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quinta-feira, 20 de julho de 2017

SEARS

Com esta fotografia de 1965, inédita para mim, relembramos a SEARS.  Deve ter sido um dia de liquidação dada a multidão que vemos.
Foi um choque de modernidade em nossa cidade na época da inauguração em 1949, com um conceito de loja que já existia nos EUA desde o século XIX com a Bloomingdale de NY.
Segundo o prezado Rafael Netto e outros comentaristas do "Saudades do Rio" a SEARS era assim:
 1º piso: vestuário, perfumaria e acessórios. Na entrada da Praia de Botafogo era moda feminina, da escada rolante para trás, seção infantil do lado da rua Alfredo Gomes e masculina no fundo da loja.
 2º piso: brinquedos, seção automotiva, esportes/camping, bonbonnière, utilidades domésticas, fogões/geladeiras e cozinhas planejadas (e mais alguma coisa que eu posso estar esquecendo) A seção automotiva era no "canto" onde ficava a entrada do estacionamento. Entrando na loja a área esportiva/camping e em frente a ela a seção de brinquedos (com a parede tomada de bonecas até o alto). Em frente à escada rolante ficava a bonbonnière (com a famosa pipoca) e do outro lado utilidades domésticas. O fundo da loja (a parte virada para a Praia de Botafogo) eram as cozinhas planejadas.
 3º piso: Discos, som/TV, tapetes, decoração e móveis. Caixa central e lanchonete. A escada rolante acabava deixando um grande vão livre, a parte do fundo (na direção do estacionamento) era a enorme seção de móveis (acho que não existe nenhuma loja atual que tenha algo parecido), de um lado da escada rolante discos e som/TV, do outro decoração e tapetes. A caixa central era virada para a Praia de Botafogo, com janelas. A lanchonete ficava no caminho entre a caixa e a escada que descia até a entrada da Praia de Botafogo e fechou nessa época.
 4º piso: escritórios (folha de pagamento, contabilidade, gerência geral, etc.)
 5º piso: depto. pessoal, refeitório
 6º piso: telefonista, dentista e outras utilidades
 7º piso: estoque
 8º piso: restaurante A Camponesa (fechou por volta de 1980) e estoque
P. Stilpen já lembrou de duas coisas interessantes: uma máquina que permitia que você visse seus pés dentro de um sapato (como raios X) que desejava adquirir. E do show do Roy Rodgers e da Dale Evans, no estacionamento do 2º andar, com entrada, hot-dogs, pipoca e Coca-Cola grátis. Creio que em meados da década de 1950.
O JBAN já mencionou a doca de carga na fachada lateral para a Rua Alfredo Gomes. Todos os dias entravam aqueles caminhões verdes de marcha-a-ré para descarregar mercadorias, sem atrapalhar o trânsito.
O Plinio certa vez falou sobre o estacionamento do segundo andar: "Mal o carro parava eu já saltava correndo para abrir aquela pesada porta (pelo menos para as crianças) que dava entrada à loja, bem junto de onde se vendia pneus. Brincar na escada rolante, tomar Coca-Cola com torrada Petrópolis na lanchonete, tudo era divertido."
 
Cristina Coutinho sentia falta do "cheiro de pipoca, do friozinho do ar condicionado e das subidas e descidas pelas escadas rolantes que nos transportava para variados mundos, tudo isso, tão marcante, faz com que até hoje me refira à "rua da Sears", ao "shopping no lugar da Sears". Tenho uma foto com o Papai Noel da Sears. A última compra que fiz foi uma bicicletinha de presente para um filho. Comprei às vésperas de seu fechamento."
 O Richard disse: "Memória olfativa é das melhores que ficaram. Lembro-me bem do aparelho de Raio X para se ver o pé dentro do sapato. Era o máximo! Calça jeans da Sears, ferramentas Craftsman (marca própria), pipoca e milhões de outras coisas faziam essa loja ser a melhor!"
FlavioM: Alguns detalhes que pedem destaque, porque eram quase exclusividade da Sears: os equipamentos de som para carros, a seção de ferramentas, o "clube do disco" (ou coisa parecida), acumulando créditos para compra de um disco grátis a cada 10 (era isso?), os boxes para instalação dos pneus, ao lado das baias de descarga, os descontos fantásticos quando eles resolviam renovar o estoque ("Semana do Tapete", p.ex.), milk-shake ou waffles na lanchonete, uma das maiores áreas de brinquedos da cidade, e vai por aí afora...

