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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

CINEMAS NO LEME



 
Pouca gente conheceu estes cinemas que ficavam na Avenida Atlântica, no Leme.
Na primeira foto, de 1955, vemos o CINE LEME que funcionou na década de 50 na Avenida Atlântica nº 290-B. Tinha 500 lugares. Hoje ali funciona o “Marius Degustare”.
Na segunda foto o prédio mostrado na fotografia abrigava em seu térreo o Bar Alpino e, no segundo andar, o CINE DANÚBIO. Ficava na Avenida Atlântica nº 570 (antigo nº 142), no Leme. O pequeno cinema tinha 250 lugares e funcionou de 1952 a 1960. Era um risco frequentar este cinema, pois, funcionando sobre o forro do bar, tinha como único meio de acesso uma escada de dois lances, de um metro e vinte de largura. Não tinha qualquer instalação ou extintor de incêndio para uma emergência.
Já o Bar Alpino, do alemão Johann Krips, sucedeu outro com o mesmo nome e do mesmo dono que ficava na Rua Gustavo Sampaio nº 91, com frente também para a Avenida Atlântica. Como o bar original estava ficando pequeno para a freguesia, Hans Krips comprou o terreno da Rua Gustavo Sampaio nº 161 e mandou construir em estilo chalé suíço, com frente para a Avenida Atlântica, o novo Bar Alpino que foi inaugurado em 07/07/1931. Ali era servido um dos melhores chopes do Rio. Em 1962 começou a ser construído neste local um edifício que, em homenagem ao bar, recebeu o nome de Edifício Alpino-Leme.
Curiosidade: O “Correio da Manhã” de 17/05/1932 dá conta do falecimento de Hans Krips: “Entre a montanha e o mar, installou, há vários anos, Hans, seu estabelecimento alegre, de acordo com a jovialidade do seu espirito sempre moço. Denominou o negocio de Bar Alpino. E, originario que era tudo ali revestia a recordação latente: a montanha, o mar como um grande lago, a decoração regional, a orchestra de instrumental typico, executando musicas e letras nostálgicas e sentimentais, e, completando o ambiente, elle proprio trajava segundo o figurino da terra natal. O lema do Bar Alpino era: “Bebendo cerveja, morre-se. Não bebendo, morre-se. Devemos beber...”.
O falecimento de Hans Krips ocorreu no Hospital dos Estrangeiros, situado no ponto elevado do Morro do Leme. O alegre proprietário sofrera uma operação de appendicite um tanto retardado, quando já havia supuração. Deixa viúva a sra. Carolina Krips e um filho único.
Poucos dias após o enterro a viúva publicou anúncio no “Correio da Manhã”: “A VIUVA KRIPS tem a honra de communicar aos seus prezados amigos e freguezes que reabrirá o seu estabelecimento no dia 19 do corrente. Envidará todos os seus esforços no sentido de corresponder á preferencia que tem sido dispensada ao seu referido estabelecimento, quando sob a direcção do saudoso Hans e serve-se deste ensejo para mais uma vez agradecer ao illustre publico a confiança com que a tem distinguido, certa de que esta não lhe será regateada para o futuro”.

24 comentários:

  1. Do cinema Danúbio já tinha ouvido falar mas do cinema Leme não. Se hoje seria enorme com seus 500 lugares, naquela época devia ser considerado pequeno.
    Quanto ao Hans acho que o Belletti, o Lino e eu concordamos com o lema dele quanto à cerveja.

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  2. Bom dia!
    O que me chamou a atenção foi a referência ao Hospital dos Estrangeiros. Sempre achei que esse hospital era o mesmo que fica na Carlos Peixoto/Ladeira do Leme.

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  3. Sendo a cerveja de boa qualidade (uma belga por exemplo) o lema se aplica sem dúvida.
    Quanto ao cinema só sobe do Danúbio como o Plinio.

