Total de visualizações de página

quarta-feira, 15 de março de 2017

COMPORTA DO JARDIM DE ALÁ



As fotos de hoje são dos acervos de Aguinaldo Silva (a primeira) e do engenheiro João Carlos Kastrup (as demais). Mostram as obras para construção da comporta do canal que liga a Lagoa ao mar, entre Ipanema e Leblon.
 
Na foto do acervo Aguinaldo Silva, divulgada pelo prezado F.Patricio, vemos um Leblon ainda deserto, bem diferente do atual.
 Nas fotos do acervo do engenheiro Kastrup vemos aspectos da comporta propriamente dita, construída provavelmente por volta de 1926, quando o Prefeito Carlos Sampaio determinou o saneamento da Lagoa e o engenheiro Saturnino de Brito, após cuidadoso estudo, canalizou rios e retificou o canal do Jardim de Alá (que liga o mar à lagoa), além de criar duas ilhas artificiais, a dos Caiçaras e a do Piraquê. Com isto, a água que era doce, passou a ser salobra, e diminuíram as mortandades de peixes e as enchentes da época das chuvas. A partir deste saneamento muitas chácaras foram loteadas e começaram a surgir as ruas do entorno da Lagoa.

Essa é a segunda comporta feita para a Lagoa e a que de fato funcionou graças à teoria do Saturnino de Brito de que a Lagoa tinha que ser salgada e não doce, para combate do lodo, mosquitos e da malária que grassava na região em pleno séc. XX. A primeira comporta era mera extravasadora, o que mantinha a Lagoa totalmente com água doce.

 No grupo junto ao automóvel estão identificados "Freire, Dr. Saturnino, Dr. Duarte e Kastrup".

Como já contou o Decourt, na realidade são três comportas que existem no entorno da Lagoa, funcionando como um grande sistema de vasos comunicantes. As da Visconde de Albuquerque e Gal. Garzon evitam que a água doce das bacias do Jardim Botânico e Gávea entrem na Lagoa e só são abertas em caso de risco de transbordamento. Já a do Jardim de Alah tem duas funções: esvaziar a Lagoa quando por causa das chuvas a comporta da General Garzon e as galerias de águas pluviais trazem o risco da Lagoa transbordar, e na maré alta, para permitir a entrada de água salgada para Lagoa, fechando logo em seguida, na seca da maré, para manter o nível das águas. Só houve um erro no projeto: não se imaginou o carreamento de areia do mar para o canal, o que provoca sua constante obstrução.

A Lagoa recebe as águas de três rios: Rainha, que vem do alto da Gávea, passa por dentro da PUC e deságua no canal da Visconde de Albuquerque e também no canal do Jockey; Macacos, que vem pelo Jardim Botânico lá no alto e desce pela Pacheco Leão e também por uma captação feita pelo Jockey para o seu próprio consumo e, finalmente, o rio Cabeça, que vem pela Rua Visconde da Graça e deságua no canal da Lineu de Paula Machado. O canal da General Garzon recebe as águas do Rio dos Macacos , Cabeça e canal do Jockey.

A ponte ligando Ipanema e Leblon, pela praia, foi construída em 1918. Em 1938 foi construída a segunda ponte ligando Ipanema ao Leblon pela Visconde de Pirajá e Ataulfo de Paiva. A terceira ponte, da Prudente de Morais para a General San Martin é da década de 50. A ponte da Epitácio Pessoa para a Borges de Medeiros é dos anos 60 e, finalmente, a ponte ligando a Rua Redentor à Rua Humberto de Campos foi construída neste século por conta das obras do metrô.

Em 1938 o Prefeito Henrique Dodsworth construiu as praças do Jardim de Alá.

29 comentários:

  1. São muito interessantes estas fotos de acervos particulares. Pelo que entendi não havia pontes ligando Ipanema ao remoto Leblon até há 100 anos. Ou se cruzava o canal da Lagoa a pé, a nado ou de bote. O único acesso por terra seria pelo Jardim Botânico e depois por caminho pelo trajeto que hoje seria a Bartolomeu Mitre.

    ResponderExcluir
  2. Muito interessante as explicações e as fotos. Somando tudo entendo que os problemas atuais da Lagoa saõ provenientes da falta de limpeza da areia que de tempos em tempos deve ser retirada por dragas para evitar a mortandade de peixes e melhorar a oxigenação. É isso?

