Entre os penduricalhos colocados nos automóveis antigamente (e ainda os há por aí) estavam estes imãs para o painel. Muitos motoristas colocavam fitas do Bonfim presas no retrovisor e tinham um "tigre" perto do vidro traseiro, que acendia os olhos ao pisar no freio. E havia os que usavam aquele rabicho de borracha no parachoque traseiro para descarregar a eletricidade estática, além de encontrar espaço para um boneco "MUG" ao lado do "tigre".
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sábado, 20 de maio de 2023
DO FUNDO DO BAÚ - CARROS E ETC
Entre os penduricalhos colocados nos automóveis antigamente (e ainda os há por aí) estavam estes imãs para o painel. Muitos motoristas colocavam fitas do Bonfim presas no retrovisor e tinham um "tigre" perto do vidro traseiro, que acendia os olhos ao pisar no freio. E havia os que usavam aquele rabicho de borracha no parachoque traseiro para descarregar a eletricidade estática, além de encontrar espaço para um boneco "MUG" ao lado do "tigre".
sexta-feira, 19 de maio de 2023
quinta-feira, 18 de maio de 2023
AVENIDA ATLÂNTICA - ANTIGO POSTO 5
Esta fotografia foi assim comentada pelo prezado Maximiliano Zierer: "Praia de Copacabana e Avenida Atlântica, Posto 5, em 1951. Esta era a praia de Copacabana original, antes do seu aterramento para a duplicação das pistas da Av. Atlântica e a construção do interceptor oceânico (este sob o canteiro central das pistas), obras que foram concluídas no início dos anos 70.
As árvores altas são do terreno da casa do Vaticano, onde há atualmente o inacabado Museu de Imagem e do Som, na esquina com a rua Djalma Ulrich. A casa pertencia ao conde e condessa Inodare, e por ser recuada, ficava encoberta pela densa vegetação do seu amplo jardim.
Visível à sua direita está uma casa de dois pavimentos, de proprietários desconhecidos, que logo em seguida foi demolida, dando lugar ao edifício Rio Nobre (onde em 1958 ocorreu uma tragédia: a jovem Aida Curi, de 18 anos, foi atirada da cobertura do edifício após uma tentativa de estupro).
Reparem também no baixo edifício Ferrini, na esquina com a rua Sá Ferreira, e do lado oposto da mesma esquina o hotel Miramar. Foto da revista Brasil Constrói, 1951."
Fui dar uma olhada na revista "Brasil Constrói" e encontrei esta outra foto do mesmo trecho.
Os postos de salvamento mudaram de lugar em algum momento perto da virada do século. Na época da foto, anos 50, o Posto 5 ficava em frente à Rua Bolivar.
Neste trecho, muitas vezes sem areia devido às ressacas, ficava o campo do "Pracinha", time para o qual eu torcia e vi ser campeão por volta de 1960. Se não me falha a memória o time era; Castilho (João Luís), Eurico, Santoro, Brandão e Paulinho. Danilo e Nelito. Paulo Portugal, Ivan Portugal, Áureo e Nando Portugal. Era uma época que o futebol de praia atraía multidões nas tardes de sábado para assistir aos jogos.
Aí também ficava a rede de volei do grupo do Dr. Sanseverino, renomado médico da Cruz Vermelha Brasileira.
Era o tempo em que, apesar das línguas negras, a areia era limpa, não havia ambulantes ocupando grandes espaços, as redes de volei eram armadas perto da calçada e futebol só acontecia na parte da tarde.
A maioria dos homens usava calções "samba-canção", só tiravam a camisa ao pisar na areia, todos se sentavam no chão (na areia mesmo ou sobre toalhas e esteiras de vime), as mulheres usavam maiôs inteiros e muitos levavam suas boias de câmara de ar de pneus.
O Posto 5 talvez fosse o melhor lugar da Praia de Copacabana para pegar onda, fato que mudou depois do aterro dos anos 70.
quarta-feira, 17 de maio de 2023
RUA DA CONSTITUIÇÃO
A Rua da Constituição começa na Praça Tiradentes e termina na Praça da República. É a antiga Rua dos Ciganos.
Segundo Berger, "aberta durante o vice-reinado do Conde da Cunha, somente em princípios do século XIX foi totalmente arruada e regularizada.
Ao chegarem ao Rio numerosos bandos de ciganos, no século XVIII, estacionaram no Campo de Santana e no antigo Campo da Lampadosa, e suas casas se prolongavam por esta rua, que se passou a chamar Rua dos Ciganos. A Portaria do Ministro do Império de 28/06/1865 aprovou a deliberação da Câmara Municipal, por proposta do vereador João Antonio Leite Junior, da mudança do nome para Rua da Constituição, homenageando a Constituição Política do Império, elaborada em novembro de 1823 e jurada em 25/03/1824.