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  4. Não conheci o cinema mas conheci o filho do dono. Ex morador do Leme ele tem um apartamento na r. Gustavo Sampaio que aluga regularmente. Foi quando procurava um imóvel que o conheci. Muito simpático (não lembro seu nome) ele é o proprietário do Cine Íris, na r. da Carioca. Em conversa informal me identifiquei como frequentador antigo do bairro e oriundo do patrimônio histórico, além de interessado na história da cidade. Por essas razões fui gentilmente convidado para conhecer alguns detalhes daquela sala de exibição, inclusive de um antigo sistema de climatização que ainda estaria guardado no depósito do cinema. O tempo passou e não realizei visita. Há pouco tempo vi outro anúncio de locação do imóvel e lembrei desses fatos que foram registrados em postagem passada.

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  5. Bom Dia! A construção do Cine Danúbio lembra uma estação ferroviária.

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  6. Tenho que dizer que fui várias vezes ao Cine Danúbio, inclusive para ver uma vez um show do Carequinha. Destaque para a bilheteria, que era (pelo menos nessa vez) uma mesa com uma caixa de charutos onde o caixa guardava o dinheiro. Era um "poeira", como se dizia antigamente.
    Quanto ao bar Alpino só lembro daquele de Ipanema, no Jardim de Alá, que frequentei muito. Curiosamente nunca vi uma foto dele em algum lugar. Era um "point" famoso, com grande movimento e ainda ficava ao lado do também famoso "Postinho" na esquina da Vieira Souto. Por que será que não há fotos dele?

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  7. Boa tarde ! Ao ver a 2ª foto, logo imaginei se tratar do estabelecimento citado pelo "Anônimo" que, também, deve ter sido de um alemão. Seu nome também era Bar Alpino ? Apesar de ter ido lá várias e várias vezes, não me lembro de seu estilo, pois, reconheço, sou péssimo observador. Mas acho que o Dr.D já fez uma postagem com o local que achei que era o postado hoje...

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  8. Plinio,por certo o Sr.Hans sabia das coisas e a viúva soube manter a cerveja e fazendo a alegria de consumidores.Imagine o verão brasileiro sem uma gelada ou mesmo mofada.

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  9. Boa tarde a todos. Já não se faz mais bares como antigamente, o dono morre, mas a viúva mantém a tradição. Hoje já apareceria um monte de novos fregueses, querendo dar um ombro amigo para a viúva chorar. Do resto tudo igual.

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  10. Continua atual o lema do bar Alpino:: “Bebendo cerveja, morre-se. Não bebendo, morre-se. Devemos beber...”.

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  11. Bom dia. Vou esporadicamente numa cervejinha, apesar de ter crescido em um ambiente de bar. Aliás, meus irmãos também, se bem que minha irmã está mais para vinhos e espumantes. Era raro, para não dizer impossível, ver meu irmão com bebidas alcoólicas.

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    1. E refrigerantes e guloseimas em geral?
      Quando minha esposa fazia salgados para lanchonete eu não desejava comer um que seja, mas os salgadinhos de festa eu provava alguns.
      Atualmente ela só faz para as festinhas em casa ou para amigas e familiares mais chegados, quase sempre os assados, evitando o máximo possível os de fritar.

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  12. Bom dia Saudosistas. De saída para uma resenha, advinha o que vai rolar com todo este calor. Isso mesmo inúmeras OM canela de pedreiro. Hoje pela cidade proliferam muitos bares com boas cervejas e bom chope.

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    1. As latinhas do sábado já estão na minha geladeira, mas que uma OM* de 600ml me deixou com água na boca... não tenha dúvida.
      Eu acho que o "M" é de "mofada" mais "canela de pedreiro" seria o máximo.

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  13. Essa adoração que os alemães têm por vinho e chope é bem explícita na letra de uma canção famosa. Segue parte da dita cuja, com respectiva tradução depois:

    "Wenn das Wasser im Rhein
    Gold'ner Wein wäre
    Ja, da möchte ich so gern
    Ein Fischlein sein.

    Ja, da könnte ich dann saufen
    Brauchte keinen Wein zu kaufen
    Denn das Faß vom Vater Rhein
    Wird niemals leer.°

    Tradução livre:

    "Se a água do Reno
    Fosse vinho dourado
    Eu gostaria de ser um peixinho.

