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sexta-feira, 24 de março de 2017

RUA MIGUEL LEMOS




Por conta da bela vitória da Seleção Brasileira ontem por 4x1 sobre o Uruguai vamos, com estas fotos da Rua Miguel Lemos, em Copacabana, homenagear uma das melhores seleções brasileiras de todos os tempos, mesmo não tendo alcançado o título de campeã do mundo. Coloco a seleção de 82, aquela de Leandro, Junior, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, Eder, ao lado de outras grandes seleções que também amargaram a dor de não ter tido este sucesso, como a seleção húngara de 54, aquela de Puskas, Bozsik, Hidegkuti, Grsics, Czibor e a seleção holandesa de 74, aquela de Cruyff, Neeskens, Kroll.

 

Eram famosas as festas esportivas na Rua Miguel Lemos desde 1958 quando um dos integrantes da turma da rua, Cristiano Lacorte foi eleito o torcedor nº 1 da seleção. 

 

Na década de 1950 eram famosas as "turmas de rua" do Rio - as tipo "juventude transviada" como a da "Barão" (da Torre, Ipanema), a da "República" (do Peru, Copacabana), a da Urca, a da Barão de Ipanema, chefiada pelo Vladimir e tendo o Alemão e Ox Bismark  como vice-líderes, a do Camões, com o Camilo, a do Leme com o Tocão.  E outras mais tranqüilas, como a da Miguel Lemos (Copacabana). Esta era liderada por Cristiano Lacorte e se reunia no bar do "Fernando Vascaíno", na esquina da Miguel Lemos com N.S.de Copacabana. Lacorte, em sua cadeira de rodas, foi o representante oficial da torcida brasileira em 1958, acompanhando a conquista do 1º campeonato mundial de futebol, na Suécia.

 

Esta turma, em 1958, frequentava o Rian (para ver os filmes do Elvis ou as chanchadas da Atlântida), o Metro, o Copacabana, via os filmes de Tarzan no Ritz, os de arte no Alvorada, os franceses no Art-Palácio. No Roxy, após abrirem-se as cortinas e aquele fortão bater o gongo da Rank Filmes, viam grandes lançamentos. No carnaval, fechavam a Rua Miguel Lemos (uma das únicas na Zona Sul a fechar) para seus bailes. Faziam halterofilismo na academia da esquina de Djalma Urich com N.S.de Copacabana (onde havia no 4º andar, um anúncio luminoso de um atleta exercitando os bíceps). Torciam pelo Lá Vai Bola, Pracinha, Maravilha ou Dínamo, no futebol de praia. Na TV Rio, aos domingos, assistiam ao boxe do TV Rio Ringue e, às 6as.feiras, ao "Noites Cariocas", com as vedetes da época.

 

Foi esta turma que flagrou o faquir Príncipe Igor fraudando o público, tomando laranjada durante seu período de jejum (antes comuns, desapareceram os faquires). Estudavam no Melo e Souza ou no Mallet Soares (alguns fizeram o primário na Escola Pública Cócio Barcelos). Discutiam o supersupercampeonato de 1958 entre Vasco, Flamengo e Botafogo. Torciam por Adalgisa Colombo. Tomavam gemada em pó da Kibon e usaram Alpargatas 7 vidas, de lona com sola de borracha. Só podiam tirar a camisa quando pisavam na areia e levavam para a praia bóias feitas com câmaras de ar de pneus.  Dançavam, de "smoking" alugado na Casa Rollas, nos bailes do Fluminense, do Caiçaras, do Clube Naval, ao som de Steve Bernard, Ed Lincoln, Waldir Calmon. Assistiam às lutas de Helio (ou Carlson?) Gracie com Waldemar Santana. No Bob´s da Domingos Ferreira, comiam sanduíche de salada de atum e tomavam suco de laranja, sundaes ou Ovomaltine, pois ali ainda não se vendiam refrigerantes.

 

Assistiam ao Noite de Gala (com Ilka Soares) e aos Espetáculos Tonelux (com Neide Aparecida). Tomavam Hi-fi (Crush com vodka) ou Cuba-libre (rum com Coca-Cola). Iam até São Conrado para um chope no Bar Bem. Ouviam a Rádio Mayrink Veiga e a Tamoio (e a Continental, na transmissão do futebol). Acompanhavam, com o Brasil inteiro, o episódio da curra de Aida Curi, jogada (?) do edifício Rio Nobre (Av. Atlântica 3388), quando fugia de Ronaldo Castro e Cássio Murilo. Viam a garotada colecionar álbuns de figurinhas, se contorcer nos bambolês e assistir ao Falcão Negro e sua amada Lady Bela. Cristiano Lacorte deu seu nome à Travessa que une as ruas Miguel Lemos e Djalma Urich, ali onde ficava o teatro da Brigitte Blair.

