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sábado, 21 de dezembro de 2024

FOTOGRAMAS

Para o fim-de-semana temos fotogramas enviados pelo prezado GMA.

Vista do galpão de aviação do Iate Clube


O aterro realizado na antiga Praia da Saudade.

O prédio do Cassino Atlântico no Posto 6


A Av. Niemeyer com a igreja de São Conrado lá no fundo.


 Vista de Ipanema e Leblon com o edifício Cordeiro no Vidigal.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

CINEMA VITÓRIA

 

O cinema Vitória foi o último dos grandes cinemas construído na Cinelândia. Ficava na Rua Senador Dantas nº 45-A. Chegou a ter 1269 lugares, era do grupo Severiano Ribeiro e funcionou de 1942 a 1993. 

Foi inaugurado com a exibição do filme "O Grande Ditador", de Charles Chaplin.

A foto é de 1952, quando estava sendo exibido o filme "Appassionata", com Tonia Carrero, Paulo Autran e Renato Consorte.


O cinema Vitória era um dos históricos cinemas localizado na área da Cinelândia, no Rio de Janeiro, no térreo do Edifício Rivoli. Era conhecido por exibir grandes lançamentos de filmes da época. Foi um dos primeiros a ter tela em 70mm. Este era um formato de projeção que produzia imagens maiores, mais nítidas e claras, além de um som mais dinâmico e claro. Hollywood ampliava filmes rodados em 35mm para serem apresentados em 70 mm. Nos primeiros tempos o cinema Vitória exigia o uso de terno e gravata.  

Em seus últimos tempos, nos anos 90, passou a exibir filmes considerados de baixa qualidade, como as "pornochanchadas".


Aqui vemos aqueles folhetos que a Cia. Severiano Ribeiro costumava distribuir em seus cinemas. No verso deles existia a programação da semana nas outras salas desta empresa.

O filmes acima anunciados eram: 

“Angelina, a deputada” (“L´Onorevole Angelina”), estrelado por Anna Magnani, Nando Bruno e Ave Ninchi.

“Viver em Paz” (“Vivere la Pace”), com Aldo Fabrizi, John Kitzmiller e Ave Ninchi, filme italiano, neorrealista, de 1947.

“Sangue e Prata” (“Silver River”),  é um filme de faroeste americano de 1948, dirigido por Raoul Walsh e estrelado por Errol Flynn, Ann Sheridan e Thomas Mitchell. 

 

O cinema Vitória ficou muito tempo abandonado após seu fechamento. Nosso prezado Menezes, CEO da "Calango Air", é o autor dessas fotos, pois na época trabalhava nas vizinhanças.

OBS: segundo o Joel Almeida, no final dos anos 90 funcionou no local o "Bingo Senador", onde não só havia o chamado "bingo de cartela" como também o "vídeo bingo", um salão destinado às máquinas caça-níqueis. Em 2007 a decisão liminar da Justiça Federal que mantinha na legalidade as "Casas de Bingo" foi "cassada" e os bingos foram "oficialmente fechados". Mas o "Bingo Senador" se manteve na ilegalidade e funcionou ainda por alguns anos sem nenhum problema, bem como outros na Cidade do Rio de Janeiro.

Outra fotografia da autoria do Menezes mostrando a demolição do Vitória.

Aspecto do prédio em 2010 em imagem do Google Maps. Sempre acho curioso como prédios podem ficar abandonados por muito tempo no centro da cidade.


Em 2011, também em imagem do Google Maps, vemos andaimes para adaptação do prédio da Rua Senador Dantas.

Nesta imagem do Google Maps, de 2018, vemos a "Livraria Cultura" funcionando onde era o cinema Vitória. Foi inaugurada neste local em 2012 e neste ano de 2018 fecharia as portas.


No local atualmente funciona a "Assist – Associação dos Servidores Municipais, Estaduais e Federais do RJ."

O local foi tombado pelo Decreto n° 27.705 de 19/03/07 – D.O. Rio de 20/03/07.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

CARAVANA ATÉ BRASÍLIA - 1960

 


Dois meses antes da inauguração de Brasília (21 de abril de 1960), uma caravana partindo dos quatro cantos do país rumo a capital foi idealizada para fazer a ligação “transbrasiliana” por meio de um cruzeiro de estradas criado pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitscheck.

