Vista do galpão de aviação do Iate Clube
O aterro realizado na antiga Praia da Saudade.
O prédio do Cassino Atlântico no Posto 6
Vista do galpão de aviação do Iate Clube
O aterro realizado na antiga Praia da Saudade.
O prédio do Cassino Atlântico no Posto 6
O cinema Vitória foi o último dos grandes cinemas construído na Cinelândia. Ficava na Rua Senador Dantas nº 45-A. Chegou a ter 1269 lugares, era do grupo Severiano Ribeiro e funcionou de 1942 a 1993.
Foi inaugurado com a exibição do filme "O Grande Ditador", de Charles Chaplin.
A foto é de 1952, quando estava sendo exibido o filme "Appassionata", com Tonia Carrero, Paulo Autran e Renato Consorte.
O cinema Vitória era um dos históricos cinemas localizado na área da Cinelândia, no Rio de Janeiro, no térreo do Edifício Rivoli. Era conhecido por exibir grandes lançamentos de filmes da época. Foi um dos primeiros a ter tela em 70mm. Este era um formato de projeção que produzia imagens maiores, mais nítidas e claras, além de um som mais dinâmico e claro. Hollywood ampliava filmes rodados em 35mm para serem apresentados em 70 mm. Nos primeiros tempos o cinema Vitória exigia o uso de terno e gravata.
Em seus últimos tempos, nos anos 90, passou a exibir filmes considerados de baixa qualidade, como as "pornochanchadas".
O filmes acima anunciados eram:
“Angelina, a deputada” (“L´Onorevole
Angelina”), estrelado por Anna Magnani, Nando Bruno e Ave Ninchi.
“Viver em Paz” (“Vivere la Pace”), com Aldo Fabrizi, John Kitzmiller e Ave Ninchi, filme italiano, neorrealista, de 1947.
“Sangue e Prata” (“Silver River”), é um filme de faroeste americano de 1948, dirigido por Raoul Walsh e estrelado por Errol Flynn, Ann Sheridan e Thomas Mitchell.
O cinema Vitória ficou muito tempo abandonado após seu fechamento. Nosso prezado Menezes, CEO da "Calango Air", é o autor dessas fotos, pois na época trabalhava nas vizinhanças.
OBS: segundo o Joel Almeida, no final dos anos 90 funcionou no local o "Bingo Senador", onde não só havia o chamado "bingo de cartela" como também o "vídeo bingo", um salão destinado às máquinas caça-níqueis. Em 2007 a decisão liminar da Justiça Federal que mantinha na legalidade as "Casas de Bingo" foi "cassada" e os bingos foram "oficialmente fechados". Mas o "Bingo Senador" se manteve na ilegalidade e funcionou ainda por alguns anos sem nenhum problema, bem como outros na Cidade do Rio de Janeiro.Outra fotografia da autoria do Menezes mostrando a demolição do Vitória.
Aspecto do prédio em 2010 em imagem do Google Maps. Sempre acho curioso como prédios podem ficar abandonados por muito tempo no centro da cidade.
Nesta imagem do Google Maps, de 2018, vemos a "Livraria Cultura" funcionando onde era o cinema Vitória. Foi inaugurada neste local em 2012 e neste ano de 2018 fecharia as portas.
Dois meses antes da
inauguração de Brasília (21 de abril de 1960), uma caravana partindo dos quatro
cantos do país rumo a capital foi idealizada para fazer a ligação “transbrasiliana”
por meio de um cruzeiro de estradas criado pelo então Presidente da República,
Juscelino Kubitscheck.
A ideia da caravana foi
do major José Edson Perpétuo, primo e ajudante de ordens de Juscelino
Kubitschek.
O convite foi feito a
todos os fabricantes instalados no país, que prontamente atenderam ao chamado e
se uniram na organização, cedendo veículos, motoristas e mecânicos.