 

Na foto da esquina das ruas Miguel Lemos e Aires Saldanha, vemos Cristiano Lacorte em sua cadeira de rodas, acompanhado de amigos. Este poste tipo “respiradouro” são respiradores das câmaras subterrâneas de transformadores da Light. Eles existiam por toda a cidade onde a rede de média tensão já era embutida e normalmente funcionavam com a grade de baixo sugando o ar fresco e a de cima expulsava o ar quente depois de passar por dentro da câmara.  Nos anos 70 eles começaram a sumir, pois foi criado um sistema que os exaustores colocados em bueiros no chão (aqueles que saem vento quente) com o desenvolvimento de comportas dentro deles que impediam a entrada de água das enchentes dentro a câmara.



47 comentários:

  1. Este tipo de turma de rua é coisa do passado pois ninguém mais se reúne nas ruas.
    Acho que a seleção de 50 de Zizinho, Jair, Ademir também deve ser incluída neste rol de grandes seleções.

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  2. Bom dia a todos. Bons tempos que o futebol brasileiro era o melhor do mundo e nossos jogadores jogavam no Brasil e eram ídolos dos clubes nacionais. A Seleção de 82 era muito boa, principalmente no seu conjunto e entrosamento, mas não era melhor em jogadores individualmente, do que as seleções de 50, 58 e 70, na minha opinião. Já quanto ao jogo de ontem, falei que se o Brasil partisse com vontade para cima do Uruguai venceria com facilidade, e não deu outra coisa, mesmo jogando com um homem a menos, pois esse Firmino estava perdido em campo. Uma coisa que deu certo nesta seleção ontem e em alguns jogos passados, é a inversão de posicionamento entre o Renato Augusto e o Paulinho, em relação ao que os dois jogavam no Corinthians, o Paulinho sempre jogou mais plantado vindo de trás e o Renato Augusto mais adiantado sempre chegando ao ataque. Esta seleção está começando a dar liga, o medo é que isto está acontecendo muito longe da Copa do Mundo, e como jogador brasileiro parece que vive em Veneza, não perde a oportunidade de colocar uma máscara, pode ser que na Copa do Mundo desande como aconteceu nas últimas copas.

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  3. A melhor seleção brasileira foi a de 1958 e ponto final. Essa era a zona sul da minha época que não existe mais.

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  4. Estas turmas citadas pelo Luiz tocavam o horror na Zona Sul naquela época. O maior medo era quando eles resolviam penetrar em alguma festa e aí sempre saía briga. A Polícia pouco fazia para controla-los e algumas mortes chegaram a ocorrer em brigas entre eles.

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  5. Bom dia. Eram outros tempos. As turmas de rua fazem parte de um passado bem diferente, pois eram um tipo associação de certa forma inocente. Hoje em dia, em se tratando de pessoas de bem e em locais conhecidos vulgarmente como "asfalto", é inadmissível esse tipo de associação. Da forma como existiam, eram divertidas e nelas praticava-se uma espécie de companheirismo que não existe mais.

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  6. Em época de enfeitar rua às vezes corriam listas de arrecadação de dinheiro que depois ninguém sabia do resultado. Na seleção de 82 era para ter Raul, Mozer e Adílio. Sendo o Andrade opção para o 2º tempo. Para não dizer que falo só da falta de jogadores do Fla, com o Careca machucado, o Roberto Dinamite, que ficou no banco, deveria ter entrado no lugar do Serginho marginal, digo, Chulapa. Seria bem melhor.

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  7. De certa forma um Fundo do Bau...Excelentes fotos.A seleção de 82 era muito boa e não teve o desfecho merecido.Saudades daquele tempo.Comemorações a cada jogo ate o espanto da Itália.
    Com relação a seleção atual, o Lino tem razão.Um dos maiores adversários é a mascara.Marcelo e Daniel Alves na comissão de frente.Tite tem que pegar pesado...
    Quanto ao jogo de ontem,tudo muito bom,tudo muito bem,mas o Uruguai entrou em campo?

