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domingo, 15 de janeiro de 2017

QUITANDINHA

Há décadas este era um programa obrigatório para um domingo de verão: um passeio pelo Quitandinha, perto de Petrópolis. Passear nos pedalinhos, dar uma volta pelo terreno do hotel, montar a cavalo e, depois, um bom almoço, uma caminhada e voltar para o Rio.
Em 1939, Joaquim Rolla comprou parte do terreno da antiga Fazenda Quitandinha e encomendou ao arquiteto italiano Luis Fossati um projeto para a construção do maior cassino da América Latina. A construção começou em 1940 e foi inaugurada em 1944. Pouco depois, em maio de 1946, o Governo Dutra proibiu o jogo, dando início ao processo de falência de Rolla, um dos homens mais ricos do Brasil, na ocasião.
Em 1963, o hotel se transforma num clube, o Santa Paula Quitandinha Clube mas, pouco a pouco, perdeu sua importância.
Há alguns anos o SESC comprou o Quitandinha.
Vejam só o que um folheto de propaganda da época dizia a respeito do Hotel Quitandinha: 
“Quitandinha, unique in South America, is admirably situated in the mountains near Petrópolis. Riding, boating, swimming and sports of all kinds are allied to the comforts of a luxurious modern hotel”. 
“Quitandinha, unique en Amérique du Sud, est admirablement située dans les montagnes près de Petrópolis. On y pratique tous les sports en jouissant du confort d'un hôtel de gran luxe”. 
“Quitandinha, einzigartig in Südamerika, ist wundervoll in den Bergen bei Petrópolis gelegen. Zur Gelegenheit für allerlei Sport gesellt sich dort der Komfort eines luxuriösen Hotels”.

23 comentários:

  1. Segundo o Conde di Lido ainda hoje vale muito a pena uma visita ao Quitandinha.
    A imponência dos seus salões, corredores, boates, restaurantes, varandas, é deslumbrante. Com um pouco de imaginação a gente regride no tempo e vê homens de smoking e damas elegantíssimas desfilarem seus casacos de vison pelo hotel. Um ponto alto é a piscina interna, que foi construída especialmente para homenagear a atriz americana Esther Williams. A piscina tem formato de um piano de cauda e 5 metros de profundidade na parte de saltos. O prédio onde funcionou o hotel é lindo, emoldurado por um lago que, originalmente, tinha a forma do mapa do Brasil.
    O Quitandinha teve o primeiro palco giratório do Brasil e ali se apresentaram grandes artistas em sua época áurea.

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  2. Por outro lado, vale transcrever, na grafia original, uma crônica de Rubem Braga, de 1949, sobre o Quitandinha pós época do cassino: É uma imensa catacumba de fantasmas esse enorme hotel quase vazio, de quilometros de corredores e salões onde bocejamos com melancolia. Se querermos ir ao barbeiro, igualmente bocejamos; é tão longe! Da janela dos fundos olhamos os telhados a pique, onde jamais escorregará nenhuma neve normanda; e há uma soturna tristeza nesses telhados, nesses pateos vazios nesses terraços de cimento. Da janela da frente olhamos o lago artificial onde os barcos bocejam vazios perante uns morros devastados; o ruço desce, afunda no vale sua massa parda, alastra-se como um grande monstro informe, lento e humido.

    Vamos à piscina de agua quente, onde não há ninguem; nas paredes o vapor vai formando manchas entre os polvos e anemonas da decoração; e as prateleiras do bar estão vazias. Seria impossivel tomar um banho sozinho, talvez uma pantera humana viesse ao longo dos corredores lustrosos e silentes, com passos de seda, espreitar a nossa sombra, e urrar de subito. O hotel funciona com uma insistencia quase heróica, que o torna ao mesmo tempo lamentavel e mau. Às 2 da madrugada negam-nos o menor sanduiche, às 8 da manhã falta força para o elevador. Sabado a "boite" se enche completamente para um "show" cacete, e parece haver uma ressurreição: bebidas, musica, gente, vozes humanas falando, rindo.

