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sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
RUA OTAVIANO HUDSON
FOTO 1: a foto deste castelo me foi enviada pelo amigo Claudio Salles, que morava na esquina da Tonelero com a Praça Cardeal Arcoverde. Trata-se da última construção da Rua Otaviano Hudson, em Copacabana, que, na época, era calçada por paralelepípedos.
Esta rua começa na Tonelero e acaba logo após a Rua Maracanaú.
No final da Otaviano Hudson a ladeira se torna mais íngreme, ao final da qual
havia um portão de acesso aos jardins do castelo. Na época da foto o único prédio da rua era o de nº 16.
A foto é dos anos 50/60 e, em breve, estará circulando nos grupos da Internet sem os devidos créditos, como quase sempre.
A Claudia Gaspar, autora de vários livros fantásticos sobre o Rio Antigo, como o "Orla Carioca", informou que o castelo era da família Gonçalves.
O "Saudades do Rio" agradece a colaboração do Claudio.
FOTO 2: vemos um aspecto da Rua Otaviano Hudson no início dos anos 70, de autoria do famoso Gyorgy Szendrodi.
FOTO 3: vemos o prédio que agora ocupa o local onde era o castelo, em foto recente enviada pela tia Milu, a quem o SDR agradece.
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
TOPIARIA
FOTO 2: Vários
artigos comentam que para "esculpir" uma planta são necessários,
normalmente, vários anos de intervenções que consistem, entre outras técnicas,
em utilizar estacas e armações para guiar o crescimento e obter as formas que
de outra maneira seriam impossíveis de conseguir.
Entretanto, há relatos de trabalhos feitos no Rio somente com tesouras,
sem o uso de arames que envolvessem as plantas. Burle Marx eram contrário às
topiarias, assim como qualquer técnica que modificasse a forma natural das
plantas.
FOTO 3: Era um tempo em que a cidade era cuidada, com
carinho e competência, pela Prefeitura. O Departamento de Parques e Jardins funcionava, embora desde aquela época já houvesse reclamações sobre o serviço de poda mal feito. Problema que só piorou quando a Comlurb assumiu esta função.
FOTO 4: Os
responsáveis pelo trabalho que vemos nas fotos eram artistas chamados de
topiários. Eles vinham de Portugal, assim como os calceteiros e estuqueiros.
Como não foram substituídos, a prática se extinguiu por aqui. Os calceteiros
atuais são extremamente incompetentes se comparados aos portugueses. Basta comparar
nossas calçadas com as portuguesas.
FOTO 5: Foto garimpada pelo Nickolas. Mais um exemplo do trabalho de topiaria na Praça Paris. E, à direita, o saudoso Monroe.
FOTO 6: A planta mais
usada em topiaria urbana é o “Ficus”, cujo crescimento pode ser direcionado
através de armações e estacas e até pouco tempo era muito usado para cercas
vivas.
O problema é
que a folha do “Ficus” se transformou no criadouro do inseto que infernizou os
olhos dos cariocas nos anos 60 e a Prefeitura resolveu erradicar o “Ficus” da
nossa cidade.
Se não me
engano, pouco antes de pegar o apelido de "lacerdinha", aqueles
bichinhos pretos que adoravam a cor amarela e os olhos das pessoas, eram
chamados de "azucrinóis".
Este último
apelido derivou da história em quadrinhos da Família Buscapé, aquela do
Ferdinando, da Chulipa, do Lúcifer, da Violeta, em Brejo Seco, onde havia uns bichinhos
que azucrinavam os personagens.
A foto é no Campo de Santana.
De um momento para outro a roupa era coberta por estes pequenos pulgões pretos e quando algum caía nos olhos imediatamente havia uma sensação de queimação, que gerava lágrimas.
À época concluiu-se que o
uso de inseticidas era inviável, apesar de tentativa de se usar o “FLIT”.
As árvores “Ficus” eram o
reservatório maior. A cor amarela exercia uma atração especial para estes
insetos. Durante toda a década de 60 se discutiu como resolver o problema. Não
me lembro como foi o final desta história, mas os “lacerdinhas” acabaram desaparecendo.
sábado, 13 de janeiro de 2024
CASSINO DA URCA
“A repressão aos jogos de azar é um imperativo de consciência universal; a tradição moral, jurídica e religiosa do povo brasileiro é contrária à prática e exploração dos jogos de azar e, das exceções abertas à lei em geral, decorrem abusos nocivos à moral e aos bons costumes”.
