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quarta-feira, 28 de junho de 2017

CATUMBI


A foto 1 é do acervo do Correio da Manhã e a foto 2 é de autoria do pai do Andre Decourt.
 
Corria o ano de 1967 e o Estado executava grande desapropriação no Catumbi. A Comissão de Moradores, encabeçada pelo padre Mário e com sede na Igreja N.S. do Salette, se opunha, fazia manifestações, pendurava faixas.
 
A rua desta foto parece ser a Emília Guimarães. Outras ruas como Coqueiro, Dr. Agra, Bento Salgueiro, Chichorro, Pedro Mascarenhas, Van Erven, Valença, Padre Miguelinho, José Bernardino e João Ventura também protestavam contra o Estado.
 
Em 1947, durante o Governo Dutra, na administração do prefeito Ângelo Mendes de Moraes, começou a construção do túnel Catumbi-Laranjeiras, como parte da Linha Lilás, iniciativa que resultou num plano de alinhamento e projeto de alargamento das ruas do Catumbi. As obras ficaram paralisadas por 14 anos, mantendo em “suspense” os moradores.
 
Em 1961 as obras recomeçaram e o bairro começou a se valorizar pela possibilidade de ficar mais próximo de Laranjeiras, Copacabana, Botafogo e Cosme Velho. A população alegava que o Estado pretendia desapropriar todo o Catumbi a baixo preço para depois revender por somas fabulosas.

O texto da segunda foto é do Decourt: “Essa foto faz parte de um razoável conjunto de imagens onde meu pai à época como um dos arquitetos responsáveis pela expansão do sistema viário da cidade tentava preservar uma parte do conjunto urbanístico do Catumbi e Cidade Nova da destruição que era planejada no local.

Vemos em primeiro plano a esquina das ruas do Catumbi com João Ventura. Nessa época a Rua do Catumbi era um das vias de descida do transito do Túnel Santa Bárbara, tendo ganho alguns elementos do mobiliário urbano do túnel como o sistema de iluminação por luminárias que usavam lâmpadas fluorescentes, as quais nessa imagem não aparecem.”

No final o que aconteceu foi uma grande destruição do bairro do Catumbi.

PS: interessantes o Gordini e o Corcel dos primeiros tempos.

terça-feira, 27 de junho de 2017

ONDE É?


Este era um belo abrigo onde nos dias de chuva ou de canícula intensa os passageiros dos saudosos bondes aguardavam condução.

Todo ele metálico, era uma obra de arte a par de sua grande utilidade. Os bondes acabaram. Mas lá ficou o abrigo como uma saudade. Acontece que em 30/11/1967, data da foto, tal abrigo estava abandonado.

Onde é?


domingo, 25 de junho de 2017

EXPO DE 1908





A Exposição Nacional, realizada na Praia Vermelha, Zona Sul do Rio de Janeiro, em 1908, entre os morros da Babilônia e da Urca, pretendeu, além de comemorar o Centenário da Abertura dos Portos, mostrar para o mundo, a beleza e as qualidades da moderna capital da jovem República brasileira.
 
Depois das reformas de Pereira Passos, a cidade estava pronta para representar o Brasil e exibir toda a sua exuberância. A intenção era atrair o olhar estrangeiro, visando buscar libras e francos para consolidar, ainda mais, a Independência.
 
Em menos de um ano construíram-se imponentes edifícios para abrigar estandes exibidores da produção econômica brasileira. Montaram-se dois restaurantes, um teatro, cervejarias e café, além de uma pequena via férrea, para que o público pudesse locomover-se em trenzinhos.
 
Nesta época, a revista Kosmos registrou a admiração geral da população: "Parece-nos ainda um sonho este inesperado aparecimento da pequenina cidade de palacetes nas areias da Urca. É a grandiosa feira nacional, que o presidente Affonso Penna organizou, sob o louvável pretexto de comemorar o Centenário da Abertura dos Portos do Brasil ao comércio mundial". O governo Affonso Penna, embora curto, foi uma administração de muito trabalho e de realizações
 
Pouco restou desta Expo 1908. O Colégio Minas Gerais, embora bem modificado, é um dos pavilhões que sobreviveu. O Palácio das Indústrias voltou a ser unidade militar e foi bombardeado quando da Intentona Comunista. O Pavilhão das Máquinas hoje é um prédio da UNIRIO.
 
