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segunda-feira, 26 de maio de 2025

BONDE A BURRO (1)

NOTA: com muita honra o "Saudades do Rio" recebe duas postagens estupendas enviadas pelo Helio. São dois trabalhos que se inserem totalmente no objetivo do "blog", relembrando com detalhes o que era a vida no Rio antigo. Mais uma vez agradeço publicamente a extraordinária colaboração.

BONDES A BURRO  (1 de 2), por Helio Ribeiro

Todos que frequentam regularmente o SDR já são especialistas em bondes elétricos. Mas o que dizer sobre os puxados a burro, normalmente relegados a segundo plano? Hoje e amanhã eles serão o tema. Como o assunto é vasto, serei extremamente conciso para não cansar ou desestimular a leitura pelos ilustres visitantes.

As fontes para esta postagem foram os sites do saudoso Allen Morrison e do Marcelo Almirante, além de fotos obtidas naqueles sites e na Internet.

Usarei o critério cronológico no desenvolvimento do tema e falarei sobre as principais companhias que usaram muares no seu serviço de bondes. Pela época das fotos, veremos muitas cenas do Rio antigo.

 

09/07/1856 – Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boa-Vista na Tijuca

Fundada por Thomas Cochrane, após obter concessão para uma linha de bondes puxados a burro partindo da atual Praça Tiradentes até a Tijuca. O ponto final era na chamada Chácara do Portão Vermelho, situada na atual rua Pinto de Figueiredo, aproximadamente onde fica o quartel da Polícia do Exército.

A extensão da linha era de 7 km e a bitola dos carros era de 1676 mm. Não existem fotos dos bondes dessa companhia. A gravura abaixo é simplesmente a do certificado da empresa.

Os bondes eram chamados de maxambombas¸ uma corruptela de machine pumps, nome em inglês para as locomotivas a vapor que inauguraram a linha férrea da Dom Pedro II, em 1858, trecho até Nova Iguaçu. O termo foi usado apenas porque tanto os trens quanto os bondes circulavam sobre trilhos, embora a tração fosse completamente diferente entre esses dois tipos de transporte.

As operações iniciaram em 30 de janeiro de 1859. Em 26 de março o imperador D. Pedro II batizou a empresa, que foi renomeada Estrada de Ferro da Tijuca. Inicialmente eram apenas dois bondes operando. Em 1862 passou para quatro, puxados por locomotivas a vapor. Em virtude de vários problemas econômicos e técnicos, a companhia faliu em 28/11/1866.

 

21/11/1866 – Botanical Garden Railroad Company

Charles B. Greenough, engenheiro-chefe e gerente-geral da Bleecker Street & Fulton Ferry Rail Road, de Nova Iorque, comprou do Barão de Mauá a concessão para uma linha de bondes do centro da cidade até o Jardim Botânico e fundou em Nova Iorque a empresa do título deste tópico. O governo hesitou em conceder a concessão para outro estrangeiro (o primeiro tinha sido Thomas Cochrane) e só a autorizou em 22/06/1868.

Em 09/10/1868 é inaugurado o primeiro trecho, partindo da esquina das ruas do Ouvidor e Gonçalves Dias e terminando no Largo do Machado, numa extensão de 3 km.

Abaixo, foto de um dos primeiros bondes da JB, construídos pela firma John Stephenson Company. A capacidade era de 18 passageiros sentados e 12 nas plataformas, num total de 30. A bitola era 1435 mm. A velocidade era entre 8 e 10 km/h. Em virtude da largura e capacidade dos bondes, era necessária uma parelha de burros para puxá-los.

FOTO 1

Em 1870 a JB introduziu os bondes abertos, que se tornaram padrão no Rio e em muitas cidades do Brasil. Eram fabricados pela John Stephenson Company. Abaixo uma foto desse modelo. Porém existiam variantes tanto em bitola quanto em número de assentos e disposição dos mesmos, no caso de bondes mistos e de segunda classe.

FOTO 2

A foto abaixo, de 1883, autoria de Marc Ferrez, mostra o ponto inicial da JB, na esquina das ruas do Ouvidor e Gonçalves Dias. Note que não havia rodo para os bondes.