A ideia da caravana foi do major José Edson Perpétuo, primo e ajudante de ordens de Juscelino Kubitschek. Segundo o coronel Affonso Heliodoro, então subchefe da Casa Civil da Presidência, Brasília já estava praticamente pronta e o Perpétuo quis fazer essa caravana de veículos de fabricação nacional, rodando com pneus nacionais, queimando petróleo nacional, sobre asfalto nacional.

O convite foi feito a todos os fabricantes instalados no país, que prontamente atenderam ao chamado e se uniram na organização, cedendo veículos, motoristas e mecânicos. Aventureiros, jornalistas, engenheiros e operários também pegaram carona na expedição. De ônibus FNM a Romi-Isetta, uma amostra da indústria nacional

Havia de tudo o que fabricávamos na época: Jeep e Rural Willys, DKW, Kombi, Fusca, Simca Chambord, Toyota Land Cruiser, caminhões Mercedes, Chevrolet, International e até ônibus Caio com chassi FNM.

Vemos a Caravana Leste em frente ao Palácio do Catete no Rio de Janeiro prontos para a largada. 
Aparecem na foto: Rural Willys, três Simca Chambord, Toyota Land Cruiser, Kombi e Vw Sedan sob a bandeira com as cores verde-amarelo. 

Os participantes da Caravana da Integração Nacional formaram quatro colunas, uma de cada ponto cardeal do país. 

COLUNA SUL – A Coluna Sul percorreu 2,3 mil quilômetros saindo de Porto Alegre.

COLUNA OESTE – A Coluna Oeste partiu de Cuiabá e rodou 1,1 mil quilômetros até Brasília.

COLUNA LESTE – A Leste largou no Rio de Janeiro, sob o olhar de JK, na porta do Palácio do Catete, e percorreu 1,2 mil quilômetros até Brasília.

COLUNA NORTE – Foi a mais complicada, a mais difícil e a mais longa. Com muitos problemas para os 60 veículos que compunham a longa travessia. Ela durou 10 dias e percorreu os 2,2 mil quilômetros de uma Belém-Brasília ainda em construção.


A coluna Leste teve largada oficial no Rio de Janeiro, sob o olhar de Juscelino na porta do Palácio do Catete, então sede do governo federal, para um percurso de 1,2 mil quilômetros.

Foram três dias de asfalto, mas a maioria dos integrantes já estava rodando desde São Paulo. “A bandeira saía do Rio de Janeiro em automóveis brasileiros, com pneumáticos brasileiros, petróleo brasileiro para trefegar por estradas asfaltadas com asfalto brasileiro”, comemorou JK na época.

Seguiram por Petrópolis, Três Rios, Juiz de Fora, Santos Dumont, Barbacena e Belo Horizonte. A partir daí por Sete Lagoas e Três Marias, João Pinheira, Cristalândia e até Brasília.

O feito histórico marcou época não só pelo ineditismo de uma ação tão complexa e grandiosa, mas por usar uma frota com apenas veículos nacionais na estrada. Foram 137 no total.

Fruto de um movimento pela implementação do transporte rodoviário no País capitaneado pelo setor de indústrias, a caravana chegou ao Planalto Central em 2 de fevereiro de 1960, antes da inauguração de Brasília.

A caravana foi uma viagem de contornos épicos, que teve a participação de 287 expedicionários em 137 carros, caminhões e ônibus que saíram dos quatro cantos do País. Uniu todos os fabricantes de automóveis do Brasil. Eles cederam veículos, motoristas e mecânicos para a jornada. Aventureiros, jornalistas, engenheiros, operários e políticos também participaram da expedição.

A ideia era, como diz o nome, a integração: o governo JK havia criado a noção de um País integrado pela construção de estradas, pela ampliação de aeroportos e por uma marcha para o interior. Na chegada dos viajantes, apesar da chuva, os candangos compareceram em peso à festa, que contou com missa na Catedral e churrasco oferecido pela Presidência da República.

Havia de tudo que se fabricava na época: Rural e Jeep Willys, DKW, Kombi, Fusca, Simca Chambord, Toyota Land Cruiser, caminhões Mercedes, Chevrolet, International, ônibus Caio com chassi FNM e até 25 Romi-Isettas.


