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sábado, 27 de julho de 2024

LOCUTORES E APRESENTADORES

 

 LOCUTORES E APRESENTADORES (Segunda parte), 

por Helio Ribeiro

Esta postagem é continuação de sua homônima, recém-postada aqui no SDR.

FLÁVIO CAVALCANTI (15/01/1923 – 26/05/1986)

Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti era carioca e um dos mais famosos e polêmicos comunicadores brasileiros. Poucos sabem, mas também foi compositor.

Seu primeiro programa na rádio foi Discos Impossíveis, na Rádio Tupi, em 1952, e que depois passou a ser transmitido pela Mayrink Veiga. Em 1955 apresentava nessa mesma emissora, junto com Jacinto de Thormes, o programa Nós, os Gatos.

Sua carreira televisiva começou em 1957, com o programa Um Instante, Maestro!, na TV Tupi. Pouco tempo depois passou para a TV Rio, apresentando o Noite de Gala.

Em 1965 foi para a TV Excelsior, reeditando seu programa Um Instante, Maestro!, no ano seguinte voltando à TV Tupi, onde lançou também A Grande Chance e Sua Majestade é a Lei.

Em 1970 estreou o Programa Flávio Cavalcanti pela Rede Tupi, transmitido aos domingos, às 18h. Foi um dos primeiros programas transmitidos para todo o Brasil usando a rede fornecida pela Embratel.

Estando a TV Tupi com problemas financeiros, em 1976 Flávio foi para a TVS, reeditando seu famoso Um Instante, Maestro!.

Em 1978 retornou à TV Tupi com seu Programa Flávio Cavalcanti, agora transmitido aos sábados. Ali permaneceu até o fechamento da emissora, em 1980.

Em 1982 foi para a Rede Bandeirantes, apresentar Boa Noite, Brasil.

De 1983 a 1986 foi para o SBT, novamente com Programa Flávio Cavancanti.

Conservador assumido, Flávio apoiou o golpe militar de 1964. Era francamente contra o homossexualismo e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apesar disso, ao defender uma entrevista dada por Leila Diniz em O Pasquim passou a ser alvo da Censura Federal. Em 1973 seu programa foi suspenso pela censura por 60 dias em virtude da apresentação da história de um homem inválido que havia “emprestado” a mulher ao vizinho.

Sofreu um grande drama pessoal: brincando de jogar o neto para o alto e ampará-lo na queda, falhou nisso e a criança caiu ao chão, morrendo.

No dia 22 de maio de 1986 Flávio fez uma rápida entrevista no seu programa, jogou o dedo para cima dizendo sua célebre frase Nossos comerciais, por favor!, mas após estes quem voltou foi Wagner Montes, anunciando que Flávio voltaria no próximo programa. Não voltou. Nos bastidores, sofreu uma isquemia miocárdica e morreu quatro dias depois.

 

GONTIJO TEODORO (20/03/1924 – 05/09/2003)

Gontijo Soares Theodoro era mineiro de Araxá. Seu pai era um caixeiro-viajante espanhol e sua mãe era costureira. Gontijo desde criança brincava de locutor falando numa latinha de massa de tomate, à guisa de microfone.

Mudando com a família para o Rio de Janeiro, Gontijo imitava os locutores famosos da época, como César Ladeira e Urbano Lóes.

Sua carreira começou na Rádio Bandeirantes de São Paulo, mudando pouco depois para a Rádio Nacional, sempre como locutor. Sendo o rádio o grande meio de comunicação da época, Gontijo passou a apresentador de programas.

Nessa época surgiu a televisão no Brasil e Gontijo foi convidado a apresentar Retratos da Semana, na TV Tupi. Jornalista registrado, passou a apresentar o Repórter Esso, que já existia no rádio e que ia ser inaugurado na TV. Ficou à frente desse programa por quase 19 anos. Com sua voz possante e dicção perfeita, o Brasil inteiro o escutava quando às 8 horas da noite o programa entrava no ar. Durante todos esses anos nunca foi desmentida uma notícia ali veiculada. A credibilidade do programa era tanta que se dizia ”Se o Repórter Esso não deu, não aconteceu”.