Aventureiros, jornalistas, engenheiros e operários também pegaram carona na
expedição. De ônibus FNM a Romi-Isetta, uma amostra da indústria nacional
Havia de tudo o que
fabricávamos na época: Jeep e Rural Willys, DKW, Kombi, Fusca, Simca Chambord,
Toyota Land Cruiser, caminhões Mercedes, Chevrolet, International e até ônibus
Caio com chassi FNM.
Vemos a Caravana
Leste em frente ao Palácio do Catete no Rio de Janeiro prontos para a largada.
Aparecem na foto: Rural Willys, três Simca Chambord, Toyota Land Cruiser, Kombi
e Vw Sedan sob a bandeira com as cores verde-amarelo.
Os participantes da Caravana da Integração Nacional formaram quatro colunas, uma de cada ponto cardeal do país.
COLUNA SUL – A Coluna Sul
percorreu 2,3 mil quilômetros saindo de Porto Alegre.
COLUNA OESTE – A Coluna
Oeste partiu de Cuiabá e rodou 1,1 mil quilômetros até Brasília.
COLUNA LESTE – A Leste
largou no Rio de Janeiro, sob o olhar de JK, na porta do Palácio do Catete, e
percorreu 1,2 mil quilômetros até Brasília.
COLUNA NORTE – Foi a mais
complicada, a mais difícil e a mais longa. Com muitos problemas para os 60
veículos que compunham a longa travessia. Ela durou 10 dias e percorreu os 2,2
mil quilômetros de uma Belém-Brasília ainda em construção.
A coluna Leste teve
largada oficial no Rio de Janeiro, sob o olhar de Juscelino na porta do Palácio
do Catete, então sede do governo federal, para um percurso de 1,2 mil
quilômetros.
Foram três dias de asfalto, mas a maioria dos
integrantes já estava rodando desde São Paulo. “A bandeira saía do Rio de
Janeiro em automóveis brasileiros, com pneumáticos brasileiros, petróleo
brasileiro para trefegar por estradas asfaltadas com asfalto brasileiro”,
comemorou JK na época.
Seguiram por Petrópolis,
Três Rios, Juiz de Fora, Santos Dumont, Barbacena e Belo Horizonte. A partir
daí por Sete Lagoas e Três Marias, João Pinheira, Cristalândia e até Brasília.
O feito histórico marcou época não só pelo ineditismo de uma ação tão complexa e grandiosa, mas por usar uma frota com apenas veículos nacionais na estrada. Foram 137 no total.
Fruto de um movimento pela implementação do transporte rodoviário no País capitaneado pelo setor de indústrias, a caravana chegou ao Planalto Central em 2 de fevereiro de 1960, antes da inauguração de Brasília.
A caravana foi uma viagem
de contornos épicos, que teve a participação de 287 expedicionários em 137
carros, caminhões e ônibus que saíram dos quatro cantos do País. Uniu todos os
fabricantes de automóveis do Brasil. Eles cederam veículos, motoristas e
mecânicos para a jornada. Aventureiros, jornalistas, engenheiros, operários e
políticos também participaram da expedição.
A ideia era, como diz o
nome, a integração: o governo JK havia criado a noção de um País integrado pela
construção de estradas, pela ampliação de aeroportos e por uma marcha para o
interior. Na chegada dos viajantes, apesar da chuva, os candangos compareceram
em peso à festa, que contou com missa na Catedral e churrasco oferecido pela
Presidência da República.
Havia de tudo que se fabricava na época: Rural e Jeep Willys, DKW, Kombi, Fusca, Simca Chambord, Toyota Land Cruiser, caminhões Mercedes, Chevrolet, International, ônibus Caio com chassi FNM e até 25 Romi-Isettas.
E foi a turma dos paulistas que trouxe os veículos mais pitorescos: nada menos que 25 Romi-Isetta enfrentaram a estrada. Pequenas em tamanho e potência, as briosas maquininhas fizeram enorme sucesso.
