Total de visualizações de página

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

PRAIA DO FLAMENGO



Reportagem deste final de semana prevê que a Praia do Flamengo, dada à situação atual de limpeza da água, será um dos grandes sucessos do verão 2023/2024.

Será mesmo?

As fotos são da década de 50, quando havia um bom número de frequentadores desta praia.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

BONDE GÁVEA

O tema de hoje é o bonde “Gávea”, da linha 10.  Segundo o Helio, o trajeto era: Tabuleiro da Baiana – Senador Dantas - Luís de Vasconcelos - Augusto Severo – Largo da Glória - Russel – Praia do Flamengo - Machado de Assis - Catete – Marquês de Abrantes – Praia de Botafogo – São Clemente - Humaitá - Jardim Botânico - Marquês de São Vicente, até o nº 438.

FOTO 1: Vemos o projeto para a construção da “Estação da Olaria”. na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, construída em meados da década de 1870.

Segundo Dunlop, esta linha levou quinze anos para ser construída: o primeiro trecho, da Rua Gonçalves Dias (esquina de Rua do Ouvidor) ao Largo do Machado, foi inaugurado em 9 de outubro de 1868.

O segundo trecho, até ao fim da Rua Marquês de Abrantes, ficou pronto em 21 de novembro e o terceiro trecho, até o começo da Rua de São Joaquim (atual Voluntários da Pátria), ficou pronto em 19 de dezembro de 1868.

Por não estar ainda aberta e concluída esta rua, somente em janeiro de 1871 pôde ser ultimado o trecho até ao portão do Jardim Botânico.
Pouco depois a linha atingia o Largo das Três Vendas, no começo da Rua Marquês de São Vicente, e, em 17 de janeiro de 1874, chegava à estação da Olaria, no número 224 desta rua. E somente em 1883 a linha Gávea chegou a seu final, na Ponte da Rainha, no final da Marquês de São Vicente,
atual Praça Augusto de Lima.

Só em 1894, foi inaugurada uma linha elétrica para bondes na Gávea que ia do Centro, até a Estação de Bonde de Olaria, no alto da Marquês de São Vicente.

Em 1908 o “Correio da Manhã” noticiava que o Cia. Jardim Botânico efetuou à sua custa e sem obrigação contratual o calçamento desde a “Piassava” (fronteira do Humaitá com o Jardim Botânico) até Rua Marquês de São Vicente e desta à estação da “Olaria” até o final da linha.

FOTO 2:Esta fotografia mostra a antiga estação da Olaria. O prédio sobreviveu por muito tempo, tendo sido transformado em fábrica de móveis e oficina de decoração na primeira metade do século XX. Ficava em frente à PUC, na altura da Rua Duque Estrada. Em seu lugar foi construído um prédio de apartamentos.


FOTO 3:Vemos a estreita e deserta Rua Jardim Botânico no final do século XIX. Um local belíssimo. Impressionante este legado de D. João VI para a cidade. As linhas do bonde mostram a preocupação com a infraestrutura em regiões ainda por serem habitadas.

À direita o poste de um combustor, modelo inglês, do mais simples possível desaparecido na cidade nos anos 20, pois não foi convertido para luz elétrica como ocorreu com o francês, que é inclusive mais ornamentado.

Este aspecto da Rua Jardim Botânico foi obtido após as obras para a sua retificação no final do século XIX, por volta de 1880. Anteriormente a Rua Jardim Botânico ficava à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Anos mais tarde, outros grandes aterros seriam feitos, como o do Jockey Club, e a rua seria ampliada. Por esses trilhos passava o bonde “Gávea”.


FOTO 4:Na última década do século XIX experimentou-se nessa linha o "Expresso da Gávea", que nada mais era que um bonde comum que saía da cidade às 16 horas e, "a toda velocidade", se dirigia para a Ponte de Táboas, parando somente no Largo do Machado e na estação do Largo dos Leões para uma rápida mudança na parelha de muares.

Gritava o cocheiro: “Expresso da Gávea! Este bonde não para!”

