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sexta-feira, 26 de maio de 2017

TEATRO LYRICO





As fotos de hoje mostram o Teatro Lyrico, que apareceu ao fundo de uma das fotos de ontem. Ficava no entroncamento das ruas Senador Dantas e Barão de São Gonçalo (atual Almirante Barroso). Alguns textos dão o endereço como sendo na Rua da Guarda Velha (atual 13 de Maio) nº 10. Outros dão como sendo no nº 56.
 
Construído em meados do século XIX como Circo Olympico (1857), por despacho imperial de 1875, o Theatro D. Pedro II passou a chamar-se Theatro Imperial D. Pedro II até 1890. Nesse ano, em 25 de abril, passa  a chamar-se Lyrico, nome pelo qual se tornou mais conhecido. Alguns autores dão como 1904 o ano do início das atividades do Teatro Lyrico, mas acredito que este deva ter sido o ano de alguma reforma. Foi demolido em 1934.
 
Curiosamente o historiador Luiz Edmundo descreve o teatro como "o melhor teatro da cidade é o Lyrico, uma ruína dourada, mostrando uma reles entradinha de ladrilhos, cercada de espelhos muito velhos, muito sujos, muito enodoados e uns porteiros de apresentação grotesca..."
 
Era o melhor da cidade do Rio de Janeiro antes da construção do Teatro Municipal.
 
Alguns dados sobre o teatro:
Lotação: contava com 1400 cadeiras de plateia e com diversas ordens de camarotes: 42 camarotes de 1ª com 5 cadeiras; 42 camarotes de 2ª com 5 cadeiras; 2 camarotes de 3ª com 5 cadeiras; 252 galerias, 168 “fauteuils” de varandas, além da Tribuna Imperial. Isto dava um total de 2500 lugares.
 
Neste teatro se apresentaram, entre outros, Tamagno, Caruso, Sarah Bernhardt, Toscanini (que pela primeira vez regeu uma orquestra em sua vida), Mistinguette e Maurice Chevalier.
 
Nota: o mapa acima mostrado foi garimpado pelo Derani e é de 1915.

14 comentários:

  1. Era enorme mas deve ter sofrido com a concorrência do teatro Municipal a partir da primeira década do século XX. Acho que o gênero teatro perdeu muito com os avanços dos recursos técnicos do cinema, além das novas tecnologias como DVD, Blue-Ray, Now, Netflix e outros. Atualmente acho a maioria das peças sem graça, além de terem um ingresso caro.

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  2. Por oportuno transcrevo mensagem do Professor Hermelindo Pintáfona:

    Teatral Guardião Cultural Carioca, Lírico Observador da Evolução de Nossa Urbe, Iconográfico Personagem Guanabarino, Incólume Viajante Aeronáutico, Culto, Douto e Ilustre Dr. D´,

    Pejado de Júbilo e Regozijo retorno ao convívio fraterno do insigne confrade, respeitosamente adentrando ao seu sítio internético de convívio virtual, fórum de notáveis, onde a evolução de nossa Sebastiana Urbe é diuturnamente debatida, e onde o saber pulula e abunda como brotos vigorosos no tronco da árvore do conhecimento. Agrego-me em coro uníssono aos seus incontáveis seguidores, acólitos, discípulos, pupilos, aprendizes, visitantes, agregados, afeiçoados, apaixonados, freqüentadores furtivos, lascivos, incorpóreos e extemporâneos, para lançar-lhe aos pés um tapete encarnado e pousar sobre sua privilegiada fronte os merecidos louros da vitória sobre a ignorância.


    Rogo vênia ao douto amigo por minha súbita ausência mas, a rogo do Kanzler Otto Von Bismarck, desloquei-me para terras Germânicas a fim de completar o meu profundo e abrangente estudo da influência do desporto bretão na psique humana. O material ali colhido foi assaz revelador e perturbador. Sua revelação causará imenso impacto nas áreas da Psicologia e Psiquiatria.

    Após receber o chamado via cabograma diretamente de Berlin, convoquei o nosso fiel Álvaro e pedi-lhe que preparasse nossas bagagens para a longa jornada. Auxiliado por minha viajante assistente, a fugidia Mme Simmons, separamos livros e compêndios, além de uma garrafa de aguardente para presentear o velho amigo Otto.

    Bem cedo tomamos nossa caleça até a estação D. Pedro II e subimos ao comboio para Santa Cruz, de onde partimos a bordo do portentoso dirigível rígido Graff Zeppelin em uma vertiginosa viagem de 3 dias à Alemanha. A jornada foi deveras agradável, seja pela novidade do transporte inusitado, seja pelas belas vistas que se descortinavam das janelas da cabina de passageiros. Minha registradora assistente, a fotográfica Mme Simmons, não se cansava de capturar em sua câmera, instantâneos de todas as etapas de nossa aventura aérea. A bordo, fizemos várias novas amizades, em especial o Cardeal E.Bertoni, que se dirigia à Santa Sé para tomar posse em importante cargo no Vaticano. O alegre e vivaz Cardeal, bom garfo e bom copo, alegrou-nos com histórias picantes de sua juventude passada no Hotel Palace, na distante Sacopenapam.