Quando o Repórter Esso acabou, Gontijo não conseguiu ser aceito em outra emissora por estar marcada demais sua imagem junto à TV Tupi. Escreveu dois livros, teve um programa estilo talk show na Rádio Guanabara e editou um jornal religioso, de circulação nacional.

Morreu em 5 de setembro de 2003, por infarto do miocárdio.

 

AÉRTON PERLINGEIRO (28/12/1921 – 31/10/1992)

Nascido no Estado do Rio de Janeiro, começou sua carreira artística em 1943 na Rádio Transmissora, no Rio. Sempre como apresentador e locutor, transferiu-se sucessivamente para as rádios Tupi, Fluminense e Rádio Clube.

Em 1956 foi para a televisão. Em São Paulo Ayrton Rodrigues criou o programa Almoço com as Estrelas. Aérton fez o mesmo no Rio. Ambos foram estrondoso sucesso. A fórmula era simples: uma mesa grande, na qual cantores, atores e personalidades famosas eram convidadas a degustar um rápido almoço. No Rio, Aérton era ao mesmo tempo produtor e mestre de cerimônia, o que lhe era bastante trabalhoso. Idem com Ayrton, em São Paulo. A recompensa era a fama e o carinho que granjearam com a classe artística, já que todos queriam ser convidados para o programa. A transmissão iniciava na hora do almoço aos sábados e durava várias horas. No Rio o programa se chamava Aérton Perlingeiro Show. Foi ao ar de 1956 até julho de 1980, quando a TV Tupi faliu.

Aérton foi o criador do troféu O Velho Capitão, busto de bronze representando Assis Chateaubriand, que o recebeu três meses antes de morrer. O troféu foi entregue a mais de 300 personalidades, entre as quais Maysa, Elizeth Cardoso e Elis Regina.

Sofrendo sempre de forte bronquite, veio a falecer em 1992.

 

            CARLOS IMPERIAL (24/11/1935 – 04/11/1992)

Carlos Eduardo da Corte Imperial nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, mesma cidade de Roberto Carlos, com quem teria grandes ligações no futuro.

Sua vida e sua carreira dariam um bom livro. Foi produtor musical, apresentador de programas, compositor, diretor de cinema, ator de pornochanchada, colunista, agitador cultural, narrador de resultados de Carnaval, político e rei da pilantragem, como ele mesmo se autodenominava. Aqui daremos mais destaque à sua vida como apresentador de programas de TV.

Carreira de apresentador

Em 1958 passou a apresentar o programa Clube do Rock, na TV Tupi. No ano seguinte lançou seu conterrâneo Roberto Carlos, que na época era um admirador de Elvis Presley e de João Gilberto. Imperial tentou ingressá-lo na Bossa Nova, com os sambas “João e Maria” e “Fora do Tom”. No ano seguinte, Roberto Carlos lançou mais dois sambas. Considerado um imitador de João Gilberto, seus discos não fizeram sucesso.

Em 1959 apresentava os programas Os Brotos Comandam, na TV Continental e na Rádio Copacabana, e Festa de Brotos.

Em 1964 comandava na TV Record o programa Brotos no 13, alusão ao número do canal da emissora.

Em 1965 apresentou na TV Excelsior o programa O Bom, como concorrente do programa Jovem Guarda, da TV Record, ocasião em que compôs música com esse mesmo nome, sucesso estrondoso na voz de Eduardo Araújo.

Cantores lançados ou incentivados por Imperial

Nos seus programas e como compositor e produtor musical lançou muitos cantores que vieram a se tornar famosos, como Elis Regina, Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Eduardo Araújo, Tim Maia, Tony Tornado, Ronnie Von. Foi de sua autoria o primeiro sucesso de Clara Nunes.