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A caravana do Norte, que
saiu da Praça da Catedral, em Belém, foi a que mais rodou e, disparado, foi
a que enfrentou mais problemas: percorreu os 2,2 mil quilômetros de uma
Belém-Brasília ainda em construção. Foi uma sequência de atoleiros e
contratempos numa via sem a menor infraestrutura durante dez dias de chuvas
ininterruptas.
As dificuldades
enfrentadas eram tantas – em caminhos muitas vezes abertos às pressas – que por
onde passaram com seus caminhões, jipes e ônibus, os expedicionários eram
recebidos como heróis. Carros de passeio não fizeram parte do comboio da Coluna
Norte que, diante de tantas dificuldades, recebeu o título de “Operação
Tartaruga.”
Em Brasília foi construído o “Marco da Caravana da Integração Nacional”. O monumento foi instalado no canteiro da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral, entre as vias N1 e S1.
É uma cruz de metal com altura de 5 metros, com os pontos cardeais, que identificam o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste de um cruzeiro chamado Brasil A estrutura foi idealizada para simbolizar a expansão da malha rodoviária e a implantação da indústria automobilística em Brasília.
No desfile feito na
Esplanada dos Ministérios, o presidente da República esteve dentro de um
Romi-Isetta (consta que este automóvel faz parte de uma coleção de veículos
históricos de um proprietário de Ribeirão Preto – SP).
Em Brasília, Juscelino desfilou na caravana dentro de um Romi-Isetta.
FOTO 1: O prezado colaborador Eustáquio G. Nardini mandou as duas primeiras imagens de hoje sobre a Exposição “Átomos da Paz”, realizada em 1960 na Av. Chile.
A ideia era mostrar um
pouco de cada setor nuclear do mundo trabalhando para a paz universal. Além de
ver como funciona um Reator Atômico, quais os radioisótopos em uso, produção e
distribuição na agricultura e outros campos, havia painéis sobre fertilizantes,
outros sobre radiações diretas, alimentação nos animais, controle de insetos,
combustíveis atômicos, reações nucleares em cadeia.
Um dos destaques da
exposição foi o urânio puro obtido em São Paulo por cientistas brasileiros. A
exposição era dividida em duas partes, a brasileira e a americana. Nesta foram
apresentados maquetes, esquemas e miniaturas de reatores atômicos, instrumentos
de precisão, usinas geradoras, submarinos e navios atômicos, métodos de
pesquisa e obtenção de minerais atômicos.
No ano seguinte, em 1961,
houve outra exposição como esta, que foi mostrada em:
https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2023/07/atomos-em-acao.html
FOTO 2: A Comissão Nacional de Energia Nuclear, em colaboração direta com a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, realizou a Exposição de Energia Nuclear em um galpão de 50m x 20m, armado na Av. Chile, aberta em 1959.
Acho que vai ser difícil a identificação dos automóveis dada a resolução da foto.
Fica perto do Jockey Club,
no final da Av. Bartolomeu Mitre, esquina com Rua Rodrigo Octávio. Era “Atlantic”
e hoje em dia é “Ipiranga”.
Segundo o Dieckmann vemos
uma Vemaguet de 1957, Universal é seu nome, já com a porta traseira abrindo
para baixo e para cima. E bicolor, com um esquisito friso cromado dividindo as
cores e que foi uma invenção da Vemag, pois nunca vi tal ousadia nos carros
alemães. É o carro mais fácil de identificar. Depois, vemos um Mopar 46-48,
quase encostado no lotação Chevrolet. Há outro igual, de capô aberto,
estacionado.
Na penumbra, um Ford 37
ou perto, e um caminhão, que parece ser um Chevrolet Gigante - mas não garanto.
À esquerda, um saia e blusa que tem jeitão de Chevrolet 51-52.
O tema hoje é sobre a mureta que existe em frente ao Morro da Viúva. O primeiro nome dado a
este penedo foi “Mont Henry”, dado pelos franceses de Villegaignon. Sua
nomenclatura atual originou-se do fato deste morro ter pertencido, no século XVIII,
a D. Joaquina Figueiredo Pereira de Barros, viúva de Joaquim José Gomes de
Barros.