Levava uma hora e meia para ir do Centro da Cidade até a Ponte de Táboas. Daí em diante virava "subúrbio" e ia parando à vontade dos passageiros.

Em agosto de 1900, “atendendo a solicitações de distintas famílias e cavalheiros”, trafegaram nessa linha os primeiros bondes de luxo, para levar e trazer os frequentadores do Teatro Lírico, segundo Dunlop.

Estes carros eram mais confortáveis, tendo os assentos e encostos cobertos por capas de brim branco e assoalho atapetado. Mais caros que os comuns, obedeciam, na ida, a horário certo, dependendo a volta da hora em que terminasse o espetáculo.


FOTO 5Nesta foto garimpada pelo Nickolas vemos um bonde, apinhado de gente, trafegando pela Rua Jardim Botânico na década de 50. Parece estar na altura de onde hoje funciona o restaurante Rubayat, nas dependências do Jockey Clube.

Pelo aspecto o dia deveria ser de greve dos ônibus e lotações, deixando o povo sem outra alternativa de transporte, pois habitualmente esta linha não tinha este volume de passageiros. Que o digam meus amigos de colégio (Otacilio Resende, Nelson Parente, João Botafogo, Marcio Pontes, Raymundo Bello, passageiros diários deste bonde).

A linha poderia ser a 7-Jóquei Club ou a 10-Gávea ou ainda a 11-Jardim-Leblon.

Um caso curioso ocorreu anos antes desta foto, narrado por Dunlop: em 20/03/1906 a Cia. Jardim Botânico foi notificada pela Prefeitura no sentido de reduzir para 60 minutos o tempo da viagem entre o Largo da Carioca e a Gávea.

A Cia. ponderou que era impossível fazer o percurso em tão pouco tempo, a menos que fizesse imprimir grande velocidade aos carros, do que poderiam resultar atropelos de toda ordem e reclamações dos passageiros por não poderem entrar ou saltar com a devida calma e segurança.

Além, mesmo que fosse possível reduzir a duração da viagem da Gávea, não poderiam os carros desta linha avançar, tendo à frente os de outras linhas na Praia de Botafogo e no Largo dos Leões.

A Prefeitura não aceitou a ponderação e a Cia. voltou a se justificar dizendo que conseguiu executar a viagem em 57 minutos, porém só no período entre 22 horas e 4 horas da manhã, exatamente porque nessas horas a movimentação era muito menor, não sendo perdido muito tempo nas paradas.

Não obstante, o recurso foi novamente indeferido.

Dunlop não conseguiu apurar como terminou a questão, mas ressalva que o interessante era que o tempo anterior, que justificou tanta celeuma, era de 63 minutos para cada viagem...

FOTO 6:Vemos o bonde Gávea, mas não está nítido o número de ordem, mas é algo parecido com 1964. O Ford é no máximo 1948 e o caminhão Chevrolet é de 1946. Talvez o bonde esteja na região do Passeio Público, vindo da Rua Augusto Severo.

FOTO 7Bonde 10, Gávea, nº 1897. Propaganda do cigarro Lirio, passando pelo portão do Passeio Público. Colorização do Nickolas Nogueira. 


FOTO 8Foto colorizada pelo Nickolas Nogueira. Vemos o bonde "Gávea" trafegando tranquilamente pelo bairro de Botafogo, levando os passageiros para o Centro. Parece que a vida passava mais devagar naquela época. À esquerda, um automóvel da primeira metade do século XX e, à direita, um infatigável burrico em sua faina diária. Como eram bonitos os casarões de Botafogo. Num deles podemos ver as letras "GARA.... E FI.....". Seria “Garagem e Oficina” ou "Garagem de fiacres"?


FOTO 9Esta bela colorização da Christiane Wittel sobre foto de Malta, do acervo do IMS, publicada pelo A.J. Caldas, mostra um bonde “Gávea” na Praia de Botafogo no início do século XX. 