A Coluna Leste teve largada oficial no Rio - na porta do Palácio do Catete - para um percurso de 1.200km, em três dias de asfalto. Na foto estão na Rua Silveira Martins. A maioria de seus integrantes, porém, já vinha rodando desde São Paulo.

E foi a turma dos paulistas que trouxe os veículos mais pitorescos: nada menos que 25 Romi-Isetta enfrentaram a estrada. Pequenas em tamanho e potência, as briosas maquininhas fizeram enorme sucesso.

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A caravana do Norte, que saiu da Praça da Catedral, em Belém, foi a que mais rodou e, disparado, foi a que enfrentou mais problemas: percorreu os 2,2 mil quilômetros de uma Belém-Brasília ainda em construção. Foi uma sequência de atoleiros e contratempos numa via sem a menor infraestrutura durante dez dias de chuvas ininterruptas.

As dificuldades enfrentadas eram tantas – em caminhos muitas vezes abertos às pressas – que por onde passaram com seus caminhões, jipes e ônibus, os expedicionários eram recebidos como heróis. Carros de passeio não fizeram parte do comboio da Coluna Norte que, diante de tantas dificuldades, recebeu o título de “Operação Tartaruga.”

Em Brasília foi construído o “Marco da Caravana da Integração Nacional”.  O monumento foi instalado no canteiro da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral, entre as vias N1 e S1.

É uma cruz de metal com altura de 5 metros, com os pontos cardeais, que identificam o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste de um cruzeiro chamado Brasil A estrutura foi idealizada para simbolizar a expansão da malha rodoviária e a implantação da indústria automobilística em Brasília. 

No desfile feito na Esplanada dos Ministérios, o presidente da República esteve dentro de um Romi-Isetta (consta que este automóvel faz parte de uma coleção de veículos históricos de um proprietário de Ribeirão Preto – SP).

Em Brasília, Juscelino desfilou na caravana dentro de um Romi-Isetta. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

EXPOSIÇÃO ÁTOMOS DA PAZ

 

FOTO 1: O prezado colaborador Eustáquio G. Nardini mandou as duas primeiras imagens de hoje sobre a Exposição “Átomos da Paz”, realizada em 1960 na Av. Chile.

A ideia era mostrar um pouco de cada setor nuclear do mundo trabalhando para a paz universal. Além de ver como funciona um Reator Atômico, quais os radioisótopos em uso, produção e distribuição na agricultura e outros campos, havia painéis sobre fertilizantes, outros sobre radiações diretas, alimentação nos animais, controle de insetos, combustíveis atômicos, reações nucleares em cadeia.

Um dos destaques da exposição foi o urânio puro obtido em São Paulo por cientistas brasileiros. A exposição era dividida em duas partes, a brasileira e a americana. Nesta foram apresentados maquetes, esquemas e miniaturas de reatores atômicos, instrumentos de precisão, usinas geradoras, submarinos e navios atômicos, métodos de pesquisa e obtenção de minerais atômicos.

No ano seguinte, em 1961, houve outra exposição como esta, que foi mostrada em:

https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2023/07/atomos-em-acao.html

FOTO 2: A Comissão Nacional de Energia Nuclear, em colaboração direta com a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, realizou a Exposição de Energia Nuclear em um galpão de 50m x 20m, armado na Av. Chile, aberta em 1959.

Acho que vai ser difícil a identificação dos automóveis dada a resolução da foto.


FOTO 3: Aspecto das obras da abertura da Av. Chile no final dos anos 1950.


FOTO 4: A foto é de 1958 e mostra o desmonte do Morro de Santo Antonio. Em primeiro plano vemos a Rua da Relação e a favelinha que existia na Rua do Lavradio.


FOTO 5: As obras para fazer a instalação de luz, gás e esgoto da nova Av. Chile.



FOTO 6: Outra foto das obras de desmonte do Morro de Santo Antonio em 1958.


FOTO 7 :Sofriam os cariocas ao atravessar a ainda incompleta Av. Chile em 1959.


FOTO 8 :A Avenida Chile tomando forma para receber o asfalto.


