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quinta-feira, 2 de maio de 2024

HOMENAGEM A JOSÉ MEDEIROS

José Medeiros, piauiense, chegou ao Rio em 1939 e, no ano seguinte, iniciou sua exitosa carreira como fotógrafo profissional. Em 1946, a convite de Jean Manzon, foi para a revista "O Cruzeiro".

Em 1962 deixa a revista, criando sua própria agência fotográfica, a "Imagem", em parceria com Flávio Damm. A partir de 1965 passou a trabalhar com cinema, onde foi diretor de fotografia de inúmeros filmes de sucesso.

As fotos de hoje são do excepcional livro "Olho da Rua", da Aprazível Edições, que recomendo muito. 

José Medeiros foi um dos grandes da fotografia nacional.

FOTO 1: Onde está o bonde "Estácio"? Ali, à esquerda, seria uma bomba de gasolina?

FOTO 2: As moças na Praia de Ipanema com a Pedra da Gávea.

FOTO 3: Um passeio de um daqueles antigos carrinhos de bebê pela estreita calçada junto à praia, em Copacabana.

FOTO 4: As elegantes cariocas em um desfile de modas. O chão de tacos faz um efeito especial nesta bela foto em preto e branco.

FOTO 5: A Av. Presidente Vargas em época de eleição. Os "santinhos" espalhados sujam tudo. O segundo carro, à direita, leva um cartaz sobre a traseira que parece ser propaganda de Ademar de Barros.


FOTO 6: Os desfiles de 7 de Setembro faziam sucesso e era um grande programa familiar. Os joelhos do menino de gravatinha parecem esfolados.

FOTO 7: O Teatro João Caetano, nos anos 50, com a peça "Deixa que eu chuto", com Lauro Borges, Marlene, Floripes Rodrigues e Walter D´Ávila.


FOTO 8: Um Dodge na Av. Rui Barbosa, com o Pão de Açúcar.

FOTO 8a: O Nickolas homenageia o José Medeiros colorizando a foto. Como alguns reclamaram da cor do Dodge, foi obrigado a fazer a opção abaixo.

FOTO 8b: A cor do Dodge mudou, mas a loura continua brilhando.


FOTO 9: A moça tomando Crush é a Dulce Nunes, Dulce Bressane de solteira. Aparentemente ela está onde funciona hoje a Escola Gabriela Mistral. Ao fundo, o Círculo Militar. Dulce casou-se com Bené Nunes, era cantora e estrelou o filme "Estrela da Manhã".


FOTO 9a: Aqui é o Reinaldo Elias que homenageia José Medeiros com a colorização da foto.


FOTO 10: José Medeiros documenta um baile de carnaval no Teatro Municipal. Felizmente há muito tempo o espaço do teatro não é cedido para bailes.




quarta-feira, 1 de maio de 2024

1º DE MAIO

A chegada dos imigrantes europeus ao Brasil trouxe ideias sobre princípios organizacionais e leis trabalhistas, já implantadas na Europa. Os operários brasileiros começaram a se organizar. Em 1917 aconteceu a Greve Geral, que parou a indústria e o comércio brasileiros. A classe operária se fortalecia e, em 1924, o dia 1º de Maio foi decretado feriado nacional pelo presidente Artur Bernardes.

Mesmo tendo sido declarado feriado no Brasil, até o início da Era Vargas o 1º de Maio era considerado um dia de protestos operários, marcado por greves e manifestações. A propaganda trabalhista de Getúlio Vargas habilmente passou a escolher a data para anunciar benefícios aos trabalhadores, transformando-a em “Dia do Trabalhador”. Dessa forma, o dia não mais era caracterizado apenas por protestos, mas um dia comemorativo.


Durante muitos anos os desfiles comemorativos se realizaram no Estádio de São Januário (certa vez, por motivos políticos, foi realizado no Estádio do Pacaembu).

Milhares compareciam com faixas e bandeiras para saudar Vargas.

Trabalhadores de várias indústrias compareciam em massa.

As faixas homenageiam Getúlio Vargas, o "Pai dos Pobres". A Consolidação das Leis Trabalhistas ocorreu durante a ditadura Vargas e ele se tornou o líder político que concedeu os direitos trabalhistas aos brasileiros. 