O local exato é Praia de Botafogo na altura da Rua Marquês de Abrantes, em 1910. Se não me engano, o Helio escreveu que o modelo do bonde é o tipo Narragansett, de 13 bancos e lotação de 65 passageiros sentados.

Além de apreciar a beleza da foto fiquei curioso com o que teria acontecido com o homem de terno branco e gorro. Todos olham para ele: será que tinha pisado num cocô de cachorro? Ou teria, por acaso, sido atropelado pelo bonde? Ou teria caído ao tentar saltar do bonde andando? O puxador do burro-sem-rabo, ao lado do condutor e do fiscal, parece tentar ajudar a "vítima".

FOTO 10Bonde “Gávea”, foto do "Correio da Manhã", em frente à Gaiola de Ouro. Segundo obiscoitomolhado, o táxi é um Mercury Eight, 47-48 e o branquinho é um Vauxhall, de 54 em diante. Comprovar o Vauxhall foi difícil porque a literatura é escassa, mas aquele corte sob a porta dianteira, só os Vauxhall têm. Deve ser para botar o macaco. Quanto ao ano, apenas em 54 saíram aquelas calotas e o friso contínuo.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

BABÁS

Nestes tempos de polarização, politicamente correto, de se ver chifre em cabeça de cavalo, até as babás são motivo de discussão por conta do uso de uniforme.

Cinco argumentos sobre o assunto pinçados da Internet:

Qual o problema de usar uma roupa branca? Isso não me faz pior do que ninguém. Pelo contrário, ganho melhor que muita gente que trabalha em escritório com ar-condicionado.

O uniforme é uma forma dos patrões usarem os funcionários como objeto de ostentação e poder. É como se ele estivesse dizendo para as outras pessoas: “Olhem, eu posso pagar uma funcionária e mandar nela”.

Desde o momento que a gente trabalha e tem uniforme, a gente tem de usar. Tem casas que não pedem, outras precisam. Eu acho até melhor porque preserva mais as nossas roupas. E tudo eles que dão. Eles dão sapato, calça, bermuda, blusa.

O dia em que uma criança filha de rico sonhar em ser babá ou empregada doméstica, a gente conversa sobre se é um emprego como qualquer outro.

Existe um 'dress code' para diversas profissões: médico, enfermeiro, porteiro, dentista, policial, bombeiro, advogados etc. E por qual razão as babás, com sua profissão regulamentada, não podem usar branco, traduzindo paz e assepsia ao cuidar de uma criança? Este argumento de discriminação é inaceitável e preconceituoso.


FOTO 1: Eu tive uma babá e gostava muito dela. Chegou lá em casa dois anos antes de mim. Queridíssima por todos, ficou junto de minha mãe por mais de 60 anos, nos últimos tempos como duas amigas.

Acompanhou-me a vida toda, a meus irmãos e amigos. Sempre fui Luiz para ela, mas meus amigos, quando se formaram, passaram a ser chamados de “doutor” por ela. 

Adorava meus filhos. Quando minha filha se casou não quis ir ao casamento porque disse que ficaria muito emocionada, mas fez questão de ser ela quem colocasse o vestido na noiva. 

No final da vida, resolveu morar com a sobrinha. Mantivemos uma ajuda de custo mensal para ajudá-la.

Uma figura humana inesquecível.

FOTO 2Foto de 1945. Vemos meu irmão com uma babá que não conheci. Ao fundo está o Edifício Guarujá, na Rua Constante Ramos. Esta semana aquela senhora sob a barraca fará 101 anos. Parabéns!


FOTO 3Esta foto é do acervo do amigo Roberto, o rockrj. Vemos a irmã dele com a babá na Praia de Copacabana, perto da Rua Xavier da Silveira, em 1946.

Curiosamente, achei as babás parecidas.

FOTO 4Babás e crianças nos brinquedos da praça. Curioso observar como havia poucos aparelhos de ar condicionado nos prédios ao fundo. Que praça é esta? Acho que é a Antero de Quental no Leblon.


