Total de visualizações de página

sábado, 18 de fevereiro de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - ANÚNCIOS

 No "Do fundo do baú" de hoje vemos antigos anúncios (reclames é coisa daquela estranha cidade do Sudeste) publicados pelo prezado Tumminelli.

Qual seriam os três automóveis que você escolheria?











quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

RUA REAL GRANDEZA

As fotos de hoje foram enviadas pela Cristina Pedroso e mostram o trecho da Rua Real Grandeza, entre Voluntários da Pátria e São Clemente, em meados dos anos 50, época em que a rua ainda era em mão dupla.

Esta rua já se chamou Rua Demétrio Ribeiro, Rua Sergipe e Rua Almirante Wandenkolk. Foi aberta na Fazenda da Olaria, de propriedade de Joaquim Marques Batista de Leão, adquirida em 1820, recebeu o nome em homenagem a Dom João VI. Do mesmo modo que a Rua Nova de São Joaquim, atual Rua Voluntários da Pátria, deve ter sido aberta em 1826 (segundo Paulo Berger).

As fotos mostram a saída de um casamento. Segundo a Cristina, o casamento foi realizado na Igreja de Santo Inácio e a recepção aconteceu na casa da família, na Rua Real Grandeza.

Era comum amarrar latas na traseira do carro dos noivos. Alguns logo as retiravam, outras seguiam por bastante tempo na brincadeira e eram saudados com toques de buzinas de outros automóveis.

Segundo consulta ao Dieckmann, os carros são: Austin A-40 (1948-1951), Buick 1951 e Ford 1951 (de traseira). De perfil é possível reconhecer um Chevrolet 1950 e um Oldmobile 1951.



Ainda segundo o Dieckmann, vemos um novíssimo Bel Air 1955, um Chevrolet 1947-1948 conversível, além de um Plymouth 1946-1948 no meio da rua.

P. Stilpen lembra que “Neste trecho fica a Igreja Anglicana (Christ Church), onde estão as pessoas e o recuo onde estão os carros estacionados (ali, nada mudou). Do lado direito, em frente, ficava o Colégio Santo Alberto Magno (o qual foi demolido, passando a instalar-se na Rua Camuirano).

Mais acima, onde está um carro pequeno e um outro visto parcialmente, está o prédio nº 100, o Edifício Ford, e subindo, em direção à São Clemente, a garagem Mucisa (onde funcionou uma revendedora Fiat).

A grande mudança na Real Grandeza se deu no lado direito da foto entre a São Clemente e o prédio nº 45 (todas as casas de 2 andares foram demolidas, sendo ocupadas pelo 2º Batalhão da PM). No trecho entre o nº 45 e a casa da British School (ao lado da Igreja), construíram um recuo e plantaram árvores, cujos galhos quebram facilmente e sujam e destroem a calçada, com suas raízes fortes.

Entre dois edifícios de 3 andares (são 5 de frente para a Real Grandeza), bem em frente da Rua Miranda Valverde (onde na esquina há o Colégio Rebeca) há o Jardim Montevidéo (também chamado de vila), onde há edifícios de 2 andares (apelidados "casas"), de 3 andares e um só de 4 ou 5 andares. As "casas" são compostas de 4 apartamentos imensos para os padrões de hoje (cerca de 150 m2) e quase ninguém as vende, passando de pais para filhos.

Nota do Editor: ver

 https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2018/12/jardim-montevideo.html

No quartel da PM (atualmente desativado) já houve as "clarinadas", às 5 h da manhã. Perto da esquina da Voluntários havia dois grandes concorrentes em termos de confeitarias: a Bragança, que ficava no atual prédio (consultórios médicos e de dentistas, em sua maioria) localizado na esquina, entre a Real Grandeza e a Voluntários da Pátria e sua forte concorrente, a Confeitaria Imperial ("A quem serve, prudência; a quem é servido, paciência").