Em 1863, com a ocorrência
da Questão Christie foi construída neste morro uma bateria objetivando defender
a enseada de Botafogo, Flamengo até o Passeio Público. Pertenceu, durante muitos
anos, ao Comendador e construtor Antônio Januzzi, que dele extraiu pedras para
suas obras em toda a c idade até meados de 1920. O Obelisco da avenida Rio
Branco foi confeccionado com pedras deste morro. Em 1922 foi circundado pela Avenida
Rui Barbosa, sendo então loteado.
Texto a partir de consulta no Sindegtur.
Desde 1830 a Santa Casa
de Misericórdia lutava para erguer um hospício destinado a abrigar deficientes
mentais, haja vista que o expediente até então era de acolhe-los no antigo
Hospital da Santa Casa, na Rua Santa Luzia, construção do século XVIII e já
completamente obsoleta. Já há alguns anos os loucos mais furiosos eram encarcerados
na cadeia pública, processo desumano e incompatível com os progressos científicos
da época e que já eram conhecidos no Brasil.
A Santa Casa, que vivia
em dificuldades durante o Primeiro Reinado, na Regência, quando assumiu como
Provedor José Clemente Pereira, se reergueu. Ele conseguiu as verbas
necessárias para um novo hospital, que seria o Hospício de D. Pedro II.
A construção ficou a
cargo de José Domingos Monteiro, arquiteto do Hospital Central da Misericórdia,
o qual, usou como modelo de seu projeto, o velho Hospital de Charenton,
casa-mãe da Psiquiatria francesa. Depois interveio na construção o arquiteto
Major José Maria
Jacinto Rebêlo, o qual
acrescentou ao prédio a Capela de São Pedro de Alcântara.
Ocupava o prédio uma área
de 140 mil metros quadrados.
A 30 de novembro de 1852
realizou-se a cerimônia da bênção do Hospício de D. Pedro II. Pertenceu à
Irmandade da Santa Casa da Misericórdia até 11 de janeiro de 1890. Quando, por
desentendimentos políticos com o Provedor Visconde de Cruzeiro, passou o
hospital para o Ministério da Justiça e Negócios do Interior. Logo depois, quando
se lhe anexou a Colônia de Alienados da Ilha do Governador, passou a receber o nome
de Hospício Nacional de Alienados. Em 1911, houve uma separação dos sexos, fundando-se
uma nova colônia para as mulheres em Engenho de Dentro. Em 1942, as instalações
da Praia Vermelha foram transferidas, aos poucos, para novos hospitais como Colônia
Juliano Moreira e Gustavo Riedel, em Jacarepaguá. Estes modernos nosocômios foram
inaugurados em 14 de janeiro de 1944, podendo receber os primeiros doentes
removidos da Praia Vermelha.
Desocupado o velho
prédio, foi então permutado com a Universidade do Brasil, que dele tomou posse
em 1947. Sendo reitor da instituição o erudito professor e acadêmico Pedro
Calmon Muniz Bittencourt, soube, com rara perícia, obter do Ministério da
Educação e Saúde as verbas necessárias à restauração e adaptação do belo
palácio, com o fito de ali sediar a Reitoria e diversas faculdades da área
biomédica.
A inauguração da nova
sede universitária ocorreu oficialmente a 5 de dezembro de 1952.
Trinta anos depois, a
Reitoria foi transferida para a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, sede
da agora rebatizada Universidade Federal do Rio de Janeiro, ficando no velho
prédio algumas faculdades da área biomédica e cursos diversos de extensão universitária.
O prédio é tombado pelo
IPHAN.
FOTO 2: Nos dois primeiros
séculos de existência da cidade, todo o trecho marítimo que ia do Morro do
Matias (hoje, do Pasmado), em Botafogo ao Morro da Urca eradenominado de Praia
de Martim Afonso ou Praia de Santa Cecília. No século XVIII deram-lhe o nome de
Praia da Saudade.