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    1. Ontem eu falei no intervalo do jogo, se o Brasil fosse para cima do Uruguai ganharia o jogo fácil, bastaria adiantar o meio de campo, e foi o que aconteceu no 2º tempo. Basta ver o SDR de ontem, o que eu escrevi no intervalo do 1º para o 2º tempo.

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  8. As viuvas atacam em todos os sentidos.A tão decantada seleção de 82 não passava de um time regular que na verdade teve uma vitoria convincente na Copa ou seja o 3 a 1 com a Argentina.O resto foi pilula dourada.Escocia e muito boa fazendo uisque e Nova Zelandia não sabe nada de bola.Na estreia passou apertado pela União Soviética e quando pegou uma Italia querendo briga se borrou.E ficam a decantar um time que tinha Cerezo,Chulapa e Paulo Isidoro.E ainda um plantel com Pedrinho e Edvaldo uns grandes perebas.Sem essa de culto ao cheiro de mofo.Viva Neimar,Renato Augusto,Dani Alves,Gabriel Jesus e os meninos de hoje.E depois reclamam porque sou Do Contra.

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    1. Dos atuais citados o Neymar poderia substituir o Isidoro e o Jesus ao Chulapa. Os outros ficariam no banco, se é que fossem convocados.

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  9. Bom dia,
    Dia lindo!
    Dessa copa só lembro que quando me entregaram um morteiro aceso eu o peguei do lado errado e acabei comemorando no Salgado Filho.
    Como sou filha de português aturar as brincadeiras foi bem pior do que a dor da queimadura...
    Toda uma época em um só registro e um ótimo texto.
    Os cabelos começavam a crescer mas ainda eram penteados. Temos até um Príncipe Danilo. As calças cortadas ainda pelos moldes antigos não era motivo de preocupação. Na foto parece que o vinco já fora abolido.
    Um dos moços, em frente a placa da rua, calças e camisa rasgadas, parecia não interagir com o grupo. Mantinha-se um pouco à distância...
    Um grupo vestia o mesmo modelo. Torcida?
    Sentimento de festa, alegria e total participação.
    Um dia viria a ser cantado "Todos juntos vamos, prá frente Brasil"
    "Parece que vive em Veneza" foi ótimo!

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    1. Elvira, em Veneza ou na Noruega. "Pra frente Brasil" lembra um ufanismo que está morto há muito tempo. Lembra também uma época em que se podia ir e vir sem qualquer problema, sem os riscos da "fantástica democracia" em que vivemos.

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  10. João Saldanha fazia parte da turma da Miguel Lemos. Em 1994 apareceu a turma do "Alzirão", na rua Conde de Bonfim esquina com Alzira Brandão. Quanto às torcidas organizadas, tornaram-se facções criminosas. Ontem mesmo, uma operação da D.H para capturar alguns líderes de uma torcida do Flamengo na Cidade de Deus, autores do homicídio de um torcedor do Botafogo no Engenhão no mês passado, resultou em três feridos e um morto. Foram apreendidos um soco inglês, pedaços de madeira, e até mesmo camisas sujas de sangue. Ir à um partida de futebol com a camisa de seu clube é uma ação de risco,pois as consequências podem ser funestas.

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  11. Joel,
    Escrevi sobre o assunto ontem.
    O ufanismo era a nossa esperança de, quem sabe, nos transformarmos em uma Noruega. Pior é a total desesperança de agora.
    Saindo para passear pelo Rio antigo antes que ele acabe,comprar um livro, almoçar e à noite ler os comentários.

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    1. Elvira. Boa tarde.
      Em algumas postagens, talvez 1 mês ou 2 meses atrás, já no novo endereço, eu disse isso aqui.
      Nesse ponto o Brasil piorou demais.
      Havia um tempo que nos espelhávamos nos que eram melhores que nós como a gloriosa Alemanha, a França, a Inglaterra, os EUA, e outras nações de ponta.
      Após 1985, especialmente com os anos 90 e quando o sociólogo entreguista do FHC chegou ao poder, começou da adoração por nações como Venezuela, Colombia, Chile, Uruguai, continente africano, e similares.
      Isso, acho péssimo sem querer desmerecer o que há de bom nessas nações citadas por mim aí em cima.
      Penso que seja um povo ou um indivíduo, o ideal é você se espelhar nos que estão acima de você porque isso se transforma em admiração, respeito, e força de vontade para você lutar e chegar lá também. Todavia, a escolha que o Brasil fez através desse tempo deu no que deu e nós só pioramos.
      Não é querer imitar o Joel, porém, penso de que a verdade existe para ser dita e ponto final.