Há muito tempo esta cópia da Carteira Profissional de Vargas me foi enviada pelo Mauro Xará.


Nos anos 70 as comemorações do 1º de Maio aconteciam na Quinta da Boa Vista, com multidões assistindo a apresentações musicais.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

RUA SIQUEIRA CAMPOS

Hoje vamos ver algumas fotos da Rua Siqueira Campos, quase todas inéditas aqui no "Saudades do Rio". São fotos de diversas épocas.

A Rua Siqueira Campos, antiga Rua Barroso, foi aberta para facilitar o acesso a Copacabana, substituindo o antigo caminho do Forte do Leme, demais desconfortável, como conta Paulo Berger.

Entregue ao trânsito desde os meados do século XIX, somente foi reconhecida oficialmente em 1854, sendo macadamizada em 1896.  

Recebeu o nome de Siqueira Campos em 1931.

De autoria de Gervásio Batista, a foto é de 1955 e mostra o tradicional "Ponto de 100 réis", na esquina da Avenida N. S. de Copacabana com a Rua Siqueira Campos, sendo demolido. Neste espaço foi construído o atual Centro Comercial de Copacabana, antes era a Estação de Bondes de Copacabana.

O "Ponto de 100 réis" ficava numa das esquinas da Praça Serzedelo Correa, local central do bairro, onde está a Igreja Matriz e onde, nos primeiros tempos de Copacabana, ficava a ramificação dos bondes que vinham pelo Túnel Velho e se dirigiam para o Leme ou para a "igrejinha" do Posto 6.

Ao lado dos sobrados em demolição podemos ver o edifício da antiga Companhia Telefônica Brasileira, que está de pé até hoje.

Esta denominação de "ponto dos 100 réis" existia em vários locais da cidade. Sua origem está ligada às linhas de bonde e ao preço da passagem. As linhas muito extensas costumavam ter um ponto a partir do qual era necessário pagar outra passagem, ou seja, mais 100 réis. Mesmo quando o preço deixou de ser esse, a denominação permaneceu.


 Aqui vemos o Edifício Guahyra, no nº 60 da Siqueira Campos.


Conheci a Siqueira Campos em meados da década de 50 com muitas casas assim. Algumas poucas sobreviveram. A rua de paralelepípedos era a que servia para o trajeto dos bondes indo e vindo do Túnel Velho. Frequentei muito o cinema Flórida, entre Barata Ribeiro e Av. Copacabana, lado ímpar.  Na época a rua tinha mão-dupla.


Vemos a esquina de Barata Ribeiro com Siqueira Campos. Aquelas grades na esquina tiveram sua época. Os sinais tinham duas luzes apenas. O fotógrafo está na Siqueira Campos.


Vemos a mesma esquina, agora com o fotógrafo na Barata Ribeiro.


Foto de1960, no trecho entre Copacabana e Siqueira Campos, defronte do cinema Flórida. O carrão é um Oldsmobile 1956. O lotação é Magyrus-Deutz.
Acho que no prédio da esquina, à direita, ainda funcionava o Café Pernambuco. Sempre me chamava a atenção quando, passando de bonde, via um grande número de pessoas tomando café em pé no balcão.

Era uma época em que capas e galochas faziam parte da indumentária masculina. Hoje foram completamente abolidas.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

GP BRASIL - TURFE

Antigamente o Grande Prêmio Brasil era um dos grandes eventos da cidade do Rio de Janeiro. Era realizado sempre em agosto (agora é no 1º semestre, este ano em junho).

Vemos hoje fotografias dos anos 1950 no Jockey Clube Brasileiro, um dos mais belos hipódromos do mundo.


Na foto acima vemos o Jockey Club Brasileiro no dia do Grande Prêmio Brasil de 1954. No páreo principal, ouviu-se o famoso "Dá-lhe, Rigoni!" e, montando "El Aragonês", com 59 quilos, o famoso jóquei, talvez o melhor "freio" a montar na Gávea, ganhou o páreo.