Nota do Editor: ver

http://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com.br/2017/05/padarias-de-botafogo.html

Cristina Pedroso lembra que inspirado na Padaria Bragança, em 1932, Nássara compôs para um cliente do “Programa Casé” o que pode ser considerado o primeiro jingle da publicidade brasileira. Tudo aconteceu quando Casé foi buscar a esposa Graziela na escola em que trabalhava como professora, na Rua México. Na volta para casa decidiram descer do bonde para comprar pão numa padaria da esquina das ruas Voluntários da Pátria e Real Grandeza. À noite, ao comer o pão, Ademar ficou maravilhado. Um dos melhores que já havia experimentado. Passando no outro dia pelo local, decidiu descer e conversar com o proprietário. Alegava que um estabelecimento que fazia um pão tão bom quanto aquele, não poderia se furtar a anunciá-lo no rádio. Como o português se mostrava incrédulo, Casé ainda argumentou que o pão dali já estava fazendo fama e que, apesar de ser em Botafogo, o pão já era conhecido em Copacabana. "Seu" Albino não quis fechar o negócio, dizendo que nunca ouvira falar de padaria anunciando em rádio e que não valia a pena. Como Casé estava decidido a dobrar o cliente fez a seguinte proposta: "O preço é o seguinte: vou colocar o anúncio no ar. Se o senhor gostar, paga, senão fica de graça", finalizou Ademar. Nássara, ao ouvir a história se inspirou na nacionalidade do cliente e fez três quadrinhas em ritmo de fado, que foram ao ar na voz de Luís Barbosa (imitando o sotaque português), acompanhado por um coro. O refrão era repetido três vezes, intercalado com as duas quadras. "Seu" Albino ficou exultante com a propaganda e no dia seguinte, fechou um contrato de um ano de publicidade com Casé.

Jingle da Padaria Bragança (refrão)

"Oh, padeiro desta rua

tenha sempre na lembrança.

não me traga outro pão

que não seja o pão Bragança."

Depoimento de Lucia Milanez no site "Um balcão na Capital" 


Vemos, novamente, o carro dos noivos, devidamente "batizado", na saída da recepção de casamento, defronte à casa da família.

Na época a Rua Real Grandeza era de mão-dupla e o cruzamento que vemos logo após o automóvel dos noivos é o da Rua Voluntários da Pátria. Também de se notar: a placa do automóvel (Distrito Federal 1459), as lâmpadas da rua, o lotação, os trilhos de bonde (trajeto do "nosso" 14, que vinha/ia da/para Praça General Osório e transportava os alunos dos inúmeros colégios de Botafogo).

Confirmando a identificação feita pelo Dieckmann, o Rouen acrescenta que o Ford 1951 é o modelo Custom Fodor Sedan com carroceria de luxo número 73B.

O carro está no que hoje seria contramão, mais ou menos em frente à Rua Camuirano. Em direção à Voluntários, na esquina à esquerda, do mesmo lado, ficava a Padaria Bragança e do outro lado da rua a Imperial, até hoje funcionando no lugar mas já totalmente descaracterizada. 

Perto da Camuirano, o prédio da Telefônica ainda está de pé, mas com alguns andares a mais, acrescentados no começo da década de 70. 

O clube Germânia/Beira-Mar/Germânia e uma ou duas casas entre Mena Barreto e Henrique de Novais foram abaixo para Furnas construir sua sede. Todas as casas, na mesma quadra, entre São João Batista e Real Grandeza, também foram abaixo pelo mesmo motivo.

O carro e as pessoas estavam ao lado da antiga Confeitaria Bragança, que ficava logo após a casa de nº 129 (hoje em dia, foi construído um edifício recuado, com inúmeros consultórios). Mais adiante, à esquerda, após o cruzamento da Voluntários da Pátria, está a Confeitaria Imperial. 

O cruzamento da Voluntários com a Real Grandeza era caótico. As duas ruas eram de mão dupla, com bondes nas 4 direções, e fazendo conversões de uma para a outra rua. 


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

BAR LAMAS

Conta o Decourt que o famoso Café Lamas, que ficava na Rua do Catete nº 295, no Largo do Machado, foi fundado em 1874 e logo se transformou num dos pontos mais frequentados do Rio, ficando aberto 24 horas. Com as obras do metrô, em meados da década de 70, o prédio foi demolido e o Lamas se mudou para a Rua Marquês de Abrantes.

J.M. Bello, em "Memórias", conta que "o Lamas era um infalível ponto de reunião de estudantes, boêmios, literatos em embrião ou já em desenvolvimento autônomo...