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  12. Hoje daria para comentar à exaustão pois não falta assunto mas fico com o tema "turmas". Enquanto morei no subúrbio, fora algumas escaramuças com a garotada das ruas vizinhas, esse tema só era visto no noticiário. A chamada "turma da Miguel Lemos, uma espécie de posterior sucursal popular do Clube dos Cafajestes, de fato ficou mais famosa com a conquista da Copa de 1958. Salvo engano seu maior incentivador foi exatamente Cristiano Sallinas Lacortte, ou simplesmente Cristiano Lacorte, morador de Copacabana, filho do cientista Guilherme Lacortte, que passou a pesquisar a poliomielite após seu filho contrair essa patologia. A ida de Cristiano à Copa da Suécia, a convite de Paulo Machado de Carvalho, e a conquista do título pela seleção, lançou-o à fama, redundando em sua eleição a vereador pelo então Partido Libertador. Vítima de trágico acidente automobilístico faleceu dois anos após sua eleição. Hoje Cristiano seria conhecido como "agitador cultural", ou "animador social", como preferem alguns. Uma travessa de Copacabana tem esse nome em sua homenagem.

    Alguns anos depois, morando no Centro e frequentando bairros como o Leme e a Tijuca pude constatar a dimensão do significado de "turma de bairro". Foi quando conheci o mau encarado Tocão do Leme, que até tiro levou mas não morreu (devia ser munição mal recarregada)e a famosa turma do Palheta, na Tijuca. Sobrevivi a esses tempos pois, além de evitar ao máximo esses confrontos, a turma do Castelo, além de ser em menor número, era vista com um misto de curiosidade e desconfiança por habitar território neutro e desconhecido, e ainda carregando a fama de ser vizinha da Lapa, jurisdição de conhecidos malandros e perigosos meliantes da época.

    Apenas como curiosidade, e no assunto seleção brasileira, um grupo de técnicos em processamento de dados teve a pachorra de alimentar um poderoso computador com dados das seleções de 1958 e 1970, confrontando-os em um embate virtual. Segundo os mesmos técnicos a seleção de 1958 teria sido vitoriosa. Todavia, e sempre como tema polêmico, ficará a eterna curiosidade em saber como seria um confronto na vida real.

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  13. O futebol virou um comércio e o patriotismo, se mencionado, soa patético. Para pessoas com um certo nível de reflexão e sensibilidade, o futebol como era em seu contexto, acabou. Seus jogadores são em sua maioria pessoas oriundas de um baixo extrato social, quase sempre favelas e periferias, alçadas a um padrão de vida completamente inapropriado à sua formação e origem social. Daí vemos os Adrianos, os Neymares, os "Brunos" e outros muitos que em condições normais seriam ótimos pedreiros, motoristas, frentistas, etc. Imaginem a Bruna Marquezine: Será que ela olharia para Neymar se este morasse no morro do Juramento ou na favela da Maré? Pessoas como as mencionadas recebendo rios de dinheiro em um país de miseráveis só podem gerar distorções na mente de seus "iguais". Daí a chamada filosofia da "ostentação": O funk de ostentação, o tráfico de ostentação, etc. É só observar na internet. Zizinho, astro da seleção Brasileira, terminava o treino, tomava um ônibus para as barcas, e ao chegar em Niteró,i tomava um bonde para São Gonçalo para enfim chegar em casa. Garrincha, campeão mundial de 58, voltando do treino em General Severiano, tomava o trem das 20:12 na Leopoldina para voltar para "Pau Grande". Estamos no tempo em que "O poste mija no cachorro"...

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    1. Exato, Joel, quanto à simplicidade dos craques de outrora. No primeiro domingo após a Copa de 58 encontrei com o Dida caminhando pela Praça N.S. Auxiliadora com destino à Gávea. Sozinho, sem nenhuma ostentação, parou para falar comigo, velho conhecido da sede da Gávea.