Foto do acervo do Correio da Manhã mostrando a Rua da Constituição / Rua República do Líbano em 1964.
Foto do acervo do Correio da Manhã mostrando a Rua da Constituição em 1958.
terça-feira, 16 de maio de 2023
RUA SÃO JOÃO BATISTA - BOTAFOGO
Nesta foto do "Correio da Manhã", do acervo do Arquivo Nacional, Vemos a Rua São João Batista, em Botafogo, em toda sua extensão.
Começa na Rua Voluntários da Pátria nº 275 e termina na Rua General Polidoro nº 268, em frente à porta principal do cemitério.
Segundo Paulo Berger foi aberta ao trânsito público em 1853. Pelo alvará de 13/05/1809, foi criada a paróquia de São João Batista da Lagoa e, mais tarde, com a criação da Irmandade de São João Batista e da ereção da atual Igreja Matriz de São João Batista, veio o logradouro a ser denominado Rua São João Batista.
A foto é dos anos 70, época em que houve uma grande mudança de trânsito em Botafogo. Atualmente a mão de direção é no sentido inverso.
segunda-feira, 15 de maio de 2023
UMA CASA DE PEDRA NA AV. ATLÂNTICA
Maximiliano Zierer, eventual colaborador do “Saudades do Rio”, é um dos maiores pesquisadores sobre a Av. Atlântica. Com expressa autorização dele vamos reproduzir algumas de suas pesquisas por aqui.
A casa de pedra da Av.
Atlântica nº 2692, perto, da Rua Santa Clara, em foto de 1958 (esta foi a
última casa residencial da orla, demolida em 2013) pertencia a Zilda Azambuja
Canavarro Pereira, que ali morou desde 1917, entre prataria, ourivesaria,
tapeçaria, objetos em marfim e tantas outras lindas peças e obras de arte.
Inclusive obras únicas, como uma autêntica escultura criselefantina em bronze
patinado de Demetre Chiparus, além da tela “O Voto de Heloisa”, do pintor Pedro
Americo e um par de poltronas no estilo Luis XV, datado do século 19, que
pertenceu à coleção pessoal de Elizabeth Taylor.
Madame Canavarro - como a
conheciam - nasceu no dia 2 de julho de 1911 e os que com ela conviveram, dela
diziam que sempre teve um coração imenso! Linda, inteligente, poderosa, digna e
uma das últimas amas da sociedade carioca.
Zilda, que de solteira
era Azambuja Lowndes, famílias cariocas tradicionalíssimas, vivia cercada de
empregados leais e era sempre visitada por vários sobrinhos seus herdeiros, que
cuidavam dela. Foi casada com Olavo Canavarro Pereira, falecido em 1968.
Muito generosa com os
empregados, que a cercavam de carinho, Zilda recebia todas as quartas-feiras
para almoço os sobrinhos e os parentes. Com problemas de garganta, apesar de já
não mais falar, Zilda caminhava com agilidade, sem mesmo precisar de qualquer
ajuda. À última grande festa que compareceu - bodas dos Lowndes, seus primos,
no Country Club - Zilda foi calçando salto alto, então, aos 99 anos!...
Segundo consta na vizinhança, Zilda deixou
todos os bons empregados garantidos em seu testamento.
Zilda morreu em maio de 2012, aos 101 anos.
Tramitou no Conselho
Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural um processo de consulta sobre a
demolição da casa de pedra. Embora a construção não fosse tombada, o caso
precisou passar pelo conselho porque é o que determina a lei para todos os
imóveis da cidade erguidos antes de 1938. Infelizmente a demolição foi
autorizada e, mais uma vez, a história da cidade virou pó. A casa foi
rapidamente demolida em apenas 3 dias, em outubro de 2013.
No lugar da casa seria
erguido um hotel de luxo, que ficaria pronto antes das Olimpíadas - Rio 2016.
O comprador, o empresário
Omar Peres, dono do restaurante La Fiorentina, tem como sócio no negócio o dono
da Avianca, German Efromovich.
A propriedade saiu por R$ 32 milhões —
corretores estimam entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões o valor de um imóvel do
gênero na orla do bairro e teria um projeto arquitetônico da iraquiana Zaha
Hadid, que incluiria na entrada uma parede com pedras da casa, que receberia,
do designer Aroeira, imagens de grandes nomes do Rio. A construção teria 12
andares e cerca de cem apartamentos.
O hotel teria o
diferencial, além da vista (é claro!) dos mimos aos clientes, como mordomo
bilíngue exclusivo — que pode fazer compras e arrumar o armário, por exemplo —,
carro para buscar e levar ao aeroporto, bebidas como bons vinhos e uísque na
diária e um spa no terraço.