Era sempre o mesmo ruidoso debate em torno das cousas da inteligência, entremeado de pilhérias, troças e trocadilhos que, na época, pareciam a mais alta prova de espírito".

Manuel Bandeira citava em crônica que o Lamas foi o único que sobreviveu a outros restaurantes "ouverts la nuit" da época, como o Stadt Munchen, o Critério, a Castelões, o Café do Rio, o Java. 

O prédio do Lamas está assinalado pela seta vermelha. Ele ficaria ao lado do cinema São Luiz (que foi inaugurado em 1937).

Luís Edmundo escreveu: "Quando conheci o Lamas havia um salão grande com mesas de tampo de mármores, rabiscadas com caricaturas e versos, a caixa situada próximo à entrada e, no fundo, uma divisória separando um outro ambiente, onde existiam numerosas mesas de bilhar e sinuca.

Tomava-se café, bebia-se chope, jogava-se sinucas, descontavam-se cheques no caixa, pendurava-se a despesa, deixavam-se e recebiam-se recados. Comia-se o melhor bife com fritas do Rio.

Mas o Lamas era sobretudo o lugar de encontro, de conversa, de ouvir boatos, de saber novidades. Em que jovens calouros encontravam-se com intelectuais já famosos e depois de alguns chopes todos confraternizavam.”


Nesta foto vemos o Café Lamas em seu primitivo endereço, com seu balcão de frutas na porta e um espírito muito mais boêmio que o de hoje, já que ele fecha atualmente muito mais cedo que seus frequentadores desejariam.

Ao lado podemos ver a porta do pitoresco estúdio fotográfico Hollywood e, à direita, o caixa cheio de tabaco, de charutos a cigarros, como se convém numa casa de alma boêmia .

Conta o Luis Edmundo em seus “Cadernos do Edmundo” que o Lamas tinha a tradição de nunca fechar suas portas, tradição tão levada a sério que nas três vezes que precisou, no seu primitivo endereço, cerrá-las teve que chamar especialistas, no início carpinteiros, quando da Revolta da Vacina e morte de Getúlio, e depois de um serralheiro, quando da entrega do imóvel para o Metrô para sua posterior demolição nos anos 70.


Entre os frequentadores do Lamas estavam os estudantes da Faculdade Nacional de Medicina que moravam nos fundos da faculdade. Chegavam ao Largo do Machado, onde havia uma estação de bondes. Ao lado dela ficavam a Confeitaria Francesa e o Cinema São Luiz. 

O Lamas foi fundado no século XIX por Constantino Lamas.

Este era o aspecto do Lamas quando o conheci. O famoso filé à francesa era, realmente, fantástico.


Vemos o salão de sinuca com seus lustres, o grande relógio, o ventilador de parede. 



Quando do primeiro alargamento da Rua do Catete, o saudoso General Miranda, cruelmente assassinado pelo Tumminelli, enviou uma carta ao "Correio da Manhã":

"Seria feliz se mais uma vez acolhessem esta despretensiosa missiva que tenho tentação de assignar visto a vossa habitual gentileza.

Muito freqüentei o Lamas em companhia de amigos. Na 
occasião em que foi approvado o plano para o alargamento da rua do Cattete, um verdadeiro assalto á fortuna particular dos infelizes moradores da região e a mim em particular que então ali residia, logo imaginei o desastre.

Era por todos sabido, e era questão de simples inspecção, que a rua do Cattete, nas partes mais estreitas e acanhadas, tinha mais de 12 metros de largura, de modo que bastava que os prédios fossem recuados na proporção de eventual avanço e não desapropriados integralmente, como queria a Prefeitura.

Foram noites e noites de discussão no Lamas, tentando nos defender do Sr. Prefeito, que não admittia restricções à sua vontade, criticas a seu saber, limites ao seu poder.

Os Miranda nunca contestamos a utilidade dos melhoramentos a executar na cidade e o embellezamento que se dê e se procure dar as nossas velhas praças e tortuosas ruas. Sempre achamos que um governo não se recommenda somente por grandes obras que faça; mas também e essencialmente pelo modo e pela forma por que as faz.

Se tal não fosse, deixaria de ser immoral o apophtegma dos jesuítas – o fim justifica os meios.