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    2. Joel.
      Há que se analisar alguns pontos primeiro.
      Eu compreendo o que você diz porém, tem que ver que isso não é único e exclusivamente um fenômeno brasileiro. Isso está acontecendo e é no mundo inteiro.
      Quando tenho que falar mal e sentar o pau no Brasil, faço mesmo pois sem essa de patriotismo quando na verdade os que mais exigem isso são os que mais ferram com a nação. Mas quando tenho que falar bem do Brasil, eu falo como nesse caso.
      Veja bem você e aconselho a pedir da opinião do Luiz e do Docastelo pois ambos parecem ter vivido essa época mais do que eu ou você.
      Antigamente, as pessoas, sejam elas de que nível social fosse ou do que se ocupassem, havia mais acesso a essas pessoas. Parecia de que a desigualdade na Terra não era algo tão gritante assim.
      Parafraseando Mário Lago, a cerca de uns 19 anos atrás, ele cedeu uma entrevista ao Roberto D'Avila onde justamente falava sobre isso, onde ele, homem da primeira metade do século XX que alcançou uma outra época. Segundo ele, o mundo naquela época era mais "ombro a ombro", ou seja, você não precisa "olhar para cima" para saber com quem estava falando assim.
      Citando outro famoso, Ricardo Amaral, vulgo "Rei da Noite", antigamente na noite você tinha "Nome e Sobrenome", você conhecia as pessoas. Hoje não mais.
      Antigamente, havia acesso a artistas, políticos, empresários, autoridades, que hoje por uma série de questões e especialmente da segurança, não é mais permitido isso.
      Lembro que Newton Santos certa vez disse de que em 1954 quando ia treinar no Botafogo, ele ia de bonde.
      Hoje, isso é impensável.
      Eisenhower quando esteve aqui, desfilou em carro aberto. Hoje, nem na Escandinávia é mais assim.
      Costumo dizer que o assassinato do Kennedy em 1963 mudou o mundo por completo.
      Outro caso que cito aqui foi de que quando Vargas tirava expediente no Palácio do Catete, quando precisava vir no Palácio Laranjeiras, as vezes ele vinha a pé, sem segurança, "esticando das pernas", ou então, quando ia na Casa Rosa, as vezes fazia isso também. E isso eu estou falando dos anos 30 do século passado.
      Portanto, são outros tempos, outras épocas.
      O que sei é que esse endeusamento todo talvez tenha começado com os atores hollywoodianos dos anos 40.
      Enfim... vá saber.

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  14. Sobre a seleção atual fica difícil saber se são os outros sul-americanos que pioraram ou se os brasileiros que melhoraram. O verdadeiro teste será contra as potências européias, principalmente na chamada fase "mata-mata" da Copa do Mundo. Claro que não acredito em 7x1 para a Alemanha e nem 3x0 para a Holanda daqui em 2018, mas para ser campeão é outro degrau, mas parece que criaram personalidade, ou seja, sem o espírito de cachorro vira-lata em campo.

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  15. Boa tarde a todos.
    Bem, vamos por partes.
    Em relação aos postes de ferro como esse da segunda fotografia e como outros de formato circular na parte superior e de menor estatura, lembro-me de criança indagar os meus pais o que eram esses postes e eles simplesmente diziam que eram respiradouros, não se aprofundando na explicação talvez temendo de que eu nada entendesse, já de que era bem pequeno.
    Hoje, o Luiz saciou a minha dúvida.
    Quanto a relação da chamada "Turma", desculpem da pergunta: Seriam gangues mesmo tipo vagabundos e delinquentes?
    Lembro muito de minha mãe falando dessas "turmas" que haviam na Tijuca onde ela morava e a briga acontecer na Pça Saes Pena.
    Como nada entendo de futebol, nada posso dizer qual foi a melhor seleção de todos os tempos.

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  16. Observador de Seleções24 de março de 2017 13:18

    Sempre se fala da seleção de 82 que merecia melhor sorte por apresentar o tão falado "futebol arte", porém não vejo nenhum comentário sobre a injustiçada seleção de 78 que, mesmo sem tantas "estrelas", apresentou um futebol mais eficiente tendo terminado em terceiro lugar , invicta, numa copa em que a dona da casa só foi campeã com aquele vergonhoso suborno da equipe do Peru, que posteriormente foi cofirmado pelos próprios jogadores.

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  17. Colaborador Anônimo24 de março de 2017 13:22

    Luiz,esses "respiradouros" existem até hoje, é só procurar que em quase todas as principais vias, eles se encontram sempre aos pares, como pode ser visto nessa foto do SV pertinho do local do post de hoje....goo.gl/ZTiJHl

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  18. Boa tarde a todos.

    Só posso comentar o que vi da seleção de 82 por motivos óbvios. Também a considero superestimada, da mesma forma que a de 94 foi subestimada.