O que foi projetado pode
ser visto em http://veja.abril.com.br/…/conheca-os-bastidores-do-hotel-…/
Mas, atualmente, o prédio
que foi erguido é diferente do projetado. O empreendimento chama-se “Atlantico Bait”, com
plantas flexíveis de 1 a 4 quartos.
Nesta foto o Zierer nos
dá uma aula sobre Copacabana dos anos 1920, mostrando o quarteirão em que seria
construída a casa de pedra da foto anterior.
Nesta foto aérea vemos o
trecho da Av. Atlântica entre as ruas Santa Clara (direita) e Constante Ramos
(esquerda), sendo que as esquinas de ambas as ruas estão de fora do campo da
foto.
Na orla, no lado direito
da foto, podemos constatar que uma parte do calçadão e da pista da Av.
Atlântica foram destruídos pela forte ressaca do ano de 1921. Este era um
problema recorrente, e que só foi resolvido décadas mais tarde, através da
duplicação da Av. Atlântica e do alargamento da faixa de areia da praia com o afastamento
do mar, obra iniciada em 1969 e concluída em 1971. Com esta obra a Av.
Atlântica e o calçadão da orla tomaram o aspecto que conhecemos nos dias
atuais.
Vou destacar as quatro
principais construções da orla que vemos neste trecho, da direita para a
esquerda:
1- O hotel Atlântico, um
casarão em estilo eclético de três pavimentos ao lado de um lote vazio no canto
direito. Neste lote vazio seria posteriormente construída a famosa "casa
de pedras" da Santa Clara, que foi a última casa residencial demolida na
Av. Atlântica (no ano de 2013), mas que ainda não existia em 1921. Ela só foi
construída no início dos anos 1930.
2- O hotel Londres, um
prédio branco de 4 andares e que foi o prédio mais alto da Av. Atlântica até a
construção do hotel Copacabana Palace, em 1923. O hotel Londres foi o primeiro
edifício construído na orla.
3- Após o hotel Londres e
seu vizinho (separados por um terreno vazio pertencente ao hotel), temos o
magnífico palacete do Barão e médico Jayme Smith de Vasconcelos, conhecido como
“máquina de escrever”, projeto genial do arquiteto italiano Antônio Virzi, e
provavelmente o casarão mais espetacular de todo o Rio de Janeiro à época!
4- O último casarão
visível na orla, no lado esquerdo da foto, pertencia ao abastado casal Odete e
Júlio Monteiro. Era um grande casarão de três pavimentos cujo terreno ia até a
rua Domingos Ferreira, e possuía uma quadra de tênis nos fundos.
Foto aérea do tenente
aviador Jorge Kfuri, circa 1921, pertencente ao acervo da Diretoria do
Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.
sábado, 13 de maio de 2023
DO FUNDO DO BAÚ - PROGRAMAS DE AUDITÓRIO
PROGRAMAS DE AUDITÓRIO, por Helio Ribeiro
Na
época áurea do rádio, houve vários programas de auditório que atraíam
multidões, fossem meros espectadores ou fãs dos artistas que se iriam
apresentar. Vários desses programas migraram posteriormente para a TV. Vamos
listar alguns. Não vou citar os mais óbvios de todos, os programas do
Chacrinha, de farto conhecimento público.
1) PROGRAMA CÉSAR DE ALENCAR
Era
um dos mais famosos. Hermelindo César de Alencar Mattos começou a carreira em
1939, na emissora carioca Rádio Clube do Brasil. Mudou-se para a Rádio Nacional
em 1945, atuando em narrações e comerciais e pequenas participações em novelas.
Mas a fama veio quando em 1948 Paulo Gracindo saiu da rádio e César de Alencar
passou a ter seu próprio programa, aos sábados.
A
música de entrada do programa fez história: "Essa canção nasceu pra quem
quiser cantar / Canta você, cantamos nós até cansar. / É só bater, e decorar /
Pra recordar vou repetir o seu refrão / Prepara a mão / Bate outra vez / Este
programa pertence a vocês".
O
auditório lotava durante a apresentação do programa. Vide abaixo.
A
foto abaixo mostra Cauby Peixoto cantando no programa.
Com
o regime militar, César de Alencar foi injustamente acusado por adversários
artísticos de dedurar dezenas de funcionários da Rádio Nacional. A partir daí
sua carreira declinou.
2) PROGRAMA PAPEL CARBONO
Conduzido
por Renato Floriano Murce, era um programa de calouros que revelou muitos
cantores, como: Os Cariocas, Dóris Monteiro, Ângela Maria, Ivon Curi, Agnaldo
Rayol, Roberto Carlos, Luiz Vieira, etc. Renato chamava os calouros de ilustres desconhecidos, tratava-os com
muito respeito e procurava encaminhá-los na carreira artística.