Assim justificou o Presidente Dutra a extinção do jogo no Brasil, deixando desempregadas mais de 40 mil pessoas.
FOTO 1: O prédio do Cassino da Urca foi construído nos anos 20 para funcionar como um hotel-balneário. Transformou-se em cassino na década seguinte, pelas mãos de Joaquim Rolla. Com a proibição do jogo no Brasil, em 1946, perdeu sua finalidade e acabou virando a sede da TV Tupi, nos anos 50. Mais adiante, depois de muito tempo abandonado, foi ocupado pelo IED - Instituto Europeu de Design e, atualmente abriga a escola Eleva.
Foi projetado pelos arquitetos Archimedes Memória e Francisco Cuchet para acomodar turistas que viriam à Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Após a exposição, vegetou por alguns anos, até ser adquirido em 1935 pelo empresário dos jogos Joachim Rollas, que o converteu em cassino. As obras de adaptação foram realizadas pelo engenheiro Mário Chagas Dória, ficando a decoração interna a cargo do arquiteto Wladimir Alves de Sousa, que criou os belos salões em estilo art-déco, que ainda subsistem. Seu período áureo foi de 1938 a 1946, quando grandes nomes artísticos nacionais e internacionais e uma clientela selecionada contribuíram para que se tornasse uma das mais disputadas casas das américas. Artistas de um porte de Josephine Baker, Maurice Chevalier, Mistin Guett, Carmem Miranda, Eros Volúsia, Alvarenga e Ranchinho, Oscarito, Grande Otelo e Ankito, realizaram shows memoráveis em seus palcos.
FOTO 2: Quem brilhou no Cassino da Urca e na TV Tupi foi a vedete Virginia Lane. Atuou na TV em atrações como o programa "Espetáculos Tonelux" e, também, contando histórias infantis, fantasiada de coelhinho, no programa "Coelhinho Teco-Teco". Além disse teve uma longa carreira no cinema e, mais velha, participou de várias novelas.
FOTO 3: Esta foto e as coloridas seguintes
fazem parte de um “folder” publicitário de época do Casino Balneário da Urca. São
do acervo de Monsieur Rouen de Michelin de Mont-de-la-Veuve, remanescente das
tropas de Villegaignon no projeto da França Antarctica. M. Rouen também atende
por Claude Fondeville.
FOTO 4: Neste palco era comum a presença de grandes atrações internacionais como Bing Crosby, Toni Bennett, Amália Rodrigues, Carmen Miranda e Edith Piaf. Dos artistas nacionais tínhamos Virginia Lane, Grande Otelo, Emilinha Borba, Marlene, Linda Batista, Dircinha Batista, Heleninha Costa, e Dalva de Oliveira entre muitos outros famosos.
Neste Casino também
tivemos outros grandes nomes que se tornaram músicos e empresários como os
integrantes da orquestra de Carlos Machado, a Brazilian Serenaders onde vamos
ter a presença do simpático violinista Fafá Lemos, que depois vimos tantas
vezes em apresentações na TV-Tupi, o crooner e pianista Dick Farney que mais
tarde veríamos na película “Carnaval na Atlântida em 1952”.
Dizem que alguns músicos
também se apresentavam no mesmo dia no Casino Hotel Balneário Icaray e que para
chegar até lá saíam de barco da Urca e o grande problema era em dias de chuva e
mar agitado. Um pouco antes do Ed. Seabra, na Av. João Luiz Alves, existe o
resto de um atracador; será que era de lá que saíam?
FOTO 5: Um ambiente sofisticado, com muita música, dança, boa comida e vestimentas de luxo.
FOTO 6: Quanto custaria uma noitada no Cassino da Urca, sem considerar eventuais perdas nas roletas ou nas cartas?
FOTO 7: Todos os itens eram cuidadosamente apresentados como beleza do lugar, ar condicionado (raro em grandes áreas naquela época) , frequentadores de fino trato e, é claro, os shows.
FOTO 8: Suponho que esta imagem represente alguma festa especial, pois no dia a dia, para haver um número razoável de pessoas, as vestimentas deveriam ser mais simples.
FOTO 9: M. Rouen, gentilmente, conseguiu um convite extensivo a todos os comentaristas do "Saudades do Rio".