Os Miranda lideramos, a partir das mesas do Lamas, a opposição aos modos por que procedia o Sr. Prefeito, para não perdermos os nossos direitos, os nossos dinheiros, num dever cívico de defender uns e acautelar outros.

Como sempre, devemos reagir contra o arbítrio em má hora creado pelas autoridades e contra qualquer esbanjamento das rendas do município arrastado á bancarrota."


Fotograma de reportagem do Arquivo Nacional justo antes da demolição do prédio da Rua do Catete.

Fotograma de reportagem do Arquivo Nacional justo antes da demolição do prédio da Rua do Catete.


Fotograma de reportagem do Arquivo Nacional justo antes da demolição do prédio da Rua do Catete.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

ESQUINA DE FIGUEIREDO MAGALHÃES COM AV. N.S. DE COPACABANA

Há algumas décadas a mão de direção da Figueiredo Magalhães era em direção à praia. Mas o trânsito sempre foi um inferno.

À esquerda vemos uma das entradas das antiquíssimas, neste local, Lojas Americanas. A outra entrada era pela Av. N.S. de Copacabana.

A rua já estava alargada, o que fez com que em alguns trechos a calçada fosse muito estreita.


Não sei exatamente quando se deu a mudança para a atual mão de direção, mas creio ter sido na transição da década de 70 para a de 80.

Esta esquina é considerada uma das maiores da cidade quanto ao ruído. Hoje em dia, com duas pistas da N.S. de Copacabana reservada para ônibus e com o estacionamento irregular na pista da esquerda, este cruzamento é complicado e o sinal para cruzar a Figueiredo Magalhães demora uma eternidade.


Em todas as fotos vemos a loja da 
lanchonete RICK, de Ricardo Amaral que, inicialmente, tinha lojas no Leblon, Copacabana, Largo do Machado e Tijuca. Em 1974 pretendia ter outras lojas no Centro: uma na Visconde de Inhaúma, outra no Edifício-Garagem Menezes Côrtes e a terceira na Rua México.


Nesta outra foto, de época diferente, vemos a esquina por outro ângulo, agora a partir da N.S. de Copacabana.

Vemos, à esquerda, o terceiro prédio depois da esquina, onde ficava a entrada das Lojas Americanas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

COLÉGIO NOSSA SENHORA DA ESTRELA


Vemos anúncio do colégio no início do século XX, dando como endereço a Rua Conde de Bonfim nº 58 (depois nº 220-224). 

O “Correio da Manhã” publicou: “Collegio Nossa Senhora da Estrella – para meninas e meninos. Acceita alumnos de ambos os sexos, desde a edade de 5 annos. Interno, semi-interno, curso infantil, primario, secundario, piano. Tratamento bom e familiar. Saída de 15 em 15 dias. Também prepara para exame de admissão Ao Colegio Militar, Pedro II, Gymnasio Nacional e Escola Normal. As aulas começam às 9 horas e terminam às 16 horas. Directora, Rosa B. Campiglio.”

Na década de 1920 o colégio se mudou para a Rua da Estrella nº 63.


Em 1926 o colégio se transferiu para um palacete à Rua Santa Carolina, esquina da Rua São Miguel nº 58, “no alto e salubre bairro da Tijuca, com grandes accommodações de hygiene, refeições fartas e variadas, grande jardim arborizado e cercado de montanhas, matta virgem, pomar e linda vista para a cidade. Mobiliario esplendido e completo. Não tem enxoval, nem uniforme. Bondes Tijuca e Alto da Boa Vista. Entrada para automóvel. Pagamento mensal e adeantado. Telefone 8-1797”

No dia 20 de dezembro de 1926 o colégio comemorou seu Jubileu com uma grande festa com “cançonetas, comedias, dansas, gymnastica sueca e escada da vida pelos alumnos e alumnas, terminando com um baile ao ar livre, abrilhantado pela banda de musica do Corpo de Bombeiros”. 

Na foto acima aparecem os diretores na ocasião: Deolinda e Estevão Campiglio, descendentes da fundadora.

Em 1932 houve mudança da numeração, passando o endereço do colégio para Rua São Miguel nº 652.