27 comentários:

  1. Do friozinho eu não esqueço, da pipoca, muito bom ler tudo isso. Na foto, um festival de Renault, mas desconfio que só o do meio seja Gordini. Os dois outros devem ser Dauphine com friso colocado. A suspeição vem da roda, que só tinha furos no Gordini, como da luz da placa, que era cromada. O Fusca claro é 63, com luzes bicolores e nariz na luz de placa e, na frente do outro Fusca, está um Standard Vanguard preto. Se valesse chute, o carro lá na frente poderia ser um Mercedes...

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    1. "A suspeição vem da roda...". A frase lembrou a suspensão instalada nesses Renaults, chamada de "Aerostable". Equipava os Dauphines, Gordinis e os "nervosos" 1093, cada um com suas características mecânicas. Os primeiros usavam propulsores tão anêmicos que em havia situações em que era necessário engatar a ré para subir certos aclives. No segundo ficou famoso o "reclame" "40 HPs de emoção" para saudar um ligeiro acréscimo de potência (41 HP). E no terceiro, com pretensões esportivas, o uso do chamado "kit 1000", um ligeiro aumento na cilindrada que obrigava ao proprietário a usar a poluente gasolina azul, plena do aditivo chumbo tetraetila. Tudo isso para promover um carrinho que terminou por ser popularmente conhecido como "Leite Glória", aquele que desmanchava sem precisar bater. Fora serem os primeiros a empregar os freios a discos no final dos anos '60, eram frágeis, desconfortáveis e com uma forte tendência sobreesterçante devido ao motor e tração traseiros. Difícil imaginar que ainda provoquem saudades a não ser nos empedernidos nostálgicos.

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    2. (correção)...que havia situações...

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    3. Meu pai era um infeliz " viciado" nesses carros. Desde o "primogênito" Dauphine 62 ate o "Gordini IV. Com o primeiro subia nos idos de 62/63 a Grajaú - Jacarepaguá sem problemas. Excetuando-se a quase colisão com o bonde 90 no Tanque em 63, o carro nunca de problema. Na época das "vacas magras" em 68, teve um "Teimoso" cinza que nem marcador de combustível possuía. Mas carro naquele tempo era pra afortunados e não para favelados como atualmente. Até nisso o Brasil oferece "oportunidades" para todos

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  2. Bom dia. Em 1965 eu morava em em Botafogo e muito fui à Sears com meus pais e era uma diversão. A seção de "caça e pesca" era variada e eu gostava mesmo era do setor que comercializava "arcos, flechas, facas", etc... Mas um detalhe me chama atenção na foto: O ano não é certamente 1965. A ausência dos trilhos de bonde e dos cabos de sustentação de energia elétrica dos "Trolley-Bus" comprovam isso. Eu descia diariamente na praia de Botafogo na hora do almoço quando voltava do Instituto de Educação e ainda havia trilhos de bonde. Eu tenho uma foto dessa região de 66/67 com trilhos e cabos para o ônibus elétricos. Mais adiante, quase na esquina da Voluntários da Pátria, existia nesse ano de 1965 um "comitê eleitoral" do candidato a governador "Flexa Ribeiro e que distribuía flexinhas douradas para serem utilizadas como broche. Como minha mão era professora estadual, volta e meia pegava algumas flexinhas para distribuir. Mas quem se elegeu governador em 1965 foi Negrão de Lima. Naquele tempo não havia "urna eletrônica e as eleições não eram uma fraude como atualmente.

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  3. Bom Dia! Vou ampliar a foto, e ver se encontro alguém conhecido.

