaristas pertenceram à "Congregação Mariana". A maioria, entretanto, imaculadamente vestida de branco, fez a "Primeira Comunhão", empunhando a vela, o terço, o livro de madrepérola.

Vemos um evento militar em frente à igreja. Ocorria ali pois o Largo do Machado chamava-se na ocasião Praça Duque de Caxias e havia um monumento em homenagem a Caxias no meio da praça. Hoje ele está na Praça da República.


Os fiéis, elegantemente vestidos, na entrada da igreja. Consta que após a missa havia um "footing" pela praça.