Em 1940 o Colégio se transferiu para Rua Valparaizo nº 80.

Em 1943 faleceu Deolinda Campiglio.

Não sei até quando o colégio funcionou, mas, certa ocasião, o Menezes comentou: “Cheguei ao Rio de Janeiro em julho de 1956 portanto 3 anos depois desse registro acima. A família foi morar na Rua Santa Carolina, transversal da São Miguel, bem próximo a este Colégio. Lembro-me ainda que meu pai foi comigo até esta escola na tentativa de me matricular, mas como estávamos no meio do período letivo não foi possível. Tenho ainda a lembrança da fachada do Colégio.”


Nesta foto de final da década de 1930 vemos Moema Leite, mãe de minha amiga Lucia Beatriz, toda charmosa, no tempo em que freqüentava este Colégio que ficava na Rua São Miguel 652, na Tijuca.

Registro do fornecimento de marterial escolar em março de 1938, da aluna Moema Leite. 


Foto do acervo de Moema Leite, no ano de 1938.


De Leticia Carvalho recebi, há uns dez anos, as duas fotos acima, com o seguinte texto: "Meu avô José Alves Magalhães e seu irmão Ari Alves Magalhães estudaram no colégio interno “Nossa Senhora da Estrela”, de 1950 a 1956. O colégio era na rua Valparaiso nº 80, na Tijuca.

Os meninos e as meninas dormiam na casa do diretor que era na mesma rua no nº 45. Meu avô mora em São Paulo, mas sempre procuramos os amigos que ele tinha na infância. Procuramos perfis de pessoas com o mesmo sobrenome, mas as buscas foram infrutíferas. Inclusive encontramos uma senhora parecida com a D. Bonel que na época era a supervisora da escola do senhor Mario Novaes e sua esposa D. Hebe. Seus filhos eram Mario Novaes Filho, Marcia Novaes e a Sonia Novaes.

Estamos enviando essa foto que é uma relíquia, para relembrar da escola que não existe mais e, quem sabe, encontrar agora depois de muitas procuras, algum amigo de infância apareça e que possamos nos reencontrar. Aqui estão os nomes de alguns alunos da época:

Mario Novaes Filho - (filho do diretor)

Marcia Novaes

Sonia Novaes

Paulo Kengi

José Takachi

Olympia Rosa Lemos

Ieda Vanderlei Costa

Rui Seraphim

Elizabeth

Lucival

Cidinei (apelido “Mico Estrela”)

Aurea

Celso Baleia

Irmãos Inacio e Fabiano

Irmãos Sergio Moreira e Sandra Moreira

Denise 

e as professoras: D. Lear, D. Dalva, D. Elza.

 Obrigada pela atenção."



sábado, 11 de fevereiro de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - ANTIGUIDADES

 

POT-POURRI DE ANTIGUIDADES, por Helio Ribeiro

Essa postagem resgata vários itens do passado, sem preocupação com a categoria deles. É um apanhado geral, naturalmente incompleto, mas suficiente para nos levar de volta a algumas décadas. Alguns dos itens resistiram ao tempo e ainda podem ser encontrados, mesmo que um tanto diferentes do original. Os itens escolhidos são os de uso popular. Para os visitantes mais sofisticados deste blog, muitos itens serão totalmente desconhecidos.

1) AÇÚCAR PÉROLA


Quem não se lembra do famoso bordão "Saco azul, cinta encarnada"? O saco era de papel, na época da foto. A fábrica era em frente à estação ferroviária da Leopoldina. A chaminé espalhava uma fumaça branca, com cheiro de açúcar. Quem se lembra?

Luiz: um amigo era chefe do Depto. Médico desta empresa e me convidou a visitá-la.

2) SABONETES


Tanto a embalagem do Cinta Azul quanto a do Palmolive era de um papel corrugado. O fabricante do Cinta Azul era Carlos Pereira Indústrias Químicas S.A., situada na Rua Doutor Rodrigues de Santana, número 31, no bairro de Benfica. Essa rua liga a São Luiz Gonzaga à General Gustavo Cordeiro de Farias. No local, atualmente, existe um grande edifício, com o número 53. Se ele foi construído no local da fábrica, esta era bem grande.


