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sábado, 9 de setembro de 2023

FIM DE SEMANA EM PETRÓPOLIS

Petrópolis era o destino em finais de semana e, sempre, nas férias. A casa de meu avô ficava na Rua Padre Siqueira e consistia nesta primeira construção onde eram os cômodos, além do terreno ao lado, onde havia um belo jardim e, mais ao fundo, um mini-campo de futebol, colado no morro.


A casa, à direita, o portão e, à esquerda, o jardim onde minha avó plantava hortênsias. À noite era um festival de pirilampos no jardim.

Em frente à casa, por anos, um mesmo senhor retirava areia do rio. É possível ver uma monte de areia retirada na calçada.


Esta era a vista da varanda de casa. Ali ao fundo, do outro lado do rio, ficava o Palácio de Cristal. Bem nesta bifurcação o Piabanha tinha duas cores, pois o braço que recebia os despejos da fábrica de cerveja Bohemia era amarelado. E tinha um cheiro característico.

Pela Rua Padre Siqueira, nas férias de janeiro, passava diariamente o Brigadeiro Eduardo Gomes pedalando sua bicicleta. Sempre nos saudava com um aceno.


Na varanda, de frente para o Rio Piabanha, o que mais um menino podia querer com tantos carrinhos e um posto de gasolina para brincar?
Só as rosquinhas que uma vizinha, D. Nicolaia, vendia.


Em colorização do Conde di Lido, minha "baratinha".


O programa à tarde era ir a um dos cinemas da Avenida XV, hoje Rua do Imperador, se não me engano. Era o tempo do Petrópolis e do Capitólio.


Na Petrópolis dos anos 50 misturavam-se carros, charretes, bicicletas. Estas, na época, tinham placas.


À esquerda ficava a estação de trem. Sempre íamos esperar a chegada do trem, às 8 horas aos domingos, para comprar o Correio da Manhã e disputar com os irmãos quem leria primeiro o caderno de quadrinhos coloridos.

Mais adiante, à esquerda, havia um "tiro ao alvo", em frente ao ponto final dos ônibus para os bairros como "Retiro", "Cascatinha", etc. Havia as espingardas de chumbinho para destruir pedaços de louça pendurados e as espingardas com uma rolha de vinho na ponta do cano para acertar maços de cigarros dispostos numa prateleira. 


O "rink" Marwill, entre o Petropolitano e a Praça da Liberdade, era o local ideal para patinar. Os patins eram alugados ali no fundo. Aos domingos pela manhã, alternadamente, havia jogo de futebol de salão ou de hóquei sobre patins.



 O D´Angelo era o local onde minha avó tomava chá e comprava os maravilhosos caramelos de chocolate, goiaba ou leite.


Meu avô era freguês do Restaurante Copacabana, também na Avenida XV. O filé com fritas era, óbvio, nosso prato preferido.


As charretes estacionadas ao lado do muro do Museu faziam parte do dia a dia de Petrópolis. Rivalizavam com as charretes mais simples alugadas na Praça da Liberdade, onde também se alugavam cavalos (para dar a volta na praça, para ir da praça até a Catedral, ou por hora).


A Catedral, ainda sem a torre. Minha avó e minha mãe não abriam mão. Domingo era dia de ir à missa.

Nas chuvas de 1966 o morro atrás da casa desmorou, destruindo-a até a metade. Felizmente não havia ninguém na casa. Meu avô optou por vender e o jardim se transformou num estacionamento cimentado e na casa instalou-se uma firma comercial.

Certa vez, passando por lá e fotografando a fachada, o dono saiu e me perguntou a razão das fotos. Disse que havia passado minha infância ali. Gentil, me convidou para entrar, mas preferi ficar com minhas recordações em vez de ver tudo transformado para pior.

Falta dizer que nossas férias eram ótimas, com muitos jogos dentro de casa, jogos de mesa e futebol, pedalar de bicicleta pela parte de terra da União Indústria, do outro lado do rio, andar a cavalo, ir ao cinema, passear no Quitandinha, olhar o Palácio Rio Negro quando o Presidente da República estava lá, ir lanchar nas Lojas Americanas.

Não havia televisão, mas não nos fazia falta. Todo final de tarde, na varanda, ouvíamos "Jerônimo, o herói do Sertão" e "As aventuras do Anjo".

E ter a companhia do avô e da avó era um privilégio. 