    Mais subestimada do que a de 1994, só a de 1958. A única seleção de fora da Europa a ganhar uma copa lá. Só tivemos algo no sentido inverso agora em 2014, com a Alemanha.

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  19. O sujeito empurrando da cadeira de rodas e com o cigarro na boca me lembra o ator Peter Lúpus de Missão Impossível, a série dos anos 60.

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  20. Wolf, vi a sua pergunta e vou dar minha opinião. Acho que nessas chamadas "turmas de bairros" ou apenas "de ruas" havia de tudo. Muitos se afundaram nas drogas e na delinquência. Como não conheci as pessoas que formavam, por exemplo, o grupo da rua Miguel Lemos, não posso opinar especificamente. Mas se levarmos em consideração certos exemplos alguns conseguiram seguir suas vidas normalmente. Outros que foram qualificados como delinquentes ficaram assim taxados apenas porque moravam ou frequentavam o mesmo local, relacionando-se cordialmente com as tais turmas. Alguns de melhor índole, talvez movidos pela teoria do domínio do grupo sobre o indivíduo, acabaram envolvidos e pagaram um alto preço.

    A propósito, poucos sabem mas quando no final dos anos '50 surgiu nos EEUUJ o programa chamado "Candy Camera", aqui lançado como "Câmera Indiscreta", e hoje mais conhecido como "Pegadinhas", a intenção era comprovar essa teoria. Em algumas cenas o incauto era induzido por um certo número de pessoas a se comportar como o grupo. Exemplo: Três pessoas andam por uma calçada um pouco à frente de um indivíduo. Ao virar uma esquina surge um cartaz onde está escrito "Trecho para andar de costas". Imediatamente o grupo vira-se e prossegue andando de costas. O indivíduo que vem logo atrás invariavelmente titubeia mas acaba andando de costas também. Há outros exemplos como uma ação parecida dentro de um elevador.

    Claro que os tempos eram outros e não há termos de comparação com outros fatores que determinam as atitudes do ser humano mas foi apenas uma referência de como indivíduos, em especial os jovens, podem ser influenciados por determinados valores comportamentais como uma espécie de "modismo".

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    1. Obrigado Docastelo.
      O que sempre veio a minha mente era traçar de uma comparação com algo que é muito comum na cultura norte americana onde sempre existiu essas tais gangues. Por isso, quando se falava nessas turmas, acabava por associar as gangues. Mas como você disse, havia de tudo. Era um outro tempo.
      Talvez tenha começado com um propósito e deu noutra, tal como as chamadas Torcidas Organizadas dos dias atuais.

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    2. Wolf, você tem toda a razão quando associa as atitudes das turmas do Rio de outros tempos com as dos EEUU. Havia uma certa influência cultural nessa geração. A grande diferença eram as origens que motivaram essa rebeldia, muitas vezes traduzida em violência. Ambas eram gerações do pós guerra, sem qualquer identificação com a geração dos seus pais mas nos EEUU ainda havia o aspecto étnico. Nos conjuntos habitacionais do Upper West Side moravam as famílias dos imigrantes italianos e porto-riquenhos. Essa saga, cantada em prosa e verso, gerou o famoso musical da Broadway de 1957, "West Side History", e o filme do mesmo nome, em 1961, com a brilhante trilha sonora composta pelo gênio de Leonard Berstein. A película aqui no Brasil chamou-se "Amor, Sublime Amor". A história era uma versão moderna do drama de Willian Shakespeare, Romeu e Julieta. Por sinal podemos considerar que nesse romance do Bardo estão talvez as duas mais antigas gangues que se tem notícia: os Capuletos e os Monthecchios.

      Os fatos nos EEUU ocorreram antes do advento do rock-and-roll (na peça e no filme ambos os grupos dançam mambo) que só apareceu em filmes partir de 1955 em produções como "Jungle Blackboard" (Sementes da Violência) e comédias musicais. No Brasil foi com o sucesso do filme "Balanço das Horas", mas era o tempero apimentado que faltava para suprir essas gerações ávidas por uma nova proposta musical. Foi o fundo musical que durante algum tempo alentou esses grupos e ficou definitivamente associado à rebeldia dos jovens. E ainda hoje de muitos velhos.

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    3. (correção)...Montecchios...