    É aflitivo pensar alem, muito alem daqueles salões, alem das gaiolas onde tristes passarinhos mal pipilam e um jato de agua equilibra com preguiça uma bola de celuloide (como no tempo da mais remota infancia, no velho chafariz entre os pés de pinha) alem da triste torneira de agua radiativa jorrando passivamente há uma imensa exposição internacional com dezenas de mostruarios que se encompridam, envolvem salões sob cupolas infinitas, alastram-se pelo porão interminavel e lugubre - uma exposição que é um museu de negocios que não houve ou houve. Ah, poderíamos saber coisas de nosso imenso territorio, e de muitos países do mundo, mas tudo seria tedioso e vão, o mundo parou, nada funciona, ninguém vem olhar esse mundo que tanto trabalhou e ora agoniza entre bocejos.

    Domingo à tarde vem muita gente, casais, familias feias e ricas em "short", mas tudo tem um ar nada convincente de piquenique sofisticado e desorganizado, e de repente me precipito sem razão para uma cabine de telefone, a primeira que desocupou, pois todos foram possuidos da subita vontade de falar para o Rio, para o mundo, para alguma parte do planeta onde não haja milhares de poltronas gordas e sofás vazios, onde não haja sobre minha pobre cabeça tão imensos lustres de tão imenso mau gosto e sob meus pés tantas leguas de um piso tão encerado onde um homem decente não pode andar com despreocupação e verdadeira dignidade.

    Mas alguem fala em teatro; em alguma parte, nesta imensidão, há um teatro que neste momento e eternamente está as escuras, com um imenso palco giratorio imovel onde se joga a tragedia do vazio e da solidão.

    Bebemos uisque muito caro, e nossa cabeça tem idéias estranhas: fugir silentemente entre os raros humanos, caminhar horas e horas pelos corredores e salões, penetrar no teatro, mover as maquinas, ir para o centro do palco giratorio e ali, na escuridão, girando lentamente, dormir, sonhar, morrer...

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  3. Observador de hotéis15 de janeiro de 2017 07:49

    Bom domingo!
    Parece que em algumas partes do hotel há moradias fixas.

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  4. A crônica de R. Braga impressiona pela descrição da atmosfera de decadência e vazio. Lembrei do "A invenção de Morel" (Adolfo Bioy Casares), como se fosse uma espécie de prisão no tempo, algo muito aflitivo. Por outro lado, talvez seja uma perfeita metáfora do clima que vivemos hoje... ** Desde pequena, via o Quitandinha como algo encantador. Lembro de um passeio que fizemos - "formatura" de ginasial - e da piscina de águas mornas. ** Peralta, o implicante, tem medo de fantasma.

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  5. Mesmo depois do fechamento do cassino devia ser espetacular. Lembram daquela série publicada no SDR com fotos de todas as partes do Quitandinha feitas pela LIFE? Atividades esportivas internas e externas, os salões, as piscinas, tudo um espetáculo.

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  6. Bom dia. Rubem Braga tem "alguns momentos" de Miguel Falabella em sua crítica às instalações do Quitandinha:Já era decadente naquela época. Muitos aposentos do hotel foram transformados em apartamentos de quarto e sala e vendidos a preços módicos, basta pesquisar na internet. Quanto à proibição do jogo por Dutra inspirado por sua hipócrita e carola "D.Santinha", tal medida vem trazendo graves e funestas consequências até hoje. O próprio governo mantém as loterias de diversas modalidades e de resultados suspeitos a todo vapor. O jogo de máquinas eletrônicas existe em enormes quantidades clandestinamente para alegria de político$ e autoridade$ estaduai$. Se fosse legalizado, as receitas seriam imensas. O Quitandinha é o retrato do Brasil: Já teve o seu momento e atualmente se encontra em franca decadência e quem sabe em desagregação...

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  7. Peralta,o implicante15 de janeiro de 2017 09:53

    Tia Nalu detesta cassinos e loterias da Caixa.No "bicho" 3 x por dia.