Coloca aqui, sob o "Anônimo" o comentário do Menezes. Não sei a razão de ele não aparecer nos "Comentários" quando abro o site no desktop. No celular aparece...


sexta-feira, 8 de setembro de 2023

FIM DE SEMANA EM PAQUETÁ

Com relação a Paquetá, Vivaldo Coaracy nos conta que já em setembro de 1565 foi concedida por el-rei a primeira sesmaria para Inácio de Bulhões.

Embora o nome Paquetá sugira "muitas pacas", é provável que a origem do nome tupi signifique "lugar das conchas".

A fotografia, do final dos anos 50, é tirada a partir da Praia Grossa, mostrando ainda a igreja Matriz da paróquia do Senhor Bom Jesus do Monte, reconstruída no começo do século XX por Antonio Lage, e a Praia dos Tamoios, local onde fica a famosa árvore "Maria Gorda".

Só em 1838 teve Paquetá os benefícios de linhas regulares de navegação a vapor, como porto de escala das carreiras que serviam ao porto de Piedade (grande entreposto no fundo da Baía da Guanabara, para o qual convergiam várias estradas de intenso tráfego, por onde se escoava a produção das fazendas do Rio e Minas Gerais).

A ilha de Paquetá é hoje, essencialmente, zona residencial, já ostentando, lamentavelmente, algumas favelas. É uma pena que todo o seu imenso potencial turístico seja subutilizado: a paisagem, as praias, o mar quase sempre sem ondas, a proibição de veículos motorizados de passageiros, suas ruas de terra, as bicicletas, o silêncio, são atrativos fantásticos.

As pitorescas charretes puxadas por cavalos foram proibidas, por suposto maus-tratos aos animais. Pode parecer estranho mas não se veem pedintes por Paquetá e há uma sensação de segurança comparável à da cidade do Rio de décadas atrás.

Para um giro completo pela ilha deve o turista exigir a ida, na parte Sul, pela Rua Luís de Andrade, Praia dos Frades e Caminho do Imbuca. Pela parte Norte, a passagem da Covanca e as praias do Catimbau e do Pintor Castagnetto.

E como recomendava o Braguinha:

“Esquece por momentos teus cuidados

 E passa teu domingo em Paquetá

Aonde vão casais de namorados

Buscar a paz que a natureza dá

O povo invade a barca e, lentamente

A velha barca deixa o velho cais

Fim de semana que transforma a gente

Em bando alegre de colegiais

Em Paquetá se a lua cheia faz renda de luz por sobre o mar

A alma da gente se incendeia

E há ternuras sobre a areia

E romances ao luar

E quando rompe a madrugada da mais feiticeira das manhãs

Agarradinhos, descuidados,

Ainda dormem namorados

 Sob um céu de Flamboyants”

A Praia dos Tamoios é a que avistamos ao chegar a Paquetá. A estação da barcas fica à esquerda.

A casa da família Arnizaut, onde passei algumas férias. Ficava em frente à Ilha dos Lobos. A foto é de 1948.

O fotógrafo está na vizinhança da casa da foto anterior. Vemos a Ilha dos Lobos e uma barca na chegada/saíde de Paquetá.


A estação de barcas de Paquetá em foto ao AGCRJ.

Cartão postal da coleção do amigo Klerman W. Lopes, mostrando a "Ponte" de atracação e a igreja de São Roque.


Foto da Manchete. Família grande se apertava na charrete para dar a volta na ilha.


A foto é dos anos 60, acho que de Marcel Gautherot, e mostra a tradicional charrete de Paquetá na Praia dos Tamoios.


Este "slide" colorido é de minha autoria e traz muita saudade. Foi a primeira vez que fui a Paquetá, nos anos 60. Éramos sete colegas do Santo Inácio. Quatro, infelizmente, já faleceram. Fomos de manhã, num feriado escolar, trocamos de roupa no Balneário Lido, onde havia cabines como aquelas antigas da Praia da Urca, passamos o dia por lá, quase que sozinhos, pois não era feriado para o público em geral.


O mesmo barco da foto anterior. Meu amigo Márcus e eu. Bons tempos.


O Balneário Hotel Lido era bem assim na época. Não tínhamos dinheiro para almoçar aí. Pagávamos apenas para utilizar uma cabine para trocar de roupa. Levávamos uns sanduíches, comprávamos uns refrigerantes (não tínhamos idade para bebidas alcoólicas) e sorvetes.