Renato
teve uma vida artística muito movimentada, passando por diversas emissoras de
rádio. O programa foi inspirado num filme antigo assistido por Murce, que o
adaptou para o rádio. Começou na Rádio Clube e depois migrou para a Rádio
Nacional.
3)
UM INSTANTE, MAESTRO
Lançado
por Flávio Cavalcanti em 1952 na Rádio Nacional do RJ, foi levado para a TV
Tupi em 1957. Com a ida de Flávio para a TV Rio em 1959, o programa saiu do ar,
voltando em 1965 pela TV Excelsior e logo a seguir, em 1967, retornando para a
TV Tupi.
Flávio
selecionava lançamentos musicais da semana e dava sua opinião sobre eles. Os
que não passavam pelo seu crivo tinham o disco quebrado ao vivo.
Posteriormente
foi criado um grupo de jurados para julgar as músicas.
Com o tempo, o programa evoluiu para A Grande Chance (programa de calouros) e
posteriormente para Programa Flávio
Cavalcanti.
4) O CÉU É O LIMITE
Estreou
em 1955 na TV Tupi de São Paulo, em seguida sendo repetido no Rio de Janeiro,
onde o apresentador era João Silvestre, mais conhecido como J. Silvestre. Era
um programa de perguntas. O candidato escolhia um tema e as perguntas se
sucediam, cada vez mais difíceis. A cada pergunta, o candidato podia desistir
ou continuar. A cada resposta correta, J. Silvestre imortalizou a frase
"Resposta absolutamente certa".
Patrocinado
pela VARIG, J. Silvestre tinha como assistente a bela Ilka Soares.
A candidata mais famosa foi Leni Orcida Varela, na época com 23 anos e que respondia sobre Guerra Junqueiro visando angariar dinheiro para o casamento. Ela ficou com o apelido de Noivinha da Pavuna e conseguiu um bom prêmio, sendo sua união selada diante das câmeras, em 1969, com J. SilvestRe como padrinho.
5)
CALOUROS EM DESFILE
Inicialmente
transmitido pelo Ary Barroso. O calouro era submetido a uma série de perguntas
que já o deixavam nervoso. Aí ele começava sua performance, que não
necessariamente era música, podendo ser imitações, por exemplo. Se a
performance não fosse boa, um imenso gongo era acionado. Os trajes do tocador
do gongo variaram ao longo do tempo, mas costumavam ser de orientais ou
africanos. Ele era apelidado de Macalé. Algumas vezes o candidato saía chorando
do palco.
===== FIM
DA POSTAGEM =====
Luiz D´:
Abaixo meus comentários.
1) PROGRAMA CÉSAR DE ALENCAR: os programas de auditório faziam drande sucesso. Tenho muitas dúvidas sobre o papel do Cesar de Alencar no caso da delação de "comunistas". Sim ou Não? Há muitos textos que falam desse assunto.
Cauby foi um ídolo com milhões de admiradores. O assédio a ele em público era impressionante. Eu acho que ele tinha uma voz muito bonita e algumas interpretações fantásticas como "Bastidores", do Chico Buarque.
2) PROGRAMA PAPEL CARBONO: pouco acompanhei este programa, mas os artistas citados mostram como foi importante.
3) UM INSTANTE, MAESTRO: certa vez, quando o Simonal gravou "Manias", de autoria do Flavio, ele disse que antes de ouvir tinha certeza de que quebraria o disco. Mas se rendeu à interpretação do Simonal e o convidou para cantar ao vivo em seu programa.
Na foto dos jurados acho que estão: José Messias, Iris Lettieri, Erlon Chaves, Walter Forster, Márcia de Windsor e Sergio Bittencourt.
4) O CÉU É O LIMITE: via sempre. Começava com um "Continua ou desiste" para o candidato. Se desistisse levava o prêmio (ou parte dele) que já havia conseguido. Se continuasse e errasse as respostas perdia tudo. Era um angústia. Acompanhei com interesse o Oriano de Almeida respondendo sobre Chopin. Até hoje tenho dúvidas sobre a honestidade desses programas. Será que não havia acordos entre produtores e candidatos?
5) CALOUROS EM DESFILE: o Ary Barroso não era fácil. Certa vez um candidato disse que ia cantar um sambinha. Ary perguntou qual o nome do sambinha. O infeliz candidato disse que era Aquarela do Brasil. Foi gongado antes de começar a cantar.
O Tião Macalé era o técnico do Dínamo, time de praia famoso que usava uma camisa como o do América e tinha seu campo quase na esquina da Constante Ramos. Ao lado do campo do Maravilha. Depois o Macalé participou de muitos programas humorísticos.
Agradeço, mais uma vez, ao Helio Ribeiro pela colaboração.



