FOTO 3

Em 1880 Greenough morreu e em 29/01/1883 a Botanical Garden foi rebatizada para Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico.

Em 1890 o ponto inicial passou a ser o Largo da Carioca.

Abaixo, foto em 1892 de um bonde de modelo fechado da JB circulando na avenida Treze de Maio. Atrás dele, parecido com um bonde, uma carroça. Note a mão inglesa.

FOTO 4

Em dezembro de 1891 a Jardim Botânico iniciou com recursos próprios as obras de abertura do Túnel do Barroso (posteriormente chamado de Túnel Velho), ligando os bairros de Botafogo e Copacabana, com extensão de 180 metros e largura de 6 metros. Em 15/05/1892 ele foi aberto ao tráfego e inaugurado oficialmente em 07 de julho do mesmo ano. Na inauguração, a largura em uma das bocas era o suficiente apenas para passar um bonde, bem apertado. Foto abaixo.

FOTO 5

Posteriormente a largura foi aumentada. Foto abaixo, com um bonde aberto prestes a entrar no túnel.

FOTO 6

Abaixo uma foto de 1894 mostrando um bonde aberto da JB na rua São Clemente. Um tílburi também aparece na foto.

FOTO 7

Em 08/10/1892 foi inaugurada a tração elétrica pela Jardim Botânico, iniciando a desativação da tração animal pela companhia.

 

23/06/1869 – Rio de Janeiro Street Railway

Os norte-americanos Albert Hager e Silvester Battin fundaram em Nova Iorque esta companhia, e a primeira linha foi inaugurada em 25 de novembro do mesmo ano, com término na Quinta da Boa Vista. A concessão também abrangia linhas para Caju, São Cristóvão e Tijuca, tendo sido utilizado o traçado da falida companhia de Thomas Cochrane, a primeira desta postagem.

Abaixo se vê foto de 1873 da estação da companhia, próximo ao Largo de São Francisco, na rua da Lampadosa, atual Luís de Camões. Posteriormente foram construídas estações na Tijuca e na rua Visconde de Itaúna número 307.

FOTO 8

Em 12/11/1873 a companhia foi renomeada para Companhia de São Christovão, com sede no Rio de Janeiro.

Posteriormente a companhia pegou concessões para os bairros do Estácio, Rio Comprido, Catumbi e Benfica. A bitola era de 1370 mm, os bondes eram de modelo aberto, porém de tipos diferentes.

Abaixo, bonde passando em frente ao Real Gabinete Português de Leitura, circa 1890. Em primeiro plano um tílburi, dos quais havia um ponto no Largo de São Francisco.

FOTO 9

Abaixo uma panorâmica e um detalhe de foto de 1890, da coleção do Instituto Moreira Salles, mostrando o Largo de São Francisco. Observe na foto do detalhe que há mais de um tipo de bonde, sendo o primeiro da fila provavelmente um de segunda classe ou bagageiro, por causa da disposição dos assentos e por ser fechado nas laterais.

FOTO 10


FOTO 11

Bonde misto (passageiros e carga), em 03/04/1904. Notem os rolos de feno na parte superior esquerda da foto e a plaqueta “Juncção do Electrico”, que tanta discussão já gerou aqui.

FOTO 12

Abaixo, foto de 1906 de um bonde da linha Catumby, circulando na Praça da República, em frente à Casa da Moeda na época.

FOTO 13

Abaixo, foto de um bonde da linha da Tijuca.

FOTO 14

Em novembro de 1905 a The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited adquiriu o controle acionário da São Christovão.

Pelo Decreto 1142, de 06/11/1907, a Companhia de São Christovão foi absorvida pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited, que assumiu todas as obrigações e condições do contrato daquela empresa.

 

22/02/1872 – Companhia Ferro-Carril de Villa Izabel

Fundada por João Baptista Vianna Drummond, o Barão de Drummond, com concessão para construir e explorar uma linha de ferro-carril para os bairros de Andarahy-Grande, Engenho Novo e São Francisco Xavier. A primeira linha em operação tinha 9 km de extensão, partindo da Praça Tiradentes até o portão da Fazenda dos Macacos (provavelmente no início do antigo Jardim Zoológico, próximo à atual Praça Barão de Drummond).