A fabricante do Eucalol era a Perfumaria Myrta, que durante algum tempo patrocinou o programa "Balança-mas-não-cai", da Rádio Nacional. Quando o sabonete foi lançado, o público o rejeitou em virtude de sua cor verde, incomum numa época em que os sabonetes ou eram brancos ou rosa. Depois de algumas tentativas infrutíferas de alavancar as vendas, em 1930 o fabricante teve a ideia de lançar as Estampas Eucalol, seguindo uma moda de sucesso na Europa. Daí em diante foi um sucesso estrondoso. As estampas foram impressas entre 1930 e 1957 e até hoje são itens colecionáveis muito valiosos. Foram lançadas 54 séries, num total de 2.400 estampas.

O Vale Quanto Pesa já havia saído da minha memória. Foi uma surpresa redescobri-lo durante a confecção desta postagem.

Luiz: lembranças antigas são o sabonete Lux e o Phebo que, naqueles tempos, só tinham na cor preta. Hoje há em várias cores.



Usei muito o Spree, cujo nome é o de um rio que banha Berlim. O Solis, nem me lembrava mais dele. Redescobri-o ao preparar esta postagem.

3) TV's


À esquerda uma Invictus e à direita uma Admiral. A Invictus, fundada pelo ucraniano Bernardo Kokubej, foi a primeira fabricante de TVs em nosso país. Em 1951, ano seguinte ao início das transmissões de TV pela Tupi do Rio de Janeiro, já havia um televisor da marca Invictus no mercado. A Admiral era a marca da TV fabricada pela Springer Admiral, mais conhecida como fabricante de aparelhos de ar condicionado e recentemente comprada pela chinesa Midea.

A primeira TV da minha família foi uma Philips de 17 polegadas. Infelizmente não encontrei fotos desse modelo na Internet, mas ela se parecia bastante com a Invictus acima. 

Luiz: e os mais jovens nem sabem o que é seletor de canal, botões de horizontal e vertical, acertar o posicionamento da antena para o Sumaré, etc, etc.


Dois televisores Philco: à esquerda o modelo Predilecta, de 1958, e à direita o 3D. Do Predilecta eu me lembro, mas o 3D para mim é novidade. A Philco dominou o mercado de TV durante décadas. Hoje a banda toca para a Samsung e LG. O resto é o resto.

Luiz: este modelo da esquerda teve vida longa lá em casa. 


Acima temos uma Emerson e uma Colorado RQ "colorida". Quanto àquele papel celofane pregado no cinescópio, quem não se lembra desse estratagema pueril, mas que fazia a alegria da garotada?

Quando eu era criança nosso vizinho tinha uma Emerson, mas não era o modelo da foto. De vez em quando meu irmão e eu íamos, junto com o filho desse vizinho, ver TV na sala deles.

A Colorado surgiu em 1970. RQ era a abreviação de Reserva de Qualidade, teoricamente um atestado de qualidade do produto. Dizem que o Baú da Felicidade aos poucos foi comprando toda a produção da Colorado, fazendo com que ela paulatinamente deixasse de vender para o varejo. Um dia o Sílvio Santos fez uma proposta de compra da Colorado, o que não foi aceito. Então o Baú deixou de comprar a TV, e como esta havia se afastado totalmente do mercado varejista, a fábrica faliu no início dos anos 1980. Não sei se é verdade essa história.

4) GELADEIRAS KELVINATOR e CROSLEY SHELVADOR

Minha tia possuía uma Kelvinator, mas o modelo não era o da foto. Já lá em casa tínhamos uma Crosley Shelvador exatamente igual à da foto, só que de cor branca, posteriormente repintada em azul. Essa geladeira foi comprada de segunda mão pela minha tia, vendida por um chefe dela, em meados dos anos 1950. Ficou conosco até meados da década de 1980, só tendo dado problema uma única vez.

Luiz: de geladeiras antigas só me lembro de uma GE.