A seguir chegaram Joiosa, Bakari, Quasi e Yorick. "El Aragonês", um castanho de 5 anos, filho de Ramazon e El-Chú, de propriedade do Stud Piratininga, era treinado por O. Ojeda.

No momento da foto, provavelmente, iria ser corrido um páreo em 1200 metros na grama, pela movimento junto ao partidor (à esquerda, na parte inferior). 

O partidor, naquele tempo, era ainda uma fita e não os boxes metálicos, individuais, de hoje. Por isto, muitas partidas não eram boas, dada a dificuldade de alinhamento dos animais.

Esta bela mulher foi uma ds presentes neste GP Brasil de 1954. Foi uma dos mais espetaculares de todos os tempos. O vencedor, o argentino El Aragonés, foi corrido em último, afastado do penúltimo, tendo virado a reta nessa posição. Foi a maior atropelada jamais vista em um G.P.Brasil ! Foi alcançar a mencionada Joiosa (Stud Rocha Faria) em cima do disco.

Foi a primeira vitória de Rigoni num GP Brasil, o que provocou um delírio entusiástico na assistência. )O magnífico El Aragonês já vencera naquele ano, em SP e com o mesmo Rigoni, o Grande Prêmio IV Centenário, prova com excepcional dotação, superior até ao GP Brasil.

Para os turfistas e apreciadores de corridas da época, a vitória do argentino foi, contudo, imerecida, pois a aguerrida Joiosa, do Stud Rocha Faria, sofreu bastantes percalços durante todo o percurso (3000m), culminando com a queda, à sua frente, de dois concorrentes (Titanic e Efusivo). Isso obrigou seu jóquei, o bridão chileno Emigdio Castillo, a desviá-la do caminho original. Sua atropelada, porém, numa brecha junto à cerca interna, foi tão ou mais espetacular que a de El Aragonês, por fora, com pista totalmente livre. A diferença entre os dois, no disco de chegada, foi apenas de cabeça.


No ano de 1955 o vencedor foi o argentino Mangangá, filho de Gulf Stream e Margarida, estreava na Gávea e o fez de forma espetacular, derrotando Adil, um excepcional cavalo que venceu por três vezes consecutivas o GP São Paulo, em Cidade Jardim, mas nunca conseguiu vencer o GP Brasil. 

Em terceiro finalizou Quiproquó (que chegara em 10º lugar em 1954), com Ballenato em quarto e Profundo em quinto. El Aragonês, montado pelo chileno Luiz González, não atropelou como no ano anterior e terminou fora do marcador.

Em fotos da revista "Manchete" vemos o aspecto do Hipódromo da Gávea em 1955.


O hipódromo lotado aguardava a largada do GP Brasil. A bandeira vermelha hasteada indicava que as apostas já haviam sido encerrada e a largada do páreo era iminente. 

A prova, durante muitos anos, foi disputada em 3000 metros e de uns tempos para cá passou a ser disputada em 2400 metros.

À época, agosto devia ser um mês frio, pois as elegantes usavam e abusavam de roupas de inverno.

Chapéus dos mais diversos tipos e casacos de pele sempre faziam sucesso.


O importante era ver e ser vista. Se tivesse foto nas colunas sociais ou nas edições especiais da "Manchete" ou de "O Cruzeiro", era a glória.




quinta-feira, 18 de abril de 2024

REVISITANDO A ZONA NORTE

Revisitamos a Zona Norte com fotos do acervo do Correio da Manhã. A maioria apareceu no saudoso 1º Concurso Sherlock Holmes do “Saudades do Rio”, muitas enviadas pelo Helio.


FOTO 1: Vemos o Largo do Engenho Novo, em 01/09/64. Situado no limite entre as ruas Arquias Cordeiro e Sousa Barros. À direita deste largo existe o acesso às plataformas da estação de trens do Engenho Novo. A cerca de 80 metros à frente dobra-se à direita e passa-se sob a linha férrea, em passagem inaugurada em 1921 e que permitia também o tráfego de bondes. Essa passagem é impropriamente chamada de "buraco do padre".



FOTO 2: Largo do Estacio, em 1940. O fotógrafo está na Rua Joaquim Palhares; os cavalarianos estão entrando na Rua do  Estácio; o desvio dos trilhos dos bondes, à esquerda, levam à Rua Machado Coelho. O gradil, à direita, é da igreja do Divino Espírito Santo.