Com mais um amigo desde o Primário, no ano de 1965, em Paquetá, junto à famosa árvore "Maria Gorda", na Praia dos Tamoios. Tempos depois ele se tornou um renomado cirurgião-plástico pela Escola do Ivo Pitanguy.

Outro "slide" colorido mostrando a barca em que chegamos atracada na "Ponte", em Paquetá.


Outro "slide" colorido, alguns anos depois, já com as namoradinhas. Para evitar problemas desfoquei a imagem. 


Ali no fundo, à direita, vemos o antigo Hotel Fragata, na Praia Grossa, que fica à esquerda ao sair da barca. Era o caminho para a casa dos Arnizaut.


O Hotel Fragata, na Praia Grossa, em detalhe. Ficava pertinho do Paquetá Iate Clube.


O símbolo do Paquetá Iate Clube onde ocorriam memoráveis bailes de carnaval. Meus amigos adoravam. Eu fui a um, mas carnaval não é minha praia.


Cena típica de um dia em Paquetá há algumas décadas. A população residente nos anos 70 não deveria ultrapassar 3 mil pessoas. Hoje é o dobro. Em feriados e no verão a população em determinados dias ultrapassa 10 mil pessoas.


Os pedalinhos "modernos" que substituiram os dos anos 60. Naquela época havia também pequenos barcos a remo. Ficam na Praia José Bonifácio, diante do balneário Lido.

Foto de Roger Wollstadt mostrando o Bateau Mouche, em frente à igreja de São Roque em Paquetá, no ano de 1971.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

PARADA DE SETE DE SETEMBRO

Nos anos 50 o programa lá de casa era irmos todos ver o desfile de 7 de Setembro. Saíamos no grande Chevrolet preto do "velho", ali pelas 8 horas. Dias da Rocha, N.S.Copacabana, praias de Botafogo e Flamengo, Lapa, Mem de Sá, rua de Santana e estacionávamos perto da Presidente Vargas. 

Junto com meus irmãos, todos com uma bandeirinha do Brasil e um chapéu feito de papel, na forma de "bibico", ouvíamos o barulho dos soldados marchando sobre a areia depositada no asfalto.Não sei como aguentávamos até o final, mas só íamos embora depois do nosso tio, então Coronel, passar num jipe do Exército e do desfile dos soldados montados a cavalo.

Do José Roitberg recebi este email: “Luiz, restaurei alguns trechos de filmes do desfile de 7 de Setembro de 1946 na Av. Pres Vargas no RJ. Vemos os cavalarianos Dragões da Independência e o marechal Eurico Gaspar Dutra, a cores, artilharia no final com alguns 280 mm (não sei ao certo). Os filmes foram feitos pelo Signal Corps do exército americano durante a visita ao Brasil do general Dwight Eisenhower (Ike) o grande comandante da Invasão da Normandia (Dia D) e combates posteriores até a derrota dos nazistas. Posteriormente foi eleito presidente dos EUA. Certamente muitos ex-combatentes ainda incorporados estavam presentes.

A saber, o que parece ser areia no chão, realmente é. Nos desfiles militares costuma-se colocar areia para os coturnos fazerem um barulho diferenciado ao marchar. Participei em várias, enquanto oficial.

Continua o Roitberg: “O filme é rapidinho, 6 minutos. O “link” é: http://youtu.be/8k3N_bFypXI  

Recomendo verem o filme, que é de ótima qualidade e bastante interessante.”



Esta foto, do acervo do Silva, foi enviada por nosso amigo Francisco Patricio (a quem agradeço a gentileza), com a seguinte dedicatória:

"Mais uma homenagem ao Ilustre General Miranda, oficial culto e exemplar - algo pouco comum no atual círculo militar (e que foi tão injustamente enclausurado no Forte de Copacabana)".

Na época, assim respondeu o General Miranda:

"Ilustre Sr. Francisco Patricio, comovido, vejo encherem-se os olhos de lágrimas e redobrada é a honra por receber, nesta homenagem, foto dos tempos em que os companheiros de farda tinham admirável espírito cívico e porte moral invejável, algo em falta no momento atual.

Passo-a ao senhor Luiz D', com o pedido de publicação da mesma, pois quando já não se vêem manifestações, em tempo, de certo e especial respeito e instinto de conservação para com os marcos artísticos ou repletos de tradição, é um deleite ver a memória da cidade aqui exposta diariamente.