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    4. Docastelo.
      Acredito que você saiba do que esse filme causou a época, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
      O filme citado, Sementes da Violência, quando passou no cinema "pegou fogo", se é que me entende.
      Trazendo Glenn Ford, Sidney Potier e Vic Morrow (Combate, o enredo era justamente sobre a juventude nos subúrbios da Ilha de Manhattan bem como nos guetos lá existente.
      Tem outro interessante que eu não sei se passou no Brasil mas que traz Burt Lancaster como o ator principal e, pasmem, foi ele o responsável pela estreia de Telly Savallas no cinema justamente nesse filme. O nome é The Young Savages de 1961.
      Sem querer fazer graça, o filme é tudo o que o Joel gosta: Muito cortiço e pobreza são abordados. Infelizmente Joel, só não tem favela.
      Um abraço a todos.

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    5. Joel gosta da coisa certa e analisa bem a esculhambação que os políticos imprimem ao país em conluio com outros poderes enquanto alguns comentaristas estão muito satisfeitos com tudo.

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    6. E você é mais um babaca que não tem o que dizer e fica na aba dos outros.

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    7. observador de anônimos24 de março de 2017 21:55

      Este anônimo gosta de holofotes na teia dos comentários e faz tudo para ser o centro das atenções.Quando alguém desponta ele fica irritadinho.

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    8. Observador de comentaristas24 de março de 2017 22:31

      Gosto não se discute mas quem comentou tem razão. Ser fã desse tal de Joel é dose. O cara só fala em crime, favela, desgraça. Na página dele no facebook é a mesma coisa. E que cara feio. Cruz credo.

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  21. Nunca pertenci a nenhuma turma, mas o que além das estrepolias comuns, o objetivo era "pegar mulher". Mas atualmente os interesses são outros, quase sempre ligados às drogas ou algo "mais sério". Antigamente fumar maconha era um crime tenebroso e hoje em dia nem crime é. Não existem mais "valentões" como antigamente, pois o resultado é uma execução certa. A alegria irresponsável que existia hoje se transformou em desconfiança e receio. Ninguém mais fica parado "jogando conversa fora" nas ruas, e até os bares noturnos são menos frequentados. Os mais "antigos" sabem bem do que estou falando. Quem tem mais de 50 anos é feliz por ter vivido em um tempo que não volta mais.

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  22. Peralta, o implicante24 de março de 2017 16:16

    Tia Nalu conhece uma turma da pesada.Turma da estrela.

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  23. E por falar na atual seleção de futebol, o Brasil está fora da Copa das Confederações e por isso a mídia nacional nem fala no assunto.
    Posso escolher: Portugal, México ou Chile. Se não for obrigado a escalar força total o técnico alemão pode até fazer experiências.
    Será em junho e absurdamente com 2 times da Oceania de pouca tradição nesse esporte. Seria um bom momento para "medir" o time brasileiro, embora cedo para servir como parâmetro para a Copa do Mundo.
    Em tempo: o América FC, justamente o Campeão do Campeões em 1982, conseguiu aprovar a construção de um shopping em sua famosa sede de Campos Sales. Torço para que consiga bons faturamentos e voltar a incomodar os grandes do Rio. Alguns tijucanos estão preocupados com o movimento de mais um centro de compras no bairro e o presidente do CDL com a crise que está fechando muitas lojas. Então pessimismo dele vai a até 2020, quando deverá ser inaugurado esse novo shopping.

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  24. Apesar da boa campanha que vem fazendo sob a tutela do Tite,ainda não consigo ver a seleção como uma força.O time me parece um tanto em força e dependendo de jogadas individuais e brilho de alguns.Ontem,como disse antes,o Uruguai foi ridículo e aceitou passivamente o jogo do Brasil.O resultado foi excelente,mas o futebol mostrado não me pareceu aquele diferenciado.Vamos torcer para que seja só uma falsa impressão e que possa brilhar na Copa.
    O Lino,apesar de amigo do O.O,acha que o Tite está indo bem,especialmente para quem teve que aguentar o Felipão e o Dunga....

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  25. Interessante é que ninguém tocou no nome do responsável pela Seleção de 82: Telê Santana. O Brasil jogou um futebol que encantou o mundo graças a ele.