FOTO 9:A Av. Chile logo após ser liberada para o tráfego no início dos anos 1960.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

POSTO DE GASOLINA



Cada vez há menos postos de gasolina pela Zona Sul, pois os terrenos estão sendo vendidos para a construção de edifícios de apartamentos. Este, entretanto, sobrevive há uns 80 anos.

Fica perto do Jockey Club, no final da Av. Bartolomeu Mitre, esquina com Rua Rodrigo Octávio. Era “Atlantic” e hoje em dia é “Ipiranga”.

Segundo o Dieckmann vemos uma Vemaguet de 1957, Universal é seu nome, já com a porta traseira abrindo para baixo e para cima. E bicolor, com um esquisito friso cromado dividindo as cores e que foi uma invenção da Vemag, pois nunca vi tal ousadia nos carros alemães. É o carro mais fácil de identificar. Depois, vemos um Mopar 46-48, quase encostado no lotação Chevrolet. Há outro igual, de capô aberto, estacionado.

Na penumbra, um Ford 37 ou perto, e um caminhão, que parece ser um Chevrolet Gigante - mas não garanto. À esquerda, um saia e blusa que tem jeitão de Chevrolet 51-52.



Nesta foto vemos o posto de gasolina no ângulo oposto à foto anterior. No fundo vemos as instalações do Jockey Club. À esquerda, ficaria a Praça Santos Dumont. O fotógrafo está na Rua Rodrigo Octávio.


Vemos um ônibus se dirigindo para a Av. Bartolomeu Mitre. Esta avenida já foi de mão-dupla e já teve seu trânsito em mão-única em ambos os sentidos. 
Antigamente a Bartolomeu Mitre se chamou Rua Conde de Avelar.


Posto Rio Jockey em imagem do Google Maps em 2010.


Posto Rio Jockey em imagem do Google Maps em 2010.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

A MURETA DO MORRO DA VIÚVA

O tema hoje é sobre a mureta que existe em frente ao Morro da Viúva. O primeiro nome dado a este penedo foi “Mont Henry”, dado pelos franceses de Villegaignon. Sua nomenclatura atual originou-se do fato deste morro ter pertencido, no século XVIII, a D. Joaquina Figueiredo Pereira de Barros, viúva de Joaquim José Gomes de Barros.

Em 1863, com a ocorrência da Questão Christie foi construída neste morro uma bateria objetivando defender a enseada de Botafogo, Flamengo até o Passeio Público. Pertenceu, durante muitos anos, ao Comendador e construtor Antônio Januzzi, que dele extraiu pedras para suas obras em toda a c idade até meados de 1920. O Obelisco da avenida Rio Branco foi confeccionado com pedras deste morro. Em 1922 foi circundado pela Avenida Rui Barbosa, sendo então loteado.


Quando o Prefeito Pereira Passos construiu a Avenida Beira-Mar, em 1904/1906, preferiu ligar as praias do Flamengo e Botafogo através da "Avenida de Ligação", hoje Avenida Oswaldo Cruz. Anos depois, em 1921, o Prefeito Carlos Sampaio construiu a "Avenida do Contorno", hoje Avenida Rui Barbosa, contornando o Morro da Viúva. 

O que sempre me intrigou foi ver esta "falha" na mureta em diversas fotos do Rio Antigo, separadas por décadas. A foto acima provavelmente é dos anos 1940, como podemos supor ao ver os edifícios da Praia de Botafogo.


A mureta é aproveitada por pescadores na década de 1950. E era um perigo para as crianças. Contam que foi daí que o nosso querido Lavra, o Bispo Rolleiflex, se lançou para nadar até a Urca (como achou muito cansativo, desenvolveu a conhecida habilidade de caminhar sobre as águas, o que tornou este passeio mais confortável).


Outra foto bem antiga, do tempo em que ainda se escrevia "Pão de Assucar". Será que esta abertura na mureta se destinava ao acesso a barcos?

É sabido que, durante certa época, de Botafogo partiam barcos a vapor com destino ao Saco do Alferes, à Ponta do Caju e ao Cais do Brito (perto do Cais Pharoux). 

Por terra havia acessos como o do Caminho Velho de Botafogo (atual Rua Senador Vergueiro) e o do Caminho Novo de Botafogo (atual Rua Marquês de Abrantes).