Lamento o quanto foi impiedosamente destruído para construir, muita vez, um novo sem alma e sem estilo.

Por isso, nossa cidade encontra-se desfalcada de muitas construções (e de tradições, como as paradas militares do Dia da Pátria), que poderiam refletir e documentar fases de épocas pretéritas ou manifestações do belo".

Ao ser informado deste presente, o Historiador Militar, que eventualmente nos visita, registrou que "o General Miranda se notabilizou, não só pela sua inteligência, mas pela extraordinária bravura: tomou parte na FEB que participou do assalto à Abadia de Monte Cassino (1944), enfrentando forças muito superiores àquelas que comandava.

Ao longo de sua gloriosa carreira, exerceu os lugares de instrutor de esgrima, diretor das oficinas de reparação de automóveis do Exército, vogal do Conselho Central da Cruz Vermelha Brasileira e do Pró-Sanatório dos Sargentos Tuberculosos dos Exércitos de Terra e Mar.

Fez parte do júri para as provas especiais de aptidão, para a promoção ao posto de major, dos capitães taifeiros.

Em meados dos anos 50, combateu ardorosamente os insurretos do General Lott, o que lhe valeu uma curta detenção no Forte de Copacabana (punição que se revelou, mais tarde, injusta).

Entre outras condecorações, é Comendador da Ordem de S. Gregório Magno (classe militar) com que Sua Santidade João XXIII o agraciou.

É autor de várias obras sobre assuntos bélicos, em que se destaca uma monografia muito interessante sobre o "Canhão Vickers de Seis Polegadas da Artilharia de Costa", tão apreciada neste Fotolog.

Por seu elevado nível moral e intelectual, este distinto morador da Rua Sorocaba, nos impressiona com a sua primorosa linguagem, como se pode ler em seu agradecimento.

Pelo que é justissima esta homenagem".

Fica,  pois, neste 7 de Setembro, a homenagem do "Saudades do Rio" ao inesquecível General Miranda.

 


Dizia o AG: "Confesso que não sou muito chegado a desfiles militares. E, ainda que tenha conhecido alguns militares (principalmente na Aeronáutica) muito legais, me embaralha a cabeça um sujeito se formar para "lutar na guerra". Sei que não é só de guerra que vivem os militares, mas, no fim de tudo, é para a guerra que existem todas aquelas armas nos quartéis."

Um conhecido comentarista, há tempos desaparecido do "Saudades do Rio", escreveu: "Acho estas demonstrações de poderio militar, tipo Parada de 7 de Setembro, uma brincadeira de meninos que cresceram mal educados e viraram homens recalcados que acreditam que seu poder sexual está todo localizado num grande rifle ou num grande canhão". 


Ainda existe desfile no Rio? Ano passado, salvo engano, fizeram um arremedo de desfile e comício eleitoral no Posto 6.


Jeovah Ferreira, de Taquari-DF, ontem n´O Globo: 

"Neste 7 de Setembro estarei na Esplanada com muita alegria, vou ver as tropas marchando com garbo, sem nenhuma afronta à nossa Democracia.
Este ano lá estarei. Vou estar juntos daqueles que amam o nosso Brasil.
Estou certo de que naquele espaço não haverá militantes do ardil.
Este ano eu vou. Eu sei que será diferente.
Não haverá inimigos da liberdade querendo ficar no poder eternamente.
Vou levar os meus netos. Todos com bandeiras nas mãos. Vamos gritar bem alto "Salve a nossa Democracia, salve a nossa Consituição".
O Hino da Independência, com júbilo vamos cantar, nossa pátria está livre daqueles que estavam a nos ameaçar".








quarta-feira, 6 de setembro de 2023

FOTOS FAMILIARES

Há quase 20 anos, quando começaram os fotologs do Rio antigo, começamos a pesquisar fotos nos poucos livros existentes, nos sebos (principalmente revistas antigas) e nas feiras tipo a da Praça XV.

Também turistas como o húngaro Gyorgy Szendrodi e o polonês Piotr Ilowiecki, nos deixaram registros importantes da cidade.

Pouco a pouco os "donos" dos acervos públicos, que chegaram a nos ameaçar com processos pela utilização das imagens em nossos fotologs, sem nenhum interesse comercial, passaram a disponibilizar o acesso às fotografias pela Internet.

Finalmente, com a criação da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, passamos a ter acesso a milhares de publicações.