A estação principal ficava no Mangue, na esquina da rua Joaquim Palhares com o Boulevard São Cristóvão (na época Boulevard do Imperador), ocupando 6 mil metros quadrados. Atualmente a área está completamente desfigurada, com parte dela ocupada pelo conjunto habitacional Martin Luther King Jr. Uma pequena estação havia também em Vila Isabel, com 520 metros quadrados.

Em junho de 1886 a Villa Izabel incorporou as companhias de ferro-carril Villa Guarany e Cachamby.

Em 1888 a Villa Izabel encomendou três bondes do tipo abaixo à J. G. Brill Company, da Pensilvânia. Ao contrário dos bondes em uso na cidade, este modelo tinha estrutura de ferro, que era mais durável, porém pesava mais e forçava a parelha de mulas. Por isso a companhia não comprou mais nenhum exemplar dele.

FOTO 15

Abaixo, foto do momento em que estava sendo feita a troca da parelha de muares em um bonde da linha Engenho Novo.

FOTO 16

Em 1899 a companhia foi vendida pelo consórcio alemão BEG (Brasilianische Elektrizität Gesellschaft), que explorava os serviços telefônicos na cidade.

Em novembro de 1905 a The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited adquiriu o controle acionário da Villa Izabel.

Pelo Decreto 1142, de 06/11/1907, a Companhia Villa Izabel foi absorvida pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited, que assumiu todas as obrigações e condições do contrato daquela empresa.


----  (conclui amanhã) ----

sexta-feira, 23 de maio de 2025

PELA TIJUCA - NO CINEMA

 

FOTO 1: Projeto do arquiteto Robert R. Prentice, o Metro-Tijuca, situado na Rua Conde de Bonfim nº 366 (Praça Saenz Pena). No desenho do letreiro vemos em cartaz o filme “Fruto Prohibido”, com Clark Gable, Claudette Colbert, Spencer Tracy e Hedy Lamarr. Este cinema foi demolido em 1976.


FOTO 2: Foi inaugurado em 10/10/1941, com 1785 lugares, e funcionou até 26/01/1977.


FOTO 3: Vemos aqui o aspecto do interior do luxuoso cinema Metro-Tijuca. 



FOTO 4: Não sei a origem desta fotografia, infelizmente. Em cartaz o filme "O grande motim", um dos primeiros a ser exibido no Metro-Tijuca. Este é o de 1935, com Clark Gable, Charles Laughton, Franchot Tone e Mamo Clark.


FOTO 5: Realizava-se então o "Festival Internacional Mundial da MGM", de 11 a 17 de março de 1954, comemorando o Jubileu do 30º aniversário, com a apresentação de um filme por dia - em cartaz, no dia da foto, "Julio Cesar", de Joseph L. Mankiewicz, com Marlon Brando, James Mason e Deborah Kerr. 

À direita, podemos observar um bonde da linha 68 - Uruguai - Engenho Novo, passando em frente às Lojas Americanas. 


FOTO 6: Em 1957 os tijucanos acorriam ao Metro para assistir "A Árvore da Vida", com Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Eva Marie Saint, Agnes Moorehead, Rod Taylor, Lee Marvin, etc.


FOTO 7: Nos anos 70 estava em cartaz o filme brasileiro "A faca e o rio", com Jofre Soares e Ana Maria Miranda. E já tinha um "orelhão" bem em frente ao cinema. Foto: "Tijuca Antigamente".


FOTO 8: Também na década de 70 os tijucanos puderam desfrutar deste filme de vampiro chamado "Nas sombras da noite", com Jonathan Frid, Grayson Hall, Kathryn Leigh Scott, Roger Davis.


FOTO 9: Outro ângulo do Metro-Tijuca com o mesmo filme de vampiro em cartaz.


FOTO 10: E vale lembrar os inesquecíveis domingos pela manhã quando eram exibidos os desenhos de Tom&Jerry para alegria da garotada.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

AI - Inteligência Artificial

Nosso prezado amigo GMA me enviou um "link"de onde foram retirados os fotogramas abaixo. As três fotos já apareceram nos FRA-Fotologs do Rio Antigo. O diferente é que, por meio da IA, além de colorir, implantaram movimentos a todos os personagens que aparecem nas fotos. O filmete dura mais de oito minutos e tem outras fotos.