5) GRAVADOR DE ROLO AKAI 4000 DS


Famosíssimo na sua época. Qualidade de gravação e reprodução muito boa, segundo constava. O advento das fitas cassette pela Philips "matou" os gravadores de rolo. Porém até certo ponto o tiro saiu pela culatra. O mercado consumidor e industrial se dedicou de corpo e alma às cassette. Um dia, alguns consumidores mais exigentes começaram a se queixar de que a qualidade do som das fitas cassette não era nem perto das de rolo. Só que havia um impedimento técnico para igualar ambos: a largura da fita, que era patenteada pela Philips. Os fabricantes tentaram melhorar a qualidade do som alterando a formulação do material das fitas: originalmente de óxido de ferro, eles tentaram ferricromo, dióxido de cromo e ferro puro. Mas nunca conseguiram igualar a qualidade à das fitas de rolo. O advento dos CD's "matou" as cassette.

Luiz: tinha inveja de meu irmão mais velho que ganhou um gravador de rolo, não lembro se Philco ou Phillips, e raramente deixava eu usar...

6) SABÕES EM PÓ RINSO e MINERVA


A propaganda do Rinso dizia "Rinso lava mais branco". A briga entre as duas marcas era ferrenha. A Rinso saiu do mercado, mas a Minerva acho que continua até hoje. Atualmente, a OMO domina o segmento, mas outras marcas surgiram, como Tixan, Minuano, Urca, Brilhante, etc.

7) CIGARROS




Eu nunca fumei. Meu tio costumava fumar Elmo, Luiz XV e Continental. As marcas mostradas nas fotos eram as mais populares.

Luiz: também sou não fumante.

8) LEITES CCPL e VIGOR


Quantas histórias sobre essas garrafas de leite deixadas pelo padeiro na porta de casa, pela manhã cedinho! Antes disso, lá na rua passava um caminhãozinho bem velho, com um tipo de tonel na carroceria e com uma buzina imitando o mugido de uma vaca. Era chamado de vaca leiteira. Quando as pessoas ouviam o mugido saíam de suas casas com recipientes para comprar o leite. O tonel possuía uma torneira através da qual saía o leite. Era batizado? Provavelmente.

O Ronaldo, no seu excelente livro "Portão da Casa Rosa", cita algo muito parecido que ocorria lá em Irajá. Só que ao invés de um caminhãozinho o leiteiro usava uma carroça puxada por burro. Se não me falha a memória.

Agora vou divagar: em 1983 eu estava viajando de carro pelo interior da Nova Zelândia. Cheguei num fim de dia a uma cidadezinha chamada Kurow, na ilha do Sul. Tentei acampar num caravan park na entrada da cidade, mas não havia ninguém na recepção. Desci então ao longo da estrada/rua principal e me deparei com um motel. Parei lá e me dirigi à recepção, que era também a residência do dono do motel. Ele me alugou um quarto, bateu um papo comigo e disse que na manhã seguinte deixaria uma garrafa de leite na porta, pois ele era o motorista do ônibus escolar e sairia bem cedo. Esse ônibus estava estacionado numa rua lateral ao motel.

Dito e feito: na manhã seguinte, abrimos a porta e encontramos uma garrafa de leite de 600 ml.

E não deixa de ser interessante o fato de o dono do motel, teoricamente alguém de posses, ser ao mesmo tempo o motorista do ônibus escolar da cidadezinha. 

Para quem for curioso, o motel ainda está lá, porém bem diferente da época em que ali me hospedei. O link é https://tinyurl.com/5n7kkdfn. A casa que servia também de recepção está aqui no link  https://tinyurl.com/yftw32x6.

Luiz: gostava de ver aquela carrocinha com múltiplos compartimentos, azul e branca, que o leiteiro puxava como os burros sem rabo.

9) DESODORANTES

Marcas de desodorantes era o que não faltava. Ainda hoje, a profusão é imensa. Algumas das marcas mostradas nas fotos abaixo sobreviveram até hoje.






Ao longo da minha vida usei vários deles.

10) ELETROLA


Dispensa explicações. Havia muitos modelos diferentes. Os rádios costumavam ter três faixas de onda: longas, médias e curtas.

Luiz: saudade dos arrasta-pés de sábados à noite, que acabavam na hora em que hoje a garotada ainda está no aquecimento para sair.

11) RÁDIOS DE PILHA


Quem não se lembra desse famosíssimo rádio de pilha? Acho que foi o primeiro a surgir aqui no Brasil. Minha tia comprou um e quando íamos à praia o levávamos a tiracolo. 