FOTO 10: Sorte para os que forem jogar. Que recebam muitas dessas fichas ao acertarem na roleta.
FOTO 11: Foto de Hart Preston. O palco, o fosso da orquestra (que subia e descia conforme a necessidade), a pista de dança, as mesas e os camarotes.
FOTO 12: Foto de Hart Preston. A pista de dança repleta.
FOTO 13: O ar-condicionado sempre a 21ºC era um grande diferencial do Cassino da Urca.
FOTO 14: Espetáculos circenses também faziam parte do show. Havia "matinées" e "soirées". Às vezes eram distribuídos brindes aos frequentadores.
FOTO 15: Aspecto de um dos salões de entrada, em estilo art-déco. Provavelmente foi onde se instalou o auditório da TV Tupi.
Um anúncio curioso do “Casino
da Urca” em 1940: “Conserve sua belleza. Como? Não se fatigando. Não commemore
anniversarios. Não offereça jantares. Não obsequie em sua residencia. Tudo isso
lhe dará trabalho e rugas, as rugas que não se apagam mais. Seja moderna:
pratique todos esses actos de cortezia fora de casa, num club, num casino. Que
Casino? O Casino da Urca, o mais distincto, o mais alegre, num ambiente
refrigerado com perfeição. Conserve sua belleza: a belleza reside na mocidade.”
PS: O tema dos cassinos gera muita polêmica, há muito tempo. Há vários prós e contras que, certamente, serão debatidos nos comentários.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
ONDE É?
Hoje temos oito fotos, todas do Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã, algumas muito fáceis, várias médias e algumas muito difíceis, pois há poucos elementos para identificar.
Em algumas há automóveis que, provavelmente, tirarão o prezado obiscoitomolhado da caixa para uma aula.
Divirtam-se!
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
PRAIA DE BOTAFOGO
Mais uma vez temos uma postagem com a colaboração dos amigos especialistas do Rio Antigo. Conceição Araújo garimpou esta linda fotografia de Guilherme Santos, na Brasiliana Fotográfica, acervo do IMS, mostrando a Praia de Botafogo, com um bonde na esquina da Rua Marquês de Olinda.
A foto é por volta de 1930, pois é possível observar que a estátua do Cristo Redentor está em construção. O bonde é da linha “Copacabana”, que foi extinta muito cedo, e tem o nº de ordem 96.
Vemos, ao lado do bonde, o prédio onde
funcionou a “Escola Amaro Cavalcanti” (em "alta" o letreiro é bem legível). O “Correio da Manhã” noticiou em 1929 que
esta escola se adequou à “Reforma do Ensino de Fernando Azevedo”, a grande lei
que modificou as normas educativas das escolas municipais, trazendo novos
processos pedagógicos aliado a uma profunda irradiação de educação social. Deu,
então, à antiga “Escola do Aperfeiçoamento”, uma organização mais ampla.
Na adaptação do prédio a
este novo endereço houve grande contribuição dos fornecedores, com doações ou
abatimentos de preços dos materiais, atendendo a finalidade dos cursos
gratuitos oferecidos.
Os cursos seriam em três turnos, das 8 horas até as 22 horas. Amparado pelo esforço e dedicação incansável da administração municipal, pela boa vontade e competência do corpo docente especializado, desejo de aprender do corpo discente e com o auxílio inestimável do Comércio, a Escola Amaro Cavalcanti contribuirá para a execução do grande Código de Educação Social que é a Lei Fernando de Azevedo, conclui o jornal.
Porém este prédio, que tinha como endereço "Praia de Botafogo nº 296", durou pouco tempo, como veremos abaixo.
No lugar do casarão da Escola Amaro Cavalcanti foi construído, em meados da década de 1930, o Edifício Pimentel Duarte, que aqui vemos num aquarela de Felisberto Ranzini.
E falar no Pimentel Duarte é obrigatório nos debruçarmos sobre as pesquisas do amigo Rouen, Claude de Fondeville, fã nº 1 deste prédio.
Conta o Rouen que o número original do prédio era 290 e o que foi construído em seu lugar em 1982, o Centro Empresarial Botafogo, adotou o nº 300, como estratégia de marketing.
A entrada do Pimentel Duarte, preparada para receber veículos, possuía uma ampla marquise em cimento armado, a fim de abrigar os automóveis em dias de chuva.