O "link" era: https://www.youtube.com/watch?v=Q0fXxK-oLew



O "Urca-Leblon", circular com ponto final na Urca, linhas 511 e 512, uma via Copacabana e outra via Botafogo, na minha lembrança tinha vários tons de azul e não de amarelo.

Estas duas moças enfeitaram o fotolog do amigo Derani com vários "YES!", "YES!", "YES!"

Esta fotografia muito conhecida é na Avenida Wenceslau Braz.

NOTA: o que fica é a certeza de que não se pode acreditar mais nada em termos de fotografias ou filmes. Qualquer coisa pode ser verdadeira ou falsa.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

PELOS LADOS DA BARRA

Lá pelos anos 60 ir à Barra a partir da Zona Sul era uma aventura e tanto. São Conrado era um limite mais aceitável para as meninas da época. O acesso à Barra era pela Estrada do Joá. Hoje relembraremos alguns locais daquele tempo.

A Cantina Tarantella, que frequentei muito, ficava na Av. Sernambetiba nº 850. Era um bom local para se comer uma pizza, tomar um chope, comer um bom prato italiano. 

Tinha aquela decoração típica, com parede de tijolinhos, fotos turísticas da Itália, aquelas garrafas de Chianti envoltas em palha. Acho que foi inaugurada na década de 1960.


Vemos a entrada do Bar e Restaurante Flamingo, na Barra da Tijuca. A foto é de 1967. À esquerda parece haver um Gordini.  Ficava na Av. Sernambetiba, na altura do km 2. Em 1976 começaram as obras para a duplicação da avenida, desde o Bar Flamingo até o Pontal. 

Não confundir o local anterior com a Boite Flamingo, na Estrada dos Bandeirantes.

Era o tempo de se fumar muito, do Cuba-Libre, pipoca e amendoim bem salgado na mesa da boate, do piscar de luzes indicando que a batida do Juizado de Menores iria começar, sinal para todas as meninas se trancarem no banheiro.


O "Dinabar" icava no inicio da Av. Sernambetiba, no nº 1004. Bom local para um almoço de domingo com frutos do mar. 

Quem foi lá deve lembrar de uma jaula no estacionamento. Dentro havia um macaquinho que fumava, tomava chopp e faziaoutras besteiras. Eram outros tempos, muito mais agressivos para os animais.

Desde 1951 já havia anúncios no "Jornal do Brasil" citando o "Dinabar", na Barra da Tijuca.

Em foto do final da década de 60, vemos o complexo “Ilha e Bar dos Pescadores”. À esquerda, o limite do campo do Itanhangá Golf Club e, à direita, o terreno onde mais tarde seria construído o Marina Barra Clube.


Em foto da revista "Manchete" vemos o "Hotel Recreio dos Bandeirantes". As citações que encontrei nos jornais da década de 1950 é que se localizava no "ponto final da Avenida Litorânea" (depois Av. Sernambetiba).


Numa Barra da Tijuca ainda com poucos prédios altos, esta foto do início dos anos 1970 mostra, à direita, o Tropical Tourist Hotel, na Avenida Sernambetiba nº 500, inaugurado em dezembro de 1971.

Possuía 100 apartamentos, com ar condicionado, música, TV, telefone e banheiro privativo de alto luxo. Todos os apartamentos têm sua garagem particular. Serviço de bar e restaurante 24h/dia, com renomados “chefs”, boate e playground. Possuía também um heliporto.

Curiosamente, este hotel "sério", em seus primeiros anos, não criava obstáculos para aluguel de acomodações por curto período de tempo. 


Alguém conheceu este restaurante localizado no Recreio dos Bandeirantes? A foto é do acervo de Victor Hugo Neves e foi publicada no Facebook.

sábado, 17 de maio de 2025

DO FUNDO DO BAÚ - ANTIGAMENTE ERA ASSIM

 

Ilustríssimo comentarista do "Saudades do Rio" foi obrigado, como castigo, a "fazer cem linhas" por mau comportamento: "Não devo falar durante a explicação das matérias."

 Será que o castigo foi eficaz?