Hoje em dia, como sempre dissemos, há tesouros perdidos em gavetas e álbuns familiares, com flagrantes estupendos sobre o Rio antigo.

Um deles foi recentemente descoberto pela Conceição Araújo. Trata-se de José Fernandes Ribeiro, descrito no Instagram como amante de fotografias. Ele era de Arari-MA e a esposa de São Luís. A família morou em Niterói, Rio e Brasília. Hoje temos algumas fotos dele pelo Rio.


Avenida Presidente Vargas em 1951.

Arpoador em 1971.

Vista desde o Pão de Açúcar na década de 40

Restaurante Alcazar em 1955, Praia de Copacabana


Praia do Flamengo em 1958.

Um agradecimento especial à família de José Fernandes Ribeiro pela disponibilização das fotografias familiares.


terça-feira, 5 de setembro de 2023

AEROCLUBE DO BRASIL - MANGUINHOS

O Aeroclube do Brasil mantinha uma pista de aviação em Manguinhos, ao lado da Avenida Brasil, tendo ali funcionado da década de 30 até a década de 50, quando foi interditado sob a alegação que atrapalhava o tráfego aéreo dos aeroportos do Galeão e do Santos Dumont.

A insólita foto acima, datada de 08/05/1960, mostra um avião DC-3, sem asas, parado em cima do que seria a pista lateral da Avenida Brasil, na altura de Manguinhos. Provavelmente estaria sendo rebocado e encontrou algum obstáculo que impediu, temporariamente, o trajeto.


Aspecto do Aeródromo de Manguinhos. Depois do campo de pouso do Aeroclube do Brasil ficar anos nos terrenos onde hoje está o Campo dos Afonsos (uma das bases da Força Aérea), o Aeroclube necessitou de um novo lugar para seu Campo de Aviação do Aeroclube. 

Então na década de 30 foi autorizada pela esfera municipal e federal a utilização de parte do terreno de Manguinhos. O Instituto Oswaldo Cruz (atual FIOCRUZ) permitiu que fosse destruída uma pequena elevação que havia em seu terreno para a construção do Aeródromo.



Conta  o Tumminelli que a inauguração do Aeródromo foi uma festividade repleta de autoridades civis e militares e a presença de Getulio Vargas era obrigatória, já que ele era entusiasta do local.

O Aeródromo de Manguinhos foi com o passar dos anos o principal Centro de Aperfeiçoamento de Instrutores. Havia também, paralelamente, Escola de Piloto de Recreio e Desporto, 

Lá foi realizado o primeiro Campeonato Brasileiro de Acrobacia. E todos os anos, durante a Semana da Asa eram realizadas concorridas provas aerodesportivas, com a participação de dezenas de pilotos. 

Nesta foto da década de 40, originalmente publicada no “Voando para o Rio”, do JBAN,  vemos que as instalações dispunham de hangares e até uma torre de controle. Ao fundo o Instituto Osvaldo Cruz.

Neste local temos hoje em dia a Vila do João, entre a Avenida Brasil e a Av. Bento Ribeiro Dantas, acesso à Ilha do Fundão e hoje parte da Linha Amarela.


Nesta foto, acho que do "site" da Escola Americana, vemos a jovem Sue Linda Perkins na parte dedicada ao aeromodelismo em Manguinhos.

A legenda era: "Sue Linda Perkins at the Manguinhos Model Flying facility on Avenida Brasil in 1961. The Kibon man was very popular as the heat was often unbearable!"


Aqui vemos outros alunos da Escola Americana com seus aviões.

Aviões Bücker Jungmann foram entregues em 1939 no Aeródromo de Manguinhos, em solenidade com a presença do Presidente Getulio Vargas. Os aviões foram adquiridos de acordo com o decreto-lei nº 678, para auxílio da aviação civil do Brasil. Ao Aeroclube do Brasil foram entregues 3 destes aviões: PP-AED, PP-AEE e PP-AEF.

Moças aviadoras no aeródromo de Manguinhos. Estaria entre elas a Sra. Leda Baptista, casada com o tenente Oscar Batista? Ela foi uma das que conquistaram "brevet" de piloto aviador em 1939.



Nosso prezado Rouen, encontrou em seu vasto acervo este antigo mapa “Esso-4 Rodas”, para dar uma ideia da localização do aeródromo. Nota-se que a Avenida Brasil ainda não se apresenta sobre o impresso já que suas obras foram iniciadas no começo da década de 40.