Músicas de sucesso

Ao longo de sua carreira Carlos Imperial compôs muitas músicas de sucesso. Segue uma relação resumida delas:

  • O Bom
  • Vem quente que estou fervendo
  • Pra nunca mais chorar
  • Você passa e eu acho graça
  • A praça
  • Mamãe passou açúcar ni mim
  • Nem vem que não tem

 

Polêmicas e pilantragens

Entre as várias pilantragens feitas por Carlos Imperial, podemos destacar:

1)      Se disse autor de Meu limão, meu limoeiro, música tradicional de domínio público.

2)      Quando sua composição A Praça, cantada por Ronnie Von, não conseguia deslanchar, ele contratou o músico Edson Silva para dizer nos jornais que a música era um plágio. A acusação ganhou as manchetes, Imperial deu entrevistas negando o fato, e a música deslanchou, sendo lembrada até hoje.

3)      Disse a repórteres que os Beatles iriam gravar uma versão de Asa Branca, o que era rematada mentira. Mas até hoje há pessoas que dizem ter ouvido essa gravação raríssima nas rádios londrinas da época.

4)      Preso pelos militares por causa de um cartão de Natal que eles julgaram ofensivo, alegou ter sido torturado e levado um tiro no joelho e até chorava ao narrar isso. Mas o problema era um mero caso de varizes.

Morte

Carlos Imperial faleceu em 04 de novembro de 1992, em decorrência de miastenia grave, resultado de uma dose de Diazepan que tomou no pós-operatório de uma lipoaspiração

 

                    BOLINHA (16/07/1936 – 01/07/1998)

Edson Cabariti nasceu em Bauru. De ascendência turca e síria, mudou-se para Araçatuba, oeste de São Paulo, onde foi mascate, feirante, engraxate, cobrador de ônibus, vendedor de velas para cemitérios e balconista.

Em 1961 mudou-se para São Paulo e tornou-se repórter de campo em jogos de futebol. Iniciou sua carreira como locutor esportivo. Posteriormente, na TV Excelsior, passou a ser o responsável pelos flashes esportivos no programa Últimas Notícias.

Em janeiro de 1967 Chacrinha saiu repentinamente da emissora, por desentendimento com a diretoria, e Bolinha foi convidado a substituí-lo. A audiência do programa aumentou e ele ficou efetivo no programa.

Em 1974, na TV Bandeirantes, passou a apresentar o programa Clube do Bolinha, que ficou no ar durante 20 anos e era um dos lideres de audiência da emissora. Uma das atrações do programa era o quadro Eles e Elas, em que se apresentavam travestis e transformistas.

Tal como no programa do Chacrinha, havia as bailarinas de palco, carinhosamente apelidadas de boletes, sendo que algumas tinham sido ex-chacretes.

Morreu de câncer no aparelho digestivo, detectado três anos antes mas que se agravara nos seis meses anteriores.

-------------  FIM  DA  POSTAGEM  -----------

 

sexta-feira, 26 de julho de 2024

QUEM É?

As fotos de hoje foram garimpadas pelo amigo Tumminelli e, segundo ele, retratam o cotidiano de Mr. Jim Marshall  na década de 1940, no Rio de Janeiro.

Quem foi e o que fazia Mr. Jim Marshall nesta belíssima casa aparentemente na Praia de Ipanema?


 FOTO 1

 FOTO 2

 FOTO 3

 FOTO 4

 

                                                FOTO 5


quarta-feira, 24 de julho de 2024

COMPANHIAS AÉREAS

Antigamente havia várias lojas de companhias aéreas espalhadas pela cidade. Hoje em dia praticamente desapareceram, pois as compras das passagens em boa parte das vezes é feita pela Internet.

Assim como para reservar os hotéis e alugar automóveis. Até mesmo a função de agente de viagens está desaparecendo.