Luiz: grande presente que ganhei. E ainda vinha com uma caixinha de couro, presa na alça, com um único "egoísta". Nada de um para cada ouvido. Era um só e pronto.


Posteriormente minha tia comprou exatamente esse modelo da Kobe Kogyo. Sem tirar nem por. Ele também nos acompanhou muito à praia.


Já minha esposa teve esse modelo acima, só que na cor vermelha.

12) BANHAS


Nos bons tempos em que a espada de Dâmocles do colesterol e triglicerídeos não estava sobre nossas cabeças, esses produtos eram usados na cozinha.

Luiz: esta lata de gordura de côco Carioca era um ícone nos armários da cozinha.

13) FERROS DE PASSAR ROUPA


Minha mãe usou muito esses dois modelos de ferro de passar roupa. O primeiro era a carvão e volta e meia ela o levava até a janela e soprava, não sei bem para quê. O segundo tinha a resistência de mica, e esta volta e meia queimava. Era preciso abrir o ferro para trocá-la. A fiação era de pano e de vez em quando dava problema no contato da tomada com o ferro. O modelo da foto me parece menor do que o usado por minha mãe.

14) CERA E ESCOVÃO


Esse era o terror de meu irmão e de mim. Toda sexta-feira minha mãe ia à feira-livre e nos incumbia de encerar a casa toda. Eram duas salas, três quartos e um longo corredor. Meu irmão e eu passávamos a cera e depois dávamos lustre usando escovões. Um deles era idêntico ao da foto. 

Luiz: escovão era sinônimo de férias em Petrópolis. 


Tempos depois foi comprada uma enceradeira Arno idêntica à da foto acima, para nossa alegria. Mas continuávamos tendo de passar a cera. O problema é que depois de algum tempo a enceradeira passou a nos dar choque. Aí foi comprado um modelo parecido, porém mais atualizado.

Para lustrar o chão encerado havia um feltro que era encaixado na escova da enceradeira. Só que esse feltro pulava fora com o giro da escova, obrigando-nos a toda hora desligar a enceradeira e recolocar o feltro. Ô, saco!

Abaixo, foto do feltro.

15) INSETICIDAS


Pernilongos são um aborrecimento antigo. Para dar conta deles, a ciência inventou vários apetrechos. Abaixo encontram-se dois deles. Quem não se lembra dessas espirais fumacentas e com cheiro forte? 

Luiz: era impressionante a quantidade de mosquitos e moscas. Flit e espirais eram imprescindíveis.

16) TELEFONES


Na postagem do dia 18/01 deste ano, no meu comentário das 13:52h, citei um telefone antigo existente na casa de uma tia-avó. Se não era igual, era muito parecido com o primeiro da foto acima. Não me lembro se havia dial para discar os números ou se era a magneto. Pela época em que o via, meados da década de 1950, talvez tivesse dial e assim seria parecido com o da segunda foto.


Esses tipos de telefone foram usados durante décadas. O primeiro deles era de parede e foi o que instalaram lá em casa, na Tijuca, em meados da década de 1950. O número era 58-8514, posteriormente 258-8514. Quando nos mudamos para o Engenho Novo, em 1973, o número permaneceu o mesmo, porém já era telefone de mesa (igual ao da segunda foto). Em meados de 1975 o número mudou para 201-1718 e assim ficou até fins de 1998, quando minha mãe se mudou para a Tijuca e cancelou o número.

Luiz: meu número era 57-9489, Copacabana.

17) MOEDOR DE CARNE E RALADOR DE CÔCO/QUEIJO PARMESÃO


O moedor era muito comum nas casas; o ralador, nem tanto. Quantas vezes eu moí carne no nosso amigo aí de cima. Já o segundo lá em casa era mais usado para ralar queijo parmesão. Poucas vezes o usamos para ralar côco.

Luiz: como me lembro de minha avó usando o moedor de carne. O segundo acho que é mais recente.

      --------------------  FIM  DA  POSTAGEM ---------------

Aproveitando o tema. tomo a liberdade, em homenagem ao Conde di Lido, colocar a imagem de um frasco do perfume Lancaster. Quem sabe das histórias deste perfume é o comentarista Menezes.