FOTO 3: Largo dos Pilares em 12/03/53. A rua em frente é a João Ribeiro, direção  Thomaz Coelho; à esquerda, Avenida Suburbana, direção Abolição; à direita, Rua Alfredo de Souza Mendes, direção Inhaúma. A moça, com o pezinho no meio-fio, faz charme para o fotógrafo.


FOTO 4: Passagem de nível na estação Irajá, em 13/08/1950, da antiga Estrada de Ferro Rio d'Ouro. Os trilhos do bonde estão na Avenida Monsenhor Félix; os do trem, na avenida Automóvel Clube. A locomotiva está vindo da Estação de Colégio e se dirigindo para a de Vicente de Carvalho.

Os trilhos do bonde eram da linha 98 - Irajá, que saía de Madureira (posteriormente, de Magno) e terminavam em Irajá, perto do cemitério, num percurso de aproximadamente 5,5km. Esse ramal de bonde originalmente pertencia à Linha Circular Suburbana de Tramways, subsidiária de uma firma inglesa, e foi inaugurado em 28/09/1911 usando bondes puxados a burro comprados de segunda mão da Companhia de Carris Urbanos, cujos trechos já tinham sido eletrificados pela Light.

Curiosamente, foi o último ramal a burro inaugurado no Rio de Janeiro e também o último a ser desativado já pela Light, em 28/03/1928.

Também curiosamente, constata-se que os ingleses construíram o primeiro e o último ramal de bondes puxados a burro na cidade do Rio de Janeiro.


FOTO 5: Praça Barão de Drummond, em 04/03/51, em Vila Isabel. Os ônibus estão parados na Rua Barão de São Francisco, em direção à Rua Teodoro da Silva. Vê-se a escadaria que dá acesso ao Convento de N. Sa. da Conceição da Ajuda. O antigo nome da praça era Sete de Novembro, em comemoração à lei promulgada em 07/11/1831 e que considerava livres os escravos importados da África a partir daquela data. Vulgarmente a praça era chamada apenas de Praça 7.


FOTO 6: Vemos a Rua Domingos Lopes, em 15/02/1964. O fotógrafo está olhando em direção ao Largo do Campinho. A rua cuja esquina se vê à direita é a Maria José. O ônibus é da linha 689 – Méier x Campo Grande e está indo em direção à Rua João Vicente, que beira a linha férrea da Central. 


FOTO 7: Esta foto também fez parte do Concurso. É o Boulevard 28 de Setembro. Me diverti muito lendo o "tiroteio" que aconteceu quando foi publicada em 18/11/2010. A briga começou na identificação do local exato da foto e prosseguiu quando divulguei os pontos que cada um dos comentaristas fez. O número de inconformados com o resultado foi enorme.


FOTO 8: Olha à direita!!! Não se sabe se todos que estavam no estribo do bonde passaram ilesos. 

Estamos na Rua Barão do Bom Retiro, já no bairro do Grajaú, entre as ruas Alexandre Calaza e Nossa Senhora de Lourdes. O prédio baixo que se vê acima da Rural é na curva de chegada ao cruzamento triplo com as ruas Alexandre Calaza, Engenheiro Richard e Teodoro da Silva.

A foto foi tirada durante uma greve de transportes, ocorrida em 10/10/1961. O bonde da linha 68 - Uruguay x Engenho Novo está se dirigindo para o Largo de São Francisco, via Grajaú, Tijuca e Estácio. Normalmente as ruas de ida do trajeto dos bondes eram as mesmas de vinda, mas este trecho da Barão de Bom Retiro era de mão única. Nota-se pintada na carroceria do bonde, acima da mulher que aparece imprensada dentro na cabine do motorneiro, uma letra "B", indicativa de que o bonde pertencia à Seção de Tráfego do Boulevard 28 de Setembro, localizada onde atualmente se encontra a quadra da escola de samba Unidos de Vila Isabel e responsável pelas linhas de número 60 (Muda x Marquês de Abrantes) até 75 (Lins de Vasconcellos).