    ResponderExcluir
  3. Bom dia a todos.

    Hoje ficarei assistindo no meu canto aos comentários.

    ResponderExcluir
  4. Bom dia a todos.
    Como sempre, Engenharia é ciência fantástica!
    Fico imaginando na época dessas obras não só essa mas a do próprio Cais do Porto e outras, como empregavam gente já que ainda não estávamos em um processo de todo mecânico e como seria a trabalheira que dava para se fazer as coisas no que hoje em dia é fácil.
    E mais. Acredito que os peões dormissem no próprio local de trabalho levando muito tempo afastado de seus lares, já que o sistema de transporte era precário para a época no que tange a pessoa ter que se deslocar todos dias, indo de casa para o trabalho e do trabalho para casa.
    Enfim. Viva o progresso!

    ResponderExcluir
  5. Bom dia. A natureza é sábia, vários aterros foram feitos durante o Século XX na Lagoa diminuindo seus limites. A ação do homem diminuindo esses limites, despejando esgoto e outros dejetos, foi fatal para a manutenção do seu estado natural. Algo semelhante mas Cem vezes pior acontece na Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Só que devido às dimensões colossais daquelas lagoas, a quantidade de condomínios e favelas da região, além da ausência de qualquer providência tomada pelo poder público, bem como pela educação "escandinava da população", a "morte" do complexo lagunar de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca é um fato...

    ResponderExcluir
  6. Originalmente a Lagoa era uma lagoa mesmo ou laguna? Explico: se tivesse comunicação com o mar, seria uma laguna com água salobra; se não tivesse, seria uma lagoa de água doce. Em geomorfologia lagoa e laguna são conceitos diferentes. Nos dias atuais, tecnicamente a nossa lagoa é uma laguna, já que possui água salobra e se comunica com o mar através de canais. Nos mapas antigos não vejo comunicação da lagoa com o mar, daí a minha dúvida. As pessoas normalmente confundem os dois conceitos; a Lagoa de Araruama também é uma laguna. A dos Patos também.
    Segundo o Decourt a Lagoa passava a maior parte do tempo com a água com pouca quantidade de sal, principalmente no verão, época de mar calmo e muita chuva, que aumentavam consideravelmente a vazão das bacias, principalmente dos Macacos. Mas no inverno a situação se invertia, as ressacas reabriam a comunicação do mar com a lagoa e a vazão dos rios diminuía muito. Saturnino de Brito, com sua obra saneadora regularizou o regime do inverno para o ano todo, com os canais e as comportas mantendo a lagoa sempre com um teor de sal maior. Assim se diminuía o lodo, se evitava os mosquitos e também a mortandade dos peixes, o que acontecia sempre no verão desde os primórdios da cidade.
    Segundo o livro lançado sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, trata-se de uma laguna. No "Plano da Lagoa Rodrigo de Freitas", de Carlos José de Reis e Gama, Tenente-Coronel Coni e Capitão Marques Augusto, de 1809, vê-se com clareza o cordão arenoso, ainda estreito e sem aterros, que interrompeu as trocas entre águas do mar e da laguna. Continua o texto do livro: À laguna aos pés do Corcovado, tendo em sua retaguarda o Maciço da Tijuca exercendo função estrutural, ela também foi sendo fechada à medida que a ação geológica do mar construía uma restinga frontal apoiada nas pontas do Arpoador e do Vidigal. Inicialmente, o extenso cordão arenoso que hoje tem as denominações Arpoador, Ipanema e Leblon, era apenas interrrompido quando, submetido à força das marés, via romper uma barra que, uma vez aberta, deixava penetrar o mar no interior da laguna, renovando suas águas.A natureza, no entanto, seguia seu curso. Os rios desciam as encostas do maciço e continuavam despejando sedimentos, argilas, seixos e blocos de rocha nas margens e nos fundos da laguna. As ondas prosseguiam na consolidação do cordão de areia, até que chegou um momento em que a ligação com o mar foi finalmente interrompida.