Em 2010 realizou-se no Centro Cultura dos Correios a interessantíssima “UM BRASIL EM EXPOSIÇÃO”. Foi uma mostra destinada a “divulgar a Exposição Nacional de 1908, que reuniu em mais de 30 pavilhões a história, a economia e a cultura do país, revelando o Brasil, sua diversidade e seus contrastes, pela primeira vez em toda a sua complexidade. O objetivo deste evento foi mostrar ao público essa 'descoberta do Brasil pelos brasileiros' e o que significou essa enorme feira - com sua vistosa arquitetura efêmera concebida nos mais diversos estilos construídos na Praia Vermelha. Se o Brasil, então jovem República, havia consolidado o Rio de Janeiro, após a modernização empreendida pelo Prefeito Pereira Passos e pelo Ministro Lauro Müller como sua maior expressão, a Exposição Nacional celebrava o processo de inserção de todo o país em um modo de vida urbano, industrial e cosmopolita. Além dos estados da Federação, diversas instituições públicas se fizeram representar na Exposição, como a EMPRESA de CORREIOS e TELÉGRAFOS, que abrigou, em uma área de 150m2, uma agência postal e uma estação telegráfica. UM BRASIL EM EXPOSIÇÃO exibiu fotos, cartões postais, catálogos, comentários de cronistas e relatórios de época, e se estruturou em módulos temáticos que abordam o processo da concepção, construção e inauguração da Exposição Nacional, vitrine do Rio de Janeiro da Belle Époque e seu progresso. O evento permitiu que o público do século XXI aprofundasse seus conhecimentos não só sobre a história da cidade, mas sobre os hábitos e as instituições culturais da época.”
 
A primeira foto é do acervo de Laurent Antoine LeMog, a segunda é do acervo de George Ermakoff, a planta da Expo foi enviada por meu amigo Hugo Hamann, as coloridas são de um livro patrocinado pela Siemens, autoria de Gerodetti & Cornejo.
 


sábado, 24 de junho de 2017

DO FUNDO DO BAÚ: CONCURSO SHERLOCK HOLMES


Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá saem estas lembranças, citadas ontem aqui pelo prezado Menezes, sobre o S.E.M.P.R.E. e sobre o Concurso Sherlock Holmes do Saudades do Rio. Além da foto do diploma do ganhador Andre Decourt (ao qual o “Saudades do Rio” parabeniza pelo aniversário na data de hoje) vemos a entrega dos prêmios aos vencedores.
 
Ainda antes do tempo do Google Maps e do Google Earth, descobrir o local das fotos publicadas era um desafio e tanto.
 
Com a inestimável ajuda do Helio Ribeiro grandes especialistas em Rio de Janeiro fizeram comentários e abrilhantaram o concurso que, em minha opinião, serviu para estreitar os laços de companheirismo entre os que habitualmente frequentam o “Saudades do Rio. Conforme estipulado no regulamento, os vencedores receberam diplomas (feitos pelo Conde di Lido) e prêmios:
 
DIPLOMAS:
1º lugar: “Sherlock Holmes” = Andre Decourt – 67 pontos
2º lugar: “Columbo” = JBAN – 60 pontos
3º lugar: “Hercule Poirot” = Lino Coelho – 51,5 pontos
4º lugar: “Maigret” = Mauroxará – 41,5 pontos
5º lugar: “Adam Dalgliesh” = Menezes – 38 pontos
 
1º lugar entre as mulheres: “Miss Marple” = Valéria – 14 pontos
Último lugar: “Inspetor Closeau”
Demais participantes: “Menção honrosa”
 
PRÊMIOS:
 
  • A Imprensa na História do Brasil – Oswaldo Munteal e Larissa Grandi
  • Bastidores do Municipal – Bruno Veiga
  • Flagrantes do Passado nº 2 – Rio Cidade Cosmopolita
  • Rio de Janeiro – Um álbum da cidade feito por fotojornalistas
  • Rio no Cinema – Antonio Rodrigues
  • Rio, Capital da Beleza – Geza Heller, Bruno Lechowski e Peter Fuss
 
FESTA DE ENTREGA DE PRÊMIOS:
Foi realizada no dia 10/01/2011, segunda-feira, às 19h30min, Degrau, no Leblon. Não tenho a lista completa dos comentaristas que compareceram mais foram quase trinta que nos deram este prazer.
 