FOTO 5Um monte de babás e crianças na Praça Edmundo Bittencourt, no Bairro Peixoto. Era um lugar muito tranquilo, tendo naquela época, em seu entorno, casas construídas na década de 40 e prédios com apartamentos no térreo, sem elevador, na década de 50. Mais adiante, no final desta década, os prédios com pilotis no térreo, com revestimento como pastilhas e painéis em mosaico na portaria.

Era uma pracinha típica da época, onde as crianças brincavam livremente nos brinquedos (rema-rema, gangorra, balanço e escorrega), compravam sorvete na carrocinha da Kibon, pipoca e algodão doce. Buracos eram cavados no chão de terra para o jogo de bola de gude. A “pelada” de futebol, com todos os pequenos correndo desesperadamente atrás da bola, sem nenhum senso tático, era obrigatória.

Havia muitos grupos de bambus espalhados pela praça, onde era possível se esconder nas brincadeiras de “mocinhos” contra índios e bandidos.

Houve uma época que no lado da Rua Anita Garibaldi havia cavalos para alugar, além de charrete e carrinhos puxados por bodes. Era tão tranquilo que não havia perigo em dar uma volta na praça ou mesmo fazer um passeio longo a cavalo, subindo pela Rua Decio Vilares e descendo pela Rua Maestro Francisco Braga. 

Tempos depois, onde anteriormente ficavam os cavalos, existiu o ponto final de uma linha de ônibus elétrico.


FOTO 6A foto é da Praça General Osório, em Ipanema. Babás, crianças e fotógrafos lambe-lambe perto do Chafariz das Saracuras. Este chafariz foi para esta praça por volta de 1914. Obra de Mestre Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813), foi instalado em 1791 no pátio interno do Convento da Ajuda, no Centro, e dali removido quando da demolição do dito convento em outubro de 1911.

Durante as últimas décadas o chafariz foi vandalizado muitas vezes, sendo reparado e recolocado no lugar.  As saracuras, tal como os óculos de Drummond, vão e voltam ao sabor dos vândalos.


FOTO 7A foto, do Arquivo Nacional, mostra a região do Posto 6 em 1959. Estas árvores na areia chamam a atenção, pois não estão nos seus melhores dias. Até quando sobreviveram?

Vendo a foto fico com a impressão que esta babá devia ser rigorosíssima.

Outro dia li uma reportagem sobre a diferença da educação francesa para a educação americana.

Na francesa as crianças seriam tratadas como crianças, sendo educadas de uma forma mais rígida, tal como ensinadas a serem educadas, a comer na mesa a mesma comida dos adultos, sem tantos privilégios. De forma resumida, os pais manteriam o próprio modo de vida.

No modo de educar baseado na experiência americana, copiado por aqui, as crianças teriam todas as vontades atendidas, com comida especial para elas, não podendo ser contrariadas. Seriam os "reizinhos" e "rainhazinhas" da casa, quase que transformando os pais em escravos da vontade delas. Seriam mal-educadas, cheias de direitos e rebeldes à boa educação.

Não seriam os atuais pais brasileiros por demasiado complacentes com as exigências dos filhos?


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

CORPO DE BOMBEIROS


FOTO 1: Como conta Dunlop, até 1856 não havia no Rio serviço organizado de combate ao fogo. Os incêndios eram extintos da maneira mais rudimentar possível, com voluntários em fila, baldes de água passando de mão em mão, toscas escadas para retirar moradores de prédios mais altos.

No ano de 1856 foi criado o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte.

Os avisos de incêndio eram dados por três tiros de peça de artilharia de grosso calibre, disparados do alto do Morro do Castelo, com intervalos de cinco minutos.

Para indicar a Freguesia onde lavrava o fogo, o sino grande da igreja de São Francisco de Paula dava badaladas convencionais: um toque (Sacramento), dois toques (São José), três toques (Candelária), quatro toques (Santa Rita), cinco toques (Santana), seis toques (Engenho Velho), sete toques (Santo Antonio), oito toques (Glória), nove toques (Lagoa). Também o sino maior da freguesia onde havia o fogo repetia o toque de incêndio de minuto em minuto.