    ResponderExcluir
  7. Vi numa antiga foto aérea da região do Jardim de Alá como o canal era largo e, certamente, raso, assoreado. Mas me intriga o fato dos engenheiros não previrem uma saída náutica para o mar. Observando-se a costa da Flórida, percebe-se o imenso desenvolvimento que a ligação com o mar trouxe para a região. Necessariamente o estudo de calado e da saída para o mar teria que ser diferente e as pontes não poderiam ser fixas e fico intrigado. O Ford é um modelo T.

    ResponderExcluir
  8. Super interessantes, tanto as fotos, quanto o assunto.

    ResponderExcluir
  9. Que coisa linda aquelas luminárias sobre a comporta (que se veem na segunda foto) !

    ResponderExcluir
  10. A minha igreja fica pertinho de uma avenida chamada Saturnino de Brito.É que este engenheiro também trabalhou em vários projetos em Vix.

    ResponderExcluir
  11. Observador do Saudades do Rio15 de março de 2017 12:20

    Que ganho incrível foi o Saudades do Rio abandonar o UOL e vir para este blog. A possibilidade de mais de uma foto em cada postagem e a qualidade de visibilidade da foto são melhorias impressionantes.

    ResponderExcluir
  12. observador curioso15 de março de 2017 12:33

    E os tipos de peixe que habitavam/habitam a lagoa são de água salgada ou doce?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dos dois tipos. A salinidade da Lagoa não é uniforme. Perto da embocadora dos rios temos peixes de água doce. No restante, peixes de água salgada.

      Excluir
    2. Obviamente são de água salobra, não é, Pedro Bó ??!!

      Excluir
  13. Na ponte do Rio dos Macacos sobre a Rua Jardim Botânico, na altura da rua Pacheco Leão, havia antigamente uma ponte de tábuas. Mesmo depois de construída a nova ponte a região ficou conhecida como "Ponte de Tábuas.".

    ResponderExcluir
  14. Um dos ônibus com trajeto mais curto que conheci era o que fazia, nos anos 60, "Ponte de Tabuas-Copacabana", via Corte do Cantagalo, com ponto final na Xavier da Silveira. Havia três veiculos fazendo esta linha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O trajeto de ônibus mais curto era o Carioca Paula Matos. Havia também o Mauá Fátima.

      Excluir
    2. O trajeto mais curto do Rio de Janeiro,era a linha Penha-Grotão. Apenas uma Rua e três pontos.

      Excluir
    3. Atualmente, o favorito é a linha 921, que faz Vila Cruzeiro X Penha.

      Excluir
  15. Que bom que o Saudade do Rio foi recuperado. Pena que outros blog's não tiveram a mesma sorte. O alto padrão das fotos e comentários e encontrar alguns queridos comentaristas me deixou extremamente feliz.
    Parabéns, LuizD'.

    ResponderExcluir
  16. Desculpe a não inclusão do meu nome, Elvira Reina. É a primeira vez que registro após longo período de ausência da NET.

    ResponderExcluir
  17. Obrigada pela acolhida.
    Elvira.

    ResponderExcluir
  18. Meu pai tinha um galpão, que ficava nos fundos de uma vila na Rua Lopes Quintas. Era o depósito de carros 0Km da sua concessionária VW, que ficava na Rua Jardim Botânico. O galpão dava fundos para o Rio Cabeça, que na enchente de 1966 transbordou e levou vários carros. Dois ou três deles foram parar dentro do antigo supermercado Disco (hoje Pão de Açúcar) na Rua Jardim Botânico, que também dava fundos para o galpão. Os carros estavam segurados.

    ResponderExcluir
  19. Para lembrar a postagem de ontem: http://oglobo.globo.com/rio/draco-prende-integrante-de-milicia-em-apartamento-na-barra-da-tijuca-21067008

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse anônimo continua o mesmo. Dessa vez a noticia não é um link referente à Niterói. Mas comentou sobre segurança pública...

      Excluir
  20. Comentarista Joel hoje está com a pilha fraca.Falou pouco e deixou muita gente decepcionada.

    ResponderExcluir
  21. Hoje de tarde passei por baixo do canal do Jardim de Alah, indo para Botafogo.

    Comprei em Botafogo um livro sobre o uso do concreto armado no Rio no início do século XX, indo até a obra do Cristo.

    ResponderExcluir
  22. Qual seria o trajeto dos bondes que vinham pela Visconde de Pirajá em direçáo ao Leblon antes de 1938?

    ResponderExcluir