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sábado, 28 de outubro de 2017

DO FUNDO DO BAÚ: NOTA FISCAL

 
Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá sai esta Nota Fiscal, enviada pelo GMA, emitida pela LEITERIA NOVO MUNDO, de João Pinto & Leite, situada na Rua Marquez de Olinda nº 80, telefone 26-2452.
A data é 30/11/1937 e o destino é a Rua Princeza Januária nº 18 (confesso que tive que ir ao Google Maps para descobrir que esta rua liga as ruas Senador Euzebio e Barão de Icaraí, no Flamengo).
Podemos observar, mais uma vez, que naquela época quem emitia as Notas Fiscais tinha uma bela caligrafia e que os impostos eram cobrados por meio de estampilhas compradas em uma Coletoria e colados na Nota Fiscal.
Esta Nota me fez lembrar dos velhos tempos em que as carrocinhas de leiteiros deixavam os litros de leite bem cedinho na porta das casas ou dentro daquelas caixas de metal, com chave, que ficavam nos muros das casas.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

RUA BARÃO DA TORRE


 
Hoje temos duas fotos da Rua Barão da Torre, em Ipanema.
A primeira foto é de 1972 e mostra uma vila logo depois do nº 98, local da Paróquia Bom Samaritano da Igreja Evangélica da Confissão Luterana do Brasil (esta igreja fica à direita, fora da foto).
Nesta época era possível acessar a Rua Nascimento Silva, a pé, vindo da Rua Barão da Torre. Hoje em dia a vila está gradeada e a passagem não é permitida. Aliás, na Zona Sul quase 90% dos prédios está gradeada e a população vive “presa”. Neste trecho da Rua Barão da Torre, entre as ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo, há ainda outras vilas muito simpáticas.
No alto da foto podemos observar a estrutura do Panorama Palace Hotel, onde hoje funciona um CIEP, cuja entrada ficava na outra rua paralela, a Alberto de Campos.
A segunda foto é de 1969 e mostra a Igreja Batista de Ipanema (e um conserto de caminhão em plena rua). Em 20 de janeiro de 1968, com uma solenidade de dedicação, das 18h às 19h30, e culto solene, das 20h às 21h30, a Igreja Batista de Ipanema inaugurou o seu templo, à Rua Barão da Torre nº 37 (entre a ruas Jangadeiros e Teixeira de Melo).
O pastor da igreja, Sr. Antônio N. de Mesquita, cortou a fita simbólica, falando depois sobre a construção do prédio. No culto solene, o orador foi o Sr. Rafael Zambrotti, que leu a Bíblia e ainda a mensagem oficial sobre o novo templo, cabendo ao Diácono Pedro Tiago de Melo a oração de gratidão a Deus.
A Igreja Batista de Ipanema continua funcionando neste endereço.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

COLÉGIO CRUZEIRO


 
Vemos o Colégio Cruzeiro, situado atualmente na Rua Carlos Carvalho, nas vizinhanças da Cruz Vermelha.
Com o nome de Deutsche Schule (Escola Alemã), começou a funcionar na Rua dos Inválidos. Em 30 de novembro de 1939, a transformação da Deutsche Schule em Colégio Humboldt foi uma consequência da situação mundial.
Uma Lei do Estado Novo, nos anos 40, fechou alguns colégios (como o Aldridge) ou exigiu a troca dos nomes alemães (bares como o Adolf que virou Bar Luiz e o Berlim, que virou Bar Lagoa). Logo após, sociedade mantenedora e escola foram nacionalizadas, passando um período sob intervenção do Governo Federal.
Segundo o “site” do Colégio, o estabelecimento fechado em agosto de 1942, já em março de 1943 reabria com 240 alunos. Em fevereiro de 1943, o Colégio realizava os primeiros exames de admissão ao ginásio sob inspeção do Governo Federal e, em 1946, já sob a denominação Ginásio Cruzeiro, os primeiros alunos obtinham o certificado de conclusão do curso ginasial.
Em 1947 finalmente chegamos ao Colégio Cruzeiro e, a partir de dezembro de 1949, os alunos obtêm o certificado de conclusão da 3ª série do Curso Científico, habilitados, assim, para estudos superiores nas Universidades. Em 1948, o ensino da Língua Alemã tinha sido reintroduzido como curso livre.
Na segunda foto, de 1958, vemos uma festa junina dos alunos do Colégio Cruzeiro. Na foto estão se preparando para cantar o "Baião de São Pedro". Estaria o comentarista WHM entre eles?