FOTO 2: Postal da coleção de Klerman W. Lopes.Vemos a torre de exercícios do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, na Praça da República.

O lema do Corpo de Bombeiros é "Vidas alheias e riquezas salvar”.

FOTO 3: Postal da coleção de Klerman W. Lopes. A fachada posterior do quartel dá para a Rua do Senado.


FOTO 4: Postal da coleção de Klerman W. Lopes. Foto de Malta.

A instituição, que viria a ser o 1º Corpo de Bombeiros do Brasil, foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, através do Decreto nº1775, de 02 de julho de 1856, ainda na época do Brasil Império.



FOTO 5Foto de Malta, do início do século XX, mostrando o quarteirão da Praça da República onde fica o Quartel Central do Corpo de Bombeiros. O bonde "Barcas", com seu reboque, passa tranquilamente pela Rua Visconde de Rio Branco em direção à Praça XV. 

Renovado, melhorado e ampliado, o quartel foi inaugurado pelo Presidente da República, Dr. Afonso Augusto Moreira Pena, que foi recebido pelo Coronel-Comandante Feliciano Benjamin de Souza Aguiar. 

Podemos observar no centro da foto o prédio da antiga Beneficência Italiana, que ainda permanece de pé, ao lado existia um prédio em estilo colonial, muito bonito que foi demolido no início dos anos 60 (61 ou 62), onde hoje funciona um estacionamento do CBERJ. 

É bem interessante visitar o Quartel Central, não só pela bela construção em si, como pelo acervo, com fotos, história e carros de socorro da época.

FOTO 6Quartel de Bombeiros do Humaitá em 1910. Esta bela foto, enviada pelo Francisco Patricio, mostra uma região que ainda mantém muito de suas características de décadas passadas. Este quartel não mudou praticamente nada e é tombado. Acho que aquela casa lá em cima do morro também existe até hoje.

Já imaginaram, mesmo com o esforço de Lulu&Dudu, o quanto devia demorar até essas carroças chegarem ao local do incêndio?

Consta que a residência no alto do morro que se vê ao fundo é o Castelinho, antiga residência da família Barcelos. Dona Odete Barcelos a proprietária, era pintora e mantinha um atelier na parte baixa da encosta, na subida pela Rua Maria Eugênia ( em frente onde hoje é a entrada principal da Casa de Espanha). A este estúdio acorriam os escultores e pintores da época, estudantes interessados no convívio com os mestres e amigos. 

O espaço também era destinado ao incentivo de outras artes, como o balé, por exemplo. Era chamado de "Escolinha da Dona Odete". Anos depois, já nas mãos dos herdeiros de Dona Odete, o espaço continuou a exercer sua função cultural, alí eram dadas aulas de Tae Kwon Do na década de 90, entre outras atividades.

FOTO 7O Quartel da Tijuca, em foto enviada pelo Carlos Paiva. A esquina ao fundo é da Rua José Higino, quase esquina com Avenida Maracanã. À esquerda, fora da foto, junto ao muro, ficava a antiga 19ª Delegacia Policial (o Joel poderá confirmar).

FOTO 8Vemos uma imagem do hoje desaparecido quartel da Primeira Zona do Corpo de Bombeiros, no Cais do Porto.

Construída conjuntamente com as obras do Porto do Rio ela ficava instalada estrategicamente entre os dois pedaços do porto, ao lado do Gasômetro, junto aos estaleiros do Caju e defronte às pequenas ilhas da baia, que desde cedo começaram a virar depósitos de carvão e logo depois líquidos inflamáveis.

O quartel todo em estrutura metálica, técnica em voga no final do séc. XIX e primeiros anos do XX, tinha diversos elementos construtivos em comum a outras duas antigas unidades da cidade, o Quartel Central e o Quartel do Humaitá, notadamente os pilares que levantam a parte de alvenaria do local destinado as viaturas de combate à incêndio.


FOTO 9: Como esta foto deixou dúvidas, mais informações foram conseguidas através de troca de e-mails com o Sr. Abílio Afonso da Águeda, então responsável pelo Museu Histórico CBMERJ. 