DEMAIS PARTICIPANTES:
Joel Almeida com 35 pontos
Rafael com 27 pontos
Docastelo com 25.5 pontos
Francisco Amaral com 24 pontos
Marcelo Carioca com 19 pontos
Colaborador Anônimo com 18,5 pontos
Valéria com 14 pontos
Conde di Lido com 12 pontos
Wagner Bahia com 10 pontos
Afrânio e Ana com 8 pontos
Belletti, Derani e Senna com 7 pontos
Etiel, Milu, Oswaldo Mendez, Rapaz Sério e Vizinho da FAETEC com 6 pontos
Alex com 5,5 pontos
Daniel Brito com 5 pontos
Laerte, Ricardo Galeno e Sabe-Tudo com 4 pontos
Candeias, Christiano Avellar, Eliane Brandão, João Carlos, Lavra, Marcelo Almirante, Plínio e Tumminelli com 3 pontos
Antolog, Aurélio, Cristiano Marinno, Leandro, Luiz Flavio, M. Lobo, Marcio Valente e Renato com 2 pontos
Carlos Siqueira e Nalu com 1 ponto
Alcyone, Alice, André Mauricio, Bárbara Regina de Abreu, Caio, Evelyn, Francisco Carlos, Gilberto Negreiros, Gitano, GMA, Henrique Hübner, Jaime Moraes, Kátia, Leonardo, Manitu, Miguel, Milton Gomes, Paser, Pedro Cesar, Pgomes, Raposão, Roberto Nascimento, Rochacampos, Rômulo Lima, Sara, Sergio Veiga, Silvio, Waltinho e WHM não pontuaram.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

RUA DO RESENDE nº 128


Foto do acervo do prezado Mauricio Lobo, do Tempore Antiquus, provavelmente da década de 20 do século passado. Como tem tudo a ver com algumas postagens desta semana no “Saudades do Rio” reproduzo-a aqui com os comentários dele acrescidos de mais algumas informações.
 
Em 1903, Oswaldo Cruz assume o cargo de diretor geral da Saúde Pública, com a proposta de erradicar as três principais doenças pestilenciais do Rio de Janeiro: a febre amarela, a peste bubônica e a varíola.

Para isto, entre outras coisas, propõe a construção da sede da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), na Rua do Resende nº 128. O projeto, de estilo eclético, é do arquiteto Luiz Moraes Júnior, o mesmo que projetou o Pavilhão Mourisco, em Manguinhos.

As obras foram iniciadas em 19 de novembro de 1905 mas, devido a percalços pelo caminho, só foi inaugurado em 18 de março de 1914.

Em 1939 o prédio passa para o controle do município do Rio e, apesar de ter sido tombado somente em 1991, resistiu praticamente ileso até os dias de hoje.
 
Em 1952, quando o prédio abrigava o Serviço Nacional de Tuberculose, foi inaugurada placa que assinalava o imóvel com o nome de “Casa de Oswaldo Cruz”. O velho prédio, cuja construção se deve ao saudoso sanitarista, foi inteiramente reparado, ao mesmo tempo que o jardim fronteiro ao belo busto de Oswaldo Cruz foi remodelado, dando maior destaque ao monumento. Obra do mestre Correia Lima, o busto foi inaugurado em 1918, por iniciativa do então diretor, o professor Carlos Seidl. Representa o cientista ilustre como numa poltrona, os dois braços apoiados, tendo nas mão um livro, em atitude de meditação.
 
No pedestal de granito, numa placa de bronze, lê-se: “A Oswaldo Cruz, homenagem do pessoal da Diretoria Geral de Saúde Pública – 23-III-1903 – 19-VIII – 1909”,
 
A “Casa de Oswaldo Cruz” ficará como um templo da saúde pública, sendo plano centralizar-se ali a sede da Sociedade Brasileira de Higiene.
 
Neste endereço também funcionou o Laboratório Noel Nutels, referência para tratamento de AIDS e vacinação anti-rábica no Rio.
 
Atualmente pertence ao INCA – Instituto Nacional do Câncer.