Vamos ver hoje algumas delas que existiam pelo Rio.


Loja da Alitalia em Copacabana, na Avenida Atlântica. Salvo engano ficava na esquina da Rua República do Peru.


A loja do Serviço Aéreo Condor Lufthansa, hoje edifício Generalli, na Av. Rio Branco com a Rua Sete de Setembro A foto é de autoria de John Phillips, da LIFE, colorizada  pelo Nickolas Nogueira.


Onde era esta loja da Varig no centro do Rio?


Décadas atrás, antes da Internet, as lojas da Varig na Europa eram uma bênção para quem queria notícias do Brasil. Telefonar era caro e difícil. Nas lojas da Varig era possível encontrar jornais brasileiros de dois dias atrás.

Vemos a loja da Varig em Paris, onde encontrei um colega de hospital saindo da loja quando eu chegava. Logo que me viu ele disse: "Veio saber do resultado do jogo do Flamengo, não?". Pelo sorriso dele vi que o Flamengo havia vencido.


Escritório da PANAIR "Pelo Atraso Não Adianta Ir Reclamar", na Av. Rio Branco nº 177.

Esta foto foi publicada na década passada e de lá trouxe este comentário, talvez feito pelo Obiscoitomolhado, mas não tenho certeza: "Pelo número de lambretas e nenhum Fusca, estamos no final da década de 50, vemos dois táxis Chevrolet 1947, um com a maçaneta bem caída, como era praxe, um Packard do final dos anos 30, um Morris Oxford e um carro claro, que parece ser Mercedes-Benz, de 54 em diante. E um Chevrolet 1949."

segunda-feira, 22 de julho de 2024

AVENIDA ATLÂNTICA - AUTOMÓVEIS

Poucos lugares foram tão fotografados no Rio antigo como as imediações do Copacabana Palace, na Avenida Atlântica. E nessas fotos podemos ver uma interessante mostra dos automóveis da época.

FOTO 1

FOTO 2

FOTO 3 (acervo do Silva)

FOTO 4

FOTO 5

FOTO 6


FOTO 7

FOTO 8

FOTO 9


FOTO 10

sábado, 20 de julho de 2024

DO FUNDO DO BAÚ: LOCUTORES E APRESENTADORES

 LOCUTORES E APRESENTADORES (Primeira parte), por Helio Ribeiro

A postagem de 13/05/2023 versou sobre programas de auditório e naturalmente citou seus apresentadores, de passagem. A postagem de hoje é dedicada a alguns deles.

 CÉSAR LADEIRA (11/12/1910 – 08/09/1969)

César Rocha Brito Ladeira nasceu em Campinas e iniciou a carreira em 1931. Ainda estudante de Direito, foi convidado pela Rádio Record para fazer um teste e, em vez de ler anúncios, proferiu um discurso contra Getúlio Vargas, ditador da época. Foi contratado não só por isso como por sua bela voz.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a Record juntou-se à Mayrink Veiga para realizar programas políticos, e César Ladeira era o locutor encarregado de fazer veementes discursos contra o governo e exortar a população à revolta. Vencido o levante, César Ladeira acabou preso, ocasião que aproveitou para escrever o primeiro livro sobre rádio.

Em 1933 foi contratado pela Mayrink Veiga como locutor e diretor artístico, mudando-se então para o Rio de Janeiro.

Em 1948, já na Rádio Nacional, estreou o programa “Seu criado, obrigado”, levado ao ar durante 10 anos, ao lado de Daisy Lúcidi.

Em 1956 foi fundador e diretor da Rádio Relógio do Rio de Janeiro.

Morreu de hemorragia cerebral em 1969.

 

CÉSAR DE ALENCAR (06/06/1917 – 14/01/1990)

Hermelindo César de Alencar Mattos nasceu em Fortaleza e começou sua carreira em 1939, na emissora carioca Rádio Clube do Brasil, tendo passado para a Rádio Nacional em 1945, onde atuou em comerciais e narrações, com pequenas participações em radionovelas.