Em toda área havia uma belíssima geometria na colocação dos mármores e a entrada era atapetada em desenho geométrico. Mais adiante as portas sociais dos dois apartamentos de três quartos, localizados na parte dos fundos.
Este edifício possuía três plantas distintas a saber:
Esta fotografia é de autoria do amigo Rafael Netto e foi feita com o propósito de comparação com a imagem da aquarela. Foi feita em 2007 e publicada no seu saudoso fotolog "Ontem e Hoje".
Vemos uma panorâmica da Praia de Botafogo. Como já se comentou bastante, a bucólica região se encheu de prédios, a partir
do Pimentel Duarte, que foi construído em 1936 e depois de passar por abandono, acabou sendo
demolido no início da década de 1980, para a construção do Ed. CAEMI, atual
Centro Empresarial Botafogo, o edifício maior no centro da foto.
Para a esquerda da imagem, os grandes blocos do Ed. Coral e adjacentes
bloqueiam a vista da Pedra da Gávea. Nos espaços entre os edifícios, existem o
casarão do antigo Colégio Andrews, e o terreno vazio deixado pela demolição de
um casarão no início dos anos 90, usado como estacionamento.
Do lado oposto, o gigantesco Ed. Argentina domina a paisagem. Entre eles, a
igreja da Imaculada Conceição permanece no mesmo lugar, mas não reina mais
sobre a praia como outrora.
Aproveitando a vizinhança reproduzo esta foto, que é o resultado
de uma pesquisa do Rouen, na primeira década do século XXI, sobre a localização da mansão do Dr. Miguel Couto, na
Praia de Botafogo.
Acompanhando a foto acima
para nos localizar temos começando pela esquerda:
• Na frente das 4
palmeiras que vemos, dentro de uns 10 anos os arquitetos Paulo Pires e Paulo
Santos que se assinam Pires, Santos irão entregar o Ed. Pimentel Duarte ao
proprietário homônimo.
• A Rua Marques de Olinda
esquina com a Praia de Botafogo.
• A casa da esquina onde atualmente existe um edifício com o nº 284 e uma série
de lojas e sobrelojas abandonadas.
• A tão procurada
residência do Dr. Miguel Couto onde atualmente temos o Ed. Vitória, de nº 280, erguido no final dos anos quarenta.
• Um edifício pertencente
a Igreja ao lado.
• A igreja Imaculada
Conceição.
Aqui vemos a qualidade da pesquisa do amigo Rouen. Foi uma perda incalculável para a história do Rio a desativação dos fotologs do Terra, onde havia tanto sobre o Rio de antigamente.
Neste interessante desenho da planta de situação vemos a área total do
imóvel na qual podemos observar com espanto e diria até com admiração que a
área ocupada pelo edifício propriamente dito era praticamente somente 1/3 da
área do terreno total.
Temos então em legenda:
1 – Entrada social
2 - Entrada de serviço para acesso ao terreno pelo lado direito e para o
edifício com entrada pelas duas laterais.
3 – Entrada para a garage.
4 _ Play-ground onde foram mantidas as palmeiras das quais eu me referia.
Pontos interessantes a considerar:
• Pela entrada social os veículos possuíam acesso para a deixar o passageiro
sob uma grande marquise na entrada do Hall sem que os passageiros pegassem
chuva. Vamos encontrar este tipo de solução em alguns edifícios construídos
nesta época.
• A entrada de serviço era feita lateralmente inclusive não se tinha acesso por
esta parte do prédio senão pela entrada 2.
• Manutenção das palmeiras lá existentes e criando-se um pequeno parque com
play-ground, coisa pouco encontrada nos edifícios da época.
• O play-ground possuía também uma entrada lateral própria em 4.
• Existência de uma garagem para os moradores, o que somente veríamos
aparecer na década de 50. A notar que depois de estacionar o veículo a pessoa
caminhava pela área interna do edifício passando pela parte traseira da garagem
e em seguida pelo Play.
(Desenho: Arquitetura e Urbanismo -- Órgão Oficial do Instituto de Arquitetos
do Brasil).
E terminamos com esta colorização do Nickolas, com destaque para o Ed. Pimentel Duarte, reinando na Praia de Botafogo.
Mais uma vez os agradecimentos aos colaboradores.











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