Vejam a resposta do Sr. Abílio, no melhor estilo "General Miranda":

"Fico feliz pelo Museu Histórico poder ajudar na relevante contribuição das atividades dos fotologs no sentido de preservar e divulgar a memória de nossa cidade através de imagens antigas. 

Além do aspecto da memória visual, acho extremamente importante os comentários dos participantes sobre o contexto histórico e cultural dessas imagens, revelando informações, detalhes e curiosidades que muitas vezes se desdobram para além do conteúdo imagético fotografado". 


FOTO 10Seguem abaixo as referências das fontes das fotografias 8 a 10: - "cais do porto fachada" e "cais do porto 01": Manual do Bombeiro de 1930.  Revista Avante Bombeiro de julho de 1954, que aborda a maior tragédia do Corpo de Bombeiros, sobre a morte de 17 bombeiros do Quartel do Cais do Porto durante uma explosão que ocorreu na Ilha do Braço Forte em maio de 1954. 
 Abraços. 
Abílio Afonso da Águeda - Museólogo" 



FOTO 11: foto do Corpo de Bombeiros da Ilha do Governador. Área do Professor Jaime Moraes que, se aparecer por aqui, dará uma aula completa sobre este local.



FOTO 12Foto encaminhada pelo GMA.

Em 1918, D. Rosa Leopoldina Guimarães doa um terreno situado entre as antigas ruas Guimarães Caipora, atual Bolívar, e Furquim Werneck, atual Xavier da Silveira, destinando-a à construção de uma estação para o Corpo de Bombeiros.

Em 04 de março de 1920, foi inaugurado em Copacabana o Quartel do Corpo de Bombeiros, com a primeira designação de posto 11 – Copacabana, que, após, passou à denominação de Destacamento 04 – Copacabana.

 Em 1926 foi inaugurada a Praça Eugênio Jardim, situada em frente ao Quartel de Copacabana. O nome da praça é uma homenagem póstuma ao Major Bombeiro Militar Eugênio Rodrigues de Morais Jardim, ex-Comandante do Corpo de Bombeiros.

Situado na Rua Xavier da Silveira, 120 – Copacabana, os bombeiros deste quartel participaram de episódios relevantes tais como: “Os 18 do Forte”, em 1922, incêndio do prédio da Boate Vogue, em 1955, deslizamentos e desabamentos provocados pela enchente de 1966, incêndio no Centro de Convenções do Hotel Nacional, em 1977, deslizamentos no Morro do Pavão-Pavãozinho em 1983.

Ao longo destes anos, a arquitetura do quartel se mantém preservada em suas características. 

FOTO 13Nesta foto da Escola de Aviação Militar, de 1934, dá para ver um pedaço do "Caminho do Caniço" ainda aberto. É anterior à abertura do Corte do Cantagalo.

A seta vermelha assinala o prédio do Corpo de Bombeiros de Copacabana. 


FOTO 14: Em foto de 1966 vemos o prédio do Corpo de Bombeiros de Copacabana.

Se a tia Lu aparecer por aqui ela poderá explicar o que aconteceu quando estacionou o carro na Praça Eugenio Jardim, como o fusca à direita, esqueceu de deixar engrenado e de puxar o freio de mão: adianto que, por incrível sorte, em determinado momento, o carro desceu de ré, atravessou a rua sem bater em nada e parou na calçada oposta...


FOTO 15 Vemos o Pavilhão dos Bombeiros na Expo de 1908 na Praia Vermelha.


FOTO 16  Fotografia da Praça São Salvador tomada a partir da Rua Esteves Júnior. À esquerda, o antigo prédio do Corpo de Bombeiros.


FOTO 17  Cartão Postal da Expo de 1908.

FOTOS FINAIS (CARROS ANTIGOS DE BOMBEIROS)










quinta-feira, 23 de novembro de 2023

FLANANDO PELO MÉIER

“É o Méier o orgulho dos subúrbios e dos suburbanos”, já disse Lima Barreto.