 Esta fotografia já é da década de 1960. Embora menor, a "falha" continuava lá.
Ao fundo, em "alta", o anúncio dos "Pneus Firestone".


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

HOSPÍCIO D. PEDRO II - HOSPITAL DOS ALIENADOS


FOTO 1: De Georges Leuzinger, década de 1860 (Brasiliana Fotográfica).

Texto a partir de consulta no Sindegtur.

Desde 1830 a Santa Casa de Misericórdia lutava para erguer um hospício destinado a abrigar deficientes mentais, haja vista que o expediente até então era de acolhe-los no antigo Hospital da Santa Casa, na Rua Santa Luzia, construção do século XVIII e já completamente obsoleta. Já há alguns anos os loucos mais furiosos eram encarcerados na cadeia pública, processo desumano e incompatível com os progressos científicos da época e que já eram conhecidos no Brasil.

A Santa Casa, que vivia em dificuldades durante o Primeiro Reinado, na Regência, quando assumiu como Provedor José Clemente Pereira, se reergueu. Ele conseguiu as verbas necessárias para um novo hospital, que seria o Hospício de D. Pedro II.

A construção ficou a cargo de José Domingos Monteiro, arquiteto do Hospital Central da Misericórdia, o qual, usou como modelo de seu projeto, o velho Hospital de Charenton, casa-mãe da Psiquiatria francesa. Depois interveio na construção o arquiteto Major José Maria

Jacinto Rebêlo, o qual acrescentou ao prédio a Capela de São Pedro de Alcântara.

Ocupava o prédio uma área de 140 mil metros quadrados.

A 30 de novembro de 1852 realizou-se a cerimônia da bênção do Hospício de D. Pedro II. Pertenceu à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia até 11 de janeiro de 1890. Quando, por desentendimentos políticos com o Provedor Visconde de Cruzeiro, passou o hospital para o Ministério da Justiça e Negócios do Interior. Logo depois, quando se lhe anexou a Colônia de Alienados da Ilha do Governador, passou a receber o nome de Hospício Nacional de Alienados. Em 1911, houve uma separação dos sexos, fundando-se uma nova colônia para as mulheres em Engenho de Dentro. Em 1942, as instalações da Praia Vermelha foram transferidas, aos poucos, para novos hospitais como Colônia Juliano Moreira e Gustavo Riedel, em Jacarepaguá. Estes modernos nosocômios foram inaugurados em 14 de janeiro de 1944, podendo receber os primeiros doentes removidos da Praia Vermelha.

Desocupado o velho prédio, foi então permutado com a Universidade do Brasil, que dele tomou posse em 1947. Sendo reitor da instituição o erudito professor e acadêmico Pedro Calmon Muniz Bittencourt, soube, com rara perícia, obter do Ministério da Educação e Saúde as verbas necessárias à restauração e adaptação do belo palácio, com o fito de ali sediar a Reitoria e diversas faculdades da área biomédica.

A inauguração da nova sede universitária ocorreu oficialmente a 5 de dezembro de 1952.

Trinta anos depois, a Reitoria foi transferida para a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, sede da agora rebatizada Universidade Federal do Rio de Janeiro, ficando no velho prédio algumas faculdades da área biomédica e cursos diversos de extensão universitária.

O prédio é tombado pelo IPHAN.


FOTO 2: Nos dois primeiros séculos de existência da cidade, todo o trecho marítimo que ia do Morro do Matias (hoje, do Pasmado), em Botafogo ao Morro da Urca eradenominado de Praia de Martim Afonso ou Praia de Santa Cecília. No século XVIII deram-lhe o nome de Praia da Saudade.

No século XVIII, o Cônego Dr. Antônio Rodrigues de Miranda, Vigário-Geral do Bispado do Rio de Janeiro e proprietário daquelas terras fez doação de toda a orla e chãos adjacentes à Santa Casa de Misericórdia.

Um século depois, a Santa Casa aproveitou esses terrenos para ali erguer, de 1841 a 52, seu novo nosocômio para alienados, o qual recebeu o nome de Hospício de D. Pedro II.