Com a saída de Paulo Gracindo, passou a ter seu próprio programa aos sábados, tornando-se este a maior atração da emissora, onde contava com a participação de Emilinha Borba.

A música de entrada do programa fez história: "Essa canção nasceu pra quem quiser cantar / Canta você, cantamos nós até cansar. / É só bater, e decorar / Pra recordar vou repetir o seu refrão / Prepara a mão / Bate outra vez / Este programa pertence a vocês".

O auditório lotava durante a apresentação do programa.

A partir de 1948 gravou vários discos e compôs algumas músicas. Em 1954 inaugurou em Copacabana a casa noturna “A Cantina do César”, onde se apresentaram grandes nomes da Rádio Nacional.

Na TV Excelsior, foi o apresentador do Programa César de Alencar.

Com a instalação do regime militar em 1964, César de Alencar foi acusado de delatar vários colegas da Rádio Nacional. Embora sempre tivesse negado isso, em depoimento prestado por ele em 25 de maio de 1964 junto à Diretoria de Costa e Artilharia Antiaérea ele reclamou de colegas esquerdizantes na emissora, citando vários deles. E na Revista do Rádio de 16 de maio de 1964 ele deu uma entrevista comprometedora, colocando-se ao lado da “defesa de democracia”.

Após esses fatos, sua carreira declinou, seu programa da Rádio Nacional foi extinto e mesmo suas tentativas posteriores de retornar à carreira artística deram em nada.

Morreu no ostracismo.

 

CHACRINHA (30/09/1917 – 30/06/1988)

José Abelardo Barbosa de Medeiros, pernambucano de Surubim, teve uma vida merecedora de várias laudas. Aqui se encontra um resumo dela.

Carreira

Em 1936, aos 19 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Pernambuco e no ano seguinte teve seu primeiro contato com rádio, ao dar uma palestra sobre alcoolismo na Rádio Clube de Pernambuco.

Após vários eventos, em 1939 resolveu embarcar para a Alemanha a bordo de um navio. Porém o início da II Guerra o fez desembarcar na capital federal, onde se tornou locutor da Rádio Tupi.

Em 1943 lançou na Rádio Clube Fluminense o programa de marchinhas carnavalescas Rei Momo na chacrinha, que fez muito sucesso e a partir daí ele passou a ser conhecido como Abelardo “Chacrinha” Barbosa.

Nos anos 1950 lançou o programa Cassino do Chacrinha, onde se apresentavam músicas de sucesso na época.

Em 1956 estreou na televisão com o programa Rancho de Mister Chacrinha na TV Tupi, uma série de faroeste infanto-juvenil, na qual interpretava o papel do xerife. Naquela mesma emissora começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha. Na década de 1960 seu programa foi exibido nas TV's Paulista, Rio e Excelsior e em 1967 foi contratado pela TV Globo. Chegou a fazer dois programas semanais: Buzina do Chacrinha, no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis e perguntava "Vai para o trono ou não vai?", e Discoteca do Chacrinha. Cinco anos depois voltou para a Tupi. Em 1974, teve uma breve passagem pela  TV Record, retornando em seguida para a Tupi. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e em 1982 retornou à Globo, onde ocorreu a fusão de seus dois programas num só, o Cassino do Chacrinha, que fez grande sucesso nas tardes de sábado.

Ganhou o apelido de “Velho Guerreiro” em virtude de uma música de Gilberto Gil que o citava assim.

Frases e bordões

Criou frases e bordões que se tornaram famosos, como “Vocês querem bacalhau?”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Terezinha!” e “Eu vim para confundir, não para explicar”.

Origem do “Vocês querem bacalhau?”