    Então eu poderia me embebedar
    Não precisaria comprar vinho
    Pois o barril do Reno nunca ficaria vazio."

    Como não conheço vinhos, não sei a melhor tradução para "gold'ner Wein", que fiz como "vinho dourado".

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  14. Bom dia a todos!

    Quem quiser ver onde está localizado o prédio que sucedeu o Bar Alpino, além de mais algumas informações sobre o Bar e o Cinema, segue o vídeo:

    https://youtu.be/oIeAWiEeB4Y?si=_uqSDdfy-b3_3wXy

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  15. Vinho dourado deve ser o chamado de branco.
    Dizem que os franceses fazem gozação com os alemães sobre estes não entenderem nada de vinho, o tinto, provavelmente.
    Tem um livro que conta que durante a 2ª. Guerra Mundial os alemães confiscaram o máximo possível de garrafas de vinho da França, mas muitas outras os franceses conseguiram esconder. Fora os vinhos ruins que conseguiram empurrar nos "fritz", que não sabiam a diferença.
    Porém os libertadores americanos não ficavam muito atrás e numa festa de libertação de uma região de vinícolas, os anfitriões felizes da vida ofereceram uma boa remessa de seu melhor vinho, mas os militares do Tio Sam acharam a bebida muito "fraca" e acrescentaram álcool para ficar mais "forte".
    Restou aos franceses sorrirem amarelo para não perderem o amigo, diante do que em outra situação seria considerado uma infâmia.

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  16. Tem também um outro trecho da famosa canção de cervejaria "In München steht ein Hofbräuhaus" que diz assim:

    "Wasser ist billig, rein und gut
    Nur verdünnt es unser Blut
    Schöner sind Tropfen gold'nen Wein"

    Tradução:

    "Água é barata, límpida e boa
    Mas ela dilui nosso sangue
    Melhores são as gotas de vinho branco"

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  17. Todos sabem que eles bebem cerveja em grandes canecas de vidro grosso e transparente, com asa também grossa. A capacidade dessas canecas é chamada de "Maß", correspondendo a um litro. A caneca em si é chamada de Maßkrug". É comum se ouvir a expressão "ein Maß Bier" em músicas ou em filmes, quando alguém pede uma caneca dessas com cerveja.

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  18. Fui lá ver o video do YouTube. Achei a apresentação meio fraca.

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  19. Em 1982 estive na anteriormente citada Hofbräuhaus, a cervejaria mais famosa de Munique. Minha ex e o casal que viajava conosco pediram "ein Maß Bier", mas eu fiquei mesmo na Coca-Cola, pois não bebo. Dali fomos assistir à exibição dos bonecos do relógio também famosíssimo da prefeitura da cidade. Subimos até um bar que ficava aproximadamente na mesma altura do relógio, mas do outro lado da Marienplatz. Novamente fiquei na Coca-Cola. Alguém pediu um vinho ou algo parecido que tinha cor ligeiramente avermelhada e sabor adocicado. Não sei se havia mistura de cereja nele. Era até gostoso.
    Na hora aprazada o relógio começou a tocar e os bonecos a se moverem. Creio que eram 17 horas. Tirei várias fotos em slides.

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  20. As bebidas alcoólicas não são indicadas para este clima de calor porque desidratam o corpo. A pessoa tem que consumir em água o dobro da quantidade de álcool ingerida para compensar a perda, além da quantidade já indicada por dia.

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  21. Paulo Roberto (11:28) - atualmente é suco de limão no almoço (em casa) e um copo de refrigerante (de preferência zero) no jantar. Às vezes um copo de guaraná concentrado diluído em água... filtrada ou mineral.

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  22. Morreu hoje aos 92 anos o maior divulgador do Leblon dos últimos tempos, Manoel Carlos. A Globo já tinha uma reportagem pronta para exibir no JN, apesar de o anúncio oficial da morte ter saído às 19:50.

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