Em 1920, a família Guinle, chefiada pelo empresário Guilherme Guinle, bem como a família Rocha Miranda, dona da primeira concessão de uma linha de ônibus para a Praia Vermelha, assim como outros amantes do iatismo, resolveram fundar o Fluminense Yachting Club, cuja sede inicial foi no estádio do Clube Fluminense, em Laranjeiras, logo depois transferida para a Praia da Saudade. Nesta nova sede, frequentemente ampliada, havia casas de banho de mar antes de terem tornado mais acessíveis os de Copacabana.

A Praia da Saudade foi definitivamente aterrada em 1934/1935, para ali ser construída uma pista de pouso de aviões, desativada na década de 1940.

Um projeto de ampliação do Fluminense Yachting Club foi organizado por Oscar Niemeyer, mas as ampliações acabaram sendo feitas aos poucos, sem um plano específico, até hoje. O estabelecimento, depois rebatizado para Iate Clube do Brasil e, desde os anos 60, de Iate Clube do Rio de Janeiro.


FOTO 3:  De Leuzinger, de 1865, mostrando o Hospício Nacional dos Alienados, na Praia da Saudade, Urca. O prédio, hoje da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é um grande retângulo enquadrando quatro grandes pátios internos, separados por um corpo central, destinado de certo modo a distanciar as alas masculinas e femininas do asilo. No bloco central estava a entrada única. Três grandes portões conduziam ao átrio nobre, de onde se erguia uma escadaria monumental, que levava diretamente à capela, no andar superior e, à meia altura, se bifurcava em dois lances.

O prédio foi iniciado em 1842 e inaugurado em 1852, como Hospital Pedro II. Em 1890 tomou o nome de Hospital dos Alienados e funcionou até 1944 quando os pacientes foram removidos da Praia Vermelha para o novo hospício construído no Engenho de Dentro.

O prédio passou a ser usado pela Reitoria da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.


FOTO 4: De Marc Ferrez, de 1890, com outra vista da Praia da Saudade, na Urca. Esta praia teve anteriormente o nome de Praia do Suzano e Praia de Santa Cecília, nome que perdeu em 1868, quando a Câmara a rebatizou como Praia da Saudade. Acabou na década de 1920, durante a gestão de Alaor Prata na Prefeitura, com a construção do Iate Clube do Rio de Janeiro. Na mesma época a Rua da Praia da Saudade recebeu o nome de Avenida Pasteur.


FOTO 5: Aspecto da Av. Pasteur em frente ao Hospital dos Alienados/Reitoria. Notar a mureta que existia antes do aterro para a construção do Iate Clube do Rio de Janeiro. O Rio perdeu a Praia da Saudade para a construção do clube e os cariocas a bela visão da baía, a partir da Av. Pasteur.

FOTO 6: Postal da coleção de Klerman W. Lopes mostrando a área da Praia da Saudade, na Avenida Pasteur, antes da construção do Iate Clube do Rio de Janeiro. Pode-se ver o Hospital dos Alienados (Hospício).

FOTO 7: Aspecto do prédio ainda no tempo dos bondes. Os trilhos que levavam à Praia Vermelha, ponto final da linha 4, passavam bem junto da estreita calçada.

FOTO 8: Pesquisa da Conceição Araújo: No Brasil, em 1830, não havia ainda tratamento para os doentes mentais: os ricos eram mantidos isolados em suas casas, longe dos olhares curiosos, enquanto os pobres perambulavam pelas ruas ou viviam trancafiados nos porões da Santa Casa da Misericórdia.

Nessa época, inspirados pelos ideais revolucionários franceses, Pinel e Esquirol propuseram novas formas de assistência à doença mental, que tinham, na existência da instituição manicomial, o próprio método de tratamento. Essas ideias contagiaram a recém-criada Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, que se mobilizou em torno do lema: "Aos loucos, o hospício!", pleito esse formulado, em 1839, pelo contundente relatório de José Clemente Pereira:

"...Parece que entre nós a perda das faculdades mentais se acha qualificada como crime atroz, pois é punida com a pena de prisão, que, pela natureza do cárcere onde se executa, se converte na de morte".

Sensibilizado por essas denúncias e impressionado com os gritos dos loucos vindos dos porões da Santa Casa, D. Pedro II assinou, em 1841, o decreto de criação do hospício.