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  4. Bom dia a todos. Esta loja era fora da minha jurisdição, logo mais uma vez vou ler os comentários daqueles que tiveram o prazer de frequentá-la com assiduidade diária. Acho que só entrei umas 2 ou 3 vezes nesta loja.

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  5. Bom dia a todos.

    No momento em que escrevo, ainda não aparecem os outros comentários. A foto mostra fuscas e gordinis dividindo o cenário.

    Só fui conhecer o prédio já na atual identidade de shopping. Fui frequentador contumaz até 2012. De lá para cá, vou esporadicamente.

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  6. na minha época, espingarda de chumbinho....

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  7. Bom dia a todos.
    Esse é o tipo de postagem que me emociona e dá saudades fazendo coro com o blog Saudades do RIO.
    Sears era de um tempo em que as grandes lojas de departamentos era a moda e parecia ditar do futuro.
    Confesso que a Sears eu não era frequentador. Fui frequentador sim da Mesbla e das Lojas Americanas que hoje em dia, virou um verdadeiro Shopping Favela.
    As grandes lojas de departamentos eram de um tempo em que os chineses ainda eram vistos como povos enigmáticos com toda sua cultura e, pasmem, mesmo na época de Mao Tse Tung, ainda não eram encarados como a grande ameaça ao mundo como nos dias de hoje onde em cada esquina e em cada canto do Brasil e do mundo há um chinês e que virou um povo símbolo da pirataria. Por favor isso não é xenofobia. É apenas uma constatação.
    Sears, Mesbla, Sandis, Slopper, Lojas Americanas, Lojas Brasileiras, assim como as americanas contadas pelo Luiz como Bloomingdale e a Macy's, ambas de Nova York, fazem parte de um tempo que infelizmente não volta mais.
    Dá pena de ver as Lojas Americanas de hoje em dia, bem como também o entorno da Slopper.
    É. Isso é o que dá ficar velho. Jovem não passa por isso, sofrendo por relembrar passado.

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    1. Wolfgang, as lojas Americanas viraram uma grande feira, com um péssimo atendimento, estoques vazios, e atendentes "padrão McDonald's". As penas para o crime vulgarmente chamado de "pirataria" são ridículas, daí a enorme quantidade de chineses no Brasil. Os crimes contra o patrimônio igualmente possuem penas deploráveis. Muita gente furta para comer! Recentemente um cidadão furtou alguns biscoitos e um kg de açúcar no Extra foi apanhado pelos seguranças e quiseram espanca-lo. Intervi e exigi que o soltassem, pois era um faminto. Se quiserem prosseguir, que o fizessem "na forma da lei". Essas contradições é que destruíram o Brasil. Alguém tem noticias de algum político COM MANDATO ELETIVO? Nem eu...

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  8. Ué,meu comentário tomou Doril? Grande espanto!!!!

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    1. Belletti, não vi seu comentário que teria tomado Doril. Aqui não apareceu nada.

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  9. A foto mostra carros estacionados nos dois lados da rua. Poderia ser na transversal, Professor Alfredo Gomes? Também tinha vitrines.

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  10. Bem observado. As pessoas nas filas estariam em direção à Praia de Botafogo, onde ficava a entrada principal.

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  11. Comentei que estive neste local uma vez,lá por meados da década de 50,mas são poucas as lembranças,até porque foi uma passagem rápida.Estava em dúvida se o terceiro carro era também um Gordini/Dauphine,mas o Biscoito já mandou ver.Penso não ter enviado o comentário ou feito alguma atrapalhada e FF: outro empate.Dois pontos dos nove disputados com 2 jogos em casa. É complicado.O Coritiba é o próximo e perdeu de4,com troca de técnico.Eu sou vc amanhã?Cartas para a redação.

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  12. Peralta,o implicante20 de julho de 2017 12:13

    Tia Nalu estava lá.Vai até a liquidação de dentadura...