O Méier, bairro que conheço muito pouco (e por isto preciso da ajuda dos comentaristas sobre as fotos), é o histórico centro da "Área dos Engenhos”, que hoje é conhecida como “Grande Méier”.

O bairro é dividido ao meio pela linha férrea da antiga Central do Brasil.

Considera-se como data de sua fundação 13/05/1889. Sua urbanização começou no século XVIII, com quilombos. Até 1884 era terra de jesuítas, depois foi presenteada por D. Pedro II ao amigo Augusto Duque Estrada Meyer.

O Meyer (pronunciado “Maier”) foi aportuguesado para “Méier”.


FOTO 1: Esta foto do Arquivo Nacional, colorizada e publicada por Tiago Bandeira, mostra o Ambulatório do IAPC do Méier, localizado na Rua Ana Barbosa nº 21, inaugurado em 1946. Atualmente é o Centro Municipal de Saúde César Pernetta.

O Dr. César Pernetta foi meu professor na Faculdade Nacional de Medicina, tendo sido um grande pediatra. Foi escolhido por nós para paraninfo da turma.

No dia da formatura no Teatro Municipal, ao chegar à tribuna com um calhamaço nas mãos, ouviu-se um grande murmúrio na plateia. O Dr. Pernetta então disse: “Vocês acham que vou falar tudo isso aqui?” Ouviram-se algumas risadas e, após uns instantes, ele disse: “Vou, sim!”.

Foram mais de duas horas de uma aula magna sobre a Pediatria no Brasil...

FOTO 2: Rua Arquias Cordeiro (Méier) em 14/12/52, vista na direção Todos os Santos para Méier. À esquerda, arvoredo do Jardim do Méier, inaugurado por Paulo de Frontin em 1919, em antiga chácara pertencente ao Dr. Arquias Cordeiro.

O Jardim do Méier é um dos poucos restantes no Rio de Janeiro que ainda apresentam um coreto. Também possui um Teatro de Guignol, para apresentação de marionetes.


FOTO 3: O prezado amigo Roberto Tumminelli conta que vemos o belo prédio do Corpo de Bombeiros do bairro. Fica na Rua Aristides Caire. O prédio foi totalmente modificado, com a parte lateral reformada para o estilo art-déco. A bela cúpula e as portas em arco também. Só restou a coluna central, também modificada. Estragaram essa bela arquitetura.

FOTO 4: Esta foto foi publicada pelo Nickolas Nogueira no Facebook. É da agência O Globo. Onde estaria esta carrocinha da Kibon?


FOTO 5:  Luciana Raposo me mandou esta foto de 1892, onde vemos Isabel Lacaille da Franca Amaral, despedindo-se de seu marido Tito Antônio da Franca Amaral na chácara da Bocca do Mato, atual Grande Méier (segundo ela). Isabel Lacaille, bisavó da Luciana, morou numa casa da Rua Francisco Otaviano onde hoje é o Arpoador Inn. Nessa época, recém-casada, tinha 15 ou 16 anos. 

FOTO 6: Enviada pelo prezado Lino Coelho. Vemos o Cine Bruni-Méier na Avenida Amaro Cavalcanti nº 105. Era o antigo Cine Méier, construído em 1919 com 627 lugares. Os conhecedores da região poderão dar muitos detalhes desta foto (esta foto foi publicada no UOL e os comentários foram perdidos).


FOTO 7: Ambulância do Posto do Meyer, em 1920, em foto de Malta. 

Nesta época a assistência médica de urgência era prestada apenas na zona central do Rio, chegando sua área de ação até a estação do Rocha, da Estrada de Ferro Central do Brasil. 

O restante da região suburbana era inteiramente carente de qualquer tipo de socorro - os doentes eram transportados pelos trens da Central até uma estação onde pudesse chegar a ambulância (isto levou à criação de uma sucursal de atendimento suburbano, com a inauguração do Posto do Méier em 1920).