PS: a Rua do Resende começa na Rua do Lavradio e termina na Rua Riachuelo. Foi o Vice-Rei Conde de Resende, D. José Luís de Castro quem resolveu estabelecer uma comunicação entre as ruas de Matacavalos e Lavradio, cordeando uma nova rua nos pantanais da chácara de Pedro Dias Paes Leme. Em 1796,  ainda não havia nenhuma edificação ao longo desse caminho, então chamado dos Arcos, por ser seguimento da Rua dos Arcos. Em honra do Vice-Rei, a partir de 1798, o Senado da Câmara deu-lhe a denominação de Rua do Resende, que conserva até hoje. D. José Luís de Castro, 2º Conde de Resende, foi o 5º Vice-Rei do Brasil. Tomou posse em 09/07/1790 e governou até 14/10/1801, quando passou o governo a D. Fernando José de Portugal, depois Marquês de Aguiar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ENCHENTES





Definitivamente nossos políticos nos consideram a todos uns idiotas. Após o caos instalado no Rio por conta das chuvas de anteontem o Sr. Prefeito disse que “a cidade passou bem pelo teste”. Já o Sr. Secretário de Ordem Pública afirmou que não avisou à população do que estava por vir “para não causar pânico”.
 
Fico imaginando o que eles diriam em casos de um furacão, de um incêndio de grandes proporções ou algo semelhante...
 
E o descaso vem desde sempre, como bem sabemos. Obras de infra-estrutura como manutenção preventiva raramente são realizadas. As enchentes em caso de qualquer chuva, às vezes até de média intensidade, causam os alagamentos costumeiros, com grande transtorno para a população.
 
A primeira foto de hoje, do Correio da Manhã, mostra um fusquinha enfrentando bravamente um alagamento em Copacabana, na Rua Tonelero, em 1967.
 
A segunda foto, de Evandro Teixeira, é famosa e mostra a enchente da Rua Jardim Botânico em 1988.
 
A terceira foto, de Bippus, é da enchente na Rua Senador Vergueiro no início do século passado.
 
A quarta foto é na Rua do Senado.
 
E vamos parar por aqui por falta de espaço para tantas fotos semelhantes.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

INSTITUTO DE HEMATOLOGIA


Foto do acervo do Hemorio mostrando a primeira sede do Instituto de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti. Foi inaugurada em 25/11/1944, em um prédio de estilo neoclássico, à Rua Teixeira de Freitas, na Lapa, na administração do Prefeito Henrique Dodsworth. Desde sua fundação e por muitos anos foi dirigido pelo Dr. Arthur de Siqueira Cavalcanti.
 
Foi um dos pioneiros bancos de sangue no país e, desde aquela época, apresentava características de hemocentro devido à distribuição de hemoderivados aos hospitais de emergência. Realizava campanhas sistemáticas de doações voluntárias de sangue para os nosocômios municipais, com a única finalidade de se manter sempre em estoque reservas de sangue para casos de emergência.

Em 1956, a partir de debates iniciados na gestão do Prefeito João Carlos Vital em 1952, o Banco de Sangue foi transformado no Instituto de Hematologia. Três anos depois, após cessão de área obtida pelo Hospital Pedro Ernesto, foi instalado o Serviço de Hematologia com internação hospitalar.
Em 1969, foi concluída a obra do novo prédio em um terreno desapropriado ao lado do Hospital Souza Aguiar e o hospital passou a se chamar Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (HEMORIO). Sete prédios da Rua Frei Caneca foram desapropriados para a construção do novo edifício que teria um subsolo e onze pavimentos, seis dos quais destinados à parte industrial para a preparação do plasma sanguíneo. Um andar para hospitalização com 36 leitos, uma parte completa para o doador de sangue, serviços de radiologia e radioterapia, parte cultural composta de biblioteca, salas de aulas e auditório, apartamentos para médicos e, no último andar, um biotério de animais para testes de laboratório. O projeto ficou a cargo do arquiteto Flavio G. Barbosa e do engenheiro Rui de Sousa Leão.
As novas instalações permitiram passar de 30 para 50 toneladas de sangue disponibilizadas anualmente para os hospitais. A grande vantagem do novo Instituto de Hematologia é que com ele a Secretaria de Saúde entrou na linha propriamente industrial que permitirá a auto-suficiência do fornecimento de todas as substâncias isoladas de sangue, o que o Estado ainda não havia conseguido, inclusive a gamaglobulina, o fibrinogênio e a albumina.