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  3. Teatro?É com Tia Nalu.Adora os fantoches de Brasília.

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  4. Uma vez em solo tudesco assistimos a vários matches e coletamos riquíssimo material de pesquisa, embora tenhamos também presenciado o naufrágio do "team" nacional tema sobre o qual declino de comentar, por minha idade avançada e saúde frágil.

    Douto Luminar, a visão do belo teatro Lyrico traz-me lembranças fortes e vívidas, como se ontem houvessem ocorrido. Quando jovem mancebo, freqüentei muito suas galerias e tive o privilégio de assistir a espetáculos memoráveis como o cantor francês Le Tutu Minelli, bisavô da atriz norte-americana Liza Minelli e da cantora lírica Ítalo-Tijucana Nana La Frusca. Sua interpretação na Ópera "Joana de Flandres", de Carlos Gomes, levou-me às lágrimas. Lembro-me também das coristas e bailarinas a quem fazíamos a corte, e com quem, caso tivéssemos sorte, saíamos furtivamente para alguma pequena estalagem nos arredores da Rua da Carioca.

    Estimado amigo, recolho-me agora à minha modesta biblioteca. Esta longa viagem deixou-me fatigado e tenho a correspondência e a leitura atrasadas.
    Minha maternal assistente, a carinhosa Mme Simmons, avisa-me que o lanche foi servido. Um copo de leite morno e algumas bolachas com requeijão.


    Despeço-me Retratado, Interpretado e Destruído,


    Seu Criado,


    Dr. Hermelindo Pintáfona.

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  5. Houve necessidade de ser demolido? Hoje viraria casa de show ou igreja.

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  6. Moleque Travesso, em Brasília o que está sempre em cartaz é o Grand Guignol. O gênero faz tanto sucesso que já se espalhou por todo o país.

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  7. Este historiador Luiz Edmundo era dos meus.

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  8. Boa tarde a todos.

    A ruazinha à esquerda na primeira foto seria a Senador Dantas?

    O teatro, assim como a Imprensa Nacional, foi vítima de uma das inúmeras reurbanizações do Largo da Carioca.

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  9. ótimas fotos. Favor ver que o Teatro Municipal, em sua "historia", publica essa foto como sendo da inauguração do TM. Questionei gentilmente o pessoal do Teatro, e houve certa perplexidade. Confiram a nona foto no site a seguir:
    http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/sobre/historia/

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  10. Retificando. a foto é diferente!!!
    Hoje vou ao teatro Municipal assistir Pilobolus (ótimo balé) e checo as mudanças.

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  11. Boa tarde a todos. Como não me engano com a nossa história, e com o revanchismo de nossa Republica Chiquita Banana Macaquita Sulamericana, a demolição do Teatro Lyrico se efetivou com o objetivo oculto de fazer desaparecer marcas da monarquia. Como o próprio texto frisa, primeiro deixou-se a boa baiela a sua manutenção e conservação, quando esta apresentava sinais claros de nojeira, estava ali o motivo para a demolição do Teatro, assim como vimos acontecer com outros prédios históricos no País. E se olharmos a fachada deste Teatro a sua arquitetura é mais elaborada e maior do que o Teatro Scala de Milão, porém este, lá está conservado e apresentando espetáculos de toda a natureza, sendo ponto turístico importante da cidade.

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  12. Muito legal!
    O GMMAA é o GMA? Pilobolos? Capaz de você encontrar com Pintháfonus e sua caleça, apreciador que deve ser o m professor de tão sensível e delicado espetáculo, não sem antes ter lanchado na Confeit La Lètte.

    Quanto a mim, fui mesmo de Gotsha, showzaçoo, há dois dias, só "musícão", discotèque, anos 70! Cantora em ótimo ponto da carreira, voz, timbre, presença cênica, carisma! Merecia mais destaque e divulgação!

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  13. Boa tarde. Seria interessante se o teatro Lyrico estivesse ainda de pé, a poucos metros do Teatro Municipal, mas duvido que a cidade pudesse comportar esses dois teatros quando se sabe que a arte no Brasil não tem a valorização devida. Aliás, além do Municipal, do João Caetano, e talvez do Carlos Gomes, não existem grandes teatros na cidade. O Lino Coelho disse bem sobre conservação de prédios históricos, o Monroe que o diga. Não há público suficiente no Brasil para a manutenção de muitas salas de espetáculo simultaneamente como no passado. Muitos são os fatores, mas o econômico e o cultural são os principais.

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  14. Tenho um pressentimento que os conhecimentos assimilados em relação a influência do esporte bretão na psique humana foram depositados diretamente na Gávea.

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