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    1. Peralta, moleque chato e implicante, tia Nalu adorava a Sears. Mas nunca vi liquidação de dentadura lá. Vi, sim, um guri muito malcriado sendo aconselhado por um gerente que fumava charuto.

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  13. Para você recordar20 de julho de 2017 12:56

    Hoje, 20 de julho é:
    Dia do Amigo!!!!

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  14. Pois é,no Dia do Amigo Tia Nalu está abraçada a um poster dele com camisa vermelha e estrela no peito.

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    1. Moleque Travesso precisa de óculos. Tia Nalu estava com um alvo para treinar arremesso de dardos.

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  15. Hoje tenho que admitir e ser contra eu mesmo ao lembrar das antigas lojas de Departamento que tanto sucesso faziam e que de fato enchiam as medidas dos consumidores.Praticamente todos os artigos eram encontrados em lojas como a Mesbla,Sears,Sloper e mesmo as chamadas mais populares como Americanas e Brasileiras.Artigos de primeira e atendimento nota dez,com pessoal bonito e super treinado para o atendimento.Hoje é artigo chinês para todo lado e porcarias de montão,com um pessoal ridículo,feio e sem preparo para atender.Neste ponto não foi bom o progresso e loja de departamento hoje é sinal de carregação .Até que enfim vou ser a favor das viúvas de antanho,seja por qualquer tipo de lembrança dos grandes empreendimentos neste setor.Do Contra também pode ser a favor.

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  16. Frequentei e comprei muita coisa na loja,pois trabalhei na Visconde de Ouro Preto por muitos anos. As ferramentas eram muito boas,havia também uma coffee shop no térreo.

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  17. A quantidade de pessoal mal treinado, mal apresentado, que hoje trabalham principalmente no comércio e também na indústria, tem uma razão. Qual a razão disso?
    É muito simples, primeiro de tudo é o baixo nível de escolaridade destas pessoas, devido a péssima qualidade de ensino público no País. Em segundo lugar, a remuneração que os empregadores pagam a estes funcionários, por dois motivos. O primeiro é a ganância do governo com os altos valores incidentes em impostos e obrigações patronais para a manutenção de um emprego, tais como INSS, FGTS, PIS, Confins, Vale Transporte, Vale Alimentação, Creche, Plano de Saúde, Participação de Lucros e outros. Em segundo lugar a própria ganância do empregador em pagar baixos salários, utilizando mão de obra, a mais barata possível. Em terceiro lugar a conivência de empresários e governo, que ao invés de tratarem de resolver e eliminar os problemas acima, se aliam em fazer reformas de legislação trabalhista, na qual só retiram mais ainda do salário do pobre do trabalhador, mantendo o País nos níveis mais baixos de qualidade de mão de obra e de produtividade no mundo. Numa conivência promíscua, onde o empresário não paga as suas contribuições e impostos obrigatórios e depois exige do governo, redução, parcelamento, eliminação de multa, de juros de suas dívidas. Isso reforça cada dia mais o atraso da economia brasileira em relação ao resto do mundo.

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    1. É o resultado das relações promíscuas entre empresários e políticos. A razão principal da saúde pública ser inexistente é o fato de existir essa promiscuidade entre políticos e empresários do setor. A solução é simples: ou acaba com o empresariado ou fecha o congresso. Fica a sugestão...

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  18. Colaborador anônimo20 de julho de 2017 16:44

    Ao ler o comentário de 7:46,vejo que o nobre comentarista não explicou que o Dauphine tinha um parabrisas traseiro menor que o do Gordini.O primeiro da fila é o Dauphine bege.Vejam que ele não tem tampa do porta luvas.O segundo,Gordini vinho,possui tampa de porta luvas,perceba o decalque amarelo.O terceiro,um Dauphine branco,também não tem a tampa do porta luvas.

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  19. Não esqueço da seção de caça e pesca,onde podíamos comprar espingardas de ar comprimido marca Urko ou Rossi,e sair tranquilamente com elas para caçar passarinhos em plena rua,ser sermos confundidos com bandidos...

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