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  8. Bom dia a todos. A cerca de dois ou três anos passados, estive visitando o Quitandinha, empurrado pela minha mulher que queria ver uma feira de produtos de fazenda, queijos, embutidos e outros. O movimento nesta feira está retratado no texto do Rubem Braga acima, o maior movimento que existia era num restaurante a beira do lago do lado de fora do hotel. Porém na minha opinião, ele só não tem uma utilização geradora de renda, justamente pela incompetência do empresário brasileiro em explorar o turismo, em qualquer País que tenha o turismo como principal fonte de renda, ele estaria funcionando a pleno vapor, gerando emprego e lucro, mesmo sem ser um Cassino, bem mas para isso é necessário dedicação diária e trabalhar duro, coisa que não é muito do gosto do empresariado deste ramo no Brasil.

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  9. Pela a descrição da crônica de Rubem Braga no plano da imaginação o Quitandinha poderia ser a versão filmada tupiniquim do filme de Stanley Kubrick, "O Iluminado". Conheci esse hotel pela primeira vez com a família em 1957 e todos ficaram impressionados com a exuberância e luxo das instalações. Em especial com a piscina aquecida, o rinque de patinação e as instalações do teatro. As cortinas de veludo do palco que eram movidas por sistema elétrico deviam ser muito pesadas. Um amigo morou por lá algum tempo quando ainda era Santa Paula Quitandinha Clube. Depois frequentei alguns bailes ou eventos, e a última vez que passei por lá foi há muito tempo para ver uma casa de veraneio para alugar na rua Uruguai, ali ao lado, exato a rua onde, recentemente, houve um deslizamento que soterrou uma casa próxima. http://diariodepetropolis.com.br/integra/deslizamento-de-solo-e-rochas-na-rua-uruguai-no-quitandinha-104482

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  10. Peralta, ó implicante maledicente, tia Nalu é pobre mas não é boba. Jogar em loteria da Caixa? Hahaha! Nem no bicho, ora, ora!

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  11. Meus pais ja falecidos o frequentaram no auge,e sempre elogiaram a beleza física e a organização do mesmo,mas era para poucos.Outro local charmoso era o Promenade Hotel. Sou sócio do Sesc e desfrutei das dependências do Quitandinha,já sob sua administração quando morei em Petropolis. Cuidam bem do espaço, que lhes coube mas sem o glamour de outrora. Pelo menos não ficou largado. Quanto ao teatro assisti algumas encenações,não sei se está ativo ainda hoje.Não deveria ter sido transformado em condomínio,mas no Brasil é assim.

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  12. Jorge, o ucraniano15 de janeiro de 2017 11:08

    Local conhecido,mas não se pode comparar com a ar marinho de Niterói.A decadência já foi comentada por vários aqui e quanto a isso nada mais a dizer.

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  13. Quem quiser ver cenas filmadas (e bem filmadas) de um apartamento do Quitandinha, veja o filme "Todas as Mulheres do Mundo" do Domingos de Oliveira, com Leila Diniz e o Paulo José. Foram feitas em locação mesmo, sem modificação do ambiente.

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  14. Ja comentei aqui que estive algumas vezes no local,sendo que em meados dos anos 80 cheguei aa passar um final de semana no local. É um lugar muito representativo de uma época e pena que esteja um tanto abandonado como mencionada.Tenho algumas fotos do local guardadas em algum canto....

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  15. Estive em visita guiada há alguns anos e vale muito! O sofá em forma de feijão, os salões aristocráticos, os tetos, tudo faz deslocarmo-nos para uma época de glamour e sofisticação!

    A piscina está fechada!!!

    Interessante o jogo de espelhos que usavam na boate(?), o cliente ficava sentado posicionado para a parede e chamava o garçon através do jogo de espelhos!

    Achei meio deprê aquela gaiola grande, no centro, acho que ali ficavam pássaros, mantiveram a grande gaiola!