"Classificação periódica dos elementos" e uma "régua de cálculo". Há muito tempo  sabia como manejá-las, mas hoje... 

Quantas coisas tínhamos que aprender e quantas serviram para a vida adulta? 

Encontrei um caderno de provas da década de 1960, do ginásio do Colégio Santo Inácio e não consegui responder a quase nenhuma das perguntas das diversas matérias. Somente consultando o Google saberia responder a todas. E vocês?

1) Quem criou os éfetas? A paz de Callia foi feita em que época? Onde morreu Ciro, o Jovem? Quando foi a paz de Antálcidas (História – 3º ginásio).

2) No “mapa-mudo” localizar a Península de Taitao, a Península Paraguamo, o Rio Negro (platino) e o Cabo Correntes (Geografia-2º ginásio). 

3) Quais os seis pecados contra o Espírito Santo? (Religião-2º ginásio). 

4) Conjugue o “présent du subjonctif du verbe savoir” (Francês-2º ginásio).

5) Determine a perspectiva paralela de um cone reto 0,06m de altura, sabendo-se que o diâmetro da base vale 0,06m e o afastamento do centro é igual a 0,05m (Desenho-2º ginásio). 

6) Numa proporção contínua o produto dos termos é 104976. O quarto termo é igual à soma dos meios. Escrever a proporção (Matemática-3º ginásio). 

7) Inscreve-se um triângulo ABC numa circunferência de centro O. Traça-se a bissetriz interna do ângulo A que corta a reta BC no ponto E e a circunferência no ponto D. Liga-se D a O. Mostrar que DO é mediatriz do segmento BC (Matemática-4º ginásio). 

8) Traduza: proelia contra finítimos civitatem perturbaverant (Latim – 4º ginásio). 

9) Qual a importância da lei de Proust para diferenciar uma mistura de uma combinação? (Ciências – 4º ginásio). 

10) Qual a diferença entre latria, hiperdulia, dulia e protodulia? (Religião-3º ginásio). 

11) Qual destes reis assírios conquistou Israel? Sargão II, Senaqueribe ou Assaradão (História – 3º ginásio). 

12) Defina e exemplifique substantivos epicenos (Português-4º ginásio). 

13) Hodie mira spectacula incolis praebebuntur (Latim-4º ginásio). 

14) Utilizando somente sódio, etanol e pentacloreto de fósforo, obtenha o éter dietílico (Química-2º científico). 

15)Enuncie e demonstre o teorema de Varignon (Ciências-4º Ginásio).

Poderíamos ser bem sucedidos ignorando tudo isto?

Muito antigamente eram assim os cadernos do Colégio Santo Inácio. Acabaram lá pelo início dos anos 1960.


Depois os antigos cadernos foram substituídos por estes da FENAME - Fundação Nacional de Material Escolar. Por que FENAME e não FUNAME?

Havia nas cores verde e amarela.

No final do curso já se usavam aqueles fichários da Papelaria União.


Na minha época eram assim as salas de aula do Colégio Santo Inácio. Abaixo do crucifixo ficava a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho. Usava-se paletó, todos os alunos deveriam ficar de pé e em silêncio quando o professor entrava na sala. A disciplina era muito rígida.

Nessas carteiras, divididas por dois alunos, ainda havia um buraco bem no meio da mesa, onde anos antes eram colocados os tinteiros. As cortinas das janelas pareciam velas de um barco.

Evidentemente havia muitas brincadeiras, sempre severamente punidas. Uma delas era colocar a mesa do professor o mais próximo possível da borda da plataforma, para que ela caísse no meio da aula. A chamada, que ocorria a cada aula, era pelo nome completo do aluno. O resultado é que todos sabem, até hoje, o nome completo dos colegas, tantas foram as repetições.


sexta-feira, 16 de maio de 2025

LUMINOSOS

 

FOTO 1: Em 2007 nosso prezado amigo Rouen publicou esta fotografia no estupendo "fotolog ARQUEOLOGIA DO RIO" com o seguinte texto: 

“Em meados dos anos 1950 eu morava na Av. Rui Barbosa e vivia incansavelmente debruçado na varanda vendo aquela vista fantástica. Passei a reparar uma mudança na paisagem em certa área acima da Av. São Sebastião, na Urca. Eram uns poucos painéis esverdeados que cresciam até formar um enorme retângulo. Ninguém imaginava o que poderia ser. Até que o jornal “O Globo” inaugurou o “Jornal Luminoso”, no final de julho de 1956.”

