O
tema hoje é a Igreja da Santíssima Trindade.
Começamos
com uma estupenda colorização do Nickolas Nogueira, já publicada anteriormente
no “Saudades do Rio”. A seguir vemos fotos do “site” do arquiteto Henri Sajous
(anos 40), de Ralf Kicher (anos 50) e de Jim Skea (anos 2000).
A
igreja foi tema, também, de um ótimo “post” no desaparecido fotolog do Terra
chamado “Saudades do Rio – O Clone”, do amigo Administrador Desconhecido. Este
fotolog foi criado num período de férias do meu “Saudades do Rio” e
consolidou-se como um dos melhores. O Administrador Desconhecido jamais quis se
identificar publicamente.
A
Igreja da Santíssima Trindade foi mais uma das obras do arquiteto francês Henri
Sajous, que atuou no Brasil entre 1930 e 1959, quando então retornou à França. Situada
no bairro do Flamengo, localizada à Rua Senador Vergueiro nº 141, a igreja é belíssima e tem um traço moderno que ao mesmo
tempo não se afasta dos projetos tradicionais de um templo católico.
"Projecto
e fiscalização Sajous architecto D.P.L.G - Carteira Prof . nº 128 D, Av Nilo
Peçanha 155 - Construtor Cia. Construcções OTTINO S.A, Responsável Carlo
Alfonso Ottino, Carteira Prof. nº 53 L, Construtor Licenciado - 48 Rue do
Catete no 606. Iniciativa do padre Aleixo Chauvin."
Segundo
a Revista Arquitetura e Urbanismo, Ano V, em janeiro/fevereiro 1940:
"Trata-se
da obra de um arquiteto, que tanto pensa no conjunto, como no menor detalhe e
que trata a sua obra com carinho e entusiasmo. São 21 vitrais de 1m20 de
largura e 8.00 de altura. Cada um destes é dividido por uma estrutura de
concreto armado muito fina, formando uma cruz entre círculos sobrepostos. Cada
um destes círculos contém um vitral, cujo motivo corresponde a um dos 137
vitrais existentes na catedral de Chartres. Na nave principal 18 estátuas de 2
metros de altura, integrando-se na composição arquitetônica das colunas. Obras
primas do escultor Gabriel Rispal em pedra de Chauvigny."
Quando
publiquei no “Saudades do Rio” a foto de Ralf Kircher, da década de 50, transcrevi
comentários que constavam de um livro sobre o Rio, em edição em quatro línguas:
“A
Igreja da Santíssima Trindade, na Rua Senador Vergueiro, projeto do arquiteto
francês Henri Sajous, foi construída entre o final da década de 30 e início da
década de 40, de concreto armado e pedra branca. A mesma pureza de linhas
caracteriza o interior, ornado de alguns santos em pedra de boa talha.
Trinity
Church, built in 1938, by the French architect Henri Sajous in concrete faced
with stone, is remarkable for its sobriety of line, both inside and out, and
fine statuary.
L'église
de la Trinité, construite en béton et pierre blanche en 1938 par l'architecte
français Sajous, est de ligne très pure à l'intérieur et sobrement ornée de
saints de pierre.
Dreieinigkeits
kirche, 1938 vom Architekten Sajous aus Zement und weissen Stein gebaut. Ihre
Linienführung im Inneren ist eindrucksvoll, die Heiligenstatuen aus Stein sehr
einfach.”
O
“site” do arquiteto Henri Sajous, recentemente comentado pelo João Novello,
vale a pena ser visitado:
https://www.sajous-henri.com/obras%20brasil%201930%201959%20rio%20br.html
Não
sei se permanece a iluminação interna, pois nós últimos anos colocaram uma
iluminação externa que não realça a beleza dos vitrais.
A
Igreja da Santíssima Trindade era bastante frequentada pela colônia francesa do
Rio e havia uma missa especial em francês décadas atrás. Provavelmente devido
ao Padre Pierre, que esteve à frente da igreja nos anos 60.
Enfim,
a igreja merece ser visitada, bem como uma outra igreja vizinha, que poucos
conhecem: a da Paróquia da Nossa Senhora do Monte Claro, em homenagem a Santo Estanislau. É conhecida como a “igreja
dos poloneses” e fica na Rua Marquês de Abrantes nº 215.
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