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  26. Boa tarde a todos.
    Wolfgang,
    Quero começar com uma afirmação. As gangs existiam em 1958. Os alunos do Educandário Dom Pedro II - Engenho Novo cercavam os meninos de colégios particulares no Méier, em Pilares, e a briga era feia. As antigas tomadas de ferro feitas em cobre e algodão eram desencapadas e a elas presas giletes que serviam como arma branca. Desde que o mundo é mundo pessoas que se acham superiores hostilizam os que consideram inferiores. Somente a Educação e Instrução poderão mudar esse sistema de coisas.
    Hoje as duas palavras possuem o mesmo significado. A Educação, princialmente a humanística foi retirada das escolas. A educação, essa antigamente chamada "de berço" parece que está desaparecendo.
    Quanto ao tópico do que aconteceu em nossa América aconteceu no México. Em 1923 havia mais generais mexicanos do que soldados, quase uma totalidade de índios mexicanos. D.H. Laurence, o mesmo, autor de O amante de Lady Chatterley envolve-se na criação de uma sociedade mais justa para o México. Enfim, todos sabemos como termina o sonho, na vida real ele pega malária no Lago Oaxaca e morre. E o México continua a ser hostilizado.
    Acredito que não podemos crescer enquanto sociedade se as mesmas oportunidades não forem dadas a todos. Só depois, muito tempo depois, então todos usufruindo dos mesmos direitos e deveres poderemos avaliar. Creio que não é para mim, talvez para você.
    O aqui e agora, realmente está muito ruim.
    Um abraço.

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  27. Elvira.
    Esse é outra história do passado de nossa cidade.
    As renhidas disputas do pessoal do Pedro II. Porém, não sabia que com alunos de outros colégios. Eu pensava que a diferença deles sempre foi em relação ao Colégio Militar. Nem com o Colégio Naval eu soube de alguma estória do gênero.
    Nunca consegui entender dessas coisas direito do porque disso. É algo sem noção completamente, porém, é necessário dizer aqui que em muitos casos os próprios professores estimulavam isso, até porque eram cobrados dos coordenadores e diretores, assim como nos quartéis havia de muita diferença entre uma especialidade e outra como no caso da cavalaria com a infantaria, ou então no caso do Exército com as demais Armas.
    Sempre achei isso tudo de uma imbecilidade monstruosa, sem pé e nem cabeça.

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  28. Por outro lado Elvira, é interessante dizer aqui que pelo menos essas coisas acabaram de certa forma ou então diminuíram-se muito.
    Hoje em dia não mais espaço ou pelo menos não se escuta mais falar de alguma disputa desse gênero.
    Não é querer defender o DO CONTRA não, porém, eu já disse aqui e repito: Ele tem suas razões.
    Nem sempre o passado era essa glória toda que pensamos e defendemos.

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    1. Os meus pais, mamãe da Espanha e papai de Portugal saíram de suas terras para não se envolverem em guerras.
      Com relação ao Do Contra cito um ditado que mamãe costumava repetir: Em casa que não tem pão todos gritam e todos tem razão. Serve para países. Alguns colégios do Méier, embora particulares eram de uma penúria total. A turma da noite, a mais pobre, com maioria trabalhadora era a mais atingida.
      Acho que o problema era testosterona em excesso. rs
      Com as meninas tudo em paz.

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  29. Então a Dona Elvira é filha da espanhola Dona Carlota e do português Dom João, que fugiram para o Brasil pois não queriam guerra com um certo imperador francês.

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  30. Menos, Historiador, menos... rs
    O período entre o fim da primeira guerra e o início da segunda guerra foi de grande fome e conflitos políticos e em razão disto milhares de europeus entre italianos, espanhóis, portugueses, poloneses, alemães também, procuravam Paz e Sobrevivência. Acredite, eles as encontraram aqui. Se eu sei muitos sambas e marchas antigos devo a minha mãe que os cantava como qualquer cabrocha da Mangueira.
    Adorava o Brasil, odiava neve, nunca sentiu vontade de voltar em definitivo e o Getúlio Vargas era o seu exemplo como
    Presidente da República.
    Por causa dela eu me sinto uma Carioca da Gema.

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  31. Gustavo, a seleção que encantou o mundo em 82 foi montada por Claudio Coutinho. Telê apenas trocou (para pior) Leão por Valdir Perez e Edinho por Luizinho, além de tirar Sócrates da posição de falso centroavante recuando-o para o meio de campo, logo ele que não marcava nem a própria sombra.

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  32. Morei na Miguel Lemos 21 no inicio dos anos 60, e estudava no Mallet Soares.A turminha namorava em dancas com Romanticos de Cuba, em alguns aptos, com o aval dos pais.
    No carnaval da Miguel lembro muito bem.E no posto 5 pegava jacare, nas ondas de copacabana.
    Tentava em filmes proibidos no cinema Rox.
    Hoje aposentado moro em Floripa, com alguma qualidade de vida.

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