Lembro que muito se discutiu naquela postagem do Rouen como funcionava aquela “geringonça”, com todos os comentaristas palpitando. Recentemente descobri uma reportagem que explicava o funcionamento:

“Os jornais luminosos começaram no Japão, nos anos 50, quando um engenheiro que trabalhava com projetores coloridos de propaganda, inventou o jornal luminoso colorido.

Utilizando o mercúrio, que é um metal líquido, para fazer os contatos elétricos, o engenheiro eliminou a necessidade das chaves individuais de cada lâmpada, tornando possível a confecção de matrizes mais simples.

Em uma fita de papel “crafto” especial, medindo 22,5 cm de largura, são desenhadas as letras formando as palavras e as frases. Com uma ponta de fogo e seguindo a orientação de uma matriz, o técnico perfura o papel de acordo com o desenho prévio, correspondendo cada furo a uma lâmpada que se deverá acender no luminoso para a formação da letra ou do desenho previsto.

Depois de feitas as perfurações, letra por letra, de todo o noticiário ou do anúncio a ser reproduzido, procede-se a um lixamento da fita “crafto”, aparando-se as rebarbas e pulverizando-se sua superfície com um talco especial. Esta fita é colocada em uma máquina composta de vários cilindros, deslizando rapidamente até a caixa de comando. A caixa de comando tem forma retangular, medindo 25cm de largura por um metro de comprimento. Esta caixa tem como fundo uma placa de cobre com 5040 pontos de contato, ligados às 5040 lâmpadas do gigantesco luminoso.

A fita “crafto” desliza sobre a superfície de cobre, separando os pontos de contatos de uma camada de mercúrio carregada de eletricidade. Essa camada de mercúrio, que pesa vinte quilos, entra em contato com a chapa de cobre apenas nos pontos perfurados, estabelecendo assim a ligação e acendendo as lâmpadas correspondentes no painel. O contínuo movimento da fita, cujas pontas são emendadas, reproduz no luminoso tudo o que nela estiver gravado.

O primeiro jornal luminoso instalado no Rio tinha as seguintes medidas: 78 metros de comprimento por 12 metros de altura (936 metros quadrados), sendo suas letras coloridas visíveis a mais de quatro quilômetros de distância. Na sua estrutura foram empregados 2520 refletores de metal, 50 toneladas de ferro e 5040 lâmpadas de 120 volts.”

FOTO 2: A empresa responsável pelo “Jornal Luminoso” era a “Rainbow”. Este jornal fazia muito sucesso, mas aconteceu um fato curioso em abril de 1957, como comentou o Decourt: um gaiato qualquer ligou para o operador do letreiro, dizendo que era da redação de "O Globo", e mandou colocar a seguinte notícia "Rússia invade Turquia", ou seja, na época de Guerra Fria a 3ª Guerra Mundial poderia estar começando. A notícia ficou algumas horas no ar, apavorando muita gente...

FOTO 3: O "Jornal Luminoso da Rainbow" aparece bem à esquerda.

FOTO 4: Mas havia outros luminosos que chamavam a atenção. O anúncio da Salutaris com o copo se enchendo de água com gás, no Morro do Pasmado, era conhecido por todos que passavam pela vizinhança. 

Nesta foto vemos ainda o anúncio "Cinzano" atrás do prédio da Policlínica de Botafogo e, mais à direita, as sedes dos clubes Guanabara e Botafogo.


FOTO 5: Ainda na região do Pasmado, vemos os luminosos "Salutaris", "Cinzano", "Coca-Cola", "Mido".


FOTO 6: No Morro da Viúva, antes de ser cercado pelos arranha-céus, havia luminosos "Pilot" e "Chapeos Serricchio". O logotipo da Texaco do Posto Amendoeira aparece só um pouquinho, atrás das árvores.


FOTO 7: Bem à direita, no alto dos prédios, vemos mais dois luminosos que chamavam a atenção: o da "ESSO" e o do "Novo Mundo".