No século XVIII, o Cônego
Dr. Antônio Rodrigues de Miranda, Vigário-Geral do Bispado do Rio de Janeiro e
proprietário daquelas terras fez doação de toda a orla e chãos adjacentes à
Santa Casa de Misericórdia.
Um século depois, a Santa
Casa aproveitou esses terrenos para ali erguer, de 1841 a 52, seu novo
nosocômio para alienados, o qual recebeu o nome de Hospício de D. Pedro II.
Em 1920, a família
Guinle, chefiada pelo empresário Guilherme Guinle, bem como a família Rocha
Miranda, dona da primeira concessão de uma linha de ônibus para a Praia
Vermelha, assim como outros amantes do iatismo, resolveram fundar o Fluminense Yachting
Club, cuja sede inicial foi no estádio do Clube Fluminense, em Laranjeiras,
logo depois transferida para a Praia da Saudade. Nesta nova sede, frequentemente
ampliada, havia casas de banho de mar antes de terem tornado mais acessíveis os
de Copacabana.
A Praia da Saudade foi
definitivamente aterrada em 1934/1935, para ali ser construída uma pista de
pouso de aviões, desativada na década de 1940.
Um projeto de ampliação
do Fluminense Yachting Club foi organizado por Oscar Niemeyer, mas as
ampliações acabaram sendo feitas aos poucos, sem um plano específico, até hoje.
O estabelecimento, depois rebatizado para Iate Clube do Brasil e, desde os anos
60, de Iate Clube do Rio de Janeiro.
FOTO 3: De Leuzinger, de
1865, mostrando o Hospício Nacional dos Alienados, na Praia da Saudade, Urca. O
prédio, hoje da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é um grande
retângulo enquadrando quatro grandes pátios internos, separados por um corpo
central, destinado de certo modo a distanciar as alas masculinas e femininas do
asilo. No bloco central estava a entrada única. Três grandes portões conduziam
ao átrio nobre, de onde se erguia uma escadaria monumental, que levava
diretamente à capela, no andar superior e, à meia altura, se bifurcava em dois
lances.
O prédio foi iniciado em
1842 e inaugurado em 1852, como Hospital Pedro II. Em 1890 tomou o nome de
Hospital dos Alienados e funcionou até 1944 quando os pacientes foram removidos
da Praia Vermelha para o novo hospício construído no Engenho de Dentro.
O prédio passou a ser usado pela Reitoria da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.
FOTO 6: Postal da coleção de Klerman W. Lopes mostrando a área da Praia da Saudade, na Avenida Pasteur, antes da construção do Iate Clube do Rio de Janeiro. Pode-se ver o Hospital dos Alienados (Hospício).
FOTO 7: Aspecto do prédio ainda no tempo dos bondes. Os trilhos que levavam à Praia Vermelha, ponto final da linha 4, passavam bem junto da estreita calçada.
FOTO 8: Pesquisa da Conceição Araújo: No Brasil, em 1830, não havia ainda tratamento para os doentes mentais: os ricos eram mantidos isolados em suas casas, longe dos olhares curiosos, enquanto os pobres perambulavam pelas ruas ou viviam trancafiados nos porões da Santa Casa da Misericórdia.
Nessa época, inspirados
pelos ideais revolucionários franceses, Pinel e Esquirol propuseram novas
formas de assistência à doença mental, que tinham, na existência da instituição
manicomial, o próprio método de tratamento. Essas ideias contagiaram a
recém-criada Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, que se mobilizou em torno
do lema: "Aos loucos, o hospício!", pleito esse formulado, em 1839,
pelo contundente relatório de José Clemente Pereira:
"...Parece que entre
nós a perda das faculdades mentais se acha qualificada como crime atroz, pois é
punida com a pena de prisão, que, pela natureza do cárcere onde se executa, se
converte na de morte".
Sensibilizado por essas denúncias e impressionado com os gritos dos loucos vindos dos porões da Santa Casa, D. Pedro II assinou, em 1841, o decreto de criação do hospício.