As Casas da Banha eram seu patrocinador na TV Tupi e as vendas de bacalhau haviam encalhado. Ele então teve ideia de criar a frase “Vocês querem bacalhau?”, após o que atirava peças do peixe para o auditório, que as disputavam a tapa. As vendas explodiram.

Morte

Chacrinha tinha câncer de pulmão e morreu de infarto do miocárdio e insuficiência respiratória no dia 30 de junho de 1988.

 

JAIR DE TAUMATURGO (28/02/1918 – 04/09/1970)

OBS: Quase não há informações sobre ele na Internet. Inclusive a data de nascimento apresenta contradições: alguns sites citam o ano de 1918 e outros 1920.

Como radialista na Mayrink Veiga, apresentava o programa Alô, Brotos, destinado a cantores de rock. Por isso é considerado muito importante para a Jovem Guarda, assim como Carlos Imperial, que tinha um programa concorrente, chamado Brotos no 7.

Posteriormente, já na TV Rio, apresentou os programas Festa do Bolinha e Hoje é Dia de Rock, ambos famosos na época, e neles possibilitou a fama de cantores como Roberto Carlos, Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Cely Campelo, Ronnie Cord e muitos outros.

Curiosidade: um dia foi apresentado a Jair um conjunto chamado “Bacaninhas do Rock da Piedade”. Ele não gostou desse nome e rebatizou o conjunto como “Renato e Seus Blue Caps”. E com esse nome o grupo fez muito sucesso.

Em agosto de 1970 sofreu um infarto agudo do miocárdio e faleceu em 4 de setembro.

 

LUIZ JATOBÁ (05/01/1915 – 09/12/1982)

Alagoano de Maceió, Jatobá se formou em Medicina. Tinha uma voz privilegiada, grave e cavernosa. Em 1940 foi convidado para ser locutor da CBS (Columbia Broadcasting System) em Nova Iorque, onde era o brasileiro que transmitia notícias sobre a II Guerra Mundial e apresentava trailers para a Metro Goldwyn Mayer.

De volta ao Brasil, foi para a TV Globo, onde era o locutor do Jornal da Globo, junto com Hilton Gomes e Nathalia Timberg. Comandou a primeira edição do Jornal Hoje, ao lado de Léo Batista. Durante o governo militar sofreu perseguição, retornando aos EUA e retomando a narração de trailers cinematográficos.

Era sua a voz cavernosa que se ouvia durante a exibição de trailers nos cinemas brasileiros. Também narrava parte do noticioso Hora do Brasil.

Durante 45 anos atuou no rádio brasileiro, época em que esse era o meio de comunicação mais usado no país. Influenciou na geração de muitos locutores não apenas de rádio mas também de TV, cinema e vídeo. Sua voz era considerada uma das mais célebres no continente americano e certamente era o timbre masculino mais famoso no Brasil.

-------------  FIM  DA  POSTAGEM  -----------

O "Saudades do Rio" agradece a colaboração do Helio Ribeiro.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

CARROS A GASOGÊNIO

Com a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial uma série de providências tiveram que ser adotadas. Desde economizar eletricidade, racionar gás, carne, leite, açúcar, até praticamente suspender o uso de gasolina.

Desta forma, os veículos precisaram ser adaptados e foi usado o gasogênio, produto feito à base de carvão.


FOTO 1: Vemos um automóvel com a instalação de gasogênio na traseira. O local é na Glória, perto do hotel e da então sede do Automóvel Clube do Brasil.


FOTO 2: A foto foi estupendamente colorizada pelo Nickolas Nogueira e o automóvel foi identificado pelo Obiscoitomolhado como sendo um Cadillac 1941, placa DF 11-11.

                                                                                                        FOTO 3: Do acervo do Sergio L. Santos vemos uma família posando ao lado de um Packard com gasogênio. 