    E senti falta de um bistrô ou casa de chá, ou lanchonete que seja, naquela imensa e aristocrática construção, onde pudesse fazer um lanche simples, mesmo para um café e água, só tem um mini balcão no canto, onde vc compra e vai sentar em uma poltrona do hotel no outro canto...fui com minha mãe ano passado para ela dar uma olhada, ela esteve lá em um baile há muitosss anosss! Vale ir!!!

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  16. Ao que me conste,algumas chanchadas nacionais também tiveram cenas rodadas no Hotel.Aviso aos Navegantes e É Fogo na roupa foram alguns deles.Parece que teve também um filme em que Chico Buarque participou...Nao me recordo o nome...O cenário do Hotel é muito adequado para locações pelo que conheço...

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  17. Boa tarde a todos.
    O Quitandinha para mim é a representação mor do país chamado Brasil: Grande e inoperante.
    Em qualquer país do mundo e chego aqui até a falar talvez em países africanos, com certeza teriam explorado economicamente melhor essa construção que por sinal, foi de muita canalhice o que o mareCHATO Dutra fez e acabou por falir Joaquim Rolla mas também aproveitou para continuar a alimentar da mentalidade ignorante do povo brasileiro.
    Pagamos por essa estupidez até hoje.
    Tive oportunidade de ir em cassinos na Argentina e aí é que se ver como o Brasil é uma terra atrasada em todos os sentidos que se possa imaginar.
    Como sempre os conservadores, os evanjegues, os católicos e outros mais sempre são do contra a qualquer tipo de melhoria para essa terra aqui. Até hoje continua sendo assim. Não é a toa que os caras estão tentando legalizar e a corrente conservadora está sempre a proibir.

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  18. O que passou passou. A caminho de Petrópolis vemos vários exemplos do que passou passou: Belvedere de inúmeras postagens no SDR, Quitandinha, Palácio Imperial, e por ai vai. Tudo é passado com cheiro de mofo. Lembra-me muitos as Estancias Hidrominerais em Minas Gerais. Todos os grandes Hoteis estão em decadência. Floradas na Serra só no cinema.

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  19. O Brasil é dominado há 500 anos por algumas oligarquias entremeados por períodos de alguma lucidez política muito tênues. O resultado disso é o atraso endêmico. O país é rico mas a riqueza só é para pouquíssimos: atualmente só existe dinheiro apenas para políticos e para juízes. Para essas castas o dinheiro corre à rodo sem qualquer tipo de limitação, pois os políticos votam as leis mais absurdas que a mente humana pode engendrar, sempre legitimadas e refrendadas por um judiciário cúmplice e de um ministério público pusilânime diante de sua existência criminosa. O Wolfgang tem razão em muita coisa. Até pouco temp atrás a hipocrisia católica ditava as regras, com uma moral duvidosa que abominava o divórcio mas que acobertava a pedofilia e a pederastia que campeava(?)entre grande parte de seus sacerdotes. Agora os evangélicos estão na "crista da onda", com lavanderias travestidas de "Centros de fé" que prometem milagres e curas fantásticas, sempre à peso de ouro. Tudo isso é fruto de uma população em sua maioria grosseira e estupida, uma das mais atrasadas do planeta e que deverá viver grandes convulsões sociais antes de amadurecer como nação séria.

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  20. Estive pela primeira vez no Quitandinha, em 1949, ocasião em que fui com meus pais ( de trem...)a uma exposição. Já em 1954 retornei para ver o Museu de Cera de Mme. Tuissant. A tal gaiola já estava vazia, sem a Cacatua de 1949...

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  21. Boa noite a todos.

    Minha irmã esteve este fim de semana em Petrópolis. Só não sei se passou perto do Quitandinha...

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  22. A região do Quitandinha era até 1928 os "fundos" de Petrópolis, pois a entrada era no local chamado "alto da serra", junto à E.F Leopoldina. Com a inauguração da estrada Rio Petrópolis naquele ano, a região do Quitandinha passou a ser porta de entrada.

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