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DOLORES

Esta belíssima fotografia foi publicada no “fotolog” COISA LÚDICA, da Milu, em 05/11/2009. Esta foto estava num porta-retrato na casa de uma amiga.
A linda moça é a Dolores, que nasceu em 1914 e faleceu em julho de 1995. Nesta época devia ter 19 ou 20 anos. Passava pela Avenida com um missal na mão. Serena, ia certamente para a missa e depois visitaria a loja do seu noivo que ficava na Rua Miguel Couto. O discreto senhor não resistiu e lhe lançou um interessado olhar de soslaio.
O absurdo é alguém se apoderar de uma foto alheia e colocar nela uma marca d’água, como se a foto fosse de sua propriedade, e publicar no Facebook.
Desrespeito.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

INSTITUTO HAHNEMANNIANO







 
Com exceção da primeira foto as demais são do acervo do Silva (publicadas pelo Francisco Patricio) e mostram o Instituto Hahnemanniano do Brasil.
Vemos a fachada do primeiro edifício do Instituto Hahnemanniano do Brasil. Foi criado em 1859 e tem como fim promover a propagação da Homeopatia. O instituto sempre funcionou na Rua Frei Caneca. Tinha como objetivo propagar a Homeopatia em nosso meio. Não conseguindo introduzir o ensino da Homeopatia na Faculdade de Medicina do Rio, em 1912 o Presidente do IHB, Doutor Licínio Cardoso fundou a Faculdade Hahnemanniana e, em 1916, o Hospital Hahnemanniano com instalações à Rua Frei Caneca, 94 em terreno e edificações obtidas do Governo da República.
Em 1924, atendendo a exigência do Conselho Superior de Ensino, passou a denominar-se Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano do Brasil. Em 7 de dezembro de 1948, tendo em vista o grau de desenvolvimento alcançado pela Escola, esta desvinculou-se do Instituto Hahnemanniano e se organizou como sociedade civil, cujos sócios eram exclusivamente, seus próprios docentes.
Reproduzo, a seguir, parte de artigo do médico americano Stephen Barrett " que questiona a validade da Homeopatia. Segundo ele, os "remédios" homeopáticos gozam de um status único no mercado da saúde: Eles são a única categoria de produtos charlatanescos legalmente vendidos como drogas. Esta situação é o resultado de duas circunstâncias. Primeiro, o Federal Food, Drug, and Cosmetic Act de 1938, que foi apadrinhado no Congresso por um médico homeopata que era senador, reconheceu como droga todas as substâncias incluídas na Homeopathic Pharmacopeia of the United States. Segundo, o FDA não aplica aos produtos homeopáticos os mesmos padrões que aplica as outras drogas. Atualmente eles são comercializados em lojas de produtos naturais, em farmácias, em consultórios, através do correio e pela internet.
(...)
Samuel Hahnemann (1755-1843), um médico alemão, começou a formular os princípios básicos da homeopatia no final do século XVIII, quando desenvolveu sua "lei dos similares". A palavra "homeopatia" é derivada das palavras gregas homoios (similar) e pathos (sofrimento ou doença). Se a substância original é solúvel, uma parte é diluída em nove ou noventa e nove partes d'água destilada e/ou álcool e agitada vigorosamente; se insolúvel, é minuciosamente moída e pulverizada em proporções similares com lactose (açúcar do leite) em pó. Uma parte do remédio diluído é então mais adiante diluído, e o processo é repetido até a concentração desejada ser alcançada. Diluições de 1 para 10 são designadas pelo numeral romano X (1X = 1/10, 3X = 1/1.000, 6X = 1/1.000.000). Similarmente, diluições de 1 para 100 são designadas pelo numeral romano C (1C = 1/100, 3C = 1/1.000.000, etc.). A maioria dos remédios de hoje variam de 6X a 30X, mas produtos de 30C ou mais são vendidos. Uma diluição 30X significa que a substância original foi diluída 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 vezes. Na verdade, as leis da química declaram que existe um limite para que uma diluição possa ser feita sem que ocorra a perda completa da substância original. Este limite, chamado número de Avogadro, corresponde às potências homeopáticas de 12C ou 24X (1 parte em 1024). O próprio Hahnemann percebeu que potencialmente não havia nenhuma chance de que mesmo uma molécula da substância original pudesse restar após diluições extremas. Mas ele acreditava que a agitação ou pulverização vigorosas em cada passo da diluição deixavam para trás uma essência "como um espírito" -- "deixando de ser perceptível aos sentidos" -- que cura por reviver a "força vital" do corpo. Os proponentes modernos asseguram que mesmo quando a última molécula se foi, uma "memória" da substância é retida. Essa noção é sem fundamento.
Se o FDA exigisse que os remédios homeopáticos comprovassem sua eficácia de modo a permanecerem comercializáveis -- usando o mesmo padrão que é aplicado para outras categorias de drogas -- a homeopatia encararia a extinção nos Estados Unidos. Os funcionários do FDA consideram a homeopatia como algo relativamente benigno (comparado, por exemplo, com os produtos não substanciados vendidos para o câncer e AIDS) e acreditam que outros problemas deveriam ser prioritários. Se o FDA atacasse a homeopatia com força demais, seus proponentes poderiam até mesmo persuadir um Congresso susceptível a lobby a salvá-la. Apesar deste risco, o FDA não deveria permitir que produtos sem valor sejam comercializados com alegações de que eles são eficazes. Tampouco deveria continuar a tolerar a presença de charlatanescos aparelhos "eletrodiagnósticos" no mercado. Em agosto de 1994, quarenta e dois críticos proeminentes do charlatanismo e da pseudo-ciência pediram para agência restringir a venda dos produtos homeopáticos. A petição pedia que o FDA iniciasse o procedimento de estabelecimento de regras para exigir que todas drogas homeopáticas vendidas sem prescrição satisfizessem os mesmos padrões de segurança e eficácia que drogas sem prescrição não homeopáticas. Também pediram uma advertência pública de que apesar do FDA permitir a venda de remédios homeopáticos, não os reconhece como eficazes. O FDA ainda não respondeu a petição. Entretanto, em 3 de março de 1998, em um simpósio patrocinado pela revista Good Housekeeping, o ex-Comissário do FDA David A. Kessler, M.D., J.D., reconheceu que os remédios homeopáticos não funcionam, mas que ele não tentou proibi-los porque sentia que o Congresso não apoiaria uma proibição formal.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE





 
O tema hoje é a Igreja da Santíssima Trindade.
Começamos com uma estupenda colorização do Nickolas Nogueira, já publicada anteriormente no “Saudades do Rio”. A seguir vemos fotos do “site” do arquiteto Henri Sajous (anos 40), de Ralf Kicher (anos 50) e de Jim Skea (anos 2000).
A igreja foi tema, também, de um ótimo “post” no desaparecido fotolog do Terra chamado “Saudades do Rio – O Clone”, do amigo Administrador Desconhecido. Este fotolog foi criado num período de férias do meu “Saudades do Rio” e consolidou-se como um dos melhores. O Administrador Desconhecido jamais quis se identificar publicamente.
A Igreja da Santíssima Trindade foi mais uma das obras do arquiteto francês Henri Sajous, que atuou no Brasil entre 1930 e 1959, quando então retornou à França. Situada no bairro do Flamengo, localizada à Rua Senador Vergueiro nº 141, a igreja é  belíssima e tem um traço moderno que ao mesmo tempo não se afasta dos projetos tradicionais de um templo católico.
"Projecto e fiscalização Sajous architecto D.P.L.G - Carteira Prof . nº 128 D, Av Nilo Peçanha 155 - Construtor Cia. Construcções OTTINO S.A, Responsável Carlo Alfonso Ottino, Carteira Prof. nº 53 L, Construtor Licenciado - 48 Rue do Catete no 606. Iniciativa do padre Aleixo Chauvin."
Segundo a Revista Arquitetura e Urbanismo, Ano V, em janeiro/fevereiro 1940:

"Trata-se da obra de um arquiteto, que tanto pensa no conjunto, como no menor detalhe e que trata a sua obra com carinho e entusiasmo. São 21 vitrais de 1m20 de largura e 8.00 de altura. Cada um destes é dividido por uma estrutura de concreto armado muito fina, formando uma cruz entre círculos sobrepostos. Cada um destes círculos contém um vitral, cujo motivo corresponde a um dos 137 vitrais existentes na catedral de Chartres. Na nave principal 18 estátuas de 2 metros de altura, integrando-se na composição arquitetônica das colunas. Obras primas do escultor Gabriel Rispal em pedra de Chauvigny."
Quando publiquei no “Saudades do Rio” a foto de Ralf Kircher, da década de 50, transcrevi comentários que constavam de um livro sobre o Rio, em edição em quatro línguas:
“A Igreja da Santíssima Trindade, na Rua Senador Vergueiro, projeto do arquiteto francês Henri Sajous, foi construída entre o final da década de 30 e início da década de 40, de concreto armado e pedra branca. A mesma pureza de linhas caracteriza o interior, ornado de alguns santos em pedra de boa talha.
Trinity Church, built in 1938, by the French architect Henri Sajous in concrete faced with stone, is remarkable for its sobriety of line, both inside and out, and fine statuary.
L'église de la Trinité, construite en béton et pierre blanche en 1938 par l'architecte français Sajous, est de ligne très pure à l'intérieur et sobrement ornée de saints de pierre.
Dreieinigkeits kirche, 1938 vom Architekten Sajous aus Zement und weissen Stein gebaut. Ihre Linienführung im Inneren ist eindrucksvoll, die Heiligenstatuen aus Stein sehr einfach.”
O “site” do arquiteto Henri Sajous, recentemente comentado pelo João Novello, vale a pena ser visitado:
https://www.sajous-henri.com/obras%20brasil%201930%201959%20rio%20br.html
Não sei se permanece a iluminação interna, pois nós últimos anos colocaram uma iluminação externa que não realça a beleza dos vitrais.
A Igreja da Santíssima Trindade era bastante frequentada pela colônia francesa do Rio e havia uma missa especial em francês décadas atrás. Provavelmente devido ao Padre Pierre, que esteve à frente da igreja nos anos 60.
Enfim, a igreja merece ser visitada, bem como uma outra igreja vizinha, que poucos conhecem: a da Paróquia da Nossa Senhora do Monte Claro, em homenagem a  Santo Estanislau. É conhecida como a “igreja dos poloneses” e fica na Rua Marquês de Abrantes nº 215.

domingo, 22 de outubro de 2017

IPANEMA


 
Nestas duas fotos do IMS vemos a região do Castelinho e do Arpoador, em Ipanema. As fotos foram tomadas nas cercanias da residência da família Barreira Vianna, na esquina da avenida Vieira Souto e Rua Francisco Otaviano.
Aí ao lado seria construído, mais tarde, o Colégio São Paulo e o famoso Castelinho de Ipanema.
A residência da família Barreira Vianna, cujo projeto e construção ficou a cargo do arquiteto Rafael Rebecchi, foi a primeira na praia e uma das primeiras de Ipanema.  Em sua oficina, que ficava ao lado da casa, Barreira Vianna construiu uma miniatura de bondinho elétrico, que corria em trilhos que ficavam no jardim e atravessava uma ponte sobre um lago. Anos depois, devido a problemas financeiros, ele vendeu a casa para o conde Modesto Leal.
Data de 1894 a fundação da Vila Ipanema, porém somente com a chegada do bonde, em 1902, o bairro tomou impulso. Os primeiros bondes chegavam à Praça General Osório pela Rua da Igrejinha (a Francisco Otaviano) e pela Avenida Vieira Souto, até a estação na esquina da hoje Rua Teixeira de Melo. Somente em 1914 as linhas de bonde iriam chegar no Bar 20, ao final da Rua Visconde de Pirajá. Em 1938, com o abandono da linha da Igrejinha, os bondes passaram para a Rua Francisco Sá.
 
O trajeto era por caminhos de areia, com dormentes e trilhos, passando em frente à porta da residência dos Catão, famosa construção tipo mourisca aparentando castelo, daí a denominação de hoje do Castelinho. No local está uma sólida construção de concreto: o "ferro de engomar" (esquina com Joaquim Nabuco)".
 
Na década de 1920 o bonde "Ipanema" saía da Avenida Rio Branco nº 152, tomava a direção dos bairros da Glória, Catete e Botafogo, seguindo para Copacabana ora pelo Túnel Novo, ora pelo Túnel Velho, até chegar a Ipanema, pela praia.