FOTO 8: Obras para a construção do Hospital Salgado Filho. O hospital atual foi inaugurado em 1963.


FOTO 9: Ambulância do Hospital Salgado Filho. Que rua é esta?

FOTO 10: Outra foto do Arquivo Nacional publicada pelo Tiago Bandeira. O ano é 1944 e vemos obras de construção do Mercado São João, no Méier. O mercadinho foi construído pelo governo em diversos bairros para que a população movimentasse o comércio local. No entanto, não duraram muito. O da imagem ficava localizado atrás da Basílica Imaculado Coração de Maria. Hoje no local funciona o Fórum do Méier.


FOTO 11: Parece uma cidade em guerra, mas trata-se da Rua Leite Ribeiro, no Méier, em 1957, quando da instalação de manilhas para o escoamento das águas vindas do Guandu em direção à Zona Sul. As casas passam uma ideia de muita tranquilidade nesta zona residencial.

Atualmente a rua ainda mantém muitas casas e, curiosamente, uma parte dela é bem arborizada, enquanto a outra parte é árida.

FOTO 12: "Vila dos Bancários - Méier 1942" é a legenda desta foto do “Correio da Manhã”. Onde ficava?

FOTO 13: Jardim do Méier em 1967. Há carros antigos para serem identificados.


FOTO 14: A Praça Jardim do Méier fica entre as duas partes do Méier. É cercada pelo Corpo de Bombeiros, Hospital Salgado Filho, a Estação Méier e o Viaduto do Méier. É a área verde mais importante do bairro.

FOTO 15: O Jardim do Méier em 1970. Gosto muito desta foto.


FOTO 16: Para o trajeto Méier-Penha pegue o ônibus S4.


FOTO 17: Lotação Bonsucesso-Méier. Modelo Ford.


FOTO 18: Um belo engavetamento do lotação Meyer-Cascadura, com o ônibus Cascadura-Lapa e um bonde de nº 2010, que o Helio, se aparecer, identificará.


FOTO 19 Nesta fotografia, de 1960, enviada por minha amiga Lucia Beatriz, vemos D. Moema e Ana. Ela diz que é no Méier. O lotação é um Chevrolet 1954. Tempos em que o proprietário do lotação levava o veículo para casa.

Vendo esta rua calma, tranquila, só de casas, veio-me à lembrança a música de Garoto, Vinicius e Chico: "São casas simples/Com cadeiras na calçada/ E na fachada/ Escrito em cima que é um lar/Pela varanda/Flores tristes e baldias/ Como a alegria/ Que não tem onde encostar/ E aí me dá uma tristeza/ No meu peito/ Feito um despeito/ De eu não ter como lutar/ E eu que não creio/ Peço a Deus por minha gente/ É gente humilde/ Que vontade de chorar" .


FOTO 20: Este é o viaduto Castro Alves que liga os dois lados do bairro do Méier. Ele permite o percurso entre a Rua Dias da Cruz e a Aristides Caire, em direção ao bairro do Cachambi, passando sobre a Av. Amaro Cavalcanti e a Rua Arquias Cordeiro, por onde passava o bonde Cachambi.

O viaduto foi inaugurado em 1968 e atualmente suporta um trânsito bem complicado. Fora da foto temos o início da Rua Aristides Caire, onde começa o viaduto, e logo no início, após o quartel dos Bombeiros, à direita, está a 23ª Delegacia Policial, e, à esquerda, fica o novo Fórum do Meyer.

Na foto vemos ao fundo o Quartel do Corpo de Bombeiros, a Rural e o Fusca, estão indo no sentido da Rua Aristides Caire, o prédio branco da esquina da Rua Arquias Cordeiro ainda está lá, porém bastante destruído devido à falta de manutenção, assim como todos os prédios da Av. Amaro Cavalcanti em frente à estação do Méier.

Já ia me esquecendo, na Aristides Caire, depois do cruzamento da Rua Santa Fé, tinha o Restaurante Dom Chopp.

Quem terá feito este comentário? O Joel, o Helio, o Mauro xará, nenhum deles?