Na época não havia uma conscientização ecológica, mas a maioria não gostou do volumoso aparelho instalado na traseira do veículo, com peso total que chegava próximo a 100 kg e que, além de mau aspecto estético, alterava as reações dos automóveis pela inadequada distribuição de peso, o desagradável aspecto visual e a dificuldade de gerar o gás necessário para o funcionamento do motor.


FOTO 4: Nesta foto garimpada pelo nosso comentarista Augusto no acervo do Correio da Manhã vemos uma das muitas oficinas existentes para instalação do gasogênio.

                                                                                                        FOTO 5: Nos jornais dos anos 40 eram muitos os anúncios sobre o gasogênio. Apelidado de “gás pobre”, os proprietários de automóveis não gostavam do combustível porque ele fazia com que a potência fosse perdida. Para convencer a população, o governo encomendou a produção de um filme, o “Nosso Amigo, o Gasogênio”.

                                                                                                      FOTO 6: Nas imediações do Palácio Monroe havia muitos automóveis com gasogênio. Era um processo demorado usar automóvel com gasogênio e a maioria dos proprietários recorreu a cavaletes de madeira para manter o carro suspenso, sem contato com o solo, para não estragar os pneus que perdiam pressão pelo longo período imobilizado. E esperar pelo fim da guerra fazendo uso dos bondes e dos ônibus que existiam para chegar ao local de trabalho.


FOTO 7: Outra foto, acho que da LIFE, nas imediações do Monroe. Apenas os carros oficiais tinham acesso à gasolina. A importação de petróleo era obstruída pela guerra, obrigando ao governo decretar o racionamento dos seus derivados.


FOTO 8: Aqui vemos caminhões com gasogênio. Em certa época até mesmo houve corridas de automóveis movidos a gasogênio.

Artigo no “Correio da Manhã” descrevia os sacrifícios e restrições à sociedade brasileira. Publicado em setembro de 1942, lembra que em maio a gasolina desapareceu dos postos de abastecimento. Os transportes públicos pioraram. A população passou a sofrer nas manhãs e final das tardes, espremida em ônibus e bondes. Era possível ver senhoras com garrafas nas mãos nos postos para comprar querosene racionado, uma vez que não encontravam o combustível de maneira abundante nos armazéns, como havia antes.

Mas também o banho morno tornou-se um luxo, porque faltava gás produzido pelo carvão. Não havia carvão. Em casa, no almoço e no jantar, faltavam carne, ovos e bacalhau.

Escasseavam também as francesas “pílulas tão boas para o fígado”, máquinas de costura, geladeiras. Do mesmo modo faltavam meias de lã importadas, bem como navalhas alemãs e suecas. Não era possível assistir a óperas, porque o repertório é italiano. Azeite de oliva não havia no mercado, muito menos perfumes parisienses.

O artigo publicado no Correio da Manhã era bastante crítico dos cassinos e das elites do Rio de Janeiro, indiferentes às dificuldades vividas pelo povo. 

O país produzia trigo em quantidade insuficiente para o consumo. A guerra prejudicou a importação e tornou-se difícil abastecer as padarias com farinha de trigo.  O mesmo ocorreu com o açúcar. A iniciativa governamental de substituir o açúcar refinado, branco, pelo mascavo, de cor escura, foi mal recebida.

O perigo de ataques aéreos da Alemanha às cidades litorâneas foi considerado sério e muito possível de ocorrer pelo governo brasileiro. Era necessário preparar a população para o caso de bombardeios nas áreas urbanas. Para isso, o governo instituiu o Serviço de Defesa Passiva Antiaérea, como já vimos em postagem anterior.

Foi determinado que permanecessem apagadas as luzes do Corcovado, do alto dos morros da Urca e do Pão de Açúcar, do relógio do edifício da Mesbla, dos anúncios luminosos localizados em morros, igrejas e arranha-céus. “Bunkers” foram construídos, como os do Castelo e o de Copacabana, junto da Galeria Menescal.

Foram tempos difíceis.