Com fotos e informações
de fontes diversas como a Brasiliana Fotográfica e textos da Internet, vemos o
antigo Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.
O Jardim Zoológico de Vila Isabel foi criado pelo empresário
e abolicionista mineiro João Batista Viana Drummond, primeiro e
único Barão de Drummond, nascido em 1º de maio de 1825, em Itabira.
O Jardim Zoológico de
Vila Isabel foi aberto nas últimas décadas do século XIX. No dia de sua
abertura, o zoológico recebeu a visita de “809 pessoas a pé e 15 a cavalo”, um
sucesso, tanto que a Companhia Ferro Carril Vila Isabel em vista da grande concorrência
para o jardim passou a ter carros extraordinários todos os domingos.
José Alberto C. Maia
garimpou o seguinte trecho do livro “Ganhou, leva! O “Jogo do Bicho” no Rio de
Janeiro, de Felipe Magalhães:
“Cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro, 3 de julho de 1892. Nesse domingo de inverno carioca foram
inaugurados vários divertimentos na empresa do Jardim Zoológico, de propriedade
do sr. João Baptista de Viana Drummond, o Barão de Drummond.
O parque estava
localizado no “pitoresco bairro de Vila Isabel”, na encosta da serra do Engenho
Novo. Por ser um dia especial, a Companhia Ferro Carril Vila Isabel dispôs
carros especiais para levar o público e os convidados até as dependências do
zoo.
Esbanjando a cordialidade
de um nobre, associando-a aos interesses de um empresário, o barão recebeu seus
ilustres convidados, entre os quais o vice-presidente da República, cuja
presença foi saudada por todos com um brinde à mesa do jantar.
No agradável passeio,
tendo em vista o clima ameno e a satisfação de todos, o Barão e seu gerente
Manoel Zevada lhes apresentaram as dependências do Jardim. Além das jaulas,
gaiolas e viveiros presentes em qualquer empreendimento desse porte, a empresa
de Drummond contava com um hotel “nas melhores condições, um magnífico
restaurante e tinha em construção um grande salão especial para concertos”.
Os visitantes ainda
poderiam passar seu tempo divertindo-se em animados bailes públicos, no circo
de cavalinhos, em variados espetáculos ou fazendo apostas em alguns jogos
liberados para aquelas dependências. Havia bilhar, carteado, jogo da pelota,
frontão e outros.
No entanto, em um domingo especial, um novo divertimento
estava para ser inaugurado.
Ao comprar o ingresso de
entrada para o Jardim Zoológico, o visitante passaria a receber um ticket. No
bilhete estaria impressa a figura de um animal. Pendurada num poste a cerca de
três metros de altura, próxima ao portão de entrada do parque, havia uma caixa
de madeira. Dentro desta ficava escondida a gravura de um animal, escolhida
pelo Barão em uma lista de 25 bichos que ia de avestruz a vaca, passando por
borboleta e jacaré.
Nesse domingo, às cinco horas da tarde, a caixa seria
aberta pela primeira vez, e o público presente poderia, afinal, descobrir o
animal encaixotado e saber se teria direito ao prometido prêmio de 20$000, 20
vezes o valor gasto com a entrada para o zoo. Na hora marcada, o barão
dirigiu-se até o poste, revelou a avestruz e fez a alegria de 23 sortudos
visitantes.
Estava criado o "Jogo do Bicho".
O pedido para instalação
de um Zoológico em Vila Isabel foi feito pelo Barão de Drumond ao Presidente e
Vereador da antiga Câmara Municipal da Corte e é datado de 5/08/1884. Fundado como Sociedade Anônima, sob o título
de Companhia Jardim Zoológico, ocupava o jardim uma área
de 230.000 m², pertencente à Cia. Arquitetônica, entre as Ruas Visconde de
Santa Isabel, Costa Pereira e Barão do Bom Retiro.
O primeiro zoo carioca teve uma área com riachos, lagos artificiais e uma
extensa coleção de animais domésticos e selvagens, com bichos brasileiros como
jacarés e macacos, mas também com atrações exóticas como elefante e leão, por
exemplo.
O estabelecimento
dispunha de papel timbrado com dizeres simples, mas era diferente para a época:
“Jardim Zoológico – Villa Izabel – Rio de Janeiro”.
O passar dos anos,
entretanto, trouxe dificuldades financeiras. Para solucionar o problema e
salvar o zoológico de uma crise, o Barão criou o “jogo do bicho”, atraindo a
atenção de visitantes, moradores do bairro e, mais tarde, de toda a cidade, que
faziam suas apostas pela manhã e retiravam o resultado à tarde.
A ideia do
Barão de Drumond acabou por transformar-se em uma marca no cotidiano da cidade,
mas não foi suficiente para salvar o antigo zoológico, que terminou fechando
suas portas na década de 1940.
Nos seus primeiros anos
este zoológico era cercado pela floresta da Serra do Engenho Novo, onde
habitavam muitos macacos, daí o atual nome do Morro dos Macacos na referida
serra. Era uma expressiva reserva que com o tempo foi invadida, destruída, se
tornando um grande complexo de favelas que cercam o atual parque Recanto do
Trovador.
O novo zoológico carioca, na Quinta da Boa Vista, viria a ser inaugurado em 1945 por Getúlio Vargas.