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Sempre tive vontade de publicar esta foto do acervo da Myrian Gewerc,
garimpada pelo Decourt para o “Foi um Rio que passou”.
Vemos o Leblon nos anos 50. Como conta o Andre Decourt,
"Estamos na Av. Ataulfo de Paiva, praticamente em seu final, a primeira
esquina que vemos é a da Rua General Artigas. Podemos observar um bairro
praticamente horizontal, tranquilo e despretensioso, praticamente o final da
cidade na época, lembrando uma cidade do interior.
Seria impensável nos dias de hoje a rua totalmente vazia, revestida de
paralelepípedos, com calçadas ainda na terra e com residências de grandes
quintais, sobrados comerciais e prédios espaçados e em grande parte com poucos
pavimentos. O grande terreno ajardinado deu lugar no meio dos anos 70 a um dos grandes prédios
comerciais com galerias do bairro, o “Vitrine do Leblon”. Já o pequeno sobrado
comercial que vemos bem na esquina sobrevive até hoje, sem seus ornamentos
art-déco e revestido de pastilhas, resultado de alguma reforma nos anos 60 ou
70 (atualmente no térreo funciona a Vezpa Pizzas).
O prédio de onde esta foto foi tirada ainda existe, sendo possivelmente
o que fica ao lado da Padaria Rio-Lisboa e que abriga o Talho Capixaba.
Mais a frente, após a esquina da Rua Rainha Guilhermina, o grande
prédio existe até hoje. É um dos pioneiros no bairro, com a típica arquitetura
dos bons prédios da década de 50, sendo o número 1.165 da Ataulfo de Paiva.”
Leonel Salgueiro confirma a década da foto, “pois o prédio de número
1.165, foi uma incorporação feita pelo meu Pai, Leonel Nunes Salgueiro, mais o
seu irmão José e outros dois sócios em 1949, sendo o 1° prédio de 8 andares do
Leblon. Minha Mãe morou nele, exatamente 60 anos, de 1951, quando ficou pronto,
até 2011 quando foi vendido. Acrescenta o Leonel que a casa na esquina da
Rainha Guilhermina, era do Dermatologista Antar Padilha Gonçalves, colonial
amarela e branca ficando ao lado da grande casa dos seus pais onde aparecem as
árvores, o Sr. Manoel Gonçalves e a Dona Celina Padilha, onde hoje é a Vitrine
do Leblon. No primeiro prédio de 2 andares, que ficava na esquina da General
Artigas, era o antiga sede dos Correios do Leblon”.
Continua o Decourt: “Vemos o típico urbanismo das avenidas onde passava
o bonde durante as reformas viárias de Henrique Dodsworth, luminárias pendentes
no centro da via, no lugar dos postes de iluminação nos canteiros centrais ou
dos postes padrão Light junto as calçadas, árvores que parecem ser cássias como
as que arborizavam a Visconde de Pirajá e a Av. Copacabana e que foram sendo
dizimadas pela poluição dos veículos a partir dos anos 50. Um detalhe
interessante é que não vemos postes de ferro fundido, todos na imagem são de
concreto armado, o que atesta a agressividade da maresia que, sem a barreira de prédios, penetrava
profundamente bairro a dentro.”
Meus comentários: este era o Leblon da minha adolescência. Por aí
passavam os bondes 12 (Leblon), 21 (Circular) e uma outra linha que ligava o
Leblon ao Jardim Botânico. Perto daí ficava o simpaticíssimo cinema Miramar
(inesquecível o final de cada sessão quando as portas se abriam para a Praia do
Leblon e seu fabuloso cenário). Nesta quadra, à direita, ficava o consultório
do Dr. Helio Mauricio, grande amigo do “velho”, cirurgião-geral e presidente do
Flamengo. Logo ali adiante o desaparecido Colégio St. Patrick´s (na esquina da
Rainha Guilhermina). Na outra esquina, a da Aristides Espínola, o triângulo da
boemia da época (anos 60) com o Real Astória, a Pizzaria Guanabara e o “nosso”
Portinho (Café e Bar Porto do Mar) que há tempos se sofisticou e virou o
Diagonal.
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